quinta-feira, julho 07, 2011

Para os EUA, talvez já seja tarde demais. O Estado de Segurança Nacional e o poder das corporações já são tão extensivos que até a Constituição dos EUA já está derrotada. Há nos EUA 2 milhões de norte-americanos encarcerados...



10 ideias para que as novas democracias árabes nascentes
consigam evitar os erros dos EUA

O Prof. Juan Cole publicou hoje em seu blog “Informed Comment”, uma carta aberta aos árabes: “10 ideias para que as novas democracias árabes nascentes consigam evitar os erros dos EUA”
(em http://www.juancole.com/2011/07/10-ways-arab-democracies-can-avoid-american-mistakes.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+juancole/ymbn+(Informed+Comment )
Várias daquelas ideias não são novidade no Brasil (o voto obrigatório, por exemplo, geraria melhor democracia que o voto facultativo; marcar eleições aos domingos ou tornar feriados os dias de eleições, também (“nos EUA, os ‘barões ladrões’ marcavam eleições em dias de trabalho, para que os trabalhadores não votassem”); separar estado e religião, idem; alistamento eleitoral obrigatório, idem; manter exércitos de defesa, mais que de ataque, idem. Algumas são mais fáceis de dizer, que de fazer (“não permitam que os judiciários se politizem”, “cuidem de garantir todo o poder aos sindicatos de trabalhadores” e “criem leis que impeçam os monopólios”, por exemplo).

Mas uma delas – não por acaso a primeira da lista – essa, sim, é receita garantida para democracia MUITO melhor que a dos EUA e do Brasil:

“1. As campanhas políticas contemporâneas nos EUA dependem pesadamente de tempo comprado às redes comerciais de televisão. Na Grã-Bretanha os anúncios de candidatos por televisão são controlados; na Noruega são completamente proibidos. Considerem a possibilidade de proibi-los completamente. Mas, decidam o que decidiram, proíbam, por lei, que os canais privados de televisão sejam pagos para exibir anúncios de campanhas eleitorais. Os custos dos anúncios eleitorais por televisão correspondem a 80-90% dos custos de uma campanha presidencial nos EUA. A próxima campanha eleitoral custará, a cada candidato, 1 bilhão de dólares.

O único modo pelo qual alguém pode aspirar a ser eleito é arrendando-se aos bilionários e às grandes empresas e corporações. O povo não tem poder algum para eleger seja quem for, vitimizado pelos ultra-ricos que, nos EUA, já capturaram toda a ‘mídia’, e acaba por eleger o candidato menor pior. Considerem a possibilidade de proibir anúncios pagos a redes comerciais de televisão nas campanhas eleitorais; imponham regras e sanções pesadas, porque, se a coisa ficar só na lei, os muito ricos sempre comprarão, para seu uso exclusivo, além das campanhas e candidatos, também os presidentes, deputados, senadores etc.”

E o Prof. Cole conclui:

“Se aplicarem a regra n. 1, acima, para manter o ‘big money’ longe das campanhas eleitorais, terão boa chance de combater as práticas monopolistas, Hoje, os EUA são governados por um pequeno número de semimonopólios, e o Departamento de Justiça quase nada pode fazer contra eles, porque, de fato, os monopólios elegem, pela televisão e pelos jornais, os candidatos que devem regular os monopólios....
Para os EUA, talvez já seja tarde demais. O Estado de Segurança Nacional e o poder das corporações já são tão extensivos que até a Constituição dos EUA já está derrotada. Há nos EUA 2 milhões de norte-americanos encarcerados, como num gigantesco gulag, muitos por crimes pequenos, ou pela cor da pele. Ultimamente, não fazemos outra coisa além de guerrear em terras distantes, nossos jovens mandados para morrer (e matar) longe, por ação de um ou outro interesse econômico jamais expresso com clareza. Somos revistados nos aeroportos, onde policiais nos veem nus. Nossos telefones são grampeados. A internet é censurada. Os trabalhadores dos EUA já praticamente não têm nenhum direito democrático significativo e perderam, recentemente, até o direito ao atendimento público de saúde. A luta contra os interesses da indústria da saúde privada enfureceu os bilionários, e os levou a inventar ‘movimentos’ apalhaçados como o “Tea Party”, que nada mais são que a fachada que se vê de gente como os irmãos Koch. Nunca ouviram falar dos irmãos Kock? Pois se não tomarem as medidas que sugiro, vocês logo conhecerão versões árabes daqueles dois.”
Sobre os irmãos Kock, ver “Os irmãos bilionários que comandam a guerra contra Obama”, 30/8/2010, Jane Mayer, The New Yorker (em português, em http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/09/os-irmaos-bilionarios-que-comandam.html)
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Os EUA têm de pôr fim à guerra ilegal contra a Líbia

6/7/2011, Dennis Kucinich, Guardian, UK
http://www.guardian.co.uk/profile/dennis-kucinich
Dennis Kucinich é deputado pelo Partido Democrata dos EUA,
representante do 10º distrito eleitoral de Ohio. Está no oitavo mandato.
Essa semana, apresento projeto de lei ao Congresso dos EUA, que porá fim ao envolvimento militar dos EUA na Líbia, pelas seguintes razões:

Primeiro, porque a guerra contra a Líbia é ilegal pelos termos da Constituição dos EUA e de nossa lei “War Powers Act”, porque só o Congresso dos EUA tem competência para declarar guerra e o presidente não conseguiu demonstrar que a Líbia representasse qualquer risco iminente aos EUA. O presidente ignorou inclusive a opinião de seus principais conselheiros legais no Pentágono e o Departamento de Justiça, que lhe demonstraram que a aprovação pelo Congresso era indispensável antes de os EUA bombardearem a Líbia.

Segundo, porque a guerra chegou a um impasse. Não é guerra que possa ser vencida, sem que a Líbia seja ocupada por terra por soldados da OTAN, o que configurará invasão da Líbia.

Toda a operação foi terrivelmente mal pensada desde o início. A OTAN apóia uma oposição baseada em Benghazi (cidade localizada no nordeste do país, região rica em petróleo), mas não há nenhuma prova de que aquela oposição tenha o apoio da maioria dos líbios.

O grupo de oposição Frente Nacional para a Salvação da Líbia (e que se suspeita que tenha sido apoiado pela CIA nos anos 1980), jamais teria iniciado uma guerra civil contra um governo líbio que sabia que jamais poderia derrotar, se não contasse com o apoio de massiva campanha aérea da OTAN e, agora, dado que isso não bastou, espera contar soldados da OTAN que invadam o país, por terra.

As ações levianas daquela oposição, encorajadas por interesses políticos, militares e da inteligência ocidentais, criaram a grave crise humanitária que, então, passou a ser usada como justificativa para a campanha de guerra da OTAN, contra a Líbia.

Terceiro, os EUA não têm dinheiro para sustentar aquela guerra. O custo da missão, para os EUA, deverá, em breve, superar a casa do 1 bilhão de dólares – e dentro do país enfrentamos cortes brutais nos serviços públicos devidos aos cidadãos norte-americanos.

Não surpreende que a maioria dos Republicanos, Democratas e independentes dessa Casa tenham a mesma opinião: que os EUA não podem continuar envolvidos na guerra da Líbia.

Essa guerra tem destino trágico. Invadir a Líbia seria completar o desastre. A OTAN já está fora de controle e serve-se de uma Resolução da ONU que visaria a proteger civis, como frágil pretexto para prosseguir em missão não autorizada de derrubada de um governo mediante emprego massivo de violência.

Numa palavra, o comandante da OTAN deve ser responsabilizado por inúmeras violações da lei internacional. Na tentativa injustificável de manter a guerra civil, a França, que é membro da OTAN, e o Qatar, aliado da coalizão, já admitiram que enviaram armas à Líbia – o que configura confessada violação do embargo de armas, que a ONU impôs àquele país.

