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RIZOMA BEATRICE
O Grupo Beatrice apoia o Governo LULA e a radicalização da democracia brasileira. Dezenas de listas alimentam o blog. O nome do grupo é uma homenagem ao personagem de Sarah Polley no filme "No Such Thing" de Hal Hartley. /// "Não devemos esquecer: votando nele, votamos em nós mesmos, já que Lula avisou: sozinho, nada poderá fazer. Com Lula no poder, estamos todos condenados à criatividade: condenados a inventar o futuro!" Augusto Boal
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Quarta-feira, Novembro 25, 2009

E agora José???




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Terça-feira, Novembro 24, 2009

"Nos lugares em que o dinheiro define a participação [no governo], onde está o lugar do povo?"

AHMADINEJAD: "A ERA DOS ARMAMENTOS NUCLEARES ACABOU; COMEÇA A DO PENSAMENTO"

Atualizado em 24 de novembro de 2009 às 18:49 | Publicado em 24 de novembro de 2009 às 18:34

Para Ahmadinejad, época do armamento nuclear acabou e começa a era do pensamento

Ivanir José Bortot e Lincon Macario 
Repórteres da Agência Brasil e da TV Brasil

Brasília - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que a era dos armamentos nucleares acabou. Segundo ele, se tais armamentos fossem úteis, estariam sendo usados pelos americanos, israelense e russos.

"Começou a era da humanidade, do pensamento: o poder dos povos é o pensamento, e não os armamentos nucleares”, disse Ahmadinejad, em entrevista à TV Brasil e àAgência Brasil na suíte presidencial de um hotel de Brasília, antes de deixar o país.

Ele informou que o Irã vai continuar suas pesquisas sobre enriquecimento de urânio e que pretende comprar o combustível pronto de outros países para uso na indústria de remédios, em um gesto de boa vontade. Disse também que espera do Brasil uma cooperação, na área nuclear, naquilo que seja semelhante, sem que isso signifique alterações de visão sobre os objetivos de cada país.

“Certamente a democracia no Brasil e no Irã é mais avançada quando comparada com o resto [do mundo”, afirmou Ahmadinejad. Para ele, o Brasil é uma espécie de modelo de democracia. "Nos lugares em que o dinheiro define a participação [no governo], onde está o lugar do povo?", indagou, referindo-se ao processo eleitoral nos Estados Unidos. Ele defendeu, porém, a restrição existente no sistema iraniano, em que apenas algumas religiões, ditas "divinas", podem participar da política.

Veja a seguir a integra da entrevista, que será exibida hoje, às 21h, no programaRepórter Brasil, da TV Brasil:

Empresa Brasil de Comunicação (EBC): Presidente Mahmoud Ahmadinejad, no seu longo encontro reservado com o presidente Lula, o que foi tratado?

Mahmoud Ahmadinejad: Em nome de Deus, o clemente, o misericordioso, eu apresento as minhas saudações ao povo brasileiro: um povo culto, um povo simpático, um povo muito amável. É muito natural que, quando dois grandes países conversam, essa conversa seja longa. Nós fizemos uma revisão sobre nossas relações bilaterais e os campos livres em que podemos buscar novos entendimentos. Fizemos uma avaliação sobre a conjuntura mundial e também nos perguntamos sobre os esforços que podemos fazer para a paz mundial. Concordamos que tanto a minha visita como a do presidente Lula ao Irã, em 2010, poderá fortalecer as nossas relações bilaterais.

EBC: O que ficou decidido sobre a atuação dos dois países nos conflitos do Oriente Médio?

Ahmadinejad: As causas dos conflitos do Oriente Médio constituem uma das questões mais complexas do mundo. Temos que identificar as raízes e assim tratá-las. Vamos continuar nossas conversas com o presidente Lula nesse sentido. E espero que, baseados na Justiça, possamos chegar a uma solução, porque o presidente Lula deseja Justiça e nós, também. Pode ser que nossas informações sejam diferentes e até nossas atitudes e nossos comportamentos. Se intercambiamos nossas opiniões e ideias, pode ser que isso coincida e criaremos uma opinião. Estou muito “esperançado” e espero que Deus ajude nisso.

EBC: Com o conjunto dos acordos assinados hoje o que vai representar em termos de balança comercial entre Brasil e Irã?

Ahmadinejad: O Produto Interno Bruto (PIB) iraniano é da ordem de US$ 800 bilhões (paridade de poder de compra), isso num momento em que os preços no país estão muito baixos em termos internacionais. É muito natural que as relações entre os dois países sejam feitas em torno do desenvolvimento econômico – nós temos potencialidades e também necessidades. E  Brasil, o mesmo. Podemos trabalhar em um sistema de complementaridade na atividade produtiva e comercial para que os dois países se desenvolvam economicamente com mais aceleração.

EBC: O presidente Lula conseguiu mudar a sua visão sobre a questão nuclear?

Ahmadinejad: Será que ele queria fazer isso?

ABr: Havia uma expectativa de que o Brasil e o Irã poderiam estabelecer um caminho comum na questão nuclear?

Ahmadinejad: O caminho comum não significa alteração das visões. Nós estamos caminhando por um caminho e isso quer dizer que também estamos fazendo cooperações naquilo que é semelhante entre os dois países.

EBC: O Irã assinou o tratado de não proliferação, e existe inclusive uma lei rigorosa religiosa que proíbe armas nucleares. Por que o resto do mundo tem dificuldade de acreditar no Irã?

Ahmadinejad: Não é o mundo, são alguns países que tem hostilidade conosco, eles querem monopolizar a energia nuclear. Até são contra o desenvolvimento do Brasil e também são contra o desenvolvimento do Irã. Inspecionaram atividades [nucleares] iranianas e foi divulgado pela Agência Internacional de Energia Nuclear que não houve desvio no programa nuclear iraniano.

EBC: De onde vêm os fundamentos das críticas?

Ahmadinejad: Aqueles que estão contra o Irã não são pessoas que estão contra os armamentos nucleares; porque eles têm. Se alguém está contra um ato ilegal, inaceitável, em primeiro lugar, não tem que fazer isso. Como eles estão praticando isso e querem que outros não pratiquem? Nós pensamos que a era dos armamentos nucleares já chegou ao fim. Se esses armamentos nucleares fossem úteis, teriam ajudado a União Soviética e também o governo norte-americano a vencer no Afeganistão e no Iraque. O regime ocupacionista de Israel também poderia ganhar algo em Gaza. Sabemos que isso não ajuda. Tanto pelos regulamentos como pelos pensamentos sobre o uso desses armamentos. Pela religião, é proibido, e no pensamento lógico isso também não funciona. Nós achamos que aqueles que estão à procura de armamentos nucleares são pessoas politicamente atrasadas. A era dos armamentos já acabou. Começou a era da humanidade, do pensamento: o poder dos povos é o pensamento e não os armamentos nucleares.

EBC: O Irã vai continuar sua experiência com enriquecimento de urânio ou vai comprar no exterior o urânio enriquecido de que precisa?

Ahmadinejad: Continuamos o enriquecimentos de urânio para combustível em nossas usinas. O que nós queremos comprar é combustível para um reator que ajuda na produção de medicamentos. Nós propomos isso para que se desenvolva a cooperação em nível internacional. E deixamos uma oportunidade para que aqueles que estavam contra o Irã possam estabelecer uma cooperação com o programa nuclear iraniano.

EBC: Há uma minoria judia no Irã que relata ser muito bem tratada, acolhida, respeitada pelos iranianos, mas há outras minorias que enfrentam certas dificuldades, como, por exemplo, 18 líderes Baha'is presos recentemente e outras pequenas minorias que reclamam por direitos humanos. O Irã, que sofreu com o autoritarismo de outros países, pode se permitir condições autoritárias para parte de sua população?

Ahmadinejad: Pela Constituição iraniana, todas as religiões divinas são livres para praticar suas tradições, como judeus, cristãos, muçulmanos.  Essas religiões podem praticar seus costumes e cultos e ter representação no governo e no Parlamento. A nossa Constituição não considera Baha'is como religião. Não é uma religião, é um grupo político e, por isso, não é reconhecido pela Constituição. No Irã, na convivência pessoal, eles (Baha'is) estão livres, mas não podem estar presentes na governança do país ou ter um centro para seus cultos. Isso é lei.

EBC: Essa resposta provocou uma dúvida: O que é democracia para o senhor?

Ahmadinejad: Hoje democracia tem mais de 50 aspectos diferentes. Um conceito e uma definição, por exemplo, é o governo do povo para o povo. E os meios para atingir isso são diferentes, mas só sabemos que o grau de democracia no Irã é muito alto. Cerca de 70% das pessoas participaram das eleições, isso mostra alta participação e alta liberdade, podemos dizer. É que no Irã não existe obrigatoriedade de voto nas eleições. Isso acontece em plena liberdade. Os candidatos também estão livres para expressar suas ideias, uma liberdade plena, em todas as instituições do Irã.

EBC: E qual é o melhor exemplo?

Ahmadinejad: Nós achamos que a democracia que terá sucesso é a que for baseada em aspectos bons. A democracia que está sustentada no domínio do poder e da riqueza, essa não é democracia. Basta olhar para Estados Unidos – são dois partidos que participam. Será que toda a população americana se divide entre esses dois partidos? E eles estão obrigados a votar nesses dois grupos, não têm outra opção. Porque tanto a mídia quanto a riqueza estão nas mãos desses grupos, se aparece um independente, certamente não vai ganhar, porque o sistema eleitoral lá é muito custoso. Quem pode ganhar é o que gasta muito, milhares... E o resto da população? Qual é a sua posição? E na Europa também é o mesmo. Só dois partidos que normalmente ganham mais votos. Certamente a democracia aqui no Brasil e no Irã é mais avançada quando comparada com o resto do mundo.

EBC:  O senhor acha que democracia do Brasil pode servir de modelo?

Ahmadinejad: Acho. Acho que existe liberdade no Brasil, existem muitos partido,s e o poder não está dividido em grupos específicos. Nos Estados Unidos, o poder durante os últimos 100 anos está dividido entre dois partidos apenas. Como isso pode acontecer? Isso quer dizer que a democracia lá é muito limitada, mas, no Irã, até as pessoas independentes, sem filiação partidária, podem participar das eleições. O dinheiro não é definição para participação. Mas nos lugares em que o dinheiro define a participação, onde está o lugar do povo? Desejamos que chegue um dia em que possamos aplicar a vontade dos povos. Desejo mais uma vez prosperidade e desenvolvimento para a nação brasileira e para todas as nações.

 

"Quem acha que a gente não pode conversar é tão intolerante quanto aqueles que não querem a paz."

LULA: A INTOLERÂNCIA DOS QUE NÃO QUEREM NEM CONVERSAR

Atualizado em 24 de novembro de 2009 às 12:56 | Publicado em 24 de novembro de 2009 às 12:43

23/11/09 - 09h02 - Atualizado em 23/11/09 - 09h00 

"Não adianta deixar o Irã isolado", diz Lula

Da Reuters, no G1

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira no programa Café com o Presidente que recebe nesta tarde o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, como forma de incluir o país nas conversas sobre a paz no Oriente Médio. Lula teve encontros nos últimos dias com presidentes de Israel e da Autoridade Palestina.

"Não adianta você deixar o Irã isolado. Se o Irã é um ator importante em toda essa discórdia, é importante que alguém sente com o Irã, converse com o Irã e tente estabelecer um ponto de equilíbrio, para que a gente volte a uma certa normalidade no Oriente Médio", disse Lula no programa de rádio, quando criticou os países que não dialogam com o Irã.

A presença de Ahmadinejad no Brasil atraiu críticas de grupos que afirmam que há falta de liberdade e democracia no Irã e que atacam o presidente iraniano por declarações em que ele negou a existência do Holocausto.

"São três países que estão envolvidos em conflito, três países que têm muita responsabilidade pela paz no Oriente Médio, e tem muita gente que acha que nós deveríamos receber só um, ou seja, iraniano acha que nós deveríamos receber só Irã, palestinos acham que nós deveríamos receber só palestinos e judeus acham que nós deveríamos receber só judeus", declarou Lula.

Nos últimos dias, Lula recebeu o presidente de Israel, Shimon Perez, e o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas.

