quarta-feira, dezembro 13, 2017

Guerra Híbrida: a nova guerra do século 21 no Brasil

Nos manuais estadunidenses as ações não-convencionais contra “forças hostis” a Washington. A centralidade do Pré-Sal no impeachment. Como os super-ricos cooptam a velha classe média.
Pepe Escobar*
O Brasil no epicentro da Guerra Híbrida
Revoluções coloridas nunca são demais. Os Estados Unidos, ou o Excepcionalistão, estão sempre atrás de atualizações de suas estratégias para perpetuar a hegemonia do seu Império do Caos.
A matriz ideológica e o modus operandi das revoluções coloridas já são, a essa altura, de domínio público. Nem tanto, ainda, o conceito de Guerra Não-Convencional (UW, na sigla em inglês).
Esse conceito surgiu em 2010, derivado do Manual para Guerras Não-Convencionais das Forças Especiais. Eis a citação-chave: “O objetivo dos esforços dos EUA nesse tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas de potências hostis, desenvolvendo e apoiando forças de resistência para atingir os objetivos estratégicos dos Estados Unidos. […] Num futuro previsível, as forças dos EUA se engajarão predominantemente em operações de guerras irregulares (IW, na sigla em inglês)”.
“Potências hostis” são entendidas aqui não apenas no sentido militar; qualquer país que ouse desafiar um fundamento da “ordem” mundial centrada em Washington pode ser rotulado como “hostil” – do Sudão à Argentina.
As ligações perigosas entre as revoluções coloridas e o conceito de Guerra Não-Convencional já desabrocharam, transformando-se em Guerra Híbrida; caso perverso de Flores do Mal. Revolução colorida nada mais é que o primeiro estágio daquilo que se tornará a Guerra Híbrida. E Guerra Híbrida pode ser interpretada essencialmente como a Teoria do Caos armada – um conceito absoluto queridinho dos militares norte-americanos (“a política é a continuidade da guerra por meios linguísticos”). Meu livro Império do Caos, de 2014, trata essencialmente de rastrear uma miríade de suas ramificações.
Essa bem fundamentada tese em três partes esclarece o objetivo central por trás de uma Guerra Híbrida em larga escala: “destruir projetos conectados transnacionais multipolares por meio de conflitos provocados externamente (étnicos, religiosos, políticos etc.) dentro de um país alvo”.
Os países do BRICS (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul) – uma sigla/conceito amaldiçoada no eixo Casa Branca-Wall Street – só tinham de ser os primeiros alvos da Guerra Híbrida. Por uma miríade de razões, entre elas: o plano de realizar comércio e negócios em suas próprias moedas, evitando o dólar norte-americano; a criação do banco de desenvolvimento dos BRICS; a declarada intenção de aumentar a integração na Eurásia, simbolizada pela hoje convergente “Rota da Seda”, liderada pela China – Um Cinturão, Uma Estrada (OBOR, na sigla em inglês), na terminologia oficial – e pela União Econômica da Eurásia, liderada pela Rússia (EEU, na sigla em inglês).
Isso implica em que, mais cedo do que tarde, a Guerra Híbrida atingirá a Ásia Central; o Quirguistão é o candidato ideal a primeiro laboratório para as experiências tipo revolução colorida dos Estados Unidos, ou o Excepcionalistão.
No estágio atual, a Guerra Híbrida está muito ativa nas fronteiras ocidentais da Rússia (Ucrânia), mas ainda embrionária em Xinjiang, oeste longínquo da China, que Pequim microgerencia como um falcão. A Guerra Híbrida também já está sendo aplicada para evitar o estratagema da construção de um oleoduto crucial, a construção do Ramo da Turquia. E será também totalmente aplicada para interromper a Rota da Seda nos Balcãs – vital para a integração comercial da China com a Europa Oriental.
