quinta-feira, maio 26, 2016

Impeachment de Dilma Rousseff : Entrevista com o jornalista Pepe Escobar >> VEJA AGORA >> COMPARTILHE MUITO

É o esquema USA. Eu concordo completamente.
Escrevi ontem sobre isso. Mas acho que vai além do Pré-Sal.
É também fazer um rearranjo do poder e tirar o Brasil do BRICS.
Serra já tinha tentado em 2002 se livrar das oligarquias nordestinas e periféricas do Brasil. Foi afobado, e por isso perdeu a eleição para Lula.
Observe a sequência de 3 vazamentos (Jucá, Renan e Sarney), detonando 3 coronéis dessas oligarquias periféricas. E de quebra, detonando o próprio governo golpista desses coronéis.
Sim, Serra está lá, mas é o homem do esquema USA dentro do governo golpista.
O esquema USA ou NSA, sabe que o aliado mais seguro no Brasil é a velha oligarquia paulista. Aquela que até hoje comemora o 9 de julho.
Nesse time, nem os coronéis periféricos do próprio PSDB, gente como Aécio por exemplo, vai jogar no time principal.
O esquema precisa de gente com estampa internacional. Ou alguém que possa ser vendido como o salvador da pátria. Um Moro da vida. Mas a voz fina do Moro não ajuda. O calculo eleitoral vai definir quem melhor serve para o papel.
Afastada essa gente com cara de lombrosianos, aí é uma questão de timing para criminalizar e prender a esquerda. E na sequência, preparar uma nova eleição comandada pelo amigo Gilmar, que vai dar o verniz democrático na treta.
Eles têm meios e dinheiro para tentar. Vai dar certo? Vamos ter que esperar para ver qual é o tamanho do Brasil democrático e progressista. E qual a nossa capacidade para virar a mesa.
De ontem, comentando uma frase dos meganhas da PF do Paraná:
"Os delegados querem o PSDB de qualquer jeito."
É uma informação muito importante.
Eu acho que o núcleo duro do GOLPE é o esquema USA.
Envolve globo, psdb, pf, mp, stf e setores das forças armadas.
Só o esquema USA tem meios e dinheiro para cooptar tanta gente. Ou na chantagem ou na grana mesmo. As denúncias de aparelhamento da pf pelo esquema USA são antigas. O WikiLeaks já divulgou farto material sobre a proximidade do psdb com o esquema USA. O que fazer? Ampla articulação das bases sociais e progressistas para conter com a força bruta das ruas o poder do dinheiro. Se o GOLPE ficar muito caro, o mercado recua.
Os vazamentos de Jucá e Renan são peças importantes nessa equação. Quem gravou? Quem vazou? Quem lucra com o caos e a destruição de todas referências políticas do país. O descrédito total das instituições e da Democracia? O niilismo que já se instalou em amplos setores da sociedade? Quem vence com o surgimento de um salvador da pátria endeusado pela mídia e alinhado com o esquema USA?


terça-feira, maio 24, 2016

O STF deu o tiro de misericórdia na Democracia Brasileira



Um bando de homens e mulheres velhos.
Já estão mais perto da morte que da vida.
Deveriam ter o cuidado de proteger as novas gerações.
Cheios de regalias e proteção.
Não deveriam temer nada.
Mas são covardes e omissos.
O poder judiciário partiu para o deboche.
A democracia acabou no Brasil.
Agora é a lei da selva.
É cada um por si e Deus contra todos...

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Estes juízes dormem?
Malu Aires 
Ministros que advogam para Aécio Neves, Lista de Furnas e seu partido, Ministros que advogam pelo golpe, Ministros que advogam pelo poder midiático que lhes dá prêmios, Ministros que advogam pelo desmonte violento do país, Ministros que advogam a favor de um conluio de corruptos que assaltaram 54,5 milhões de votos (além de euros e dólares) à luz dos olhos do mundo, Ministros que advogam pelo desmonte do Estado Democrático de Direito, Ministros que advogam pela implantação de um Regime de Exceção, Ministros que advogam pelo desmantelamento da Constituição Federal de 1988 que juraram defender, Ministros que advogam pela destruição daquilo que conhecemos como Nação, merecem completar os quadros do antônimo do que a palavra "Supremo" significa - secundário, irrelevante, inferior, insignificante, pequeno, diminuto, profano, vulgar.
Nosso país não merece os corruptos que nossa justiça protege há tantas décadas. Hoje é revelado a todo povo brasileiro que a balança da Justiça pende pro lado da audácia dos canalhas. É consenso entre os brasileiros a indignação: "Por que o STF permitiu que um processo frágil de denúncias fosse levado à votação? Por que o STF deu admissibilidade ao que era inadmissível - a injustiça, uma farsa jurídica de tão grave consequência institucional, moral, humana? Por que o STF protegeu ritos, manobras, fingiu que não viu que cada voto no golpe do Congresso tinha um preço de anistia aos corruptos envolvidos? Por que finge que não vê que o preço negociado está montando esta nova e ilegítima bancada de gangsters a que chamam Governo (sic) Interino? Como, em pleno Estado Democrático de Direito, o STF permite a troca do poder soberano do povo brasileiro por interesses de corporações estrangeiras? Como se faz de distraído que é o réu Eduardo Cunha quem está com as chaves dos cofres públicos da União nas mãos, neste exato momento? Como permite que seus Ministros sejam políticos e os políticos corruptos sejam juízes?".
A Justiça brasileira quer que todo o povo deste país se cale e aceite a iniquidade, aplicando a ditadura da cegueira coletiva e da obediência inquestionável à vilania.
Senhoras e Senhores, o silêncio vergonhoso do "Supremo" é de um grito de injustiça ensurdecedor para o Brasil e todo o mundo. Eu me pergunto desde o dia 17 de abril de 2016: com a consciência de toda a parcialidade que dão à infâmia, estes juízes dormem?


