sábado, junho 25, 2016

O GOLPE POR DENTRO


Esta semana o GOLPE de Estado no Brasil mudou de nível.
Com a prisão de jornalistas, políticos do PT e a invasão pela PF da sede do partido. Além de assassinatos e repressão contra os movimentos sociais. Agora só não vê o que está acontecendo quem não quer.
É um GOLPE de Estado por dentro.
A rede Globo associada ao corrupto e assassino governo Obama, aparelhou parte significativa do Estado Brasileiro, notadamente na PF e em boa parte do Poder Judiciário, para golpear a democracia.
O país não tem mais garantias legais e institucionais.
Qualquer pessoa da oposição ao GOLPE pode ser presa ou sumida a qualquer momento.
As Forças Armadas Brasileiras mais uma vez estão sendo incapazes na defesa do país.
Que tipo de militar aceita a sabotagem do Programa Espacial Brasileiro?
Que tipo de militar aceita o desmonte do programa do submarino nuclear?
Que tipo de militar aceita o desmantelamento da nossa indústria bélica?
E o KC390? E os caças Gripen NG? Como vai ser?
E a Petrobras? E o Pré-Sal?
Não conseguem ter inteligência e autonomia ideológica e política para defender os interesses do Brasil.
Qual vai ser o próximo passo? Cortar a grama das bases americanas aqui no Brasil?
Estão entregando o controle do estado nas mãos de uma potência estrangeira que vai arruinar tudo que cheirar a soberania e desenvolvimento nacional.
As Forças Armadas Brasileiras pelo que vemos da sua história, são covardes úteis.
Sim, existe uma parte da sociedade reagindo. Fazendo resistência física ao GOLPE.
Mas é pouca gente. A grande maioria está calada e na inércia do deixa estar pra ver como é que fica.
Existe uma elite corrupta e traidora que não deixa o Brasil levantar a cabeça.
E existe acomodação suficiente de boa parte da sociedade para o GOLPE acontecer mais uma vez.
A Frente Brasil Popular tem que tratar de proteger suas lideranças. Inclusive com pedido de asilo político. Lideranças presas ou mortas não servem para muita coisa.
Chega de lançar notas. O tempo já é outro.




domingo, junho 12, 2016

Festival Internacional da Utopia >> ‪#‎VemPraUtopia‬

Festival Internacional da Utopia adicionou um novo vídeo: #VemPraUtopia.

De 22 a 26 de junho 

https://www.facebook.com/festivalinternacionaldautopia/videos/684955341642197/


Quer vir pro Festival da Utopia e ainda não arranjou um jeito?
Organize sua caravana, chama as amigas, os amigos, manda zap, telegram, inbox, se organize! . No mundo das utopias tudo é possível, basta acreditar e realizar. Pode ser carro, van, micro-ônibus e até um busão. Só não fique de fora dessa!

sexta-feira, junho 10, 2016

Lista de matar: esmagar o "B" de BRICS


8/6/2016, Pepe Escobar, SputnikNews

As apostas não poderiam ser mais altas. Estão na balança não só o futuro dos BRICS, mas o futuro de um novo mundo multipolar. E tudo depende do que aconteça no Brasil nos próximos poucos meses.

Comecemos pelo kafkiano tumulto interno. O golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff continua a ser tragicomédia político-midiática que parece recomeçar todos os dias. Também é caso de guerra de informação convertida em ferramenta estratégica para maior controle político.

Uma sucessão impressionante de vazamentos de áudios revelou que setores chaves dos militares brasileiros e seletos juízes da Suprema Corte legitimaram o golpe contra uma
presidenta que sempre cuidou de proteger a investigação de corrupção chamada "Car Wash", que já dura dois anos. Até a mídia-empresa ocidental dominante teve de admitir que Dilma, que nada roubou, está sendo impedida e derrubada por uma gangue de ladrões. A agenda deles: fazer parar a investigação "Car Wash", que eventualmente pode vir a jogar muitos deles na cadeia.

Os vazamentos também revelaram a carnificina que ruge entre as elites brasileiras comprador — periférica e central. Essencialmente, as elites periféricas foram usadas como moleques de recados no Congresso, para fazer o trabalho sujo. Mas agora podem estar a ponto de se tornarem assaltantes de estrada – junto com o 'governo' ilegítimo, impopular, interino de Michel Temer, liderado por uma gangue de políticos corruptos até o cerne do PMDB, o partido que é herdeiro da única fachada de 'oposição' tolerada durante a ditadura militar brasileira (dos anos 1960s aos 1980s).

Conheça o chanceler vassalo

Personagem insidioso em toda a trama do
golpeachment é o ministro interino de Relações Exteriores, senador José Serra do PSDB, social-democratas convertidos em operadores de forças neoliberais. Na eleição presidencial de 2002 – quando foi derrotado por Lula –, Serra tentava livrar-se das oligarquias brasileiras periféricas.

Agora contudo está cumprindo outro papel – perfeitamente posicionado não só para fazer regredir a política externa do Brasil, de volta para algum ponto do golpe militar de 1964, mas, sobretudo, no papel de homem de ponta do governo dos EUA dentro da gangue golpista.

A oligarquia em São Paulo é aliada chave do Excepcionalistão no Brasil. São Paulo é o estado mais rico do Brasil e capital financeira da América Latina. É a lista A do Brasil. É das fileiras dessa oligarquia que talvez 'surja' um eventual "salvador nacional".

Tão logo as elites periféricas tenham sido aniquiladas, não haverá nada que impeça a criminalização – e provável prisão – de vários líderes da esquerda brasileira, Lula inclusive. Em seguida se urdirá algum tipo de eleição fake, 'legalizada' por Gilmar Mendes, juiz da Suprema Corte e operador do PSDB.

Tudo depende do que aconteça nos próximos dois meses. O procurador-geral afinal ordenou a prisão de três altos quadros da elite periférica; os três são acusados de conspirar para impedir que avancem as investigações da operação "Car Wash" – rede extremamente complexa de agentes jurídico-políticos-policiais, de miríades de círculos concêntricos/sobrepostos.

