segunda-feira, agosto 29, 2011

PROPAGANDA GOLPISTA


Entenda por que a Veja fez de novo
Posted by eduguim on 29/08/11 • Categorized as Crônica

Alinhavando pontos esparsos dos últimos fatos envolvendo a revista Veja e José Dirceu, chega-se a uma conclusão surpreendente: os que puxam os cordões da revista jamais pretenderam produzir alguma conseqüência direta da matéria publicada no último fim de semana, a qual “acusa” o ex-ministro de ter recebido aliados políticos em um hotel de Brasília.
Pense comigo, surpreso leitor: será que uma organização do porte da Veja não tem consciência de que o que publicou não passa de um amontoado de opiniões e suposições sem o menor embasamento probatório ou meramente indicativo?
Nenhuma instância do Ministério Público, da Polícia Federal ou de qualquer outra instituição da República pode dar a menor bola a esse caso. Não pode ser considerado ilegal que alguém que tem um cargo de provimento político pelo governo encontre aliados políticos pertencentes ao mesmo partido que o seu ou à mesma aliança política daquele partido.
Veja tem advogados, como todos sabem. Muitos advogados. E também se sabe muito bem que sua matéria de capa do último fim de semana não passa de opinião ou suposição – ou de ambas. Então por que publicar uma matéria que, aparentemente, até os seus pares na grande mídia não quiseram repercutir por julgarem fraca e tendenciosa?
Bobinha a Veja, não?
A resposta à pergunta acima, definitivamente, é não – a Veja, de boba, não tem nada. E, quanto ao silêncio de seus congêneres no Partido da Imprensa Golpista, talvez não passe de tática para não inflar a denúncia de José Dirceu, que pegou a turma toda no contrapé. E o que é pior – ou melhor: acidentalmente.
Uma digressão: a Veja está usando o blog de Reinaldo Azevedo – que, nessas horas, sempre deixa ver por que o império da família Civita o paga – para se explicar. Todavia, por mais que a revista e seu garoto de recados fujam, uma hora terão que dar explicações para o fato de o seu repórter ter tentado invadir o apartamento de Dirceu.
Mas, voltando à vaca fria, por que, diabos, a Veja publicou uma matéria que qualquer um que entenda um pouco de política sabe que não daria em nada mesmo que o repórter invasor não tivesse recorrido a um crime para fazer o que o patrão chama de “jornalismo”?
Havendo um veículo que se disponha a violar qualquer princípio ético e jornalístico é mais fácil produzir uma capa de revista fortemente criminalizadora do PT (o partido do governo Dilma) para setores da direita midiática que já se organizam em “movimentos espontâneos” da “sociedade civil” para marcharem “contra a corrupção” pelas ruas de algumas capitais.
Não importa o que diz a matéria da Veja porque esses setores que tentam aprofundar a crise política do governo Dilma não precisam de fatos, mas de símbolos para brandir na campanha moralista que vem por aí e que, além de manifestantes, terá até “frente parlamentar”. Uma campanha que muita gente – inclusive do governo – ainda não percebeu.

Basta aplicar a lei. Cadeia também serve para jornalista e dono de revista...


Revista Veja: Até quando?
É fantástica a indignação que temos presenciado em MAIS UM factóide da Revista Veja. E, mais uma vez, contra o ex-ministro, José Dirceu. Essa história de que José Dirceu está “conspirando” contra Dilma, a partir dos encontros que fez ou vem fazendo num hotel em Brasilia, não tem nenhuma credibilidade. A mídia sempre soube desses encontros. Não há fato jornalístico. A intenção da revista é criar fato político e provocar crise entre Dirceu X Dilma X PT. Alguém esqueceu a tentativa do PIG de jogar Lula contra Dilma e, vice-versa?
Esse desejo incontrolável da Veja em querer denegrir imagem de figuras do Partido dos Trabalhadores, do governo é patético. Desta vez a revista infringiu todas as regras. Invasão de domicílio e privacidade, falsidade ideológica, entre outros. As práticas da Veja coloca de novo a mídia em debate, questionando principalmente a ausência dos princípios básicos do jornalismo e a certeza da deliberada manipulação da informação cujo significado e propósito todos conhecemos.
Estamos diante (MAIS UMA VEZ ) do rito difamatório que persegue o PT e o governo, há mais de 8 anos. Ao longo desses anos o que foi feito para coibir os desmandos dos meios de comunicação que atuam como opositores, que utilizam de calúnias, mentiras para denegrir, difamar o PT, o governo e seus aliados? NADA.
Infelizmente os políticos brasileiros têm medo da mídia e esse medo engessa qualquer ação de regulação desse setor. Cadê o projeto do Marco Regulatório dos Meios de Comunicação que o governo disse que mandaria para análise do Congresso Nacional? Basta a Globo, ANJ, ABERT soltarem o verbo: CENSURAR que qualquer projeto de regulação é colocado de lado.
O presidente do PT, Rui Falcão disse recentemente, em um evento, que era preciso iniciar uma campanha nacional cujo mote seria: REGULAR NÃO É CENSURAR. Penso que chegou a hora de empunhar essa bandeira e implementar a Ley de Médios no Brasil
Em relação a mais esse crime cometido pela Veja quem vai agir de forma veemente para apurar e/ou punir? O PT vai acionar a PF para atuar nesse caso?
A Blogosfera lulista, petista, dilmista agem de forma voluntária e totalmente desordenada. O PT, governo, aliados não têm ações articuladas em comunicação. Essa ausência sempre foi motivo de reclamação. Mais uma vez a bandidagem da mídia está nos pautando e cada um atua com seus próprios meios para contrapor a prática deplorável do PIG. Infelizmente, nesses casos, não existe estratégia de comunicação do conjunto da esquerda que atue em auxilio ou em conjunto com os listeiros, blogueiros, twiteiros, etc
É preciso ação articulada. Soldados existem, o que falta é um (a) comandante!

Benildes Rodrigues

MADE IN USA


Wikileaks tira máscara da mídia brasileira e comprova: estão à serviço dos EUA

William Waack, da Globo, aparece nos documentos secretos. Foto: Reprodução.

Do Blog do Nassif

Novos documentos vazados pela organização WikiLeaks trazem à tona detalhes e provas da estreita relação do USA com o monopólio dos meios de comunicação no Brasil semicolonial. Um despacho diplomático de 2005, por exemplo, assinado pelo então cônsul de São Paulo, Patrick Dennis Duddy, narra o encontro em Porto Alegre do então embaixador John Danilovich com representantes do grupo RBS, descrito como “o maior grupo regional de comunicação da América Latina“, ligado às organizações Globo.