"Ora, acontece que se tem um conflito, se tem uma divergência, e não é curta, é uma divergência muito longa, de muito tempo, não adianta você isolar as pessoas. É preciso você estabelecer um diálogo, uma política muito séria de conversação, para que você possa, então, acreditar que é possível estabelecer a paz no Oriente Médio", acrescentou.

Ele lançou suspeitas sobre a dificuldade em se chegar a um acordo na região. "É preciso que a gente agora comece a perguntar quem é que não quer a paz. E detectar quais são os grupos que estão radicalizando para não ter a paz. Porque é com esses que nós precisamos procurar parceiros para conversar", disse.

Lula afirmou ainda que conversa com todas as partes e que não aceita intolerância. "Quem acha que a gente não pode conversar é tão intolerante quanto aqueles que não querem a paz."

Ele defendeu ainda que se chegue a uma proposta única de paz em cada país, afastando as divergências. Para o presidente, que considera o atual momento "rico" ao mostrar a capacidade de conversação do Brasil, cabe a Organização das Nações Unidas negociar a paz na região.

"A ONU deveria estar negociando, estabelecer com os países qual é o critério, qual é base para fazer o acordo e fazer o acordo e viver tranquilo", afirmou.

Depois de receber os três presidentes, Lula anunciou que em março visitará Israel, Jordânia e Palestina. Ele voltou a dizer que pretende fazer o "jogo da paz" entre a seleção brasileira de futebol e uma seleção mista composta de israelenses e palestinos em um estádio neutro.

"E eu acho que isso poderia mexer com a cabeça de muita gente."

(Reportagem de Carmen Munari)

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lula-a-intolerancia-dos-que-nao-querem-nem-conversar/

"tudo é relativo, só a pobreza é absoluta"

MINISTRO SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES E O BRASIL DE 2022

Atualizado e Publicado em 24 de novembro de 2009 às 12:28

23 de Novembro de 2009 - 17h31 
Novo ministro faz planos para o Brasil de 2022

do Vermelho

O novo ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Pinheiro Guimarães, está com três grandes tarefas – um plano de metas para o Brasil de 2022, quando se comemora o segundo centenário da independência do País; uma nova doutrina para Amazônia e a reforma do Estado. “Três assuntos amplos e bastante inclusivo”, afirma. Por isso, não quer falar sobre política externa, assunto que lhe ocupou a vida profissional até recentemente, quando se aposentou da função diplomática.


Ministro: "tudo é relativo, só a pobreza é absoluta"
“Eu preferia falar sobre os temas da minha secretaria, não posso dar entrevista sobre política externa”, diz, afastando a possibilidade de uma avaliação sobre a polêmica visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, nesta segunda-feira (23).

O ministro fala com entusiasmo das atividades da Secretaria, destacando a importância de desenvolver atividades de longo prazo. O País tem tradição de se concentrar em ações de curto prazo. “O Brasil tem que ter metas, até para medir se está alcançado ou não”, diz, lembrando que o desenvolvimento é um processo comparativo, ninguém é desenvolvido isoladamente.

Para rechaçar a argumentação dos ambientalistas, que refutam os números previstos de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) como risco ao meio ambiente, ele lança uma pergunta: “É desenvolvimento sustentável 60 milhões de pessoas recebendo Bolsa-Família?”

E ele mesmo responde: “É preciso, nesse conceito de desenvolvimento sustentável, que esteja incluída a ideia de que há crianças que passam fome e que precisam de uma vida digna, produtiva, de realizar seu potencial humano.”

E acrescenta: “Não se pode querer o desenvolvimento a qualquer custo, mas tem que se lembrar disso. É importante que o projeto de crescimento leve em consideração esse grupo de pessoas que tem direito a emprego, saúde, educação.”

Para ele, “corremos o risco de ter elevadas taxas e performance ambiental e baixíssimas taxas de desempenho social. É preciso que o produto (PIB) cresça a uma certa taxa, a geração de emprego cresça a uma certa taxa (para garantir o crescimento do País)”.

E enfatiza: “Tudo é relativo, o grau de bem estar e riqueza é relativo, só a pobreza é absoluta”, para desenvolver a ideia de que ter metas vai permitir ao Brasil saber onde estará e aonde os outros estarão, hipoteticamente, para saber se reduzimos a distância que nos separa.

A distância entre o Brasil é os países desenvolvidos pode ser traduzida em uma conta rápida, que o ministro faz de cabeça: a renda per capita brasileira é oito mil dólares, a renda per capita dos países desenvolvidos é de 40 mil dólares. O que nos separa é 32 mil dólares. Se ao final desse período ainda que nos desenvolvamos a uma taxa maior, essa distância tiver aumentado, isso significa que, embora aparentemente maior, relativamente estaremos pior.

Para diminuir essa distância, o Brasil precisa fazer um esforço muito maior porque temos que recuperar o atraso, explica Samuel Pinheiro Guimarães. Ele diz que apesar de tudo o que foi feito, é necessário um esforço maior.

Brasil no mundo

Apesar da resistência às questões de política externa, o ministro avalia como a união dos países em desenvolvimento – Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) pode ajudar nesse desenvolvimento. De maneira rápida, ele explica que esses grandes estados tem interesses em comum na organização do sistema internacional. A sua união e atuação conjunta podem permitir que cada um alcance seus objetivos de forma eficiente.

Ele também analisa o protagonismo que o Brasil assumiu no cenário mundial, atribuindo o sucesso ao governo do presidente Lula, reconhecido em todo o mundo. E enumera a série de situações que contribuíram para isso: o Brasil foi um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros sair; enquanto se gera emprego no Brasil, os outros países diminuem os empregos, além do êxito dos programas sociais.

Tudo isso, segundo ele, gerou credibilidade do Brasil junto a países em desenvolvimento e desenvolvidos. Ele aponta ainda a posição independente, ao mesmo tempo serena, que o Brasil tem tido em situações internacionais; e a sua imparcialidade, por exemplo, na posição relativa a segunda guerra do Iraque.

Acrescente a isso tudo, o fato do Brasil ter apresentado propostas nas negociações internacionais que refletem interesse dos países em desenvolvido e mesmo desenvolvidos. Recentemente o Brasil e a França apresentaram proposta conjunta com relação à Conferência do Clima. “É um processo, não surge do nada”, conclui.

Amazônia Sustentável

Na função de coordenadora da Amazônia Sustentável, a SAE comemora como primeiro e importante passo para o desenvolvimento do projeto, a regularização fundiária. “Porque o primeiro grande problema é saber quem é dono da terra, se são posseiros, grileiros etc”, afirma o ministro, para quem a partir daí é possível uma ação mais eficaz do governo, em todas as áreas, na área de aplicação de políticas ambientais, de tributação, de crédito, porque sem garantias não há crédito, uma das garantias mais comuns é a patrimonial.

Outro passo importante é conhecer os recursos naturais da Amazônia. Esse é o processo que está em andamento, o de mapeamento econômico e geológico da área, que representa 59% do território brasileiro. Os estudos, que estão sendo feitos com o fortalecimento das instituições regionais de pesquisa e programas que efetivam pesquisa na região, vão saber as riquezas da região para o conhecimento científico da biodiversidade.

As outras etapas serão estabelecidas no plano de metas para 2022, que quer alcançar um índice de “desmatamento zero” e a exploração das riquezas da região pela população local permitindo o desenvolvimento da região aliada a melhoria da qualidade de vida da sua população.

Da sucursal de Brasília
Márcia Xavier

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ministro-samuel-pinheiro-guimaraes-e-o-brasil-de-2022/

Lembro de ver FHC inaugurando uma bica (isso mesmo, uma bica!) de água em Canudos, na Bahia, ao lado de ACM...

Adeus, FHC (3%)
 
 
Posted by Leandro Fortes under Política
 
Adeus também foi feito pra se dizer

Fernando Henrique Cardoso foi um presidente da República limítrofe, transformado, quase sem luta, em uma marionete das elites mais violentas e atrasadas do país. Era uma vistosa autoridade entronizada no Palácio do Planalto, cheia de diplomas e títulos honoris causa, mas condenada a ser puxada nos arreios por Antonio Carlos Magalhães e aquela sua entourage sinistra, cruel e sorridente, colocada, bem colocada, nas engrenagens do Estado. Eleito nas asas do Plano Real – idealizado, elaborado e colocado em prática pelo presidente Itamar Franco –, FHC notabilizou-se, no fim das contas, por ter sido co-partícipe do desmonte aleatório e irrecuperável desse mesmo Estado brasileiro, ao qual tratou com desprezo intelectual, para não dizer vilania, a julgá-lo um empecilho aos planos da Nova Ordem, expedida pelos americanos, os patrões de sempre.
Em nome de uma política nebulosa emanada do chamado Consenso de Washington, mas genericamente classificada, simplesmente, de “privatização”, Fernando Henrique promoveu uma ocupação privada no Estado, a tirar do estômago do doente o alimento que ainda lhe restava, em nome de uma eficiência a ser distribuída em enormes lucros, aos quais, por motivos óbvios, o eleitor nunca tem acesso.
 
Das eleições de 1994 surgiu esse esboço de FHC que ainda vemos no noticiário, um antípoda do mítico “príncipe dos sociólogos” brotado de um ninho de oposição que prometia, para o futuro do Brasil, a voz de um homem formado na adversidade do AI-5 e de outras coturnadas de então. Sobrou-nos, porém, o homem que escolheu o PFL na hora de governar, sigla a quem recorreu, no velho estilo de república de bananas, para controlar a agenda do Congresso Nacional, ora com ACM, no Senado, ora com Luís Eduardo Magalhães, o filho do coronel, na Câmara dos Deputados. Dessa tristeza política resultou um processo de reeleição açodado e oportunista, gerido na bacia das almas dos votos comprados e sustentado numa fraude cambial que resultou na falência do País e no retorno humilhante ao patíbulo do FMI.
 
Isso tudo já seria um legado e tanto, mas FHC ainda nos fez o favor de, antes de ir embora, designar Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal, o que, nas atuais circunstâncias, dispensa qualquer comentário.
 
Em 1994, rodei uns bons rincões do Brasil atrás do candidato Fernando Henrique, como repórter do Jornal do Brasil. Lembro de ver FHC inaugurando uma bica (isso mesmo, uma bica!) de água em Canudos, na Bahia, ao lado de ACM, por quem tinha os braços levantados para o alto, a saudar a miséria, literalmente, pelas mãos daquele que se sagrou como mestre em perpetuá-la. Numa tarde sufocante, durante uma visita ao sertão pernambucano, ouvi FHC contar a uma platéia de camponeses, que, por causa da ditadura militar, havia sido expulso da USP e, assim, perdido a cátedra. Falou isso para um grupo de agricultores pobres, ignorantes e estupefatos, empurrados pelas lideranças pefelistas locais a um galpão a servir de tribuna ao grande sociólogo do Plano Real. Uns riram, outros se entreolharam, eu gargalhei: “perder a cátedra”, naquele momento, diante daquela gente simples, soou como uma espécie de abuso sexual recorrente nas cadeias brasileiras. Mas FHC não falava para aquela gente, mas para quem se supunha dono dela.
 
Hoje, FHC virou uma espécie de ressentido profissional, a destilar o fel da inveja que tem do presidente Lula, já sem nenhum pudor, em entrevistas e artigos de jornal, justamente onde ainda encontra gente disposta a lhe dar espaço e ouvidos. Como em 1998, às vésperas da reeleição, quando foi flagrado em um grampo ilegal feito nos telefones do BNDES. Empavonado, comentava, em tom de galhofa, com o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, das Comunicações, da subserviência da mídia que o apoiava acriticamente, em meio a turbilhão de escândalos que se ensaiava durante as privatizações de então:
 
Mendonça de Barros – A imprensa está muito favorável com editoriais.
 
FHC – Está demais, né? Estão exagerando, até!
 
A mesma mídia, capitaneada por um colunismo de viúvas, continua favorável a FHC. Exagerando, até. A diferença é que essa mesma mídia – e, em certos casos, os mesmos colunistas – não tem mais relevância alguma.
 