Entrementes, o julgamento final do impeachment de Dilma no Senado deve acontecer dia 16 de agosto – 11 dias depois do início dos Jogos Olímpicos. Os golpistas sofreram um duro golpe, quando tentaram acelerar os procedimentos. No pé em que estão as coisas, o resultado é incerto; depois dos vazamentos, quatro de cinco senadores já estão oscilantes quanto ao voto, uma vez que os vazamentos implicam Temer, o presidente interino, pessoalmente. 'Líder' de uma gangue pesadamente envolvido em corrupção e com zero de credibilidade, Temer é alvo de várias investigações por corrupção, e acaba de ser declarado
inelegível e impedido de concorrer a cargo político eletivo nos próximos oito anos.

O monopólio (cinco famílias) que controla a mídia-empresa dominante no Brasil, conhecido como PIG (sigla de "Partido da Imprensa Golpista") mudou de tom, deixando de lado o antiesquerdismo obcecado e agora se dedica a fazer campanha contra elementos selecionados da gangue de Temer.

Segundo a Constituição, se a presidência e a vice-presidência ficam vagas nos últimos dois anos de mandato, cabe ao Congresso eleger o novo presidente.

Essa disposição legal implica dois cenários possíveis. Se Dilma não for impedida e reassumir, vai-se configurando como muito provável que ela determine que se realizem novas eleições presidenciais ainda antes do final de 2016.

Se a presidenta for impedida, o PIG tolerará a gangue interina dos 'quadros' temeristas até, no máximo, janeiro de 2017. O passo seguinte seria o que Serra e o quase presidiário e 'líder' do Senado, Renan Calheiros, trabalham para conseguir: o fim de eleições diretas para presidente e o início de um parlamentarismo à brasileira.

O nome mais bem posicionado para ser o 'salvador' nacional nesse caso é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – também ex-"Príncipe da Sociologia" e superstar (nos anos 1960s e início dos 1970s) da Teoria da Dependência, logo depois metamorfoseado em neoliberal ávido. Cardoso é parceiro próximo de Bill Clinton e de Tony Blair. O eixo Washington/Wall Street é louco por ele. Cardoso seria 'eleito' pela mesma
matilha de hienas que tramam o impeachment de Dilma desde 17 de abril.

Mas o núcleo duro do golpeachment brasileiro ultrapassa em muito as elites periféricas brasileiras. É constituído de um partido político (PSDB); do império Rede Globo de mídia; da Polícia Federal (muito próxima do FBI); do Ministério Público; da maioria dos juízes da Corte Suprema e de setores das Forças Armadas. Só o eixo Washington/Wall Street tem os meios e a necessária 'pegada' para arregimentar todos esses players – com dinheiro vivo, por chantagem ou com promessas de glória.

E isso se encaixa perfeitamente com perguntas chaves não respondidas relacionadas aos áudios vazados recentemente. Quem gravou as conversas. Quem vazou as conversas. Por que agora. Quem se beneficia com meter o país no mais total caos político, econômico, jurídico, com virtualmente todas as instituições completamente desacreditadas.

Neoliberalismo ou caos

Longe vão os dias quando Washington podia comandar impunemente aqueles antiquados golpes militares bem ali no quintal deles – como foi feito no Brasil em 1964. Ou no Chile, no 11/9 original, em 1973, como se vê no emocionante
documentário sobre Salvador Allende, assinado pelo cineasta chileno craque Patricio Guzman.

A história, como se poderia prever, repete-se como farsa no golpe de 2016 que converteu o Brasil – a 7ª maior economia do mundo, e player chave no Sul Global – numa espécie de Honduras ou Paraguai (onde golpes apoiados pelos EUA foram bem-sucedidos).

Já demonstrei como o golpe no Brasil é operação extremamente sofisticada de Guerra Híbrida que ultrapassa em muito a guerra que se conhecia como guerra não convencional (ing. UW); guerra de 4ª geração (ing. 4GW); as revoluções coloridas; e os movimentos de R2P ("responsabilidade de proteger") e o ápice do smart power; até se converter em golpe político-financeiro-jurídico-midiático soft a que os brasileiros estão assistindo em câmera lenta. Eis a beleza dos golpes, quando promovidos por instituições democráticas!

É possível que o neoliberalismo tenha falhado, como até o
setor de pesquisas do FMI já percebeu. Mas o cadáver putrefato ainda faz feder o planeta inteiro. O neoliberalismo não é só um modelo econômico; sub-repticiamente ele cobre também todo o campo jurídico. Eis mais uma faceta perversa da doutrina do choque: o neoliberalismo não sobrevive sem uma implantação firme no quadro jurídico-legal.

É quando as atribuições constitucionais são redirecionadas para o Congresso que mantém sob controle o Executivo, ao mesmo tempo em que gera uma cultura de corrupção política. O político foi subordinado ao econômico. Empresas privadas engajam-se em campanhas eleitorais – e é quando compram políticos, para poderem influenciar qualquer poder político, por mais 'eleito' que seja.

Washington trabalha precisamente assim. E aí está também a chave para compreender o papel do ex-líder da Câmara de Deputados no Brasil, Eduardo Cunha. Cunha montou uma rede de financiamento de campanhas eleitorais dentro do próprio Congresso, onde controla dúzias de políticos, ao mesmo tempo em que lucra de incontáveis proverbialmente gordos contratos de empresas fornecedoras do Estado.

Os
Três Patetas no que chamei de República das Bananas dos Escroques Provisórios  são Cunha, Calheiros e Temer. Temer é mero fantoche; Cunha permanece uma espécie de primeiro-ministro 'nas sombras', comandando o show. Mas não por muito tempo. Já foi suspenso do cargo de presidente da Câmara de Deputados; embolsou milhões de dólares daqueles contratos gordos e meteu-os em contas secretas na Suíça; agora é só questão de tempo, até que a Suprema Corte levante todas as provas e – mas nada é garantido! – o meta no xilindró.