No final, a principal vítima desse jogo entre nações será a legitimidade da ONU, de suas resoluções e mandados, e a lei internacional. Essa situação é insustentável. A proibição de que se forneçam armas à Líbia tem de ser aplicada, não desrespeitada pelos países membros da OTAN.

O apoio ilegal e contraproducente dos EUA a essas ações militares deve cessar imediatamente.

O Congresso dos EUA tem o dever de cortar todos os fundos que sustentam essa guerra, porque não há solução militar possível na Líbia. É indispensável iniciar negociações sérias em busca de uma solução política que ponha fim à violência e crie ambiente favorável para negociações de paz que visem a apoiar as aspirações legítimas e democráticas do povo. Uma solução política só será viável quando a oposição líbia entender que pôr e tirar governos do poder é privilégio do povo líbio, não da OTAN.
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Lula no Egito pós-Mubarak

Lula fará palestra no Egito

O ex-presidente estará no país árabe na próxima terça-feira. Ele vai participar de um fórum sobre oportunidades abertas após a queda do ditador Hosni Mubarak.
Alexandre Rocha alexandre.rocha@anba.com.br
São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ao Egito dar uma palestra na próxima terça-feira (12). Segundo sua assessoria, ele participará de um evento chamado Jobs.Now: Employment in Post-Revolution Egypt (Empregos.Agora: Trabalho no Egito Pós Revolucionário, em tradução livre), que será realizado na Biblioteca de Alexandria.

O tema da apresentação do ex-presidente, de acordo com sua assessoria, será "Transformando a sociedade: uma visão de desenvolvimento econômico e social equilibrado (o caso do Brasil)". O fórum é organizado pela Fundação Nebny, que, segundo seu site na internet, é formada por jovens que participaram dos protestos que culminaram com a queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, em fevereiro.

O objetivo do encontro, de acordo com o site da Biblioteca de Alexandria, é reunir personalidades das áreas política, econômica e social para discutir o futuro do Egito pós-Mubarak. O fórum na cidade mediterrânea terá duração de dois dias e vai contar também com a participação do economista norte-americano Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel.

Além do fórum, outros eventos vão ocorrer no Egito até o dia 18, como parte do festival Egypt Now. A programação inclui shows de música, feira de artesanato, turismo e negócios e encontro de organizações não governamentais. Além de dar destaque às oportunidades abertas com a mudança de regime, as atividades têm por objetivo incentivar o turismo, setor que sofreu com os protestos.

Depois do Egito, Lula deve ir à Tunísia, país que passa também por um momento de transição política. O ex-presidente tem tido uma agenda internacional cheia. Ele esteve na África na semana passada, na Cúpula da União Africana, na Guiné Equatorial, e em Angola. Esta semana ele visitou o Chile, onde se encontrou com o presidente Sebastián Piñera

http://www.anba.com.br/noticia_diplomacia.kmf?cod=12085051

quarta-feira, julho 06, 2011

"...o homem religioso encontra-se num estado de total desamparo. Em consequência da total repressão da sua energia sexual, perdeu a capacidade para a felicidade e para a agressividade necessária ao combate das dificuldades da vida. Quanto mais desamparado ele se torna, mais é forçado a acreditar em forças sobrenaturais que o apóiam e o protegem." Wilhelm Reich

Primeira campanha ateísta do Brasil é lançada em Porto Alegre

Milton Ribeiro e Vivian Virissimo
Porto Alegre se tornou nesta terça-feira (5) a primeira capital brasileira a exibir outdoors de uma campanha de mídia sobre ateísmo. A iniciativa é da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos e já havia sido recusada no final do ano passado pelas companhias de ônibus de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.
Outdoors começaram a ser instalados nesta terça-feira (5) em Porto Alegre | Ramiro Furquim/Sul21
A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) havia anunciado em 13 de dezembro do ano passado que alguns ônibus de Porto Alegre ostentariam mensagens ateias, porém, segundo Daniel Sottomaior, a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) teria desistido da campanha na última hora.
“Fiquei sabendo pela imprensa que a ATP vetara a veiculação dos anúncios. Quando contatei com a Associação, ela primeiro confirmou o veto e depois passou a dizer qua nada ocorrera e que desconhecia o assunto”, afirmou Sottomaior ao Sul21.
As peças são polêmicas e falam sobre fé, moralidade e ateísmo. Uma delas exibe as fotos de Charles Chaplin, que era ateu, e Adolf Hitler, que não era ateu, com os dizeres “religião não define caráter”. Outra afirma “Somos todos ateus com os deuses dos outros”, e traz imagens de uma divindade hindu, uma divindade egípcia e de Jesus de Nazaré, com as legendas “mito hidu”, “mito egípcio” e “mito palestino”. Uma terceira diz que “A fé não dá respostas, só impede perguntas”. Os cartazes devem ser exibidos ao longo de um mês.
"A fé não dá respostas, só impede perguntas", diz um dos cartazes | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Conforme pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, os ateus são as pessoas mais detestadas no país, merecendo repulsa, ódio ou antipatia de 42% da população. Para o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, o propósito da campanha é aproximar o ateísmo do dia-a-dia da sociedade e assim ajudar a diminuir o preconceito que existe contra ateus.
Em junho, a entidade ganhou uma liminar que lhe concedia direito de resposta na TV Bandeirantes para responder a comentários considerados ofensivos do jornalista José Luiz Datena, no extinto programa Brasil Urgente. A liminar foi cassada mas o julgamento do mérito continua pendente. Datena e a Bandeirantes foram processados por diversos ateus no país devido a esse episódio.
Na ocasião, Datena disse que só quem não acredita em Deus é capaz de cometer crimes. Para ele, ateus são “pessoas do mal”, “bandidos”, “estupradores”, “assassinos” e atribuiu a culpa da violência e da corrupção no país aos ateus.
Entre os dias 4 e 17 de julho estarão expostos dois outdoors. Os outdoors da segunda quinzena serão outros.
Os cartazes estão nos seguintes locais de Porto Alegre.
Bairro Bela Vista – Av. Carlos Gomes, 1229
Bairro Jardim Botânico – Av. Ipiranga, 3850 próx. Rua Barão do Amazonas
Bairro Chácara das Pedras – Av. Antônio Carlos Berta, em frente ao  Mc Donald’s do shopping Iguatemi
Bairro Petrópolis – Av. Protásio Alves, em frente ao Hospital Petrópolis na esquina com a Lucas de Oliveira
Matéria atualizada às 19h.
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Direito ao ateísmo e ao agnosticismo, a web e a luta pela vida sem preconceitos

