domingo, novembro 23, 2008

A crise da extrema esquerda


Os resultados das eleições municipais vieram corroborar o que o cenário político nacional já permitia ver: o esgotamento do impulso da extrema esquerda, que tinha sido relançada no começo do governo Lula. A votação em torno de 1% de dois dos seus três parlamentares, candidatos a prefeito em São Paulo e no Rio de Janeiro, com votações significativamente menores do que as que tiveram como candidatos a deputados, sem falar na diferença colossal em relação à candidata à presidência, apenas dois anos antes – são a expressão eleitoral, quantitativa, que se estendeu por praticamente todo o país, do esgotamento prematuro de um projeto que se iniciou com uma lógica clara, mas esbarrou cedo em limitações que o levam a um beco difícil, se não houver mudança de rota.


A Carta aos Brasileiros, anunciando que o novo governo não iria romper nenhum compromisso – nesse caso, com o capital financeiro, para bloquear o ataque especulativo, medido pelo “risco Lula” -, a nomeação de Meirelles para o Banco Central e a reforma da previdência como primeira do governo – desenharam o quadro de decepção com o governo Lula, que levaria à saída do PT de setores de esquerda. A orientação assumida pelo governo inicialmente, em que a presença hegemônica de Palocci fazia primar os elementos de continuidade com o governo FHC sobre os de mudança – estes recluídos basicamente na política externa diferenciada e em setores localizados – e a reiteração de um governo estritamente neoliberal davam uma imagem de um governo que era considerado pelos que abandonavam o PT, como irreversivelmente perdido para a esquerda.

O dilema para a esquerda era seguir a luta por um governo anti-neoliberal dentro do PT e do governo ou sair para reagrupar forças e projetar a formação de uma nova agrupação. Naquele momento se cogitou a constituição de um núcleo socialista, dos que permaneciam e dos que saíam do PT, para discutir amplamente os rumos a tomar. Não apenas cabia uma força à esquerda do PT, como se poderia prever que ela seria engrossada por setores amplos, caso a orientação inicial do governo se mantivesse.

Dois fatores vieram a alterar esse quadro. O primeiro, a precipitação na fundação de um novo partido – o Psol -, com o primeiro grupo que saiu do PT – em particular a tendência morenista – passando a controlar as estruturas da nova agremiação. Isto não apenas estreitou organizativamente o novo partido, como o levou a posições de ultra-esquerda, responsáveis pelo seu isolamento e sectarização. A candidatura presidencial nas eleições de 2006 agregou um outro elemento ao sectarismo, que já levaria a uma posição de eqüidistância em relação ao governo Lula. O raciocínio predominante foi o de que o governo era o melhor administrador do neoliberalismo, porque além de mantê-lo e consolidá-lo, o fazia dividindo e confundindo a esquerda, neutralizando a amplos setores do movimento de massas. Portanto deveria ser derrotado e destruído, para que uma verdadeira esquerda pudesse surgir. O governo Lula e o PT passaram a ser os inimigos fundamentais da nova agrupação.

Esse elemento favoreceu a aliança – já desenhada no Parlamento, mas consolidada na campanha eleitoral – com a direita – tanto com o bloco tucano-pefelista, como com a mídia oligárquica -, na oposição ao governo e à reeleição de Lula. A projeção midiática benevolente da imagem da candidata do Psol lhe permitia ter mais votos do que os do seu partido, mas comprometia a imagem do partido com uma campanha despolitizada e oportunista, em que a caracterização do governo Lula não se diferenciava daquela feita na campanha do “mensalão”. Como se poderia esperar, apesar de algumas resistências, a posição no segundo turno foi a do voto nulo, isto é, daria igual para o novo partido a vitória do neoliberal duro e puro Alckmin ou de Lula. (Se tornava linha nacional oficial o que já se havia dado nas primeiras eleições em que o Psol participou, as municipais, em que, por exemplo, em Porto Alegre, diante de Raul Pont e Fogaça, no segundo turno, se afirmou que se tratava da nova direita contra a velha direita e se decidiu pelo voto nulo.)