OTAN vs. BRICS, a pleno vapor, por todo o planeta

E isso nos traz outra vez para O Grande Quadro, no qual
acompanhamos uma análise de Rafael Bautista, presidente de um grupo de estudos da descolonização em La Paz, Bolívia. É dos melhores e mais brilhantes analistas sul-americanos, sempre muito alerta ao fato de que qualquer coisa que aconteça no Brasil nos próximos meses determinará o futuro, não só da América do Sul, mas de todo o Sul Global.

O projeto do Excepcionalistão para o Brasil é nada menos que impor aqui uma doutrina Monroe remixed. O principal alvo de uma planejada restauração neoliberal é separar a América do Sul, dos BRICS – quer dizer, essencialmente, da parceria estratégica de Rússia e China.

É uma breve janela de oportunidade em todos esses anos do continuum Bush-Obama, quando Washington viveu obcecada com o MENA (Middle East/Northern Africa [Oriente Médio/Norte da África]), também conhecido como Oriente Médio Expandido. Agora, a América do Sul volta a ocupar o centro estelar no teatro da guerra (soft) geopolítica. Livrar-se de Dilma, Lula, Partido dos Trabalhadores, custe o que custar, é só o começo.

Volta tudo ao de sempre: a guerra que definirá o século 21: OTAN contra os BRICS, Organização de Cooperação de Xangai e, afinal, contra a parceria estratégica Rússia-China. Esmagar o "B" de BRICS traz, de brinde, o esmagamento do Mercosul (o mercado comum sul-americano); a Unasul (União Política das Nações Sul-americanas); a ALBA (Aliança Bolivariana); e toda a integração sul-americana, além de acabar também com a integração com atores emergentes chaves no Sul Global, como o Irã.

A desestabilização do "Siriaque" combina perfeitamente com esse Império do Caos: não havendo integração regional, a única alternativa é a balcanização. Mas a Rússia já demonstrou graficamente aos estrategistas de Washington que não poderão vencer guerra alguma na Síria; e o Irã já demonstrou depois do acordo nuclear que não será vassalo de Washington. Assim sendo, o Império do Caos pode tratar de garantir-se pelo menos no próprio quintal.

Um novo quadro geopolítico teve de ser parte do pacote. É onde entra o
conceito de "América do Norte", apoiado pelo Council on Foreign Relations e concebido, principalmente, pelo ex-superastro do surge no Iraque David Petraeus e ex-honcho do Banco Mundial Bob Zoellick, hoje a serviço de Goldman Sachs. Pode-se dizer que é um mini quem-é-quem do Excepcionalistão.

Ninguém lera notícia alguma, nem será anunciado em público, mas o conceito que Petraeus/Zoellick imaginaram como "América do Norte" pressupõe mudança de regime e desmonte da Venezuela. O Caribe está definido como um Mare Nostrum, um lago norte-americano. "América do Norte" é, de fato, uma ofensiva estratégica.

Implica controlar toda a massiva riqueza de petróleo e água do Orinoco e do Amazonas, o que deve garantir ao Excepcionalistão predominância sobre a fronteira sul, para sempre.

O Caribe já é assunto resolvido; afinal, Washington controla o CAFTA. América do Sul é osso mais duro de roer, polarizada entre o que resta da ALBA e a Aliança do Pacífico comandada pelos EUA. Derrubado o Brasil para uma restauração neoliberal, acaba-se com o país como promotor de integração regional. O Mercosul acabará eventualmente absorvido na Aliança do Pacífico – especialmente com alguém como Serra, como principal diplomata brasileiro. Quer dizer: é imperioso anular a América Latina, em termos políticos, custe o que custar.

Restará para a América do Sul agregar-se – como atores marginais, parte da Aliança do Pacífico puxada pelos EUA – àquela OTAN de parcerias comerciais, TPP e TTIP. O "pivô para a Ásia" – do que a parceria Trans-Pacífico é o braço comercial – é o movimento da doutrina Obama para conter a China, não só na Ásia mas também em todo o Pacífico Asiático. Assim, é natural que a China (principal parceira comercial do Brasil) deva ser contida no quintal do hegemon, a América do Sul.

Do Atlântico ao Pacífico, e além

Nunca será demais destacar a importância geoeconômica da América do Sul. O único meio pelo qual a América do Sul pode ser plenamente integrada ao mundo multipolar é mediante uma abertura para o Pacífico, fortalecendo sua conexão estratégica com a Ásia, especialmente com a China. É onde se encaixa o movimento chinês para investir num massivo
projeto de ferrovias para trens de alta velocidade unindo a costa Atlântica do Brasil e o Peru no Pacífico. É, em resumo, a interconectividade sul-americana. Com o Brasil politicamente anulado, nada disso jamais acontecerá.

Por tudo isso, todo e qualquer golpe é agora literalmente permitido na América do Sul: ataques indiretos à moeda brasileira, o real; propinas para as elites comprador com o apoio do sistema financeiro global; atentado concertado a favor de implodir simultaneamente as três principais economias : Brasil, Argentina e
Venezuela. O Comando Sul dos EUA, SOUTHCOM chegou a ponto de produzir um relatório sobre "Venezuela Freedom" [Liberdade para a Venezuela], assinado pelo comandante Kurt Tidd, que propõe uma "estratégia de tensão" completada com técnicas de "cerco" e "sufocamento" e admitindo ação de rua com uso "calculado" de força armada. Aplicam-se aqui ecos do Chile, 1973.

Pode-se dizer que a América do Sul é hoje o mais importante espaço geopolítico onde o Excepcionalistão está lançando as bases para restaurar sua hegemonia sem rivais – como parte de uma guerra geofinanceira multidimensional contra os BRICS e que visa a perpetuar o mundo unipolar.

Todos os movimentos anteriores levaram a essa geoestratégia de implodir os BRICS e reduzir a América do Sul à situação de apêndice da América do Norte.