Fantástica a repercussão obtida pela notícia veiculada pelo Sul21 ontem a respeito da instalação da primeira campanha de mídia sobre ateísmo no Brasil. Os dois outdoors colocados em Porto Alegre, por iniciativa da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, foram ainda vistos por muito poucos moradores e transeuntes, mas a notícia se espalhou como um rastilho de pólvora pela web, em todo o Brasil e no mundo. Em 60 minutos, 2.808 internautas acessaram a página noSul21. Até às 20h, segundo o Google Analytics (medidor de acessos utilizado pelo Sul21), tinham ocorrido 8.843 visualizações daquela página. Às 17h30, chegamos à primeira colocação nos trending topics do twitter. O acesso continua alto ainda hoje e, pelo jeito, o fluxo se manterá por alguns dias.
Mais surpreendente é o fato de tamanho ingresso de leitores ter ocorrido por meio de um assunto que, aparentemente, afeta a muito poucos brasileiros. De acordo com pesquisa realizada em 23 países do mundo pela empresa Ipos para a agência de notícias Reuters e divulgada em abril deste ano, o Brasil é o terceiro país em que mais se acredita em Deus, perdendo apenas para a Indonésia e a Turquia. Na Indonésia, 93% declaram acreditar em Deus, na Turquia são 91, enquanto no Brasil somam 84% os afirmam compartilhar desta crença.
Encabeçando a lista dos descrentes, segundo a pesquisa, apareceu a França, com 39%, a Suécia, com 37%, e a Bélgica, com 36%. O Brasil, apenas 3% declararam não acreditar em um ser supremo ou Deus e 4% que não têm certeza. Em todo o mundo, 58% disseram acreditar em uma “entidade divina”, enquanto apenas 18% afirmaram não acreditar e 17% declararam ter dúvida sobre sua existência.
Diante destes números, tanto da pesquisa, de um lado, quanto dos acessos à notícia do Sul21, de outro, fica claro que a internet e os veículos eletrônicos são movidos por meio de estímulos sobre nichos específicos. Quando se toca em uma questão que afeta a um determinado nicho (ou “tribo”), a notícia se espalha de modo instantâneo, como um raio. Ela “cai na rede” e dispara a comunicação virtual.
Este é um fenômeno que ocorre hoje em todo o mundo. Na Grécia, na Islândia, na Espanha, nas nações do Oriente Médio, na França, no Brasil etc. etc. etc. Em cada lugar e em cada momento ele se expressa de um modo e em resposta a um estímulo diferente. Mais do que motivações essencialmente “políticas” e ou “econômicas”, como as que moviam as massas urbanas do final do século XIX e de meados do século XX, o que embala as “explosões” na web hoje são motivações associadas a questões “meramente” comportamentais. São os “mamaços” (amamentações em público), as marchas das “vadias” e da “maconha”, as bicicletadas dos pelados, as paradas gay ou em prol da livre manifestação da homoafetividade e, agora, a campanha pelo direito ao ateísmo ou ao agnosticismo.
São todas manifestações pelo direito à vida e à liberdade, sem discriminações de qualquer ordem. No fundo, são manifestações pelo direito à indiferença. Pelo direito de todas as pessoas serem o que são, se isto não prejudica a outrem, sem que ninguém se incomode com isto. Ocorrem “espontaneamente”, porque não controladas por nenhuma organização específica ou por lideranças eleitas ou autonomeadas. São manifestações profundamente políticas e com repercussões econômicas significativas, conforme já demonstramos neste espaço. Só os partidos políticos e os retrógrados não percebem. Se não despertarem a tempo, ficarão para trás. É bom que corram!

Petraeus: chance de melhorar o seu ‘legado afegão’

6/7/2011, M K Bhadrakumar, Asia Times Online http://www.atimes.com/atimes/South_Asia/MG07Df03.html

David Petraeus, comandante dos EUA no Afeganistão, vai bater por dois anos e meio o recorde histórico de Douglas MacArthur. MacArthur precisou de todo esse tempo para cumprir o voto de “Eu voltarei”, que fez ao deixar as Filipinas em março de 1942.

Petraeus voltará à zona de guerra praticamente no dia seguinte, depois de partir, esse mês, do Afeganistão. No instante em que chegar a Langley, Virginia, para dirigir a Agência Central de Investigações dos EUA (CIA), Petraeus vestirá trajes civis e, metaforicamente, voltará imediatamente para o Hindu Kush.

Petraeus deixa o Afeganistão como general insatisfeito, que não venceu sua última guerra. Não conseguiu a ‘virada’ que tentou no Iraque e seu legado no Afeganistão fica inacabado, bem próximo do que se conhece como derrota. Nenhum general quer isso no currículo.

Mas o legado final de Petraeus ainda poderá ser melhorado. A estratégica de contraterrorismo dos EUA divulgada na 4ª-feira passada por John Brennan, conselheiro da Casa Branca, muda de foco: trata-se agora de eliminar terroristas usando tecnologia e meios militares sofisticados, sem ter de manter grande número de soldados na área
[1].

O próprio Petraeus fez declaração muitíssimo importante na 2ª-feira, cronometrada atentamente para coincidir com seu último 4 de Julho em uniforme
[2]. Disse que o foco da guerra do Afeganistão mudará nos próximos meses: do sul, para a porosa fronteira leste com o Paquistão, onde grupos afiliados da al-Qaeda e vários grupos militantes ainda permanecem ativos.

Explicou que “É uma mudança de instrumentos e competências de inteligência. Mudamos dos helicópteros armados. Talvez mudança de uma coalizão relativamente pequena de forças em campo e forças afegãs substanciais em campo” Para Petraeus, seria uma evolução estratégica, depois da fase sob seu comando, das operações militares.

Paraíso seguro

Verdade é que a mudança já começara, de fato, dia 15 de fevereiro – menos de três semanas depois que o importante agente de inteligência dos EUA Raymond Davis foi preso pelas agências da segurança do Paquistão em Lahore –, quando as forças da coalizão começaram repentinamente um processo de retirada das posições de combate no vale Pech na província de Kumar, no leste do Afeganistão, junto à fronteira paquistanesa. Os EUA disseram, então, que a retirada seria parte de um plano para mover as forças para áreas mais populosas; essa operação prosseguiu até ser completada dois meses depois.

Várias unidades do exército afegão também estacionadas em Kunar também saíram de lá. Como era de esperar, grupos insurgentes instantaneamente avançaram para lá, no vácuo de segurança. Dentre outros grupos, movimentaram-se Talibã afegãos e paquistaneses, os grupos Hizb-i-Islami, Lashkar-e-Taiba e vários afiliados da al-Qaeda. Não por coincidência, logo nas primeiras semanas depois da libertação de Davis no final de março, começou uma “guerra de baixa intensidade” ao longo da Linha Durand que separa o Afeganistão e o Paquistão.

Grupos militantes que usavam Kunar como paraíso seguro começaram a atacar forças de segurança do Paquistão ao longo de toda a fronteira. O Paquistão reclamou de ataques além fronteira; os militantes mataram 56 paramilitares paquistaneses e da polícia tribal e feriram 81 militares, só em junho. Por sua vez, o Ministério do Interior do Afeganistão diz que sofreu ataques de cerca de 800 foguetes desde o início de junho, que mataram 12 mulheres e meninas e 30 homens. Houve cerca de 55 feridos e 120 casas destruídas.

Os sentimentos pashtuns estão-se voltando contra o Paquistão. Tem havido manifestações públicas em Asadabad, capital da província de Kunar. Importante general e chefe de Polícia do Afeganistão em Asadabad demitiu-se, depois da resposta do governo aos ataques. Um destacado deputado da província Nangarhar, dominada pelos pashtuns, Fraidoon Momand, conclamou o presidente Hamid Karzai a romper relações com o Paquistão “por causa da chuva de morteiros paquistaneses que matou muitos civis inocentes.”

A fúria que cresce entre os pashtuns afegãos com certeza ressoará entre os pashtuns que vivem no Paquistão; e pode começar daí um ciclo vicioso de hostilidades. No domingo, mais de 300 militantes cruzaram a fronteira para o Paquistão e atacaram um posto de controle paquistanês – o sexto ataque além fronteira, em um mês. O porta-voz do exército do Paquistão, major-general Attar Abbas, teria dito, como os jornais publicaram, que “Já há algum tempo temos dito que há paraísos seguros que não consideram a fronteira. É preciso fazer alguma coisa.”