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O encontro é descrito como “um almoço ‘off the record’ [cujo teor da conversa não pode ser divulgado], e uma nota complementar do despacho diz: “Nós temos tradicionalmente tido acesso e relações excelentes com o grupo”.

Outro despacho diplomático datado de 2005 descreve um encontro entre Danilovich e Abraham Goldstein, líder judeu de São Paulo, no qual a conversa girou em torno de uma campanha de imprensa pró-sionista no monopólio da imprensa no Brasil que antecedesse a Cúpula América do Sul-Países Árabes daquele ano, no que o jornalão O Estado de S.Paulo se prontificou a ajudar, prometendo uma cobertura “positiva” para Israel.

Os documentos revelados pelo WikiLeaks mostram ainda que nomes proeminentes do monopólio da imprensa são sistematicamente convocados por diplomatas ianques para lhes passar informações sobre a política partidária e o cenário econômico da semicolônia ou para ouvir recomendações.

Um deles é o jornalista William Waack, apresentador de telejornais e de programas de entrevistas das Organizações Globo. Os despachos diplomáticos enviados a Washington pelas representações consulares ianques no Brasil citam três encontros de Waack com emissários da administração do USA. O primeiro deles foi em abril de 2008 (junto com outros jornalistas) com o almirante Philip Cullom, que estava no Brasil para acompanhar exercícios conjuntos entre as marinhas do USA, do Brasil e da Argentina.

O segundo encontro aconteceu em 2009, quando Waack foi chamado para dar informações sobre as conformações das facções partidárias visando o processo eleitoral de 2010. O terceiro foi em 2010, com o atual embaixador ianque, Thomas Shannon, quando o jornalista novamente abasteceu os ianques com informações detalhadas sobre os então candidatos a gerente da semicolônia Brasil.

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Outro nome proeminente muito requisitado pelos ianques é do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, d’A Folha de S.Paulo. Os documentos revelados pelo WikiLeaks dão conta de quatro participações do jornalista (ou “ex-jornalista e consultor político”, como é descrito) em reuniões de brasileiros com representantes da administração ianque: um membro do Departamento de Estado, um senador, o cônsul-geral no Brasil e um secretário para assuntos do hemisfério ocidental. Na pauta, o repasse de informações sobre os partidos eleitoreiros no Brasil e sobre a exploração de petróleo na camada pré-sal.


Cai também a máscara de Fernando Rodrigues, da Folha. foto: Reprodução.

Fernando Rodrigues, repórter especial de política da Folha de S.Paulo, chegou a dar explicações aos ianques sobre o funcionamento do Tribunal de Contas da União.

Outro assunto que veio à tona com documentos revelados pelo WikiLeaks são os interesses do imperialismo ianque no estado brasileiro do Piauí.

Um documento datado de 2 de fevereiro de 2010 mostra que representantes do USA participaram de uma conferência organizada pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), na capital Teresina, a fim de requisitar a implementação de obras de infra-estrutura que poderiam favorecer a exploração pelos monopólios ianques das imensas riquezas em matérias-primas do segundo estado mais pobre do Nordeste.

A representante do WikiLeaks no Brasil, a jornalista Natália Viana, adiantou que a organização divulgará em breve milhares de documentos inéditos da diplomacia ianque sobre o Brasil produzidos durante o gerenciamento Lula, incluindo alguns que desnudam a estreita relação do USA com o treinamento do aparato repressivo do velho Estado brasileiro. A ver.

(*) Matéria publicada originalmente no blog Pragmatismo Político.

http://www.fazendomedia.com/wikileaks-tira-mascara-da-midia-brasileira-e...

FONTE: No portal Cloudnews

http://www.cloudnews.com.br/

COMENTÁRIO E & P

O maior poder dos Estados Unidos atualmente é controle que eles tem sobre a imprensa mundial, inclusive a brasileira. Eles podem pautar as informações de acordo com seus interesses. No ano 2003, uma matéria da Revista Carata Capital entrevistou um agente estadunidense que confirmou que muitos jornalistas brasileiros estão a serviço de Washington. Com isso eles podem fabricar o que quiserem, o caso da Líbia foi ilustrativo. Derrubaram o governo líbio junto com a Otan e disseram que foram os "rebeldes". Agora vão implantar um governo fantoche como o da Arábia Saudita e empresas estadunidenses e européias poderão explorar o petróleo líbio e esses países terão petróleo a preços módicos, para infortúnio do povo líbio. Esse método poderá futuramente ser usado contra a Venezuela e mesmo contra o Brasil.É a mais pura barbárie. A humanidade corre perigo.

domingo, agosto 28, 2011

BBC: British Brain Control


Enviado por luisnassif, dom, 28/08/2011 - 20:23

Autor: 
Por Stanilaw Calandreli
 BBC: British Brain Control 
A  verdade é que não há alegria em Trípoli, porque até mesmo o maior dos estúpidos percebe que seu país foi tomado por um golpe de estado ocidental.
Pergunta: Se não há júbilo então onde exatamente você conseguiu essas filmagens para a TV mostrando uma enorme multidão feliz na "Praça Verde" de Trípoli? (Logo será renomeada "Praça dos Mártires" por um roteirista da CIA.)
Resposta: É só pegar algumas imagens de arquivo de uma manifestação na Índia totalmente indiferente com a história em Trípoli, gravar na tela "ao vivo" e dizer aos idiotas que assistem que aquilo é Trípoli. Essas pessoas todas têm a mesma aparência, de qualquer maneira, certo?
Esse é o pessoal da BBC.
E as pessoas se preocupam se os blogs são uma fonte confiável de informações. 
Steve Watson
Prisonplanet.com
28 de agosto de 2011
Pois o que vale a pena aqui é a resposta da BBC sobre a filmagem apresentada em 24 de agosto, mostrando uma reunião na Índia, com pessoas agitando bandeiras indianas, como se fosse as imagens de celebrações na Praça Verde em Tripoli:
Caro Sr. Watson,
Obrigado por nos contatar sobre o programa 'Breakfast' transmitido em 24 de Agosto pela BBC One.
Entendemos sua preocupação com a filmagem incorreta que foi mostrada durante um relatório sobre os últimos desenvolvimentos em Trípoli, e que imagens da Índia foram transmitidas em seu lugar.
Nós enviamos a sua reclamação para os editores do 'Breakfast', que em resposta explicaram terem percebido dentro de momentos que estavam mostrando o filme errado e rapidamente o tiraram do ar.
Eles também se desculparam imediatamente, e informaram que o problema foi causado por uma confusão de um "feed" enviado ao centro de televisão pelas agências internacionais.
Pedimos desculpas por qualquer preocupação que isso possa ter causado e gostaríamos de assegurar-lhe que o seu feedback foi registrado em nosso registro de audiência. Este é um relatório diário de feedback público que é feito disponível a todas as equipes de trabalho da BBC, inclusive aos membros do Conselho Executivo da BBC, os criadores de programas, controladores de canais e aos gerentes superiores. Os registros do público são vistos como importantes documentos que podem ajudar a formar as decisões sobre a programação futura e conteúdo.
Obrigado novamente por dedicar seu tempo nos contatando.
Finalmente, Anexei um convite do Chefe do Serviço de Audiência da BBC, pedindo-lhe para participar de nossa pesquisa de satisfação. Nós seríamos gratos pela sua opinião sobre o nosso serviço.
Kind Regards
Robert Regan
Reclamações BBC
www.bbc.co.uk /complaints
Então, em resumo: Desculpe, nós ficamos  "confusos". Aqui está o vídeo da transmissão:
Vídeos: 
Veja o vídeo