Wikileaks revelou como a Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a Petrobrás. Em 2008, o Brasil propôs sua própria Estratégia de Defesa Nacional, focada em duas áreas chaves: o Atlântico Sul e a Amazônia. Não era coisa que se desse bem com o SOUTHCOM. A Unasul deveria ter desenvolvido aquela estratégia para o nível continental, mas não o fez.

Lula decidiu garantir à Petrobras o primado da exploração dos depósitos do pré-sal – a maior descoberta de petróleo do século 21. O governo Dilma garantiu impulso firme ao Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS (baseado no BNDES do Brasil); e também decidiu receber pagamentos dos iranianos deixando de lado o dólar norte-americano. Qualquer um envolvido no comércio sul-sul que negocie deixando de lado o dólar norte-americano entra, imediatamente, numa lista de matar.

Hillary Clinton é a candidata de Wall Street, do Pentágono, do complexo industrial militar e dos neoconservadores à presidência. É a
Deusa da Guerra – e, num continuum Bush-Obama-Clinton, ela irá à guerra contra qualquer ator no Sul Global que ouse desafiar o Excepcionalistão.

É isso. Os dados foram lançados. Saberemos com certeza quando houver novo presidente nos EUA – e provavelmente também um novo presidente não eleito no Brasil – no início de 2017. Mas o jogo estratégico permanece o mesmo: o Brasil tem de ser esmagado, para que a integração puxada pelos BRICS seja esmagada e, assim, o Excepcionalistão possa concentrar todo o seu poder de destruição no confronto de vida ou morte contra Rússia-China.*****

quinta-feira, maio 26, 2016

Impeachment de Dilma Rousseff : Entrevista com o jornalista Pepe Escobar >> VEJA AGORA >> COMPARTILHE MUITO

É o esquema USA. Eu concordo completamente.
Escrevi ontem sobre isso. Mas acho que vai além do Pré-Sal.
É também fazer um rearranjo do poder e tirar o Brasil do BRICS.
Serra já tinha tentado em 2002 se livrar das oligarquias nordestinas e periféricas do Brasil. Foi afobado, e por isso perdeu a eleição para Lula.
Observe a sequência de 3 vazamentos (Jucá, Renan e Sarney), detonando 3 coronéis dessas oligarquias periféricas. E de quebra, detonando o próprio governo golpista desses coronéis.
Sim, Serra está lá, mas é o homem do esquema USA dentro do governo golpista.
O esquema USA ou NSA, sabe que o aliado mais seguro no Brasil é a velha oligarquia paulista. Aquela que até hoje comemora o 9 de julho.
Nesse time, nem os coronéis periféricos do próprio PSDB, gente como Aécio por exemplo, vai jogar no time principal.
O esquema precisa de gente com estampa internacional. Ou alguém que possa ser vendido como o salvador da pátria. Um Moro da vida. Mas a voz fina do Moro não ajuda. O calculo eleitoral vai definir quem melhor serve para o papel.
Afastada essa gente com cara de lombrosianos, aí é uma questão de timing para criminalizar e prender a esquerda. E na sequência, preparar uma nova eleição comandada pelo amigo Gilmar, que vai dar o verniz democrático na treta.
Eles têm meios e dinheiro para tentar. Vai dar certo? Vamos ter que esperar para ver qual é o tamanho do Brasil democrático e progressista. E qual a nossa capacidade para virar a mesa.
De ontem, comentando uma frase dos meganhas da PF do Paraná:
"Os delegados querem o PSDB de qualquer jeito."
É uma informação muito importante.
Eu acho que o núcleo duro do GOLPE é o esquema USA.
Envolve globo, psdb, pf, mp, stf e setores das forças armadas.
Só o esquema USA tem meios e dinheiro para cooptar tanta gente. Ou na chantagem ou na grana mesmo. As denúncias de aparelhamento da pf pelo esquema USA são antigas. O WikiLeaks já divulgou farto material sobre a proximidade do psdb com o esquema USA. O que fazer? Ampla articulação das bases sociais e progressistas para conter com a força bruta das ruas o poder do dinheiro. Se o GOLPE ficar muito caro, o mercado recua.
Os vazamentos de Jucá e Renan são peças importantes nessa equação. Quem gravou? Quem vazou? Quem lucra com o caos e a destruição de todas referências políticas do país. O descrédito total das instituições e da Democracia? O niilismo que já se instalou em amplos setores da sociedade? Quem vence com o surgimento de um salvador da pátria endeusado pela mídia e alinhado com o esquema USA?


terça-feira, maio 24, 2016

O STF deu o tiro de misericórdia na Democracia Brasileira



Um bando de homens e mulheres velhos.
Já estão mais perto da morte que da vida.
Deveriam ter o cuidado de proteger as novas gerações.
Cheios de regalias e proteção.
Não deveriam temer nada.
Mas são covardes e omissos.
O poder judiciário partiu para o deboche.
A democracia acabou no Brasil.
Agora é a lei da selva.
É cada um por si e Deus contra todos...