Não por acaso, matéria da Voz da América, na 2ª-feira, chamava a atenção para algumas graves implicações dessa situação:

“Fator que contribui para aumentar a tensão nessa fronteira – a chamada “Linha Durand” –, é que a região é disputada desde que foi criada no século 19 pelos britânicos. Tribos que ainda se agarram ao sonho de uma nação pashtun unificada recusam-se a reconhecer o que chamam de ‘linha arbitrária’. Mas os anciãos, em muitas vilas da região, que também são pashtuns étnicos, têm-se mostrado cada dia mais indignados com os ataques e dizem que podem pegar em armas contra os paquistaneses, se os ataques continuarem.”
Longos anos de guerra “assimétrica”

Para dizer tudo numa linha: a rápida retirada dos soldados norte-americanos e afegãos em Pech empurrou grupos militantes afegãos contra o exército paquistanês ao longo da Linha Durand, numa guerra “assimétrica”. Os militares paquistaneses, é claro, estão obviamente incomodados com a repentina retirada dos soldados norte-americanos e afegãos; e mantêm-se de lado, assistindo aos desenrolar dos acontecimentos.

Karzai adotou abordagem seletiva. Está discutindo a questão nos planos político e diplomático com o Paquistão, mas ordenou que soldados afegãos não reajam contra fogo paquistanês. Bem claramente, tenta não dar pretexto para que o Paquistão encene qualquer “perseguição quente” contra os grupos insurgentes baseados em Kunar. De fato, para fazer justiça ao governo de Kabul, Karzai tem pouco, talvez nenhum, controle real sobre as áreas de fronteira.

O movimento ascendente da curva da “guerra de baixa intensidade” alarmou o comando militar paquistanês. O Paquistão iniciou deslocamento de soldados, no fim de semana, na estratégica Agência Kurram – uma das rotas de fuga que os militantes usam do Waziristão Norte para as montanhas de Tora Bora. Está sendo organizada vasta operação que envolverá artilharia e jatos bombardeiros. Mas é mais fácil falar, que fazer. Rahimullah Yusufzai – um dos mais sensíveis analistas paquistaneses da questão afegã – escreveu na 3ª-feira:
“A ausência de qualquer controle pelo Estado nas fronteiras ao longo da Linha Durand, nem do lado do Paquistão nem do lado do Afeganistão, permitiu que os militantes instalassem ali as suas bases e passassem a operar impunemente (...) Os ataques transfronteiras que invadem território do Paquistão e as respostas de retaliação das forças de segurança paquistanesas têm provocado tensões na região e inflamado as paixões, sobretudo no Afeganistão (...). Mas as ações militares de larga escala também provocam mortes e êxodo de civis, além de perdas econômicas. Já há 4.000 famílias desabrigadas na Agência Kurram, que se somam aos refugiados do Waziristão Sul, Mohmand, Bajaur e outras regiões, e que esperam ser indenizados e realocados (...). O longo conflito que aguarda o Paquistão já criou problemas cuja solução exigirá anos de trabalho.”
A grande incógnita é se a crise crescente levará o Paquistão a repensar inteiramente sua política para o Afeganistão. Sem qualquer dúvida, a principal contradição da política do Paquistão já está, hoje, bem visível – a diferença que lá se cria entre “Talibã do bem” e “Talibã do mal”. Os eventos nas agências tribais ao longo da Linha Durand mostram bem claramente os laços e cadeias de apoio mútuo que aproximam e unem todos os Talibã. O Paquistão está tornando-se vítima do terrorismo.

O objetivo da política paquistanesa de instalar os seus “ativos estratégicos”no poder em Kabul tão logo os EUA se retirem de lá mostra-se, cada dia mais, como quimera, se se vê que o exército paquistanês não consegue arrancar-se, sequer, do labirinto de pashtuns na Linha Durand. Como comentou o jornal Daily Times, “a política de mão dupla dos paquistaneses para os Talibã pode pôr a perder todo o plano de jogo em nome do qual o Paquistão expôs seu território e seu povo a tão graves riscos. Já se veem claros, hoje, o retorno cada dia menor e os graves defeitos daquela política.”

É uma curiosa ‘virada’ nos movimentos de encerramento da guerra do Afeganistão. O quanto disso tudo brotou dos miolos de Petraeus ou deve-se a circunstâncias fortuitas é questão que se deve deixar para os historiadores militares do futuro. No presente, os militares paquistaneses precisam desesperadamente da ajuda das forças da coalizão, na fronteira com o Afeganistão.

O que interessa aos EUA

Nesse ponto, precisamente, entra a “oferta” que Petraeus trouxe, de deslocar para leste o locus da guerra: pode ser o alívio que o Paquistão esperava. Mas Petraeus disse que a mudança só acontecerá ao longo de vários meses – provavelmente, só depois da atual “estação de combates”. O que significa que, no curto prazo, as forças paquistanesas terão de encarar sozinhas a orquestra.

O que mais interessa aos EUA é que, sob a terrível pressão que se acumula ao longo da Linha Durand, o Paquistão faça, afinal, o que Washington sempre quis que fizesse: iniciar operações militares no Waziristão Norte. E em termos políticos, a preocupação dos militares paquistaneses com a segurança da Linha Durand dá aos EUA bons motivos para acelerar as conversações diretas com as lideranças dos Talibã.

Por trás de tudo isso, claro, está o que os EUA mais desejam que os militares paquistaneses façam: politicamente, que entreguem o grande chefe Talibã Mulá Omar; militarmente, que destruam a rede Haqqani.

De seu gabinete na CIA, em Langley, Petraeus estará monitorando o andamento dos trabalhos, polindo os passos finais de seu ‘legado’ na guerra afegã.

“O exército sou eu”

5/7/2011, M K Bhadrakumar, Indian Punchlinehttp://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/
A névoa da guerra é cada dia mais espessa nos estágios finais, com soldados deixando o campo onde se disputaram as batalhas de uma guerra incompreensível.

Em 1842, um soldado inglês sobreviveu para contar à base, em Jalalabad, o que acontecera à coluna comandada pelo major-general William Elphinstone que se retirava de Kabul em janeiro – o cirurgião-assistente William Brydon –, ele mesmo com metade do escalpo arrancado por um golpe de espada. Mas encontrou abrigo na tenda de um pastor afegão de bom coração que se apiedou dele, e sobreviveu. Mais tarde, quando os superiores lhe perguntaram que fim levara o exército inglês, Brydon respondeu com a frase que o tornaria famoso: “O exército sou eu”.

Pareceu-me muito intrigante a matéria publicada no Washington Post essa semana – “U.S. turns to other routes to supply Afghan war as relations with Pakistan fray” [O exército dos EUA busca rotas alternativas para os suprimentos na guerra afegã, enquanto se complicam as relações com o Paquistão] (WP, 2/7/2011, em
http://www.washingtonpost.com/world/national-security/us-turns-to-other-routes-to-supply-afghan-war-as-relations-with-pakistan-fray/2011/06/30/AGfflYvH_story.html).

Claro, faz sentido não depender só das duas principais rotas pelas quais transitam três quartos de todos os suprimentos para as tropas da OTAN no Afeganistão. Dada a atual fase pela qual passam as relações EUA-Paquistão, a coisa certa a fazer é buscar rotas alternativas. Mas o problema com rotas alternativas de suprimento pela Ásia Central é que todas dependem da boa vontade dos russos, e os EUA, antes de poder escolher, têm de decidir o que fazer com a Rússia – sobretudo se Vladimir Putin voltar ao poder no Kremlin, nas eleições de março de 2012. Como a história da Rússia mostra, Moscou sempre barganha, quando o interlocutor está desesperado.

Alguma coisa não está bem contada. Afinal, quando diplomatas russos e norte-americanos caem sobre Dushanbe, em disputa feroz pelo controle seguro da fronteira Tadjiquistão-Afeganistão; quando se digladiam em Bishkek, por que Moscou deveria facilitar a consolidação da presença militar de EUA-OTAN na Ásia Central?

