domingo, janeiro 25, 2015

"Grecia deja atrás la austeridad del desastre".



Alexis Tsipras: Grecia deja la austeridad tras cinco años de humillación

Alexis Tsipras, líder de la izquierda en Grecia. | Foto: Agencias
Publicado 25 enero 2015 (Hace 1 hora 46 minutos)

Desde la Universidad de Atenas, el líder de Syriza Alexis Tsipras, se pronunció ante miles de simpatizantes que celebraron la victoria de la izquierda.

El líder del Partido Syriza, Alexis Tsipras, y vencedor de las elecciones griegas de este domingo, afirmó que "el pueblo le ha dado un mandato claro", que supone que Grecia cambia de rumbo y "deja la austeridad tras cinco años de humillación".
"El pueblo debe recobrar su dignidad, el optimismo, la sonrisa...ese es el mensaje primordial", afirmó Tsipras ante miles de seguidores y simpatizantes de Syriza que se aglomeraron en la Universidad de Atenas.
“El veredicto de nuestro pueblo significa que se acabó la troika", en referencia a los principales acreedores del país, la Unión Europea (UE) y el Fondo Monetario Internacional (FMI), añadió Tsipras, de 40 años. “Hoy perdió la Grecia de los oligarcas y de los corruptos", dijo.
“Esta victoria es también la de todos los pueblos de Europa que luchan contra la austeridad que destroza nuestro futuro común", expresó el líder político.
Por su parte, el primer ministro saliente griego, Andonis Samará, expresó que “los griegos han hablado y respetamos su decisión”, tras conocerse los primero resultados de los comicios, que otorgan la victoria a Syriza con el 35,11 por ciento.
Tsipras sostuvo que es consciente de que el pueblo griego no le ha dado un cheque en blanco "sino un mandato para reorganizar el país".
En contexto
En 2010, la UE y el FMI concedieron a Grecia un paquete de “rescate” de más 240 millones de euros para solventar su economía. A cambio de estos “rescates”, el Gobierno aprobó una serie de medidas de austeridad que ahogaron a los griegos: reducción del salario, pensiones mínimas, reducción de la inversión en sanidad, la educación y otros servicios públicos, mientras que aumentaron los impuestos y se eliminaron puestos de trabajo.
Elecciones históricas
Los ciudadanos helenos decidieron este domingo el destino de su país y eligieron entre dos opciones: Continuar con una política tradicional que sigue el modelo neoliberal, representado por el partido conservador Nueva Democracia; o apostar por una política progresista que busca reestructurar la economía del país e iniciar una nueva etapa democrática, representado por el Partido Syriza, que siempre fue favorito en las encuestas.
Unos 9 millones 800 electores fueron convocados a votar en este proceso, catalogado como el más importante de los últimos años.
Las elecciones en Grecia transcurrieron con normalidad luego de que las autoridades electorales abrieran las urnas a las 07H00 locales (05H00 GMT). 


O PREÇO DA FANTÁSTICA FÁBRICA DE PROPAGANDA DA GLOBO

Stella de Mendonça @StellaMendonca 22 minHá 22 minutos
Gente, o Fantástico iniciou seu tema de terror, ligando falta d'água com energia, culpando Gov Fereral ! Que absurdo !
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3 outras respostas
Luiz Müller @luizmuller 14 minHá 14 minutos
@_el_conde @stellamendonca Tem um monte de pessoas na minha TL falando da baixaria no Fantástico passando agora.
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Jules Vallès @LeCommunard 5 minHá 5 minutos
@luizmuller @_el_conde @StellaMendonca Estavam preparando o terreno na sexta.Vejam as manchetes dos jornais da Globo. 



    Porque a Rede Globo tem tanta saudade do PSDB?


quinta-feira, janeiro 22, 2015

Dilma em La Paz, para a posse do presidente reeleito, Evo Morales.


HOMENAGEM
Dilma já está em La Paz, para a posse do presidente reeleito, Evo Morales.
Ao desembarcar, foi recebida por autoridades bolivianas e pelo prefeito de El Alto, Edgar Ticona, por quem foi homenageada como "hóspede ilustre" da cidade. Confira mais fotos em instagram.com/dilmarousseff




segunda-feira, janeiro 12, 2015

Que desfilem. Zumbis de cérebros esvaziados e hipócritas

                                Tim Anderson: alguém já viu tantos criminosos numa fila só?

11/1/2014, The Saker, (nova) rede The Vineyard of the Saker
http://www.vineyardsaker.net/brainwashed-zombies-and-hypocrites/

Quer dizer que mais de 3 milhões de pessoas tomaram as ruas de Paris, inclusive 40 chefes de estado, para denunciar o assassinato de 17 vítimas dos ataques de terroristas takfiris semana passada... Mas... ONDE ESTAVAM TODOS ELES, antes?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Afeganistão? Ninguém sabe, ninguém viu.  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra os xiitas da Arábia Saudita? Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra os xiitas do Bahrain?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo da Chechênia?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo sérvio?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo líbio?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo sírio? Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Iraque?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Curdistão?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Líbano? Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo da Nigéria?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Paquistão?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo da Índia? Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo da Rússia?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo da Somália?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Quênia? Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Iêmen? Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo da Argélia? Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo da Indonésia?  Ninguém sabe, ninguém viu?

ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Irã?  Ninguém sabe, ninguém viu?

Por que sumiram?

Mais algumas perguntas

Não crucificaram, talvez, bebês na Argélia?  Não torturaram reféns em vídeos, na Chechênia? Não varreram a tiros casamentos na Bósnia? Não explodiram bombas na Indonésia? Afegãos não foram, talvez, esfolados vivos? Não mantiveram reféns com lobos, em tocas, na Chechênia? Não torturaram até a morte e crucificaram na Síria?

Ou será que há vítimas inocentes mais vítimas inocentes que outras?

Por que, quando a Europa apoia takfiris sírios e nazistas ucranianos, não se veem 3 milhões de pessoas em protesto, pelas ruas?

Quantos daqueles 3 milhões de pessoas e 40 chefes de estado realmente não sabem que o takfirismo tem sido atenta, apaixonada e cuidadosamente cultivado, alimentado, organizado, financiado, treinado, federado, apoiado, armado e protegido pelo Império Anglo-sionista?

Quantos daqueles 3 milhões de pessoas e 40 chefes de estado realmente não sabem que o takfirismo é uma monstruosidade, com duas funções – pode ser lançado contra os que se atrevem a desobedecer o Império; e aterroriza quem, no ocidente, resista contra o estado policial?

Será que algum dia aprenderão?

Nada daquilo foi novidade. Dia 11/9, o povo dos EUA foi literalmente adestrado para reagir com medo e histeria. Funcionou perfeitamente, e todos sabemos como acabou: com grandes guerras e milhões de (iraquianos) mortos.  Muitos norte-americanos simplesmente pararam de pensar, onde havia análise cuidadosa foi substituída por reação de pânico. Hoje, a Europa está fazendo exatamente o mesmo. Mesmas causas sempre levam aos mesmos resultados. Será que algum dia aprenderão?

E quem, afinal, é o inimigo?

Ah, sim, eles têm sido muito ‘vagos’ quanto a isso. “Não somos contra o Islã!!”, “o Islã é religião de paz!!”, “nada temos contra muçulmanos!!!”.

Ah, sim, sim, claro!

A verdade é que, enquanto “eles” nada têm contra “o Islã” e contra “bons muçulmanos”, “eles” TAMBÉM, como quem nada quer, pensam que “o multiculturalismo falhou” e que “o Islã é incompatível com as sociedades ocidentais.” Não só isso, mas também, dado que “maus muçulmanos” tendem a esconder-se entre “bons muçulmanos”, o melhor é ficarmos todos no “lado seguro” e manter “olho bem vivo” sobre todos “os muçulmanos”, para o caso de algum deles de repente, sem aviso, virar suicida-bomba jihadista doido. Correto?

ERRADO!

Já perceberam como TODOS aqueles doidos takfiris “por acaso” têm MUITOS contatos com todos os tipos de serviços ocidentais de segurança? É como congresso da Ku Klux Klan nos EUA: de cada dez participantes, dois são débeis mentais e oito são agentes federais trabalhando disfarçados. O mesmo acontece nos grupos takfiris. Então, os dois débeis mentais fazem alguma coisa realmente péssima, e os oito agentes federais evanescem “sem deixar rastros” (ou se suicidam). E isso teria algo a ver com o Islã? Claro que não.