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Estes juízes dormem?
Malu Aires 
Ministros que advogam para Aécio Neves, Lista de Furnas e seu partido, Ministros que advogam pelo golpe, Ministros que advogam pelo poder midiático que lhes dá prêmios, Ministros que advogam pelo desmonte violento do país, Ministros que advogam a favor de um conluio de corruptos que assaltaram 54,5 milhões de votos (além de euros e dólares) à luz dos olhos do mundo, Ministros que advogam pelo desmonte do Estado Democrático de Direito, Ministros que advogam pela implantação de um Regime de Exceção, Ministros que advogam pelo desmantelamento da Constituição Federal de 1988 que juraram defender, Ministros que advogam pela destruição daquilo que conhecemos como Nação, merecem completar os quadros do antônimo do que a palavra "Supremo" significa - secundário, irrelevante, inferior, insignificante, pequeno, diminuto, profano, vulgar.
Nosso país não merece os corruptos que nossa justiça protege há tantas décadas. Hoje é revelado a todo povo brasileiro que a balança da Justiça pende pro lado da audácia dos canalhas. É consenso entre os brasileiros a indignação: "Por que o STF permitiu que um processo frágil de denúncias fosse levado à votação? Por que o STF deu admissibilidade ao que era inadmissível - a injustiça, uma farsa jurídica de tão grave consequência institucional, moral, humana? Por que o STF protegeu ritos, manobras, fingiu que não viu que cada voto no golpe do Congresso tinha um preço de anistia aos corruptos envolvidos? Por que finge que não vê que o preço negociado está montando esta nova e ilegítima bancada de gangsters a que chamam Governo (sic) Interino? Como, em pleno Estado Democrático de Direito, o STF permite a troca do poder soberano do povo brasileiro por interesses de corporações estrangeiras? Como se faz de distraído que é o réu Eduardo Cunha quem está com as chaves dos cofres públicos da União nas mãos, neste exato momento? Como permite que seus Ministros sejam políticos e os políticos corruptos sejam juízes?".
A Justiça brasileira quer que todo o povo deste país se cale e aceite a iniquidade, aplicando a ditadura da cegueira coletiva e da obediência inquestionável à vilania.
Senhoras e Senhores, o silêncio vergonhoso do "Supremo" é de um grito de injustiça ensurdecedor para o Brasil e todo o mundo. Eu me pergunto desde o dia 17 de abril de 2016: com a consciência de toda a parcialidade que dão à infâmia, estes juízes dormem?


Mais:

Gilmar Mendes é o Supremo. E já absolveu Jucá
http://www.tijolaco.com.br/blog/gilmar-mendes-e-o-supremo-e-ja-absolveu-juca/

Celso de Mello transfere a Gilmar a presidência da Turma que julgará Lava Jato http://jornalggn.com.br/noticia/celso-de-mello-transfere-a-gilmar-a-presidencia-da-turma-que-julgara-lava-jato

STF zomba da democracia: Gilmar Mendes diz que não há nada de errado nas declarações de Jucá http://www.ocafezinho.com/2016/05/24/stf-zomba-da-democracia-gilmar-mendes-diz-que-nao-ha-nada-de-errado-nas-declaracoes-de-juca/

Moro e ministros do STF em evento da Veja: o “grande acordo nacional” http://www.ocafezinho.com/2016/05/24/moro-e-ministros-do-stf-em-evento-da-veja-o-grande-acordo-nacional/

Lula peita Gilmar. Não pode encerrar o caso do Ministério, não pode “cassar” sem julgar http://www.tijolaco.com.br/blog/lula-peita-gilmar-nao-pode-encerrar-o-caso-do-ministerio-nao-pode-cassar-sem-julgar/




domingo, maio 15, 2016

Esta foto é a foto síntese do momento que estamos vivendo.



De um lado o Brasil do atraso, da exclusão, do preconceito, da tortura, do assassinato dos jovens na periferia, do trabalho escravo, da boçalidade empoderada, da simplificação ignorante da complexidade dos problemas que enfrentamos, do latifúndio na mídia e nas terras, da força escrota da grana.

Do outro lado o Brasil das possibilidades dos nossos sonhos de mais justiça, mais igualdade de oportunidades, mais sexo, mais carinho, mais possibilidades de encontros e aproximações, mais escolas, mais casas, mais saneamento, mais internet, mais democracia nas comunicações, mais terras pra quem trabalha e vive na terra, mais radicalização da Democracia...

Qual o seu lado?

terça-feira, maio 10, 2016

IMPEDIMENTO VENCEU. GOLPE GOROU



IMPEDIMENTO VENCEU

Não há reversibilidade possível no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. O atual Supremo Tribunal Federal não tem coesão para tanto ousar, declarando inconstitucional a decisão iniciada pela Câmara dos Deputados e completada pelo Senado Federal.

Os fundamentos da acusação à presidente são precários, a sentença é notoriamente desproporcional, mas a convergência de conspirações entre agentes econômicos, maiorias parlamentares conservadoras, ressentimentos de ricos e remediados, com a liga propiciada pelo oligopólio dos meios de comunicação, historicamente antidemocráticos, alcançou eficácia inédita na contra-história golpista brasileira.

Em vão a tonelada de argumentos e evidências da insustentabilidade de processos em que maioria decide que 2 e 2 são 5 porque ela assim quer. O impedimento se deu porque a maioria assim o quis. Qualquer objeção jurídica ou lógica à decisão é pura perda de tempo.

GOLPE GOROU

Por isso o golpe gorou. As sucessivas ilegalidades da força-tarefa da Lava-Jato, com prisões injustificadas, humilhações de investigados, difamações, tortura psicológica de presos, vazamentos operados com oportunismo, incansável repetição de incriminação e degradação de investigados ou mesmo réus em curso de julgamento, linguagem virulenta de procuradores, policiais federais e Procurador-Geral da República, cultivando hostilidade e ódio na opinião pública e, finalmente, o apelo dos homiziados de Curitiba aos movimentos sociais conservadores e mídia golpista para continuado apoio, esquecendo as instâncias judiciárias e de outros poderes a que estão subordinados, substituiu a indumentária de cavaleiros pró restabelecimento da moralidade, pelo descarado uso da força bruta, e só ela, contida nas leis.

Não há salvação: Michel Temer é um usurpador e seu governo não deve ser obedecido.

Não deve e não o será. O golpe fracassou socialmente e o usurpador só governará mediante violência física, repressão sem disfarce.

Ou a sublevação social pela democracia é submetida pela força (e aí o golpe, finalmente, será vitorioso), ou a coerção servirá de combustível à sublevação. Então, de duas uma: ou Michel Temer renuncia e o STF convoca novas eleições ou as forças armadas intervirão.*****

A nova normalidade: Guerra Fria 2.0



5/6/2016, Pepe Escobar, SputnikNews

Todos estamos vivendo tempos de Guerra Híbrida. Da R2P ("responsabilidade para proteger") às 'revoluções coloridas'; de ataques a moedas, a manipulação no mercado de ações.

De golpes 'brandos' organizados e perpetrados pelo complexo judiciário-financeiro-político-midiático – como se vê hoje em andamento no Brasil – a apoio a jihadistas 'moderados', estágios variados de Guerra Híbrida operam hoje a polinização cruzada de vários vírus e geram uma máquina operada por vírus mutantes.