Resta-nos este enredo de ópera-bufa no qual, no fim do último ato, o príncipe caído reconhece a existência do filho bastardo, 18 anos depois de tê-lo mandado ao desterro, no bucho da mãe, com a ajuda e a cumplicidade de uma emissora de tevê concessionária do Estado – de quem, portanto, passou dois mandatos presidenciais como refém e serviçal.
 
Agora, às portas do esquecimento, escondido no quarto dos fundos pelos tucanos, como um parente esclerosado de quem a família passou do orgulho à vergonha, FHC decidiu recorrer à maconha.
 
A meu ver, um pouco tarde demais.

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Sábado, Novembro 21, 2009

As confusões e bobagens que a secretária de Estado dos EUA Hilária Clinton tem feito e dito...


A D. Danuza Leão da Casa Branca [risos, risos. (Mas é sério!)]

A Casa Branca e as trapalhadas de Hilária Clinton 
19/11/2009, Al-ManarTV, Líbano

As confusões e bobagens que a secretária de Estado dos EUA Hilária Clinton tem feito e dito, a maioria delas relacionadas à questão Israel-Palestina, têm provocado fúria no Oriente Médio e complicado muito o processo de paz, como noticiou essa semana a revista The New Republic ("Reset Button: The gaffes of Hillary Clinton", 2009/11/16 ).

Em maio, Clinton revelou, numa conferência de imprensa, que o presidente Obama estaria exigindo que Israel suspendesse também o "crescimento natural" das construções israelenses nas atuais colônias. Duas fontes, especialistas reconhecidamente bem informados sobre as relações Israel-EUA, disseram aos jornalistas de The New Republic que Clinton metera os pés pelas mãos, porque a equipe de Obama com certeza ainda não está preparada para qualquer movimento que a afaste muito claramente das posições da era Bush sobre Israel-Palestina. Então, para não entregar sua secretária de Estado aos leões, Obama pôs-se imediatamente a repetir a frase dela, criando problemas graves nas relações com os israelenses.

A segunda gaffe tamanho gigante aconteceu dia 1/11 em Telavive, quando Hilária Clinton, sem mais nem menos, inverteu a direção das negociações sobre as colônias ilegais – dizendo, dessa vez, que o governo de Netanyahu já estava bem próximo de aceitar os termos do governo Obama e "congelaria" as construções nas colônias, o que implicaria, nas palavras da secretária de Estado, "concessão sem precedentes" que estaria sendo feita por Israel.

A formulação – que enfureceu os líderes árabes e deu a impressão de que Obama ter-se-ia rendido incondicionalmente a Netanyahu  – não foi confirmada pela Casa Branca, à qual as palavras da secretária Clinton desagradaram muito. Dessa vez, Hilária Clinton foi obrigada a desdizer-se; dias depois, em visita a Marrocos, ela declarou que, "de fato" não havia qualquer alteração na posição dos EUA.

Especialistas da Casa Branca acreditam que as repetidas gaffes da secretária de Estado têm exposto ao público ideias que os estrategistas da política dos EUA não querem ver divulgadas, antes, inclusive, de que estejam discutidas internamente. A fala da secretária, que expôs ideia que ainda estava sob exame no governo de Obama, sobre o fim das construções, de fato sabotou o esforço dos EUA para conseguir que os palestinos voltassem à mesa de negociações antes de que Israel suspendesse as construções em território ocupado. E comprometeu muito gravemente a credibilidade de Obama entre os israelenses.

O segundo tropeço grave da secretária de Estado aconteceu quando ela declarou que os EUA estariam retirando a exigência de que Israel pussesse fim às construções, como se Hilária Clinton tivesse 'percebido', um pouco atrasadamente, que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu não atenderia, nem praticamente nem politicamente, o pedido de Obama.

Segundo as mesmas fontes, a equipe de Oriente Médio da Casa Branca consumiu muitas horas de trabalho para reduzir os danos provocados pelas declarações da secretária de Estado. Mas ainda não se sabe com certeza se a secretária Clinton diz deliberadamente o que diz, ou se ela efetivamente não entende a importância de seu papel.

Fontes do Departamento de Estado têm opinião diferente. Uma dessas fontes disse a Ynet que as gaffes de Hilária Clinton "não são culpa dela, mas de sua equipe de assistentes". A secretária receberia informações contraditórias e estaria sendo mal preparada para as conferências de imprensa. E já não falta quem diga que, seja como for, "a secretária de Estado dos EUA deve ser capaz de ver, pelo menos, que está recebendo informações contraditórias."

O artigo original. em inglês, pode ser lido em:
http://www.almanar.com.lb/NewsSite/NewsDetails.aspx?id=111796&language=en

Ou copiado/colado a seguir:

White House Baffled by Clinton's Gaffes  
 
18/11/2009 US Secretary of State Hillary Clinton's zigzagging and slips of the tongue, mainly on the Israeli-Palestinian issue, have been causing anger in the Middle East and complicating the peace process, sources in the White House told the New Republic magazine on Tuesday.
 
In May, Clinton revealed at a press conference that US President Barack Obama’s call for an Israeli settlement freeze included any “natural growth” within existing settlements. Two sources with detailed knowledge of the US-Israeli relationship told New Republic that the Obama team was not yet prepared to make public this departure from Bush-era policy. Rather than leave his secretary of state twisting in the wind, one of the sources said, Obama wound up repeating her formulation a few days later, touching off months of tension with the Israelis.
 
The second flap occurred on November 1 in Tel Aviv, where Clinton abruptly reversed course on settlements – this time saying that a proposal by the Netanyahu government that falls short of the freeze Obama has sought nevertheless amounts to an “unprecedented” concession by Israel.
 
The formulation – which infuriated Arab leaders and made it seem that Obama had surrendered to Netanyahu – had not been endorsed by the White House, which was not pleased with the statement. Clinton was forced to "fold" immediately, stating several days later during a visit to Morocco that there was no change in the American policy.
 
White House officials believe that Clinton's zigzagging reveals in public things which the American policy makers would rather say in closed talks. Making public the American demand of Israel to stop the construction eventually sabotaged the US effort to bring the Palestinians to the negotiating table before Israel freezes the construction. It also damaged Obama's reliability among the Israelis.
 
The secretary of state's second slip of the tongue, which expressed the American withdrawal from its demands on the settlement issue, after realizing that Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu would not be able to meet the demands, practically and politically.
 
According to the sources, the White House's Middle East team was busy minimizing the damages Clinton had caused days after she had made the remarks. Yet, it is unclear whether her remarks are made intentionally or are really slips of the tongue.
 
Sources involved in the State Department have a different opinion. One of them told Ynet that Clinton's zigzagging "is not her fault, but her assistants' fault. She receives contrasting advice before going to press conferences, and that's the source of the problem. She has to be smart enough to know what to do when she receives contrasting advice."

http://www.almanar.com.lb/NewsSite/NewsDetails.aspx?id=111796&language=en

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artigo 5º, inciso 52, da Constituição, “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião”

Extradição: ato de soberania
 
Autor(es): Dalmo Dallari
Jornal do Brasil - 20/11/2009
 
RIO - A concessão da extradição de um estrangeiro que se encontre no território brasileiro, para atender a um pedido formulado pelo governo de um Estado estrangeiro, é um ato de soberania do Estado brasileiro, que deve ser praticado com absoluta independência e tendo por base jurídica superior às disposições da Constituição brasileira. Evidentemente, devem ser levados em conta, na decisão do pedido, os compromissos assumidos pelo Brasil, tanto por meio de adesão a documentos internacionais como pela assinatura de tratados, mas o atendimento de tais compromissos não tem prioridade sobre a obrigação jurídica de respeitar e aplicar a Constituição brasileira. Agradar ou desagradar ao governo solicitante da extradição é um dado secundário no exame das disposições constitucionais, não devendo ter qualquer peso na decisão de conceder ou não a extradição.
 
Tudo isso deve ser levado em conta na decisão que será tomada pelo presidente da República relativamente ao pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, formulado pelo governo da Itália. Na última sessão do Supremo Tribunal Federal, que tratou da questão, foram tomadas duas decisões fundamentais. A primeira reconhecendo a legalidade formal do pedido de extradição, ficando assim afastada a hipótese da existência de alguma ilegalidade que impedisse a apreciação do pedido. A Lei número 6.815, de 1980, que dispõe sobre a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, diz no artigo 83 que nenhuma extradição será concedida sem prévio pronunciamento do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade do pedido. Como bem assinalou a eminente ministra Carmen Lúcia, o pedido de extradição começa e termina no Poder Executivo mas passa obrigatoriamente pelo Supremo Tribunal Federal, que, no desempenho de sua função precípua, que é a guarda da Constituição, verifica previamente se estão satisfeitos os requisitos legais. Essa decisão não é terminativa, não resolve se o pedido de extradição será ou não atendido, mas é de extrema importância para salvaguarda da Constituição e dos direitos que ela assegura.
 
A segunda decisão do Supremo Tribunal Federal foi no sentido de reconhecer que a palavra final sobre o pedido de extradição cabe ao presidente da República. É importante assinalar que o Supremo Tribunal Federal não determinou, nem poderia fazê-lo, que o presidente conceda ou não a extradição. Em termos constitucionais, a decisão sobre essa matéria enquadra-se no âmbito das relações internacionais do Brasil. E a Constituição é bem clara e objetiva quando estabelece, no artigo 84, que “compete privativamente ao presidente da República manter relações com Estados estrangeiros”. Diariamente os jornais brasileiros dão notícia de encontros, negociações e decisões no âmbito internacional, nas mais diversas áreas de atividades, como a economia, o meio ambiente, a proteção da saúde, o respeito aos direitos humanos e muitas outras questões que se colocam no relacionamento entre os Estados. E em todos esses casos o Brasil é representado pelo Poder Executivo, que tem na chefia suprema o presidente da República, a quem compete, privativamente, manter relações com Estados estrangeiros. Assim, pois, já tendo o reconhecimento da inexistência de ilegalidades, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal, cabe ao presidente da República fazer a avaliação do conjunto de circunstâncias que cercam o pedido de extradição, levando em conta, sobretudo, as disposições da Constituição brasileira.
 
No caso em questão, em que o governo italiano pede a extradição de Cesare Batistti, existe um ponto essencial: os crimes de que Battisti foi acusado já foram qualificados anteriormente, pelo governo italiano, como crimes políticos. Com efeito, numa das ações do grupo a que pertencia Battisti foi morto um homem, Torregianni, e seu filho, que se achava no local, foi gravemente ferido, sendo obrigado, desde então, a locomover-se em cadeira de rodas. Um dado fundamental é que, desde então, o governo italiano vem pagando pensão mensal ao jovem Torregianni, por reconhecer que ele foi vítima de crime político. A legislação italiana prevê esse pensionamento somente para vítimas de crime político, excluídas as vítimas de crime comum.
 
E nos termos expressos do artigo 5º, inciso 52, da Constituição, “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião”. Como fica evidente, o Presidente da República deverá decidir se concede ou não a extradição de Cesare Battisti, mas sua decisão não poderá ser arbitrária, devendo ser consideradas, obrigatoriamente, as disposições da Constituição brasileira. O fato de existir um tratado de extradição assinado pelos governos do Brasil e da Itália não se sobrepõe à Constituição, não tendo qualquer fundamento jurídico uma eventual pretensão do governo italiano de fazer prevalescer o tratado sobre a Constituição. Ao que tudo indica, deverá ser essa a decisão do presidente da República, que terá perfeito embasamento constitucional. Obviamente, essa decisão irá desagradar ao governo italiano, podendo-se esperar uma enxurrada de ofensas grosseiras ao Brasil e ao seu governo, como já ocorreu anteriormente, quando se anunciou que o pedido de extradição dependia de exame do Supremo Tribunal Federal e de posterior decisão do chefe do Executivo. Mas a decisão de negar a extradição não terá qualquer consequência jurídica negativa para o Brasil, que, pura e simplesmente, terá tomado uma decisão soberana, no quadro normal das nações civilizadas, regidas pelo direito.
 
Dalmo Dallari é professor e jurista.

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Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Serra está indeciso, não sabe se vai ou se fica, não sabe se fica ou se vai...




20/11/2009

Mensagens para o Serra

Serra está indeciso, não sabe se vai ou se fica, não sabe se fica ou se vai. Se lembra da acertada decisão de ter desistido de concorrer de novo contra o Lula em 2006, teria sofrido uma lavada e se queimado para sempre. Teve que refrear sua insaciável sede de poder e deixar que Alckmin fosse a vítima de Lula.

Mas agora não se decide. Deixar o governo do Estado, pelo qual tanto lutou, para tentar a presidência e ser derrotado de novo, significaria liquidar sua última tentativa de chegar à presidência – com que sempre sonhou. E ainda ficar sem o governo do Estado, sem instrumentos de poder, sabendo que sem isso fica reduzido a nada. Ou desistir de concorrer e ficar no governo de São Paulo, deixando passar sua última tentativa, renunciar a concorrer de novo, ir embora da política com toda a geração de tucanos e demos que se retirarão para o anonimato.

Mandemos mensagens para o Serra.

A minha:

Seja candidato. Defenda publicamente o que vocês dizem diariamente: Que os sucessos do governo Lula se devem ao governo de FHC (do qual você foi sempre ministro, da área econômica, depois da saúde). Trate de explicar isso. Defenda o governo do mesmo bloco de partidos que te apóia hoje, defenda as privatizações, defenda a Petrobrax, defenda a política econômica de que você fez parte, tente explicar como vocês dizem que as políticas sociais do governo Lula foram começadas no governo FHC, mas este foi rejeitado brutalmente pelo povo brasileiro, enquanto o governo Lula é aclamado. 

Reitere que o Brasil, ao apoiar o retorno do presidente legalmente eleito de Honduras contra o golpe militar, fez uma “trapalhada”, nas tuas desastradas palavras. Explique porque fugiu do Brasil poucos dias depois do golpe e abandonou a UNE, da qual era presidente e os estudantes, na sua dura e linda luta contra a ditadura. Seja candidato, critique o governo Lula, diga porque está contra a continuidade deste governo com a Dilma. Diga quem dirigirá tua política econômica. Que mudanças fará na política exterior. Que cargos terá o DEM no teu governo. Seja candidato, Serra, tenha coragem, enfrente o país e o povo, submeta-se ao voto popular. 

Mandem as mensagens de vocês ao Serra.

Postado por Emir Sader às 04:49


http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=377


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Não, não. Chomsky errou. Não se trata de construir consensos. Trata-se de construir a omissão social, política e histórica

A verdade sobre o Oriente Médio está soterrada longe dos jornais

31/10/2009, Robert Fisk, The Independent

http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fiskrsquos-world-the-truth-about-the-middle-east-is-buried-beneath-the-headlines-1812300.html

Amira Hass foi direto ao ponto, ao dizer, semana passada, que o prêmio que recebera pelo trabalho de uma vida inteira premiava um fracasso. A correspondente na Cisjordânia do jornal israelense Haaretz explicou-se eloquentemente em entrevista ao canal em inglês da rede Al-Jazeera. Recebera um prêmio por seu fracasso, disse ela. Apesar de todos os fatos que ela e seus colegas jornalistas sempre noticiaram sobre a ocupação israelense na Palestina, o mundo ainda não entende o que significa “ocupação” e ainda usa palavras como “terror” e “guerra contra o terror”. Amira está absolutamente certa. A maior parte da imprensa e das televisões ocidentais comportam-se ainda e sempre como se não tivessem qualquer compromisso c om a verdade, participando do que Noam Chomsky descreveu como “a construção do consenso”.

Uma vez que governos e editorias e diretores de redes de televisão decidam sobre “a pauta” e “a matéria”, todos podem ter certeza de que o muro dos israelenses será convertido em “barreira de segurança” ou “cerca”; que algum ditador árabe pró-ocidente virará “homem forte”; que o território palestino ocupado será metamorfoseado em “território disputado”; e todos os ofendidos e humilhados tornar-se-ão genericamente violentos: a brutalidade terá sido suavizada; e a ocupação da Palestina foi legalizada.

Em junho de 2010, será lançado o livro de Fred Halliday, da London School of Economics, intitulado Shocked and Awed[1] [Chocado e Horrorizado] sobr e artilharia e campos minados no front de combate da linguagem. Lá estará a “Guerra ao Terror” – metamos aí nesse lixo as maiúsculas necessárias; e “a Bolha do Mar do Sul”[2], e uma tal “Gitmo”[3] e a tal rendição extraordinária”[4] (que é, sim, é rendição sob tortura, quer dizer, é rendição muito ‘extraordinária’!), além  de, como Halliday observa, palavras cujo sentido a mídia perverte como, dentre outras, a palavra Jihad.

Mas, na minha opinião, o problema é maior do que isso. Não se trata apenas de um complexo militar-político-jornalístico de Casa-Branca-Departamento de Estado-Pentágono-CNN-Downing Street-Ministério da Defesa Britânico-BBC. Nossos mestres preferem que não saibamos de coisa alguma, nem dos bandidos nem dos mocinhos.

Há anos, um repórter da revista Time no Cairo encheu seu caderninho com fatos sobre a rotina de torturar prisioneiros da polícia egípcia. Mas o embaixador dos EUA no Cairo persuadiu o chefe da sucursal da revista a nada publicar, porque temia que o governo de Mubarak desabasse, ante a denúncia daqueles abusos. Só rindo! A Time nada publicou e, claro, as torturas redobraram. Pouco depois, os policiais egípcios já obrigavam os prisioneiros a estuprarem-se uns os outros.

E nada mudou. As grandes agências ocidentais de notícias que instalaram no Egito as suas sucursais para o Oriente Médio mantêm-se tão longe de tocar nesses assuntos ‘sensíveis’ hoje, quanto há uma década. E o mesmo acontece naquele nosso velho amigo aliado muçulmano, a Turquia. Mas comecemos pelo Cairo.

Quando o “processo de paz” – lembram-se dessa expressão repugnante? – aproximava-se da fase de desfrute, já lá vão quase dez anos, as grandes agências gastaram milhões em novas instalações e novas equipes, todos querendo habitar a coruscante capital da democracia de Mubarak. E o que aconteceu? Como sempre, os serviços secretos egípcios, Mukhabarat, infiltraram seus rapazes em todas as sucursais e agências – ou chantagearam jornalistas egípcios –, para espionarem toda a produção jornalística. Todos os chefes de redação e sucursais de jornais e revistas no Cairo sabem quem são os espiões que trabalham em cada redação. Evidentemente, não podem demiti-los.

Tampouco podem publicar as matérias que seria tarefa daquelas agências publicar e sobre as quais as agências existem para nos informar. Qualquer indício de que esteja em preparação alguma matéria anti-Mubarak – exceção, aqui, foi a corajosa cobertura de um espancamento de mulheres (e também de homens) que participavam de uma manifestação anti-Mubarak, do movimento “Basta!” – e o ministro da Informação imediatamente telefona e manda chamar o chefe de redação ou sucursal que esteja de plantão. Publicar retratações nem sempre ajuda. E as consequências são gravíssimas, se houver reincidência. Pode acontecer de a sucursal ser fechada. Fechada? Fechar os escritórios de jornal, revista ou agência? Depois de gastos aqueles milhões para instalá-los lá?

Essa é a razão pela qual toda a cobertura feita por sucursais do Cairo de agências ocidentais, que denunciem atos de selvageria da polícia egípcia, só repete o que digam ou a ONG Anistia Internacional (que fala de Londres) ou ONG Human Rights Watch; e, imediatamente depois do que tenham dito aquelas organizações, falam as autoridades egípcias, que condenam todas as ONG de direitos humanos. Em outras palavras, o investimento que as empresas jornalísticas e agências ocidentais fizeram na instalação de novos escritórios no Egito acabou por tornar-se mais importante que qualquer compromisso com a notícia. Mas... OK. Falemos do meu assunto favorito: Turquia.

Hoje todos já sabemos que o genocídio dos armênios de 1915 é fato histórico, que 1,5 milhão de homens, mulheres e crianças foram estuprados, esquartejados, queimados e executados a tiros pelos turcos otomanos. Mas relembrei toda a profundidade histórica desse primeiro holocausto do século 20, quando uma amiga minha, Catherine Sheridan, presenteou-me com um livro encadernado em couro da biblioteca de seu falecido marido Don. O livro é Syria, the Holy Land and Asia Minor, de John Carne Esq., impresso por Fisher, Son & Co., da Rua Newgate, Londres, em 1836. E o que, então, o Sr. Carne Esq., viu em Antióquia?

“Dentre os que foram visitados pelas crueldades da revolução grega estava uma senhora armênia, viúva jovem e bonita, cuja marido havia sido assassinado (...) havia horror e tristeza em seu rosto pálido. O golpe, repentino e terrível demais; a casa, o marido, o amor, tudo quanto dera vida àquele coração, cruelmente arrancado (...)”. O marido, claro, fora vítima da guerra de independência grega contra os turcos otomanos – a mesma guerra na qual morreu Lord Byron, em Missolonghi, em 1823. Portanto, os armênios já estavam sendo assassinados quase um século antes de consumar-se o crime do genocídio; de fato, já estavam sendo massacrados às centenas de milhares no final do século 19, antes do genocídio, é claro.

E em que termos os defensores da imprensa ocidental referem-se ao genocídio dos armênios? Aqui, a Reuters, de 13 de outubro p.p., reporta que “sobrevive hostilidade remanescente da Primeira Guerra Mundial e das mortes em massa de armênios, pelos turcos otomanos. Para os armênios tratar-se-ia de genocídio, termo que os turcos rejeitam.” Dia seguinte, a Associated Press: “Armênios e vários historiadores dizem que os turcos otomanos cometeram genocídio contra armênios no início do século passado, acusação que a Turquia rejeita.”

Impossível imaginar a ‘indignação’ universal, se a Reuters falasse de “mortes em massa” de judeus por alemães, nos seguintes termos: “Judeus dizem que os alemães cometeram genocídio, acusação que os alemães da extrema-direita e os neonazistas rejeitam”. Ou se a AP publicasse que “Israel e vários historiadores dizem que os nazistas alemães cometeram genocídio contra os judeus na II Guerra Mundial, acusação (sic) que a direita alemã [etc. etc.] rejeita.” Seria “ultraje”. Mas é claro que ninguém fecharia os escritórios da Reuters ou da AP em Berlim. Em Ancara e em Istambul o problema é claramente outro. OK. Todos podem pedir transferência para o Cairo – onde poderão aproveitar vários de seus talentos para a sofística.

Não, não. Chomsky errou. Não se trata de construir consensos. Trata-se de construir a omissão social, política e histórica. O slogan é conhecido e simples: não resista; ceda sempre à qualquer intimidação.

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[1] Para saber o que foi a “operação Choque e Terror”, dos EUA contra o Iraque, em 2003, ver, por exemplo, http://www.cnn.com/2003/fyi/news/03/22/iraq.war/

[2] Orig. South Sea Bubble. “Bolha” de hiper valorização de ações que estourou na Bolsa inglesa em 1720, com ações da South Sea Company, grande companhia marítima, em pleno período das grandes navegações, momento em que o comércio internacional respondia às relações das metrópol es europeias com as colônias do novo continente. Depois dessa “bolha do Mar do Sul”, a emissão de ações ficou proibida na Inglaterra por aproximadamente um século (em http://www.kaemebrasil.com.br/noticias.asp?InCdSecao=&InCdEditoria=3&InCdMateria=1151&pagina=). Sobre a empresa e todo o affair, ver http://en.wikipedia.org/wiki/South_Sea_Company. 

[3] Forma pela qual a mídia nos EUA refere-se à Base Naval da Baía de Guantánamo, e campo de detenção de prisioneiros dos EUA, em Cuba.

[4] Sobre o Programa de Rendição Extraordinária, do governo Bush, ver “Outsourcing Torture: The secret history of America’s “extraordinary rendition” program”. 14/2/2005, Jane Mayer, The New Yorkerhttp://www.newyorker.com/archive/2005/02/14/050214fa_fact6?currentPage=all#Replay

 

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um boneco de ventríloquo dos slogans neocons

A Folha e o samba do rábula doido

Depois que Otávio Frias Filho assumiu a Folha – com a morte de Otávio Frias de Oliveira – a Folha se transformou em uma mixórdia ideológica e editorial.