Uma vez que os BRICS são a única e verdadeira força em contraposição ao Excepcionalistão, foi necessário desenvolver uma estratégia para cada um de seus principais personagens. O jogo foi pesado contra a Rússia – de sanções à completa demonização, passando por um ataque frontal a sua moeda, uma guerra de preços do petróleo e até mesmo uma (patética) tentativa de iniciar uma revolução colorida nas ruas de Moscou. Para um membro mais fraco dos BRICS foi preciso utilizar uma estratégia mais sutil, o que nos leva à complexidade da Guerra Híbrida aplicada à atual, maciça desestabilização política e econômica do Brasil.
No manual da Guerra Híbrida, a percepção da influência de uma vasta “classe média não-engajada” é essencial para chegar ao sucesso, de forma que esses não-engajados tornem-se, mais cedo ou mais tarde, contrários a seus líderes políticos. O processo inclui tudo, de “apoio à insurgência” (como na Síria) a “ampliação do descontentamento por meio de propaganda e esforços políticos e psicológicos para desacreditar o governo” (como no Brasil). E conforme cresce a insurreição, cresce também a “intensificação da propaganda; e a preparação psicológica da população para a rebelião.” Esse, em resumo, tem sido o caso brasileiro.
Precisamos do nosso próprio Saddam.
Um dos maiores objetivos estratégicos do Excepcionalistão é em geral um mix de revolução colorida e Guerra Híbrida. Mas a sociedade brasileira e sua vibrante democracia eram muito sofisticadas para métodos tipo hard, tais como sanções ou a “responsabilidade de proteger” (R2P, na sigla em inglês).
Não por acaso, São Paulo tornou-se o epicentro da Guerra Híbrida contra o Brasil. Capital do estado mais rico do Brasil e também capital econômico-financeira da América Latina, São Paulo é o nódulo central de uma estrutura de poder interconectada nacional e internacionalmente.
O sistema financeiro global centrado em Wall Street – que domina virtualmente o Ocidente inteiro – não podia simplesmente aceitar a soberania nacional, em sua completa expressão, de um ator regional da importância do Brasil.
A “Primavera Brasileira” foi virtualmente invisível, no início, um fenômeno exclusivo das mídias sociais – tal qual a Síria, no começo de 2011.
Foi quando, em junho de 2013, Edward Snowden revelou as famosas práticas de espionagem da NSA. No Brasil, a questão era espionar a Petrobras. E então, num passe de mágica, um juiz regional de primeira instância, Sérgio Moro, com base numa única fonte – um doleiro, operador de câmbio no mercado negro – teve acesso a um grande volume de documentos sobre a Petrobras. Até o momento, a investigação de dois anos da Lava Jato não revelou como eles conseguiram saber tanto sobre o que chamaram de “célula criminosa” que agia dentro da Petrobras.
O importante é que o modus operandi da revolução colorida – a luta contra a corrupção e “em defesa da democracia” – já estava sendo colocada em prática. Aquele era o primeiro passo da Guerra Híbrida.
Como cunhado pelos Excepcionalistas, há “bons” e “maus” terroristas causando estragos em toda a “Siraq”; no Brasil há uma explosão das figuras do corrupto “bom” e do corrupto “ruim”.
O Wikileaks revelou também como os Excepcionalistas duvidaram da capacidade do Brasil de projetar um submarino nuclear – uma questão de segurança nacional. Como a construtora Odebrecht tornava-se global. Como a Petrobras desenvolveu, por conta própria, a tecnologia para explorar depósitos do pré sal – a maior descoberta de petróleo deste jovem século 21, da qual as Grandes Petrolíferas dos EUA foram excluidas por ninguém menos que Lula.
Então, como resultado das revelações de Snowden, a administração Roussef exigiu que todas as agências do governo usassem empresas estatais em seus serviços de tecnologia. Isso poderia significar que as companhias norte-americanas perderiam até US$ 35 bilhões de receita em dois anos, ao ser excluídos de negociar na 7ª maior economia do mundo – como descobriu o grupo de pesquisa Fundação para a Informação, Tecnologia & Inovação (Information Technology & Innovation Foundation).
O futuro acontece agora.