Sete pontos acerca da Líbia


por Domenico Losurdo
Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia:

1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela NATO. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de "informação" burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra "inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da NATO"; foi "o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi". Uma peça do International Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos "rebeldes" que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da NATO.


2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que "três semanas" antes da resolução da ONU já estavam em acção na Líbia "centenas" de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de "pequenos grupos da CIA" e de uma "ampla força ocidental a actuar na sombra", sempre "antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março".


3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: "A NATO que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra". Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise económica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das "nações não ocidentais" e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa, em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: "Nova Líbia, desafio Itália-França". Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético activismo de Sarkozy, "compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra económica, com um novo adversário: a Itália obviamente".


4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: "Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço".


5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: "Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa". Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi.


6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a NATO martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a protecção dos civis! E a imprensa, a "livre" imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a "notícia" segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta "notícia" caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra "nova" segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar.


7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a NATO apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o "Negus dos negreiros"; hoje a NATO exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o "ditador". Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: "O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: 'a guerra deve fazer-se', a guerra seguia-se efectivamente". Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma "liberal" daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os "monarcas absolutos" da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.
Agosto/2011
O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.com/ ; a versão em francês em http://www.legrandsoir.info/sept-points-sur-la-libye.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .



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Líbia, África e a Nova Ordem Mundial


11/8/2011, Carta Aberta dos Intelectuais Africanos
Rosebank, Johannesburg, África do Sul
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Nós abaixo-assinados somos cidadãos africanos comuns, todos imensamente condoídos e indignados, vendo que africanos como nós estão submetidos aos horrores da guerra, atacados por potências estrangeiras que claramente repudiaram a visão nobre e relevante inscrita na Carta das Nações Unidas[1].

A ação de escrever essa carta é inspirada por nosso desejo, não de escolher lados, mas de proteger a soberania da Líbia e o direito do povo líbio de escolher seus líderes e determinar o próprio destino.

A Líbia é país africano.

Dia 10 de março, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana aprovou importante resolução (3) na qual se delineou o mapa do caminho para encaminhar a solução do conflito líbio, consistente com os deveres da União Africana nos termos do Capítulo VIII da Carta das Nações Unidas.

Quando o Conselho de Segurança da ONU aprovou sua Resolução n. 1.973, sabia da decisão da União Africana, anunciada sete dias antes.

Ao decidir ignorá-la, o Conselho de Segurança deliberadamente contribuiu para subverter a lei internacional, além de comprometer a legitimidade da ONU aos olhos dos povos africanos.

Desde então, por outros caminhos, tem ajudado a promover e aprofundar processo imensamente pernicioso de marginalizar a África entre as demais nações do mundo, também no que tenha a ver com solucionar os problemas do continente.

Indiferente ao que determina a Carta das Nações Unidas, o Conselho de Segurança da ONU declarou sua guerra privada contra a Líbia, dia 17/3/2011.

O Conselho de Segurança deixou-se manipular pelo que o International Crisis Group (ICG), em seu Relatório sobre a Líbia, de 6/6/2011[2], descreve como “matérias jornalísticas sensacionalistas segundo as quais o regime líbio estaria usando sua Força Aérea contra manifestantes”.

Assim (mal) informado, o CS-ONU aprovou a Resolução n. 1.973, que autorizava que se impusesse uma “zona aérea de exclusão” sobre a Líbia e que se tomassem “todas as medidas necessárias (...) para proteger civis e área populosas sob ameaça da Jamahiriya Líbia Árabe (...)”.

Assim, sobretudo, o Conselho de Segurança usou o conceito altamente controverso e sob o qual não há consenso entre os especialistas em direito internacional da “responsabilidade/direito de proteger”, chamado R2P, para justificar a intervenção militar de que trata o Capítulo VII, na Líbia.

Sob essa duvidosa cobertura, o Conselho de Segurança da ONU já cometeu longa lista de agressões que configuram a transformação desse Conselho em instrumento a serviço dos desejos dos estados militarmente mais poderosos dentre seus estados-membros.

Até agora, o Conselho de Segurança não conseguiu apresentar nenhuma evidência de sua autorização para o uso da força nos termos do Capítulo VII da Carta da ONU tenha sido resposta proporcional e adequada a uma situação que, na Líbia, e depois da intervenção militar, foi convertida em guerra civil.

Em seguida, o Conselho de Segurança ‘terceirizou’ ou ‘subcontratou’ a implementação de sua resolução para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), admitindo que essa aliança militar agisse como uma “coalizão de vontades”.

O Conselho de Segurança não cuidou de implantar qualquer mecanismo ou processo para supervisionar os ‘serviços’ do exército ‘subcontratado’, de modo a garantir que as provisões de suas Resoluções fossem completamente e satisfatoriamente atendidas.
Tampouco fez qualquer esforço para monitorar e analisar as ações da OTAN ‘subcontratada’.

O Conselho de Segurança permitiu que se estabelecesse um “Grupo de Contato” sem qualquer legitimidade e sem autorização legal formal – mais uma “coalizão de vontades” – que, de fato, desconstituiu a própria autoridade do Conselho de Segurança como autoridade competente para interferir no futuro da Líbia.