Isso só tem a ver com o estado profundo e com a manipulação, por agentes infiltrados, de provavelmente todos os grupos terroristas em ação no planeta.

Eis a pergunta que realmente faz muito melhor sentido: deve-se temer mais os muçulmanos, ou deve-se temer mais os serviços ocidentais de segurança que cuidadosamente manipulam os doidos takfiri?

A verdade é que as mesmas agências ocidentais de segurança que controlam os doidos takfiri querem que nós todos odiemos os muçulmanos. Por quê? Simplesmente para criar uma atmosfera de caos social, confronto entre civis e, mesmo, guerra civil. Assim, enquanto todos nos ocupamos na caçada aos “muçulmanos do mal”, as mesmas agências ocidentais de segurança podem continuar o próprio trabalhinho.

Assim sendo, o que podemos fazer?

Simples! Nossos mestres & senhores imperiais querem que façamos exatamente três coisas:

– que nos aterrorizemos;
– que sejamos tomados pelo ódio;
– que paremos de pensar.

Assim sendo, tudo que temos de fazer é:

– não temer;
– amar; e
– pensar.


É realmente muito simples. Se nos deixarmos aterrorizar, se odiarmos e se pararmos de pensar – eles vencem. Se não nos deixarmos aterrorizar, se amarmos cada vez mais e se pensarmos sempre mais e melhor – nós vencemos. O Império deles foi construído de medo, de ódio e de estupidez. Podemos derrubá-lo com coragem, amor e inteligência.

O que se viu [ontem] em Paris foram 3 milhões e 40 chefes de estado em passeata, por duas razões básicas: alguns já estão descerebrados, sofreram lavagem cerebral pelo frenesi ‘midiático’; outros foram à rua por razões políticas. 3 milhões de zumbis de cérebros esvaziados e hipócritas. Que desfilem.

Quanto a nós, temos de declarar alto e em bom som que NÃO FOMOS apanhados naquela mesma armadilha, que eles NÃO ESTÃO poluindo com ódio a nossa alma, e com estupidezes, o nosso cérebro. Que, se há milhões de zumbis de cérebros esvaziados e hipócritas, há bilhões de pessoas capazes de ler através da tela de mentiras, e que rejeitam totalmente essa “paisagem mental” de ódio, medo e estupidez.

[assina]
The Saker

quarta-feira, janeiro 07, 2015

FELIZ ANO NOVO ! O BRASIL NÃO É FEITO SÓ DE LADRÕES.


(Jornal do Brasil) - Inaugura-se, nesta quinta-feira, novo ano do Calendário Gregoriano, o de número 2015 após o nascimento de Jesus Cristo, 515, depois do Descobrimento, 193, da Independência, e 125, da Proclamação da República.

Tais referências cronológicas ajudam a lembrar que nem o mundo, nem o Brasil, foram feitos em um dia, e que estamos aqui como parte de longo processo histórico que flui em velocidade e forma muitíssimo diferentes daquelas que podem ser apreendidas e entendidas, no plano individual, pela maioria dos cidadãos brasileiros.

Ao longo de todo esse tempo, e mesmo antes do nascimento de Cristo, já existíamos, lutávamos, travávamos batalhas, construíamos barcos e pirâmides, cidades e templos, nações e impérios, observávamos as estrelas, o cair da chuva, o movimento do Sol e da Lua sobre nossas cabeças, e o crescimento das plantas e dos animais.

Em que ponto estamos de nossa História ?

Nesta passagem de ano, somos 200 milhões de brasileiros, que, em sua imensa maioria, trabalham, estudam, plantam,  criam, empreendem, realizam, todos os dias.

Nos últimos anos, voltamos a construir navios, hidrelétricas, refinarias, aeroportos, ferrovias, portos, rodovias, hidrovias, e a fazer coisas que nunca fizemos antes, como submarinos - até mesmo atômicos - ou trens de levitação magnética.

Desde 2002, a safra agrícola duplicou - vai bater novo recorde  este ano -  e a produção de automóveis, triplicou.

Há 12 anos, com 500 bilhões de dólares de PIB, devíamos 40 bilhões de dólares ao FMI, tínhamos uma dívida líquida de mais de 50%, e éramos a décima-quarta economia do mundo.

Hoje, com 2 trilhões e 300 bilhões de dólares de PIB, e 370 bilhões de dólares em reservas monetárias,  somos a sétima maior economia do mundo. Com menos de 6% de desemprego, temos uma dívida líquida de 33%, e um salário mínimo, em dólares, mais de três vezes superior ao que tínhamos naquele momento.

De onde vieram essas conquistas?

Do suor, da persistência, do talento e da criatividade de milhões de brasileiros. E, sobretudo, da confiança que temos em nós mesmos, no nosso trabalho e determinação, e no nosso país.

Não podemos nos iludir.

Não estamos sozinhos neste mundo. Competimos com outras grandes nações, que conosco dividem as 10 primeiras posições da economia mundial, por recursos, mercados, influência política e econômica, em escala global.

Não são poucos os países e lideranças externas, que torcem para que nossa nação sucumba, esmoreça, perca o rumo e a confiança, e se entregue, totalmente, a países e regiões do mundo que sempre nos exploraram no passado - e ainda continuam a fazê-lo -  e que adorariam ver diminuída a projeção do Brasil sobre áreas em que temos forte influência geopolítica, como a África e a América Latina.  

Nosso espaço neste planeta, nosso lugar na História, foi conquistado com suor e sangue, por antepassados conhecidos e anônimos, entre outras muitas batalhas, nas lutas coloniais contra portugueses, holandeses, espanhóis e franceses; na Inconfidência Mineira, e nas revoltas que a precederam como a dos Beckman e a de Filipe dos Santos; nas Conjurações Baiana e Carioca, na Revolução Pernambucana; na Revolta dos Malês e no Quilombo de Palmares; na Guerra de Independência até a expulsão das tropas lusitanas; nas Entradas e Bandeiras, com a Conquista do Oeste, da qual tomaram parte também Rondon, Getúlio e Juscelino Kubitscheck; na luta pela Liberdade e a Democracia nos campos de batalha da Europa, na Segunda Guerra Mundial.

As passagens de um ano para outro, deveriam servir para isso: refletir sobre o que somos, e reverenciar patriotas do passado e do presente.

Brasileiros como os que estão trabalhando, neste momento, na selva amazônica, construindo algumas das maiores hidrelétricas do mundo, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio; como os que vão passar o réveillon em clareiras no meio da floresta, longe de suas famílias, instalando torres de linhas de alta tensão de transmissão de eletricidade de centenas de quilômetros de extensão; ou os que estão trabalhando, a dezenas de metros de altura, em nossas praias e montanhas, montando ou dando manutenção em geradores eólicos; ou os que estão construindo gigantescas plataformas de  petróleo com capacidade de exploração de 120.000 barris por dia, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, como as 9 que foram instaladas este ano; ou os que estão construindo novas refinarias e complexos petroquímicos, como a RENEST e o COMPERJ, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; ou os que estão trabalhando na ampliação e reforma de portos, como os de Fortaleza, Natal, Salvador, Santos, Recife, ou no término da construção do Superporto do Açu, no Rio de Janeiro; ou os técnicos, oficiais e engenheiros da iniciativa privada e da Marinha que trabalham em estaleiros, siderúrgicas e fundições, para construir nossos novos submarinos convencionais e atômicos, em Itaguaí; os técnicos da AEB - Agência Espacial Brasileira, e do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que acabam de lançar, com colegas chineses, o satélite CBERS-4, com 50% de conteúdo totalmente nacional; os que trabalham nas bases de lançamento espacial de Alcântara e Barreira do Inferno; os oficiais e técnicos da Aeronáutica e da Embraer, que se empenham para que o primeiro teste de voo do cargueiro militar KC-390, o maior avião já construído no Brasil, se dê com sucesso e dentro dos prazos, até o início de 2015; os operários da linha de montagem dos novos blindados do Exército, da família  Guarani, em Sete Lagoas, Minas Gerais, e os engenheiros do exército que os desenvolveram; os que trabalham na linha de montagem dos novos helicópteros das Forças Armadas, na Helibras, e os oficiais, técnicos e operários da IMBEL, que estão montando nossos novos fuzis de assalto, da família IA-2, em Itajubá; os que produzem novos cultivares de cana, feijão, soja e outros alimentos, nos diferentes laboratórios da EMBRAPA; os que estão produzindo navios com o comprimento de mais de dois campos de futebol, e a altura da Torre de Pisa, como o João Candido, o Dragão do Mar, o Celso Furtado, o Henrique Dias, o Quilombo de Palmares, o José Alencar, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; os que estão construindo navios-patrulha para a Marinha do Brasil e para marinhas estrangeiras como a da Namíbia, no Ceará; os engenheiros que desenvolvem mísseis de cruzeiro e o Sistema Astros 2020 na AVIBRAS; os que estão na Suécia, trabalhando, junto à Força Aérea daquele país e da SAAB, no desenvolvimento do futuro caça supersônico da FAB, o Gripen NG BR, e na África do Sul, nas instalações da DENEL, e também no Brasil, na Avibras, na Mectron, e na Opto Eletrônica, no projeto do míssil ar-ar A-Darter, que irá equipá-los; os nossos soldados, marinheiros e aviadores, que estão na selva, na caatinga, no mar territorial, ou voando sobre nossas fronteiras, cumprindo o seu papel de defender o país, que precisam dessas novas armas;  os pesquisadores brasileiros das nossas universidades, institutos tecnológicos e empresas privadas, como os que trabalham ITA e no IME, no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, ou no projeto de construção e instalação do nosso novo Acelerador Nacional de Partículas, no Projeto Sirius, em São Paulo;   os técnicos e engenheiros da COPPE, que trabalham com a construção do ônibus brasileiro a hidrogênio, com tubinas projetadas para aproveitar as ondas do mar na geração de energia, com a construção da primeira linha nacional de trem a levitação magnética, com o MAGLEV COBRA; nossos estudantes e professores da área de robótica, do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, várias vezes campeões da Robogames, nos Estados Unidos.   

