sábado, junho 30, 2007


LULA ESTÁ ENTERRANDO A ERA FHC


O falso discurso de Aécio Neves
Gleber Naime


No início desta semana, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ganhou espaço nas páginas dos jornais ao acusar o governo Lula e o PT de deixarem como única herança ao país o "aparelhamento da máquina pública". Vejam como o discurso é forçado — e falso.
Apenas cinco dias antes, Aécio recebera solenemente em seu estado o presidente Lula, que inaugurou a primeira etapa de duplicação da Av. Antônio Carlos, com recursos das três esferas, e depois visitou as obras do principal projeto de urbanização de favelas do Brasil, o Vila Viva Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte — patrocinado quase integralmente pelo governo do partido a quem gratuitamente centraria fogo depois. Na primeira ocasião, com direito a elogios e tapinhas nas costas, Aécio posava com Lula para centenas de pessoas aparentemente contratadas pelo PSDB para empunharem bandeiras tucanas em plena cerimônia pública e republicana. Diante disso, pergunto: quem realmente está partidarizando a ação da autoridade pública, senhor governador?
Mas dois dias após o disparo das críticas, lá estava Lula de volta ao Estado, desta vez para anunciar mais R$ 2,9 bilhões a Minas Gerais em um acordo de parceria para a realização de obras de saneamento e urbanização de favelas em 43 municípios mineiros, previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), além de recursos para a revitalização das bacias do rio São Francisco.
Será que esses expressivos investimentos do governo federal em seu Estado — e todos os demais já executados nos últimos quatro anos, que somaram mais de R$ 2 bilhões somente em transferências voluntárias para Minas — por si só já não seriam boa herança a ser deixada pelo governo Lula a Minas Gerais? E aos desavisados — ou dissimulados — de plantão, é bom lembrar que o governo só termina em 2010. Ou seja: nem chegamos à metade do primeiro ano do segundo mandato e já há quem queira, num atropelado exercício de futurologia, antecipar a herança a ser deixada.
A exemplo de seus companheiros de partido, Aécio Neves dá sinais de ter iniciado prematuramente uma disputa político-eleitoral de forma atabalhoada, sustentando-se em discurso vazio, argumentos falsos, repetidos exaustivamente por uma oposição sem rumo.
Pior: Aécio escamoteia os próprios métodos de gestão, atacando os outros. Foi sob suas ordens e a seus correligionários que o governo mineiro criou quase mil cargos de confiança, no seu primeiro mandato, sob o título de "funções gratificadas". Tais funções passaram a existir por meio de leis delegadas, que sequer necessitam passar pela aprovação da Assembléia Legislativa, embora em nenhum dos casos tivesse sido configurada situação de urgência. Até 2007 já foram publicadas 129 leis delegadas, 67 delas somente neste ano, graças ao apoio da maioria dos seus deputados, apesar dos protestos da bancada do PT na Assembléia Legislativa.
Não é o caso, aqui, de discutir se é preciso reduzir ou ampliar o número de cargos de confiança na máquina pública federal, estadual ou municipal. Tal tema pode e deve ser debatido dentro da reforma administrativa do Estado. O próprio PSDB, aliás, que governou o país por oito anos, e sua bancada no Congresso Nacional já poderiam ter feito algo a respeito, a exemplo do atual governo, que ampliou os concursos públicos e mantém uma média de 80% de funcionários de carreira nos cargos de confiança na esfera federal.
O governador não explica o que entende por aparelhamento do Estado. Fazer nomeações de cargos públicos por afinidade política, nos marcos da lei, para executar seu programa de governo é aparelhar o Estado? O que dizer, então, da ampla liberdade que seu governo buscou para criar secretarias e novas estruturas de Estado?
Num discurso claramente partidarizado e ideologizado, Aécio Neves vai além e chega ao absurdo de sugerir que a ampliação do Estado no governo Lula "pode justificar o crescimento pouco expressivo" do Brasil diante do crescimento mundial.
Convém, novamente, refrescar a memória do governador do PSDB, cujo programa de estado mínimo foi amplamente rejeitado pela população brasileira nas duas últimas eleições. Após décadas de estagnação, a economia brasileira começou agora, com Lula, a entrar num ciclo de crescimento sustentado, com índices recordes de geração de emprego formal e melhor distribuição de renda. Essa será a verdadeira herança do governo do PT, ao contrário daquela deixada pela gestão tucana em 2002, que entregou a Lula um Estado endividado e fragilizado em sua capacidade de formular e operacionalizar políticas públicas.
A taxa de crescimento da economia brasileira pode realmente ser ainda muito melhor – e certamente caminhamos para isso -, mas os resultados representam um avanço em relação aos obtidos no governo anterior: o Brasil cresceu a uma média de 3,25% ao ano nos três primeiros anos do governo Lula. No segundo mandato de FHC, a média de crescimento foi de apenas 2,12%. E nos três últimos anos do primeiro mandato do tucano a média foi de somente 1,84%, segundo cálculos feitos pelo IBGE.
Aparecer em público apropriando-se de obras e investimentos oriundos de parcerias, confundindo a opinião pública e dirigindo ataques mentirosos àqueles que agem verdadeiramente em nome do desenvolvimento do país é falsidade ideológica. Neste caso, mais do que política partidária, Aécio faz política pessoal, já que sua auto-propalada liderança não é tão consensual nem dentro de seu próprio partido.
Por último, quero anunciar que, no início da próxima semana, apresentarei neste espaço um balanço sobre as heranças que o governo Lula deixará ao Estado de Minas Gerais até agora. O governo do presidente Lula, do PT, ainda tem mais três anos e meio de mandato popular.

Gleber Naime é secretário Nacional de Comunicação do PT



dia 5 de outubro vencem diversas outorgas, incluindo as concedidas a todas as cinco emissoras próprias da Rede Globo.



É exatamente isso que você leu, as outorgas não são eternas.




Os profundos laços entre os radiodifusores brasileiros e venezuelanos

Em ato em São Paulo, presidente da RCTV, Marcel Garnier, nega golpe na Venezuela e critica o governo Chávez sob os aplausos de empresários brasileiros. Lá, como aqui, a defesa da liberdade de expressão virou retórica dos que mais a cerceiam.

Bia Barbosa*

Elites costumam se relacionar bem com elites, independente de barreiras geográficas ou lingüísticas. Nesta quinta-feira (28/6), esta sinergia ficou explícita em um encontro promovido em São Paulo entre o presidente da Rádio Caracas Television (RCTV), Marcel Garnier, e os radiodifusores brasileiros.

Numa das pomposas salas do Hotel Meliá Monfarrej, na Alameda Santos, com a promoção da Revista Imprensa – acreditem... –, as principais associações de empresas de comunicação do país e a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) declararam seu apoio explícito à RCTV, que não teve sua concessão renovada pelo governo venezuelano no último dia 27 de maio.

O “Ato em Defesa da Liberdade de Expressão” de liberdade não teve nada. Do lado de fora, impedidos de entrar no salão, ficaram manifestantes do movimento pela democratização da comunicação e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Com nariz de palhaço e vendas na boca, eles empunharam cartazes que diziam: “concessão é pública”, “liberdade de imprensa é diferente de liberdade de empresa”, “liberdade de expressão para todos” e “Globo e RCTV: tudo a ver”.

Do lado de dentro, além da imprensa, duas dezenas de executivos e entidades patronais que historicamente defendem o oligopólio privado da comunicação Brasil. Em mundos apartados, protegido pela segurança da cadeia Meliá, Marcel Garnier se sentiu à vontade em seu discurso.

Falou depois o editor da Revista Imprensa, Sinval de Itacarambi Leão, que indiretamente tentou justificar o envolvimento do veículo no evento ao dizer que a revista tem vocação plural e dialoga com profissionais, empresas e sindicatos.

Depois falou Héctor Oscar Amengual, diretor geral da AIR, que num discurso emocionado disse que os radiodifusores privados, livres e independentes estão “unidos e unânimes” em sua opinião em apoio e solidariedade à emissora venezuelana. “Sentimos a tristeza e as lágrimas dos trabalhadores da RCTV, feridos em seu orgulho de pertencer a um meio de comunicação que por mais de 53 anos obteve a preferência de milhões de venezuelanos, aqueles que são impedidos de exercer sua liberdade de expressão”, declarou. “Não vamos medir esforços até que a RCTV volte ao ar, ao ar da Venezuela, ao ar da liberdade, ao ar que respiramos todos da AIR”, concluiu.
Depois, tapete vermelho ao senhor Garnier, que iniciou sua apresentação com trechos em vídeo de declarações de Chávez que, na sua visão, caracterizam a conformação, na Venezuela, da ausência de um Estado Democrático de Direito. Ao fundo, uma música de suspense, para ajudar no clima. Só ficaram de fora as imagens – já excessivamente veiculadas pela imprensa brasileira – dos funcionários da RCTV chorando ao cantar o hino nacional minutos antes da TV sair fora do ar. Garnier contextualizou o processo de não renovação da concessão da RCTV, explicou as mudanças feitas nos últimos anos na legislação para o setor e então abriu fogo contra o regime chavista. Disse que há sete anos o governo venezuelano descumpre o que estabelece a regulamentação do setor, ao não promover as adequações necessárias a todas as emissoras de rádio e televisão depois das alterações na lei. “A situação de mais de 150 concessões está pendente”, disse, ao afirmar que somente a RCTV foi responsabilizada por isso.