Além do mais, a Rússia prestaria favor de tal monta aos EUA, sem consultar a China? E a China concordaria? No fim de semana, vazaram documentos, pelo site WikiLeaks, em que se vê a China rejeitando repetidos pedidos dos EUA para transitar por território chinês até o Cazaquistão, para ali embarcar por trem suprimentos para a guerra afegã.

O cerne da questão é que uma rota transitável, agora, é absolutamente indispensável para a retirada das tropas da OTAN, do Afeganistão. Anders Fogh Rasumssen, secretário-geral da OTAN, pode já estar construindo planos de contingência para uma retirada em ordem. Tem de pensar nos homens e em toneladas de equipamento pesado que terão de ser deslocados.

Tecnicamente, a melhor rota sempre será via o Paquistão até o porto de Karachi, e dali para a Europa. Mas sobre essa estrada alonga-se a sombra do exército inglês de Elphinstone, que assombra até o quartel-general da OTAN em Bruxelas. Assim sendo, Rasmussen já tomou o rumo do Mar Negro, para rápido encontro com Dmitry Medvedev, que passa férias num resort, em Sochi.

No Iraque, os EUA enfrentam o mesmo cenário assustador – e no Iraque, como se pode avaliar, com o grave complicador de os pelo menos 40 mil soldados a serem retirados terem de atravessar o trecho de 250 km de estrada em pleno deserto, até o Kwait.

Os comandantes dos EUA já tomam precauções, e pagam aos dez líderes tribais que controlam a estrada o preço principesco de 10 mil dólares mensais, oficialmente para que contratem operários para limpar as estradas, de modo que as colunas norte-americanas possam transitar por elas sem tropeçar em minas (Improvised Explosive Devices, IED) que militantes eventualmente plantem.

Em matéria de junho, o New York Times citava o coronel Douglas Crissman, encarregado de quatro províncias no Iraque. Para ele, levar os soldados dos EUA em segurança para fora do Iraque seria “um dos maiores desafios”. O coronel perguntou: “Fomos atacados hoje, e estamos acampados. O que acontecerá às colunas, quando estivermos alinhados, vários caminhões carregados de soldados, em movimento para fora do país?”

Ninguém duvida de que a estratégia dos militantes – como já se viu no ataque dos Talibã ao Hotel Intercontinental em Kabul – será multiplicar os ataques e, assim, pressionar Washington a uma retirada rápida e completa, sem deixar no deserto da Mesopotâmia nenhum soldado e nada além das pegadas dos norte-americanos na areia, quando se forem.

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Invada, ocupe, assalte! Viva o marketing!

6/7/2011, Pepe Escobar, “Have lobby, will travel”, Asia Times Online

Interrompemos o capítulo de hoje do psicodrama global-fascination da hora – “DSK (Dominique Strauss-Kahn) é pervertido”? “Gosta mesmo da coisa?” “Foi vítima de conspiração?” –, para informar os distintos telespectadores sobre como vencer uma “ação militar cinética” moderna, no campo do ‘marketing político’, das “Relações Públicas” (e da ‘mídia’). Claro. E onde mais poderia ser?!

Fato é que o combate entre o macho branco poderoso versus a mulher africana pobre numa suíte de hotel em Manhattan hotel já não conseguirá tão facilmente roubar audiência de outro combate: a guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a Líbia. Seja lá o que tenha acontecido ou venha a acontecer, vencerá quem contratar a melhor equipe de ‘Public Relations’ (que, no Brasil, chama-se ‘marketing político’).

Assim se prova também que os muito incensados ‘rebeldes’ líbios – gangue de desertores oportunistas, assalariados da CIA, clérigos salafistas ligados à jihad e líderes tribais gananciosos – não são tão puros e inocentes quanto a massiva barreira de propaganda ocidental insiste em repetir que seriam.

E assim se explica também por que os ‘rebeldes’ rejeitaram um bom plano de paz proposto pela União Africana na semana passada – cessar-fogo imediato; deslocamento para a Líbia, de uma força de pacificação da ONU; o coronel Muammar Gaddafi afastado das negociações para a transição. – E disseram que o plano da União Africana seria “anti-introdução” a qualquer acerto.

Em vez de iniciar conversações, os ‘rebeldes’ iniciaram outro ataque “massivo” contra Trípoli, com armas fornecidas – ilegalmente – pelo neonapoleônico Nicolas Sarkozy da França, e os inevitáveis bombardeios aéreos da OTAN.

Pode-se apostar que a tal “ofensiva” – nada além de rapazes cheios de energia, armados com AK-47s e montados em caminhonetes, contra os mísseis soviéticos Grad de Gaddafi com alcance de 40 quilômetros – não alterará um centímetro da fronteira de fato no Golfo de Sirte entre a Tripolitania (controlada pelo regime de Gaddafi) e a Cyrenaica.

Passem a grana!
O governo ‘rebelde’ – agora chamado, depois de várias mudanças de griffe e permutas, de Conselho Nacional Interino de Transição da Líbia [ing. Interim Transitional National Council of Libya] – acaba de contratar Patton Boggs, uma das empresas líderes em Washington (e das mais rentáveis) de marketing político, para “aconselhá-los e orientá-los” no serviço de... Ora... de vencer a guerra! Ou, não sendo isso ou viável ou possível, para inventar a ilusão ‘midiática’ de que os ‘rebeldes’ estariam vencendo a guerra (há aí sombras da campanha de marketação que a OTAN contratou no Afeganistão).

Patton Boggs já está lobbyando furiosamente todos os jornais e jornalistas a favor dos ‘rebeldes’, para que sejam engolidos como “governo legítimo da nação líbia soberana”.

O contrato foi firmado entre Patton Boggs e o ex-embaixador líbio Ali Suleiman Aujali, cão alfa dos ‘rebeldes’ nos EUA. O encarregado da ‘conta’ será o principal sócio da empresa Thomas Hale Boggs Jr.

Itália, Grã-Bretanha, França, Qatar e agora a Turquia já reconheceram o Conselho Nacional Interino de Transição da Líbia; o governo Barack Obama já autorizou que abram uma representação em Washington.

Inevitavelmente, se trata exclusivamente de dinheiro: o “Conselho” não vê a hora de pôr as mãos nos bilhões de dólares do regime de Gaddafi, que estão congelados nos EUA.

Patton Boggs, segundo alguns jornais, embolsará um máximo de 50 mil dólares por mês – calculados por hora. Os ‘rebeldes’ só pagarão quando puderem (hoje, estão virtualmente na miséria). Nos três últimos meses, outra empresa de ‘marketing político’ de Washington, “The Harbour Group”, trabalhou pro-bono (gratuitamente), também para implantar a versão ‘rebelde’ dos fatos na mídia do ocidente – com especial atenção ao item “descongelem aquele dinheiro!”.

É importante observar que um dos lobbyistas-marketeiros de Patton Boggs já envolvidos com os ‘rebeldes’ é Vincent Frillici – ex-diretor de operações na OTAN, onde trabalhou no Comitê de Recepção da Comemoração do 50º Aniversário da Aliança. Que lindo! Um marketeiro ligado à OTAN, vendendo à imprensa e à opinião pública um “levante popular espontâneo”, só que inventado.

Assim, graças a Washington, paraíso dos lobbyistas-marketeiros, pode acontecer de o governo dos EUA vir a reconhecer um dos lados que lutam numa guerra civil no norte da África, ‘representado’ por um ‘conselho’ sem qualquer legitimidade... e permitir que os tais ‘conselheiros’ passem a mão nos bilhões de dólares congelados para, como diz a propaganda do lobby-marketing, “ajudar o povo líbio”.
Ferrem o tal barco dos americanos![ing. Screw that American boat[1]]
Análise rápida do que realmente acontece em campo mostraria, em vez desses ‘slogans’ & ‘marketings’, a mesma velha agenda neocolonial de subornar mercenários para derrubar o governo – por sem graça que pareça – de país rico em fontes de energia que nunca deu conversa para o Fundo Monetário Internacional; que constituiu uma união de países africanos; e que não vendeu suas riquezas naturais a preço de banana (mas, sim, aceitou ouro, em pagamento).