O conceito de Guerra Híbrida, concebido na Av. Beltway em Washington, já foi virado de pernas para o ar pelos próprios conceptualizadores.

A OTAN, fingindo surpresa até por o conceito
existir, interpreta o que chama de "invasão" da Ucrânia pelos russos, como Guerra Híbrida. Assim, os teóricos iniciais criadores da Guerra Híbrida, como a corporação RAND, recebem alvará para avançar, inventando cenários de jogos de guerra nos quais a Rússia seria capaz de invadir e ocupar os estados do Báltico – Estônia, Latvia, e Lituânia – em menos de 60 horas.

E de cenário inventado em cenário inventado, vai aumentando cada vez mais a
histeria militar ocidental concentrada agora no novo comandante da OTAN, conhecido como "Dr. Fantástico", general Gen. Curtis Scaparrotti, que providenciou para fazer sua entrada de modo que não envergonhasse seu predecessor no cargo no cargo, Breedlove/BreedÓDIO.

Pode-se dizer que quase achando graça em todo aquele circo conceitual, os russos respondem com ações. Mandaram ainda mais soldados para perto da fronteira ocidental da Rússia? OK. Aqui vai nossa
resposta assimétrica para vocês. E, não demora, deem bom-dia também ao nosso novo brinquedinho: os S-500s.

O que Hillary quer

A noção de que Moscou teria qualquer interesse em capturar estados bálticos é ridícula em si. Mas caso é que, ante os miseráveis fracassos da ocupação direta do Afeganistão (os Talibã jamais sairão de lá) e da 'responsabilidade de proteger' a Líbia (que é hoje estado falhado devastado por milícias incontroláveis), a  OTAN está desesperadamente carente de algum "sucesso". É onde entre a retórica belicista e a manipulação dos conceitos – e, isso, quando Washington já está realmente distribuindo ações de Guerra Híbrida por todo o tabuleiro.

A realidade acontece por trás do espelho da OTAN. A Rússia está muito à frente do Pentágono/OTAN "anti-acesso/área proibida" [ing. anti-access/area denial, A2AD]: os mísseis e submarinos russos podem facilmente impedir que jatos de ataque da OTAN voem na Europa Central e que navios da OTAN "patrulhem" o Mar Báltico. É coisa que dói fundo na "nação indispensável" – dói mesmo!

A histeria retórica incansável mascara o jogo de apostas muito altas que está em curso. E é onde entra a candidata Hillary Clinton, que disputa a presidência dos EUA. Ao longo de toda sua campanha, Clinton não se cansa de promover "um alto objetivo estratégico de nossa aliança transatlântica ". O tal "alto objetivo estratégico" é precisamente a Parceria Trans-Atlântico para Comércio e Investimento [ing. Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP)] – uma
OTAN-no-comércio para complementar a OTAN política e militar.
O fato de a parceria TTIP, depois dos recentes vazamentos holandeses, correr agora o risco de se afundar em território dos Mortos Vivos pode ser revés apenas temporário. O "projeto" imperial é claro; configurar a OTAN, que já foi convertida em Robocop global (Afeganistão, Líbia, Síria), numa aliança político-econômico-comercial integrada. Sempre, é claro, sob comando de Washington. E incluindo vassalos/contribuidores periféricos chaves, como as petromonarquias do Golfo e Israel.

O "inimigo" imperial, é claro, terá de ser o único projeto autêntico disponível para o século 21: a integração da Eurásia – que vai das Novas Rotas da Seda puxadas pelos chineses, à União Europeia puxada pela Rússia; à integração dos BRICS, que inclui o seu Novo Banco de Desenvolvimento, atuando em harmonia com o Banco Chinês-Asiático para Investimento e Infraestrutura [ing. Infrastructure Investment Bank (AIIB)]; um Irã ressurgente e ainda independente conectado à Eurásia; e todos os demais polos independentes do Movimento dos Não Alinhados (MNA).

Essa é a derradeira confrontação, em curso no século 21, que assumirá múltiplas formas, localizadas, de Guerra Híbrida – como está acontecendo não só em toda a Eurásia mas também em todo o Sul Global. Tudo está interconectado – de Maidan às negociações secretas da parceria TTIP; de provocar a China no Mar do Sul da China a uma guerra dos preços do petróleo e um ataque contra o rublo; de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA contra a Petrobrás brasileira até alimentar golpe 'legalista', em câmara lenta, para forçar mudança de regime ("golpe") no Brasil; e a União Europeia assolada por duas pragas provocadas: uma crise de refugiados (provocada pelas guerras da OTAN (e instrumentalizada pela Turquia) até o terrorismo salafista-jihadista também cevado e disseminado pelas mesmas guerras da mesma OTAN.

Mesmo com França e Alemanha ainda vacilantes – e já pagando preço altíssimo pelas sanções contra a Rússia – o "projeto" de Washington depende de uma União Europeia sempre ameaçada e mantida como refém perpétua da OTAN. E, afinal, como refém da OTAN no comércio – por causa daqueles imperativos geoestratégicos dos EUA contra a integração da Eurásia.
Tudo isso implica outra necessidade: a guerra conceitual – quem faz Guerra Híbrida são os malditos russos, não nós – tem de ser vencida a qualquer custo, para que o cidadão europeu médio viva acossado por medo perene. Paralelamente, é também essencial fazer o espetáculo completo: daí uma das mais massivas operações militares planejadas pelos EUA em solo europeu desde o fim da Guerra Fria – complete, com Marinha e Força Aérea exibindo suas capacidades nucleares.