Neste momento, é preciso homenagear esses milhões de compatriotas, afirmando,  mostrando e lembrando - e eles sabem e sentem profundamente isso - que o Brasil é muito, mas muito, muitíssimo maior que a corrupção.

É esse sentimento, que eles têm e dividem entre si e suas famílias, que  faz com que saíam para trabalhar, com garra e determinação, todos os dias, cheios de  orgulho pelo que fazem, e pelo nosso país.

E é por causa dessa certeza, que esses brasileiros estão se unindo e vão se mobilizar, ainda mais, em 2015, para proteger e defender as obras, os projetos e programas em que estão trabalhando, lutando, no Congresso, na Justiça, e junto à opinião pública, para que eles não sejam descontinuados, destruídos, interrompidos, colocando em risco seus empregos, sua carreira, e a  sobrevivência de suas famílias.

Eles não têm tempo para ficar teclando na internet, mas sabem que não são bandidos, que não cometeram nenhum crime e que não merecem ser punidos, direta ou indiretamente, por atos  dos quais não participaram, assim como a Nação não pode ser punida pelos mesmos motivos.


Eles têm a mais absoluta certeza de que a verdadeira face do Brasil pode ser vista nesses projetos e empresas - e no trabalho de cada um deles - e não na corrupção, que se perpetua há anos, praticada por uma ínfima e sedenta minoria. E intuem que, às vezes, na História, a Pátria consegue estabelecer seus próprios objetivos, e estes conseguem se sobrepor aos interesses de grupos e segmentos daquele momento, estejam estes na oposição ou no governo.

sábado, dezembro 27, 2014

“O quintal dos EUA já não é a América Latina: é a Europa”


20/12/2014, Roy Chaderton – Embaixador venezuelano na Organização dos Estados Americanos, OEA - Comunidade Saker-Latinoamerica (entrevista a Bruno Sgarzini)
http://www.vineyardsaker.es/america-latina-y-el-caribe/roy-chaderton-el-patio-trasero-de-estados-unidos-ya-no-es-america-latina-sino-europa/

“Essa é outra história que tem a ver com ‘alisar’ a praia, antes da invasão: o homem (...) começa a ganhar bem, casa-se, tem um filho e compra um cachorro, é convidado para fazer uma conferência em Harvard; e é ali que o homem acaba de ser ‘alisado’, de vez: porque deixa de ver o império como império, apanhado na rede dessas formas não violentas de cooptação. É o que aconteceu a alguém como [Fernando] Henrique Cardoso, que se uniu aos comícios antichavistas.”

“Nada mais fácil que se pôr a ‘denunciar’ e ameaçar deixar o governo cada vez que as coisas ficam difíceis. Criticar não é coisa que se possa fazer levianamente, para livrar a própria cara, cada vez que surge um problema. A crítica deve ser manejada como arma. A crítica revolucionária não é muleta para fazer andar moralistas reacionários.”

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O embaixador venezuelano na Organização dos Estados Americanos, OEA, Roy Chaderton, ajuda a nos apartar do liberalismo dominante e a desconstruir a narrativa com a qual o anglo-sionismo construiu sua dominação global e deseja perpetuá-la.

Segundo essas novas coordenadas, Chaderton reconstrói o relato a partir de sua experiência como chanceler e diplomata de carreira na Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, dentre outros países. O que se segue é uma entrevista que é preciso ler.

PERGUNTA: Na atualidade há grande disputa por energia, dentro, inclusive, das rotas planejadas para o transporte da mesma energia, enquanto a China edifica as Novas Rotas da Seda que a podem levar a ser uma das principais potências do mundo, em meio à eclosão de uma nova ordem multipolar – como Chávez anteviu. Qual sua visão nesse contexto de luta para criar essa nova ordem, com os EUA que tentam impedir que seja criada promovendo conflitos cada vez mais intensos e mais difíceis de explicar?

Roy Chaderton, embaixador da Venezuela na OEA:  Lembro, de quando era embaixador em Londres, de uma visita oficial ao secretario de Relações Exteriores da Grã-Bretanha. Ele disse que as próximas guerras seriam por energia e pela água. E se há recursos que nos sobram nesse continente e na Venezuela são exatamente esses, tão importantes para o desenvolvimento da humanidade e das nações. Como razões para mais guerras, energia e água estão sempre presentes, sejam grandes guerras, miniguerras, guerras ocultas e subterrâneas e no reaparecimento de formas racistas e de opressão, as quais, inclusive, se veem nos próprios EUA, onde a tragédia do racismo continua. E pode-se ver que persiste lá uma estrutura social totalmente racista, apesar das aparentes formas de igualdade e acesso equitativo a posições sociais.

Nesse contexto, também se vê a exacerbação do poder econômico e o crescimento desmedido da ditadura dos veículos da imprensa-empresa de massas. Talvez valha a pena relembrar que a guerra ‘midiática’ não começou em Roma nem na Grécia, nem com as revoluções panfletárias, mas começou, simplesmente, em 1887 – ano em que a empresa ‘midiática’ Hearst enviou um correspondente a Cuba, para que desenhasse in loco imagens da guerra de independência.

Aconteceu que quando o artista chegou a Havana, viu que não havia o que desenhar, e pediu autorização para voltar aos EUA, porque estava sem ter o que fazer em Cuba, porque não havia guerra alguma a desenhar. William Hearst, patrão do ‘jornalista’, respondeu: “Desenhe as imagens, que eu desenho a guerra”.

A partir disso gerou-se uma campanha ‘jornalística’ feroz contra a Espanha, até que, um ano depois, estava ancorado em Havana, não se sabe por quê, um encouraçado dos EUA, chamado “Maine”. Esse navio foi o pretexto para que os EUA entrassem em guerra contra a Espanha, atacassem a Espanha e começassem a intervir no processo de independência de Cuba.

A primeira grande operação-golpe clandestina

“A guerra ‘midiática’ de quarta geração continua, e que ninguém confie na ‘mídia’, porque por trás da ‘mídia’ vem a guerra real, mesmo que por outros meios, e mesmo que as redes sociais tenham aplicado importantes derrotas às tais ‘mídias’.”

Quase 38 anos depois daquele ‘evento’, foi realizado o filme Cidadão Kane, o qual, pela primeira vez, denunciava a imbricação entre os interesses da imprensa-empresa e das elites econômicas e políticas.

Claro que as guerras geradas pela ‘mídia’ continuaram, apesar de algumas resistências individuais. Já nos anos 50s, o senador McCarthy, católico e bêbado, moveu campanha ensandecida contra todos e quaisquer que fossem acusados de alimentar simpatias ou militância comunista, socialista e marxista, e atacou muitos jornalistas. Na resistência contra McCarthy, destacou-se o jornalista Edward Murrow (...). E nos anos 60 e 70, em plena guerra do Vietnã, destacou-se o jornalista Walter Cronkite, da CBS, o primeiro a informar o que realmente se passava lá. (...)

