sexta-feira, janeiro 05, 2018

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#LulaEmPOA
Vamos construir uma grande e combativa cobertura colaborativa.

A partir de amanhã começa a funcionar o comitê de imprensa da Frente Brasil Popular em Porto Alegre
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Enquanto isso, os verdadeiros corruptos donos dos milhões flagrados em malas e escondidos continuam aplicando golpes. Temer nem foi a julgamento. Aécio está solto. As suspeitas contra Alckmin nunca foram apuradas.
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CADÊ A LAVAJATO? Golpistas dão aval para Boeing assumir área militar da Embraer

Negociação da maior fabricante brasileira de aviões com multinacional  estadunidense já tem a bênção do governo golpista. O ex-ministro da Defesa e das Relações Exterior, Celso Amorim, se colocou contra as negociações e afirmou que mesmo com o “furor privatista” do governo Temer, a venda não deveria ser permitida.
“Totalmente contrário, acho isso um crime de lesa-pátria. O governo brasileiro tem que usar o golden share que ele dispõe para impedir essa fusão, porque não é fusão é uma incorporação”, afirmou Amorim.
Negociação da maior fabricante brasileira de aviões com multinacional estadunidense já tem a bênção do governo golpista
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TUCANAGEM CONTRA O PETRÓLEO BRASILEIRO E A PETROBRÁS


5/1/2018, Pedro Augusto Pinho* [msg. distribuída por e-mail, aqui redistribuída]

A Petrobrás é fruto da coragem e da habilidade política do Presidente Getúlio Vargas, grande eleitor mesmo 63 após sua morte, e da atuação da própria empresa, que sempre promoveu o desenvolvimento nacional.

Como todos os brasileiros, desde os analfabetos até os que se orgulham de seus dois neurônios, têm perfeito conhecimento, a Petrobrás sempre sofreu a oposição das forças que representam entre nós os interesses estrangeiros, a escravidão e a ignorância.

Não me deterei na história destas agressões, sempre cantando o dueto corrupção-comunismo, único discurso que estes inimigos do Brasil conseguem articular. Mas é interessante relembrar o que ocorreu em 1964.

Vitorioso o movimento militar, a Petrobrás, tida como antro de corrupção e comunismo, foi no dia 7 de abril de 1964 entregue para a “depuração”, ao Marechal Adhemar de Queiroz.

Competente comandante, o Marechal procurou, logo que assumiu, conhecer detalhadamente a empresa. Conversou com chefes e subordinados, com os possíveis aliados do 31 de março e os que se recolhiam temerosos de represálias. Concluiu que a Petrobrás era muito menos corrupta do que a imensa maioria das empresas privadas, nacionais e estrangeiras, que conhecera ao longo de sua carreira. Também compreendeu rapidamente que os comunistas eram muito menos numerosos do que os inimigos do Brasil que trabalhavam nos Diários Associados e no Globo e que cantavam loas à “revolução”. Tampouco nem os supostos corruptos nem os supostos comunistas só pensavam em enriquecer com o “ouro para o bem do Brasil” de Chateaubriand.

O Marechal Adhemar de Queiroz foi um defensor da Petrobrás contra os quadros do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e da Consultec que cercavam o Presidente Castelo Branco.

A Petrobrás cresceu, fez surgir empresas brasileiras em diversas áreas da engenharia, promoveu o desenvolvimento tecnológico, patrocinou pesquisas acadêmicas e projetos de cultura nacional. Tornou-se uma invejável e grande empresa. Até que foi assaltada, dia 24 de março de 1999, pelo tucanato.

Desde então passou a sofrer os oito anos de demolição sob a chefia do francês Henri Philippe Reichstul, até 2001; e do banqueiro, formado na Wall Street, Francisco Gross, até 2003.

Além de alterar a situação jurídica da Petrobrás, pela Lei nº 9478/1997, reestruturaram a organização da empresa, facilitando a ação corrupta de seus gerentes e dirigentes, pela quebra da linha hierárquica até então vigente.

Houve, ainda, um grande negócio que mereceria a ação competente do Ministério Público Federal (MPF), não fosse hoje esta instituição, por vários de seus membros, um braço do tucanato.