A marcha em direção à Guerra Híbrida no Brasil teve pouco a ver com as tendências políticas de direita ou esquerda. Foi basicamente sobre a mobilização de algumas famílias ultra ricas que governam de fato o país; da compra de grandes parcelas do Congresso; do controle dos meios de comunicação; do comportamento de donos de escravos do século 19 (a escravidão ainda permeia todas as relações sociais no Brasil); e de legitimar tudo isso por meio de uma robusta, embora espúria tradição intelectual.
Eles dariam o sinal para a mobilização da classe média. O sociólogo Jesse de Souza identificou uma freudiana “gratificação substitutiva”, fenômeno pelo qual a classe média brasileira – grande parte da qual clama agora pela mudança do regime – imita os poucos ultra ricos, embora seja impiedosamente explorada por eles, através de um monte de impostos e altíssimas taxas de juros.
Os 0,0001% ultra ricos e as classes médias precisavam de um Outro para demonizar – no estilo Excepcionalista. E nada poderia ser mais perfeito para o velho complexo da elite judicial-policial-midiática do que a figura de um Saddam Hussein tropical: o ex-presidente Lula.
“Movimentos” de ultra direita financiados pelos nefastos Irmãos Kock pipocaram repentinamente nas redes sociais e nos protestos de rua. O procurador geral de justiça do Brasil visitou o Império do Caos chefiando uma equipe da Lava Jato para distribuir informações sobre a Petrobras que poderiam sustentar acusações do Ministério da Justiça. A Lava Jato e o – imensamente corrupto – Congresso brasileiro que depôs a presidenta Dilma sem culpa, revelaram-se uma coisa só.
Àquela altura, os roteiristas estavam seguros de que a infra-estrutura social para a mudança de regime já havia produzido uma massa crítica anti-governo, permitindo assim o pleno florescimento da revolução colorida. O caminho para um golpe soft estava pavimentado – sem ter sequer de recorrer ao mortal terrorismo urbano (como na Ucrânia). O problema era que, se o golpe soft falhasse – como parece ser pelo menos possível, agora – seria muito difícil desencadear um golpe duro, estilo Pinochet, através da UW, contra a administração sitiada de Roussef; ou seja, executando finalmente a Guerra Híbrida Total.
No nível socioeconômico, a Lava Jato seria um “sucesso” total somente se fosse espelhada por um abrandamento das leis brasileiras que regulam a exploração do petróleo, abrindo-a para as Grandes Petrolíferas dos EUA. Paralelamente, todos os investimentos em programas sociais teriam de ser esmagados.
Ao contrário, o que está acontecendo agora é a mobilização progressiva da sociedade civil brasileira contra o cenário de golpe branco/golpe soft/mudança de regime. Atores cruciais da sociedade brasileira estão se posicionando firmemente contra a ilegalidade, da igreja católica aos evangélicos; professores universitários do primeiro escalão; governadores estaduais; massas de trabalhadores sindicalizados e trabalhadores da “economia informal”; artistas; intelectuais de destaque; juristas; a grande maioria dos advogados; e por último, mas não menos importante, o “Brasil profundo” que elegeu Rousseff legalmente, com 54,5 milhões de votos.
A disputa não chegará ao fim até que se ouça o canto de algum homem gordo do Supremo Tribunal Federal. Certo é que os acadêmicos brasileiros independentes já estão lançando as bases para pesquisar a Lava Jato não como uma operação anti-corrupção simples e maciça; mas como estudo de caso final da estratégia geopolítica dos Exceptionalistas, aplicada a um ambiente globalizado sofisticado, dominado por tecnologia da informação e redes sociais. Todo o mundo em desenvolvimento deveria ficar inteiramente alerta – e aprender as relevantes lições, já que o Brasil está fadado a ser visto como último caso da Soft Guerra Híbrida.
Autor: Pepe Escobar
Tradução: Vinícius Gomes Melo e Inês Castilho – Fonte: Pravda.ru
http://operamundi.uol.com.br/dialogosdosul/guerra-hibrida-a-nova-guerra-do-seculo-21-no-brasil/14012017/