Acusou o Poder Judiciário de não atuar de forma independente do Executivo. Segundo Garnier, a Justiça da Venezuela entregou as instalações de transmissão da emissora privada à Comissão Nacional de Telecomunicações, ordenando sua ocupação militar, antes de julgar em definitivo o recurso interposto pela RCTV contra a decisão do governo. Até hoje não houve um posicionamento do Tribunal Supremo de Justiça sobre o caso. “No dia 28 de dezembro o presidente anunciou o fechamento (sic) da RCTV, mas durante três meses não houve nenhum ato administrativo, nenhum documento, do qual pudéssemos apelar nos tribunais”, reclamou Garnier.

O empresário também pintou um quadro sombrio da situação na Venezuela, ao relacionar o que entende por “investidas do governo contra as liberdades e garantias fundamentais em todos os planos”. Palavras como “secreta”, “clandestina”, “ilegal” foram abundantes. Acusou Chávez de mover uma campanha contra as empresas privadas, os sindicatos, as instituições de ensino privado e os grêmios profissionais e de reprimir com violência policial os protestos desses setores. Chegou a dizer que “muitos estudantes foram presos, apanharam, foram torturados” e que o governo convocou a população a “realizar ações vandálicas” contra os jornalistas independentes. Por fim, informou das denúncias feitas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos contra essas agressões.

“Vazio de poder”

O momento mais interessante veio depois, quando teve início uma coletiva de imprensa com Garnier. O repórter da TV Globo, José Roberto Burnier, deu seu testemunho do totalitarismo de Chávez. “É visível, e pude ver isso quando era correspondente em Buenos Aires, que o presidente Hugo Chávez, desde 2005 ou um pouco antes, vinha tomando medidas para controlar o conteúdo das emissoras de TV e dos jornais”, disse. Levantou a bola para Garnier cortar, na mais profunda sintonia e "independência jornalística". O presidente da RCTV elencou então um rol de ações para o controle das comunicações, a começar por uma lei que regula conteúdos veiculados na televisão. “Os programas são classificados de acordo com a linguagem, o grau de violência, de sexo exibido. São definições muito vagas e o funcionário do governo responsável pela classificação pode sancionar qualquer programa que julgar conveniente. O resultado tem levado a uma auto-censura cada vez maior dos meios de comunicação”, afirmou.

Qualquer semelhança com a crítica feroz que a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) vem fazendo contra a classificação indicativa do Ministério na Justiça no Brasil não é mera coincidência. Chávez também retribuiria, em forma de publicidade governamental, os veículos que desenvolvem linha editorial favorável a seu governo.

Mas disso as emissoras privadas no Brasil não podem se queixar, já que abocanham a imensa maioria dos recursos de comunicação do governo em função dos chamados critérios de audiência e alcance dos veículos. O ponto alto da coletiva foi quando Garnier – talvez inspirado no que ocorreu quando os militares brasileiros derrubaram João Goulart do poder – negou que tenha havido um golpe na Venezuela. Segundo ele, o que houve foi um “vazio de poder”, o mesmo dito pelo presidente do Congresso Nacional por aqui em 1964.

Ter planejado o golpe e feito uma cobertura altamente favorável aos que tiraram Chávez do poder são as principais justificativas do governo venezuelano para não ter renovado a concessão da RCTV. Para seu presidente, no entanto, este golpe nunca ocorreu. “O tema do golpe é algo que o governo coloca porque não tem argumentos jurídicos”, disse Garnier. “Em abril de 2002, depois de protestos que reuniram mais de um milhão de pessoas em Caracas, o chefe do Estado Maior do presidente se apresenta à televisão e diz que, em função de graves acontecimentos, o alto comando militar pediu a renúncia ao presidente e ele aceitou. Nunca o presidente ou os militares nos explicaram qual era a razão da renúncia”, explicou Garnier.

Faltou dizer, no entanto, por que a RCTV não se preocupou em perguntar essa razão, antes de anunciar que Chávez havia abandonado do país – uma mentira – e dar início, ao vivo, às comemorações pelo golpe. Talvez disso Garnier não se lembre, como parece não se lembrar das reuniões que aconteceram em sua casa e que planejaram o golpe de 2002. “Exerço o jornalismo há 50 anos. Nunca, neste período, ninguém ouviu uma única frase minha ou uma atitude minha de defesa de um golpe de estado, em nenhuma circunstância”, garantiu.

A imprensa brasileira também se esqueceu de questionar a declaração minimamente “estranha” de Garnier nos jornais televisivos desta quinta. Ao ser interrogado sobre o histórico de sanções sofridas pela emissora ao longo de sua história por abusos cometidos na programação e sobre o resultado do processo que correu na Justiça venezuelana que concluiu que a RCTV infringiu a constituição nacional, a lei orgânica das crianças e adolescentes, a lei orgânica das telecomunicações e a lei de responsabilidade social do rádio e da TV, Garnier respondeu: “Não há nenhum país em que as relações entre a imprensa e o poder sejam de absoluta normalidade. Anormal seria que, em 53 anos, nunca tivéssemos tido problemas com nenhum governo”.

O encerramento da coletiva foi esclarecedor – para aqueles que ainda não conheciam as origens e a ideologia do dirigente principal da RCTV. “Me preocupa muito o discurso que o presidente Chávez tem adotado, que fala de uma guerra que ninguém reconhece, que está em sua mente, que supostamente temos com os Estados Unidos. E que nos obriga a ser o principal comprador de armamento da América. Compramos mais armas que o Irã. Ninguém entende porque cada venezuelano tem que ter um fuzil. Entenderíamos que o presidente propusesse que cada venezuelano tivesse um computador ou acesso às bibliotecas, a boa comida nas escolas”. “Os países menores estão criando uma dependência da Venezuela, como é o caso dos estados da América Central, que compram gasolina subsidiada pelo governo Chávez. Isso é um problema”. “Os Estados Unidos são o principal cliente do nosso petróleo, os que mais investem no país, para quem mais vendemos nosso serviço. Então não podemos criticá-los assim”.

Do lado de cá

Não estranha que Abert, Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores), Aner (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais), entre outras, estejam tão preocupadas com a situação da vizinha RCTV. A decisão do governo Chávez pela não-renovação da concessão da RCTV ajuda a desmontar a tradição mundial de renovação automática das outorgas, algo que não interessa a nenhum atual concessionário.

Por aqui, o exemplo da Venezuela pode parecer ameaçador aos que se beneficiam da condição de concessionários para utilizar a mídia como instrumento de poder. Isso explica a reação desmensurada e editorizalizada da grande imprensa brasileira ao caso da RCTV e ao grande “ato pela liberdade de expressão” promovido em São Paulo nesta quinta, principalmente se lembrarmos que no dia 5 de outubro vencem diversas outorgas, incluindo as concedidas a todas as cinco emissoras próprias da Rede Globo.

Ao final da coletiva, questionei o diretor geral da Abert, Flávio Cavalcanti Jr, sobre que critérios que, na sua opinião, deveriam ser levados em conta para a não renovação de uma concessão no Brasil. Ele disse que os contratos de concessão são públicos e que, se forem quebrados, a concessão deveria ser questionada na Justiça: “todo dia é dia para quem está insatisfeito fazer isso”. É verdade que ainda falta ao governo Chávez deixar claro todos os trâmites do processo de não-renovação da concessão da RCTV, incluindo a apelação ainda em aberto na Justiça Venezuela. E é fato que medidas como o confisco das instalações da RCTV são pouco – ou nada – justificáveis se comparadas à garantia do exercício soberano de qualquer Estado gerir o bem público espectro eletromagnético.

Mas é verdade também que o cenário geopolítico em que se encontra a Venezuela é bastante diferente do brasileiro. Agora, se nossos radiodifusores querem tanto discutir as “ameaças” do governo Chávez à liberdade de expressão, por que não se dispõem logo a olhar pro seu quintal?

No Brasil, a forte concentração de propriedade dos meios de comunicação e a forte influência política que estas empresas exercem têm impedido qualquer debate sobre a importância para o estado democrático de analisar, avaliar, julgar e, quando necessário, não renovar uma concessão.
E por aqui, o uso das concessões de rádio e TV também descumpre princípios e parâmetros estabelecidos na Constituição Federal. Por aqui, são os donos dos meios de comunicação que, na prática, asfixiam a liberdade de expressão, mantendo o controle absoluto do que se ouve, lê e escuta por 180 milhões de brasileiros. Pelo discurso de Marcel Garnier, ficou claro que a apropriação da defesa da liberdade de expressão e sua utilização como figura de retórica é algo que os radiodifusores fazem muito bem. No Brasil e na Venezuela.