Hoje em dia já são uma corporação militar industrial, financeira e ‘jornalística’, e esse é o poder que está enlouquecido e inventa guerras como a do Iraque, onde o governo dos EUA e a imprensa-empresa norte-americana levaram ONU e a comunidade internacional a atacar um país que não ameaçava a segurança dos EUA.

Exemplos como esses há milhares, e o que vemos hoje é uma unificação crescente dos veículos da imprensa-empresa de direita contra os movimentos sociais e os povos livres. Especialmente na Venezuela, que a imprensa-empresa apresenta como ditadura violadora dos direitos humanos, mesmo ante a evidência de que os EUA são os principais responsáveis por esses delitos no mundo e controlam as organizações que fazem as falsas denúncias.

O poder da imprensa-empresa combinado ao poder político já penetrou tudo. Antes, a América Latina produzia lutadores e lutadoras importantes, por exemplo, as Mães da Praça de Maio; agora, só se ouve falar de especialistas em ‘direitos humanos’ que fazem uma defesa acomodatícia e oportunista de um legalismo esterilizado. Vez ou outra, até que se pode admitir que um ou outro caso das ditas ‘violações de direitos humanos’ corresponda a casos politicamente significativos e relevantes, mas, em geral, a dita ‘defesa de direitos humanos’ não passa de grande mentira que se harmoniza perfeitamente com a guerra mundial pela energia e pela água da qual falamos. Eles nos roubam água e petróleo. E tantos, por aí, a reivindicar vagos ‘direitos humanos’...

A “nação excepcional e indispensável” contra a América Latina (e o mundo)

É tão forte o ataque no plano continental, que é como se estivéssemos na defensiva. Na verdade, estamos, sim, em movimento de ofensiva: nossos países andam hoje muito melhor do que antes, com movimentos sociais e a esquerda em crescimento, com suas respectivas características e diferenças.

PERGUNTA: O senhor falou de uma imprensa-empresa, em confluência com o poder econômico e político e também com o poder militar. O senhor falou de vários fatos que estão acontecendo, recapitulou rapidamente o que os ultracapitalistas chamaram de “Fim da História”, com a ascensão dos EUA como ‘xerife mundial’ (o Iraque é o grande exemplo), e agora uma forte repressão contra os movimentos sociais e os países que defendem a própria soberania. Como essa ofensiva está articulada contra a América Latina?

Roy Chaderton, embaixador da Venezuela na OEA: O império mostra cada vez mais abertamente suas misérias. Penso, mesmo, que ruirá de dentro para fora, mas acho que não acontecerá durante minha vida. Por hora, estão caindo cascalhos da pedra do muro que protege o império e que, um dia, foram estruturas monolíticas indestrutíveis. Seja como for, a guerra ‘midiática’ de 4ª geração continua, e não se pode relaxar porque, depois dela vem a guerra real, mesmo que por meios diferentes e mesmo que as redes sociais já tenham aplicado boas derrotas ao tal poder ‘midiático’.

Em termos militares, sempre fizeram o que fazem os Marines: primeiro, bombardeiam para ‘alisar’ a praia; na sequência, chegam as tropas de invasão e ocupação. No caso da Venezuela, esse ‘alisamento’ é feito pela imprensa-empresa; tem o objetivo de nos fazer sentir-nos mal, fracos, errados, viciosos, ignorantes. Fazer-nos crer que o país onde vivemos é o pior do mundo, o mais corrupto, o mais pervertido.

É tão forte o ataque no plano continental, que às vezes parece que estamos na defensiva, mas não. Nossos países estão hoje muito melhores do que antes, os movimentos sociais estão crescendo, a esquerda vai aos poucos se re-estruturando, com suas diferenças. E o povo responde ao que os governos progressistas lutam para assegurar.

Na Nicarágua, por exemplo, todos comem, e é hoje o país mais seguro do continente. Na Bolívia todos comem e os bolivianos têm dinheiro e distribuem uma prosperidade que antes nunca conheceram porque sempre lhes foi roubada, como acontecia também aqui na Venezuela. São coisas básicas. Antes de grandes sofisticações e complexíssimas aspirações nacionais ou individuais, é preciso garantir o básico. O direito mais básico, de todos, é o direito à vida. Para isso é preciso comer. A educação também é direito de todos. Sem ela, a vida é sempre miserável. De fato, hoje, em muitos países do continente está em curso uma revolução pacífica, porque se o estado oferece e garante educação e formação para o povo, estou transferindo instrumentos que as massas podem usar para defender-se e derrotar os bandidos.

Chávez sempre disse que não vivemos tempos de luta armada, mas tempos de confiar no povo e que o levante aconteça pelo voto popular. É claro que algo está acontecendo, porque se vê que os países do Caribe, que tiveram a formação conservadora dos britânicos, já estão apoiando a Venezuela e já não se deixam levar pelo cabresto pela OEA. Acontece quando a alma é mais forte que o medo e as ameaças, e há gente que não se encolhe e não baixa a cabeça em circunstâncias difíceis e nunca, em nenhuma circunstância, rouba ou se deixa corromper, por muito que esteja em jogo.

Mas estamos vivendo momentos de imenso perigo, porque o império está desesperado e seus aliados estão com medo.

O quintal dos EUA já não é a América Latina: é a Europa. E a OEA já não é o ministério das colônias dos EUA. Muita coisa mudou.

Recompor situações?

Os estados-nação estão sob ameaça e sob risco de serem fragamentados, como consequência do avanço do projeto daquele 1% cujo principal interesse é criar um Estado global, com sede nos EUA, e que haja grande massa de desempregados, efeito de uma nova fase no uso das tecnologias, o que gera ameaças e crises. Porque esse modelo de civilização carece de guerras e mais guerras e de intermináveis conflitos.

A ascensão dos movimentos populares tem a ver com isto, porque quando se ouve falar sobre fragmentação dos estados-nação a primeira ideia que ocorre é o caso da Iugoslávia, que era independente do poder dos EUA, onde conviviam nações de diferentes origens e culturas. E a Iugoslávia foi partida numa guerra estimulada pelos EUA contra a Sérvia, apoiada pela Croácia, que era estado semifascista, com católicos de extrema direita.

O que estamos vendo acontecer na Ucrânia é semelhante e assombroso, porque a OTAN e os EUA tentam obter o que nem Napoleão nem Hitler jamais conseguiram: cercar e sufocar a Rússia. E tentam fragmentar a Ucrânia.

Mas na América Latina não foi muito diferente. Vimos recentemente na Bolívia a ‘meia lua’ separatista, imediatamente contida por uma reunião da Unasur no Chile. Não há dúvidas de que esses movimentos separatistas são estimulados. Na Venezuela, são os grupos separatistas de Táchira e Zulia, que ficaram conhecidos por seu “Plano Balboa”.

O estado de Zulia, por exemplo, poderia ser autárququico, posto que tem energia, produz alimentos nas terras mais férteis da Venezuela e tem fronteiras internacionais e acesso ao mar. Em teoria, seria local ideal para provocar uma divisão de dentro para fora, gerando atritos entre países, criando condições para confrontos, até que a ONU e os EUA encontrem meios para intervir para “recompor” a situação.

Interessante é que, hoje, já se encontram focos não convencionais de resistência para os que temos visão de mundo de esquerda; e por todos os lados se veem nacionalistas de direita anti-norte-americanos. Há até alguns espaços de interesses comuns convergentes. Mas não há dúvidas de que o mais característico é que o império vive seu período de máxima paranoia. Se se considera o que me disse certa vez um embaixador gringo na Venezuela, que “todas as políticas são locais”, o significado disso tudo é que a política externa dos EUA já está sequestrada pelos cubanos da Florida, estado que garante total impunidade para terroristas e é ‘lar’ da escória do continente.

PERGUNTA: O senhor falou das intenções separatistas em Zulia y Táchira, do abrandamento da cabeça de praia e da ofensiva contra os povos livres. Nesse contexto, qual a força do povo venezuelano, para derrotar a tentativa de restauração conservadora?

Roy Chaderton, embaixador da Venezuela na OEA: Os imensos progressos que se realizaram nos últimos anos. Os que antes não comiam, agora comem. Num país onde todos estão estudando e onde já não há analfabetos – o que até a ONU já reconheceu – quem antes nem chegava à escola primária hoje já está alfabetizado e já completou os estudos fundamentais; quem nem chegava à escola secundária, idem; quem jamais antes chegara à universidade, hoje está formado. Cada um desses venezuelanos converte-se em instrumento de defesa do sistema que lhe deu dignidade – e que começou com a chegada do chavismo ao governo da Venezuela.