Uma combinação entre sectarismo e oportunismo foi responsável pelo comprometimento da orientação política do novo partido, que o levou a perder a possibilidade de formação de um partido à esquerda do PT, que se aliasse a este nos pontos comuns e lutasse contra nos temas de divergência. O sectarismo levou a que sindicatos saíssem da CUT, sem conseguir se agrupar com outros, enfraquecendo a esquerda da CUT e se dispersando no isolamento. Levou a que os parlamentares do Psol votassem contra o governo em tudo – até mesmo na CPMF – e não apoiassem as políticas corretas do governo – como a política internacional, entre outras. Esta se dá porque o governo brasileiro tem estreita política de alianças com as principais lideranças de esquerda no continente – como as de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia -, que apóiam o governo Lula, o que desloca completamente posições de ultra-esquerda – que se reproduzem de forma similar a dessa corrente no Brasil nesses países -, deixando de atuar numa dimensão fundamental para a esquerda – a integração continental.

Por outro, o governo Lula passou a outra etapa, com a saída de vários de seus ministros, principalmente Palocci, conseguindo retomar um ciclo expansivo da economia e desenvolvendo efetivas políticas de distribuição de renda, ao mesmo tempo que recolocava o tema do desenvolvimento como central – deslocando o da estabilidade, central para o governo FHC -, avançando na recomposição do aparelho do Estado, melhorando substancialmente o nível do emprego formal, diminuindo o desemprego, entre outros aspetos.

A caracterização do governo Lula como expressão consolidada do neoliberalismo, um governo cada vez mais afundado no neoliberalismo – reedição de FHC, de Menem, de Carlos Andrés Perez, de Fujimori, de Sanchez de Losada – se chocava com a realidade.

Economistas da extrema esquerda continuaram brigando com a realidade, anunciando catástrofes iminentes, capitulações de toda ordem, tentando resgatar sua equivocada previsão sobre os destinos irreversíveis do governo, tentando reduzir o governo Lula a uma simples continuação do governo FHC, reduzindo as políticas sociais a “assistencialismo”, mas foram sistematicamente desmentidos pela realidade, que levou ao isolamento total dos que pregam essas posições desencontradas com a realidade.

O isolamento dessas posições se refletiu no resultado eleitoral, em que todas as correntes de ultra-esquerda ficaram relegadas à intranscendência política, revelando como estão afastadas da realidade, do sentimento geral do povo, dos problemas que enfrenta o Brasil e a América Latina. As políticas sociais respondem em grande parte pelos 80% de apoio do governo,rejeitado por apenas 8%. Para a direita basta a afirmação do “asisistencialismo” do governo e da desqualificação do povo, que se deixaria corromper por “alguns centavos”, mas a esquerda não pode comprá-la, por reacionária e discriminatória contra os pobres.

Confirmação desse isolamento e de perda de sensibilidade e contato com a realidade é que não se vê nenhum tipo de balanço autocrítico, sequer constatação de derrota da parte da extrema esquerda. Se afirma que se fizeram boas campanhas, não importando os resultados, como se se tratassem de pastores religiosos que pregam no deserto, com a consciência de que representam uma palavra divina, que ainda não foi compreendida pelo povo. (Marx dizia que a pequena burguesia sofre derrotas acachapantes, mas não se autocrítica, não coloca em questão sua orientação, acredita apenas que o povo ainda não está maduro para sua posições, definidas essencialmente como corretas, porque corresponderiam a textos sagrados da teoria.)

Não fazer um balanço das derrotas, não se dar conta do isolamento em que se encontram, da aliança tácita com a direita e das transformações do governo Lula – junto com as da própria realidade econômica e social do país –, da constatação do caráter contraditório do governo Lula, que não deveria ser se inimigo fundamental revelariam a perda de sensibilidade política, o que poderia significar um caminho sem volta para a extrema esquerda. Seria uma pena, porque a esquerda brasileira precisa de uma força mais radical, que se alie ao PT nas coincidências e lute nas divergências, compondo um quadro mais amplo e representativo, combinando aliança a autonomia, que faria bem à esquerda e ao Brasil.

por Emir Sader 

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quarta-feira, novembro 19, 2008

O lapso de um jornalismo relapso


Em um texto postado em seu blog, no dia 14 de novembro, Ricardo Noblat chamou o presidente do STF de "Gilmar Dantas". É bom lembrar que para Freud, esses desvios eram sintomas de um compromisso entre o intuito consciente da pessoa e o reprimido.