* Bia Barbosa é editora de Direitos Humanos da Carta Maior, membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e empreendedora social da Ashoka.

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CARTA CAPITAL: MÍDIA SOFREU DUAS DERROTAS

Como queríamos demonstrar
por Redação

O estrondoso silêncio de sempre acolhe a pesquisa Doxa sobre a atuação da mídia no pleito de 2006. Mas tudo isso coincide com a previsão dos analistas

A imprensa reagiu com o silêncio aos resultados do estudo realizado pelo Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião, o Doxa, sobre o desempenho dos meios de comunicação na campanha das eleições presidenciais de 2006. Divulgado por CartaCapital (edição 450), o trabalho focalizou, principalmente, os jornais O Globo, do Rio, e os paulistas Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. O resultado da avaliação foi “predominantemente negativo para o presidente/candidato Lula” e, tomados em conjunto, os jornais “dedicam mais espaço positivo para Geraldo Alckmin”.
O silêncio, provocado pela constatação de um anti-lulismo que, pela unanimidade, comprometeu a pluralidade “fundamental para a saúde da democracia”, não surpreendeu os autores do trabalho coordenado pelo professor Marcus Figueiredo. O próprio estudo previa, de uma certa maneira, a reação ao registrar que “há uma certa resistência, da parte dos jornalistas, em admitir a legitimidade da análise da mídia”.
CartaCapital colheu depoimentos sobre o trabalho do Doxa. Abaixo, as análises dos cientistas políticos Wanderley Guilherme dos Santos e Marcus Figueiredo, do sociólogo Marcos Coimbra e do antropólogo Otavio Velho.

Wanderley Guilherme dos Santos: “A resposta é tão simples que alguns vão achar simplória. Lula jamais será confiável às elites tradicionais brasileiras e nem mesmo às elites modernas beneficiadas, agora, pela política econômica do governo. Pesquisa como essa sempre provocará controvérsias, pela subjetividade de algumas questões. Não importa. Ela coloca elementos sérios, concretos, sobre o comportamento da imprensa brasileira. Por isso, pensando na imprensa como empresa, é o caso de se perguntar: o que ela ganha com o anti-lulismo? Eu me refiro à relação do risco jornalístico com o benefício do negócio”.

Marcus Figueiredo: “É difícil demonstrar, mas, pela opção sistemática entre um e outro assunto que vai para a primeira página, algo me diz que a elite brasileira não agüenta ver um nordestino retirante, metalúrgico, de esquerda, ser presidente e ter o sucesso político que Lula tem”.

Marcos Coimbra: “A chamada ‘grande imprensa’ sofreu dois tipos de derrota em 2006. A primeira e mais óbvia foi a da imprensa de direita, como a revista Veja. Perder e ganhar, no entanto, é parte do jogo político que ela faz. Na luta ideológica, ela ganha um dia, na defesa das armas de fogo, e perde outro, com a vitória de Lula. Ossos do ofício. A outra derrota começou em 2005 e muitos a sofreram. Perdeu, por exemplo, quem tinha entendido, na época do dito mensalão, ser o santo combate contra o mal. Com ingenuidade angelical, ruborizada pelo ‘escândalo’, muita gente boa entrou nessa, com sinceridade. Outros sabiam perfeitamente que era conversa fiada, mas usaram os episódios para externar velhas simpatias e antipatias. Para muitos, era apenas competição profissional, saber quem dava o maior furo. Uma coisa puxa a outra e, dali a pouco, qualquer jornalista que se prezasse tinha de ter ‘investigado’ alguma falcatrua do PT. A sobrevivência de Lula tornou-se uma afronta para quem achava que a imprensa havia tido papel exemplar em 2005. Assim, jornalistas e veículos, não necessariamente conservadores, acabaram ficando parecidos”.

Otávio Velho: “Creio que o mais importante é constatar mais uma vez, e de forma particularmente bem comprovada, a prepotência da chamada ‘grande imprensa’ na defesa de interesses de classe e de discriminação que se torna especialmente chocante num momento em que tanto se brada contra supostas ameaças à sua liberdade. É urgente partir para uma ampla discussão das condições necessárias para que efetivamente se tenha entre nós uma liberdade de imprensa socialmente responsável, que não reforce e busque legitimar os mecanismos de exclusão já existentes na sociedade. É óbvio que nem todos os jornalistas são prepotentes e irresponsáveis. Creio, portanto, que devem se examinar razões complementares para explicar esse comportamento. Uma hipótese que faço é de que a nossa imprensa (e não só ela) em grande parte opera com uma visão do Brasil e do mundo ultrapassada”.



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quinta-feira, junho 28, 2007



Conversa Afiada presta um grande serviço ao Brasil.

Basta que um mostre o que todo o resto da mídia esconde.


EXCLUSIVO: CPI DIVULGA E-MAILS COM "TRAMA" DE CONTROLADORES

O deputado André Vargas (PT-PR), membro da CPI do Apagão Aéreo, denuncia que os controladores de vôo militares estão em “conluio” com o representante da Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo, o suíço Christoph Gilgen.
No último domingo, Gilgen deu entrevista à Folha de S. Paulo e disse que "prender e fazer calar é coisa de ditadura". Durante a entrevista, Gilgen disse que "o espaço aéreo do Brasil tem problemas, pode até acontecer outro acidente" (clique aqui).
Clique aqui para ler o artigo "Folha: cuidado, não ande de avião !", de Paulo Henrique Amorim.
O deputado André Vargas disse em entrevista ao Conversa Afiada nesta quarta-feira, dia 27, que recebeu denúncias de que Gilgen e os controladores brasileiros militares, inclusive os presos, tramam para pressionar o Governo (clique aqui para ouvir o áudio).
Vargas disse que recebeu em seu gabinete, de forma anônima, cópias de e-mails trocados entre os controladores brasileiros presos Moisés Almeida, Wellington Rodrigues, Carlos Trifilio e Gilgen.
Nesses e-mails, segundo Vargas, eles combinam estratégias de pressão sobre o sistema de tráfego aéreo e estratégias em relação à mídia.
“Quer dizer, um suíço vem, ataca o nosso sistema, ataca o Brasil, a soberania nacional, a imagem do Brasil e diz: ‘há que se manter a pressão, manter a proa, não deixar mais sair os peixes da rede’... Agora, tendo acesso a esses e-mails a gente percebe que é um verdadeiro conluio para atacar o Brasil e resolver os problemas de uma categoria profissional”, disse Vargas.
O deputado André Vargas disse que esse movimento pode ser classificado como um motim por parte dos controladores. Ele apresentou a denúncia nesta quarta-feira na CPI do Apagão Aéreo.
Os e-mails ainda não passaram por perícias técnicas e, segundo Vargas, devem ser objeto de investigação da CPI do Apagão Aéreo.


Leia a íntegra da entrevista com o deputado André Vargas:

http://conversa-afiada.ig.com.br/

















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Com transponder ligado não tinha acidente


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Vídeos de matérias da Rede Bandeirantes sobre a compra de parte da Editora Abril
Empresa que só existe no papel conseguiu comprar parte da Ed. Abril

De: M V M <=> @News

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De onde apareceu esse suíço, e como ele foi parar no Fantástico?


Deputado denuncia conluio entre controladores presos e colega suíço

O deputado André Vargas (PT-PR), membro da CPI do Setor Aéreo, denunciou nesta quarta-feira (27) a existência de um “conluio” entre os controladores militares de vôo brasileiros e o suíço Christoph Gilgen, presidente da Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo.

Vargas recebeu em seu gabinete, de forma anônima, cópias de e-mails trocados entre os controladores brasileiros presos Wellington Rodrigues, Carlos Trifilio, Moisés Almeida e Gilgen.Nas mensagens eles discutem estratégias de ação e acertam como fazer pressão sobre as autoridades brasileiras e a inserção na mídia de ataques ao sistema de controle de vôos do Brasil.

Em entrevista a um programa de televisão no último domingo Gilgen, entre outras críticas violentas, afirmou que o espaço aéreo brasileiro não é seguro e que o programa de computador utilizado apresenta uma falha séria. Segundo o deputado, o fato é grave e pode ser classificado como um “motim” de militares brasileiros, com o apoio de pessoas de fora do país. “Um suíço ataca a imagem do Brasil, interferindo em assuntos internos do país, a partir de uma ação planejada com o objetivo deliberado de criar um ambiente de pânico e insegurança na opinião pública para ajudar colegas brasileiros. Isso é inadmissível e precisa ser apurado com rigor”, afirma.
Vargas apresentou as cópias dos e-mails à CPI a fim de que passem por uma perícia técnica e contribuam nas investigações que apuram a crise do sistema de tráfego aéreo no país.