Por isso se vê que estamos nas ruas defendendo nossa revolução, mas não a defendemos com machado e fuzil. Nós a defendemos com um exemplar da Constituição Bolivariana. É realmente espetáculo maravilhoso, independente do que tenhamos de fazer ainda pelas armas. Quem empunha a Constituição está aprendendo que seus direitos e sua dignidade não estão plenamente conquistados, que as pessoas apenas começaram a conhecer os próprios direitos e a própria dignidade com o processo venezuelano. São como um exército se reserva para a resistência.

Por outro lado, essas mesmas pessoas são o alvo selecionado para ser atacado pela ditadura ‘midiática’, da imprensa-empresa do império. Acho, sim, que é preciso chamar as coisas pelo nome: é uma ditadura. E os EUA não são democracia, não são ‘império democrático’: são uma plutocracia.

Sobre o quê, especificamente, o senhor está falando?

Estou dizendo que o que há em Washington é governo dos ricos. Abraham Lincoln falava da democracia como governo do povo, para o povo e pelo povo, e em certo sentido cumpriu. Mas o que há hoje é governo dos ricos e para os ricos. Só será senador se for milionário ou se tiver milionários que o apoiem. A imprensa-empresa é concentrada e foi silenciada, mas não pela censura oficial que conhecemos na América Latina e, sim, pela censura das grandes empresas ‘midiáticas’, que vendem lixo ao seu público consumidor, geram cada dia mais fanatismo religioso e mantêm seus consumidores isolados do que se passa no mundo.

Porque ‘informação’ é só a que convenha aos EUA. Se Washington bombardeia e tortura em Faluja, Iraque, ninguém sabe disso nos EUA. Os EUA são país terrivelmente mal informado e sem cultura geral, com veículos de imprensa-empresa que existem para reproduzir e ensinar às multidões o que haja de mais banal, de mais baixo, de mais vil. Difícil imaginar algo mais repugnante que um reality shows no qual é entrevistado um homem que engravidou a própria avó, ali em cena, ao lado dele, barriguda. E de repente os dois se põem a brigar, e entram em cena leões-de-chácara que apartam a briga.

Toda essa porcaria é inventada nos EUA. Daí também que os EUA sejam os maiores produtores mundiais de pornografia. Simultaneamente são puritanos e horrorizam-se quando o presidente dos EUA tem uma experiência de felação e é entrevistado exibindo uma lata de Coca-Cola.[1] Também é o país onde alguém pode perder cargo para o qual tenha sido eleito se for apanhado com outra mulher que não a própria esposa, como aconteceu ao governador da Carolina do Norte, quando se soube que mantinha ‘um caso’ com uma argentina, e foi visitá-la no país dela, pensando que “ninguém descobriria”.
Façam-me o favor! Nesses ‘critérios’ moralistas misturam-se crueldade, maldade e o mais perfeito ridículo.

Os EUA são império que vai desaparecer. Ainda demora e eu, com certeza, não estarei vivo para ver.

Por que não verá?

Roy Chaderton, embaixador da Venezuela na OEA: Porque prevejo que não acontecerá no curto prazo. Tomara que eu esteja enganado. Mas a verdade é que derrubar o império não é empreitada simples. É império rico e armado. Além do mais, o complexo industrial-militar é hoje mais forte que nunca. No Vietnã, por exemplo, quem mais enriqueceu foi a empresa Halliburton, que fornecia tudo, de tanques de guerra a hambúrgueres. Tudo isso é sigiloso, tudo é protegido, todo o esforço acadêmico e intelectual dos EUA está dirigido para a guerra; os drones são produto das guerras. Agora, alguém sentado na Califórnia ou no Texas aperta um botão frente a uma tela de computador e mata à distância quem apareça ali, na sua ‘lista de matar’.

Tentativas de guerra civil e atentados divisionistas

Muita gente quebrou, inclusive pessoas do 4 de fevereiro. A palavra “lealdade” é muito importante.

PERGUNTA: Com a guerra de 4ª geração, estão tentando levar a Venezuela a um confronto civil, como na Síria, mas esse cenário foi desarticulado nas mais recentes tentativas de golpe. Como a Revolução Bolivariana articula sua liderança nesse contexto, quando a reação se mostra tão violentamente beligerante?

Roy Chaderton, embaixador da Venezuela na OEA:  Há um dito que ensina que, para dançar um tango, é preciso que haja dois interessados em dançar. Também para uma guerra civil, é preciso que haja dois lados interessados. Já temos 15 anos de processo revolucionário na Venezuela e não houve guerra civil, porque, primeiro, tínhamos a sabedoria de Chávez, depois, a sabedoria de Maduro. Quando se vê o que houve em Altamira vê-se que havia um assalto planejado para desarticular os militares e aquilo estava sendo apresentado como se fosse alguma insurreição. Chávez deixou que a coisa se esvaziasse e em três meses já nada havia na ‘praça’.

Na Venezuela não temos cultura de guerra civil. Tivemos guerra civil, sim, na Guerra Federal e na Independência, guerras nas quais perdemos 1/3 da população. Passamos por situações difíceis, combates internos, golpes de Estado, processos de desestabilização, mas, por uma ou outra razão sempre se produziram processos de conciliação. Depois da guerra subversiva dos anos 60s e 70s, nos reconciliamos no processo de pacificação. Os guerrilheiros desceram da montanha, não mataram ninguém nem foram mortos e alguns deles, hoje, estão na ultradireita!

Essa é outra história que tem a ver com o ‘alisamento’ da praia: o homem sofreu tanto como guerrilheiro, ferido, fugindo de tropas militares, comendo mal, arriscando a vida... e depois encontra respeito e reconhecimento da classe governante. Começa a ganhar bem, casa-se, tem um filho e um cachorro, é convidado para fazer uma conferência em Harvard e é ali que o homem acaba de ser ‘alisado’ de vez: porque deixa de ver o império como império, apanhado na rede dessas formas não violentas de cooptação. É o que aconteceu a alguém como [Fernando] Henrique Cardoso, quando se une aos comícios antichavistas, como Joaquín Villalobos.

Uma coisa é que se tornem moderados ou racionais, porque não se faz revolução com doidos varridos. É preciso ser racional, é claro, como Jesús Faría, economista marxista-leninista dos mais respeitados, que disse, há pouco tempo, que é claro que temos de ajudar alguns empresários a manter a produção, porque sem isso seria o desabastecimento; e que não é possível infernizar a vida dos empresários com medidas burocráticas ‘pensadas’ por ‘esquerdistas’ de merda ou burocratas, porque, com isso, nós também ajudamos a desestabilizar o país. É claro que é preciso pensar racionalmente. Não há outro meio para promover cada vez mais justiça social, mais igualdade, democracia e liberdade.

PERGUNTA: Há pouco tempo, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, disse que há chavistas que falam como chavistas, mas não são chavistas; e que há um setor muito conhecido da esquerda que ameaçou deixar o governo se suas demandas não forem atendidas. Que lhe parece?

Roy Chaderton, embaixador da Venezuela na OEA: Nada mais fácil que se pôr a ‘denunciar’ e ameaçar deixar o governo cada vez que as coisas ficam difíceis. Criticar não é coisa que se possa fazer levianamente, para livrar a própria cara, cada vez que surge um problema. A crítica revolucionária deve ser manejada como arma. A crítica revolucionária não é muleta para fazer andar moralistas reacionários. Denuncie muito, ponha-se a criticar... e você está salvo! Se tudo vai bem, você elogia em segredo. Se as coisas vão mal, você critica em público. Muita gente pensa assim, e a imprensa-empresa existe para dar ‘meios’ a essa gente e vender a ilusão de que alguém estaria criticando para transformar. De fato, a ‘crítica’ que a imprensa-empresa distribui é crítica para conservar: repetir e reproduzir. Muita gente quebrou, inclusive pessoas do 4 de fevereiro. A palavra “lealdade” é muito importante.

Também há os que causam danos ao processo revolucionário, de dentro para fora. Um burocrata, por exemplo, que inventa e impõe dificuldades e empecilhos à ação popular. No serviço público, o revolucionário tem de mostrar que ama o próprio povo. Mas se, porque está no governo, alguém se sente ‘superior’, só porque está do lado de ‘lá’ da mesa, e há um homem ou uma mulher muito pobre do lado de ‘cá’ da mesma mesa, aí está alguém que é um perigo para a revolução. Os incompetentes, os arrogantes e os inconsequentes, saibam ou não, atrasam a revolução e ajudam a reação. *****



[1] Sobre isso ver “Desdobramentos do caso Monica Lewinsky influenciam áreas como política, jornalismo, costumes e feminismo. Escândalo modela EUA no fim do século”, Carlos Eduardo Lins da Silva, Folha de S.Paulo, 29/11/1998: Os ‘pêlos (sic) pubianos na lata de Coca-Cola’, que tanto escandalizaram o país em 1991, eram brincadeira de criança se comparados aos charutos e vestidos de agora, e as acusações de Hill eram muito menos substantivas do que as de Paula Jones ou Kenneth Starr.” [NTs].