terça-feira, dezembro 12, 2017

QUEREM ESFACELAR O BRASIL. É O CONCEITO DA GUERRA HÍBRIDA. SE NÃO POSSO CONTROLAR DESTRUO.

24 de jan de 2017 - SÃO PAULO e RIO - A ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, de 66 anos, foi internada na tarde desta terça-feira no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ela sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico e foi submetida a uma cirurgia para fechar o aneurisma.

Lula será julgado no TRF-4 no dia 24 de janeiro

Você percebe que na escolha da data existe a intenção nítida da provocação. Marcar o julgamento para um dia de luto do presidente Lula é um ato de guerra. Mas aí é que tá a questão da Guerra Híbrida, eles não se importam mais com o resultado da guerra. Desde que eles destruam a capacidade do país para que possam roubar e matar o futuro, o resultado pouco importa. Foi o que aconteceu na Iugoslávia, Iraque, Afeganistão, Líbia, Ucrânia, Síria, Iêmen... O Brasil hoje é um grande laboratório, o que acontecer aqui vai determinar muita coisa para o futuro da humanidade. Lula representa a saída mais viável e segura para o rencontro com a Democracia Popular. Que o Brasil consiga escolher esse caminho.




sábado, novembro 25, 2017

Fim da neutralidade de rede nos EUA ameaça a colônia O sistema de poder antinacional e antipopular instalado no Brasil desde o golpe não se cansa de combater o Marco Civil da Internet e faz vista grossa à violação constante da neutralidade de rede que ele obriga. A decisão americana pode ser a vitamina que ele precisa, para destruir mais esse direito do povo brasileiro.



A má notícia sobre a mídia, nesta semana, vem do exterior.
Não se trata da enézima matéria de jornal estrangeiro detonando a imagem do Brasil, ao meramente reportar com honestidade o que acontece por aqui, como fez o diário francês Libération.
Trata-se de notícia que afeta o futuro da própria mídia em todo o planeta, uma vez que ela procede do centro do Império.
Os Estados Unidos estão a menos de um mês de acabarem com a chamada “neutralidade de rede” na internet – a proibição de que os provedores de serviço bloqueiem ou desacelerem a velocidade de conexão, conforme o preço pago pelo usuário, ou pelo site que ele está visitando.
Estão em risco o acesso igualitário à Internet e também a liberdade de expressão, porque os provedores poderão arbitrar que conteúdos terão maior ou menor acesso, simplesmente controlando a sua velocidade de transmissão.
O presidente do Comitê Federal de Comunicações, a ANATEL de lá, anunciou que o fim da neutralidade de rede será votado em 14 de dezembro.
Como o órgão tem maioria republicana e a proposta é do Governo Trump, a aprovação é dada como certa, embora já desperte reações e a política progressista já opere contra ela.
Derrubada lá, a neutralidade de rede fica imediatamente ameaçada aqui.
“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, diz a velha máxima colonialista cunhada em 1964 pelo embaixador Juracy Magalhães, num arroubo de subserviência.
Essa mentalidade governa o país desde abril de 2016 e é certo que ela cuidará de ajustar este quintal dos Estados Unidos ao que decidirem os donos da casa.
Além de pagar mais para assistir vídeos no You Tube ou Netflix, por exemplo, os usuários de internet vão penar para acessar sites que os provedores tornarem mais lentos, a seu critério.
Não é difícil intuir como isso ameaça toda a mídia independente, refugiada no mundo digital, com o derretimento econômico dos suportes tradicionais.
O sistema de poder antinacional e antipopular instalado no Brasil desde o golpe não se cansa de combater o Marco Civil da Internet e faz vista grossa à violação constante da neutralidade de rede que ele obriga.
A decisão americana pode ser a vitamina que ele precisa, para destruir mais esse direito do povo brasileiro.