Em 2000, a Petrobrás de Reichstul começa a vender suas ações na Bolsa de Nova Iorque. Hoje, 29,83% das ações ordinárias e 44,23% das ações preferenciais estão em mãos de pessoas físicas e jurídicas no exterior. Observe o caro leitor que não afirmo que seriam pessoas físicas e jurídicas estrangeiras.

É possível – como a decisão de Pedro Parente de dar um presente de quase 3 bilhões de dólares a estes “investidores no exterior” nos leva a cogitar – que os beneficiados hoje não sejam necessariamente estrangeiros, mas brasileiros, com recursos e disponibilidades políticas, que constituíram pessoas jurídicas em paraísos fiscais, para se locupletarem com as ações da Petrobrás.

Um acordo, à revelia dos acionistas brasileiros, já é ponto de suspeição. A inércia do MPF em ato de tal gravidade torna o ato e o MPF o ainda mais suspeitos. E, como mais um indício, a Polícia Federal de Temer – ou seria do PMDB? –, ocupadíssima à caça de qualquer incriminação da família Lula, não tem tempo nem quadros para investigar essa potencial evasão de divisas.

Assim a Petrobrás se verá assaltada mais uma vez em seu caixa. Assim também, os governos tucanos, direta ou indiretamente, vão transferindo as reservas brasileiras de petróleo para o controle alienígena. E a maior e mais tecnologicamente bem aparelhada empresa nacional, vai sendo destruída por seus administradores.

Este é o ódio que alguns nascidos no Brasil devotam ao nosso País. Como escrevia Camões, no episódio de Inês de Castro, nos Lusíadas, “com falsas e ferozes razões” – corrupção e comunismo – condenam à miséria, à humilhação, à vida de escravos, e por que não à morte como os filhos de Inês, milhões e mais milhões de brasileiros.

Façamos de 2018 o ano da independência.*****


* Para ouvir mais do Dr. Pedro Augusto Pinho, assista à entrevista que deu ao jornalista Beto Almeida, transmitida pela TV Comunitária do Rio em 21/2/2017, 56", em Youtube [NEd.]

segunda-feira, janeiro 01, 2018

A Condenação de Lula pelo TRF-4 e o divisor de águas na sociedade brasileira – breve análise político-existencial