Gilson Caroni Filho

Este artigo foi originalmente escrito para o Observatório da Imprensa. Publicá-lo, com versão ampliada em Carta Maior, é uma forma de aumentar os espaços de discussão para os que ainda acreditam que um outro jornalismo é possível. Aqueles profissionais que recusam, na medida do impossível, qualquer prática jornalística que solicite desvios éticos, distorcendo a realidade e caluniando quem considera adversário político. Uma aposta difícil, mas irrecusável.
Quando a imprensa abre mão de ser uma instância de afirmação republicana – e é preocupante a freqüência com que isso vem ocorrendo diariamente – não comete apenas um grande desvio: deixa mesmo de ser imprensa para se tornar departamento de negócios diversos.
É sempre bom recordar o que disse Washington Novaes: "jornalismo não é profissão a ser exercida em nome próprio", mas por delegação da sociedade, a quem legitimamente pertence a informação. Em tempos de enganos nem sempre involuntários, um legítimo, de safra recente, deve ser examinado com humor e atenção. Apresenta-se como subtexto absurdo de intenções inconfessas.
O texto postado por Ricardo Noblat, sexta-feira, 14 de novembro, em seu blog supostamente jornalístico, nada mais é do que um ato falho, um desejo do inconsciente realizado através de um equívoco. É bom lembrar que para Freud, esses desvios eram sintomas de um compromisso entre o intuito consciente da pessoa e o reprimido. Se tivesse acesso ao que escrevem alguns jornalistas da grande imprensa nativa, vários conceitos psicanalíticos seriam revistos à luz da razão cínica que predomina nas redações.
Em poucas linhas, Noblat afirma que “o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Felix, já identificou o araponga da Agência Brasileira de Inteligência que grampeou a conversa travada por telefone entre o ministro Gilmar Dantas, presidente do Supremo Tribunal Federal, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Trata-se do mesmo araponga que entregou à revista VEJA a transcriação da conversa”.
Ao misturar o prenome do ministro com o sobrenome do banqueiro, o jornalista deu forma ao que os dicionários definem como simbiose: "associação entre dois seres vivos que vivem em comum". Um espécime que só existe no plano ideal da politização do Judiciário e da mídia partidarizada.
Importante destacar que, no mesmo dia, o jornalista postou um comentário com título sugestivo:” Uma nova vaia faria bem a Lula”, sugerindo hora e local: ”Seria bom para o excesso de auto-estima de Lula que ele fosse vaiado durante o jogo da próxima quarta-feira em Brasília entre a Seleção Brasileira e a Seleção de Portugal. A vaia que ele tomou no Maracanã na abertura dos Jogos Pan-Americanos já faz mais de um ano”.
É bom observar as angústias dos impolutos Catões da mídia e compreender as angústias que os afligem. Afinal, a crise econômica ainda não chegou com a intensidade por eles desejada. E o noticiário já dá mostras de qual será sua tônica nos próximos meses: a desconstrução simbólica de Lula, se possível com “argumentos” para torná-lo inelegível a partir de 2010.
Relatos tão fidedignos quanto a “transcriação” de fatos e fitas. Insondáveis são os motivos que levam ao surgimento de neologismos tão expressivos. Repito o que escrevi em artigo escrito recentemente publicado. O que permite tamanha desenvoltura na desfaçatez é a conjunção dos bem-intencionados que nada percebem com a esperteza dos bem selecionados peixinhos do "aquário".
É interessante a cadeia alimentar do campo jornalístico. Da labuta dos peixes de mercado, os ornados e pomposos extraem os nutrientes para os interesses dos peixões associados em empreendimentos políticos e econômicos. Qualquer advertência crítica à perfeição desse "ecossistema" soará como grito paranóico. Mas a leitura atenta não pode ceder aos reclamos do senso comum das redações.
Afinal, é lá que está sendo concebido o bloco de poder sonhado pela direita nativa: aquele tem no comando o “Gilmar Dantas” do blogueiro. É dura a disputa para saber quem ficaria como porta-voz da presidência. Mas pelas afinidades político-estilísticas, qualquer escolha será aplaudida pela “bancada dos analistas confiáveis”. Distintos senhores e distintas senhoras, espalhados nos mais diversos veículos, fazem desse sonho profissão de fé.
P.S: Quando esse artigo estava pronto, Ricardo Noblat, alertado por seus leitores, revisou o texto. Ou seria melhor falarmos em retificação de ato falho? Mas, como seguro morreu de velho, já havíamos feito um “screeenshot”
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UMA NOVA VAIA DE ENCOMENDA?
Achei isso em um dos comentários deixado na Carta Maior para o artigo do Gilson Caroni.
Vejam só!!! Dani