Aí está o novo normal: Guerra Fria 2.0, 24h por dia, 7dias por semana.*****


terça-feira, abril 26, 2016

Cristina Fernández de Kirchner fala sobre os "golpes suaves"

RECUPERANDO DE 2015 >> Amigos da Lista Beatrice, não deixem de ver:
Cumbre de las Américas 2015: Cristina Fernández, discurso completo
https://www.youtube.com/watch?v=UYwoMO1KCxI
Professor Wanderley Guilherme dos Santos - "Depois de criado, o Estado liberal transforma-se no estado em que a hegemonia burguesa não é seriamente desafiada. Trata-se de um estado cuja intervenção em assuntos sociais e econômicos tem por fim garantir a operação do mercado como o mais importante mecanismo de extração e alocação de valores e bens."
Neste esforço para separar a realidade liberal do discurso liberal, o professor esclarece: "Estado liberal não é de modo algum um Estado não intervencionista. Muito pelo contrário, o Estado liberal está sempre intervindo, a fim de afastar qualquer obstáculo ao funcionamento 'natural' e 'automático' do mercado." http://grupobeatrice.blogspot.com.br/…/professor-wanderley-…

domingo, abril 24, 2016

Editorial: O Golpe Mais Feio do Mundo


by NINJA

Qualquer ser humano com discernimento e honestidade, que não tenha vendido a memória ao diabo, se lembra de como saímos das eleições: um país dividido, reconheciam todos. A elite, insatisfeita com a derrota nas urnas, nunca aceitou o resultado. E trabalhou dia após dia, você se lembra, para nos trazer até aqui onde estamos. Seus fins justificaram seus meios. Uma verdadeira barbárie de métodos.
No vale-tudo que todos vimos, foram capazes de colocar um rato na Presidência da Câmara e blindá-lo, construíram uma peça jurídica de araque, contrataram uma claque de "ativistas" nas redes sociais, puseram todo seu arsenal midiático a serviço de bombardear o país e derrubar a decisão que o povo havia tomado nas urnas. Eu estava aqui o tempo todo. Eu vi, você também viu.O golpe de 2016 é o golpe mais feio do mundo. Sim, ele é nosso, é a cara da elite daqui. Sem qualquer moral, sem coerência narrativa, sem nenhum requinte estético e aético, fora de qualquer ética. Não é a toa que João Roberto Marinho, o Todo Poderoso da Globo, foi tratado pelo The Guardian como um mero comentarista qualquer e teve seu 'direito de resposta' jogado no esgoto da rede como um reles mortal. Foi colocado em seu devido lugar pelos gringos. Que ano é hoje mesmo? Eu vejo um novo começo de era, embora eles não queiram.
Na Casa Grande, meus amigos, no Brasil do início do século XXI já não resta qualquer resquício de humanidade. São apenas ratos, quase todos muito confortáveis dentro de suas próprias contradições e no seu devir fascista. É por isso que já perderam o controle da narrativa. Porque é preciso ser rato para comungar com eles e negar a inteligência humana. Só mesmo a elitezinha inculta, anacrônica e autoritária daqui para não ter vergonha em avançar nesta farsa. Pior pra eles. Eles não vão durar. É da verdade que vai nascer o novo.
#‎aCasaGrandeVaiCair#‎oGolpeMaisFeioDoMundoÉNosso


Quem deu o golpe, e contra quem?


Jessé Souza
24/04/2016

O golpe foi contra a democracia como princípio de organização da vida social. Esse foi um golpe comandado pela ínfima elite do dinheiro que nos domina sem ruptura importante desde nosso passado escravocrata.
O ponto de inflexão da história recente do Brasil contra a herança escravocrata foi a revolução comandada por contraelites subordinadas que se uniram em 1930.
A visão pessoal de Getúlio Vargas transformou o que poderia ter sido um mero conflito interno de elites em disputa em uma possibilidade de reinvenção nacional.
O sonho era a transformação do Brasil em potência industrial com forte mercado interno e classe trabalhadora protegida, com capacidade de consumo. Nossa elite do dinheiro jamais sequer “compreendeu” esse sonho, posto que “afetivamente” nunca sentiu compromisso com os destinos do país.
Desde então o Brasil é palco de uma disputa entre esses dois projetos: o sonho de um país grande e pujante para a maioria; e a realidade de uma elite da rapina que quer drenar o trabalho de todos e saquear as riquezas do país para o bolso de meia dúzia.
A elite do dinheiro manda pelo simples fato de poder “comprar” todas as outras elites.
É essa elite, cujo símbolo maior é a bela avenida Paulista, que compra a elite intelectual de modo a construir, com o prestígio da ciência, a lorota da corrupção apenas do Estado, tornando invisível a corrupção legal e ilegal do mercado que ela domina; que compra a política via financiamento privado de eleições; e que compra a imprensa e as redes de TV, cujos próprios donos fazem parte da mesma elite da rapina.
De acordo com a conjuntura histórica, sempre que o Executivo está nas mãos do inimigo, imprensa e Congresso, comprados pelo dinheiro, se aliam a um quarto elemento que é o que suja as mãos de fato no golpe: as Forças Armadas antes, e o complexo jurídico-policial do Estado hoje em dia.
A história do Brasil desde 1930 é um movimento pendular entre esses dois polos. Getúlio caiu, como o desafeto histórico maior desta elite, por um conluio entre Congresso comprado, imprensa manipuladora e Forças Armadas que se imaginavam pairar acima dos conflitos sociais.
O suicídio do presidente adia em dez anos o golpe formal, que acontece em 1964 pela mesma articulação de interesses. O curioso, no entanto, é que dentro das Forças Armadas existia a mesma polarização que existia na sociedade.
INFRAESTRUTURA
O nacionalismo autoritário das Forças Armadas articula, por meio do 2º PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) do presidente Geisel, uma versão ambiciosa do sonho getulista: investimento maciço em infraestrutura e setores-chave da vanguarda tecnológica com a disseminação de universidades e centros de pesquisa em todo o país.
Ainda que o capital privado fosse muito bem-vindo, a condução do projeto de longo prazo era do Estado. Foi o bastante para que os jornais se lançassem em uma batalha ideológica contra a “república socialista do Brasil” e os empresários descobrissem, de uma hora para outra, sua inabalável “vocação democrática”.
O processo de redemocratização comandado pela elite do dinheiro tem tal pano de fundo. As Diretas-Já, na verdade, espelham a volta da rapina de curto prazo e uma nova derrota do sonho de um “Brasil grande”.
Aqui já poderia ter ocorrido a conscientização de que a rapina selvagem é o fio condutor, e que a forma autoritária ou democrática que ela assume é mera conveniência. Mas o processo de aprendizado foi abortado. O público ficou sem saber por que o golpe tinha ocorrido e, depois, por que ele havia sido criticado. Criou-se uma anistia do “esquecimento” no mesmo sentido da queima dos papéis da escravidão por Rui Barbosa: para que jamais saibamos quem somos e a quem obedecemos.
Com o governo FHC, essa elite da rapina de curto prazo se insere, enfim, não apenas no mercado mas também, com todas as mãos, no Estado e no Executivo.
A festa da privatização para o bolso da meia dúzia de sempre, da riqueza acumulada pela sociedade durante gerações, se deu a céu aberto. A maior eficiência dos serviços, prometida à sociedade e alardeada pela imprensa, sempre solícita e sócia de todo saque, se deixa esperar até hoje.
Como uma imprensa a serviço do saque e do dinheiro não pode fazer todo mundo de tolo durante todo o tempo, e como ainda existem sonhos que o dinheiro não pode comprar, o Executivo mudou de mãos em 2002.
O novo governo tentou o mesmo projeto desenvolvimentista anterior, de apoio à indústria e à inteligência nacional. Mas seu crime maior foi a ascensão dos setores populares via, antes de tudo, a valorização real do salário mínimo.
Os mais pobres passaram a ocupar espaços antes exclusivos às classes do privilégio.
Parte da classe média sofria profundo incômodo diante dessa nova proximidade em shopping centers e aeroportos, mas “pegava mal” expressar o descontentamento em público. Pior, a classe média temia que essa classe ascendente pudesse vir a disputar os seus privilégios e os seus empregos.
O discurso da “corrupção seletiva” manipulado pela mídia permite que se enfrente agora o medo mais mesquinho com um discurso moralizador e uma atitude de pretenso “campeão da moralidade”. O que antes se dizia a boca pequena entre amigos agora pode ser dito com a camisa do Brasil e empunhando a bandeira nacional. Está criada a “base popular”, produto da mídia servil à elite da rapina.
A luta contra os juros desencadeada pela presidente Dilma em 2012 reedita a eterna crença da esquerda nacionalista brasileira na existência de uma “boa burguesia”, ou seja, a fração industrial supostamente interessada em um projeto de longo prazo de fortalecimento do mercado interno.
Mas todas as frações da elite já mamam na mesma teta dos juros altos que permite transferir recursos de todas as classes para o bolso dos endinheirados de modo invisível, funcionando como uma “taxa” que encarece todos os preços e transfere parte de tudo o que é produzido para os rentistas - inclusive da classe média feita de tola pela imprensa comprada.
Quando em abril de 2013 as taxas de juros voltam a subir, a elite está armada e unida contra a presidente. As “jornadas de junho” daquele ano vêm bem a calhar e, por força de bem urdida campanha midiática, transformam protestos localizados em uma recém-formada coalizão entre a elite endinheirada e a classe média “campeã da moralidade e da decência” contra o projeto inclusivo e desenvolvimentista da esquerda.
Como os votos dos pobres recém-incluídos são mais numerosos, no entanto, perde-se a campanha de 2014. Mas a aliança entre endinheirados e moralistas de ocasião se mantém e se fortalece com um novo um novo aliado: o aparato jurídico-policial do Estado.
Construído pela Constituição de 1988 para funcionar como controle recíproco das atividades investigativas e jurisdicionais, todo esse aparato passa por mudanças expressivas desde então. Altos salários e demanda crescente por privilégios de todo tipo associados ao “sentimento de casta” que os concursos dirigidos aos filhos das classes do privilégio ensejam transformam esses aparelhos que tudo controlam, mas não são controlados por ninguém, em verdadeiros “partidos corporativos” lutando por interesses próprios dentro do aparelho de Estado.
A manipulação da “corrupção seletiva” pela imprensa é o discurso ideal para travestir, também aqui, os mais mesquinhos interesses corporativos em suposto “bem comum”. O troféu de “campeão da moralidade pública” passa a ser disputado por todas as corporações e se estabelece um conluio entre elas e a imprensa, que os vazamentos seletivos cuidadosamente orquestrados comprovam tão bem.
Esse é o elemento novo do velho golpe surrado de sempre. Ainda que o golpe tenha se dado no circo do Congresso em uma palhaçada denunciada por toda a imprensa internacional, sem o trabalho prévio dos justiceiros da “justiça seletiva” ele não teria acontecido.
O Estado policial a cargo da “casta jurídica” já está sendo testado há meses e deve assumir o papel de perseguir, com base na mesma “seletividade midiática”, o princípio: para os inimigos a lei, e para os amigos a “grande pizza”.
A “pizza” para os amigos já está em todos os jornais e acontece à luz do dia. O acirramento da criminalização da esquerda é o próximo passo. Esse é o maior perigo. Muita injustiça será cometida em nome da Justiça.
Mas existe também a oportunidade. Nem toda classe média é o aprendiz de fascista que transforma seu medo irracional em ódio contra os mais fracos, travestindo-o de “coragem cívica”.
Ainda que nossa classe média esteja longe de ser refletida e inteligente como ela se imagina, quem quer que tenha escapado do bombardeio diário de veneno midiático com dois neurônios intactos não deixará de estranhar o mundo que ajudou a criar: um mundo comandado por um sindicato de ladrões na política, uma justiça de “justiceiros” que os protege, uma elite de vampiros e uma sociedade condenada à miséria material e à pobreza espiritual. Esse golpe precisa ser compreendido por todos. Ele é o espelho do que nos tornamos.

JESSÉ SOUZA, 56, autor de A Tolice da Inteligência Brasileira (Leya), presidente do Ipea, é professor titular de ciência política da UFF e foi professor convidado na Universidade de Bremen.