quinta-feira, junho 22, 2017

A Globo foi informada que a Operação Rimet estava prestes a explodir. Precisaria com urgência de um tema suficientemente bombástico para matar a cobertura que se seguiria.

O caso JBS explode no dia 17 de maio, uma semana antes da Operação Rimet vir a público, dois dias antes de Teixeira passar recibo sobre ela. A Globo entra de cabeça no tema e, nas semanas seguintes, o tema JBS se sobrepôs a todos os demais, inclusive à Operação Rimet, que recebeu uma cobertura burocrática dos jornais – com exceção do bravo Jamil Chade.
Instala-se, então, a guerra mundial entre Janot e Temer, com abundância de combustível sendo levado à imprensa, especialmente aos veículos das Organizações Globo.
A falta de atuação do MPF em relação ao grupo CBF-Globo é a principal responsável pela fragilidade do futebol brasileiro, pelo fato de ter transformado a pátria do futebol em um mero exportador de jogadores, alimentando o submundo da lavagem de dinheiro internacional.
Só depois que estourou o caso FIFA, e J. Hawila foi preso, houve algum questionamento do poder da Globo sobre as transmissões, através da TV Record. A disputa levou a Globo, pela primeira vez, a oferecer luvas decentes para os clubes de futebol.
Os clubes de futebol bem administrados poderiam ter se convertido em Barcelonas, Real Madri, Internacional de Milão. Mas a corrupção na venda de direitos de transmissão exauriu os clubes, impedindo o fortalecimento e a própria profissionalização do futebol brasileiro, que se tornou um dos pontos mais evidentes de corrupção e lavagem de dinheiro no comércio de jogadores.
A única operação no setor, tocada pelo procurador Rodrigo De Grandis – que emperrou as investigações sobre a corrupção da Alstom em São Paulo  – foi contra um empresário russo, porque havia a suspeita de que José Dirceu pudesse estar por trás dele. A suspeita jamais foi confirmada, mas forneceu a motivação para o MPF se interessar pelo tema.
Do lado da mídia, esmeraram-se até encontrando parentes de políticos petistas trabalhando na arena do Corinthians. Mas fecharam os olhos para o maior episódio de corrupção da história, depois da Lava Jato.
LEIA MAIS AQUI:

Peça 1 – a corrupção histórica da FIFA No dia 23 de maio passado, a edição em inglês do El Pais noticiava a prisão de Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona de 2010 a 2014, ex-executivo da Nike (h
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sábado, junho 17, 2017

JOESLEY E A GLOBO >> A Globo decidiu capturar, também, o #ForaTemer, depois de ter sido a protagonista do golpe que colocou essa gente no poder.