Nome:
luiz claudio pinheiro
Tendência:
A favor
Comentário:
Gilson, com relação a uma possível vaia contra Lula no jogo com Portugal, tem uma coisa que possivelmente voce e o resto do país não sabem, mas tem sido um dos assuntos mais falados nestes ultimos dias aqui em Brasília. É que cerca de 50% dos ingressos estão sendo distribuídos pelo governador Arruda (DEM) a autoridades e funcionários dos tres poderes. "Esses convidados dão mais prestígio ao espetáculo do que os torcedores comuns, e seria constrangedor para o governador se eles tivessem que pagar ingresso", explicou com todas as letras, em entrevista às rádios, o secretário de Esportes daqui. Para o povão, o ingresso mais barato custa R$ 160. Isso mesmo, 160 pilas é o ingresso mais barato. A indignação da população brasiliense contra o que está acontecendo é grande. No estádio, só vai ter autoridade e gente com bastante cacife. Se houver vaia, é bom saber que tipo de gente está vaiando.
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domingo, novembro 16, 2008

Não tenha medo, é só desligar a TV



Noticia do Blue Bus - 12/11/08

Marinho De fato, a crise nao chegou, mas o medo dela sim16:00 A crise é assunto em toda parte - nas salas de reunioes das empresas, nos botecos, nos saloes de beleza, nas agências de propaganda e principalmente na mídia. Mas, afinal, será que ela já desembarcou de fato no país? Quais as consequências que ela pode trazer? Para responder a essas dúvidas, a McCann e o Datapopular foram a campo na última semana de outubro para entrevistar mais de 600 habitantes de capitais e cidades do interior das regioes Sul, Sudeste e Nordeste, todos pertencentes às classes C e D, ou seja, com renda média familiar entre R$ 600 e R$ 3,000 - nota mais cedo aqui. Os resultados, divulgados agora de manha, mostraram que, apesar de ainda nao terem sido afetadas, as pessoas nao tem duvidas de que nao, nao sairao ilesas dessa crise. 12/11 Luiz Alberto Marinho

Para você ter uma idéia do que anda acontecendo, basta dizer que 85% dos brasileiros de baixa renda consideram que sua condiçao econômica atual vai de regular para boa e que apenas 25% acham que a vida ficou pior nos últimos 3 meses. Porém, chega a 43% o percentual dos que acreditam que o país piorou de 6 meses para cá. Além disso, 76% estao preocupados ou muito preocupados com a crise, 90% pensam que o país será afetado por ela e 88% dizem que a própria família sofrerá de alguma maneira as consequências desse problema. O que mais se espera é o aumento do desemprego, reduçao nos salários e aumento da inflaçao. Em outras palavras, o que assusta essa gente é a possibilidade de ter que reduzir o consumo e a nao conseguir pagar suas contas e dívidas. 12/11 Luiz Alberto Marinho

O que faz com que as pessoas acreditem que todas essas coisas ruins acontecerao com elas em breve, apesar de haver poucos sinais concretos da crise em suas vidas? É justamente o barulho que se faz em torno do tema, especialmente na mídia, que alimenta com fervor o pessimismo desse pessoal. 12/11 Luiz Alberto Marinho


Mesmo sem entender direito o que acontece no mundo, 61% dos brasileiros que habitam a base da pirâmide social cogitam pisar no freio e adiar a realizaçao de sonhos de consumo. Os mais preocupados sao os que moram no interior, as mulheres e os mais velhos. Entre as medidas que poderao ser adotadas, caso a situaçao piore de fato, estao a diminuiçao dos gastos, a reduçao do grau de endividamento, a busca por mais um emprego e o adiamento de compras planejadas para o ano que vem, especialmente a aquisiçao de automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos, a reforma da casa e a compra de imóveis. 12/11 Luiz Alberto Marinho

Do ponto de vista das marcas e do varejo, o que esse consumidor popular pode fazer é procurar lojas mais baratas, cortar produtos supérfluos, diminuir a frequência de compra e trocar as marcas preferidas por similares mais em conta. Os setores que sofreriam menos, se a crise bater na porta das classes C e D, seriam os relacionados com limpeza, saúde, moradia, alimentaçao e educaçao. Os maiores cortes seriam em lazer, vestuário, cartoes de crédito e celulares. O grande termômetro do pessimismo do consumidor popular brasileiro será este Natal. Nada menos do que 63% dos entrevistados pensam em mudar a forma de presentear. Se eles farao isso realmente ou nao é algo que somente saberemos no início do ano que vem. 12/11 Luiz Alberto Marinho

Concluindo, a pesquisa da McCann mostra que as classes C e D já sabem o que fazer se a crise invadir suas casas sem pedir licença. Desemprego de algum parente ou amigo próximo, aumento da inflaçao e incapacidade de pagar contas ou dívidas seriam os principais sinais de que é chegada a hora de agir. Elas estao assustadas e preocupadas, nao com o presente, mas principalmente com as incertezas do futuro e a possibilidade de perder boa parte do que conquistaram a duras penas nos últimos anos.
Todas do Marinho no Blue Bus, escolha uma na lista aqui. 12/11 Luiz Alberto Marinho
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sexta-feira, novembro 14, 2008

"La dittatura inizia con l'ignoranza"



Houve notícia no Estadão Online, dia 13/10,em
http://www.estadao.com.br/internacional/not_int265253,0.htm. Aí vai:

Estudantes da Itália rejeitam reformas e tomam escolas
Juventude protesta contra Lei Gelmini para educação; Berlusconi responde e manda polícia ocupar escolas
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Enquanto isso, em São Luís, os estudantes fizeram campanha para o tucano Castelo...






Os "cabeças" das entidades inclusive afirmaram que o ex-governador não mandou espancar estudantes durante a greve de 1979.
Quem tem mais de 40 anos sabe que o governador biônico Castelo bateu e muito. Foram vários dias de confronto nas ruas de São Luís.
Diferente da música, aqui em São Luís, não se deve confiar em quem tem menos de 40...
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segunda-feira, novembro 10, 2008

As lições da eleição



*Sônia Jansen

O que podemos concluir a partir do resultado das eleições em São Luís

É desolador constatar que – apesar de todos os esforços para mostrar que há uma outra maneira de fazer política, com seriedade, honestidadee espírito público – o discurso acaba caindo no vazio e o que transparece é a supremacia do boato sobre a discussão de propostas. Quem vence é o marketing político, as técnicas de comunicação a serviço da ilusão. A ampla utilização dos modernos recursos imagéticos e sonoros proporcionados pela televisão e as pesquisas de intenção que vão delineando um resultado anunciado. Embalam-se promessas vazias para presente, traveste-se o vilão de mocinho e o horário eleitoral confunde-se com a ficção. Utiliza-se sem o menor escrúpulo a imagem da miséria para a enganação. O eleitor fica com a falsa impressão de que tem uma escolha e não percebe que sua vontade é manipulada pela lógica publicitária. Como disse Frei Beto num artigo publicado recentemente, “troca-se a ética pela estética”.
Mais uma vez perdemos o bonde. Mas não vamos nos concentrar nos aspectos negativos. No meio de tanta frustração é possível perceber um processo de mudança de mentalidade em curso. A mensagem foi entendida por uma grande parcela da população. Houve grandes lições de solidariedade e de amizade. Por livre e espontânea vontade as pessoas foram às ruas. Na feira, no supermercado, na padaria, nas praças e bares defenderam com paixão a idéia da “mudança pra valer”, carregaram a bandeira da ética, da gestão moderna e democrática e da política como atividade com fins essencialmente humanos e sociais. Pessoas que acreditaram no sonho de uma escola de qualidade, de um sistema de saúde eficiente, moradias dignas, transporte rápido e seguro, enfim de uma cidade mais justa, de uma administração baseada na excelência dos serviços e na correta aplicação dos recursos públicos.
Foi possível ver no rosto de cada um a paixão por uma idéia, ver que apesar de todas as frustrações, as pessoas ainda ousam acreditar que é possível fazer diferente, que a política não se reduz a um jogo de interesses ou vantagens pessoais.
E que bom que tivemos uma opção. Que bom que o voto desta vez não foi apenas uma obrigação e sim uma oportunidade de escolha, de uma nova alternativa. Finalmente, pudemos acreditar que havia uma esperança, que mesmo não se concretizando é um alento nesse mar de decepções. Esses dias de campanha foram de grande alegria e de emoção como há muito não se via na nossa cidade.
É realmente uma pena que a maioria dos cidadãos ludovicences não tenha compreendido a grandeza desse momento. O dia que seria da grande virada, de uma renovação qualitativa, do grande salto de são Luís para a modernidade. Tomara que a esperança não se perca, que ressurja ainda mais forte e que a lição seja aprendida por todos.

*Jornalista e servidora da Justiça Federal desde 1992


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sábado, novembro 08, 2008

Nada foi capaz de deter Bush, em matéria de violar a Constituição dos EUA.

De novidade, só, que o mesmo desrespeito à liberdade que sempre praticou no resto do mundo, Bush praticou também dentro dos EUA.











Obama tem de responder por oito anos de mentiras, de Bush *
Robert Fisk
Advogados norte-americanos que defendem seis argelinos num julgamento de pedido de habeas corpus em Washington, essa semana, ouviram coisas muito estranhas sobre o serviço secreto dos EUA depois do 11/9. Dentre milhões de relatórios "originais" de espiões norte-americanos e suas "avaliações" sobre o mundo, apareceu um alerta da CIA do Oriente Médio, sobre um possível ataque estilo kamikaze contra uma base da Marinha dos EUA numa ilha do sul do Pacífico. O único problema é que tal base da Marinha não existe na tal ilha e nenhum navio de combate da 7ª Frota dos EUA jamais esteve lá. Em tom de máxima seriedade, investigação militar do Exército dos EUA informara, pouco antes, que Osama bin Laden havia sido visto comprando selos numa agência de correio de uma base militar dos EUA no leste da Ásia.
Que esse tipo de absurdo seja difundido pelo mundo por gente cuja missão seria defender os EUA na "guerra ao terror" mostra o tipo de ilha-da-fantasia no qual viveu o regime Bush nos últimos oito anos. Quem acredite que bin Laden faça compras numa lojinha de uma base militar norte-americana, acreditará que todos os presos são "terroristas", que todos os árabes são "terroristas", que podem ser executados sem julgamento, que "terroristas" tenham de ser torturados, que confissões arrancadas sob tortura gerem "informação", que Estados soberanos podem ser invadidos, que se pode roubar a agenda pessoal de telefones de qualquer um, nos EUA. Como Bob Herbert escreveu no The New York Times há alguns anos, o governo Bush precisava daquelas agendas, "porque contêm informação crucial sobre uma invasão de chineses em Terre Haute, Indiana, e votos de feliz aniversário para vovó, em Talladega, Alabama, para descobrir o esconderijo de Osama bin Laden". Nada foi capaz de deter Bush, em matéria de violar a Constituição dos EUA. De novidade, só, que o mesmo desrespeito à liberdade que sempre praticou no resto do mundo, Bush praticou também dentro dos EUA.
Como Barack Obama conseguirá consertar os danos hecatômbicos que seu predecessor, mentiroso, doentio, perpetrou por todo o planeta e, também, dentro dos EUA? John F. Kennedy disse uma vez que "os EUA, como o mundo sabe, jamais iniciarão uma guerra ". Depois do surto de medo, de Bush, e do "choque e horror" ("shock and awe") de Rumsfeld, depois de Abu Ghraib e Bagram e Guantanamo e interrogatórios secretos, como Obama conseguirá devolver seu país aos tempos de Camelot? O entusiasmo de nosso caro Gordon Brown, em mensagem sobre e-mails de espiões ingleses, é outro exemplo de o quanto a relação pervertida entre Blair e Bush ainda contamina também o corpo político na Inglaterra.
Dias depois de essa presidência-desastre finalmente ir-se para sempre, novas leis norte-americanas passarão a impedir que cidadãos britânicos visitem os EUA sem autorização especial dos serviços de inteligência. Que novas surpresas Bush reservará aos ingleses, antes do 20 de janeiro? O quê, afinal, vindo de Bush, ainda surpreenderá alguém?