terça-feira, novembro 14, 2017

LULA E O PT SÃO UM LUXO PARA O BRASIL

Da Alemanha, numa entrevista à agência de notícias Deutsche Welle – com a imprensa brasileira não tem entrevista, só tem fofoca apelativa – a ex-presidente”É…
TIJOLACO.COM.BR

A Eletrobras, ao contrário, é um gigante. É dona de Furnas, é dona de Itaipu, é sócia de Belo Monte, é dona das usinas nucleares. É dona de concessões que se estendem por décadas. É, simplesmente, a maior empresa de energia elétrica da América do Sul. com uma rede de transmissão de alta tensão capaz que soma “apenas” uma vez e meia a volta ao mundo. É dona de usinas que geram um terço de toda a energia elétrica do Brasil...

Eletrobras: o apagão de informações para você não ver quem leva tudo

A privatização da Eletrobras – que o Luís  Nassif definiu, com razão, como “a maior tacada da história” privatista, começa pela guerra da informação.
A companhia contratou uma agência – a FSB, aquela que se viu enrolada na delação do marqueteiro Renato Pereira como repassadora de dinheiro a Eduardo Paes – para “vender a venda” de uma empresa que os brasileiros não fazem ideia do tamanho que tem.
Porque a imprensa, bem cevada pelos privatistas, apresenta-a como um elefante branco, falida, “caindo aos pedaços”.Um caco velho.
A Eletrobras, ao contrário, é um gigante. É dona de Furnas, é dona de Itaipu, é sócia de Belo Monte, é dona das usinas nucleares. É dona de concessões que se estendem por décadas.
É, simplesmente, a maior empresa de energia elétrica da América do Sul. com uma rede de transmissão  de alta tensão capaz que soma “apenas” uma vez e meia a volta ao mundo. É dona de usinas que geram um terço de toda a energia elétrica do Brasil, e de uma rede de distribuição que alcança um terço do território nacional (justamente o menos denso populacionalmente e, por isso, menos rentável, embora atenda quase sete milhões de famílias e empresas).
É tão importante que, ao lado da Petrobras, esteve na Carta Testamento de Vargas, ao matar-se – “A Eletrobras foi obstaculada até o desespero” – e explora um recurso público: a água e, mais recentemente, também o vento, com as usinas eólicas.
Vende um produto que ninguém pode parar de comprar: energia.
Pare e pense o caro leitor e a querida leitora qual foi a usina elétrica construída exclusivamente pelas empresas privadas – e multinacionais  – que compraram parte do sistema elétrico com Fernando Henrique Cardoso. Quase nada, não é, pois onde entraram foi com a sociedade da Eletrobras (ou da Chesf) e financiamento barato do BNDES, dinheiro estatal, portanto.
A privatização da Eletrobras é um retrocesso de 50 anos, ao tempo em que, criança, aprendíamos a marchinha de gozação feita por Vitor Simon e Fernando Martins em 1954: “Rio de Janeiro/Cidade que nos seduz/De dia falta água/De noite falta luz.
Nestes tempos, também, o “apagou a luz” era a senha para cada guri pegar quantas bolinhas de gude pudesse e “se mandar”.
É por isso que precisam manter as pessoas no escuro, para que não vejam o crime de lesa-pátria, o desvio de bilhões de reais que estão por perpetrar.
Não se deve saber que há gente graúda nesta história, como o  banqueiro José João Abdalla Filho, o “Juca Abdalla”,  dono do Banco Clássico. Nem Jorge Paulo Lehman, o dono da cerveja nacional com suas Ambev  e Inbev, que detém o controle – mesmo em minoria, como é na Eletrobras, de todos os negócios onde põe as mãos.
Isso não deve vir ao caso.
É preciso manter a atenção nos pedalinhos .