Confirmando essa desconstituição inadmissível, em reunião do dia 15/7/2011 em Istambul, esse “Grupo de Contato” “reafirmou que o Grupo de Contato continua como plataforma adequada e ponto focal de contato com o povo líbio, para coordenar a política internacional e ser um fórum de discussão do apoio humanitário e apoio pós-conflito”.

Dada a omissão do Conselho de Segurança, as duas “coalizões de vontades” – a OTAN e o “Grupo de Contato” –, de fato e para todos os efeitos, reescreveram a Resolução n. 1.973.

Assim, as tais “coalizões de vontades” abertamente assaltaram um poder que legitimamente só o Conselho de Segurança poderia ter e puseram-se a trabalhar para derrubar o governo líbio, golpe que passou a ser designado como ‘mudança de regime’. Para esse objetivo, passaram a usar da força e de todos os meios para derrubar o governo líbio – objetivo que absolutamente nada tem a ver com as decisões do Conselho de Segurança da ONU.

Mediante esses artifícios e sem qualquer atenção às Resoluções n. 1.970 e 1.973, aquelas “coalizões de vontades” atreveram-se a declarar ilegítimo o governo da Líbia e a proclamar um ‘conselho nacional de transição’ organizado em Benghazi como “legítima autoridade governante na Líbia”.

O Conselho de Segurança da ONU é hoje absolutamente incapaz de explicar como as decisões tomadas pela OTAN e pelo “Grupo de Contato” teriam algo a ver com a questão crucial de “facilitar o diálogo com vistas às reformas políticas necessárias para encontrar solução pacífica e sustentável” para o conflito na Líbia.

As ações de seus ‘subcontratados’ – a OTAN e o “Grupo de Contato” – converteram a ONU em parte beligerante no conflito líbio, desnaturando a Organização cujo papel só poderia ser de pacificador neutro e equidistante, igualmente, das duas facções armadas que disputam o poder na Líbia.

Não bastasse, o Conselho de Segurança optou por repudiar a lei internacional, ao deliberadamente ignorar o que determina o Capítulo VIII da Carta das Nações Unidas sobre o papel das instituições regionais legítimas.

A ‘guerra ao terror’ de George W. Bush contra o Iraque começou dia 20/3/2003. No dia seguinte, 21/3/2003, o jornal britânico The Guardian publicou um curto artigo assinado pelo conhecido neoconservador norte-americano Richard Perle, sob o título “Graças a Deus a ONU morreu. Seu fracasso abjeto só nos trouxe anarquia. O mundo precisa de ordem”[3].

Mas toda a arquitetura global do pós-Segunda Guerra Mundial, para manutenção da paz e da segurança internacionais centravam-se no respeito à Carta das Nações Unidas.

Hoje, o Conselho de Segurança da ONU deve saber que, pelo menos no que tenha a ver com a Líbia, atuou de modo que resultou em, e levou a, perder toda a autoridade moral para efetivamente presidir a discussão e o encaminhamento de processos criticamente importantes para que se alcance a paz global e se realize o objetivo da coexistência pacífica entre os povos do mundo.

Ao arrepio de tudo o que determina a Carta das Nações Unidas, o Conselho de Segurança autorizou e permitiu a anarquia que se abateu sobre o povo líbio.

Ao final disso tudo, o que se vê é que:

– muitos foram mortos ou aleijados;

– grande parte da infraestrutura do país foi destruída, o que empobreceu ainda mais o povo líbio;

– a animosidade e as fissuras que dividem o povo líbio foram aprofundadas;

– a possibilidade de chegar-se a um acordo negociado, inclusivo e estável tornou-se menor que nunca;

– a instabilidade aumentou em todos os países vizinhos da Líbia, sobretudo nos países do Sahel africano (Sudão, Chad, Niger, Mali e Mauritânia);

– a África herdará desafio muito maior e mais difícil no que tenha a ver com questões de paz e estabilidade e, portanto, afastar-se-á ainda mais da via do desenvolvimento sustentável; e

– os que intervieram para perpetuar a violência e a guerra na Líbia fixarão os parâmetros sob os quais os líbios poderão decidir sobre o próprio destino e, assim, tornarão ainda mais limitado o exíguo espaço no qual os africanos lutam pelo seu direito a autodeterminação.

Como africanos, antevimos um futuro em que seríamos atores relevantes num sistema de relações internacionais justas, confiando que a ONU realmente zelaria pelo seu direito legítimo de atuar como “as fundações da nova ordem mundial”,

O Relatório do ICG citado acima diz:

“O que se pode prever para a Líbia, mas também para todo o norte da África, é cada vez mais terrível, a menos que se encontre meio pelo qual induzir os dois lados envolvidos no conflito armado na Líbia a negociar um acordo que permita transição pacífica para um estado pós-Gadaffi, pós-Jamahiriya, e que seja estado considerado legítimo pelo povo líbio. Uma saída política é, de longe, a melhor solução possível, ante a dificílima situação criada pelo impasse militar.” 2

Quando Richard Perle escreveu em 2003 sobre o “fracasso abjeto da ONU”, reclamava contra a ONU ter-se recusado a curvar-se ante a ditadura da única superpotência mundial, os EUA.

A ONU assumiu aquela posição, porque estava consciente da, e inspirada por, sua obrigação de agir como verdadeira representante de todos os povos do mundo, nos termos de abertura da Carta das Nações Unidas: “Nós, os povos das nações unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo das guerras...”1

Contudo, e tragicamente, oito anos depois, em 2011, o Conselho de Segurança da ONU abandonou qualquer compromisso com essa determinação.

Açoitado pela humilhante experiência de 2003, quando os EUA demonstraram que o único poder é a violência, o Conselho de Segurança decidiu que mais fácil seria submeter-se à violência dos poderosos, que honrar o dever de respeitar o soberano desejo dos povos – também das nações africanas, é claro. Então divulgou a mensagem de que aceitava nada ser além de instrumento nas mãos dos senhores da violência mais brutal, os mais brutais no sistema das relações internacionais, e que a violência, portanto, passaria a comandar a ordenação dos negócios humanos.

Como africanos, temos de levantar-nos e reafirmar nosso direito e nosso dever de determinar nosso destino, na Líbia e em qualquer outro ponto de nosso continente.

Exigimos que todos os governos, em todos os cantos do mundo, também na África, que almejem alcançar genuíno respeito dos governados, como nós, ajam imediatamente para reafirmar “a lei pela qual todas as nações possam viver dignamente”.