Obama tem de fechar Guantanamo. Tem de encontrar um modo de pedir desculpas ao mundo pelos crimes de seu predecessor, tarefa difícil para um homem que tem de mostrar-se orgulhoso de seu país; mas desculpar-se, pedir desculpas, é o mínimo que terá de fazer – no plano internacional –, se a "mudança" que Obama prometeu para efeito doméstico tiver de fazer algum sentido também além das fronteiras dos EUA. Obama terá de repensar – e desmontar – toda a "guerra ao terror". Terá de sair do Iraque. Terá de desativar todas as gigantescas bases aéreas implantadas no Iraque, e o prédio-fortaleza da embaixada norte-americana que lá existe, construção que já custou 600 milhões de dólares. Terá de pôr fim aos ataques aéreos de assassinato em massa que continuam, no sul do Afeganistão – por quê, ah, mas por quê continuamos a matar noivos e convidados em festas de casamento? – e Obama terá, também, de dizer umas verdades a Israel: que os EUA não podem continuar a aplaudir a brutalidade do exército de Israel, nem podem aceitar que judeus, e sempre judeus, continuem a invadir e ocupar terras dos árabes. Obama terá de enfrentar, pelo menos, o lobby israelense (de fato, um lobby do Partido Likud de Israel), e rejeitar o que Bush aceitou em 2004, isso é, a invasão e a ocupação ilegais de grande parte da Cisjordânia. Para isso, os norte-americanos têm de reunir-se com autoridades iranianas – e com autoridades do Hamás. E Obama terá de pôr fim nos ataques aéreos ao Paquistão – e à Síria.
Verdade é que aumenta a preocupação entre os aliados dos EUA no Oriente Médio: é indispensável que os militares norte-americanos sejam postos, outra vez, sob controle – e esse, afinal, foi o motivo pelo qual a visita do General David Petraeus ao Iraque foi dedicada menos a organizar algum "levante" ("surge"), do que a tentar reimpor a disciplina entre os 150 mil soldados e marines cuja missão – e cuja moral – foram arruinadas pelas políticas de Bush. Há provas, por exemplo, de que o ataque de quatro helicópteros à Síria, mês passado, que matou oito pessoas – se não foi operação de guerra suja, sujíssima – não foi, de modo algum, autorizada nem por Washington nem pelo comando norte-americano em Bagdá.
Mas Obama não conseguirá. Quer a retirada do Iraque, para concentrar mais poder de fogo no Afeganistão. Não derrotará o lobby em Washington e não impedirá que prossiga a construção de colônias nos territórios palestinenses ocupados, nem conversará com os inimigos de Israel. Com a indicação de Rahm Emanuel – "nosso homem da AIPAC na Casa Branca", como o jornal Maariv o descreveu essa semana – Obama já 'queimou' a largada. E, é claro, há a terrível possibilidade de que bin Laden, quando não estiver comprando selos em lojinhas de correio em bases militares dos EUA, esteja planejando outra atrocidade, para dar boas-vindas ao governo Obama.
Há ainda outro probleminha, contudo: os prisioneiros "desaparecidos". Não as vítimas que foram (e talvez ainda estejam sendo) torturados em Guantanamo, mas os milhares que simplesmente sumiram quando estavam sob custódia de autoridades dos EUA no estrangeiro ou – por trabalho dos norte-americanos –, presos em prisões dos aliados dos EUA. Há quem fale de 20 mil prisioneiros desaparecidos, quase todos árabes, todos muçulmanos. Onde estão? Podem ainda ser libertados? Ou foram todos mortos? Se Obama descobrir que herdou covas coletivas, de enterros em massa de cadáveres não identificados, terá de pedir mais desculpas ao mundo do que jamais imaginou.