Em determinado trecho das conversas, de acordo com as cópias apresentadas pelo deputado, um controlador português que estaria participando da estratégia ao lado do suíço, diz a um controlador brasileiro: “Tenham certeza de que tanto Chris, à maneira dele, e eu, à minha maneira, temos feito lobby onde é necessário. E tenho a certeza que está a dar os resultados que esperávamos...”.

As informações são da assessoria do deputado André Varga
http://www.pt.org.br/


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sexta-feira, junho 22, 2007




A IMPRENSA DO IMPÉRIO






OMC: A CABEÇA DO COLONIZADO

Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 484



. Os países ricos não querem que a melhor agricultura do mundo entre em seus mercados para beneficiar seus consumidores.
. A soja, o etanol, o suco de laranja, o frango, os suínos, a carne de boi etc, etc, etc do Brasil não podem entrar nos mercados europeu e americano.
. Se pudessem, haveria mais emprego e mais renda no campo brasileiro.
. Se pudessem, seria uma vitória de um princípio básico da economia liberal, uma vitória do livre comércio.
. Numa reunião em Podsdam, na Alemanha, o Brasil se levantou da mesa e foi embora porque os países ricos agem contra o interesse nacional brasileiro e o aumento do emprego e da renda do povo brasileiro.
. E a mídia conservadora (e golpista) prefere reproduzir o Presidente Bush e responsabilizar o Brasil pelo fracasso da reunião.

. Manchete do Estadão: "Países ricos culpam Brasil e índia por fracasso da OMC".

. Manchete da Folha: "Bush e Europa culpam Brasil por fracasso em negociação comercial".

. Ou seja, o Estadão e a Folha olham para o Brasil da perspectiva dos países ricos.

. É o que se chama de "cabeça de colonizado".


Leia também:

Gerdau investe na Venezuela. E a Miriam?

http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/439501-440000/439758/439758_1.html


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Os caminhos para superar a crise no setor aéreo


Está de volta aquilo que nossa velha e conhecida mídia conservadora chama de "caos aéreo". Ou seja, está de volta a operação padrão dos controladores de vôo que, obviamente, atrasa e pode paralisar o sistema aéreo do pais.


Estivéssemos num governo conservador, toda mídia estaria execrando e denunciando os controladores como sabotadores e exigindo do governo medidas repressivas.


Estariam acusando a CUT de sabotar o governo e demonizando os controladores, como fez com os petroleiros na greve de 1995, durante o primeiro Governo FHC. Mas, como é um governo do PT e do Lula, apóia abertamente os controladores e faz um jogo perigoso para o pais, já que para fazer oposição ao governo Lula, cria a imagem de um caos aéreo. Quando temos, na verdade, um problema sindical e de gestão de um setor estratégico do país, o controle do espaço aéreo civil.


Mistura essa questão com problemas de clima, nevoeiros, que acontecem em todos os países, incidentes, como de animais na pista, que acabou de acontecer no Brasil e no exterior, de falhas de equipamentos, de crescimento dos vôos e passageiros, de crise em companhias aéreas, como a VARIG, congestionamento na decolagem e aterrizagem nos aeroportos, comum em todo mundo hoje, dado o crescimento da aviação civil e do turismo. Só para criar um clima de caos e acusar o governo de não dar uma solução a curto prazo para um problema que só tem solução a médio prazo.


Fala em desmilitarização, sabendo do custo e do tempo necessário para isso. Fala em substituir controladores, quando sabe, também, do prazo necessário. A única saída é um acordo com os controladores para que eles assumam, já que se trata de um serviço essencial e militar, logo vital para o pais e sua segurança, que é sua função superar todos os problemas e cumprir com a missão pela qual são responsáveis: fazer o sistema de controle aéreo do pais funcionar, mesmo com todos problemas.


Ao governo cabe tomar todas medidas administrativas, técnicas e orçamentárias para superar o contencioso com os controladores. O país não pode ficar refém dos controladores e esses exigem e devem receber um tratamento à altura das responsabilidades que exercem. Ou seja, salários compatíveis e condições de trabalho condizentes com o serviço essencial que executam. É preciso reorganizar todo setor e redefinir toda política para o setor. E isso só se faz, nessas situações de crise, com novos interlocutores e com novas propostas.


É o que se espera do governo para que nossa oposição, travestida de informação e de defensora da cidadania, não tenha razão.


enviada por Zé Dirceu




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Banda Larga


Está circulando no You Tube um vídeo do ministro Gilberto Gil cantando, em casa, descontraído, uma música nova chamada Banda Larga. A letra, com a poesia e o talento habituais do nosso ministro-cantor, fala das novas tecnologias da informação, da internet, do próprio You Tube e da inclusão social, digital, cultura e informativa que elas provocam. É um verdadeiro manifesto em defesa da democratização da informação. E, como disse o jornalista Jorge Bastos Moreno, que também aparece no vídeo, a letra da música é a maior prova de que a atividade pública não atrapalha a atividade criativa. Ao contrário, a estimula. Com o que o ministro Gil concorda e acrescenta: “Só tira tempo. Tira tempo, mas dá substância”. A letra é maravilhosa e o vídeo é uma delícia.
Vejam aqui.

enviada por Zé Dirceu

quarta-feira, junho 20, 2007

QUEM PAGOU ESSA CONTA???

Diga-se que a Globo conhecia o entrecho cabuloso de cor e salteado, a mãe solteira era funcionária da casa e, como tal, foi enviada para o exterior e ali mantida no resguardo. Aliás, outras moças globais deram-se bem com políticos.

fonte: Blog do Mino

Sobre a parcialidade

Um estudo do IUPERJ sobre o comportamento da mídia durante a campanha das eleições de 2006 acusa a clamorosa parcialidade das coberturas de Globo, Estadão e Folha de S.Paulo. Vai sair na próxima edição de CartaCapital, apontada pelo estudo como o único órgão que informou corretamente.

É a história de sempre, o enésimo capítulo de um enredo sem fim que vê a mídia alinhar-se de um lado só quando os donos do poder enxergam a aproximação de algum risco para o seu bom-bom.

E reparem que desde a posse de Lula reeleito tudo continua como dantes. A mídia busca precipitar uma crise a todo custo. Pretendeu-se transformar Vavá em excelente corruptor sem a mais pálida prova, e sem levar em conta a personalidade do irmão do presidente, figura bastante modesta, digamos assim.

Diferente é o caso de Renan Calheiros. O filho fora do casamento não é, obviamente, o ponto. O problema está no fato de que se acumulam as evidências dos envolvimentos de Calheiros em esquemas suspeitos, com a guarnição de atrapalhadas tragicômicas cometidas pelo próprio.

Pergunto aos meus solertes botões: se os acontecimentos de hoje tivessem ocorrido no tempo em que Calheiros era ministro de Fernando Henrique, seriam explorados com a mesma sofreguidão midiática?

Respondem de pronto: nunca, jamais, talvez nem viessem à tona. E já que citei FHC, recomendo a leitura da Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim, inquirido na rua por um admirador de sotaque pernambucano, a lhe perguntar com expressão sabiamente sonsa:

por que falam tanto do filho do Renan e nada se falou, em outra época, do filho do Fernando Henrique?

Diga-se que a Globo conhecia o entrecho cabuloso de cor e salteado, a mãe solteira era funcionária da casa e, como tal, foi enviada para o exterior e ali mantida no resguardo. Aliás, outras moças globais deram-se bem com políticos.

enviada por mino
http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/

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Golpismos tropicais
20.06.2007
por Miguel do Rosário



O Renan Calheiros nunca foi flor que se cheire. Todo mundo sabia. O Fernando Henrique Cardoso sabia. Tanto que o convidou para ser Ministro da Justiça. O maior podre de Calheiros, no entanto, foi ter feito parte da famosa tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O mesmo Collor que foi alçado aos céus da glória e do poder pela mídia.
Calheiros era adversário de Lula no primeiro mandato. No segundo, depois da goleada que Lula deu na oposição, aí incluindo a mídia, Calheiros se rendeu à força política do presidente. Desta vez, Lula sabia que precisava do PMDB para haver um mínimo de equilíbrio entre o Executivo e o Legislativo. Não tinha outro jeito. Quem não entende essa necessidade do governo federal sofre de hipocrisia ou desconhecimento do poder desestabilizador do Legislativo.
Aliás, a hipocrisia é o conceito chave para se pensar a política nacional. FHC patrocinou uma lei para mudar a Constituição e aprovar a reeleição em PLENO MANDATO. E nunca vi um colunista denunciar isso, ainda mais considerando todas as denúncias de compras de votos de deputados para aprovar a tal lei. FHC prorrogou, deliberadamente, uma situação cambial artificial, para ganhar as eleições em 1998, produzindo uma crise cambial profunda no início de 1999, que fez o Brasil perder bilhões em reservas. Ninguém reclamou. Ninguém disse que aquilo não era ético.
O Luiz Nassif publicou, há poucas semanas, um livro intitulado Cabeça de Planilha, em que acusa, com provas, que a turma do Fernando Henrique se beneficiou da crise cambial. Acredito. Estão todos bilionários.
A privatização foi feita de maneira primitiva, colonial. Vendemos a Vale do Rio Doce pela bagatela subavaliada de 3 bilhões de dólares, a maior parte paga em moedas podres! E ainda vem alguns débeis mentais dizendo que foi melhor assim, porque em caso contrário a Vale poderia estar sendo administrada por um Delúbio Soares. Ora, vão plantar couve no Chapadão do Raio que o Parta. A Vale poderia ter sido vendida em parte, por valores muito mais altos.
O Brasil possui as maiores reservas de minério de ferro do mundo. A Vale passou 50 anos pesquisando o subsolo brasileiro e entregamos de mão beijada todo o "know-how" para outrem.
A Miriam Leitão é a maior cara de pau da história da humanidade quando fala que a Vale não dava lucro antes da privatização e agora dá lucro. O preço do minério de ferro, antes da privatização, era de cerca de 15 a 20 dólares a tonelada. Agora, está em mais de US$ 100 e crescendo. Claro que agora dá lucro.
Sabem por que FHC vendeu com tanta pressa? Por que os analistas do setor sabiam que, com o crescimento acelerado da China e outros países asiáticos, o mercado de ferro iria explodir a qualquer momento. Os preços chegariam às alturas. Se o fato acontecesse antes da privatização, a Vale começaria a dar lucros extraordinários (como dá hoje) e o governo não teria como justificar um abominável entreguismo. Ou, antes, o preço de avaliação da Vale teria que ser multiplicado por 10,20, 500.
O minério de ferro é uma riqueza não renovável. FHC, se fosse honesto e bem intencionado, poderia ter iniciado um saudável processo de abertura de capital da Vale, permitindo o aumento de capital estrangeiro, mas mantendo o controle nas mãos do governo.
A imprensa golpista quer derrubar o Renan de qualquer maneira. Veja, Estadão e Globo decidiram revirar a vida do senador. Os cães investigativos foram atrás de amantes, dívidas, declarações de imposto de renda, em busca de fatos e notícias que prejudiquem a imagem de Calheiros. A estratégia foi iniciada pela Veja, mas logo comprada por todos os que jogam no mesmo time.
Tem que ser muito inocente para não ver nesse novo bombardeio midiático contra o senador as seguintes intenções:


1 – Criar uma atmosfera de crise política, o que sempre reflete negativamente no governo.
2 – Abafar as grandes operações da Polícia Federal.
3 – Derrubar Renan Calheiros e colocar alguém do PSDB ou do DEM na presidência do Senado, passo necessário para paralisar de vez o país e, eventualmente, derrubar Lula.


Mudando de assunto, é por essas e outras que hoje perdi totalmente o respeito pelo Alberto Dines. Nem quero mais publicar meus textos lá no Observatorio da Imprensa. Diante de um quadro totalmente golpista, por parte de uma imprensa com um histórico de golpes (contra Vargas em 1954 e contra Jango, em 1964), Dines resolveu simplesmente alinhar-se ao lado dos mesmos golpistas e adotar uma posição anti-lulista absolutamente sectária, gastando muito mais tempo fazendo críticas politiqueiras contra Lula do que, efetivamente, analisando a imprensa nacional.



© 1999-2006. «PRAVDA.Ru». No acto de reproduzir nossos materiais na íntegra ou em parte, deve fazer referência à PRAVDA.Ru As opiniões e pontos de vista dos autores nem sempre coincidem com os dos editores. http://port.pravda.ru/cplp/17736-golpismos-0




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CADÊ O LEITE
As crianças de São Paulo não valem nada para a mídia conservadora (e golpista). Há mais de três meses mais de um milhão de estudantes não recebem o Leve Leite. E a mídia preocupada com o Renan. Mais de 900 mil não receberam o uniforme e o material escolar, e a mídia sangrando o Congresso Nacional. O choque de gestão da dupla Serra/Kassab está fazendo a população paulista sentir com quantos incompetentes se faz um desgoverno. Não sai uma mísera linha crítica a quem está comprometendo o futuro da cidade não entregando o leite, que para muitas famílias é essencial na alimentação das crianças. O descompromisso com a cidade é total. Quando deu a louca no Kassab e ele saiu histérico perseguindo um pequeno empresário, a mídia tratou com absoluta frieza. Dois pesos duas medidas. Ser de direita nesse país é ter licença para matar. A questão do leite em São Paulo é séria e deveria ser tratada com mais responsabilidade.

posted by Evaristo Almeida
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Folha editorializa matéria para fazer oposição


Materinha editorializada da Folha de hoje - "Governo cria mais 626 cargos" (só para assinantes), segundo o jornal para distribuir entre aliados e aumentar a arrecadação do PT. Que cobra de todos, insisto, de todos, em qualquer emprego, a taxa de filiação. O que é mais do que normal cobrar, também, de quem é profissional, comerciário, metalúrgico, dentista, ou servidor público. Mas, para a Folha, estamos criando esses cargos só para distribuir para a base aliada e aumentar a arrecadação do PT. Pode? Não é sério. A Folha perdeu o senso do ridículo? O mais grave é que depois esse mesmo jornal protesta e denuncia que a administração pública não funciona, não tem gestão e eficiência. Pudera, com os salários e a falta de recursos humanos que temos. Ou seja, querem mesmo é fazer oposição. Isso é que é jornalismo. O resto é conversa fiada. Não a excelente Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim.

TCE diz que contrato da gestão Alckmin é irregular


A notícia saiu quase escondida na Folha de hoje (só para assinantes): o Tribunal de Contas do Estado julgou ontem irregular um contrato para obras de ampliação da calha do rio Tietê, um dos principais projetos da gestão do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). O contrato de 2003 corresponde à fase 2, executada em Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva e Itu. O tribunal diz que o valor (R$ 14,154 milhões) excedeu o orçado (R$ 12,013 milhões). Para o TCE, o Departamento de Águas e Energia Elétrica poderia ter feito nova licitação para obter valor menor. O Estadão (só para assinantes) vai um pouco mais além e também com muita discrição informa que, na verdade, o Tribunal de Contas do Estado julgou irregulares dois contratos do governo Geraldo Alckmin (PSDB) que somam R$ 45,6 milhões. Auditores identificaram 'falhas graves, como exigências restritivas que prejudicaram a competitividade' nos processos de contratação de empreiteiras para obras de limpeza e rebaixamento da calha do Rio Tietê e de recuperação da pista e regularização de acostamentos da Rodovia Mogi-Bertioga. E, é claro, destaca que a decisão não é definitiva. O governo ainda pode recorrer ao Pleno do TCE.Imaginem se essa notícia fosse referente a alguma obra do governo federal ou de algum governo estadual ou prefeitura do PT. Certamente ganharia destaque na primeira página dos jornais com um título muito mais incisivo, tipo “TCU condena governo Lula” ou “TCE condena governo do PT”.São os dois pesos e duas medidas da nossa mídia.


segunda-feira, junho 18, 2007



imprensa da chantagem quer medir força com o Brasil









A imprensa assumiu que é oposição ao governo

Hoje no "Bom dia Brasil," Alexandre Garcia, para criticar a ministra Marta Suplicy pela sua frase sobre os atrasos os aeroportos, deu como exemplo e comparou a frase da Ministra com a citação inscrita pelos nazistas nos portões dos centros de extermínio do Terceiro Reich: "o trabalho liberta". Uma prova cabal da irresponsabilidade do jornalista, que ficará impune, e da aberta campanha de oposição das organizações Globo ao governo e ao Presidente Lula. Tanto o jornal "O Globo", que não revela mais nenhum respeito pelo Presidente ou pela instituição da Presidência, como a rede Globo em seus noticiários, estão abertamente na oposição ao governo. Como se fossem um partido, com um Comitê Central, que, diariamente, pauta o pais contra o governo e o presidente. Só não vê quem não quer, ou quem ainda tem ilusões. Fica uma pergunta: já que o governo não moveu um dedo contra a mídia e que tem dado todo apoio às empresas de comunicação, a quem interessa essa linha editorial das Organizações Globo? E o que pretendem seus idealizadores e executores? Transformar o Brasil numa Venezuela? Desestabilizar o governo? Destruir a imagem popular do presidente? Organizar o discurso da oposição? Quaisquer que sejam as respostas, fica a minha indignação e a minha firme decisão de resistir e combater essa ação anti-democrática e violadora da liberdade de imprensa que impera como nunca no Brasil.Não só nos veículos das Organizações Globo, diga-se de passagem, mas em praticamente todos os grandes jornais da imprensa brasileira.

enviada por Zé Dirceu
http://blogdodirceu.blig.ig.com.br/


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quinta-feira, junho 14, 2007




‘Jornalismo vale-tudo’

A cobertura jornalística das investigações que pesam sobre Vavá, irmão do presidente Lula, é uma clara demonstração de uma imprensa que há muito trocou seu papel de fiscal dos poderes pelo de partido de oposição.


- por Gilson Caroni Filho (http://www.cartamaior.com.br/)


“Máfia dos caça-níqueis

Vavá usou nome de Lula; 13 presos são liberados”.


A chamada acima estava no portal do UOL, um dos maiores provedores de acesso à Internet do Brasil, na tarde de sábado, 10 de junho. É mais um exemplo do "jornalismo vale tudo" que tem sido praticado no país desde a eleição do presidente Lula, em 2002.


Uma mistura deliberada de informação com opinião. Característica de uma imprensa que há muito trocou seu papel de fiscal dos poderes pelo de partido de oposição. Clara demonstração daquilo que os especialistas em comunicação chamam de "poder de agenda": capacidade de, por sucessivas edições dos fatos, criar na opinião pública uma percepção dominante da sociedade em que vive.


E, como escreveu Giancarllo Summa, em excelente matéria na revista Carta Capital (edição 477, de 6 de junho de 2007), "manter o governo refém das capas de jornais e revistas e dos títulos do Jornal Nacional".


A técnica empregada induz o leitor a pensar, em um primeiro momento, que o irmão do presidente, valendo-se de tráfico de influência, obteve a soltura de 13 presos. Tal procedimento teria cabimento em publicações que se propõem a obter sucesso, explorando um tipo de humor controverso, calcado em boatos e truques que se prestam a pregar peças no “respeitável público".


Quando não é esse o objetivo, o texto truncado revela coisa distinta: a ação conjugada das 13 famílias que dominam a mídia nativa em manter o governo dentro do metro de seus interesses. Dispõem, para esses fins, de articulistas engajados e de uma aliança estratégica com parcela da classe média. Como formuladores (não confundir com formadores) de opinião, os primeiros contam com a cumplicidade do leitor de extração conservadora. Não se trata de colonização de imaginário ou moldagem de consciência, mas da formatação textual de uma visão de mundo anterior à leitura.


Nesse quadro, todos os procedimentos são válidos. Reportagens condicionadas à orientação editorial da publicação ou emissora. Negligência investigativa, seleção e organização de informações com vistas a criar crises que nada mais são que simulações produzidas por recortes de mídia. Divulgação, ao arrepio da lei, de informações de inquérito sob segredo de justiça. Tudo isso somado é alicerce da democracia ou instrumento de instabilidade institucional?


Sem qualquer receio de se deslegitimar como práxis ética, aposta no esquecimento como fonte de validação de seus enunciados. Uma mídia, em suma, que é, desde a origem, golpista e conservadora. E tem dado sobejas demonstrações disso nos últimos dias. Quem acompanha o noticiário desde a decisão do presidente Hugo Chávez de não renovar a concessão da Radio Caracas Televisión (RCTV) pôde assistir a toda sorte de sofismas.


Feita dentro de preceitos constitucionais e respaldada por mecanismos administrativos que, em momento algum, feriram o Estado Democrático de Direito, a ação do presidente venezuelana foi taxada, pela imprensa brasileira, como inequívoco desejo de controlar a mídia privada.


Em entrevista à Folha de S. Paulo (8/6) o presidente Lula foi claro ao dizer que, respeitando a soberania do país vizinho, as especificidades de cada formação política não autorizavam temores manifestos em colunas e editoriais. "A diferença com o Brasil é que conseguimos colocar na Constituição que isso passa pelo Congresso. Não é uma decisão unilateral do presidente. Lá é. Faz parte da democracia deles".


Não foi o suficiente para quem teme efeito demonstração. O jornalista Ruy Fabiano não titubeou em sair em defesa de quem lhe emprega. Em artigo que beira o primarismo, escreveu que "transpondo o raciocínio para o Brasil, pode-se dizer que, se amanhã a concessão da Rede Globo findar e o governo simplesmente não a renovar, estará sendo legalista e democrático. Ora, assim como a concessão de um canal de TV não pode ser ato pessoal de vontade do governante, muito menos sua supressão”.


Fabiano, ao se tornar porta-voz do monopólio, esqueceu que, no Brasil, tal decisão teria que contar com o consentimento do Senado para ser efetivada. Distorcendo a fala do presidente, caiu em equívoco, e fechou simbolicamente o Congresso.


Não deve ficar preocupado. O texto passará batido. O jornalismo “vale tudo” cadencia a evolução. A recorrência dos métodos assusta, mas não surpreende.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil, Observatório da Imprensa e La Insignia.


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terça-feira, junho 12, 2007


"Li que no Brasil andavam perguntando quando acabava a concessão da Globo. Graças ao que está acontecendo aqui o povo está se dando conta que esses canais trabalham com uma concessão pública que se dá a uma empresa privada por um período. Agora todo mundo está se perguntando. Nas perguntas estão as respostas e nas respostas, está a consciência"
Hugo Chávez


RECORDAR É VIVER: PECADOS DA MÍDIA



No dia 28 de setembro de 1970, o general Emilio Garrastazu Médici cassou a concessão da TV Excelsior, emissora que foi líder de audiência nos anos 60 e que apoiou o governo de João Goulart. A Excelsior deu partida às telenovelas na tv brasileira e introduziu um padrão técnico que mais tarde seria copiado pela Globo. Atravessando dificuldades financeiras, a Excelsior teve sua concessão cassada pela ditadura. Depois do dia 28 de setembro de 1970, a programação continuou por mais dois dias em São Paulo e no Rio de Janeiro, até que o Ministério das Comunicações retirou o cristal responsável pelas transmissões. A maioria dos artistas que trabalhava na Excelsior foi para a Globo, que ainda engatinhava nas novelas. Com o fim da Excelsior e a crise da Tupi, a Globo passou a reinar praticamente sozinha. Inútil procurar por um editorial da Globo criticando a cassação da concessão da Excelsior. Aliada da ditadura militar, a empresa aproveitou o episódio para crescer.

A Excelsior chegou a deter 50% da TV Gaúcha de Porto Alegre, em composição com a família Sirotsky. É desnecessário também procurar algum editorial do jornal Zero Hora, da RBS, criticando a cassação da concessão da Excelsior. Fundado em 1964 para substituir o jornal Última Hora, também fechado pelo regime militar, Zero Hora apoiou a ditadura militar, inclusive com editoriais destacando o papel cívico do golpe de 1964. Seguindo os passos da Globo, a RBS lançou as bases para seu império empresarial no sul do país, beneficiando-se de suas relações com o regime militar. Ao final do período da ditadura, a RBS havia se tornado a principal empresa de comunicação da região Sul, em estreita parceria com a Globo.

Escrito por Marco Weissheimer

www.rsurgente.zip.net

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Publicado em: 11/06/2007, em "Direto da Redação" (blog do Eliakin Araújo), em http://www.diretodaredacao.com/

A RCTV E O CORREIO DA MANHÃ

A cassação da concessão de funcionamento da emissora de televisão RCTV, de Caracas, em decisão previamente anunciada pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela, provocou enorme impacto na mídia brasileira. A rigor, não há um único e escasso noticiário – principalmente das tevês – que não massacre diariamente os telespectadores com cenas de protestos populares nas ruas da capital venezuelana.

Há 33 anos, porém, no Rio, a morte por inanição do Correio da Manhã (1901-1974), perpetrada maquiavelicamente pelos homens que comandaram o golpe militar desfechado no Brasil em 1964, não teve a menor repercussão.

O grande matutino da Rua Gomes Freire – situado a dois passos do temido DOPS – morreu porque teve a audácia de combater os arbítrios perpetrados pelos militares após a derrubada de João Goulart (1918-1976), que sucedeu Jânio Quadros (1917-1992) na presidência.

A partir de 1965, quando o Correio da Manhã – que apoiara o golpe desfechado pelo Exército – decidiu denunciar censura, prisões, mortes e torturas praticadas pelos militares, o plano de liquidar o matutino começou a ser executado. Primeiro, através de cuidadosa censura de matérias supostamente subversivas. Depois, recolhendo as tiragens do jornal antes que os exemplares chegassem aos caminhões para serem distribuídos.

Quem comandava a apreensão era o ex-zagueiro-direito do Vasco da Gama e da Seleção Brasileira de 1950 Augusto da Costa (1922-2004). Antigo integrante da Polícia Especial de Getúlio Vargas (1882-1954), Augusto só não conseguia prender os jornalistas, que fugiam por uma passagem secreta que os levava à Tribuna da Imprensa, na Rua do Lavradio, jornal ironicamente fundado pelo jornalista Carlos Lacerda (1914-1977), adepto da derrubada de João Goulart.

Mas o Correio da Manhã resistiu heroicamente. Seus exemplares, contrabandeados, chegavam a ser vendidos em Recife por mil cruzeiros, hoje, aproximadamente, cerca de 100 reais. Mas o golpe definitivo veio quando os militares chamaram as agências de publicidade e as proibiram de anunciar no Correio da Manhã. Aí o jornal caiu de joelhos. E Niomar Muniz Sodré (1916-2003) foi obrigada a alugar o título do jornal aos irmãos Alencar – Maurício, Marcello (que seria prefeito do Rio) e Mário – testas de ferro dos empreiteiros que ganhavam obras e mais obras em concorrências surgidas em Brasília.

As matérias da redação tinham que fazer referências elogiosas, por exemplo, à Belém-Brasília, à Ponte Rio-Niterói e outras. Eu estava na redação e testemunhei tudo o que relato. Em 1972, entretanto, as verbas encolheram e em 1974 o jornal, ex-fantástico matutino, concorrente direto do gigantesco Jornal do Brasil (o da Avenida Rio Branco, claro), foi a nocaute. E hoje é um prédio mal aproveitado na Gomes Freire, diante da TV-Educativa. A mídia brasileira insiste em chorar o fim da RCTV, mas não acendeu uma única, escassa e barata vela em homenagem póstuma à morte do Correio da Manhã em 1974.

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A mídia é sempre aquela. Mas...


O denuncismo no Brasil é de mão só. Visa-se Lula há décadas. Os jornalistas e seus donos não percebem, porém, que foram os grandes derrotados no pleito de 2006.

Mino Carta

Leia abaixo artigo publicado originalmente na revista Carta Capital:

Será a mídia a guardiã da ética, anjo protetor do decoro, sentinela do Estado de Direito? Justificam-se vertiginosas dúvidas. No Brasil e no mundo, são poucos os órgãos midiáticos que ainda praticam o jornalismo à sombra dos velhos, insubstituíveis princípios: fidelidade canina à verdade factual, exercício desabrido do espírito crítico, fiscalização diuturna do poder onde quer que se manifeste. A independência está em xeque sempre que os interesses do patrão e dos seus negócios, do poder político e econômico, obstam o cumprimento dessas regras. Ou, simplesmente, quando são atiradas à lata do lixo para atender às conveniências de uns e outros, ou de todos. Há décadas avança o processo de afastamento do jornalismo do papel inicial de serviço público. No Brasil, a rota é diversa daquela percorrida em outros países (leia a reportagem de capa), em decorrência do nosso atraso, a nos manter em um tempo especial, suspenso, mas não equilibrado, entre Idade Média e contemporaneidade. São coetâneos, aqui, diretores de redação por direito divino e computadores da última geração. Tomemos o exemplo da cobertura da mídia a respeito da Operação Navalha e do caso Renan Calheiros. Até parecerá, a olhos e ouvidos desavisados, que se trata de um balaio único de escândalos. São, porém, distintos. É bom que venham à tona, mas cada um deveria ser colocado no devido lugar. A denúncia, além de oportuna, é necessária, e agora é só esperar pela condenação dos culpados. No entanto, jornais, revistas e emissoras misturam tudo. Chafurdam (oportuno, também, é evocar esse verbo) no denuncismo, no encalço da crise. Qualquer uma serve, desde que ponha em dificuldade o governo, ou tente pôr.É um clássico da história do jornalismo nativo. A fúria midiática é, e foi, de mão só. Evitemos recuar demais, lembremos o mar de lama em que chafurdaram (voltei ao verbo) Carlos Lacerda e sua UDN, até levar Getulio Vargas ao suicídio. E recordemos as campanhas anti-Juscelino, ou pró-Jânio Quadros, o fio desencapado da hora agarrado para impedir a eleição do marechal Lott. Havia um ranço udenista até então. Mas quando se tratou, primeiro, de torpedear a legítima posse de João Goulart depois da renúncia de Jânio, e menos de três anos depois de derrubá-lo, a mídia estabeleceu o consenso total, sonho dourado da nossa oligarquia. E convocou os gendarmes para o golpe de 1964, a terceira, imensa tragédia brasileira, depois da colonização predatória e da escravidão. A mídia não hesitou na agressão ao Estado de Direito, e omitiu-se, e mentiu, 21 anos a fio, até o momento em que a ditadura fardada se esvaiu em seus próprios erros e contradições. A adesão à campanha das Diretas Já foi lenta e parcial, e ao cabo não houve jeito de escapar à rendição à vontade popular. Poucos, porém, enxergaram nas indiretas uma derrota. Em 1989, o fio desencapado foi Fernando Collor, valia tudo contra o Sapo Barbudo. O novo presidente passou a exigir pedágios cada vez mais elevados, até a célebre CPI sem provas da corrupção denunciada pelo irmão. Não passaria de um chega-para-lá , não fosse o motorista Eriberto, que apresentou a demonstração inegável da ligação entre a Casa da Dinda e PC Farias. E então desencadeou- se a pantomima das manifestações pró-impeachment, orquestrada pela inefável Globo. Depois, o apoio irrestrito e enamorado a Fernando Henrique Cardoso. Roberto Marinho acreditou cegamente na sua colunista Miriam Leitão, segundo quem a estabilidade, bandeira da campanha da reeleição, era donzela inviolável. Deu-se, contudo, o maior engodo da história eleitoral brasileira, 12 dias depois de empossado FHC desvalorizou o rublo, perdão, o real. A mídia condescendeu, assim como ocorreu quando das privatizações, de, no mínimo, duvidosa feitura. Quem sabe valesse perguntar o que pensam a respeito alguns dos mais atilados articuladores fernandistas. Digamos, o Mendonção, bem-posto cidadão escorado por filhos criativos. Ou André Lara Resende, que hoje vive em uma quinta em Portugal e monta em Londres na sela de cavalos conduzidos até lá de avião. Houve tempo em que os coronéis nativos levavam vacas para Paris, a fim de garantir leite matinal. E a mídia? Impassível. Só emerge da expressão de Buster Keaton quando se trata de fazer campanha a favor de José Serra ou de Geraldo Alckmin. Contra Lula, ainda e sempre o Sapo Barbudo. E por aí o bombardeia, sem pausa ou refresco, por um ano e meio para verificar, finalmente, que as bombas caíram n’água. Há quem diga que denunciar escândalos pode ser fenômeno promissor. Pensamento similar àquele de quem supõe que pena de morte reduz o número de assassínios. A mídia brasileira até hoje não traiu a si mesma e às suas tradições. Se há algo positivo neste quadro é a vitória exuberante de Lula no ano passado contra a mídia, antes de ser contra Alckmin. Eles próprios, os jornalistas e seus donos, deveriam constatar que não chegam lá, ao contrário do ocorrido no século passado. Às vezes me pergunto se a mídia cogitaria substituir os partidos, em plena falência, ou se acredita que a substituição já se deu. Recomenda-se não esquecer que partidos se consolidam no voto. A julgar por 2006, convém à mídia repensar a si mesma.

Mino Carta é jornalista.


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terça-feira, junho 05, 2007






MIDIATRIX

Um surdo e milhões de mudos

Por SIDNEI LIBERAL


“A arma mais potente em mãos do opressor é a mente do oprimido” (Steve Biko, grande lutador sul-africano).



A excelente exposição de Yuri Pimentel, vice-presidente da Telesur (http://www.telesurtv.net/), nas Jornadas Internacionais “O direito cidadão a informar e estar informado”, realizadas em Caracas, de 18 a 20 de maio de 2007 ( leia aqui o texto original completo), proporciona importantes dados de análise sobre a crescente oligopolização da comunicação e da informação no mundo. Ele parte da aquisição da Reuters, neste mês de maio, pela editorial canadense Thompson Corp., por cerca de 17 bilhões de dólares, resultando no maior grupo de notícias e dados financeiros do mundo. Dados da publicação especializada Inside Market Data revelam que a Thompson-Reuters superará a Blooberg LP. E que a soma destas duas representa mais de dois terços do mercado mundial de informação financeira.


É apenas o mais recente passo no processo de monopolização dos meios de comunicação e informação, que tem sido quase sempre invisível aos olhos do público. Oito corporações transnacionais regem os meios de comunicação desde o ano 2000, resultado de progressivas fusões. Cada uma dessas mega-corporações tem ações ou acordos com pelo menos seis das outras, constituindo-se todo um cartel pelo qual, ganhe quem ganhar, todos ganham.


Eis um rico exemplo de controle oligopólico: a Time Warner e AOL controlam 28 editoras de livros, 38 canais de TV, 15 empresas de produção e distribuição de televisão, 79 revistas. Além de numerosos sítios de Internet, 170 lojas de produtos Warner em 30 países, parques recreativos, 2 produtoras de cinema e serviços telefônicos e de segurança por monitoração.