Mais:

Gilmar Mendes é o Supremo. E já absolveu Jucá
http://www.tijolaco.com.br/blog/gilmar-mendes-e-o-supremo-e-ja-absolveu-juca/

Celso de Mello transfere a Gilmar a presidência da Turma que julgará Lava Jato http://jornalggn.com.br/noticia/celso-de-mello-transfere-a-gilmar-a-presidencia-da-turma-que-julgara-lava-jato

STF zomba da democracia: Gilmar Mendes diz que não há nada de errado nas declarações de Jucá http://www.ocafezinho.com/2016/05/24/stf-zomba-da-democracia-gilmar-mendes-diz-que-nao-ha-nada-de-errado-nas-declaracoes-de-juca/

Moro e ministros do STF em evento da Veja: o “grande acordo nacional” http://www.ocafezinho.com/2016/05/24/moro-e-ministros-do-stf-em-evento-da-veja-o-grande-acordo-nacional/

Lula peita Gilmar. Não pode encerrar o caso do Ministério, não pode “cassar” sem julgar http://www.tijolaco.com.br/blog/lula-peita-gilmar-nao-pode-encerrar-o-caso-do-ministerio-nao-pode-cassar-sem-julgar/




domingo, maio 15, 2016

Esta foto é a foto síntese do momento que estamos vivendo.



De um lado o Brasil do atraso, da exclusão, do preconceito, da tortura, do assassinato dos jovens na periferia, do trabalho escravo, da boçalidade empoderada, da simplificação ignorante da complexidade dos problemas que enfrentamos, do latifúndio na mídia e nas terras, da força escrota da grana.

Do outro lado o Brasil das possibilidades dos nossos sonhos de mais justiça, mais igualdade de oportunidades, mais sexo, mais carinho, mais possibilidades de encontros e aproximações, mais escolas, mais casas, mais saneamento, mais internet, mais democracia nas comunicações, mais terras pra quem trabalha e vive na terra, mais radicalização da Democracia...

Qual o seu lado?

terça-feira, maio 10, 2016

IMPEDIMENTO VENCEU. GOLPE GOROU



IMPEDIMENTO VENCEU

Não há reversibilidade possível no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. O atual Supremo Tribunal Federal não tem coesão para tanto ousar, declarando inconstitucional a decisão iniciada pela Câmara dos Deputados e completada pelo Senado Federal.

Os fundamentos da acusação à presidente são precários, a sentença é notoriamente desproporcional, mas a convergência de conspirações entre agentes econômicos, maiorias parlamentares conservadoras, ressentimentos de ricos e remediados, com a liga propiciada pelo oligopólio dos meios de comunicação, historicamente antidemocráticos, alcançou eficácia inédita na contra-história golpista brasileira.

Em vão a tonelada de argumentos e evidências da insustentabilidade de processos em que maioria decide que 2 e 2 são 5 porque ela assim quer. O impedimento se deu porque a maioria assim o quis. Qualquer objeção jurídica ou lógica à decisão é pura perda de tempo.

GOLPE GOROU

Por isso o golpe gorou. As sucessivas ilegalidades da força-tarefa da Lava-Jato, com prisões injustificadas, humilhações de investigados, difamações, tortura psicológica de presos, vazamentos operados com oportunismo, incansável repetição de incriminação e degradação de investigados ou mesmo réus em curso de julgamento, linguagem virulenta de procuradores, policiais federais e Procurador-Geral da República, cultivando hostilidade e ódio na opinião pública e, finalmente, o apelo dos homiziados de Curitiba aos movimentos sociais conservadores e mídia golpista para continuado apoio, esquecendo as instâncias judiciárias e de outros poderes a que estão subordinados, substituiu a indumentária de cavaleiros pró restabelecimento da moralidade, pelo descarado uso da força bruta, e só ela, contida nas leis.

Não há salvação: Michel Temer é um usurpador e seu governo não deve ser obedecido.

Não deve e não o será. O golpe fracassou socialmente e o usurpador só governará mediante violência física, repressão sem disfarce.

Ou a sublevação social pela democracia é submetida pela força (e aí o golpe, finalmente, será vitorioso), ou a coerção servirá de combustível à sublevação. Então, de duas uma: ou Michel Temer renuncia e o STF convoca novas eleições ou as forças armadas intervirão.*****

A nova normalidade: Guerra Fria 2.0



5/6/2016, Pepe Escobar, SputnikNews

Todos estamos vivendo tempos de Guerra Híbrida. Da R2P ("responsabilidade para proteger") às 'revoluções coloridas'; de ataques a moedas, a manipulação no mercado de ações.

De golpes 'brandos' organizados e perpetrados pelo complexo judiciário-financeiro-político-midiático – como se vê hoje em andamento no Brasil – a apoio a jihadistas 'moderados', estágios variados de Guerra Híbrida operam hoje a polinização cruzada de vários vírus e geram uma máquina operada por vírus mutantes.

O conceito de Guerra Híbrida, concebido na Av. Beltway em Washington, já foi virado de pernas para o ar pelos próprios conceptualizadores.

A OTAN, fingindo surpresa até por o conceito
existir, interpreta o que chama de "invasão" da Ucrânia pelos russos, como Guerra Híbrida. Assim, os teóricos iniciais criadores da Guerra Híbrida, como a corporação RAND, recebem alvará para avançar, inventando cenários de jogos de guerra nos quais a Rússia seria capaz de invadir e ocupar os estados do Báltico – Estônia, Latvia, e Lituânia – em menos de 60 horas.

E de cenário inventado em cenário inventado, vai aumentando cada vez mais a
histeria militar ocidental concentrada agora no novo comandante da OTAN, conhecido como "Dr. Fantástico", general Gen. Curtis Scaparrotti, que providenciou para fazer sua entrada de modo que não envergonhasse seu predecessor no cargo no cargo, Breedlove/BreedÓDIO.

Pode-se dizer que quase achando graça em todo aquele circo conceitual, os russos respondem com ações. Mandaram ainda mais soldados para perto da fronteira ocidental da Rússia? OK. Aqui vai nossa
resposta assimétrica para vocês. E, não demora, deem bom-dia também ao nosso novo brinquedinho: os S-500s.

O que Hillary quer

A noção de que Moscou teria qualquer interesse em capturar estados bálticos é ridícula em si. Mas caso é que, ante os miseráveis fracassos da ocupação direta do Afeganistão (os Talibã jamais sairão de lá) e da 'responsabilidade de proteger' a Líbia (que é hoje estado falhado devastado por milícias incontroláveis), a  OTAN está desesperadamente carente de algum "sucesso". É onde entre a retórica belicista e a manipulação dos conceitos – e, isso, quando Washington já está realmente distribuindo ações de Guerra Híbrida por todo o tabuleiro.

A realidade acontece por trás do espelho da OTAN. A Rússia está muito à frente do Pentágono/OTAN "anti-acesso/área proibida" [ing. anti-access/area denial, A2AD]: os mísseis e submarinos russos podem facilmente impedir que jatos de ataque da OTAN voem na Europa Central e que navios da OTAN "patrulhem" o Mar Báltico. É coisa que dói fundo na "nação indispensável" – dói mesmo!

A histeria retórica incansável mascara o jogo de apostas muito altas que está em curso. E é onde entra a candidata Hillary Clinton, que disputa a presidência dos EUA. Ao longo de toda sua campanha, Clinton não se cansa de promover "um alto objetivo estratégico de nossa aliança transatlântica ". O tal "alto objetivo estratégico" é precisamente a Parceria Trans-Atlântico para Comércio e Investimento [ing. Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP)] – uma
OTAN-no-comércio para complementar a OTAN política e militar.
O fato de a parceria TTIP, depois dos recentes vazamentos holandeses, correr agora o risco de se afundar em território dos Mortos Vivos pode ser revés apenas temporário. O "projeto" imperial é claro; configurar a OTAN, que já foi convertida em Robocop global (Afeganistão, Líbia, Síria), numa aliança político-econômico-comercial integrada. Sempre, é claro, sob comando de Washington. E incluindo vassalos/contribuidores periféricos chaves, como as petromonarquias do Golfo e Israel.

O "inimigo" imperial, é claro, terá de ser o único projeto autêntico disponível para o século 21: a integração da Eurásia – que vai das Novas Rotas da Seda puxadas pelos chineses, à União Europeia puxada pela Rússia; à integração dos BRICS, que inclui o seu Novo Banco de Desenvolvimento, atuando em harmonia com o Banco Chinês-Asiático para Investimento e Infraestrutura [ing. Infrastructure Investment Bank (AIIB)]; um Irã ressurgente e ainda independente conectado à Eurásia; e todos os demais polos independentes do Movimento dos Não Alinhados (MNA).

Essa é a derradeira confrontação, em curso no século 21, que assumirá múltiplas formas, localizadas, de Guerra Híbrida – como está acontecendo não só em toda a Eurásia mas também em todo o Sul Global. Tudo está interconectado – de Maidan às negociações secretas da parceria TTIP; de provocar a China no Mar do Sul da China a uma guerra dos preços do petróleo e um ataque contra o rublo; de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA contra a Petrobrás brasileira até alimentar golpe 'legalista', em câmara lenta, para forçar mudança de regime ("golpe") no Brasil; e a União Europeia assolada por duas pragas provocadas: uma crise de refugiados (provocada pelas guerras da OTAN (e instrumentalizada pela Turquia) até o terrorismo salafista-jihadista também cevado e disseminado pelas mesmas guerras da mesma OTAN.

Mesmo com França e Alemanha ainda vacilantes – e já pagando preço altíssimo pelas sanções contra a Rússia – o "projeto" de Washington depende de uma União Europeia sempre ameaçada e mantida como refém perpétua da OTAN. E, afinal, como refém da OTAN no comércio – por causa daqueles imperativos geoestratégicos dos EUA contra a integração da Eurásia.
Tudo isso implica outra necessidade: a guerra conceitual – quem faz Guerra Híbrida são os malditos russos, não nós – tem de ser vencida a qualquer custo, para que o cidadão europeu médio viva acossado por medo perene. Paralelamente, é também essencial fazer o espetáculo completo: daí uma das mais massivas operações militares planejadas pelos EUA em solo europeu desde o fim da Guerra Fria – complete, com Marinha e Força Aérea exibindo suas capacidades nucleares.

Aí está o novo normal: Guerra Fria 2.0, 24h por dia, 7dias por semana.*****


terça-feira, abril 26, 2016

Cristina Fernández de Kirchner fala sobre os "golpes suaves"

RECUPERANDO DE 2015 >> Amigos da Lista Beatrice, não deixem de ver:
Cumbre de las Américas 2015: Cristina Fernández, discurso completo
https://www.youtube.com/watch?v=UYwoMO1KCxI
Professor Wanderley Guilherme dos Santos - "Depois de criado, o Estado liberal transforma-se no estado em que a hegemonia burguesa não é seriamente desafiada. Trata-se de um estado cuja intervenção em assuntos sociais e econômicos tem por fim garantir a operação do mercado como o mais importante mecanismo de extração e alocação de valores e bens."
Neste esforço para separar a realidade liberal do discurso liberal, o professor esclarece: "Estado liberal não é de modo algum um Estado não intervencionista. Muito pelo contrário, o Estado liberal está sempre intervindo, a fim de afastar qualquer obstáculo ao funcionamento 'natural' e 'automático' do mercado." http://grupobeatrice.blogspot.com.br/…/professor-wanderley-…

domingo, abril 24, 2016

Editorial: O Golpe Mais Feio do Mundo


by NINJA

Qualquer ser humano com discernimento e honestidade, que não tenha vendido a memória ao diabo, se lembra de como saímos das eleições: um país dividido, reconheciam todos. A elite, insatisfeita com a derrota nas urnas, nunca aceitou o resultado. E trabalhou dia após dia, você se lembra, para nos trazer até aqui onde estamos. Seus fins justificaram seus meios. Uma verdadeira barbárie de métodos.
No vale-tudo que todos vimos, foram capazes de colocar um rato na Presidência da Câmara e blindá-lo, construíram uma peça jurídica de araque, contrataram uma claque de "ativistas" nas redes sociais, puseram todo seu arsenal midiático a serviço de bombardear o país e derrubar a decisão que o povo havia tomado nas urnas. Eu estava aqui o tempo todo. Eu vi, você também viu.O golpe de 2016 é o golpe mais feio do mundo. Sim, ele é nosso, é a cara da elite daqui. Sem qualquer moral, sem coerência narrativa, sem nenhum requinte estético e aético, fora de qualquer ética. Não é a toa que João Roberto Marinho, o Todo Poderoso da Globo, foi tratado pelo The Guardian como um mero comentarista qualquer e teve seu 'direito de resposta' jogado no esgoto da rede como um reles mortal. Foi colocado em seu devido lugar pelos gringos. Que ano é hoje mesmo? Eu vejo um novo começo de era, embora eles não queiram.
Na Casa Grande, meus amigos, no Brasil do início do século XXI já não resta qualquer resquício de humanidade. São apenas ratos, quase todos muito confortáveis dentro de suas próprias contradições e no seu devir fascista. É por isso que já perderam o controle da narrativa. Porque é preciso ser rato para comungar com eles e negar a inteligência humana. Só mesmo a elitezinha inculta, anacrônica e autoritária daqui para não ter vergonha em avançar nesta farsa. Pior pra eles. Eles não vão durar. É da verdade que vai nascer o novo.
#‎aCasaGrandeVaiCair#‎oGolpeMaisFeioDoMundoÉNosso


Quem deu o golpe, e contra quem?


Jessé Souza
24/04/2016

O golpe foi contra a democracia como princípio de organização da vida social. Esse foi um golpe comandado pela ínfima elite do dinheiro que nos domina sem ruptura importante desde nosso passado escravocrata.
O ponto de inflexão da história recente do Brasil contra a herança escravocrata foi a revolução comandada por contraelites subordinadas que se uniram em 1930.
A visão pessoal de Getúlio Vargas transformou o que poderia ter sido um mero conflito interno de elites em disputa em uma possibilidade de reinvenção nacional.
O sonho era a transformação do Brasil em potência industrial com forte mercado interno e classe trabalhadora protegida, com capacidade de consumo. Nossa elite do dinheiro jamais sequer “compreendeu” esse sonho, posto que “afetivamente” nunca sentiu compromisso com os destinos do país.
Desde então o Brasil é palco de uma disputa entre esses dois projetos: o sonho de um país grande e pujante para a maioria; e a realidade de uma elite da rapina que quer drenar o trabalho de todos e saquear as riquezas do país para o bolso de meia dúzia.
A elite do dinheiro manda pelo simples fato de poder “comprar” todas as outras elites.
É essa elite, cujo símbolo maior é a bela avenida Paulista, que compra a elite intelectual de modo a construir, com o prestígio da ciência, a lorota da corrupção apenas do Estado, tornando invisível a corrupção legal e ilegal do mercado que ela domina; que compra a política via financiamento privado de eleições; e que compra a imprensa e as redes de TV, cujos próprios donos fazem parte da mesma elite da rapina.
De acordo com a conjuntura histórica, sempre que o Executivo está nas mãos do inimigo, imprensa e Congresso, comprados pelo dinheiro, se aliam a um quarto elemento que é o que suja as mãos de fato no golpe: as Forças Armadas antes, e o complexo jurídico-policial do Estado hoje em dia.
A história do Brasil desde 1930 é um movimento pendular entre esses dois polos. Getúlio caiu, como o desafeto histórico maior desta elite, por um conluio entre Congresso comprado, imprensa manipuladora e Forças Armadas que se imaginavam pairar acima dos conflitos sociais.
O suicídio do presidente adia em dez anos o golpe formal, que acontece em 1964 pela mesma articulação de interesses. O curioso, no entanto, é que dentro das Forças Armadas existia a mesma polarização que existia na sociedade.
INFRAESTRUTURA
O nacionalismo autoritário das Forças Armadas articula, por meio do 2º PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) do presidente Geisel, uma versão ambiciosa do sonho getulista: investimento maciço em infraestrutura e setores-chave da vanguarda tecnológica com a disseminação de universidades e centros de pesquisa em todo o país.
Ainda que o capital privado fosse muito bem-vindo, a condução do projeto de longo prazo era do Estado. Foi o bastante para que os jornais se lançassem em uma batalha ideológica contra a “república socialista do Brasil” e os empresários descobrissem, de uma hora para outra, sua inabalável “vocação democrática”.
O processo de redemocratização comandado pela elite do dinheiro tem tal pano de fundo. As Diretas-Já, na verdade, espelham a volta da rapina de curto prazo e uma nova derrota do sonho de um “Brasil grande”.
Aqui já poderia ter ocorrido a conscientização de que a rapina selvagem é o fio condutor, e que a forma autoritária ou democrática que ela assume é mera conveniência. Mas o processo de aprendizado foi abortado. O público ficou sem saber por que o golpe tinha ocorrido e, depois, por que ele havia sido criticado. Criou-se uma anistia do “esquecimento” no mesmo sentido da queima dos papéis da escravidão por Rui Barbosa: para que jamais saibamos quem somos e a quem obedecemos.
Com o governo FHC, essa elite da rapina de curto prazo se insere, enfim, não apenas no mercado mas também, com todas as mãos, no Estado e no Executivo.
A festa da privatização para o bolso da meia dúzia de sempre, da riqueza acumulada pela sociedade durante gerações, se deu a céu aberto. A maior eficiência dos serviços, prometida à sociedade e alardeada pela imprensa, sempre solícita e sócia de todo saque, se deixa esperar até hoje.
Como uma imprensa a serviço do saque e do dinheiro não pode fazer todo mundo de tolo durante todo o tempo, e como ainda existem sonhos que o dinheiro não pode comprar, o Executivo mudou de mãos em 2002.
O novo governo tentou o mesmo projeto desenvolvimentista anterior, de apoio à indústria e à inteligência nacional. Mas seu crime maior foi a ascensão dos setores populares via, antes de tudo, a valorização real do salário mínimo.
Os mais pobres passaram a ocupar espaços antes exclusivos às classes do privilégio.
Parte da classe média sofria profundo incômodo diante dessa nova proximidade em shopping centers e aeroportos, mas “pegava mal” expressar o descontentamento em público. Pior, a classe média temia que essa classe ascendente pudesse vir a disputar os seus privilégios e os seus empregos.
O discurso da “corrupção seletiva” manipulado pela mídia permite que se enfrente agora o medo mais mesquinho com um discurso moralizador e uma atitude de pretenso “campeão da moralidade”. O que antes se dizia a boca pequena entre amigos agora pode ser dito com a camisa do Brasil e empunhando a bandeira nacional. Está criada a “base popular”, produto da mídia servil à elite da rapina.
A luta contra os juros desencadeada pela presidente Dilma em 2012 reedita a eterna crença da esquerda nacionalista brasileira na existência de uma “boa burguesia”, ou seja, a fração industrial supostamente interessada em um projeto de longo prazo de fortalecimento do mercado interno.
Mas todas as frações da elite já mamam na mesma teta dos juros altos que permite transferir recursos de todas as classes para o bolso dos endinheirados de modo invisível, funcionando como uma “taxa” que encarece todos os preços e transfere parte de tudo o que é produzido para os rentistas - inclusive da classe média feita de tola pela imprensa comprada.
Quando em abril de 2013 as taxas de juros voltam a subir, a elite está armada e unida contra a presidente. As “jornadas de junho” daquele ano vêm bem a calhar e, por força de bem urdida campanha midiática, transformam protestos localizados em uma recém-formada coalizão entre a elite endinheirada e a classe média “campeã da moralidade e da decência” contra o projeto inclusivo e desenvolvimentista da esquerda.
Como os votos dos pobres recém-incluídos são mais numerosos, no entanto, perde-se a campanha de 2014. Mas a aliança entre endinheirados e moralistas de ocasião se mantém e se fortalece com um novo um novo aliado: o aparato jurídico-policial do Estado.
Construído pela Constituição de 1988 para funcionar como controle recíproco das atividades investigativas e jurisdicionais, todo esse aparato passa por mudanças expressivas desde então. Altos salários e demanda crescente por privilégios de todo tipo associados ao “sentimento de casta” que os concursos dirigidos aos filhos das classes do privilégio ensejam transformam esses aparelhos que tudo controlam, mas não são controlados por ninguém, em verdadeiros “partidos corporativos” lutando por interesses próprios dentro do aparelho de Estado.
A manipulação da “corrupção seletiva” pela imprensa é o discurso ideal para travestir, também aqui, os mais mesquinhos interesses corporativos em suposto “bem comum”. O troféu de “campeão da moralidade pública” passa a ser disputado por todas as corporações e se estabelece um conluio entre elas e a imprensa, que os vazamentos seletivos cuidadosamente orquestrados comprovam tão bem.
Esse é o elemento novo do velho golpe surrado de sempre. Ainda que o golpe tenha se dado no circo do Congresso em uma palhaçada denunciada por toda a imprensa internacional, sem o trabalho prévio dos justiceiros da “justiça seletiva” ele não teria acontecido.
O Estado policial a cargo da “casta jurídica” já está sendo testado há meses e deve assumir o papel de perseguir, com base na mesma “seletividade midiática”, o princípio: para os inimigos a lei, e para os amigos a “grande pizza”.
A “pizza” para os amigos já está em todos os jornais e acontece à luz do dia. O acirramento da criminalização da esquerda é o próximo passo. Esse é o maior perigo. Muita injustiça será cometida em nome da Justiça.
Mas existe também a oportunidade. Nem toda classe média é o aprendiz de fascista que transforma seu medo irracional em ódio contra os mais fracos, travestindo-o de “coragem cívica”.
Ainda que nossa classe média esteja longe de ser refletida e inteligente como ela se imagina, quem quer que tenha escapado do bombardeio diário de veneno midiático com dois neurônios intactos não deixará de estranhar o mundo que ajudou a criar: um mundo comandado por um sindicato de ladrões na política, uma justiça de “justiceiros” que os protege, uma elite de vampiros e uma sociedade condenada à miséria material e à pobreza espiritual. Esse golpe precisa ser compreendido por todos. Ele é o espelho do que nos tornamos.

JESSÉ SOUZA, 56, autor de A Tolice da Inteligência Brasileira (Leya), presidente do Ipea, é professor titular de ciência política da UFF e foi professor convidado na Universidade de Bremen.


quarta-feira, abril 20, 2016

O PT é o nosso melhor navio de guerra, mas... Precisamos criar um partido banda larga. Um partido 5G.



Estou como ativista diário na internet desde 2002, quando a Lista Beatrice começou a funcionar, ainda durante a campanha Lula presidente. Todas as 14 pessoas que começaram a lista entendiam que a questão da comunicação seria fundamental. O PT sempre negligenciou essa questão. Também achamos que marketeiro não deve dirigir campanha e a comunicação de um partido como o PT. Um partido como o PT tem que fazer o enfrentamento político com a Direita, só assim ele esclarece para a população a sua diferença conceitual e ideológica com os partidos de Direita. Justamente o contrário do que fazem os marketeiros. Mas isso é chover no molhado, toda a militância sabe disso. Então vamos para a grande questão: o que fazer? Não existe uma única resposta. Com o grande crescimento das listas, blogs, sites, coletivos e redes sociais... Sempre por fora do PT e sem ligação com a direção do partido. Estamos aprendendo que a descentralização e a articulação de talentos e competências funciona muito bem. Cada um deve fazer o que sabe e pode. Com a disponibilidade que tem. Se você consegue manter uma lista de 20 pessoas, faça isso. Se você consegue manter uma de 5.000, ótimo. Se você é um bom tradutor, ajude a traduzir textos e fazer contatos com o exterior. Se você desenha e sabe usar recursos gráficos digitais e fotografia, ajude com charges, GIFs, flyers ... Embeleze os nossos sites e blogs, a linguagem visual conta muito. Se você sabe lidar com documentos e arquivos, ajude a arquivar e tornar disponível o material que a gente produz. E por aí vai... Existem milhões de maneiras de fazer ativismo político e a criatividade está no DNA da esquerda. A luta é severa e a vida é curta, manda ver...
Tudo o que falei de comunicação para o partido, também serve para um governo de esquerda. Os governos do PT abusaram de errar nessa questão. Até a propaganda de TV e rádio seguiram o velho padrão burocrático dos governos anteriores. Uma propaganda de cima para baixo. Horizontalidade ZERO. Sem envolver a população afetada pelos programas sociais e de inclusão na cidadania. Esse modelo de comunicação na verdade denuncia um outro erro, o afastamento das bases sociais que sempre oxigenaram o partido.
No governo Lula, a forte presença comunicativa do presidente resolveu uma parte dos problemas de comunicação do governo e do partido. Lula é o cara também na comunicação e no enfrentamento com a Direita e o atraso.
Mas não pode ficar tudo na costa do presidente. Uma parte do PT gostou muito de ser governo no mal sentido. O partido ficou institucional e burocrático demais. A consequência foi o chamado afastamento das bases. Os vícios de comportamento pequeno burguês de uma grande parte das suas lideranças é gracioso em todo o funcionamento do PT.
As plenárias e ou reuniões intermináveis, com longas apresentações de mesas e tendências, o caudaloso desfile de egos, inviabiliza a chegada de novas gerações. Inviabiliza a discussão de questões fundamentais para além do mero enunciado de bandeiras de ordem e outros chavões que só servem para imobilizar o partido.
Mas não desista, mesmo com tantos problemas, o PT ainda é o nosso melhor navio de guerra. Ainda é a melhor ferramenta de luta que a classe trabalhadora brasileira criou. Não é por acaso que a Globo e a mídia da oligarquia batem tanto no PT e na República Sindicalista. Ninguém chuta cachorro morto.
O governo Haddad é um ótimo exemplo de experiência evolutiva dentro do PT. Está abrindo, mesmo em SP, canais de comunicação e ativismo com grupos e setores chaves para a consolidação da Democracia Brasileira.
A ligação com a CUT, o MST e outros setores dos movimentos sociais tem problemas mas continua forte e orgânica. Nenhum outro partido brasileiro tem uma relação tão forte com esses agentes sociais. O niilismo não é uma opção.
Temos um ótimo navio de guerra, mas ele precisa passar por atualizações na sua maquinaria e nos seus armamentos. O partido precisa estudar, criar lugares e eventos onde esse estudo possa acontecer de forma natural, real, efetiva e continuada.
Nós precisamos de um núcleo de estudos jurídicos, de advogados formados para esse tipo de enfrentamento pesado que tenta a todo momento a criminalização do PT e da esquerda. Precisamos colocar gente fora do padrão OAB/CONCURSOS, dentro do poder judiciário, a Direita faz isso de forma articulada desde os tempos de FHC.
Precisamos estudar a mídia da grana, a mídia que nunca vai ser justa e imparcial porque ela não existe para isso. Ela existe pra mandar bala na gente e espalhar a narrativa do mercado. Da GGS, a Grande Grana Sugadora. Os dementadores da vida real.
Precisamos ocupar as universidades públicas, formar professores e não concurseiros carreiristas. O MST já vem fazendo isso em alguns setores. Já existem veterinários do MST, agrônomos do MST, alfabetizadores do MST...
Precisamos estudar para construir uma máquina de comunicação criativa, rápida, ativista e articulada com a blogosfera progressista. Com as novas frentes de luta contra o capitalismo banda larga, o capitalismo turbinado de Wall Street. Precisamos estudar e entender essa última atualização do capitalismo. Como ela se desdobra no chão da fábrica, na propaganda, nos meios de comunicação, na economia sexual da sociedade, na medicina, na alimentação...
Precisamos estudar a internet, aprender a usar melhor. Não podemos permitir que o capitalismo colonize e faça a censura econômica da rede. Como já fizeram no mercado editorial de música, livros e cultura em geral. Isso é pra ontem.
Precisamos estudar com o MST, com a CUT, com a CTB, com o MTST, com o movimento LGBT, com a UNE, com os meninos que enfrentaram a máquina mortífera do Alckmin, com as Torcidas Organizadas, com os Movimentos da Periferia, com a Furacão 2000... O PT tem condições de possibilidade de agenciar todos esses enlaces, todas essas tramas. Mas é preciso sair da zona de conforto e criar um partido banda larga. Um partido 5G.

Adauto Melo

Ativista na Lista Beatrice

terça-feira, abril 19, 2016

A "MULTA-BOMBA" DE 7 BILHÕES



(Revista do Brasil) - Finalmente, depois de meses de pressão desumana, gestapiana, sobre o empresário Marcelo Odebrecht, o juiz Sérgio Moro levou-o a julgamento, condenando-o – baseado não em provas de sua participação direta, mas na suposição condicional de que um empresário que comanda uma holding com mais de 180 mil funcionários e que opera em mais de 20 países tem a obrigação de saber de tudo que ocorre nas dezenas de empresas que a compõem – a 19 anos e quatro meses de prisão.

Não satisfeito com a pena, e com a chantagem, que prossegue – já que o objetivo é quebrar a moral do réu – um dos poucos que não se dobraram à prepotência e ao arbítrio – com o aceno ao preso da possibilidade de “fazer delação premiada a qualquer momento”, os responsáveis pela Lava-Jato, na impossibilidade de provarem propinas e desvios, ou a existência de superfaturamento da ordem dos bilhões de reais alardeados aos quatro ventos desde o princípio da operação, pretendem impor ao grupo Odebrecht uma estratosférica multa “civil” que pode chegar a R$ 7 bilhões – mais de 12 vezes o lucro da empresa em 2014 – que, pela sua magnitude, se cobrada for, deverá levá-lo à falência, ou à paralisação destrutiva, leia-se sucateamento, de dezenas de obras e de projetos, a maior parte deles essenciais, estratégicos, para o futuro do Brasil nos próximos anos.

Com a imposição dessa multa, absolutamente desproporcional, da ordem de 30 vezes as quantias que a sentença afirma terem sido pagas em propina pela Odebrecht, por meio de subsidiárias situadas no exterior, a corruptos da Petrobras que já estão, paradoxalmente, soltos, o juiz Sérgio Moro – e seus colegas do Ministério Público de uma operação que deveria se chamar “Destrói a Jato” – prova que não lhe importam, em nefasto efeito cascata, nem as dezenas de milhares de empregos que ainda serão eliminados pelo grupo Odebrecht, no Brasil e no exterior, nem a quebra de milhares de acionistas e fornecedores do grupo, nem a paralisação das obras com que a empresa se encontra envolvida neste momento, nem o futuro, por exemplo, de projetos de extrema importância para a defesa nacional, como os submarinos convencionais e o submarino nuclear brasileiro que estão sendo fabricados pela Odebrecht em parceria com a DCNS francesa, ou o míssil ar-ar A-Darter, que está sendo construído por sua controlada Mectron, em conjunto com a Denel sul-africana, além de outros produtos como softwares seguros de comunicação estratégica, radares aéreos para os caças AMX e produtos espaciais.

Considerando-se que se trata de uma decisão meramente punitiva, ao fazer isso o juiz Moro age, no comando da Operação Lava Jato, como agiria o líder de uma tropa de sabotadores estrangeiros que colocasse, diretamente, com essa sanção – e uma tremenda carga de irresponsabilidade estratégica e social – centenas de quilos de explosivos plásticos no casco desses submarinos, ou nos laboratórios onde ficam os protótipos desse míssil, sem o qual ficarão inermes os 36 aviões caça Gripen NG-BR que estão sendo desenvolvidos pelo Brasil com a Saab sueca.

Que não tenha ele a ilusão de que essa sua sanha destrutiva esteja agradando às centenas de técnicos envolvidos com esses projetos, ou aos almirantes da Marinha e brigadeiros da Aeronáutica que, depois de esperar décadas pela aprovação desses programas, estão vendo-os sofrer a ameaça de serem destruídos técnica e financeiramente de um dia para o outro.

Como um inútil, estúpido, sacrifício, um absurdo e estéril tributo da Nação – chantageada e manipulada por uma parte antinacional da mídia, que não tem o menor compromisso com o futuro do país – a ser realizado no altar da vaidade de quem parece pretender colocar toda a República de joelhos, até que alguém assuma a responsabilidade de impor, com determinação, bom senso e respeito à Lei e à Constituição Federal, limites à sua atuação e à implacável, imparável, destruição, de alguns dos principais projetos e empresas nacionais.

Enquanto isso, para ridículo do país e divertimento de nossos concorrentes externos, nos congressos, nos governos, na área de inteligência, nas forças armadas de outros países, milhares de tupiniquins vibram, nos bares, na conversinha fiada do escritório, nos comentários que agridem e insultam a inteligência nas redes sociais, com a destruição de um dos principais grupos empresariais do Brasil, deleitando-se com a perda de negócios e empregos, e com a sabotagem e incompreensível inviabilização de algumas de nossas maiores obras de engenharia e de defesa, mergulhados em uma orgia de desinformação, hipocrisia, manipulação e mediocridade.

Mesmo que Marcelo Odebrecht venha a aceitar, eventualmente, fazer um acordo de delação premiada, nenhum jurista do mundo reconheceria, moralmente, a sua legitimidade.

Não se pode pressionar ninguém, a fazer acordos com a Justiça, para fazer afirmações que dependerão da produção de provas futuras. Assim como não se pode confundir o combate à corrupção – se houver corruptos que sejam julgados com amplo direito de defesa e encaminhados exemplarmente à cadeia, estamos cheios de gente com contas na Suíça solta e sem contas na Suíça atrás das grades – com a onipotente destruição do país e de milhares de empregos e bilhões de reais em investimentos.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: se a situação fosse contrária, e um juiz norte-americano formado no Brasil e “treinado” por autoridades brasileiras, a quem propôs, por mais de uma vez, sua “cooperação”, estivesse processando um almirante envolvido com o programa nuclear norte-americano, e influindo no destino de todo um programa de submarinos, da construção de um novo submarino atômico, e do desenvolvimento de um míssil ar-ar para a US Air Force, a ponto de a empresa norte-americana responsável por ele ter de ser provavelmente vendida a estrangeiros, ele teria chegado, à posição em que chegou, em nosso país, o juiz Sérgio Moro?

Ou já não teria sido denunciado por pelo menos parte da imprensa dos Estados Unidos, e chamado à razão, em nome da segurança e dos interesses nacionais, por autoridades – especialmente as judiciais – dos Estados Unidos?

O único consolo que resta, nesta nação tomada pela loucura – lembramos por meio destas palavras, que quem sabe venham a ser transportadas, em bits, para o amanhã – é que, sob o olhar do tempo, que para todos passará, inexorável, a História, magistrada definitiva e atenciosa, criteriosa e implacável, vigia, registra e julga.

E cobrará caro no futuro.


domingo, abril 17, 2016

O que fazer depois de hoje?

Vou começar esse dia histórico, 17.04.2016, levantando algumas questões e fazendo uma proposta básica de algo que julgo fundamental.

Tudo isso que estamos vivendo nesses últimos dias, principalmente depois do dia 04.03.2016, o dia que o infame juiz Moro tentou sequestrar o presidente Lula para Curitiba, não é pouca coisa.
A sociedade civil brasileira se levantou contra um GOLPE DE ESTADO tramado e propagandeado 24h por dia pelas oligarquias brasileiras do rentismo, da mídia, da FIESP, do judiciário e de algumas instituições chaves do Estado Brasileiro.

Isso não é pouca coisa. E isso está provando que a Democracia Brasileira é muito mais forte e consciente que as democracias de um lado só dos chamados países centrais do capitalismo.
Democracias como a dos EUA, onde não existe uma real disputa de projeto político de poder pelo controle do estado. Lá o sistema e o status quo não são confrontados.

Aqui, apesar de alguns viverem martelando na cabeça da gente, PSDB e PT não são mesma coisa. DEM e PCdoB não são a mesma coisa. Representam projetos antagônicos de controle político do estado.

A prova mais que provada é o comportamento criminoso da mídia oligárquica que todos agora conseguem ver sem qualquer dificuldade.
A prova é essa mídia criminosa tentar matar a esquerda e sua principal liderança, o companheiro presidente Lula, desde sempre, sem conseguir.

Mas a grande questão que acho que devemos focar, é o que fazer com toda essa mobilização que conseguimos alavancar na sociedade civil brasileira para derrotar o impeachment hoje, lá na câmara dos deputados.

Não podemos perder esse momento para transformar o limão em limonada doce e gelada.
A presidenta Dilma ainda tem 2 anos e oito meses de mandato. Vamos transformar esse tempo numa grande oportunidade para cumprir uma agenda de propor e realizar uma assembleia constituinte extra congresso, com a coleta de milhões de assinaturas, para realizar quatro grandes reformas:

1.       Reforma Política
2.       Reforma Tributária
3.       Reforma do Judiciário
4.       Reforma da Lei dos meios de comunicação

Fazer uma reforma progressista desses quatro grandes ninhos de sabotagem do Brasil será uma vitória imensa para o avanço institucional da nossa democracia.
Será um rabo de arraia com o qual eles nunca contaram.
E será uma grande vitória do lado mais consciente e politizado da sociedade brasileira.

É isso.

Adauto Melo

Ativista da Lista Beatrice