Leandro Fortes >> JOESLEY E A GLOBO
A Globo capturou as manifestações de 2013 e as colocou em sua grade de programação – com agendas e transmissões ao vivo – para fazer daquelas “jornadas” o primeiro movimento manipulado de massas com vistas a tirar o PT do poder.
Deu no que deu: em três anos, ajudou a colocar essa quadrilha chefiada por Michel Temer no Palácio do Planalto. Exatamente como fez, em 1989, quando usou seu poder de monopólio para colocar, no mesmo lugar, outra quadrilha, a de Fernando Collor de Mello.
Agora, como no caso de Collor, anuncia um desembarque triunfante, entregando Temer aos leões, mas com o cuidado recorrente de se tornar dona do processo para que, como de costume, as coisas possam mudar de tal forma que permaneçam da mesma forma que estão.
Essa entrevista de Joesley Batista à revista Época, como tudo que vem do esgoto global, tem que ser observada com muito cuidado, justamente porque nada, ali, acontece por acaso.
Não tenho a intenção de ler as 12 páginas que anunciam ser o depoimento de Joesley Batista, da JBS, à revista impressa. Nem com um vidro de Milanta Plus eu me disponho a uma coisa dessa. Por isso, me atenho ao que foi disponibilizado na internet, o que, imagino, seja o de mais importante da entrevista.
Assim, é bom prestar atenção na manchete de letras garrafais que chama para a publicação:
“Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”.
Pelo que se depreende da entrevista na internet, essa manchete é fruto de um silogismo pedestre. O que está lá é o seguinte, dito por Joesley:
“O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa”.
Sacaram?
Logo na chamada introdutória, o texto supervaloriza a entrevista porque esta teria sido fruto de “semanas de intensas negociações”.
Ora, a notícia da delação de Joesley foi publicada em 17 de maio. Há quatro semanas, portanto. Mesmo que Época tivesse entrado em contato com o empresário no minuto seguinte ao furo de O Globo, essa valorização já seria ridícula.
Por isso, algo me diz que as negociações podem até terem sido intensas, mas longe do conceito tradicional de persuasão jornalística.
Também, lá pelas tantas, Época informa aos leitores que, segundo Joesley, “o PT de Lula ‘institucionalizou’ a corrupção no Brasil”.
Bom, pode ser que nas intermináveis 12 páginas disponíveis nas bancas tenha algo mais sólido, a respeito. Mas o que tem na entrevista disponibilizada, no site da Época, é o seguinte, dito por Joesley:
“O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões”.
Ou seja, Joesley Batista tem um problema grave de metodologia, quando se trata de dar propina ao PT. Na delação formal, diz que abriu uma conta na Suíça para Dilma e Lula, mas no nome dele. E só ele tem a senha. Agora, revela que o PT “mandou dar dinheiro” para os senadores do PMDB. E acha (!) que eram R$ 35 milhões (!!).
O repórter, simplesmente, não pergunta quem do PT deu a ordem de dar dinheiro, nem quem eram os senadores do PMDB que o receberam. Nem por curiosidade.
Mais adiante, Joesley revela que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, pediu R$ 5 milhões para evitar uma CPI contra a JBS. Segundo Cunha, esse era o valor oferecido por uma empresa concorrente de Joesley para a tal CPI ser aberta.
Qual era a concorrente? Nenhuma pergunta a respeito.
Na mesma linha, segundo Joesley, o operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro, fazia a mesma coisa. Colocava-se para barrar requerimentos de CPIs na Câmara, mas o empresário descobriu que era “algum deputado”, a mando de Funaro, que protocolava as ações.
Quem era um desses deputados pagos por Lúcio Funaro? Nenhuma pergunta a respeito.
Além disso, o repórter incrivelmente não se interessou em perguntar a razão de a JBS ter dado R$ 2,1 milhões a Gilmar Mendes, a título de patrocínio de uma faculdade da qual o ministro do STF é sócio.
A não ser que essa pergunta esteja nas tais 12 páginas, estamos diante de um lapso jornalístico bastante curioso.
Então, é o seguinte.
A Globo decidiu capturar, também, o #ForaTemer, depois de ter sido a protagonista do golpe que colocou essa gente no poder. Por isso, mantém Joesley Batista acorrentado a si.
Quer, outra vez, estar à frente do processo de sucessão presidencial para manter seus negócios e interesses intocados. Para isso, precisa de um presidente eleito indiretamente por esse Congresso vil e repugnante resultado, justamente, das tais jornadas de 2013.
Joesley Batista, ao que parece, é o novo Pedro Collor, o irmão-delator que a Veja usou para derrubar o “caçador de marajás” que ela ajudou a criar junto com a Globo – e que foi enterrado pelas duas com a mesma desfaçatez com que pretendem se livrar, agora, de Michel Temer.

terça-feira, junho 13, 2017

Sadoausteridade vs social-democracia atenuada


Entreouvido na Vila Vudu:

Digam o  que disserem os entendidos em 'palavra do ano', "fake news" acaba de ser destronada.
A palavra de 2017 é "sadoausteridade".
Segura essa, D. Mírian Leitão! 😂🌹🙄
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7/6/2017, Glen Newey, London Review of Books (Blog)

Essa eleição foi feita, como disse Proudhon da revolução de 1848, sem uma ideia, além de proteger o poder para os Tories e blindá-los contra o revide pós-Brexit. A estratégia deles pressupunha que as pessoas não tivessem qualquer dúvida quanto à competência dos líderes do Partido, e que os eleitores só pensavam em Brexit, de modo q ninguém ter ideia alguma sobre tudo mais não faria diferença (apesar de o governo também não ter ideia alguma sobre Brexit). Disso nasceu o Manifesto Conservador.

O Instituto para Estudos Fiscais, ing. IFStestou os números dos dois manifestos, dos Conservadores (Tories) e dos Trabalhistas (Labour). Como convém à sua neutralidade, o IFS deseja que a peste desabe sobre as duas casas, embora, como sugere o estudo, os Tories nem casa tenham para que se deseje peste sobre ela. No caso dos Tories, o IFS é obrigado a outra vez fazer projeções da política atual.

Alguns dados do IFS são interessantes de ler. O plano de gastos do Labour põe a Grã-Bretanha na metade inferior do ranking das economias desenvolvidas no que tenha a ver com a razão gasto público/PIB, bem abaixo de distopias coletivistas como Islândia, França, Singapura, Nova Zelândia e Alemanha. O Labour aumentaria o gasto público em £81 bilhões, ou 3% do PIB, até 2021-22. Em cinco anos, quer ter eliminado o déficit de despesas correntes. Os Conservadores estão prometendo orçamento equilibrado 'à altura da metade da próxima década'; pelas projeções do IFS os Conservadores, como os Trabalhistas, ainda enfrentarão déficit no início dos anos 2020s.

Os Tories chegaram ao poder em 2010 prometendo que até 2015 o déficit estaria debelado; e a proporção do déficit em relação ao PIB estaria já diminuindo. Pois só faz aumentar, apesar de sete anos de muita sadoausteridade.

Muito da 'teoria' a favor da sadoausteridade de quando Cameron estava no poder vinha do trabalho dos economistas Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, que sugeriram que o crescimento engriparia quando a razão dívida/PIB ultrapasse 90%. Casava muito bem com a missão ideológica de Cameron de encolher o Estado. Estudos posteriores desacreditaram a tese de Reinhart e Rogoff; haviam subestimado o crescimento em níveis de dívida superiores a 90%. Mesmo assim a austeridade avança, apesar do colapso dos intelectuais q a conceberam, como avançam também os repetidos fracassos dos Conservadores que por nada no mundo conseguem domar a dívida. Pelo sim pelo não, em 2017 o Manifesto Conservador já nem especifica meta alguma para dívida alguma.

IFS acha que os £25 bilhões/ano extras em investimento de infraestrutura do Labour podem ser alcançados sem ultrapassar a sua meta da dívida. Mas duvida, porém, que os aumentos de impostos sobre os ricos que o Labour planeja venham a gerar os £49 milhões de que fala o Manifesto Trabalhista, porque rico sonega e evade, em termos fiscais.

O elefante que não late nos dois manifestos é o Brexit, cujo efeito na renda nacional é imponderável. Estudo da London School of Economics ano passado sobre o impacto macroeconômico do Brexit descobriu que levará a PIB menor do que se o país permanecesse na União Europeia, mas não zero, nem haverá crescimento negativo.

Labour planeja aumentar o investimento líquido do setor público, de 2% para cerca de 3% do PIB. É comparável com a média de 4% entre 1945 e 1979. O principal objetivo de investir em capital humano e outros é aumentar a produtividade – fraqueza notória da economia do Reino Unido, que não se deve, como reza um dos mitos da direita, à indolência do operário britânico, mas à correlação negativa entre produtividade e longos períodos laborais (operários no Reino Unido trabalham em média 300 horas por ano a mais que os operários alemães). Investir em produtividade promove o crescimento.

Diferente do Partido Trabalhista, que propõe taxas de impostos mais altas para os que ganham mais, os Tories permanecem fiéis na defesa intransigente dos que são obrigados a lidar com uns poucos milhões/ano. David Metter, CEO da empresa privada de finanças Skanska Innisfree, levou para casa não muito mais de £8 milhões em 2010; a empresa dele é principal credora de um contrato de financiamento privado [ing. PFI contract] de £7 bilhões, a ser liquidado até 2049, para construir em Bart e nos hospitais Royal London. O buraco nos fundos do Serviço Nacional de Saúde é em grande parte resultado do caríssimo, ruinoso PFI – o qual, verdade seja dita, é resultado dos anos Blair e Brown. Estima-se que só esse contrato contribua com cerca de £250 bilhões para a dívida (atualmente de £1,8 trilhão).

Independente do que digam Lynton Crosby e sua ensandecida ‘árvore mágica que dá dinheiro', como linha de ataque (imediatamente abraçada por Theresa May e Amber Rudd semana passada), e do que diga a imprensa militante de direita, os Trabalhistas estão oferecendo, sim, um bem calibrado programa de social-democracia atenuada.*****

domingo, junho 04, 2017

"Vivi na pele o que aprendi nos livros"