Esquemas similares cobrem a América Latina, onde uns poucos grupos transnacionais menores dominam quase totalmente o setor. São: Clarín, Cisneros, Globo e Televisa, respectivamente, da Argentina, Venezuela, Brasil e México. De que democracia, de que diversidade de pensamento se pode falar diante de semelhante panorama? Pergunta Yuri Pimentel. “O que hoje impera no mundo é uma feroz ditadura midiática, a principal e mais contundente ferramenta para o controle e domínio de nossas mentes, nossos desejos e nossos valores”, conclui.


Todas essas corporações mundiais ambicionam controlar cada passo do processo informativo, desde a criação das notícias, da informação, das idéias, do entretenimento e da cultura popular até os diferentes meios tecnológicos de fazer chegar mensagens ao mundo inteiro.


Já em 1980, o Informe McBride (*) desmontou a falácia da liberdade de expressão e mostrou como a institucionalização do controle da ditadura midiática nas corporações ficou mais grave e mais ampla. Hoje, 85% dos conteúdos acessados estão nas mãos do complexo financeiro dos EUA e a maioria dos produtos nacionais repete as mesmas fórmulas, amplificam os valores capitalistas e consumistas e repercutem seus fundamentos ideológicos.


Emblematicamente os 8 maiores estúdios cinematográficos de Holywood repartem 85% do mercado mundial de cinema e ocupam 98% das exibições na América Latina; quatro corporações estadunidenses dividem 85% do mercado mundial de discos. São de língua inglesa 9 dos 10 escritores mais traduzidos no mundo.


Por outro lado, os EUA mantêm sofisticado sistema de proteção cultural e importam neste setor apenas 2% do seu consumo total. Esses fatos espelham tese do sociólogo Emir Sader, citada por Pimentel: “A ordem capitalista requer o silêncio dos discursos alternativos, requer que todos que se manifestem o façam dentro do universo dos seus discursos, em seus termos e suas alternativas, ou seja, dentro do sistema de poder que dirigem”. Essas corporações não são independentes: operam politicamente a serviço dos interesses dos grandes grupos econômicos que as controlam.


Não se pode, pois, falar em liberdade de expressão da sociedade, mas de liberdade de manipulação no interesse da corporação controladora da mídia.


Assim hegemônicos, os meios desinformam e desativam a capacidade de interpretação crítica da realidade. Decompõem culturas e identidades porque promovem valores alheios às culturas próprias, reproduzem valores e modelos de paises hegemônicos e buscam converter o espectador em mero consumidor. Desarticulam interesses dos trabalhadores, dos povos e dos movimentos sociais.


Há mais de 20 anos, diversos estudiosos, como Noam Chomsky e Howard Zinn, vêm denunciando que a estratégia estadunidense de agressão aos países que ousam praticar sua soberania tem por base o controle da opinião de seus cidadãos.


Diz Ernesto Carmona – no ARGENPRESS.info (http://www.argenpress.info/), reproduzido em Rebelión (http://www.rebelion.org/), em 28 de maio de 2007 (o leitor poderá acessar AQUI o texto original completo) – que aqueles que manejam os meios de comunicação adquirem uma importante quota de poder que não emana da soberania popular, e sim do dinheiro. Que responde a uma intricada meada de relações entre os meios de informação e de comunicação e as maiores corporações transnacionais estadunidenses. Como a controvertida petroleira Halliburton Company, do vice-presidente Dean Cheney. Como o Carlyle Group, que controla negócios da família Bush. Como Lockheed Martin Corporation, a provedora do Pentágono. Mais: Ford Motor Company, Morgan Guaranty Trust Company of New York, Echelon Corporation y Boeing Company, para citar poucos.


Paradoxalmente, estes impérios midiáticos tentam vender, aos incautos, os EUA ungidos por uma democracia exemplar, do “sonho de liberdade e oportunidades”. O certo é que a arrasadora concentração da propriedade desmontou o sonho da liberdade de expressão. Deixou de existir o direito à informação que é “garantida” pela 1ª Emenda da Constituição. Resulta o discurso dominante: da propaganda política matizada para modelar mentes e “lavar” cérebros; para criar uma “opinião pública” persuadida em favor da ideologia conservadora; para justificar atitudes de expansionismo imperial, a exemplo da invasão do Iraque. Descartada a possibilidade de que a informação ao cidadão lhe permita uma salutar e desejada visão crítica ou que lhe beneficie culturalmente.


Existe esperança? No citado evento de Caracas, centenas de jornalistas e acadêmicos discutiram o papel do estado e da participação cidadã e o direito de se interferir na propriedade social dos meios da comunicação e da informação, como legítimo direito de defesa da verdade, contra a manipulação midiática. Já se respira, mundo afora, em relevantes coletivos intelectuais e sociais, uma coincidente indignação com um modelo comunicacional globalizado e controlado por uma elite econômica. Esta elite que se apropria para seu próprio proveito dos nobres conceitos de liberdade de imprensa e liberdade de expressão.


(*) Atualidade do Informe Mac Bride, há 25 anos de sua publicação: clique AQUI



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segunda-feira, junho 04, 2007










EUA revogaram 141 concessões de TV e rádio; ninguém reclamou
A Administração Federal de Comunicações (FCC na sigla em inglês), um órgão do governo dos Estados Unidos, fechou 141 concessionárias de rádio e TV entre 1934 e 1987.






Em 40 desses casos, a FCC nem esperou que acabasse o prazo da concessão. Os dados foram levantados por Ernesto Carmona, presidente do Colégio de Jornalistas do Chile, no artigo intitulado Salvador Allende se revolve em sua tumba: senadores socialistas comparam Chávez a Pinochet.



Carmona polemiza valentemente com o moderado partido da presidente Michelle Bachelet. Mas o principal valor do artigo está no levantamento sobre concessões não renovadas, em diferentes países. Graças a ele, fica evidenciado a que ponto a mídia dominante, no Brasil e alhures, é capaz de usar uma política de dois pesos e duas medidas, ao cobrir a não renovação da concessão da RCTV venezuelana.


Exemplos do mundo inteiro
Casos citados pelo jornalista chileno: em julho de 1969 a FCC estadunidense revogou a concessão da WLBT-TV; en 1981 revogou a concessão da WLNS-T, em abril de 1999, a FCC Yanks Trinity License; em abril de 1998, revogou a concessão da rádio Daily Digest. Só na década de 80 ocorreram dez casos de não renovação.


E prossegue Carmona: "Na Inglaterra, o governo Margareth Thatcher cancelou a concessão de uma das maiores estações de TV do país, simplesmente por ter difundido notícias desagradáveis, embora absolutamente verídicas. Argumentou, simplesmente, que 'se tiveram a estação de TV por 30 anos, por que deveriam ter um monopólio?'.

Também no Reino Unido, a autoridade estatal decretou em março de 1999 o fechamento temporário do MED TV, canal 22; em agosto de 2006 revogou a licença da ONE TV; em janeiro de 2004, a licença da Look 4 Love 2; em novembro de 2006, a da StarDate TV 24; e em dezembro de 2006 revogou o canal de televendas Auctionworld."


Do Canadá vem o exemplo da Country Music Television, que teve a concessão revogada em 1999.
A Espanha revogou em julho de 2004 a concessão da TV Laciana (um canal a cabo) e em abril de 2005 a das emissoras de rádio e TV de sinal aberto em Madri; "a seguir, em julho de 2005, determinou o fechamento da TV Católica".
Na França, revogou a licença da TV& em fevereiro de 1987, e em dezembro de 2004 fez o mesmo com a Al Manar; em dezembro de 2005, fechou a TF1, por ter colocado em dúvida a existência do Holocausto.
A Irlanda revogou em 1990 a licença para a TV3 iniciar suas transmissões.
A Rússia em agosto de 2000 fechou uma emissora de TV por divulgar publicidade subliminar. Já em março de 2006 fechou a TV6.
"...E em nenhum desses países houve campanha..."

Abundam igualmente os exemplos de países do Terceiro Mundo, desde Bangladesh até a nossa América Latina.

No Peru, em abril passado, foram fechados dois canais de TV e três de rádio por não cumprimento da lei local.

O Uruguai revogou em dezembro de 2006 as concessões das emissoras de rádio 94.5 FM e Concierto FM, de Montevidéu. El Salvador fez o mesmo em julho de 2003 com a Salvador Network.

"E em nenhum destes países houve uma campanha como a da atual RCTV, cuja concessão durou 53 anos", ironiza Carmona.

E recorda ainda que "a União Internacional de Telecomunicações (UIT) reconhece 'em toda a sua amplitude o direito soberano de cada Estado a regulamentar suas telecomunicações, tendo em conta a importância crescente das telecomunicações para a salvaguarda da paz e do desenvolvimento econômico e social dos Estados'".


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