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Leia com muita atenção. Um texto fundamental para compreender o tamanho das forças e embates que estamos vivendo desde a eleição de Lula. A importância histórica do PT e dos governos Lula/Dilma para nós trabalhadores. E o motivo da campanha sistemática de criminalização do PT e suas lideranças.

Uma defesa da política econômica de Dilma

Dilma conduziu a política econômica com grande habilidade até agora. É de conhecimento geral que os resultados sociais melhoram significativamente em termos de emprego, salários, inclusão social e oferta de serviços públicos, como educação e saúde. Se fizermos uma comparação internacional, concluiremos que os resultados econômicos e sociais do Brasil justificam uma medalha de ouro, especialmente se considerarmos os obstáculos políticos e econômicos que foram enfrentados. A capitã de nossa nau fez uma travessia exitosa em meio a tormentas.
Essas não são informações novas. O debate eleitoral deixou isso claro. O que consideramos novo é a nossa tese de que a baixa taxa de crescimento média durante o mandato não mancha o fato de que a estratégia geral da política econômica foi sábia e estava no caminho correto.
O Tripé
Para chegarmos a essa conclusão herege, precisamos compreender que o condicionante principal da política econômica, o Tripé, é uma camisa de força que só pode levar a 3 resultados: crescimento muito baixo, apreciação cambial, que causa desindustrialização, ou o estouro das  próprias metas. Nenhum outro resultado é possível.
Podemos dividir o Tripé em quatro fases, FHC, Lula 1, Lula 2 e Dilma. Na fase FHC, tivemos crescimento baixo, estouro da meta de inflação e estouro da meta de superávit primário. No período Lula 1, tivemos forte apreciação cambial, que levou à desindustrialização no mandato seguinte. O câmbio começou seu 1º mandato em um patamar muito competitivo, mas terminou valorizado. No período Lula 2, houve apreciação cambial com desindustrialização acelerada, que continuou no início do período Dilma em razão do efeito retardado do câmbio sobre a indústria. No mandato de Dilma, tivemos crescimento baixo e estouro da meta de superávit primário.

Obviamente é um modelo que tem péssimos resultados para exibir. Os resultados sistematicamente ruins do Tripé decorrem do fato de que ele não foi concebido para ser uma doutrina permanente de gestão da política econômica.
O Tripé é uma jabuticaba. Só existe no Brasil. E ele não foi criado de forma como um arcabouço único como exibem hoje. Foi resultado de diferentes soluções conjunturais para resolver problemas de curto prazo que restringiam o governo em 1999, no início 2º mandato do FHC.
O câmbio flutuante não foi uma escolha, mas uma derrota que o mercado impôs sobre a teimosia do Gustavo Franco, Presidente do Banco Central no 1º mandato de FHC. Essa insistência quebrou o Brasil e lhe obrigou a se submeter ao FMI em busca de empréstimos para sobreviver.
O FMI exigiu que o Brasil deixasse o câmbio flutuar. E de fato não havia alternativa a isso. Na impossibilidade de manter o câmbio fixo, como desejava, o governo FHC desistiu de sua antiga política cambial.
O FMI também exigiu que o governo adotasse uma meta de superávit primário. Ele preferia uma meta de superávit nominal, que inclui os gastos com juros. Porém, os juros extremamente elevados e suas oscilações na época tornavam o superávit nominal incontrolável a partir de políticas fiscais. A única forma de o governo ter controle sobre o superávit nominal seria reduzindo as despesas com juros para patamares próximos ao de outros países. Isso desagradaria o setor financeiro. A solução foi uma meta de superávit primário, mantendo assim a política de juros altos intocada.
A meta de superávit primário passou assim a funcionar como um mecanismo de estabilização da dívida líquida, que seria útil em um contexto de juros muito altos e crescimento muito baixo. Foi uma forma de dar legitimidade e sustentabilidade aos juros muito altos e ao baixo crescimento.
A meta de inflação teve como função impor uma regra rígida e clara de conduta para a política monetária. Com isso o governo limitaria as expectativas de desvalorização cambial, pois os especuladores poderiam calcular a partir das estimativas de inflação, quando o governo iria aumentar os juros. Em tese, como o aumento dos juros prejudica os especuladores, esses parariam coordenadamente de especular antes que fosse necessário que o governo aumentasse os juros para inibi-los. Assim as meta de inflação foi útil para reduzir os custos da política de controle da taxa de câmbio, custo esse que é medido pela necessidade de aumentar a taxa de juros. Foi útil em 1999, quando as expectativas de desvalorização cambial eram muito elevadas.
O problema do Tripé é que ele a torna a política econômica pró-cíclica e, portanto, limita a capacidade do governo retirar a economia da recessão ou estagnação. O Tripé impede o governo de fazer política econômica de forma independente dos humores e da “confiança” do mercado financeiro nacional e internacional. Através dele, a política fiscal é constrangida pela meta de superávit primário. A política monetária é completamente atrelada à corrida atrás da meta de inflação. E essas metas são definidas, até por pressão do setor financeiro, de forma a que o governo tenha pouca margem de manobra.
Somente anos depois de criado, o Tripé foi promovido como “Deus ex-machina”, a solução sagrada para todos os problemas. Isso aconteceu principalmente depois da eleição do Lula. Essa sacralização do Tripé pela imprensa brasileira acabou tornando a política econômica do governo Lula e Dilma muito limitada e manteve o governo com baixa capacidade de tirar a economia da recessão. Tripé faz com que o crescimento econômico dependa do “humor” e “confiança” do mercado e não das políticas governamentais de estímulo à demanda. O governo fica assim dependente dos “mercados”, que foram favoráveis em boa parte do governo Lula e desfavoráveis em boa parte do governo Dilma.
O Tripé impõe uma regra previsível e rígida de conduta ao governo, uma regra reativa ao mercado e, portanto, sob o controle indireto dos “humores” desse último. Quando o humor do setor financeiro nacional ou internacional piora, esse para de financiar os investimentos e a bolsa ou passa a comprar dólares. Com isso a economia para de crescer ou a inflação sobe e o governo é obrigado a aumentar os juros para conter o câmbio, ou cortar planos de investimentos públicos para fazer com que o crescimento dos gastos acompanhe o baixo crescimento da arrecadação. O Tripé é uma regra que torna o governo refém do “mercado” financeiro.
O Tripé de Lula
Por isso, em situações normais, o Tripé produz baixo crescimento ou o descumprimento das próprias metas. Foi assim com FHC e com Dilma. A grande diferença foi a forma como cada um deles reagiu à tendência estagnacionista do modelo.
Lula deu sorte de poder manter a taxa de câmbio em permanente valorização e, só por isso, pôde cumprir as metas de inflação e superávit sem ter um crescimento médio muito baixo. Felizmente, o Presidente Lula é um estadista que sabe utilizar a sorte. Sua sorte foi começar o governo com o dólar muito desvalorizado, e, quando não podia mais contar com isso, ser beneficiado pelo boom das commodities. As exportações e as reservas cambiais cresceram a taxas muito altas em todo seu governo. Por essa razão, a permanente valorização cambial não levou a um déficit no balanço de pagamentos e a um ataque especulativo sobre o câmbio. No gráfico abaixo, as barras verdes mostram o grande diferença entre o governo Lula e Dilma, a valorização cambial no primeiro, representada pelas barras para baixo e a desvalorização na segunda, representada pelas barras para cima.