Antes, cultivava uma espécie de anarquismo de centro-esquerda. Atacava todos mas, nos grandes temas, adotava uma posição que se poderia chamar de progressista. Era uma anarquia previsível e aceita por seus leitores.

Com o afastamento do seu Frias, Otavinho decidiu atrelá-la ao pensamento neocon e ultraliberal – vinte anos depois da onda neoliberal ter começado e quando já estava em fase agônica. Terceirizou sua linha editorial para a Veja.

As consequências estão aí, nesse editorial sobre a votação do Supremo.

O STF conclui que a decisão de extraditar ou não é um ato de vontade do Executivo. Simplesmente se curva ao que a Constituição determina. Aliás, talvez Otávio não saiba, mas o STF é o guardião da Constituição. E mesmo nessa composição medíocre atual, a maioria decidiu acatar a Carta Magna.

O que diz o editorial da Folha?

O Supremo diz, simplesmente, que Lula não está obrigado a cumprir a extradição. Pode recusar-se a entregar o extraditando num ato de pura, e ilimitada, discricionariedade. Num passe de mágica, transfere-se a instância julgadora da extradição -papel que a Constituição reserva ao Supremo- para a Presidência da República. A corte máxima de repente se torna um órgão meramente consultivo nessa matéria, contrariando sua tradição centenária de decidir as questões, produzindo efeitos necessários de suas manifestações.

Ou seja, centenas de parlamentares se reúnem e votam uma Constituição, marco legal da República. A Constituição diz que cabe ao Chefe do Executivo a decisão de determinar ou não a extradição. E o editorial da Folha diz que essa determinação – que é da própria Constituição – contraria tradição centenária do STF decidir questões que, segundo a Constituição, não estão entre suas atribuições. Autêntico samba do rábula doido.

Poderia ter explorado esse ridículo do STF deliberar sobre a extradição e concluir que sua deliberação nada vale. Que nada! A Folha é incapaz de analisar isoladamente o princípio constitucional independentemente do personagem Battisti. E transmuda-se, de líder do mercado de opinião, em apenas um boneco de ventríloquo dos slogans neocons.

Da Folha

Confusão legal

Desfecho do caso Cesare Battisti cria anomalia institucional e projeta insegurança jurídica para as extradições futuras

A DESASTRADA decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder refúgio ao terrorista italiano Cesare Battisti -condenado em seu país por quatro homicídios- acabou por desencadear uma reviravolta no modo como o Brasil trata pedidos para extraditar estrangeiros. O resultado é uma anomalia institucional que projeta confusão e insegurança jurídica para o futuro.

Ao sustentar o refúgio, o ministro da Justiça imputou à Itália “fundados temores de perseguição política” contra Battisti. Para Genro, uma democracia estável desde o final dos anos 1940, com Judiciário independente, seria incapaz de garantir o cumprimento adequado de sentenças transitadas em julgado.

Expedido o refúgio, a lei específica, de 1997, manda cessar o trâmite dos pedidos de extradição. Mas outra norma, o Estatuto do Estrangeiro, de 1980, atribui exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir se um crime imputado a um extraditando é político -hipótese em que o Brasil não permite a extradição.

Ora, Tarso Genro concedeu o refúgio por avaliar que os crimes pelos quais o italiano foi condenado eram políticos: havia, portanto, um conflito de competências. O Supremo, que já havia ensaiado dirimir essa dúvida num caso precedente, decidiu fazê-lo por ocasião do juízo de Battisti.

Por margem de um voto, o plenário desqualificou os argumentos de Tarso Genro, anulou o refúgio, refutou a tese dos homicídios políticos e julgou procedente a extradição. A maior novidade viria a seguir: o ministro Ayres Britto mudou de lado e juntou-se aos colegas antes derrotados para estabelecer que é do presidente da República a última palavra, nesta e em todas as outras extradições daqui por diante.

Não se trata, é importante notar, de autorizar o chefe do Executivo a recusar ou adiar a entrega de Battisti à Itália nos casos já previstos nas leis e no tratado de extradição com o Brasil -já é do presidente, por exemplo, a faculdade de aguardar o término do processo ao qual o estrangeiro responde aqui, por falsificação de documentos. O Supremo diz, simplesmente, que Lula não está obrigado a cumprir a extradição. Pode recusar-se a entregar o extraditando num ato de pura, e ilimitada, discricionariedade.

Num passe de mágica, transfere-se a instância julgadora da extradição -papel que a Constituição reserva ao Supremo- para a Presidência da República. A corte máxima de repente se torna um órgão meramente consultivo nessa matéria, contrariando sua tradição centenária de decidir as questões, produzindo efeitos necessários de suas manifestações.

O inusitado é tamanho que nem sequer o Planalto -sequioso por consumar a ação entre amigos iniciada por Genro- sabe reagir. Como manter um estrangeiro cujo status de refugiado foi cassado na Justiça? Como justificar politicamente um ato que contraria o Supremo? Como impedir a entrega de Battisti sem desmoralizar o tratado de extradição entre Brasil e Itália?

A obsessão do governo de atender a um pequeno mas ruidoso lobby de militantes de esquerda já nos custou demais. Os amigos de Cesare Battisti têm todo o direito de pleitear o relaxamento de sua prisão. Mas que o façam no lugar certo -na Itália que o julgou e condenou. É para lá que Lula deveria transferir o terrorista, respeitando a vontade da maioria do Supremo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): JustiçaMídiaTags:  http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/20/a-folha-e-o-samba-do-rabula-doido/

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Quinta-feira, Novembro 19, 2009

os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país


> Na Folha a ficha falsa da Dilma, a burrada do ano


Saiu no Observatório da Imprensa:

Venda avulsa de jornalões brasileiros cai a índices surpreendentes

Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa.

Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o vigésimo quarto jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás do Estado de S.Paulo, em 19o lugar e O Globo, em 15o lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009.

São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B,que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas.

Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: as classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folha depende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais.

O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional.

Leia a íntegra no site do Observatório da Imprensa.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.


Publicado por admin · Canal: Bigpost, Brasil  


http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=22666

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“o suicídio da mídia”

A velha mídia e sua batalha inglória

A Folha de São Paulo publicou editorial neste domingo criticando "práticas desleais na internet" que estariam "colocando em risco as bases que permitem o exercício do jornalismo no país". A Folha, no caso, se apresenta como porta-voz deste jornalismo independente. Para o jornalista Luis Nassif, o editorial aponta o objetivo final do processo que explica o comportamento da mídia a partir de 2005: "a politização descabida, as tentativas sucessivas de golpes políticos, os assassinatos de reputação de políticos, juízes, jornalistas".

O jornalista Luis Nassif comenta neste domingo em seu blog o editorial publicado na Folha de São Paulo, que critica "práticas desleais na internet" que, supostamente, estariam "colocando em risco as bases que permitem o exercício do jornalismo independente no país". A Folha, no caso, se apresenta como porta-voz do "jornalismo independente". Uma piada, diz Nassif, que questiona:

"Qual o direito de conhecer a verdade que a Folha propõe? A ficha falsa de Dilma? Os arreglos com Daniel Dantas? A série sistemática e diária de matérias falsas, manipuladas, a deslealdade reiterada contra seus próprios jornalistas que não seguiram a cartilha?"

Abaixo o editorial da Folha e, depois, o comentário de Nassif:

O editorial: "Direito à informação"

Práticas desleais na internet colocam em risco as bases que permitem o exercício do jornalismo independente no país

DEMOCRACIAS tradicionais aprenderam a defender-se de duas fontes de poder que ameaçam o direito à informação.

Contra a tendência de todo governo de manipular fatos a seu favor, desenvolveram-se mecanismos de controle civil -caso dos veículos de comunicação com independência, financeira e editorial, em relação ao Estado. Contra o risco de que interesses empresariais cruzados ou monopólios bloqueiem o acesso a certas informações, criaram-se dispositivos para limitar o poder de grupos econômicos na mídia.

Essas salvaguardas tradicionais se veem desafiadas pelo avanço da internet e da convergência tecnológica nas comunicações -paradoxalmente, pois esse mesmo processo abre um campo novo ao jornalismo.

Apesar da revolução tecnológica e do advento de plataformas cooperativas, a produção de conteúdo informativo de interesse público continua, majoritariamente, a cargo de organizações empresariais especializadas. O acesso sistemático a informações exclusivas, relevantes, bem apuradas e editadas sempre implica a atuação de grandes equipes de profissionais dedicados apenas a isso. Essas equipes precisam ser remuneradas -ou o elo se rompe.

Quando um serviço de internet que visa ao lucro toma, sem pagar por isso, informações produzidas por empresas jornalísticas, as edita e as difunde a seu modo, não só fere as leis que resguardam os direitos autorais. Solapa os pilares financeiros que têm sustentado o jornalismo profissional independente.

Quando um país como o Brasil admite um oligopólio irrestrito na banda larga -a via para a qual converge a transmissão de múltiplos conteúdos, como os de TVs, revistas e jornais-, alimenta um Leviatã capaz de bloquear ou dificultar a passagem de dados e atores que não lhe sejam convenientes. A tendência a discriminar concorrentes se acentua no caso brasileiro, pois os mandarins da banda larga são, eles próprios, produtores de algum conteúdo jornalístico.

Quando autoridades se eximem de aplicar a portais de notícias o limite constitucional de 30% de participação de capital estrangeiro, abonam um grave desequilíbrio nas regras de competição. Veículos nacionais, que respeitam a lei, têm de concorrer com conglomerados estrangeiros que acessam fontes colossais e baratas de capital. Tal permissividade ameaça o espírito da norma, comum nas grandes democracias do planeta, de proteger a cultura nacional.

Contra esse triplo assédio, produtores de conteúdo jornalístico e de entretenimento no Brasil começam a protestar.

Exigem a aplicação, na internet, das leis que protegem o direito autoral. Pressionam as autoridades para que, como ocorre nos EUA, regulamentem a banda larga de modo a impedir as práticas discriminatórias e ampliar a competição. Requerem ao Ministério Público ação decisiva para que empresas produtoras de jornalismo e entretenimento na internet se ajustem à exigência, expressa no artigo 222 da Carta, de que 70% do controle do capital esteja com brasileiros.

A Folha se associa ao movimento não apenas no intuito de defender as balizas empresariais do jornalismo independente, apartidário e crítico que postula e pratica. Empunha a bandeira porque está em jogo o direito do cidadão de conhecer a verdade, de não ser ludibriado por governos ou grupos econômicos que ficaram poderosos demais.


Comentário de Nassif

Chega-se, finalmente, ao objetivo final do processo que explica o comportamento da mídia a partir de 2005, a politização descabida, as tentativas sucessivas de golpes políticos, os assassinatos de reputação de políticos, juízes, jornalistas. E para quê? Para se chegar ao embate final com pouquíssimos aliados. Esse acanalhamento do exercício do jornalismo fez com que a credibilidade da mídia atingisse o ponto mais baixo da história, viabilizasse outras alternativas no mercado de opinião.

Agora, qual a bandeira legitimadora para suas pretensões? A de que a mídia é a garantidora da liberdade de informação? Piada.

Esse mesmo álibi canhestro foi utilizado por Roberto Civita para tentar me convencer a aceitar o acordo com a Veja no final do ano passado. A revista passou todo o ano utilizando o jornalismo de esgoto para os ataques mais sórdidos, abjetos, não respeitando sequer família. E vinha o enviado especial dele trazendo o recado de que deveria aceitar o acordo em nome da liberdade de imprensa.

Conto apenas o meu caso. Como o meu, teve inúmeros. Em 2005, em entrevista ao Vermelho cunhei a expressão “o suicídio da mídia”, para descrever essa caminhada irreversível em direção ao fundo do poço. Agora, a mídia se posiciona para a grande batalha contra os portais e os grupos externos. Quem acredita nela?

Qual o direito de conhecer a verdade que a Folha propõe? A ficha falsa de Dilma? Os arreglos com Daniel Dantas? A série sistemática e diária de matérias falsas, manipuladas, a deslealdade reiterada contra seus próprios jornalistas que não seguiram a cartilha?

O futuro chegou e bandeiras que, antes, poderiam ser legítimas, ou estão rotas, puídas, desmoralizadas. Haverá uma grande batalha futura, contra os supergrupos que irão entrar no mercado. Mas dela não participará mais a velha mídia, que ficará restrito ao mundo fictício que ela próprio criou.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16242&boletim_id=615&componente_id=10288

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FBI - Festival de Besteiras na Imprensa

FBI RENASCE EM NOVO ENDEREÇO

Atualizado em 17 de novembro de 2009 às 22:19 | Publicado em 17 de novembro de 2009 às 20:10

Hoje cedo informamos o sumiço do blog Festival de Besteiras na Imprensa, o FBI. Augusto Fonseca, o seu responsável, denunciou o fato ao Google.

Recebeu uma resposta pronta, burocática.

Há pouco o Augusto postou este comentário:

O FBI - Festival de Besteiras na Imprensa, qual fênix, renasce das cinzas. O novo endereço fica aqui:

Agradeço, novamente, ao Azenha e aos seus leitores pela força.

Mais tarde, verei o que fazer com o Google, na Justiça.

Nota do Viomundo: Augusto, boa sorte na nova "casa". Quanto a vocês, já para oFBI. É uma ordem. Abs.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fbi-renasce-em-novo-endereco/

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Sexta-feira, Novembro 13, 2009


O BRASIL DECOLA

Atualizado em 12 de novembro de 2009 às 16:44 | Publicado em 12 de novembro de 2009 às 16:42


Capa da revista Economist sobre o Brasil ("O Brasil decola").

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-brasil-decola/

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Governo Lula construiu 30% das linhas de transmissão feitas em 123 anos no país

São Bartolomeu, a longa noite tucana

Reacender o Clube da Lanterna, fundado por Carlos Lacerda, em 1953, para combater o governo Vargas só amplia o blecaute em que vive a direita após duas derrotas em eleições presidenciais. De antemão é uma aposta perdida. Uma comemoração tão grotesca quanto fugidia.

Ao querer transformar a queda de energia, causada por uma falha tripla nas linhas de transmissão de Furnas, no “apagão do governo Lula”, a oposição, com apoio da grande imprensa corporativa, mostra a estreita margem de ação que restou ao antigo bloco de poder do governo tucano. Reacender o Clube da Lanterna, fundado por Carlos Lacerda, em 1953, para combater o governo Vargas só amplia o blecaute em que vive a direita após duas derrotas em eleições presidenciais. De antemão é uma aposta perdida. Uma comemoração tão grotesca quanto fugidia.

Quando lideranças do PSDB, DEM e PPS se unem no Congresso para dizer que o episódio serviu para demonstrar o fracasso da política energética do governo petista, o discurso político cede lugar à farsa burlesca, ao lançamento inoportuno de afirmações que, por grotescas, surtem efeito contrário ao pretendido por seus autores. Rememoram um passado recente, estabelecendo padrões de comparação que lhes são extremamente desfavoráveis. Mais uma vez, a direita, ignorando a posição em que se encontra, mira no horizonte e atira no próprio pé. Um embuste que ignora a massa crítica acumulada por diversos debates sobre crise energética no governo anterior. Em todos há um denominador comum: a responsabilidade pela ineficiência de energia elétrica se devia a erros de gestão da então administração federal. 

Em 2001, o BNDES publicou “O Cenário Macroeconômico e a Oferta de Energia Elétrica no Brasil". O documento, um alentado estudo dos economistas Joana Gostkorzewicz e Fábio Giambiagi, alertava que as dificuldades para a oferta de energia elétrica eram conseqüência direta da política de transição de um modelo gerenciado até então pelo Estado para a iniciativa privada. O açodamento entreguista deixava explícitas as
“insuficiências do novo marco regulatório, bem como a ausência de articulação entre os vários órgãos governamentais, responsáveis pelo setor de energia."

Concluindo a análise, o estudo reconhecia que 
"nos últimos anos, os recursos das empresas estatais, ainda amplamente dominantes na geração e transmissão, foram prioritariamente destinados para o saneamento financeiro das empresas e, portanto, para a preparação das privatizações. Tendo as empresas estatais deixado de investir pelas razões apontadas acima e o setor privado não encontrado ambiente seguro para substituir as estatais, devido às debilidades dos novos marcos, pavimentou-se o caminho para o desastre."

O estudo, feito por órgão do Governo Federal, era categórico no diagnóstico: 
“O setor elétrico brasileiro possui um desenho próprio que o torna inadequado à operação por empresas privadas". Se em 2001, os reservatórios estavam quase secos e a inexistência de linhas de transmissão impedia o manejo de geração, a causa determinante para o racionamento de energia foi a implementação de uma política privatista que aprofundou a queda da produção, reduziu a arrecadação tributária e alimentou o processo inflacionário, mantendo a fragilidade do Brasil em relação à economia internacional.

Quando Lula destaca os investimentos feitos pelo governo nos últimos sete anos, dizendo que 
“nesse período, foram construídas 30% das linhas de transmissão feitas em 123 anos no país", não fala apenas de números relativos a um setor. O passo é maior. O que é anunciado é a retomada de decisões fundamentais para o desenvolvimento, deixadas em segundo plano, nos oito anos de gestão neoliberal. O que norteia a ação governamental é a criação de mecanismos que possibilitem ao Estado retomar seu papel de indutor do desenvolvimento nacional.

Comparar o blecaute de 10 de novembro de 2009 ao longo tempo das trevas que vigorou no país entre junho de 2001 e fevereiro de 2002 é um apagão histórico bem típico de uma elite que não soube atualizar as linhas de transmissão do seu ideário. Um autêntica confissão pública de fé no modelo monetarista-liberal que impossibilitou o crescimento econômico, aumentou as desigualdades e enfraqueceu as instituições políticas. A noite de São Bartolomeu deseja revisitar os huguenotes que ousaram sobreviver.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4473


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NO MENSALÃO DA MÍDIA

REPÓRTER DA GLOBO REINVENTA O JORNALISMO







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Uma nova modalidade de reporcagem acaba de ser introduzida na imprensa televisiva brasileira, por obra da jornalista cuiabanaDelis Ortiz, 46.
Na noite desta quarta-feira, em pleno Jornal Nacional, o mais influente noticioso do país, a "repórter especial" da Rede Globofoi ouvir dos senadores o que seu chefe mandou que ela ouvisse sobre o blecaute da véspera, visto que, segundo ela mesma, "o apagão invadiu a pauta política".
Depois de registrar as "cobranças" do demo José Carlos Aleluia e do tucano Arthur Virgílio, o mais inútil parlamentar brasileiro, Delis interpelou o senador Aloizio Mercadante, à guisa de "contraponto". Antes, porém, que o bigode do petista entrasse em cena, a Sra. Ortiz tascou o seguinte:
- O líder do PT no Senado, senador Aloizio Mercadante, reconheceu que falta investimento e culpou o mau tempo pelo apagão.
Ato contínuo, temos em quadro o próprio Mercadante que, olhando para a lente da verdade, sentencia:
- Não há risco de oferta de energia, ninguém vai ter que fazer racionamento, não vai faltar energia. O Brasil está preparado para crescer com oferta abundante de energia.
Na seqüência, o governador Zé Chirico e o Ministro Tarso Genro completam o relato, e nada de Aloizio Mercadante reconhecer que faltou investimento ou culpar o mau tempo pelo blecaute, como antecipara Delis.
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Clique aqui e testemunhe o nascimento de uma nova era no Jornalismo, em que, antes de ouvir o entrevistado, o repórter diz o que o entrevistado vai dizer e o entrevistado não diz o que o entrevistador disse que ele diria.
Entendeu?

Os EUA continua a ser o único país do planeta que, até hoje, detonou armas atômicas em cidades populosas

“Ameaça iraniana”? Onde?


11/11/2009, Jeff Nygaard, Counterpunchhttp://www.counterpunch.org/nygaard11112009.html

Jeff Nygaard é jornalista e ativista em Minneapolis, Minnesota. Publica um e-jornal de livre distribuição, Nygaard Notes (www.nygaardnotes.org)  

O real significado da atual histeria sobre as armas nucleares iranianas está quase completamente ocultado sob a propaganda oficial. O melhor primeiro passo no esforço para escapar das versões de propaganda é considerar os países que já têm armas nucleares; o segundo é analisar o mapa do Sudeste da Ásia.

Oito nações no mundo conhecido possuem armas nucleares. Todas são próximas do Irã, seja literalmente próximas ou próximas em sentido imperial. Cinco delas – China, França, Rússia, Reino Unido e EUA – são signatárias, oficialmente, do Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares [ing. Nuclear Nonproliferation Treaty, NPT], descrito como “principal marco do regime global de não-proliferação”. Três estados – Índia, Israel e Paquistão – também têm armas nucleares, mas não são signatárias do Tratado de Não-proliferação. E Israel “não admite nem nega ter armas nucleares”, segundo a Associação de Controle de Armas [ing. Arms Control Association], mas todo mundo sabe que Israel tem arm as nucleares; só não se sabe se são 200 ou 300 ou mais.

Consideremos então nosso mapa do Irã. Imagine-se um cidadão iraniano que olha à volta, para saber de que lado precaver-se contra alguma ameaça – nuclear ou outra. O que veem os cidadãos iranianos?

Imediatamente a oeste do Irã, está o Iraque, efetivamente sob controle dos EUA (“próximo”, em sentido imperial, é isso). As atividades secretas dos EUA orientadas para desestabilizar outros países muito frequentemente usam como base de operação as embaixadas norte-americanas; e os EUA construíram no Iraque “as maiores e mais caras instalações de todos os tempos para sua embaixada”, segundo o Christian Science Monitor. Segundo o New York Times de 9/10, “Os norte-americanos esperam que, na próxima primavera já estarão operando no Iraque a partir de seis super bases e 13 bases menores.”

Imediatamente a leste do Irã, estão Afeganistão e Paquistão. O Paquistão é dos principais aliados dos EUA, embora sempre errático; e tem seu próprio arsenal nuclear, sem qualquer regulação ou supervisão. Do mesmo modo que o Iraque a leste, o Afeganistão também é base das atividades imperiais dos EUA, mesmo que ainda não esteja sob total controle dos norte-americanos. Enquanto o governo Obama discute oficialmente o que fazer, “A CIA está deslocando para o Afeganistão equipes de agentes, espiões, analistas e pessoal paramilitar, parte de um amplo movimento de ‘avanço’ dos serviços de inteligência, que converterá a base instalada naquela região em uma das maiores de toda a história da agência”, segundo declarações de funcionários.” – Isso se leu no Los Angeles Times de 20/9 passado.

Vê-se claramente que a embaixada que terá “as maiores e mais caras instalações de todos os tempos” está instalada exatamente a oeste do Irã; e que “uma das maiores bases de toda a história da CIA” também é vizinha do Irã, a leste. Evidentemente, aí estão todos os meios para executar as repetidas ameaças que os EUA têm feito ao Irã. Os EUA não se cansam de dizer “que todas as alternativas estão sendo analisadas”, palavreado que corresponde, no código da guerra, a bem clara ameaça de ataque militar.  Não bastassem essas ameaças, o único Estado nuclear do Oriente Médio – Israel – também jamais se acanha de ameaçar o Irã. Manchete incansavelmente repetida, por exemplo nos programas noticiosos da CBS, dizia essa semana que “Israel provoc a os EUA para que ataquem o Irã.”  Dia 5/7, a Associated Press noticiou que “o vice-presidente Joe Biden assinalou que o governo Obama não criará obstáculos se Israel decidir atacar as instalações nucleares do Irã.”

Além dos países que mantêm sob ocupação, os EUA têm outras instalações de interesse militar, praticamente à volta do Irã. Não só no Iraque e no Afeganistão, mas também na Turquia, outro país que faz fronteiras com o Irã. Várias grandes bases militares dos EUA (cerca de meia dúzia, no mínimo) existem também na Arábia Saudita, na outra margem do Golfo Persa e nos Emirados Árabes Unidos – a cerca de 160-300km de distância do Irã. Outra vez, podem-se medir as distâncias no mapa.

E não se pode esquecer de incluir nesse contexto a gigantesca base dos EUA no Oceano Índico, na ilha de Diego Garcia, base à qual John Pike, da GlobalSecurity.org, refere-se como “a mais importante unidade militar dos EUA”. Essa base, usada como campo secreto de prisão e tortura, e como base de lançamento de ações terroristas contra o Iraque e o Afeganistão, leva o estranho nome de “Campo Justiça” [ing. Camp Justice]. O território do Irã pode ser rapidamente alcançado pelos bombardeiros e mísseis dos EUA estacionados em “Campo Justiça”.

O mundo às avessas

No mundo imperial, detenções ilegais e tortura são consideradas ‘justiça’. E muitos outros valores são também completamente invertidos, quando se trata de ‘noticiar’ os movimentos pelos quais o ‘império’ norte-americano se mantém.

Dia 28/9, o Irã anunciou que testara alguns mísseis; e que “os mísseis iranianos podem alcançar qualquer alvo, em qualquer local de onde parta qualquer ameaça contra o Irã.”  Matéria da Associated Press sobre esses testes levava a seguinte manchete: “Testes de mísseis iranianos fazem aumentar as preocupações.” As “preocupações” teriam aumentado, segundo a AP, porque “várias bases militares dos EUA no Oriente Médio” [passavam a ficar] “ao alcance dos mísseis iranianos”.

Nesse mundo às avessas, defender-se passou a ser agressão, porque quem se defenda ‘cria preocupações’ para os agressores.  Basta pensar um pouco:

A principal superpotência mundial mantém bases militares em todo o planeta (são mais de 700!), inclusive nos dois países atualmente sob ocupação dos EUA. Essa Superpotência possui cerca de 10.000 ogivas nucleares; continua a ser o único país do planeta que, até hoje, detonou armas atômicas em cidades populosas, matando e mutilando milhões; e é ainda a mesma Superpotência que, em 1953, derrubou o governo democraticamente eleito no Irã. 

Localizado entre os dois países atualmente sob ocupação dos EUA, e cercado por todos os lados por bases militares norte-americanas, o Irã está, isso sim, lutando incansavelmente para conquistar capacidade técnica para defender-se contra os ataques da superpotência cujas instalações militares já praticamente cercaram seu território. E é o Irã que se defende – não a sangrenta história de ocupação e violência dos EUA em todo o mundo (e naquela região) – que “faz aumentar as preocupações” da Associated Press! O Irã não desencadeou nenhuma guerra na história moderna – como bem observou o professor Juan Cole. De fato, as preocupações “aumentam”, porque está crescendo a capacidade de defesa de um Estado que os EUA ainda não conseguiram subordinar.

E aquele padrão ‘midiático’ repete-se incansavelmente. Por exemplo, em matéria divulgada pela agência UPI, dia 25/7. O lead dizia: “Irã bombardeará instalações nucleares de Israel, se Israel atacar o Irã, disse sábado o líder da Guarda Revolucionária Iraniana.” Lead normal e acurado. Mas lá estava, em letras garrafais, a manchete aterrorizante: “General iraniano ameaça instalações nucleares israelenses.”

O Irã sabe bem que a mais recente vítima de ataques militares e ocupação pelos EUA é o Iraque, nação com baixa capacidade de defesa; ao mesmo tempo, a Coreia do Norte, que já testou vários mísseis nucleares e tem reconhecida capacidade nuclear, continua sem ser atacada militarmente.

Irã irracional? Parece que não.

Desde 1979, o Irã tem sido apresentado aos cidadãos norte-americano como inimigo dos EUA; em meses recentes, abundam notícias sobre “a ameaça iraniana”. Mas o Irã foi um dos principais aliados dos EUA, antes de 1979.  Para R.K. Ramazani, professor emérito da Universidade de Virginia,  “até a Revolução Iraniana, os EUA, de fato, confiaram cegamente que o Irã faria as vezes de “guardião” da região do Golfo. Evidentemente, nada há de inerentemente ‘anti-EUA’ no Irã.”

Se o Irã é hoje uma ameaça aos EUA – e tudo que o governo dos EUA diz e faz indica que, sim, os EUA veem o Irã como uma ameaça – qual, então, seria a natureza dessa ameaça? Serão, mesmo, as armas nucleares? Parece-me pouco provável, por várias razões, algumas das quais discuto adiante.

O prof. Subhash Kapila, especialista do South Asia Analysis Group, publicou artigo, em 2006, no qual diz claramente que “com armas nucleares ou sem elas, o Irã jamais terá meios para oferecer resistência efetiva contra o poderio bélico dos EUA” – ideia que se confirma facilmente, se se consideram as informações acima, sobre bases militares dos EUA na Região.

Kapila diz também que “O principal impulso estratégico que modela a percepção de que o Irã implicaria algum tipo de ameaça aos EUA é a emergência do Irã como potência regional na Região do Golfo – com vários efeitos sobre os interesses nacionais dos EUA na mesma região.”

Gregory Aftandilian, assessor do Congresso para política exterior, acrescentou à discussão um aspecto que raramente se ouve considerado nos EUA: “o Irã não é estúpido a ponto de atacar Israel. (...) É Estado que tem milhares de anos, uma longa história. Teerã não pratica diplomacia de suicídio.”

John Negroponte, em depoimento na Comissão de Inteligência do Senado, quando era diretor do Serviço Nacional de Inteligência, em 2006, foi mais diretamente ao ponto. Para ele, “o poder militar convencional do Irã é considerado uma ameaça aos interesses dos EUA. O Irã está ampliando sua habilidade para proteger o próprio poder militar; nessa medida, ameaça a eficácia das operações dos EUA na Região – potencialmente intimidando aliados regionais de cuja solidariedade depende a eficácia das políticas norte-americanas –, e fazendo aumentar os custos da presença dos EUA e de seus aliados na Região.

“Teerã também continua a apoiar vários grupos terroristas, por considerar que esse apoio é crítico para a proteção do regime, porque aqueles grupos opõem-se a EUA e Israel, contribuem para conter ataques israelenses e norte-americanos, enfraquecem Israel e aumentam a influência do Irã na Região, por efeito da intimidação. O Hizbóllah libanês, principal aliado do Irã dentre os grupos terroristas – embora focado numa agenda nacional libanesa, e apoiando uma rede de terroristas palestinos –, mantém vasta rede mundial de contatos e é capaz de organizar ataques contra os interesses dos EUA, se sentir que seu parceiro iraniano esteja sob ameaça.”

Vale observar que, nesses discursos, “a ameaça iraniana” assume duas formas. Uma, a capacidade para contrariar “interesses dos EUA”. A outra, a competência para conter “ataques dos EUA e de Israel”, vale dizer, “competência [do Irã] para se autodefender”.

Outro fato que torna ainda mais inverossímil que os estrategistas norte-americanos estejam realmente preocupados com bombas nucleares iranianas é a evidência de que os líderes religiosos já impuseram, há anos, proibição total de armas atômicas. Em declaração do governo iraniano à Agência Internacional de Energia Atômica, em 10/8/2005, lê-se: “O líder da República Islâmica do Irã, Aiatolá Ali Khamenei emitiu Fatwa que proíbe a produção, armazenamento e uso de armas nucleares; nos termos dessa Fatwa, o Irã jamais terá armas atômicas.” Não há como duvidar da eficácia dessa Fatwa, se se acredita no que dizem os jornais – que Khamenei é o líder supr emo e real poder no Irã (embora o presidente Ahmedinejad ocupe todas as manchetes).

Nada, de fato, faz muito sentido: os mais irados disseminadores do medo ante a ‘ameaça’ iraniana baseiam sua propaganda, em parte, num alegado fanatismo religioso das lideranças iranianas. Mas uma Fatwa de Khamenei, nesse caso, não seria prova suficiente de que não há qualquer ameaça das ‘armas nucleares iranianas’: para dois pesos, duas medidas?

Resumidamente, se pode dizer que:

1.  Não há qualquer evidência de que o Irã esteja realmente produzindo armas nucleares;

2.  Se o Irã planejasse produzir armas nucleares, nada haveria de irracional ou ‘fanático’ nessa ideia, dada a gravidade das ameaças que realmente cercam o país e contra as quais é racional que o Irã procure defender-se. E ainda que a máxima irracionalidade esteja nas próprias armas nucleares, sempre haverá mais bombas atômicas irracionais em Israel e nos EUA, do que no Irã; e

3. Se o Irã de fato estiver buscando construir armas nucleares e vier a ter sucesso, a probabilidade de que essas armas sejam usadas para fins ofensivos é praticamente igual a zero.

Se se aceitam as premissas acima, é preciso buscar outra causa, diferente da chamada “ameaça nuclear iraniana”, para explicar a histeria anti-Irã que toma conta dos EUA.

O “jogo” – como dizem os geoestrategistas do ‘império’ norte-americano – consiste em defender o espaço privilegiado de um único poder regional. Só há lugar para um país-‘líder’, que modele os eventos na Região e, pelo menos, tenha poder para vetar ações intentadas por outros Estados. Os EUA querem reservar para eles mesmos esse espaço e esse posto – em parceria com seu Estado-cliente, Israel. A verdadeira “ameaça iraniana”, portanto, advém de o Irã – aos olhos dos estrategistas dos EUA – ter ou parecer ter potencial para realmente ameaçar a hegemonia da dupla EUA-Israel na Região.

O bizarro mundo que, para os norte-americanos ‘informados’ pela mídia, seria o Oriente Médio é mostrado como mundo às avessas, porque é indispensável manter ocultados os objetivos imperialistas dos EUA para toda aquela Região. Assim, é útil manter os cidadãos norte-americanos hipnotizados de medo ante uma “ameaça iraniana” que seria consequência de antiamericanismo fanático ou de fanatismo religioso. Ante tal inimigo, a única via razoável a considerar seria manter-se em guerra, sempre a postos para “atacar preventivamente” inimigo tão perigoso.

O trabalho do sistema de propaganda dos EUA para o Oriente Médio opera para criar uma percepção de que o mundo é local perigoso, cheio de armadilhas e ameaças. Por isso há “a ameaça iraniana” e a “ameaça terrorista”, exatamente como, antes, houve a “ameaça comunista”. O custo para manter o império norte-americano é muito alto, e só cidadãos aterrorizados aceitariam desperdiçar quase 700 bilhões de dólares num único ano, para manter exércitos de ocupação, como aconteceu em 2009. Esse número, já muito alto, sobe à estratosfera se se incluem os gastos com veteranos, com os programas especiais, com ajudas a países-parceiros nas guerras, com juros de dívidas de guerras passadas, e a lista é longa. O império é empreitada caríssima – e o medo, por isso, tem de ser correspondenteme nte imenso.

É importante que os norte-americanos aprendamos a ver o mundo como o mundo é, não às avessas; que aprendamos a identificar corretamente as ameaças que crescem à nossa volta. O Irã, os iranianos e suas armas nucleares com certeza não estão incluídos nessa lista de ameaças e ‘perigos’ reais.

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Quinta-feira, Novembro 12, 2009

da maneira mais infantil e infantilizadora, anti-didática e desinformativa possível...



Dois aviões se chocaram no ar e morreram duzentas pessoas? Culpa do Lula e do PT, que são incompetentes...

Os pilotos do A-320 da TAM erraram os procedimentos de pouso, em Congonhas, acelerando o avião quando deveriam freiá-lo, matando duzentas pessoas? Culpa do Lula e do PT, que são incompetentes...

Por qualquer que tenha sido a causa, houve um blecaute que deixou sem energia elétrica dezoito estados brasileiros, por cerca de 4 horas, incomodando muita gente? Culpa do Lula e do PT, que são incompetentes...

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O(a) brasileiro(a) não sabe lidar com a frustração com acidentes causados pelo erro humano, por falha técnica ou por condições climáticas.

Por complexo de inferioridade, fruto de centenas de anos de colonização, ou por não ter amadurecido enquanto nação, ou pela culpa cristã. Ou ainda por outro motivo qualquer...

A sanha anti-Lula e anti-PT das Organizações Serra (Globo, Folha, Estadão e Veja, entre outros) levam-nas a trabalhar essa dificuldade, essa Tolerância Zero com o erro humano ou com a falha técnica, da maneira mais infantil e infantilizadora, anti-didática e desinformativa possível.

O(a) brasileiro(a) pensa que erros e respectivos acidentes não podem ocorrer e esperam que, se ocorrerem, as consequências sejam irrelevantes.

Para que o(a) brasileiro(a) acelerasse o seu processo de amadurecimento e se tornasse adulto, uma imprensa sem sanha anti-Lula e anti-PT teriam que ser capazes de investir em explicar:

a) a impossibilidade da não ocorrência de erros ou acidentes. Em outras palavras, seres humanos e sistemas construídos por seres humanos são sujeitos a erros, falhas e, consequentemente, acidentes;

b) o elevado custo para reduzir a quase zero a probabilidade de ocorrência de acidentes em grandes sistemas, provenientes de falhas humanas localizadas, de falhas do próprio sistema ou daqueles decorrentes de fatores externos incontroláveis como os climáticos;

c) o elevado custo para reduzir as consequências desses acidentes;

d) a necessidade de viver com a idéia de que acidentes acontecem, com baixa, média e alta probabilidades de graves consequências e de que nem sempre é viável investir em reduzir drasticamente a probabilidade de ocorrência ou mesmo das consequências desses eventos.


Mas, é óbvio, que a imprensa somente agirá assim quando tiver um governo do seu gosto, que atenda os seus interesses comerciais e, portanto, políticos.

Enquanto Lula ou o PT estiverem numa parte da direção política deste país, o papel das Organizações Serra será o pior e mais repelente possível.

Agora, cá entre nós, já que as Organizações Serra não fazem e não farão isso, bem que o Governo Lula poderia fazê-lo, certo?

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Sanha (Houaiss)

Acepções
substantivo feminino
1 rancor, fúria, ira, desejo de vingança
2 vontade incontrolável

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Postado por Augusto da Fonseca no FBI - Festival de Besteiras na Imprensa

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Pareceu até haver um esquema de “cobertura” muito bem montado...

Teoria conspiratória

 

 

 

 Fiquei impressionado com a eficiência da imprensa. Às três da manhã, quando a energia elétrica retornou, havia montes de matérias nos portais de internet sobre um “apagão” que se abateu sobre vários Estados do Sul e do Sudeste no fim da noite de ontem. E os jornais todos saem hoje com matérias amplas sobre o assunto.

Detalhe: a falta de luz começou depois das 22 horas, muito próximo do fechamento das edições do principais jornais do país, que mostraram-se incrivelmente mobilizados para coberturas tão emergenciais. Pareceu até haver um esquema de “cobertura” muito bem montado.

O termo “apagão”, que foi o que vi no G1 e no UOL, deverá ser generalizado e explorado à farta pela mídia. Ela tentará vincular um episódio isolado e desencadeado por causa desconhecida ao racionamento de energia que ocorreu no fim do governo Fernando Henrique Cardoso devido a falta de investimentos em geração de energia naquela época.

A exploração de um episódio isolado, porém, terá vida curta... Mas será que terá mesmo? E se o episódio não for isolado e outros apagões misteriosos voltarem a ocorrer?

Chama atenção, assim, como os portais da grande mídia parecem ter organizado um plantão especial nas redações de ontem para hoje. Há uma fartura de informações em matérias longas que, repito, parecem ter precisado de um poderoso aparato jornalístico para ser produzidas

A colunista Eliane Cantanhêde, da Folha de São Paulo, por exemplo, em plena madrugada produziu uma conversinha sobre “empurra-empurra entre Itaipu e Furnas”. Eu poderia jurar que a matéria estava pronta quando acabou a luz em metade do país.

 Aí entra em cena informação divulgada pelo jornal paraguaio ‘ABC Color’ de que a primeira peça que caiu no dominó elétrico seria... de São Paulo.

Claro que tudo pode não passar de teoria conspiratória minha, mas é bom ficarmos atentos. Já imaginaram que maravilha seria, para certos grupos políticos, se outros episódios como esse continuassem acorrendo? Haveria como dizer, no ano que vem, que Lula também produziu um apagão como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

É por isso que quero recomendar ao menos ao Ministério das Minas e Energia que investigue a fundo as causas desse apagão supostamente desencadeado em São Paulo. Acredito que alguns políticos são capazes de “pisar no pescoço” de qualquer um que ameace o sucesso de seus projetos políticos, como sempre diz Ciro Gomes.

Aliás, bom mesmo seria pôr a Polícia Federal na parada. Sabotadores de linhas de transmissão podem ser contratados e poderiam agir com facilidade num país como o nosso. Sucessivos cortes de energia são tudo o que certa oposição descerebrada poderia querer no momento em que afunda nos próprios dejetos.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 04h49

O objetivo é emperrar o funcionamento da máquina federal e atirar a opinião pública contra o presidente e seus aliados

O blecaute e a Anas (Agência Nacional de Sabotagem)

 

O PT é um partido sem mídia

O PSDB é uma mídia com partido

 

Mauro Carrara

 

Para derrubar o presidente operário, ou impedi-lo de fazer o sucessor, vale recorrer a absolutamente tudo, da falsa denúncia às mais modernas técnicas de sabotagem.

 

E, agora, Arthur Virgílio, Ali Kamel, Frias Filho, FHC e José Serra conseguiram um “apagão” monumental para escurecer a imagem de Dilma Rousseff.

 

Antes de se debater o caso, cujas causas seguem envoltas na névoa do desconhecimento, vale uma análise do sistema regular de desestabilização da coisa pública.

 

No caso brasileiro, esses mecanismos de terrorismo funcionam basicamente em duas dimensões: informacional e técnica.

 

O objetivo é emperrar o funcionamento da máquina federal e atirar a opinião pública contra o presidente e seus aliados.

 

Nos últimos sete anos, a Agência Nacional de Sabotagem (Anas) promoveu inúmeros atos criminosos para desestabilizar as instituições, promover o caos e, assim, tentar devolver o poder às elites conservadoras.

 

Mas o que é, efetivamente, a Anas?

 

Trata-se de complexa e riquíssima corporação dedicada à realização de operações pontuais de destruição da imagem do governo.

 

Compõe-se de políticos golpistas, homens de negociatas (não confundir com homens de negócio), latifundiários, marqueteiros, publicitários e representantes das principais cadeias de comunicação do país.

 

As ações da Anas podem ser planejadas com meses de antecedência. Mas há pessoal especializado em detonar crises em apenas algumas horas.

 

A norma é fazer com que um escândalo suceda outro, que a série de desastres jamais tenha fim.

 

Ou seja, cada vez que um foco de incêndio é apagado, cuida-se para que outro seja aceso imediatamente.

 

A ação do Anas é sempre coordenada. À desconstrução de um mecanismo, especialmente nos serviços públicos, segue-se a violenta ação de mídia, destinada a apontar os culpados na esfera do governo.

 

Velhos arapongas e fiéis escudeiros do atraso realizam boa parte do trabalho sujo, especialmente no campo do vazamento e contaminação de informações.

 

 

Aviões, epidemias e prova do Enem

 

Nos últimos anos, os infiltrados, espertos do “duplo emprego”, agem diariamente nas casas públicas.

 

É frequente o sumiço de documentos, a “queda de sistemas informatizados” e a farta distribuição de bilhetes anônimos com denúncias e ameaças.

 

Sofre, por exemplo, quem trabalha de verdade em ministérios e escritórios da estrutura previdenciária ou da Receita Federal.

 

As grandes sabotagens acabam produzindo ecos na mídia. Ninguém se esquece do caos artificialmente criado no sistema de controle aéreo.

 

Esse braço do movimento de desestabilização era dirigido claramente por botinudos empijamados, muitos deles filiados a organizações de ultra-direita.   

 

Nessa frente, a Anas vibrou com o desastre do avião da TAM, em Congonhas, em 2.007.

 

Seguiu-se a divulgação da teoria “grooving” e a acusação de Ali Kamel ao governo federal. E, imediatamente, os golpistas saíram às ruas, encamisados pelo movimento “Cansei”.

 

Talvez confiante no sucesso da intentona, alguns de seus articuladores botaram as cabeças para fora da toca.

 

Foi o caso do presidente de uma poderosa multinacional de eletroeletrônicos e do capo de um das maiores agências de publicidade do Brasil.

 

Esse propagandeiro baiano, aliás, foi o mesmo que tratou de disseminar o terror psicológico em seu segmento após a queda do Lehman Brothers, em Setembro de 2.008.

 

Há inúmeros casos de ações de sabotagem puramente midiática. Uma delas foi liderada pela palpiteira que serve de articulista para o jornal da família Frias.

 

A boneca “Emília” das redações instaurou o pânico na população, propagandeando o avanço irrefreável da peste amarela.

 

Por conta desse ato de sabotagem, gente incauta perdeu a vida ao tomar doses desnecessárias da vacina.

 

O mesmo jornal, em outra ocasião, construiu uma peça ficcional de terror, ao antecipar que milhões de brasileiros contrairiam a Gripe Suína, e que muitos morreriam por causa da doença.

 

O abilolado Hélio Schwartsman escreveu que a moléstia atingiria até 35 milhões de pessoas em dois meses. Também afirmou que de 3 milhões a 16 milhões de brasileiros precisariam de atendimento médico.

 

Na época, a Anas mobilizou-se também para dar voz à nova Francenilda, a receiteira mulher do ex-ministro de FHC. O alvo? Dilma Rousseff.

 

Mais adiante, a agência compôs o roteiro sinistro e bizarro da divulgação antecipada da prova do Enem.

 

Primeiramente, estranha-se (?) que a gráfica palco da farsa seja ligada a uma das empresas jornalísticas que encabeçam o permanente movimento golpista.

 

Os responsáveis oficiais pela sabotagem, na verdade, não procuraram simplesmente auferir  do ato criminoso o lucro fácil e rápido.

 

Ao contrário, empenharam-se em entregar a prova aos dois maiores jornais de São Paulo.

 

Os ladinos sabiam, obviamente, que jamais receberiam os tais R$ 500 mil exigidos em troca dos exemplares do exame.

 

O motivo presumível? Queriam se passar por meliantes comuns.

 

No caso do Estadão, note-se que um dos bandidos fala em “derrubar o Ministério”.

 

Logicamente, o pessoal da Anas tem como proteção a tradicional barreira de laranjas e colaboradores voluntários do baixo clero sabotador.

 

 

A pânico do blecaute

 

A mídia já trata de associar de confundir fatos e conceitos, associando o blecaute de 2009 à crise estrutural do sistema, obra do governo privateiro de Fernando Henrique Cardoso.

 

No início da década, o Brasil sofreu um colapso no sistema energético. Simplesmente, não havia como atender à demanda.

 

O país se apagou por decreto governamental e retornou ao tempo da vela e da lamparina. O prejuízo ultrapassou a casa de US$ 50 bilhões, segundo os cálculos mais modestos.

 

Na época, a indústria e o comércio puxaram o freio. Sobre o Brasil, deitou-se a sombra pesada da incompetência tucana.

 

No governo Lula, o sistema foi inteiramente remodelado. Usinas geradoras foram construídas em tempo recorde. Novas linhas de transmissão ampliaram a malha de transporte de energia.

 

O Brasil, hoje, produz energia suficiente para atender à demanda do crescimento econômico.

 

Somente o desejo de enganar a opinião pública, portanto, justifica a comparação entre o blecaute pontual de 2009 e a crise energética do início da década.

 

No caso dos eventos de 10 e 11 de Novembro, convém considerar, sim, a hipótese de sabotagem.

 

Em várias ocasiões, os serviços de inteligência norte-americanos apontaram a ação de hackers como causa de blecautes regionais no Brasil.

 

“Coincidentemente”, há poucos dias, foi esse o assunto do programa “60 minutes”, da rede norte-americana CBS.

 

Convém lembrar que um hacker não é necessariamente um moleque espinhudo que usa tênis All-star e tenta conquistar o mundo enquanto bebe o Nescau espumante que a mamãe lhe preparou.

 

Há hackers muito mais sofisticados, que vendem seus serviços a grupos de interesse nos campos da política e dos negócios.

 

O grande problema é que dificilmente uma instituição sabotada e hackeada divulga a verdadeira natureza desses golpes.

 

Ao admitir que foi sabotado, qualquer governo expõe-se como vulnerável.

 

Menos mal, por enquanto. Temos luz. E, desta vez, não houve fogo, explosão e vítimas fatais.


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