terça-feira, novembro 07, 2017

Aliança do PT é com o povo brasileiro

Em nota assinada pela presidenta Gleisi Hoffmann, PT critica deturpação da mídia de fala do ex-presidente Lula no encerramento da caravana Lula Pelo Brasil

 06/11/2017 18h33

Ricardo Stuckert

Lula visita o campus de Salinas do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais
A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), assina nota oficial do PT, nesta segunda-feira (6), reafirmando que a aliança do PT para as eleições de 2018 é com o povo brasileiro.
A nota é em resposta a deturpação da imprensa de uma fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvadurante o encerramento da caravana Lula Pelo Brasil em Minas Gerais.
“O PT tem sua aliança política com o povo brasileiro, suas lutas e conquistas. A aliança eleitoral para eleger Lula em 2018 está sendo construída com setores progressistas da sociedade e com a centro esquerda, baseada na reconstrução do Estado brasileiro e na revogação dos retrocessos implementados por esse governo golpista”, afirma o documento.
Leia a nota na íntegra:
Aliança do PT é com o povo brasileiro
Setores da imprensa têm deturpado uma fala do presidente Lula no ato de encerramento da caravana Lula Pelo Brasil em Belo Horizonte, em 30 de outubro. Longe de “perdoar” os partidos golpistas, Lula dirigiu-se à parcela da sociedade que apoiou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e hoje percebe que foi enganada.
O PT tem sua aliança política com o povo brasileiro, suas lutas e conquistas. A aliança eleitoral para eleger Lula em 2018 está sendo construída com setores progressistas da sociedade e com a centro esquerda, baseada na reconstrução do Estado brasileiro e na revogação dos retrocessos implementados por esse governo golpista.
Aqueles que defendem a o desmonte da Legislação Trabalhista, a Emenda Constitucional 95, a entrega daPetrobras e do Pré-Sal, a privatização da Eletrobrás, o fim das aposentadorias e a volta do trabalho escravo não cabem nesse projeto nacional.
A direção do PT mantém sua agenda de diálogo com os partidos de centro esquerda, em torno da candidatura Lula, mas são totalmente falsas quaisquer notícias sobre negociações com partidos que apoiaram o golpe. A estratégia do PT para as eleições gerais de 2018 será definida democraticamente nas instâncias partidárias, como é da nossa tradição. Este processo contemplará naturalmente as diversas realidades políticas regionais, mas as alianças se pautarão num projeto para o Brasil.
Gleisi Hoffmann
Presidenta nacional do PT

segunda-feira, novembro 06, 2017

DEPOIS DO GOLPE, A GUERRA?! Não. VAMOS PARA A DISPUTA ELEITORAL, SEM MAIS FRAUDES

Recebi alguns comentários a meus artigos que identificavam o momento político que vivemos ao da Alemanha dos anos 1920, quando o nazismo foi sendo construído e se empoderando.

A história é única; num momento civilizatório e em determinado lugar. Mas o apetite capitalista pelo lucro, pela expansão imperialista, pela apropriação de bens é permanente. O que podemos tirar, como “lição da história”, como reflexão sobre um acontecimento é a resultante do conjunto de forças, como vetores em diferentes direções, que acarretou tal desfecho.

Transcrevo, pela expressividade, rigor histórico e construção literária, na tradução da professora Isabel Loureiro, um trecho de “A crise da social-democracia”, de Rosa Luxemburg (in Gesammelte Werke, Dietz Verlag, Berlin, 1987):

“A marcha de seis semanas sobre Paris transformou-se num drama mundial; o imenso massacre tornou-se um negócio quotidiano, de uma cansativa monotonia, sem qualquer solução à vista. A política burguesa está paralisada, presa na sua própria armadilha e já não pode exorcizar os espíritos que invocou.

A carne para canhão, embarcada em agosto e setembro repleta de patriotismo, apodrece agora na Bélgica, nos Vosges, na Masúria, em cemitérios onde o lucro cresce vigorosamente. Trata-se de guardar rapidamente a colheita. Sobre esse oceano, milhares de mãos se estendem, ávidas para arrancar a sua parte.