por José Policarpo Jr

Nenhuma sociedade atravessa uma situação semelhante à vivida política e institucionalmente pelo Brasil atual sem deixar marcas profundas no solo da vida coletiva, no relacionamento interpessoal e nos sentidos existenciais dos indivíduos.
O julgamento do ex-presidente Lula em segunda instância no próximo dia 24 de janeiro no TRF-4, cujo resultado de confirmação da sentença do juiz Moro já é tido como certo, representa um momento decisivo de uma escalada autoritária que começou há alguns anos e que deixará cicatrizes por longo tempo entre os cidadãos brasileiros. Não pretendo aqui analisar os vícios e absurdos da denúncia do ministério público e da sentença que condena o ex-presidente sem nenhuma prova, ou, mais explicitamente, que o faz contrariamente às provas de sua inocência incluídas pela defesa nos autos do processo; esse trabalho já está feito por pessoas muito mais qualificadas do que eu e se encontra amplamente disponibilizado em vários meios digitais e impressos [i]. Disponho-me aqui a analisar as prováveis consequências ético-políticas do fato e das atitudes pessoais diante do mesmo, pois, reafirmo, não estamos diante de um acontecimento qualquer, mas de um fato com imensas repercussões para a democracia, as liberdades e a vida social brasileiras.
O momento em questão é semelhante a diversos outros acontecimentos históricos de alta significação, tais como: (a) o caso Dreyfus, na França de fins do século XIX; (b) os primeiros atos legais do regime nazista contra os judeus, a partir de 1933; (c) a luta de Mohandas Gandhi, contra o domínio britânico e pela soberania do povo indiano; (d) o julgamento de Rivonia que condenou Nelson Mandela e várias outras lideranças do Congresso Nacional Africano, em 1964, pelo judiciário do regime racista na África do Sul; (e) o movimento dos direitos civis e a morte de Martin Luther King, nos anos 1960, nos EUA; (f) o golpe de estado de Pinochet, em 1973, e o regime sanguinário que o seguiu.
Esta é apenas uma pequena lista dentre os mais conhecidos acontecimentos que marcaram sociedades no mundo moderno. Embora haja grandes distinções entre todos os momentos mencionados, há algo comum que a todos eles perpassa: para o bem ou para o mal, todos eles foram marcos definidores que mudaram a história de suas sociedades e obrigaram os contemporâneos a assumir uma posição determinada a respeito da situação específica. A indiferença das pessoas no tocante a tais eventos foi progressivamente impossibilitada, porque aqueles se tornaram questões fundamentais da sociedade, das quais não se poderia escapar ou evadir-se. Em acréscimo, tal aspecto comum veio a se caracterizar, no decorrer do tempo, pela legitimação de apenas uma posição, dentre aquelas em disputa, como digna, civilizada e humana, a despeito de que, à época de cada um dos acontecimentos, os conflitos pessoais e sociais a seu respeito fossem fortíssimos. Nos dias atuais, todas as pessoas esclarecidas sabem que: (a) Alfred Dreyfus foi julgado e condenado sem provas, por interesses escusos de proteção a funcionários hierarquicamente superiores e pelo antissemitismo contra a pessoa do réu; (b) os atos legais nazistas contra os judeus, além de anti-humanos por si mesmos, faziam parte de uma estratégia geral de aniquilação de tais pessoas; (c) a luta de Gandhi foi justa e por um princípio hoje mundialmente reconhecido, tendo esse líder entrado para o panteão mítico do século XX; (d) Nelson Mandela tornou-se reconhecido e mundialmente aclamado por sua luta contra o apartheid, seu governo e seu comprometimento com a justiça e a paz; (e) Martin Luther King, mundialmente reconhecido e aclamado, tornou-se um mártir da paz e dos direitos civis, também ingressando, juntamente com Gandhi e Mandela, no âmbito dos mitos inspiradores dos tempos modernos; (f) a figura de Augusto Pinochet ombreia-se hoje com a de tiranos da qualidade de Hitler, Mussolini e Stalin, por ter liderado um regime de torturas e terror que aniquilou milhares de pessoas.
Hoje, é fácil reconhecer tudo isso. A história, por meio da luta, comprometimento e sangue derramado de muitas pessoas, tornou límpido tal reconhecimento para nós que não vivenciamos aqueles momentos. Às vezes, pela facilidade em reproduzir esses julgamentos já realizados pela história, sequer nos damos conta do esforço, da envergadura moral, do comprometimento consigo mesmo e com a humanidade em cada um, por parte das pessoas que sustentaram com suas vidas esse mesmo reconhecimento enquanto vivenciavam tais situações em carne e osso, contrapondo-se às opiniões majoritárias e aos sistemas sociais, políticos e econômicos que lhes davam suporte. Em suma: ser contrário à ditadura de Pinochet hoje e fora do Chile é muito fácil; fazer isso na sociedade chilena dos anos 1970 era algo completamente diferente.
De forma semelhante aos momentos mencionados, mantidas todas as diferenças históricas, sociais e políticas, a sociedade brasileira aproxima-se de um momento decisivo que a marcará por muitos anos e estará gravada na vida de milhões de brasileiros. Trata-se, ao fim e ao cabo, de como a sociedade e os indivíduos se posicionarão diante da condenação e eventual prisão do ex-presidente Lula, sem provas, com o fito de afastá-lo definitivamente das eleições presidenciais de 2018, consolidando-se, assim, uma ditadura judicial-midiática iniciada com o golpe de 2016.
Trata-se de um daqueles momentos em que a história cobra de cada um, inexoravelmente, uma posição explícita a respeito de acontecimento fulcral e definidor de um tempo. Certamente que parte considerável das pessoas tenta fugir ao peso de ter que assumir uma posição clara perante as demais, porque em tal momento a escolha pessoal não define um ato cotidiano qualquer, mas revela de forma incisiva o modo estrutural como alguém se porta diante da situação inescapável de ter que assumir a responsabilidade por seu posicionamento no mundo e pela estrutura do próprio mundo que supõe defender. O peso em assumir seu posicionamento se expressa para muitas pessoas porque, em tais situações, pouco valem as racionalizações, as desculpas, os discursos floreados, as promessas de boas intenções; a pessoa está envolvida, quer queira, quer não, em carne e osso na situação e não serão palavras abstratas posteriores que poderão legitimá-la perante os demais e o devir. Nessas situações cruciais, o que vale é a atitude indivisível pela qual a pessoa se manifesta no mundo. A condição humana em tais situações, com todas as possíveis implicações relacionadas, já foi há muito estudada por um ramo da filosofia hoje já clássico – a Filosofia da Existência, tal como expressa por autores como Karl Jaspers, Gabriel Marcel, Sartre, entre outros.
Alguns podem supor evadir-se da situação ou ignorá-la ao adotar postura de indiferença ou desqualificação do assunto em pauta. A história não é, entretanto, tão complacente nesses momentos quanto possam pensar essas pessoas. Haverá sempre um preço a pagar por qualquer postura que a pessoa assumir, inclusive a indiferença. Hoje está claro que todos aqueles, inclusive judeus, que inicialmente não se posicionaram de forma clara e firme contra as primeiras leis antijudaicas do III Reich nada mais fizeram do que contribuir com o fortalecimento das investidas mais brutais dos nazistas na consolidação do terror totalitário; hoje, ninguém reconheceria como legítima a posição de alguém que afirmasse naquela ocasião que tudo aquilo não lhe dizia respeito – tal atitude de alheamento configuraria por si mesma expressão de barbárie. Adicionalmente, quem se assume indiferente diante de tais situações deslegitima-se a si mesmo porque recai em autocontradição, uma vez que não lhe é indiferente viver em uma democracia ou em uma ditadura; antes, tal pessoa pretende ter todos os benefícios da vida em uma sociedade livre e democrática, sem se comprometer com a defesa dos princípios que tornam possível a sua existência.
Não estamos, no caso do julgamento sem provas do ex-presidente, diante de uma eleição livre e limpa em que todas as posições em disputa são legítimas e respeitáveis e qualquer um tem o direito fundamental de defender a sua opinião como um dos lados da disputa. Pode-se ter opinião a respeito de qualquer coisa, embora nem todas possam ser legítimas, desde que a pessoa acate as consequências de sua própria expressão. Alguém pode, ainda hoje, ter a opinião de que não houve o genocídio de judeus no regime nazista (e ainda há pessoas que assim pensam), do mesmo modo como alguém pode ter a opinião de que o mundo foi criado em seis dias literais de 24h (outros também pensam assim) – a primeira opinião não possui legitimidade civilizatória, democrática, nem histórica, e a segunda não possui legitimidade científica. O fato concreto é que estamos diante de uma condenação do ex-presidente Lula, sem provas – afirmam-no dezenas de juristas que analisaram o processo e até alguns jornalistas de direita, e os próprios acusadores não conseguem provar a acusação. Como já afirmado, isso não é uma novidade histórica. Não é e nunca foi um processo justo, ou “luta contra a corrupção” – esse slogan já foi desmentido por inúmeros outros acontecimentos; a falta de interesse do ministério público e do judiciário em investigá-los e processar as pessoas que cometeram crimes a eles relacionados, com provas materiais robustas e insofismáveis, dissolve aquele lema por completo. A história é pródiga em mostrar que a razão e o compromisso com a verdade não são matérias abundantes, a não ser post factum. Por essa razão, não é de estranhar que haja milhões de brasileiros que, independentemente de prova, desejam e propugnam a condenação do ex-presidente; fundamentam-se tão somente nos seus desejos e opções políticas mais inconfessáveis, na adesão aos desejos da classe dirigente brasileira e na formalidade do processo judicial – a razão está completamente alheada de seu próprio posicionamento. Alguém, portanto, pode ter a opinião de que Lula deve ser condenado nas condições atuais, mas essa opinião não tem valor civilizatório, nem democrático, posto não haver prova que a corrobore, além de muitos outros problemas de legitimidade jurídica já analisados por juristas conceituados[ii]. Muitos, na África do Sul do apartheid, também tinham a opinião de que Mandela deveria ser condenado e preso eternamente, por sua luta contra o regime racista; hoje, os herdeiros dessa opinião e os que ainda a nutrem não têm a coragem de macularem-se a si mesmos ao emiti-la – são fascistas sob disfarce.
A história já nos mostrou que regimes totalitários são capazes de suprimir fatos da mentalidade da população. Aliás, nenhum regime totalitário sobrevive sem buscar definir a história a seu modo. O fato de que procuradores e juízes condenem sem prova o ex-presidente Lula é algo grave, mas não singular historicamente. A favor deles se encontra o poder temporal de fazê-lo contra os fatos, na tentativa de suprimir a estes por meio do ato de força da própria sentença convertida em fato. Entretanto, já agora estão disponíveis diversos meios de prova que, apesar de não deterem a força de se impor sistemicamente, terão o poder, no Brasil e em outros países, de deixar registrada a violência institucional praticada e apontar claramente os seus perpetradores e apoiadores ativos e indiferentes.
A classe dirigente brasileira quer impor a todos a aceitação resignada de uma mentira manifesta, como se todos tivessem que, pelo medo, reproduzir o absurdo de que 2 + 3 = 7. Muitos se prestam a esse papel, a começar dos procuradores e juízes que operam o cenário, incluindo-se aqueles que os apoiam e os que imaginam ficar alheios à questão. Por esse ato, renunciam a sua própria dignidade para habitar o mundo humano e regridem ao estágio da lei do mais forte, por mais que, em palavras apenas, afirmem-se democratas. O preço histórico e existencial será cobrado da sociedade brasileira e de cada brasileiro que apoiou ou se omitiu diante do ato bárbaro do juízo de exceção contra o ex-presidente Lula, encomendado para dar continuidade ao projeto golpista, e agora ditatorial, iniciado em 2016.
Condenar alguém sem provas, em um juízo de exceção, com o fito de destruir a democracia brasileira é uma possibilidade histórica, que pode diferir em grau, mas que é da mesma natureza bárbara e violenta do processo contra Dreyfus, das leis antijudaicas nazistas, dos processos imperiais contra Gandhi e os que lutaram pela independência da Índia, da perseguição racista a Mandela e a Martin Luther King, dos métodos da ditadura de Pinochet empregados contra os que resistiram ao golpe de estado por ele perpetrado. Todo cidadão é livre para posicionar-se favoravelmente a qualquer um desses acontecimentos que agrediram e agridem os fundamentos do mundo comum; não tem, entretanto, a legitimidade de fazê-lo com a expectativa de que possa ser bem recebido na comunidade humana, porque aquele que julga ter o direito de sobrepor cegamente suas preferências às regras que possibilitam a convivência por entre a pluralidade humana expressa, por esse seu ato, sua própria limitação antropológica para compreender com integridade o sentido de “viver com”, na medida que é incapaz de transcender o seu próprio autocentramento.
Recife, 31 de dezembro de 2017.
José Policarpo Junior - doutor em Educação (PUC-SP) e professor titular da UFPE.

[i] Para os que ainda não se informaram suficientemente, há, entre inúmeras outras fontes excelentes, os seguintes textos e documentários disponíveis:
A VERDADE DE LULA. Documentos provam cessão de direitos do Triplex. 20/jun/2017. Disponível em: http://www.averdadedelula.com.br/pt/2017/06/20/documentos-provam-cessao-de-direitos-do-triplex/
A VERDADE DE LULA. OAS é dona do Triplex, reafirma a defesa. 26/jun/2017. Disponível em: http://www.averdadedelula.com.br/pt/2017/06/26/oas-e-dona-do-triplex-reafirma-a-defesa/
BRASIL DE FATO. Denúncia contra Lula é política, baseada em hipóteses e não em fatos, diz jurista. 14/set/2016. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2016/09/14/denuncia-contra-lula-e-politica-baseada-em-hipoteses-e-nao-em-fatos-diz-jurista/
LACERDA, Fernando Hideo I. Breves considerações sobre a sentença contra Lula. 13/jul/2017. Disponível em: https://jornalggn.com.br/noticia/breves-consideracoes-sobre-a-sentenca-contra-lula-por-fernando-hideo-i-lacerda
MANCE, Euclides. Falácias de Moro: análise lógica da sentença condenatória de Luiz Inácio Lula da Silva – Processo no. 5046512-94.2016.4.04.7000. Passo Fundo: IFIBE, 2017.
MEDEIROS, Sérgio. Lula e a fragilidade assustadora da peça de acusação firmada por Moro. 14/jul/2017. Disponível em: https://jornalggn.com.br/fora-pauta/lula-e-a-fragilidade-assustadora-da-peca-de-acusacao-firmada-por-moro-por-sergio-medeiros
PRONER, Carol; CITTADINO, Gisele; RICOBOM, Gisele; DORNELLES, João Ricardo. Comentários a uma Sentença Anunciada – o processo Lula. Bauru: Canal 6, 2017.
REDE BRASIL ATUAL. Pedro Serrano: o sistema penal não soluciona o problema da corrupção. 21/set/2017. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2017/09/pedro-serrano-o-sistema-penal-nao-soluciona-o-problema-da-corrupcao
SILVA JARDIM, Afranio. Breve análise da sentença que condenou o ex-presidente Lula e outros. 13/jul/2017. Disponível em: https://jornalggn.com.br/noticia/breve-analise-da-sentenca-que-condenou-o-ex-presidente-lula-e-outros-por-afranio-silva-jardim
TV 247. Entrevista com Luiz Moreira – Prof. de Direito Constitucional. 19/dez/2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=x5Uewhu__mA
TV 247. TV Espanhola destaca perseguição a Lula e Cristina. 27/dez/2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Ave8tIOw6K0
ZANIN MARTINS, Cristiano; TEIXEIRA ZANIN MARTINS, Valeska; VALIM, Rafael et. al. O Caso Lula: a luta pela reafirmação dos direitos fundamentais no Brasil. São Paulo: Editora Contracorrente, 2017.
[ii] Conferir os diversos artigos de mais de uma centena de juristas que compõem a obra já mencionada: PRONER, Carol; CITTADINO, Gisele; RICOBOM, Gisele; DORNELLES, João Ricardo. Comentários a uma Sentença Anunciada – o processo Lula. Bauru: Canal 6, 2017.


https://jornalggn.com.br/blog/jose-policarpo-jr/a-condenacao-de-lula-pelo-trf-4-e-o-divisor-de-aguas-na-sociedade-brasileira-%E2%80%93-breve-analise-politico-exi#.WkkE5VaL9eI.facebook


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Os tribunais fascistas nunca antecedem aos governos fascistas.




As 12 lições do moralismo apolítico – Freixo fala




por João Feres Júnior

Realmente, não tinha a intenção de escrever esse artigo, pois o tempo é sempre curto e Marcelo Freixo é um político bastante irrelevante no cenário político nacional. Mas, como moro no Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral, e na Zona Sul, região onde se concentram seus principais admiradores, não consegui resistir à tentação de escrever algumas notas sobre o que mais me saltou aos olhos na entrevista dada por ele à Folha de S. Paulo. São somente alguns apontamentos seguidos de análises bem breves. Vamos lá.
1.       Freixo se expressa muito mal. As coisas que fala, quando escritas, parecem confusas. Comete excessivas sentenças negativas - deve ter lido muito Foucault na graduação de história - o que torna a comunicação bastante equívoca. Responde perguntas com perguntas. Em suma, bastante ineficaz na comunicação para um político com suas pretensões.
2.       Começa a entrevista com uma defesa de junho de 2013, quando até os mais bobos já se tocaram da tragédia que aquilo realmente representou para nosso país. Quer dizer, erro aqui. Os mais bobos ainda não chegraram lá. 
3.       Atravessa o samba ao citar Boulos como candidato do PSOL, jogada que força o próprio Boulos a soltar carta dando muitas explicações e reafirmando seu apoio a Lula, entre outras coisas.
4.       Diz que não é hora de unificar as esquerdas porque a “sociedade precisa enxergar o diferente”.  E se saí com o argumento de que a direita também está fragmentada. Como se a política fosse uma questão de estética. Como se a possibilidade da direita ganhar e continuar o massacre do povo hoje em curso fosse algo que o Brasil pudesse aguentar. Claro, as pessoas que moram no Leblon e em Ipanema certamente podem aguentar e até se contentar com tal destino.
5.       Acusa Lula por ter andado com Renan Calheiros em Alagoas, repisando implicitamente a mistificação de que no regime do presidencialismo de coalizão é possível governar sem fazer alianças com setores mais retrógrados do espectro político. É claro que aí ele está jogando para seu eleitorado moralista, que só aceita governo que não faz pacto com “ladrão”.
6.       Diz que Lula, “se pudesse, faria todos os acordos que sempre fez”, mais uma vez mostrando aversão à negociação política e posando de santo para o moralismo apolítico da sua audiência.
7.       Ao ser instado pela repórter a se comparar a Bolsonaro faz um contorcionismo retórico enorme para evitar a crítica ao deputado direitista. Pelo contrário, o elogia. Diz que sabe “que ele não rouba”, afirmação que no âmbito do moralismo apolítico vale ouro. E fecha falando que o eleitor vê ambos como honestos e corajosos.
8.       Quando a repórter tenta trocar de assunto e falar sobre o tráfico de drogas no Rio de Janeiro e a prisão de seus líderes, ele se esquiva e sai com a brilhante frase: “o grande crime organizado é o PMDB” -- frase que fica mais bem na boca de um coxinha mediota do que de um político profissional.
9.       Aí vem aquele que talvez seja o ápice da entrevista. O tema é Moro e a Lava Jato. Freixo começa criticando os excessos do juiz paranaense, mas quando comenta a condução coercitiva de Lula, ao invés da apontar para a ilegalidade e imoralidade do ato de Moro, ele, como que lamentando, diz que a ação do juiz deu a Lula “a oportunidade de virar a chave e criar uma resistência muito mais aguda do que existia até então”. É o fim da picada. A aversão a Lula demonstrada por Freixo é assustadora. Mesmo perante um flagrante delito de Moro ele é incapaz de emitir palavra simpática ao petista. Como se a reistência à Lava Jato fosse sempre ruim. 
10.   Momento pitoresco. De passagem defende Sergio Cabral, criticando a divulgação do vídeo dele no presídio feita pelo Fantástico. Aqui há alguma coerência, mas biográfica e não política. Freixo sempre “conversou” com a turma do PMDB da Alerj, a despeito de sua postura de virgem imaculada para sua "galera". E é sabido que Cabral mais de uma vez disse para a polícia poupar Freixo e sua turma da porrada distribuida fartamente em manifestações. Contudo, Lula não é objeto da mesma generosidade. Pelo contrário, a ele é proibido “conversar” com o PMDB.
11.   Depois desses comentários ambíguos acerca de Moro e Lava Jato, batendo em Lula e poupando Cabral, Freixo fecha dizendo: “essas coisas não podem ser secundarizadas porque a tal da investigação contra corrupção é importante. Não dá para achar que os fins justificam os meios. Agora, isso faz com se pegue tudo o que está sendo feito pela Lava Jato e se jogue fora? Não”.
12.   O apoio à Lava Jato é elemento definidor do moralismo apolítico. Mas não deixa de ser deprimente ver um deputado do Rio de Janeiro, alguém que diz se orgulhar tanto de representar fluminenses e cariocas, não reconhecer o imenso mal que a Lava Jato fez e está fazendo a seu estado. É claro, novamente, quem sofre mais com desemprego, a falência dos serviços públicos e a depressão econômica generalizada são os pobres. Mas o moralismo apolítico não está muito aí para eles, venhamos e convenhamos. Na verdade, os eleitores de Bolsonaro, também adeptos da mesma doutrina, têm projetos mais definidos do que fazer com o excedente de pobres. 

Há uma nota adicional que decidi não inserir na numeração original para que a contagem total não pareça algum tipo de piada ou trocadilho. Ela diz respeito a um elemento de gênero bastante incômodo na entrevista, que aparece quando Freixo relata sua adesão ao nome de Boulos. Ele diz que estava tomando café com sua companheira ...:
“Conversávamos sobre o que é esta esquerda do século 21. Os olhos dela são meio que termômetro. Falei do Boulos, e arregalaram. Pensei: "Opa, ali tem caldo".
É peculiar a maneira como se refere à Antônia, sua companheira. Eles estavam conversando, mas seu convencimento não foi produto de um bom argumento, articulado por ela, mas por uma reação física, um sinal de intuição. Tal interpretação é reforçada pela frase anterior, no qual ele a chama de “termômetro” – instrumento que usamos para fazer coisas inteligentes, mas que, em si, é objeto inanimado, incapaz de reflexão. Aqui o entrevistado me parece resvalar para um tropo clássico do discurso machista que é ressaltar o poder de intuição da mulher, que sempre vem em detrimento do direito ou capacidade de ela se constituir em interlocutor racional. Tanto é que, logo em seguida, ele declara que foi testar a intuição de Antônia com sua equipe. Isto é, submetê-la à luz da razão.
É curioso notar como esse tratamento dispensado por ele à figura de sua companheira faz lembrar a lírica do próprio Caetano Veloso, cujo círculo de “intelectuais do meio artístico” Freixo confessa frequentar, na casa de Paula Lavigne. Diria que tal lírica frequentemente tem uma pegada freyreana (de Gilberto Freyre), que é a do reconhecimento assimétrico da diferença: o diferente (negro, mulher, índio, etc) é objeto de uma elegia que, ao mesmo tempo, o coloca em seu devido lugar, sempre inferior ao do narrador. Por sinal, se não ficou claro o argumento aqui, ouçam o bolerinho Elegia, composto e gravado pelo próprio Caetano, com letra de John Donne, que descreve em detalhe tal situação de reconhecimento assimétrico da mulher por um eu lírico masculino. Funciona muito bem na voz de um artista, ainda que eu possa imaginar que tal letra secular fira algumas sensibilidades do presente. Na fala de um político...hmmmmm, not so much!
É claro que em situações como a do presente artigo, de comunicação remota (interpretar uma entrevista de pessoa que não conhecemos a fundo), deve restar a dúvida se a causa de tantos “problemas” é malícia, imperícia ou ignorância do entrevistado. Não precisamos, contudo, entrar nesses meandros para lamentar a pedagogia mesquinha e mistificadora das ideias de Freixo. Sendo político, ajuda a propalar um discurso de ojeriza à política, em nome de uma moralidade burra que não resiste aos testes mais imediatos da realidade.
Ele nunca leva em consideração o fato que nosso regime político é o presidencialismo de coalizão e que os projetos alternativos hoje politicamente viáveis vão todos no caminho do cerceamento do voto popular. Não, prefere acusar Lula de fazer alianças, mesmo quando não há alternativa melhor para se governar o país. Cala-se perante o descalabro de Moro e da Lava Jato, que estão jogando na lata do lixo a tradição de direito garantista em nosso país – coisa que deveria ser preocupação de primeira ordem para um militante dos direitos humanos. Perde a oportunidade de marcar diferença entre ele e Bolsonaro, um político que prega sistematicamente o desrespeito aos direitos humanos. Tudo isso para qual finalidade? Se apresentar como campeão da honestidade? 
Fico imaginando o estrago que uma candidatura de Boulos pelo PSOL fará à imagem do próprio Boulos e a de seu movimento, o MTST. Ter que lidar com militantes como Freixo e muitos outros bastante piores -- ele está longe de ser o mais moralista e antipolítico entre seus pares --, não é tarefa fácil nem do ponto de vista interno, organizacional, da campanha, quanto mais externo, isto é, na administração da imagem pública da candidatura. O paradoxo já está explicito na resposta de Boulos à entrevista: ou ele transforma o PSOL em um partido verdadeiramente de esquerda, focado nas questões populares fundamentais, ou o PSOL afunda sua candidatura, e com ela sua reputação. Agora, quem em sã consciência imagina que pode mudar por dentro o udenismo do PSOL, que aqui venho chamando candidamente de moralismo apolítico?  
É claro, a postura anti-Lula e antipetista de Freixo se encaixa como uma luva na agenda da Folha de S. Paulo. Sugiro ao leitor visitar o Manchetômetro (www.manchetometro.com.br) e ver o perfil da cobertura que esse jornal dedica ao ex-presidente e a seu partido. Claro que o entrevistado sempre tem a escolha de falar o que o jornal e seus leitores querem ouvir, falar coisas que eles não querem ouvir, ou não dar entrevista para a Folha. Cada um faz suas escolhas e é responsável por elas. 
Resta por fim saber se a atitude de Freixo é produto de malícia, imperícia ou ignorância? Se me permitem um último palpite de final de ano -- não diria intuição pois talvez eu não tenha os atributos genéticos para tanto --, acho que é uma mistura das três coisas. E digo mais, provavelmente na proporção decrescente de sua ordem.
Feliz 2018!