Exigimos que:

– tenha fim imediatamente a guerra de agressão da OTAN contra a Líbia;

– a União Africana seja apoiada para implementar seu plano para ajudar o povo líbio a alcançar a paz, a democracia, prosperidade para partilhada e a reconciliação, numa Líbia unida; e que

– o Conselho de Segurança aja imediatamente para cumprir suas responsabilidades, como definidas na Carta das Nações Unidas.

Os que desencadearam tempestade mortal de bombas sobre a Líbia não devem persistir na autoilusão de que o aparente silêncio dos milhões de africanos signifique qualquer tipo de aprovação à campanha de morte, destruição e dominação que aquela tempestade parece assegurar.

Estamos confiantes. Reemergiremos vitoriosos, por mais que façam os semeadores de morte dos mais poderosos exércitos do mundo.

Responderemos na prática da vida e como africanos. Em todos os momentos e pelos meios necessários, agiremos resoluta e deliberadamente para defender o direito de os africanos da Líbia decidirem o próprio futuro e, por essa via, defenderemos o direito e o dever de todos os africanos determinarmos nosso destino.

O Mapa do Caminho proposto pela União Africana[4] ainda é o melhor caminho para garantir a paz ao povo da Líbia.
[seguem-se 140 assinaturas de intelectuais, artistas, professores, religiosos, políticos e personalidades africanos]


[3] “Thank God for the death of the UN. Its abject failure gave us only anarchy. The world needs order”, 21/3/2003, Richard Perle, The Guardian, UK, em http://www.guardian.co.uk/politics/2003/mar/21/foreignpolicy.iraq1.
[4] “African Union proposes Libya roadmap to peace”, 10/4/2011, http://www.socialistunity.com/?p=7976 (em inglês).

Líbia: Manter viva a chama da liberdade de opinião

26/8/2011, Stephen Lendman, OpEdNews
A caça ao petróleo da Líbia começou em abril, quando o ministro das Relações Exteriores da Itália Franco Frattini disse que Paolo Scaroni, presidente da gigante italiana do petróleo ENI, mantivera contato com o Conselho Nacional de Transição na Líbia, para “reiniciar a cooperação no setor energético e manter a colaboração com a Itália no setor do petróleo.”

Em junho, o Washington Post publicou que ConocoPhillips, outra gigante do petróleo, essa norte-americana, e outras companhias associadas, também haviam feito contato com o Conselho Nacional de Transição. Nansen Saleri, presidente da empresa Quantum Reservoir Impact, de engenharia, disse que: “Agora já podemos ver que lado vencerá, e não é o lado de Gaddafi. Várias partes do mosaico começam a tomar forma. As empresas ocidentais estão-se posicionando. Daqui a cinco anos, a produção de petróleo na Líbia será maior que hoje e os investimentos estão começando a aparecer”. É o que ele pensava!

Embora seja responsável por apenas 2% da produção mundial de petróleo, a Líbia é o mais rico país africano em reservas de petróleo de alta qualidade – grande parte do qual ainda não está sendo explorado.

Dia 22/8/2011, no New York Times, Clifford Krauss escreveu que “A guerra não acabou e já começou a disputa pelo acesso ao petróleo líbio.”

De fato, os abutres já haviam chegado vários meses antes, certos de que a morte e a putrefação da nação líbia seria questão de tempo. Pode ser que sim, pode ser que não. Apesar da euforia que as televisões e jornais exibem, a coisa não está, não, de modo algum, resolvida.

Várias empresas, contudo, além da ENI e da ConocoPhillips, já estavam envolvidas na luta – a britânica BP, a francesa Total, a espanhola Repsol YPF, a austríaca OMV, as norte-americanas Hess, Marathon, talvez a ExxonMobil, e outras.

Dizem os jornais que Rússia, Brasil e sobretudo a China seriam excluídas da partilha, por ordens de Washington – que já dava Gaddafi como carta fora do baralho.

Além disso, o governo Obama e a OTAN já tinham pronto um plano detalhado para a Líbia sem Gaddafi, que incluía uma força – exército de ocupação – sustentada pelos Emirados Árabes Unidos, suplementada talvez pelos ‘capacetes azuis’ da ONU.

Em outras palavras, o plano previa detonar a soberania da Líbia e substituí-la por força militar e paramilitar de ocupação comandada por governo-fantoche que serviria aos interesses de empresas ocidentais, não dos líbios. Basta isso para se ter certeza de que haverá resistência líbia, como há resistência afegã, iraquiana e por todos os cantos naquela região, contra EUA-OTAN.

Informação distribuída pelo website DEBKAfile (
http://www.debka.com/) ligado ao Mossad israelense pode ser verdadeira ou falsa, como se sabe. Mas dia 23/8/2011 aquela página informava que “milhares de combatentes armados de tribos leais a Gaddafi estão em movimento na direção de Sabha” no sudoeste da Líbia – região na qual se supõe que Gaddafi esteja escondido. “Entre eles, há importantes chefes da tribo Gaddadfa” (na qual se inclui a família Gaddafi) estimados em cerca de 100 mil na região de Sirte, no litoral entre Trípoli e Benghazi.

DEBKA dizia que forças especiais do Reino Unido, França, Jordânia e Qatar “lideraram o ataque dos rebeldes a Trípoli e ao complexo Bab al-Azaziya onde Gaddafi vivia”. Foi a primeira vez que tropas ocidentais e árabes “combateram lado a lado, em qualquer das revoltas árabes da Primavera Árabe (2011) e a primeira vez que forças árabes são incluídas em operação da OTAN”.

Elementos ocidentais envolvidos incluiriam agentes especiais do Reino Unido e da França, além de ‘forças especiais’ da Jordânia – “especialistas em guerrilha urbana e em capturar instalações fortificadas”, além de forças especiais do Qatar.

Apesar de dizer que Trípoli estaria quase toda sob controle dos ‘rebeldes’, DEBKA dizia que “a guerra não será rápida”. Pensavam talvez no Afeganistão e no Iraque. Mas a guerra na Líbia pode ser muito mais longa do que DEBKA e outros supõem.

Em Progressive Radio News Hour (programa gravado na 5ª-feira para ir ao ar no sábado), o professor de Direito Francis Boyle disse aos ouvindo que se deve esperar guerra longa na Líbia, além de ser possível que o conflito se alastre pela região e talvez além dela. Não é o único; Webster Tarpley também vê risco de longa guerra civil (tribal) na Líbia. Boyle e outros também desmentem os relatos de que Trípoli estaria sob controle dos ‘rebeldes’ e dizem que a batalha prossegue nas ruas.
A Grande Mentira ‘jornalística’ contra os fatos
Desde o início dos conflitos na Líbia, a imprensa-empresa veiculou informação falsa sobre vitórias da OTAN ou de grupos aliados à OTAN. A ideia, evidentemente, é controlar as mensagens, confundir o inimigo e não gerar pânico nos países membros da OTAN (cuja população tem filhos, filhos, irmãos, maridos, pais no front), fazendo crer que tudo estaria andando conforme o previsto e que a vitória estaria próxima.
[O enviado da Rede Globo, Marcos Uchoa, que chegou ontem a Trípoli, ‘informou’, no “Jornal da Globo”, que os líbios “têm o hábito de atirar para cima” (informação que foi acompanhada de movimento do dedo do jornalista, como se estivesse com o dedo num gatilho), e que os tiros que se ouviam ao fundo, enquanto o jornalista falava, festejando a paz que o cercava na Líbia, não passavam de “tiros comemorativos”. Seja verdade seja mentira, fato é que nunca antes na história desse país alguém se atrevera a falar de “tiros comemorativos” em sentido e com entonação indiscutivelmente laudatórios. Mesmo no pior jornalismo do mundo, difícil imaginar ridículo mais absoluto (NTs)].
De fato, a situação em Trípoli e em outros pontos da Líbia nada tem de semelhante ao que a OTAN parece ter previsto; por todos os lados o que se vê é caos e tiros. Nada absolutamente está decidido e o que se discute é que tipo de novos exércitos ocidentais serão mandados para lá, se os gaddafistas não forem rapidamente contidos e os ‘rebeldes’ não se impuserem. O que se vê também é que os ‘rebeldes’ não têm qualquer plano de ação, nenhuma organização e estão sofrendo baixas pesadas – dado que já não contam com o apoio aéreo da OTAN que lhes deu cobertura no sábado, para entrarem em Trípoli.

Dia 24 de agosto, a rádio Voice of Russia noticiou que “Agências russas ouviram pessoal médico ucraniano em Trípoli que falam de balas perdidas, prédios saqueados e absoluto caos. Os habitantes da cidade mantêm-se em casa e as ruas estão tomadas por bandidos. Testemunhas oculares falam de uma gangue armada que teria invadido e saqueado as embaixadas da Bulgária e da Coreia do Sul e a residência do embaixador da Ucrânia. Não há dúvidas de que a luta em Trípoli continua. Absolutamente nenhum analista sério arrisca-se a dizer que os rebeldes controlam alguma coisa (...).”

Toda a mídia-empresa ocidental opera na direção de desinformar e distorcer a realidade em campo. Quanto mais se acompanham as grandes redes de televisão e jornais, mais se tem certeza de que nada sabem e nada vem – ou que mentem deliberadamente.

No New York Times, o que se viu de mais aproximado da verdade foram alguns fragmentos de frase de Anthony Shadid, dia 24/8, em matéria intitulada “Depois das revoltas árabes, reina a incerteza”, em que diz: “A Líbia é uma revolução em andamento, que tanto inspira quanto gera ansiedade, e ilustra o quanto a mudança de regime pode ter-se tornado perigosa nessa nova fase da Primavera Árabe”.

O que se pode dizer com alguma certeza

O que continua na Líbia não é uma revolução: é uma guerra civil instigada (e armada) pelo ocidente. Que é violenta, não há dúvida; que gera ansiedade, ok. Mas nada tem de “inspiração” para ninguém, sobretudo não, evidentemente, para os milhões de líbios que estão sob fogo cerrado da OTAN e de mercenários ou de grupos da oposição que, sob Gaddafi, jamais andaram pelas ruas atirando a esmo.

Quanto à “Primavera Árabe” sequer começou e está muito longe de dar flores políticas consistentes – por mais que aquelas lutas sejam “inspiradoras” e se deva esperar que continuem a dar coragem para que os povos lutem por direitos que há muito tempo lhes têm sido negados. A ‘inspiração’ da “Primavera Árabe” nada tem a ver com a inspiração que move as gigantes do petróleo no ataque/saque que estão movendo contra a Líbia.

Mas há fragmentos de verdade no que Shadid escreveu: a liderança do Conselho Nacional de Transição é, sim “opaca e sem coesão”. Anota também que armar mercenários estrangeiros, como faz a OTAN hoje na Líbia, para apresentá-los ao mundo como “rebeldes” e “combatentes da democracia” é “exatamente o mesmo tipo de intervenção que tem longa e triste história e sempre foi tóxica, no mundo árabe”. E que “a transição para uma nova ordem”, nessas circunstâncias, pode ser... tumultuada”. A palavra é fraca, mas o argumento não está completamente viciado, como os demais, nas páginas daquele jornal, sobre o mesmo tema.

Mas Shadid esquece de dizer que na Líbia, no Egito, no Bahrain, na Tunísia e em muitos outros pontos do mundo árabe, ninguém, em sã consciência, consegue ver algum sinal de alguma dor do parto de alguma democracia. Também não comenta o que disse o Dr. Moussa Ibrahim, porta-voz do governo líbio: que as forças pró-Gaddafi controlam 20 cidades e extensas áreas do país, acrescentando: “Continuaremos a resistir até que Gaddafi volte ao poder. Todo o comando do governo está em Trípoli. As forças legais, exército e voluntários controlamos a cidade”.

É quadro absolutamente diferente do que a OTAN e as empresas de televisão e jornais do ocidente insistem em pintar. Não só a OTAN e as empresas de televisão e jornais, mas, também gente respeitada como, dentre outros, o prof. Juan Cole, que festejava, não se sabe o quê, em artigo do dia 22 de agosto [aqui omitido].

O artigo do prof. Cole só faz repetir desinformação, má informação, distorções e completas mentiras de jornais e agências noticiosas. Dificilmente se encontraria mais lamentável expressão de desonestidade intelectual: parece ser discurso de quem espera colher benefícios da mentira. Não é o único, nem é o pior. O prof. Cole é, apenas, mais um, numa legião. Toda e qualquer mentira, suficientemente repetida, convence os mais tolos que, infelizmente, são maioria estatística.

Muito mais confiáveis são os relatos que dizem que a situação na Líbia está indefinida, que é caótica, que reina a mais terrível violência e que nada está resolvido. Também é verdade indiscutível – vê-se nas ruas – que Gaddafi continua imensamente popular. Simultaneamente, a população odeia a OTAN e os assassinos ‘rebeldes’ com os quais não querem qualquer tipo de aproximação com associação. Resultado disso, deve-se esperar que a luta prossiga por muito tempo.

Se a população líbia conseguirá derrotar a OTAN, ainda não se pode dizer. O que se pode dizer é que isso é, resumidamente, o que a população líbia mais deseja que aconteça. É desejo, também, de todos que reconheçam que é direito de todos os povos resistir à dominação imperial.

É possível que o espírito da Primavera Árabe – muito mais que os resultados obtidos até aqui – consiga inspirar os líbios e outros árabes a não ceder ante a violência da agressão e da ocupação militares. É sua única chance.

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Tradução: exército de ocupação – como no Afeganistão e no Iraque. Bem-vindos ao neocolonialismo 2.0.


Pepe Escobar - R2P: De “Responsabilidade de Proteger” a “Razão para Pilhar”

Pepe Escobar


27/8/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

A tarefa-carga do homem branco [1] não prevê perguntar aos africanos o que pensam do massacre ocidental/monárquico em curso contra os árabes nas praias do norte do continente. Mas alguns, pelo menos, decidiram pôr fim à enrolação.

Mais de 200 líderes e intelectuais africanos distribuíram carta aberta em Johannesburg, África do Sul, chamando a atenção para o “uso distorcido do Conselho de Segurança da ONU para a prática da diplomacia militarizada, com o objetivo de derrubar o governo na Líbia” e para “marginalizar a União Africana”.

Quanto aos “vencedores” ocidentais na Líbia, já nem tentam disfarçar. Richard Haass, presidente daquele almanaque de Gotha do establishment dos EUA que é o Conselho de Relações Exteriores, assina coluna no Financial Times na qual diz claramente que “a intervenção humanitária introduzida para salvar vidas que se acreditava que estivessem ameaçadas foi, de fato, intervenção política para derrubar o governo”
[2] .
Quanto à chusma de atores locais – líbios da Cirenaica – Haass já os despachou para a lata do lixo da história: “Os líbios não conseguirão administrar a situação e emergir por conta própria” e, com “dois milhões de barris de petróleo por dia” em jogo, a única solução é uma “força internacional”. Tradução: exército de ocupação – como no Afeganistão e no Iraque.
Bem-vindos ao neocolonialismo 2.0.
A hora da vingança
Por tudo isso, o establishment norte-americano já está tão atrevido quanto a direita rica cabeça de noz da variedade Donald “aquela coisa no cocuruto” Trump. Trump disse à Fox News: “Nós somos a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte]. Nós apoiamos a OTAN com dinheiro e armas. E ganhamos o quê? Por que não ficaríamos com o petróleo?”
Em termos de Dia da Marmota geopolítico, é de fato o Afeganistão e o Iraque, tudo outra vez – uma orgia de saques, destruição de estátuas, segmentos de reality show televisivo para não deixar ninguém descolar o olho das telinhas, até faixas de uma torcida pró-OTAN (mais ou menos como os americanos agradeceriam aos chineses que bombardeassem New York City até reduzi-la a ruínas, para “libertá-la”).
E nem se fala da imbecilidade da grande mídia-empresa. A CNN deslocou Trípoli para o leste – para o Mediterrâneo leste, em algum ponto perto do Líbano. A BBC mostrou uma festa “rebelde” numa praça Verde em Trípoli localizada na Índia, com bandeiras da Índia. Homenagem e prova da total integração entre a OTAN e a mídia do CCG, Conselho de Cooperação do Golfo, também conhecido como Clube Contrarrevolucionário do Golfo – as seis ricas satrapias fundamentalistas da região.
Considerando que o CCG virtualmente ordena à Liga Árabe o que fazer, não surpreende que a Liga já tenha reconhecido o sinistro Conselho Nacional de Transição ‘rebelde’ como governo legítimo, embora só represente a Cirenáica e apesar de o Grande Gaddafi [3] continuar vivo (embora com a cabeça a prêmio: 1,6 milhão de dólares). Digamos que é o troco da Liga Árabe, por Gaddafi ter chamado o rei saudita Abdullah de “estúpido”, nas preliminares para a guerra do Iraque.
Também é como se a Líbia agora fosse um emirado árabe em construção, sem nada ter a ver com a África. O CCG financiou e armou os “rebeldes”. A União Africana era quase unanimemente contra a guerra OTAN/CCG. Ergo, no que dependa de OTAN/CCG, a África que se dane; a única coisa que realmente importa – estrategicamente – é meter uma base militar/naval do Africon/OTAN na Líbia.
E lá nos vamos, para outra Zona Verde
Já não é segredo para ninguém que agentes dos serviços secreto britânico, francês, da CIA, do Qatar e mercenários de todos os tipos choveram (de paraquedas) sobre território líbio como força de invasão, há meses, planejando e treinando “rebeldes” e em estreita coordenação com a OTAN, essa entidade prodígio da filantropia universal.
Nunca se tratou de mandado da ONU, mas... quem liga?! OTAN/CCG pagam as contas, a OTAN cuida do bombardeio e OTAN/CCG “estabilizarão” a confusão toda, como se lê em plano de 70 páginas vazado pelo Times de Londres e de Rupert Murdoch. [4]
Só tolos acreditarão na notícia-boato previsível de que o plano teria sido elaborado pelo Conselho Nacional de Transição com “ajuda ocidental”. A OTAN não se atreverá – não, pelo menos, no começo – a pôr os pés em terra; daí a proposta de “uma força-tarefa de 10.000-15.000 soldados em Trípoli”, a ser fornecida pelos Emirados Árabes Unidos, que, mais dia menos dia, lá estará. A pergunta mais eletrizante é: na folha de pagamento dos Emirados Árabes Unidos haverá mercenários estrangeiros (jordanianos, sul-africanos, colombianos) treinados pela Blackwater, ou mercenários tribais?
E – adivinhem o quê! – uma Zona Verde remix, como no Iraque, próxima da Praça Verde. São notícias quase tão deliciosas quanto o embaixador do Conselho Nacional de Transição nos Emirados Árabes Unidos, Aref Ali Nayed, a desmentir compungido o plano vazado, no mesmo momento em que Benghazi confirmava a coisa toda.
Todos já sabem também que a rendosa reconstrução de tudo que a OTAN destruiu beneficiará – e quem poderia ser?! – os “vencedores”: os países da OTAN/CCG.[5] O líder do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdel Jail já confirmou, em Benghazi.
Devem-se esperar ruidosas comemorações locais – e globais –, no que tenha a ver com pôr a mão no butim. Sem considerar a riqueza (ainda inexplorada) em gás e petróleo, a Líbia tem mais de 150 bilhões de dólares em bancos estrangeiros. E o Banco Central da Líbia – agora em vias de ser privatizado – guarda nada menos que 143,8 toneladas de ouro. Há também por lá água doce suficiente para um milênio, que Gaddafi começava a tornar acessível via o espetacular multibilionário Projeto “Grande Rio Feito pelo Homem” [orig. Great Man-Made River (GMR) project].
Aí está também mais uma sólida resposta à pergunta sobre por que a França decidiu, tão freneticamente, derrubar Gaddafi: as maiores empresas mundiais de exploração de água são francesas; e a possibilidade de privatizar suprimento de água doce a ser comercializado por mil anos deixou os executivos daquelas empresas, digamos... babando.
Por tudo isso, como vasto novo mercado potencialmente muito lucrativo para empresas europeias, e bem ali, na outra margem do Mediterrâneo, a Líbia é artigo de primeira, o que dá novo significado à doutrina do imperialismo humanitário e sua “responsabilidade de proteger” [orig. R2P (“Responsibility to Protect”)], que passa a significar “direito de pilhar” [orig. R2P (“Right 2 Plunder”)] – como escreveu um leitor de Asia Times Online.
O primeiro-ministro italiano Silvio “bunga bunga” Berlusconi foi gentil: encontrou-se em Milão com o primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição, bem à frente da nova bandeira da Líbia (de fato, é a velha bandeira monárquica do rei Idris), posta ao lado das bandeiras da Itália e da União Europeia.
E dizer que há apenas um ano, Silvio B. oferecia fantástica festa ao seu camaradinha cujas mãos adorava beijar – precisamente nosso Grande G. –, com desfile de 30 beduínos montando cavalos puros-sangues importados.
Em 2008, Silvio B. e o Grande Gaddafi assinaram tratado para enterrar a infeliz era colonial (1911-1942), pelo qual a Itália gastaria $5 bilhões ao longo de 25 anos em investimento na infraestrutura da Líbia – estradas e ferrovias; graças a esse tratado, 180 empresas italianas conseguiram contratos fabulosos na Líbia, e a Itália passou a ser a principal parceira comercial da Líbia.
Por isso, o líder do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdel Jalil estava obrigado a confirmar para Berlusconi que a nova Líbia manterá “relações especiais” com todos os “vencedores” da guerra de OTAN/CCG contra a Líbia; e destacou a Itália.
Semana que vem, será a vez do Xeique Abdullah bin Zayed, ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, que visitará Benghazi para passar a mão em fatia bem gorda do bolo da reconstrução. Depois do estouro da bolha imobiliária, os Emirados Árabes Unidos pululam de empresários prontos a saltar sobre qualquer oportunidade.
E quanto ao mapa do caminho
Mas e se o Grande Gaddafi tiver carregado seu ouro? O ex-presidente do Banco Central da Líbia garante que, em Trípoli, estão fisicamente guardadas reservas equivalentes a nada menos que $10 bilhões em ouro.
Assim, enquanto os britânicos do serviço secreto metidos em trajes civis árabes e brandindo Kalashnikovs idênticas às dos “rebeldes” procuram Gaddafi “vivo ou morto”, ao estilo texano de George W Bush, o Grande Gaddafi pode bem estar comprando aliados tribais e pagando, literalmente, em ouro. Para não dizer que já conta com o apoio da tribo Gaddafi (habilíssimos caçadores noturnos), da tribo al-Magarha (atiradores de primeiríssima) e de quase toda a tribo da esposa de Gaddafi, os Warfallah (a maior do país, com mais de 2 milhões de pessoas).
Dado que o Conselho Nacional de Transição anda dizendo por todos os cantos que a Líbia pós-Gaddafi será pluralista e multicultural, já se veem sinais claros de que já começaram a construir mais uma Areia Movediça City.
Os árabes do norte absolutamente desprezam os berberes do sul – e vice-versa. A gente da Tripolitania absolutamente despreza os salafitas da Cyrenaica – e vice-versa.
Com tanta coisa em jogo, é fácil visualizar um mapa do caminho que será, com pequenas variações, o seguinte:
– Um governo do Conselho Nacional de Transição muito fraco, governo-fantoche; as tropas da doutrina do neoliberalismo de desastre distanciar-se-ão cada vez mais dos líbios habituados a 40 anos de ensino gratuito, atendimento gratuito à saúde e moradia gratuita; logo se organizará movimento de guerrilha contra a ocupação estrangeira; salafitas-jihadistas de outras latitudes árabes acorreram para a Líbia; cidades do deserto facilmente se tornarão bases de grupos guerrilheiros; os oleodutos do sudeste do país serão atacados; será réplica de Bagdá, de 2004 a 2007; haverá uma “avançada” [surge] em cenário de guerra civil/tribal sem fim; e lá estará o Afeganistão 2.0, como frente-gêmea guerrilheira – o grupo de Gaddafi contra os “rebeldes”/OTAN, e os salafitas contra a OTAN, porque o ocidente nunca admitirá que a Líbia converta-se em estado islâmico.
Gaddafi, hoje, aposta que os espiões e mercenários de OTAN/CCG converterão a Líbia em novo Iraque/Afeganistão. (É bem possível, aliás, que a OTAN adore a ideia.) Com isso, forçarão Gaddafi a entrincheirar-se mais fundo no norte da África. Voltarão as mesmas velhas táticas imperiais de dividir-para-reinar, enquanto as empresas ocidentais exercerão seus direitos de saquear.
Simultaneamente darão nova vida, numa espécie de trama secundária, à “guerra ao terror”, enquanto a recessão devora o que resta das respectivas economias nacionais. Mas o complexo industrial-militar e empresários do ramo de armas/segurança continuarão felizes da vida. Iraque/Afeganistão, tudo outra vez? Vamos ver quem pode mais.

Notas dos tradutores
[1] White man’s burden é poema de Rudyard Kipling, de 1899, um apelo para que os EUA assumam a tarefa de promover o desenvolvimento das Filipinas que acabavam de ser derrotadas na Guerra hispano-americana; é considerado o “hino” do imperialismo britânico. .
[2] 22/8/2011, Financial Times em: Libya now needs boots on the ground
[4] Há matéria detalhada sobre o plano em: Iraq haunts plans for post Gaddafi Libya