Os negócios prosperam sobre ruínas. Cidades transformam-se em montes de escombros, aldeias em cemitérios, regiões inteiras em desertos, populações em tropas de mendigos, igrejas em estábulos” (escrito na prisão e publicado na Suíça em 1916).
Ouso acrescentar: toda esta desgraça da I Grande Guerra gerou enormes lucros, aumentou fortunas e fortaleceu o poder dos ricos. Os resultados da Krupp, Thyssen, Stinnes estão aí para comprovar.

Avaliemos a situação e as forças da época.

A Alemanha Imperial, da unificação sob Bismarck, era o “Império Evangélico de Nação Alemã”. Guilherme I era não apenas um Imperador mas um “summus episcopus”. Como expõe Isabel Loureiro (A Revolução Alemã, Editora UNESP, SP. 1ª edição, 5ª reimpressão, 2017): “quando o edifício institucional da monarquia desmoronou no final de 1918, os protestantes (mas também a alta hierarquia da Igreja Católica) enveredaram por um caminho nacionalista e reacionário, em clara hostilidade à República”, de Weimar (1919/1933).

Temos, então, um quadro do poder, conservador mas nacionalista, na cúpula governamental e na elite dirigente alemã. Muito longe do que vemos no Brasil de hoje. A única variável que poderíamos identificar é a participação religiosa neopentecostal, dos partidos das “Igrejas da Caixinha”, na irônica referência de Gregório Duvivier (Greg News, 28/07/2017).

Formamos um modelo do atraso generalizado e, na forma comum destes mais de 500 anos, colonizado. Se acreditássemos viver numa efetiva democracia, poderíamos dizer que a submissão colonial é o mais popular desejo dos brasileiros. Mas sabemos que as eleições são, na imensa maioria, fruto de manipulação midiática, do dinheiro nacional e estrangeiro, como dos IPES e IBADES de 1962, e similarmente repetidos em 2014.
Poderíamos então, no modelo do império alemão, entender que estamos no argentário e fundamentalista sistema colonizado de hipocrisia republicana.

Agora que, com o auxílio da História, pudemos entender nosso presente, busquemos os objetivos.

Na Alemanha, conforme o grande estudioso do processo civilizatório, Norbert Elias (Os Alemães, Zahar, RJ, 1997), encontrávamos uma sociedade “afinada com um forte governo de cima para baixo, com pouquíssima participação de todos os governados”. Além de inteiramente oposta a mudança, não admitia a mínima participação popular e feminina, como uma verdadeira sociedade estamental. Veja, assim, os juízes e representantes da sociedade, exercendo suas atividades sem remuneração, limitando a aplicação da justiça e a elaboração normativa ao arbítrio e interesse de classe, dos ricos, dos rentistas daquela Alemanha Imperial.

Um ridículo nos cobre, um país mestiço e pobre, com parcela reduzidíssima de ricos, mas igualmente mestiços – aí estão os Cardoso, pela própria boca, e, igualmente, os Marinho, os Neves e tantos outros destes dirigentes “com um pé na cozinha” – buscando macaquear europeus ou seus descendentes estadunidenses, conseguindo apenas a permanente desmoralização nacional, agora potencializada pela “quadrilha dirigente”.

Fico pensando nestes adeptos dos bolsonaros, crivellas, dorias e seus similares; terão entendimento de sua ignorância, de sua autoflagelação, da fonte dos males que tanto reclamam? Não vêem que se prestam ao papel de massa de manobra dos interesses estrangeiros colonizadores e de serem seus capitães do mato locais?

Mais uma vez, vendo a escola pública – onde fiz meu primário nos anos 1949/1953, na Capital da República, e aprendi que “o Brasil era um país essencialmente agrícola”, que “no Império havia ordem e progresso”, o “grande inimigo do país, de homens católicos e ordeiros, era o comunismo ateu” e outras debilidades – hoje considerada modelo, pergunto, sem precisar discutir a didática colonizadora, a quantos servia aquela doutrinação? 10%, 15% da população?