Enquanto isso, o mesmo governo dos EUA amigo dos ‘rebeldes’ recusa-se a admitira que o bloqueio de Israel contra Gaza é ilegal. Como escreveu em Commondreams.org o sempre irrepreensível ex-analista da CIA Ray McGovern – que viaja a bordo do barco “Audacity of Hope” tentando chegar a Gaza: “Antes de deixar os EUA, fui avisado, por fonte que tem acesso a altos funcionários do Conselho de Segurança Nacional, de que, não só a Casa Branca não tem qualquer plano de fazer coisa alguma para proteger nosso barco contra o risco de ser abordado ilegalmente por israelenses, como, também, muita gente na Casa Branca “ficará muito contente se alguma coisa nos acontecer”.

A Casa Branca, como McGovern foi informado, “gostará muitíssimo de ver cadáveres de ativistas norte-americanos anti-israelenses exibidos pela televisão dos EUA” – ao mesmo tempo em que tanto elogia um “conselho” fantoche que mal consegue esperar a hora de assaltar a riqueza da Líbia.

Tibetanos, uigures, burmeses, uzbeques, chechenos e incontáveis outros podem começar a ver como é o negócio. Querem fazer revolução? Só se for revolução em inglês, não em seus idiomas locais. Não entenderam bem a ideia? Basta invocar a “R2P” (“Responsabilidade de Proteger”), e as potências ocidentais logo estarão aí, batendo à porta de vocês, com uma Resolução da ONU fresquinha, e OTAN-Robocop pronto para entrar em ação. Está faltando dinheiro para comprar armas? Façam à moda dos “rebeldes” líbios: contratem uma poderosa empresa de ‘marketing político’ e lobby, com acesso garantido aos donos, editores e jornalistas dos grandes jornais e redes de televisão, e logo vocês estarão sendo oferecidos no mercado político como produto legítimo. Isso feito, vocês conseguirão rapidamente assaltar, praticamente ‘legalmente’, os recursos de seus respectivos países.

Mas... Atenção: Essa receita só funciona no caso de o local que alguém deseje ‘libertar’ (ou ‘proteger’) ser terra encharcada de petróleo.

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[1] Trocadilho intraduzível entre screw bolt (um tipo de parafuso) e screw [that] boat. Em screw já há subentendidos complicados, porque screw é expressão de gíria equivalente a “ferrar [alguém]”, no sentido de ‘detonar’ alguém, também, no sentido de contato sexual [NTs, com informações de http://www.thefreedictionary.com/screw].

terça-feira, julho 05, 2011

“AI-5 Digital”... tukanos querem matar a rede

Projeto alternativo ao AI-5 digital já está na rede



Já está aberta, no portal e-Democracia, a discussão do projeto que ao lado dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Manuela D’ávila (PCdoB-RS), João Arruda (PMDB-PR) e Emiliano José (PT-BA), subscrevi na Câmara dos Deputados, como alternativa ao malsinado projeto Eduardo Azeredo, que ficou conhecido como “AI-5 Digital”.
Vamos deixar a proposta aberta às sugestões dos cidadãos enquanto esperamos que o anteprojeto de lei que trata do marco civil da internet seja enviado pelo governo ao Congresso seja enviado à Câmara, o que deve acontecer logo.
Há dois apenas dois tipos de ações puníveis.
A interferência, não autorizada, em sistemas informatizados, com o objetivo de “obter vantagem ilícita”, agravado quando há destruição de arquivos, violação de dados confidenciais e “controle remoto” clandestino destes sistemas.
O segundo, torna crime a distribuição de vírus (malware, ou códigos maliciosos) na rede, agravado também pela destruição de arquivos no computador-alvo do ataque.
Ao contrário do projeto, protege-se o usuário da web do armazenamento de seus dados nos provedores, exceto para o acesso. Pune-se a violação de computadores, não o que se fala na rede.
Ao contrário daqueles que querem restringir a liberdade, nós queremos que ela seja a regra – fixada no marco civil – e não começar pelas proibições, para depois garantir a liberdade. Ou não.
As regras para participar do e-Democracia estão explicadas no site. Basta se cadastrar e participar do grupo de discussão.

http://www.tijolaco.com/

Agora tukanos não sabem de nada

O martelinho de Serra e os bueiros explosivos

Serra, Ministro do Planejamento, bate o martelo da venda subsidiada da Light
Outro bueiro acaba de explodir no Rio de Janeiro. Uma tampa de ferro foi arremessada de uma galeria entre as ruas Dias da Rocha e Barata Ribeiro, em Copacabana, felizmente, desta vez sem provocar vítimas.
Por mais boa-vontade que se tenha, não é possível deixar de dizer que isto é um acidente.
Não há indício de que seja, também, sabotagem, pois não é possível que isso não deixasse vestígios.
O nome não pode ser outro senão incompetência e descaso com a segurança dos passantes num campo minado em que a concessionária transformou a cidade nas áreas onde sua rede é subterrânea.
Até agora, só o Ministério Público e a Prefeitura agiram para responsabiliza-la por isso.
A Light, a jóia da privatização do setor elétrico, está um caco.
Mas, na imprensa, até agora, não há um comentário sobre o que foi feito nestes quase 15 anos de controle – e desinvestimento – privado na empresa.
E ela, como a Eletropaulo, em São Paulo, foi comprada com dinheiro subsidiado. Pelos franceses da EDF e pelos americanos da AES, com aporte de capital do BNDES e da Eletrobras, diretamente e através da Companhia Siderúrgica Nacional, também privatizada. depois, quando a Light privatizada comprou a Eletropaulo e separaram-se: a empresa do Rio ficou para os franceses e a de São Paulo para os americanos. E o rombo, claro, para o BNDES.
Aliás, isso só ocorreu porque Fernando Henrique mudou a legislação para permitir o financiamento do BNDES a grupos estrangeiros.
Estes dias, os comentaristas da grande imprensa e o próprio Fernando Henrique, num cinismo grosseiro, reduziram a participação do ex-presidente a um mero “ele não me atrapalhou”.
Por semelhança, então, é possível dizer que quer privatizou a Light não foi Fernando Henrique, mas Serra, seu então Ministro do Palnejamento, que bem poderia vir com aquele martelinho consertar os bueiros explosivos.
Porque no mesmo famoso vídeo onde FHC diz que Serra foi o responsável pela privatização da Vale, o ex-presidente diz, enfaticamente: “E da Light, também. Foi o Serra”.

http://www.tijolaco.com/

segunda-feira, julho 04, 2011

Lula critica o Ocidente em cúpula da União Africana

Uma crítica arrojada da atitude do Ocidente em relação à África e à América Latina feita pelo ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva provocou aplausos de pé na cúpula da União Africana nesta quinta-feira.

Lula censurou em particular as Nações Unidas por não concederem a nenhum país africano ou latino-americano um assento permanente em seu Conselho de Segurança.

"Não é possível que o continente africano, com 53 países, não tenha uma representação (permanente) no Conselho de Segurança", afirmou.

"Não é possível que a América Latina, com seus 400 milhões de habitantes, não tenha uma representação (permanente), que cinco países decidam o que fazer, como fazer, sem levar em consideração o resto dos seres humanos que vivem neste planeta".

Lula se referia aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos).

O Brasil, uma potência emergente com um aumento progressivo de influência no cenário mundial, luta há muito tempo por um assento permanente no Conselho de 15 membros.