Dilma: Tripé, desindustrialização e contenção de tarifas.
Dilma, não pôde contar nem com o câmbio competitivo e nem com commodities ou exportações crescentes. Para manter os salários e empregos em crescimento, teve elaborar um plano muito engenhoso, precisou trabalhar no limite das metas e utilizou como saída conter as tarifas de serviços públicos e reduzir os impostos da cesta básica e, portanto, seus preços.
A política de contenção de tarifas e preços foi correta e essencial para que a Dilma pudesse dar continuidade às conquistas do governo Lula. Mas não apenas isso. Essa política permitiu que fosse parcialmente corrigido o maior erro da era Lula, a valorização cambial e a desindustrialização, porque o efeito dessas políticas de redução da inflação abriu espaço para que o câmbio fosse desvalorizado sem que isso implicasse em rompimento da meta de inflação.
Isso foi uma grande realização conduzida eficazmente pelo Ministro Mantega com essencial colaboração do Presidente do Banco Central Tombini e do Secretário Nelson Barbosa, na primeira metade do governo.
Desvalorizar o câmbio ao mesmo tempo em que melhora salários, emprego e serviços públicos é difícil. Fazer isso ao mesmo tempo em que garante o cumprimento de uma meta de inflação rígida, é uma obra admirável. Dilma conseguiu com isso estancar o processo de desindustrialização, como se pode ver no gráfico abaixo, sem romper com os compromissos sociais, como muitos sugeriram.