E o que acontecia com a quase totalidade dos brasileiros? Formaria a massa contribuinte das caixinhas neopentecostais, dos patos bate panelas, dos que não conseguem se olhar no espelho sem ódio? E, assim, preparados para assassinarem seus irmãos?
Transcrevo de Isabel Loureiro, na obra citada:

“Não por acaso, os estudiosos da época (Alemanha Imperial) são unânimes ao apontar no alemão médio traços da submissão e servilismo em relação aos de cima, compensados pela agressividade com os de baixo. É com essa matéria-prima psíquica que será moldada mais tarde a massa amorfa dos “pequenos nazistas”.
Para o Brasil, no recente livro de nosso maior sociólogo, Jessé Souza (A Elite do Atraso - da escravidão à lava jato, Leya, RJ, 2017), ao tratar do golpe de 2016 e da ação de nossas classes sociais, lemos:

“a única classe consciente de seus interesses entre nós foi e é ainda a ínfima elite do dinheiro”. “O liberalismo conservador, baseado no falso moralismo da higiene moral da nação, vai ser a pedra de toque da arregimentação da classe média que se cria nessa quadra histórica pela elite do dinheiro”. “Toda a importância do lulismo recente reside aí. Foi com ele iniciado um esforço que, caso fosse levado adiante, redimiria essa classe condenada pelo ódio covarde devotado ao escravo no espaço de poucas gerações”.
Enfim, é a permanente crucificação das classes populares, cujo ódio lhe é votado especialmente pelas frações da classe média, que assumem ser o “capataz da elite do dinheiro de modo a subjugar a sociedade como um todo”.

Pelas redes sociais, por e-mails recebidos, vejo, com preocupação, que se desloca, de um possível acordo contra a efetiva luta de classes, a questão que se tem como premente. Sem pretensão da verdade, reflito:

a – a guerra é instrumento da elite, não conheci caso de guerra popular. Quando muito um engodo obtendo apoio mais amplo. Tanto que já lemos, neste artigo, o exemplo de quem, na Alemanha, ganhou com a I Grande Guerra. Populares são as Revoluções socialmente transformadoras; e muitas vezes, como da Bolívia neste século XXI, sem guerra. Também, se buscarmos os primeiros passos bolcheviques (um bom tema para as festividades dos 100 anos da Revolução) iremos encontrar as greves russas, em 1917/1918, pela paz, obtida, mesmo com perdas, pelo Tratado de Brest-Litovsk. Para os operários, para as massas populares, as guerras sempre representam mais miséria, mais privação, mais dor.
Posso estar vendo outras maldades, mas a violência urbana, que está diariamente, insistentemente, a todo momento ocupando as redes de televisão, os noticiários radiofônicos, as “análises de especialistas”, pode intencionalmente preparar as pessoas para uma violência ainda maior, travestida de salvadora. O Exército já é usado, todo tempo, como polícia; para a guerra civil nem se dará um passo.

b – as manifestações populares sempre possibilitam algum nível de consciência. Mesmo quando reprimidas e derrotadas. Exigir eleições em 2018, exatamente como previstas na legislação em vigor (que se tenta reinterpretar e desfigurar neste judiciário desacreditado) é um imperativo para a conscientização, muito mais do que para a improvável mudança de poder. Manter o povo nas ruas e votando, desde síndico de condomínio a Presidente da República, é dispor de um instrumento de reflexão, de debate, de entendimento, de consciência política, social e  existencial.

Por conseguinte, mesmo reconhecendo os riscos mostrados pela Alemanha dos anos 1920, mas consciente que a história nunca é a mesma, coloco como o objetivos dos que lutam por um Brasil Soberano e Democrático, pela construção do país justo e cidadão para todos, a urgência da defesa da paz e do calendário eleitoral. Vamos para a disputa nas urnas, sem mais fraudes.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado