terça-feira, agosto 13, 2019

Os atos em favor da educação aconteceram em mais de 200 cidades em todo o país. É o Brasil na luta por educação de qualidade.#Tsunami13Agosto

 CURITIBA

 RECIFE


Os atos em favor da educação aconteceram em mais de 200 cidades em todo o país. É o Brasil na luta por educação de qualidade. #Tsunami13Agosto
https://twitter.com/i/status/1161419759902167046  

Na Paulista, milhares de estudantes protestam contra desmonte da Educação

Milhares de estudantes, professores, trabalhadores, ativistas de movimentos sociais ocupam na noite desta terça-feira (13) vão do Masp e parte da avenida Paulista, em São Paulo, em protesto contra o corte de recursos da Educação e contra a reforma da Previdência; manifestações ocorrem em mais de 50 cidades

https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/na-paulista-milhares-de-estudantes-protestam-contra-desmonte-da-educacao

Pepe Escobar analisa a nova etapa da guerra EUA-China

quarta-feira, agosto 07, 2019

O POVO SEM MEDO ESTÁ COM LULA - BOLSONARO & LAVAJATO COMEM NO MESMO TACHO


LULA LIVRE - LAVAJATO NA CADEIA - MORO DEU UM PASSO MAIOR QUE AS PERNAS

Lebbos e Lava Jato, 

que colocaram vida de Lula em risco, 

perderam de 10 a 1 no STF


A decisão praticamente unânime do Supremo Tribunal Federal que suspendeu a transferência forçada do ex-presidente Lula foi uma dura derrota para Sérgio Moro e para a Lava Jato; decisão da juíza Carolina Lebbos reuniu contra ela parlamentares de 12 partidos, da esquerda à direita, e permitiu que o STF inicie a retomada do estado de Direito, que pode culminar com a anulação da sentença ilegal contra Lula 

https://www.brasil247.com/brasil/lebbos-e-lava-jato-que-colocaram-vida-de-lula-em-risco-perderam-de-10-a-1-no-stf

Direto do STF - Partidos se mobilizam em defesa da democracia !! LULA LIVRE JÁ

MORO QUER DESVIAR A ATENÇÃO DA VAZAJATO. Juiz que mandou Lula para Tremembé foi nomeado por Moro em Brasília. A portaria que transforma Sorci em titular no Conselho Nacional de Política Penitenciária foi publicada em 26 de fevereiro de 2019. MORO SABE O QUE VEM POR AÍ...


247 - O juiz corregedor Paulo Eduardo de Almeida Sorci, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a transferência do ex-presidente Lula para a Penitenciária II de Tremembé "José Augusto César Salgado", localizada no interior de São Paulo. A informação é do jornal O Globo. 
O juiz atendeu a pedido formulado pela juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebbos, que determinou nesta quarta a remoção do ex-presidente da carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba para uma unidade prisional de São Paulo, atendendo a um pedido da PF.

https://www.brasil247.com/brasil/lava-jato-quer-colocar-lula-em-tremembe-e-coloca-em-risco-sua-seguranca-8o3emkg8#.XUr2ZJUdGFc.whatsapp


Jornal GGN – O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, que escolheu nesta quarta (7) o presídio de Tremembé 2 para Lula cumprir o restante da pena no caso triplex, foi nomeado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, para um cargo no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, em Brasília.
A portaria que transforma Sorci em titular no Conselho foi publicada em 26 de fevereiro de 2019. Seu mandato vai até 28/03/2021.
Sorci é coordenador e corregedor do Departamento Estadual de Execuções Criminais de São Paulo. Ele escolheu o presídio comum para Lula após a juíza de execução penal Carolina Lebbos, que cuidava da prisão do petista em Curitiba, acolher pedido da Polícia Federal e decidir pela remoção do ex-presidente da Superintendência.

https://jornalggn.com.br/politica/juiz-que-mandou-lula-para-tremembe-foi-nomeado-por-moro-em-brasilia/


NOVA ARAPUCA DA LAVAJATO PODE SER PARA DESVIAR A ATENÇÃO DOS ESQUEMAS DE MORO E DALLAGNOL NA VAZAJATO E CRIAR MAROLA ANTES DO JULGAMENTO NO STF.



(Foto: Ricardo Stuckert | Reprodução)

Defesa de Lula se posiciona contra decisão de Carolina Lebbos

247 - O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Luiz Inácio Lula da Silva, posicionou-se contra a transferência do ex-presidente de Curitiba, onde ele está preso, para São Paulo.
"Pedimos a suspensão da análise do pedido da Superintendência da Polícia Federal até o julgamento final do habeas corpus nº 164.493/PR, em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal", diz um trecho da nota. "Conforme definido no último dia 25/06, a 2ª. Turma do Supremo Tribunal Federal deverá retomar em breve o julgamento do mérito do habeas corpus que apresentamos com o objetivo de reconhecer a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e a consequente nulidade de todo o processo e o restabelecimento da liberdade plena de Lula".

Leia a íntegra da nota:
Em manifestação protocolada em 08/07/2019 nos autos do Incidente de Transferência nº 5016515-95.2018.4.04.7000, em trâmite perante a 12ª. Vara Federal de Curitiba, pedimos a suspensão da análise do pedido da Superintendência da Polícia Federal até o julgamento final do habeas corpus nº 164.493/PR, em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal. 
Conforme definido no último dia 25/06, a 2ª. Turma do Supremo Tribunal Federal deverá retomar em breve o julgamento do mérito do habeas corpus que apresentamos com o objetivo de reconhecer a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e a consequente nulidade de todo o processo e o restabelecimento da liberdade plena de Lula.  
Em caráter subsidiário, requeremos naquela mesma petição de 08/07/2019 que na hipótese de ser acolhido o pedido formulado pela Superintendência da Policia Federal de Curitiba, fossem requisitadas informações de estabelecimentos compatíveis com Sala de Estado Maior, com a oportunidade de prévia manifestação da Defesa.   
No entanto, a decisão proferida hoje (07/08) pela 12.a Vara Federal de Curitiba negou os pedidos formulados pela Defesa e, contrariando precedentes já observados em relação a outro ex-presidente da República (TRF2, Agravo Interno no Habeas Corpus nº 0001249-27.2019.04.02.0000) negou ao ex-presidente Lula o direito a Sala de Estado Maior e determinou sua transferência para estabelecimento a ser definido em São Paulo.  
A Defesa tomará todas as medidas necessárias com o objetivo de restabelecer a liberdade plena do ex-Presidente Lula e se assegurar os direitos que lhe são assegurados pela lei e pela Constituição Federal.  
Cristiano Zanin Martins

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Lava Jato tenta colocar Lula em cela coletiva

A intenção da Lava Jato com a transferência de Lula para São Paulo parece ser a de lançá-lo no inferno do universo prirsional e colocá-lo num presídio comum do Estado. Em seu despacho, a juiza Carolina Lebbos negou a suspensão da análise do pedido de transferência feito pela PF -a defesa de Lula pediu que se aguardasse a decisão do STF quanto à libertação do ex-presidente. Ela negou também o pedido para que ele seja recolhido a sala de Estado Maior. 

https://www.brasil247.com/brasil/lava-jato-tenta-colocar-lula-em-cela-coletiva

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Dino: Lula não tem que ser transferido, tem que ir pro semi-aberto

Após a decisão judicial que determinou a transferência de Lula de Curitiba para São Paulo, publicada nesta quarta-feira (7), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-MA), lembrou que a prisão do ex-presidente é arbitrária e reivindicou o direito do ex-presidente ao regime semi-aberto

https://www.brasil247.com/brasil/liderancas-politicas-repercutem-transferencia-de-lula-e-cobram-sua-liberdade



domingo, agosto 04, 2019

Falácia da privatização para redução da dívida da Petrobras - estudo detalhado sobre o tema e agora um vídeo





Na divulgação dos resultados do 2o trimestre de 2019, a atual direção da Petrobrás reafirma que os desinvestimentos são necessários para reduzir o endividamento.
 
Nossa Associação reitera que as reduções da dívida e da alavancagem da Petrobrás têm sido utilizadas como pretexto para a privatização dos ativos da companhia.

A Petrobrás reduziu sua dívida líquida de US$ 115,4 para US$ 69,4 bilhões e sua alavancagem (dívida liquida / EBITDA ajustado) de 4,25 para 2,20, entre o final de 2014 e de 2018.
Nesse mesmo período de quatro anos, a Petrobrás vendeu ativos no valor de US$ 18,72 bilhões. Deste total, os valores efetivamente recebidos em caixa totalizaram US$ 11,81 bilhões.


Esta dívida poderia ser reduzida, mesmo sem a entrada no caixa dos US$ 11,81 bilhões. Na realidade, as privatizações tiveram influência pouco relevante, de apenas 25%, na redução do endividamento líquido da companhia entre o final de 2014 e de 2018.

Publicamos estudo detalhado sobre o tema e agora um vídeo.

Peço sua ajuda na divulgação.

sds,
Felipe Coutinho
Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

quinta-feira, agosto 01, 2019

Desde março, o governo Bolsonaro cortou o envio de água da transposição do Rio São Francisco até Monteiro, na Paraíba. A obra pronta desde 2017, e Bolsonaro simplesmente interrompe o fluxo de água para o sertão. É incompreensível e desumano. E silêncio na imprensa. #RecadoDoLula

Bolsonaro corta água da transposição e Lula reage: é desumano

Obra planejada e executada nos governos Lula e Dilma, a transposição das águas do Rio São Francisco não está atendendo à população de Monteiro (PB) por decisão de Jair Bolsonaro; é o que denuncia o ex-presidente Lula; "A obra pronta desde 2017, e Bolsonaro simplesmente interrompe o fluxo de água para o sertão. É incompreensível e desumano. E silêncio na imprensa. #RecadodoLula"

A emboscada de Dallagnol

quarta-feira, julho 24, 2019

O modo lúmpen de estar no mundo



Por Cristóvão Feil (*)
27/04/2004 00:00

Zygmunt Bauman exalta a capacidade da narrativa dos romancistas de iluminarem os meandros da experiência humana de estar no mundo. O grande sociólogo contemporâneo, nascido na Polônia, faz essa constatação para espicaçar a academia e o que ele considera a alienação de alguns profissionais de ciências sociais. Para Bauman, a literatura consegue alcançar os interstícios, as frinchas da realidade, onde a pesquisa sociológica jamais chegou. Para ele, os literatos são capazes de “reproduzir a não-determinação, a não-finalidade, a ambivalência obstinada e insidiosa da experiência humana e a ambigüidade de seu significado”. E para ilustrar cita Borges, Tolstói, Balzac, Dickens, Dostoiévski, Kafka, Thomas Morus. Mas poderia ter citado um conterrâneo seu, que, a exemplo dele, fez a sua vida profissional na Inglaterra e, portanto, em língua inglesa, que foi Joseph Conrad.

Conrad é o autor de “O coração das trevas”, alegoria (uma seqüência de metáforas) sobre as conquistas coloniais do capitalismo concorrencial do século 19. Barra pesada. Se Marx, n’O Capital, já havia ido fundo nas denúncias ilustrativas das desumanidades do moderno sistema produtor de mercadorias nas suas fases de acumulação primitiva e concorrencial, Conrad agudiza sua literatura até o ponto do horror. O personagem narrador é Marlow, protagonista de uma aventura que penetra “nos sombrios domínios do inferno particular” de uma empresa privada, exploradora de marfim na África. Homens-bagaço sugados à exaustão. Canibais recrutados como mão-de-obra informal e que, impedidos da dieta alimentar correspondente a sua condição antropológica, dedicam-se a engolir carne podre de hipopótamo, e cujo salário se resume a três pedaços de arame por semana, preciosa moeda de troca naqueles “confins de ermas solidões”. Conrad cria nesse romance um personagem mítico chamado Kurtz (depois decalcado no filme de Coppola, Apocalypse Now [1979], completamente fora desse contexto), um sujeito internado no coração das trevas, uma ponta de lança do capitalismo, agente avançado da modernidade burguesa no seio da barbárie, cuja fortaleza-sede é decorada com cabeças humanas genuínas, para mostrar com quem estão falando. “Toda a Europa contribuíra para a confecção de Kurt” – escreve Conrad. Ele é a síntese mais acabada do etos da modernidade. A Sociedade Internacional para a Supressão dos Costumes Bárbaros (e só falta Conrad completar, debochadamente, “...e pró adoção de modernos barbarismos”) confiou a Kurtz o preparo de um relatório sobre a África. O relatório contém pérolas do tipo: “nós os brancos, considerando o progresso que já tínhamos alcançado, devemos forçosamente ser encarados por eles (os selvagens) como seres sobrenaturais”; “chegamos a eles investidos dos poderes de uma divindade”; para concluir com a aterradora sentença de morte – “Exterminemos todos os bárbaros!”. As semelhanças fundamentalistas com a presente conjuntura mundial não são mera coincidência.

Bem antes de Michel Foucault, Conrad já denunciava, através de sua literatura, o discurso da “luta de raças” funcionar como princípio de eliminação, de segregação e, finalmente de normalização da sociedade (Foucault)...

Veja, também, que Conrad aponta o uso astucioso do imaginário mágico-mítico das populações autóctones. Kurtz, o homem-síntese da Europa civilizada, da Europa duas vezes desencantada-desmagificada-racionalizada-intelectualizada (Max Weber), tanto pela ética religiosa judaico-cristã, quanto pelo espírito do racionalismo científico, não hesita em lançar mão de expedientes considerados primitivos, como a idolatria e o sobrenatural, com objetivos de submissão, conquista e normalização.

Alguns comentadores (nem chegam a ser críticos) afirmam levianamente que Kurtz enlouquece na selva, que perde o juízo, tendo em vista a selvageria e a barbárie com as quais convive por anos a fio. Nada mais etnocêntrico. Como se a hipotética “loucura” viesse de fora, como se fosse inoculada pela relação promíscua com os selvagens. Considerar assim seria uma simplificação grosseira, além, de irrelevante. Como indivíduo, ele, de fato, fica sensivelmente abalado com o que provocou naquele lugar: “O horror! O horror!” Mas como agente social da modernidade burguesa, Kurtz tem as taxas de lucidez e as taxas de demência em doses flutuantes de equilíbrio e controle racionais para, tanto impor sua vontade de predador da Natureza (humana, animal e vegetal), quanto para – com método e determinação – traficar espíritos, força de trabalho semi-escrava e mercadorias com objetividade de propósitos sincronizados a uma rede de negócios comerciais na distante Europa. Onde está a loucura disso? Muito ao contrário, sente-se o tom permanente da acuidade, da expertise, da logística complexa e da organicidade sistêmica em todas essas ações gerenciais de predação da Natureza, nas suas várias formas de vida. É a “arte da guerra” a serviço da rapinagem comercial. E a rapinagem não é somente de elefantes e seus cobiçados marfins, ela corrompe por igual o ambiente inteiro, dissolvendo, sobretudo, o homem e a sua cultura. A cogitada “loucura” de Kurtz é como o procedimento do feiticeiro – lembrado por Marx, no Manifesto – que, incapaz de controlar os poderes ocultos desencadeados por seu feitiço, vê-se vítima de seus efeitos. Os danos causados, no limite, levam perigo ao próprio empreendimento colonial europeu, seus patrões. A “loucura” é – a rigor – um lento processo de lumpenização do personagem. Kurtz não enlouquece, transforma-se num lúmpen. Em alguém que se descola de sua classe e, incapaz de voltar ao seio de uma vida burguesa, torna-se um marginal imprudente que coloca em risco a mecânica do sistema. Simbolicamente, ele seria o lúmpen fundamental, o lúmpen essencial.

Como um Fausto lúmpen pós-moderno, se envenena com as emanações maléficas de seus próprios feitos. Se o Fausto de Göethe era moderno, o Fausto lúmpen representa a pós-modernidade. Vive os limites fisiológicos do dia-a-dia. Como um cão que desconhece o seu futuro, o lúmpen pós-moderno só tem o presente. Vive tão-somente a unidimensional existência fisiológica, como qualquer animal.

O trem do capitalismo já passou pela estação da modernidade e transita agora pela estação da pós-modernidade. Cada vez menos setores, classes e indivíduos cabem nesse sinistro trem da história. Abandonados pelo caminho, vão sobrando todos os rejeitos do moderno sistema produtor de mercadorias. O lúmpen é a escumalha que fica no rastro desse itinerário perverso. O grande personagem pós-moderno é o lúmpen, “o lixo de todas as classes”, “massa desintegrada” (Marx), desgovernada que é vomitada pelo sistema, todos os dias. Cresce como cogumelo na vida social contemporânea. Estamos em plena invasão lúmpen, fenômeno dinâmico que produz um etos, uma cultura e perfis sociológicos que lhes correspondem. Há punhados de exemplos. O mais recente no Brasil é o da proliferação dos bingos, jogo-lúmpen que servia de fachada para toda a sorte de atividade marginal e anti-social. Felizmente o governo federal teve a coragem de fazer cessar essas usinas de lumpesinato. Em que pese, o causador dessa proibição ter sido outro personagem lúmpen que assola a República, o do barbabé-quadrilheiro que trafica influências e recursos públicos para fins pessoais e privados. A crescente criminalização da vida social é uma derivação da dinâmica lúmpen. O crime passa a constituir-se em força produtiva e meio de vida para milhões de pessoas. Manifesta-se, no plano econômico, de múltiplas e criativas formas: “acordos e cartéis, abusos de posição de liderança, dumping e vendas casadas, delitos de iniciados e especulação, absorção e desmembramento de concorrentes, balanços falsos, manipulações contábeis e de preços de transferências, fraude e evasão fiscal por filiais off shore e sociedades virtuais, desvio de créditos públicos e mercados fraudados, corrupção e comissões ocultas, enriquecimento ilícito e abuso de bens sociais, vigilância e espionagem, chantagem e delação, violação do direito do trabalho e da liberdade sindical, da higiene e da segurança, das cotizações sociais e ambientais” (Brie). A vanguarda é o lúmpen.

A lavagem de fundos ilícitos pelos principais bancos dos Estados Unidos constitui uma fonte importante de fluxos externos para aquele país. Uma subcomissão do Senado americano calculou essa cifra em torno de 500 bilhões de dólares/ano. São recursos de múltipla origem: desde o narcotráfico, máfia russa e japonesa até o caixa dois de companhias multinacionais, depósitos de paraísos fiscais “legalmente” tolerados. Tráfico de tudo: novos narcóticos sintéticos, cocaína, armamento pesado, órgãos humanos, alta prostituição, falsificação de grifes (muitas vezes pelos próprios proprietários, com o intuito de aproveitar o crescente mercado-lúmpen informal em todas as grandes cidades do mundo), pirataria na informática e na indústria fonográfica, o tráfico de animais (só este tráfico, movimenta anualmente cerca de 20 bilhões de dólares), etc.

Toda a inteligência e logística estatal norte-americana do serviço secreto que era empregado na Guerra Fria onde opera, hoje? Ganha um doce quem disser que é na nova guerra econômica pela americanização de fundos legais e ilegais (fundos-lúmpen), tanto faz. A moeda é uma mercadoria vil que procura proteção máxima; e os EUA podem dispor de meios para garantir-lhe segurança e rentabilidade.

O comércio mundial anual situa-se, hoje, “ao redor de 5 trilhões de dólares, calcula-se que 20% por via do crime, ou 1 trilhão de dólares” (Brie). Essa riqueza-lúmpen é administrada lisa e serenamente pelos grandes bancos do planeta, por grandes escritórios de advocacia, mega-corretores, intermediários diversos, gerentes e diretores de trustes e fiduciárias, constituindo um bolão-lúmpen que é lavado todos os dias, em quantidades parcelares, pela chamada economia legal. Essa mega lavanderia-lúmpen cobra pedágio em vidas humanas. A Rocinha é apenas um exemplo nacional que ilustra essa internacional-lúmpen da violência naturalizada.

O crescimento mundial da dinâmica lúmpen é um indicativo evidente da enfermidade estrutural do sistema produtor de mercadorias. Os filhos de Kurtz proliferaram e querem ser vanguardas da anomia social. O modo lúmpen de estar no mundo é o último capítulo da saga Iluminista. A montanha liberal pariu ratos que roem a humanidade do homem. À esquerda acomodada, restam apenas podres poderes.

Na foto: Joseph Conrad


(*) Cristóvão Feil é sociólogo e ensaísta.