O conflito na Líbia é um foco da cúpula, que teve início nesta quinta-feira na capital da Guiné Equatorial, Malabo, com críticas à ação da Otan e ao envolvimento do Ocidente na crise líbia. Essa agressão à Líbia é a continuidade da política dos países colonialistas e imperialistas que sempre criaram guerras e revoluções na África para roubar as riquezas naturais dos países africanos ao longo dos séculos.
"Precisamos de uma Organização das Nações Unidas que tenha a coragem de impor um cessar-fogo na Líbia" e imponha negociações entre o presidente Muamar Kadhafi e seus opositores rebeldes, disse Lula. "A solução para o conflito na Líbia deve partir dos próprios líbios e não de potências colonialistas estrangeiras", finalizou.

O Brasil foi um dos cinco países que se abstiveram na votação do Conselho de Segurança da ONU em março sobre a Resolução 1973, que autorizou a utilização de "todos os meios necessários" para "proteger os civis das forças de Kadhafi",mas na realidade havia interesse em legitimar um ataque militar à Líbia para os governos dos EUA, França e Inglaterra roubarem o petróleo líbio. A autorização - contrariando todos os preceitos da ONU - se converteu em uma “carta branca” para a Otan bombardear indiscriminadamente a população civil da Líbia – algo que não consta no documento da ONU.

A crise é dos ricos

Lula também acusou o Ocidente de impor injustamente a países pobres, incluindo europeus, medidas de austeridade após uma crise financeira que, segundo ele, teve suas raízes nos Estados Unidos e na Europa.

"A crise veio dos Estados Unidos, de banqueiros americanos, de especulação financeira nos países mais ricos da Europa. E são os países pobres da África, América Latina e Ásia que vão pagar a conta", afirmou.

Agora as "vítimas pagarão o preço por um crime que não cometeram - isso é o que está acontecendo na Grécia", disse.

O Ocidente foi "incapaz de ver uma África que é composta por seres humanos iguais aos do continente europeu", ressaltou, acrescentando que talvez eles pensem que"nós africanos ou latino-americanos sejamos cidadãos de segunda classe ou porque parecemos com nativos".

"Nós queremos apenas ser tratados igualmente e dividir a riqueza que está sendo produzida neste mundo".
Lula pediu um aumento da integração entre nações africanas e emergentes.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul formam o grupo dos BRICS, que aparece como uma possível contra-força em assuntos internacionais em relação aos países do Ocidente.

Para desconstruir o discurso sobre “terrorismo”

Para desconstruir o discurso sobre “terrorismo”
2/7/2011, M. Mohibul Haque, Countercurrents
M. Mohibul Haque é professor assistente do
Departamento de Ciência Política da AMU Aligarh, Índia
A palavra “terrorismo” é, dentre todas as palavras sobre cujo significado os acadêmicos e funcionários dos círculos do governo discutem há muito tempo, a palavra sobre cujo significado discutem há mais tempo. De fato, há várias outras ideias e conceitos sobre os quais não há acordo entre acadêmicos e governos, mas as implicações do desacordo não são tão perigosas quanto no caso de “terrorismo”.

O terrorismo virou vilão global, e há pressões para que se formulem políticas e programas para controlá-lo desde o berço e impedir que cresça.

Nessas circunstâncias, é necessária, no mínimo, uma definição de trabalho que todos aceitem, para “terrorismo”. Mas nem existe tal definição, nem há qualquer probabilidade de que venha a existir em futuro próximo.

A inexistência de qualquer definição objetiva de “terrorismo” tem mais de caso pensado que de acaso. A desonestidade intelectual dos grupos acadêmicos e o duplipensar/duplifalar dos estados nacionais são responsáveis por não haver definição aproveitável de “terrorismo”.

Terrorismo é ato ou conjunto de atos de violência política ou ideologicamente motivada contra homens ou mulheres comuns. Pode ser cometido por indivíduo, grupo, partido, organização ou estado. Contudo, e infelizmente, o discurso sobre o terrorismo foi capturado pelas nações poderosas do mundo que não desejam que seus próprios atos de violência desmedida e injustificável sejam incluídos e discutidos no contexto do terrorismo.

Isso ficou muito claramente evidente imediatamente depois dos ataques terroristas contra os EUA, do dia 11/9/2001. A chamada “guerra global ao terror” declarada e levada avante pelos EUA e meia dúzia de seus aliados tem, desde então, tentado fazer crer que, nas atuais circunstâncias, o terrorismo seria monopólio de atores não estatais, deles e sempre deles.

A matança de inocentes, por organizações como Al-Qaeda, é terrorismo. Mas a matança de inocentes no Afeganistão, Iraque, Somália, Kosovo, Líbia, pela aliança ocidental imperialista comandada pelos EUA, não, não seria terrorismo.

É completa desgraça para todos que, sem nem vestígio de remorso ou vergonha, haja quem argumente que sempre que, com meia dúzia de terroristas, morram também milhares de cidadãos inocentes de nações soberanas, os milhares de civis inocentes mortos seriam mero “efeito colateral” – lamentável, no máximo; mas sempre considerado, além de inevitável, também justo.

Ironicamente, os EUA – a maior potência da terra – com a ajuda de seus ambiciosos aliados interessados em saquear os recursos de nações militarmente frágeis, decidem e determinam o contexto e o paradigma pelo qual se devem discutir suas políticas externas.

Esse discurso das grandes potências, que tem de ambíguo o que tem de grandiloquente, tem impedido que a comunidade internacional construa definição universalmente válida de “terrorismo”.

A verdade é que se trata de terrorismo nos dois casos. É terrorismo quando organizações como Al-Qaeda e outras organizações clandestinas matam inocentes de diferentes nacionalidades e religiões, de diferentes etnias e de diferentes convicções políticas. E é terrorismo quanto são exércitos nacionais uniformizados e sob bandeira de estados nacionais, os que matam inocentes. Nos dois casos há terrorismo e nos dois casos os atos terroristas têm de ser enfrentados como tal.

Interessante é que, embora não haja definição universalmente aceita para “terrorismo”, nunca faltam dados e estatísticas ‘do terrorismo’, construídos pelos estados e aceitos em geral por ‘intelectuais independentes’, nos círculos acadêmicos mais prestigiados. Não pode haver exemplo mais claro de intelectuais reduzidos ao papel de “especialistas em legitimação”, nas palavras de Gramsci.

Raramente se questionam as estatísticas sobre terrorismo e nunca são examinadas com atenção. Na verdade, o paradigma sob o qual se aborda o terrorismo tem de ser questionado, antes até de se questionarem os números. Para tanto, é indispensável desconstruir o discurso dominante sobre “terrorismo”.

O destaque indevido que tem sido dado à luta contra o terrorismo não estatal, e o simultâneo acobertamento das práticas terroristas dos estados nacionais é responsável por dados distorcidos e falsas estatísticas, tanto é responsável por ainda não haver definição clara de” terrorismo” e os correspondentes dilemas definicionais.

A base legítima para definir “terrorismo” são os atos praticados, não alguma pressuposta diferença qualitativa que haveria entre os actantes envolvidos.

Fato assustador sobre o terrorismo é que nem o terrorismo de grupos não estatais poderia sustentar-se sem o apoio de estados. Todos sabemos que agências estatais como CIA, ISI [paquistanesa], KGB [russa], Mossad [israelense] e inúmeras outras mantidas por estados cometeram número muito maior de atos terroristas, ao longo dos anos, que grupos como Al-Qaeda, Tigres do Tamil etc.

Além disso, os estados também cometem atos de violência e intimidação contra seus próprios cidadãos. O termo “terrorismo” é tradução do francês terrorisme – palavra cunhada para descrever os atos do estado francês pós-revolução, o “Reinado do Terror”.

Para suspender a discussão, sem encerrá-la, deve-se lembrar que o discurso sobre o terrorismo é discurso fortemente motivado por interesses políticos e é discurso monopolizado. Por isso, não será possível desconstruí-lo, a menos que, antes, o arranquemos das garras sinistras das forças terroristas e imperialistas hoje dominantes.

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sábado, julho 02, 2011

Mensagem de Anonymous aos meios de comunicação de massa


Conversadores e enroladores do corporativismo midiático, isso não é filmiinho. Vocês enganaram o povo, manchando o nosso nome com todos os tipos de falácias.

Primeiros vocês nos ignoraram; depois nos trataram como lixo social, disseram que desapareceríamos depois das eleições, que ninguém nos apóia, que somos minoria desprezível. Nos rotularam como violentos; como terroristas; também ideologicamente.

Vocês mentiram.

Conhecemos o problema de vocês. O caro quarto poder, já não tem nenhum poder sobre o povo. Agora, o único lastro de vocês é dinheiro no bolso.

Refazer o ‘jeitão’ do negócio de vocês custa caro, não é mesmo?

Exponhamos claramente o que está acontecendo: os meios de vocês são agora parte de conglomerados transnacionais, cujo supremo interesse é manter o status quo desse sistema agonizante, para continuar a ganhar dinheiro a custa de cansar o povo. Claro. Os trabalhadores do negócio de vocês já sabem disso. Ninguém acredita em vocês. A informação segue seu curso, apesar de vocês.

Enquanto brincam de criar opinião do alto de suas colunas, arrogando-se a verdade absoluta, suas calúnias e manipulações são desmascaradas e denunciadas implacavelmente – muitas vezes, ainda antes de emitidas ou publicadas –, para expor a impostura a todo o planeta.

Imaginaram que abandonaríamos o povo espanhol à estratégia óbvia de vocês, de desgastá-lo?

Vocês ainda não entenderam. Somos o mesmo povo, deixando aqui um aviso a vocês. Nós não apenas fazemos. Nós explicamos o que acontecerá. Porque depende de vocês unirem-se à mudança ou serem esquecidos por ela.

Somos os grevistas; os desempregados; os professores; os profissionais dos excluídos; as famílias sem teto; os trabalhadores ‘cortados’; os idosos esquecidos; os jovens educados, mas sem oportunidades; o trabalhador alienado; a secretária desrespeitada; os que ocupam casas desocupadas que vocês ridicularizaram; os ganhadores com consciência; os perdedores com dignidade.

Somos a chispa que desperta cada sinapse, como neurônios, que compõem hoje um só pensamento. Despertamos; invencíveis; com razão e razões.

Daremos a eles o que mais importa: nosso futuro; somos seus únicos herdeiros e donos legítimos. Não somos mercadoria na mão de ninguém.

Vocês podem continuar a mentir e a ignorar a revolução global. Vocês são irrelevantes. Dia 19 de junho o povo fez história e continuará a fazê-la. Cada vez mais países juntam-se às reivindicações do 15M, inclusive no interesse deles mesmos.

Nesse momento, as marchas cidadãs aproximam-se da capital, aumentando a cada passo.

A informação continua fluindo e não importa o que vocês façam para evitá-lo. Pretendem lutar contra a vontade humana? Pior, então, será a queda de vocês. E nossa vitória será celebremente épica. Porque a paz é nosso caminho. E não há vitória maior que vencer sem guerra.

Somos anônimos; somos legião. Não esquecemos. Não perdoamos. Esperem e verão,

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Mensagem de Anonymous à população espanhola

Para ouvir ao som de “If you’re going to San Francisco”, Scottie McKenzie, junho de 1967
(tb conhecida como “People in motion” [Gente em movimento], em http://www.youtube.com/watch?v=bch1_Ep5M1s&feature=related.

Essa música foi ouvida e cantada em todo o planeta, mais vezes do que todas as mensagens do Anonymous, hoje.

– É o mesmo que dizer que a mensagem dos Anonymous é ótima (só falta a virada da economia política).

Estamos num momento único de nossa história. O auge da tecnología contribuiu para uma taxa sem precedentes de prosperidade para o mundo, dotando-nos de uma rede global de comunicação constante; uma nova era saltos tecnológicos. Percorremos um longo caminho desde nossas raízes humildes. Agora somos pioneiros nas novas fronteiras digitais, ampliando nosso domínio do mundo quântico aos confins do espaço.

Mesmo assim, nosso mundo enfrenta crise. Pobreza, violência, corrupção ou ameaças à liberdade pessoal. Como em outros tempos de crise, as velhas histórias começaram a repetir-se. As meias verdades – desta vez repetidas todas as noites nos noticiários – ecoam pelos meios de comunicação: dizem-nos que o império é forte, que não é prudente mudar, que os negócios são resposta para tudo. Em tempos de incertezas, só fazem aumentar a confusão, para aproveitar-se de nossas inseguranças e de nossos medos. Tratam de nos manter divididos para benefício deles. A estratégia assume várias formas: esquerda e direita, cristãos e muçulmanos, brancos e pretos, santos e pecadores.

Mas está acontecendo algo que não se esperava. Começamos a contar, nós mesmos, uns aos outros, nossas próprias histórias. Compartilhamos nossas vidas, esperanças, sonhos e demônios. Cada segundo, dia após dia, os detalhes de nossas vidas nessa terra fluem pelo mundo. Começamos a entender as consequências de nossos antos e o erro dos velhos costumes. Começamos a questionar os velhos paradigmas que dizem que fomos feitos para consumir – não para criar -, que o mundo é à nossa semelhança, as guerras são inevitáveis e a pobreza sempre existirá. À medida que aprendemos mais sobre nossa espécie, uma verdade fundamental foi redescoberta: não somos tão diferentes quanto pode parecer. Todos os seres humanos têm forças, fraquezas e emoções profundas. Ansiamos pelo amor, pelo riso, temos medo da solidão e sonhamos com vida melhor.

¡Temos de acreditar numa vida melhor!

Você não pode continuar sentado no sofá, enquanto espera uma revolução. Você é a revolução. Cada vez que você escolhe não exercer seus direitos, que você se sega a ouvir, que você ignora o mundo que o rodeia, ou que você gasta um euro numa empresa que não paga salários justos, você contribui para a opressão humana. Mas você tem escolha. E você escolhe o caminho mais fácil. O velho caminho conhecido da submissão. Mas você pode escolher levantar, sair à rua e falar com seu vizinho, Vocês podem unir-se em novos fóruns para criar um caminho de mudança duradoura e verdadeira para a raça humana.

O novo desafio é o seguinte:

Uma revolução pacífica. Uma revolução das ideias. Uma revolução da arte. O século 21 como um século de iluminação. Um movimento global para criar uma nova era de tolerância, compreensão, empatia e respeito. Uma época de desenvolvimento tecnológico sem travas. De intercâmbio de ideias e de cooperação. De expressão artística e pessoal. Podemos optar por utilizar as novas tecnologías para uma mudança positiva e radical, ou deixar que sejam usadas contra nós. Podemos manter os camaos de comunicação abertos e cavar novos túneis até os lugares onde a informação ainda é sigilosa e reservada. Ou podemos deixar que tudo se feche à nossa volta. À medida que avançamos, temos de reconhecer a necessidade de informação verdadeira e de um mundo verdadeiramente democrático e livre. Temos de lutar para mantener a Internet aberta como um fórum de ideias no qual todos sintam-se iguais e tratem-se como iguais. Temos de defender nossa liberdade, contra os que só procuram nos controlar. Temos de lutar pelos que ainda não têm voz.

Dia 19 de junho começa a revolução global. Saia à rua e continue a contar suas histórias. Todos têm de ser ouvidos.

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