É preciso entender que o aumento dos salários, a desvalorização cambial e elevada indexação na economia brasileira impossibilitam o país ter um nível de inflação tão baixo quanto o padrão dos países já desenvolvidos.
A nova política industrial
Ainda assim o governo conseguiu manter a inflação na meta. Para atingir essa proeza, foi não suficiente a contenção das tarifas. Outro fator importante foi a política de competitividade empreendida pelo Ministro Pimentel com a formulação do Presidente da ABDI, Mauro Borges. A política de competitividade ajudou a indústria a sobreviver sem que fosse necessária uma desvalorização ainda maior do câmbio, o que implicaria em uma taxa de inflação superior à meta.
Uma das políticas mais inovadoras e mal compreendidas do governo foi a desoneração da folha de pagamentos. Ela tem um efeito similar à desvalorização sobre a competitividade externa da indústria, mas sem impacto sobre a inflação. Porém, é muito raro um técnico ou intelectual defendê-la. Na Receita Federal muitos acham que isso gerou um aumento da complexidade tributária. Muitos economistas temem que ela prejudique o financiamento da previdência, apesar de sabermos que, no mundo inteiro, o déficit na previdência é sempre financiado parcialmente pelo Tesouro, e que essa é uma forma de financiamento socialmente mais justo do que a tributação sobre a folha de pagamento, porque a previdência acaba, assim, sendo financiada, na prática, por impostos sobre a renda, o patrimônio ou o consumo e, portanto, atinge relativamente menos os trabalhadores.
O MDIC com contribuição do BNDES e da Fazenda concebeu também o Reintegra, o Inovar-auto e diversas outras políticas dentro do guarda-chuva do Plano Brasil Maior, que tiveram um impacto importante sobre a competitividade da indústria brasileira. Não há dúvidas de que a Dilma empreendeu a política industrial mais ativa em um presidente eleito democraticamente desde JK.
Os resultados podem não ter sido considerados tão evidentes em razão do câmbio ainda valorizado, da crise internacional, da feroz guerra cambial e competitiva que está sendo travada no mundo e do acelerado desenvolvimento de novas tecnologias cujas cadeias produtivas o Brasil ainda não participa de forma tão ativa, apesar de o governo ter investido pesadamente em inovação e educação.
Esses fatores tornaram o soerguimento da indústria uma tarefa hercúlea neste primeiro mandado. Combinados com a camisa de força pró-cíclica do Tripé, tornaram muito difícil superar o baixo crescimento.
As políticas pró-competividade são importantes para combater a desindustrialização e o déficit no balanço de pagamento, porém tem baixo impacto em estimular a demanda, que estava em descenso desde 2011.
A crise internacional permanente, os juros ainda elevados – apesar da tentativa audaciosa de reduzi-los – e o esgotamento de vários ciclos, como da construção civil e do endividamento para consumo de bens duráveis, implicavam em demanda decrescente e tendendo à recessão.
O maior erro da política econômica da Dilma foi o exagero no corte de gastos e aumento dos juros nos 1º semestre do governo. Isso comprometeu todo o mandato, porque não pudemos contar com um cenário externo favorável. Uma vez colocado o crescimento no chão, o Tripé passa a ser uma camisa de força que obriga o governo a ter uma política econômica “pró-cíclica”, e, no caso, estagnacionista, a menos que adote instrumentos considerados “heterodoxos”.
A queda da demanda e a política tributária de estímulo à competitividade reduziram a taxa de crescimento da arrecadação. Porém, ao invés de cortar investimentos e gastos sociais como foi pedido pelo setor financeiro, Mantega e Arno Augustin optaram, sabiamente, por buscar receitas extraordinárias, adiantamentos de receitas e reduções efetivas na meta de superávit que não comprometessem a Lei de Responsabilidade Fiscal. Essas políticas foram indevidamente chamadas de “contabilidade criativa”.
Graças elas, pudemos continuar avançando nos programas sociais, nos investimentos e estimular a indústria para impedir a continuidade da desindustrialização. E sem grandes problemas, apesar da histeria dos financistas ao dizer que o governo tinha perdido a “credibilidade”. Ao contrário do que os jornais falaram, as chamadas “manobras contábeis” foram legítimas e seu impacto positivo. Essas políticas ajudaram a impedir uma recessão e a paralisação do governo para cumprir de forma rígida uma meta de superávit que não faz nenhum sentido em momentos de crise econômica internacional. Nenhum outro país soberano tem uma meta rígida de superávit primário e poucos tem superávit primário. Quando tem, isso quase sempre é resultado da melhoria da situação econômica.
Não há nenhuma razão econômica para achar que a meta deve ser cumprida todo ano de forma rígida, como se fosse prioritária a manter a economia não estagnada e os gastos sociais e investimentos em crescimento. A menos talvez que o Brasil tivesse um endividamento líquido extremamente alto. Porém, nosso endividamento líquido é baixo e o endividamento bruto é estável e bem inferior à média das 10 maiores economias do mundo. Nada justifica colocar a meta de superávit primário como prioridade absoluta. Se a forma menos conflituosa de se fazer isso foi como fizeram Mantega e Arno Augustin, a atitude foi correta.
O papel do BNDES
Depois que percebeu que precisaria estimular a demanda, em 2012, o governo optou corretamente em não usar o estímulo ao consumo como locomotiva, em razão dos elevados déficits no comércio de manufaturas e em conta corrente. Dilma preferiu estimular a demanda principalmente através dos investimentos industriais e em infraestrutura.
O papel central nessa tarefa coube ao BNDES. Nos últimos anos o BNDES virou a Geni do Brasil. A direita e a parte da esquerda o elegeram como inimigo público nº 1. Nada mais distante da verdade.
A crise de 2008 pegou o Brasil em cheio. Como o Tripé impedia políticas fiscal e monetária anti-recessivas, como foram adotadas nos países desenvolvidos, só escapamos de uma crise econômica mais séria do que a Europa está enfrentando hoje, por causa do BNDES.
A resposta dos EUA, Europa, Japão, China e outros emergentes à crise de 2008 foi invariavelmente déficit público muito elevado e política monetária expansionista sem precedentes. O primeiro para manter a renda e o emprego em níveis socialmente aceitáveis, a segunda para impedir que toda a economia entrasse em falência financeira. No Brasil, essas duas saídas foram vetadas pelo Tripé. Então, o BNDES cumpriu os dois papéis de política monetária e fiscal que não estavam à mão dos presidentes Lula e Dilma em razão do Tripé. Para isso, o BNDES foi obrigado a crescer muito. Em pouco tempo passou de R$ 40 bilhões de empréstimos anuais para quase 200 bilhões hoje.
Mais de 200 grandes empresas estavam próximas de quebrar em 2008 em razão de apostas especulativas com derivativos de câmbio. O investimento e exportações entraram em colapso. O BNDES foi a salvação em todas essas áreas. O Programa de Sustentação do Crescimento PSI-BNDES suportou a maior parte do investimento em máquinas e equipamentos do país desde então.
Mas o BNDES foi além. Ajudou a reorganizar as finanças de estados e municípios que ficaram abaladas com a crise, com as políticas de desoneração de IPI e com o contínuo aumento do salário mínimo.
Também financiou toda nova política de infraestrutura que a Dilma promoveu. Foi o maior investimento em infraestrutura feito por um presidente eleito democraticamente desde JK.
Nada disso seria possível sem o conhecimento, experiência, ousadia e capacidade de articulação do Presidente Luciano Coutinho. O BNDES é uma instituição muito complexa e criativa, que costuma tragar os presidentes que não conseguem decifrá-la. No passado, quando era um banco relativamente pequeno, já era assim. Hoje é pior. O tamanho que ele atingiu e o nível de dependência que a economia e o governo brasileiro têm dele fazem com que a tarefa de geri-lo deva ser conduzida com extremo cuidado e competência. São dezenas de programas e linhas de financiamento. Centenas de modalidades de financiamento e de objetivos estratégicos. Milhares de projetos de investimento em implantação. R$ 614 bilhões em estoque de crédito concedido.
Desde seu início, o BNDES foi gerido por intelectuais de alto nível acadêmico. No governo Lula teve o professor e ex-reitor Carlos Lessa, o mais criativo e original economista vivo do país, e agora o professor Luciano Coutinho. No governo JK foi gerido por Roberto Campos. Celso Furtado, Rômulo de Almeida, Antônio Barros de Castro e entre outros grandes intelectuais já foram seus diretores e presidentes.
É difícil encontrar um quadro político na ativa, hoje, tão bem preparado para a função que o Luciano exerce. É inconcebível abrir mão de um político, técnico e gestor como ele em um momento de crise tão agudo como vamos passar nos próximos quatro anos. E o Luciano não é apenas isso. O conhecimento e experiência acumulada por ele no BNDES é algo que terá um valor incomensurável nos próximos anos.
Os inimigos do BNDES
E o ataque da imprensa à instituição só torna a tarefa mais difícil. A oposição e os mercados financeiros querem ver um governo refém e com pouca autonomia na área econômica. Por isso o ataque feroz à instituição.
Por mais de 3 décadas, os economistas mantiveram a dívida líquida como referência de “saúde fiscal”. Agora, de repente, alguém inventou que não é mais a dívida líquida que importa para avaliação da “saúde fiscal” do governo. Agora, o que importaria é a dívida bruta.
Não houve nenhuma mudança na teoria econômica que justificasse essa mudança de critério. É possível que ela seja decorrente do objetivo encontrar algum indicador que pudesse justificar as críticas às operações do BNDES com o Tesouro. Ora, as operações do BNDES com o Tesouro, que viabilizaram o crescimento e estabilidade depois da crise de 2008, não afetam a dívida líquida, mas podem ter levado a um pequeno crescimento da dívida bruta.
Como as operações BNDES-Tesouro “burlam” a camisa de força do Tripé, pode ter sido conveniente “amarrar” o BNDES através da mudança do critério de avaliação de “saúde fiscal” da dívida líquida para a dívida bruta.
Se for designado alguém para o BNDES, que não compreenda bem o papel atual da instituição e seus desafios e não saiba dialogar de forma qualificada com a imprensa, mercados financeiros e Ministério da Fazenda, perderemos a última saída que pode permitir ao governo manter a estabilidade e o crescimento sem abandonar o Tripé.
Um BNDES gerido com competência, cuidado e ousadia é fundamental para a governabilidade hoje. Isso não implica que o Luciano seja o único brasileiro capaz de manter essa função. Há outros quadros com experiência e conhecimento necessários para a função.
Todavia, é recomendável não abrir mão da sua experiência. O BNDES hoje está muito bem encaminhado. Mas existem funções em importantes empresas públicas e ainda não preenchidas pela Presidenta que estão enfrentando desafios tão grandes, ou até maiores, quanto o que o BNDES enfrentou em 2008 com a crise financeira. A experiência dele como gestor de grande empresa pública durante 7 anos tumultuados é única.
Minas, São Paulo e a Unidade Nacional
O governo poderia se beneficiar ao dar um espaço maior para o PT de Minas. A bancada de Minas é hoje tão grande quanto a paulista. Minas está incrustada entre o Centro-Oeste e o Centro-Sul, que são majoritariamente contrários ao governo.
Minas poderá cumprir novamente o papel que, segundo o professor Carlos Lessa, lhe cabe desde o período colonial. Ser o “cimento”, o fator de união nacional, e, portanto, a “ponta de lança” das mudanças agregadoras. As diferenças geográficas, econômicas, culturais e políticas entre o Sul, representado por São Paulo e o Norte, representado pelo Nordeste sempre foram marcantes e muitas vezes caminharam em direções opostas. Essas partes diferenciadas da Nação são os motores das experimentações, das mudanças e, consequentemente, dos conflitos.
Porém, quando as diferenças de visão entre o Sul e o Norte são muito grandes, o país pode entrar em impasse político. Normalmente coube a Minas, apoiar uma saída que junte novamente os polos divergentes, pois compreendem ambos os lados. Minas tem um pouco de Nordeste e um pouco de São Paulo.
Nas últimas eleições, se acentuou muito a divergência de opinião entre o Centro-Sul e o Norte. Para que o país não tropece em um impasse político de consequências imprevisíveis, alguém precisa mostrar de forma muito convincente que esses dois brasis, o pobre e desejoso por progresso e o rico e desejoso por estabilidade e mérito podem ser complementares.
O governo Pimentel poderá cumprir essa função. Ele pode mostrar como o Brasil se unirá para superar a crise. O Brasil das políticas sociais, que acredita na solidariedade e no otimismo, unido com o Brasil da indústria, da tecnologia e da meritocracia. Ambos precisam ser respeitados e trocarem suas experiências de forma a reduzir suas diferenças. Minas pode ser o modelo, pelo seu papel agregador e por ser o maior estado em que o PT já assumiu.
O PT de Minas precisa de mais espaço na área econômica do governo federal, até para poder trocar melhor as iniciativas que serão experimentadas. Pimentel e Mauro Borges constituíram uma dupla eficiente. É razoável que a estrutura que ajudaram a construir, no federal, tenha alguma continuidade e troca de experiência com a futura gestão estadual. Além disso, o que Minas mais precisa hoje é de desenvolvimento econômico. Coincidentemente, o PT de Minas é pródigo em economistas desenvolvimentistas. Na área técnica da economia, juntam conhecimento, moderação e habilidade de negociação.
Mas dar maior espaço a Minas não significa tirar o espaço do PT de São Paulo. O perfil do PT de São Paulo é mais rico na área social e cultural, de educação, saúde e C&T. São Paulo é o grande centro irradiador de ideias e debates políticos relevantes. Os políticos do PT paulista estão na linha de frente dos movimentos sociais e entidades civis ligadas à educação, saúde, cultura e diversas outras causas civis e sociais. Colocá-los nas áreas sociais levará os movimentos sociais se sentirem reapresentados e compreendidos.
Boa sorte
A presidenta Dilma conduziu o Brasil de forma exímia por uma das conjunturas políticas e econômicas mais difíceis que um presidente teve que passar e conseguiu isso sem se abater pelas exigências inerentes de ter que dar continuidade ao presidente mais popular de nossa história.
Isso não significa que o governo não tenha cometido erros. A comunicação do governo, o relacionamento com o congresso e a gestão de crises, especialmente na área que envolve justiça e segurança ainda está sendo aperfeiçoada. A gestão energética e de petróleo também poderiam se beneficiar de maior criatividade e do rompimento de certos dogmas. A política industrial, apesar dos avanços, ainda não é tão agressiva quanto a dos nossos concorrentes.
Os próximos 4 anos serão muito mais difíceis. Os erros terão consequências mais graves. Nesse sentido, “queimar a largada”, como aconteceu no primeiro mandato, pode deixar o governo preso em uma “sinuca” por 4 anos em razão do Tripé e da radical campanha contra o BNDES e a Petrobrás.
Não queremos dizer com isso que a escolha da nova tríade na economia não vá funcionar. Toda escolha tem pontos fortes e fracos. A equipe é muito competente e deve ser apoiada com firmeza por todos os brasileiros para que atinja o máximo da potencialidade que pode ser obtida de seus pontos fortes. Gerenciar os pontos fracos será uma etapa posterior que dependerá de consequências que não são necessariamente previsíveis. Não é o momento de focar neles.
Desejamos ótima sorte à Presidenta! Estamos em uma encruzilhada de nosso destino como Nação. Poucas vezes um presidente terá uma responsabilidade tão grande quanto ela terá no próximo mandato. Os inimigos do nosso progresso pensam que o governo está suficientemente vulnerável para ser inviabilizado ou se tornar refém. Por isso serão capazes das apostas muito mais arriscadas.
Gustavo Antonio Galvão dos Santos é Doutor em economia pela UFRJ e analista do BNDES;
Laurez Cerqueira é escritor, autor, entre outros trabalhos de Florestan Fernandes Vida e Obra e o Outro Lado do Real;
Luis Carlos Garcia de Magalhães é Doutor em economia pela Unicamp e técnico do IPEA.
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