Tradução de trabalho, sem valor comercial, para finalidades didáticas.
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terça-feira, novembro 04, 2008

Democracia da minoria


MUDANÇA DE VERDADE

Montréal (Canadá) - Na terça-feira, a América vai eleger Barack Obama como seu próximo presidente. A mídia corporativa continua a falar em "disputa apertada" em "estados-chave", mas não consigo imaginar que alguém que saiba alguma coisa sobre o que está acontecendo na América acredite realmente nela. Deveria ser óbvio, mesmo para os mais ferrenhos neocons, que John McCain e sua recém-nascida subordinada Sarah Palin estão prestes a ser varridos do mapa político dos Estados Unidos.
O Partido Republicano está em sérios apuros e os Democratas, sob a liderança de Obama, poderiam fazer muito mais para corrigir as obscenidades dos oito anos de mandato de Bush. Com a maioria absoluta tanto na Câmara quanto no Senado eles poderiam mudar qualquer coisa que eles quisessem, literalmente. As guerras no Afeganistão e no Iraque que desde o início eram ilegais e crimes contra a humanidade, você diz? Bem, elas poderiam terminar em um dia, simplesmente cortando as verbas que permitem a Bush continuar os massacres. Claro, eles poderiam ter feito isso lá atrás, em 2006, quando derrotaram os republicanos pela primeira vez, mas não o fizeram.
Pensando bem, em 2006, eles também podiam ter afastado Bush por qualquer um dos inúmeros crimes cometidos contra a Constituição dos EUA, mas isso também não foi possível. "Impeachment está fora da agenda", disse a recém-eleita líder da maioria Nancy Pelosi (a mesma mulher que iria mais tarde empurrar para o contribuinte o plano de socorro aos banqueiros-gangsters de Wall Street).
Falando de Wall Street e dos ladrões que continuam a dominar a América, a Câmara e o Senado controlados pelos Democratas poderiam ter votado leis, há dois anos, para regular os bancos de investimento que estavam vendendo títulos intoxicados pelo veneno "sub-prime", que agora estão promovendo a devastação financeira em todo o Globo. Mas não. Eles tinham coisas melhores para fazer, embora muitos deles, estou certo, tinham boas informações do que estava acontecendo e uma visão realista de onde a bolha imobiliária e os bilhões gastos na Guerra do Iraque iriam nos levar. Eles sabiam e poderiam ter feito muita coisa quando ainda havia tempo para evitar o desastre, mas preferiam não fazer.
Em vez disso, quando começou o colapso e o mercado acionário estava perdendo uma média de 500 a 700 pontos diariamente, os democratas foram os mais entusiásticos incentivadores do brinde de 700 bilhões de dólares (para os mesmos criminosos que haviam causado o desastre). A liderança Democrática apoiou a maior transferência de riqueza dos pobres para os ricos na história do país. "Temos que salvar os bancos e os banqueiros para salvar o povo", eles nos diziam. Um pouco como os soldados dos EUA faziam quando incendiavam aldeias sul-vietnamitas com os seus isqueiros Zippo para "salvá-las" do Vietcong.
Em 2007, o Censo dos EUA informou que aproximadamente 40% da riqueza do país era controlada por apenas 1% dos mais ricos, e que 10% eram donos de quase dois terços da riqueza da América. Estes são números que foram publicados no ano passado, antes da crise e do socorro e da descida diária do mercado de ações, e eles me lembram mais a disparidade de renda em regiões do sub-Saharan ou em ditaduras latino-americanas do tipo Pinochet, não nos Estados Unidos. E todavia foi nisso que nos tornamos. Uma oligarquia onde uma minúscula minoria da população define as políticas interna e externa e a cada quatro anos realiza eleições para que o resto de nós possa participar elegendo seus representantes, que irão gerir os bens (dos Estados Unidos) para seu benefício e uso exclusivo.
Eu estou farto desse sistema de mentiras e terror e espero que, mais cedo ou mais tarde, o povo da América finalmente irá se levantar contra seus reguladores autocráticos e tomar de volta o que é seu, legítimamente seu. Mudança não é apenas necessária, como nos diz Obama, ela tem que ser também verdadeira.


John Hemingway


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segunda-feira, novembro 03, 2008

Democracia midiática


Governos medíocres como o de José Serra e Jackson Lago são turbinados como governos realizadores. Do outro lado, atiram no povo brasileiro para atingir o governo que realiza e cumpre metas.


A cobertura espetacular que a "mídia brasileira" faz da eleição americana, com relação à cobertura negativa que essa mesma mídia faz da vida política nacional é o sinal claro do tipo de democracia que a Globo & Cia. querem implantar aqui no Brasil.


A democracia do espetáculo, uma democracia fria e que não decide nada, não muda nada. Uma democracia de ilusionistas.


Uma democracia de fraudes midiáticas, com horário eleitoral pago como propaganda nas TVs, militância de aluguel e muita festa cara, onde só é possível escolher o candidato amigo dos donos da grana.

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Um dia na vida da Folha de S. Paulo
De como um dos maiores diários do país vem se especializando em inverter o sentido dos fatos. O jornal torce os fatos porque está torcendo pelos mesmos, em vez de tentar retratá-los com a maior precisão e contextualização possível.
Bernardo Kucinski


O dia é quinta, 30 de Outubro de 2008. Mas podia ser qualquer outro. Nessa quinta, o desprezo da Folha pelos seus leitores superou-se com a reportagem “Luz para Todos não cumpre a meta de dois milhões". Minha mulher, que já vinha se aborrecendo com a Folha, fechou as páginas, irritada: “Esse jornal pensa que somos idiotas”.
Começa pela foto que encima a história, uma cena de escuridão no Congresso Nacional, que não tem nada nadinha a ver com o programa Luz para Todos. Depois vem o título, enorme, em quatro colunas, numa página nobre do jornal, chamando de fracassado um programa que os números da reportagem revelam estar sendo um dos maiores sucessos do governo Lula.
O Luz para Todos atingiu até a semana anterior à publicação da matéria, nada menos que 1, 744 milhão de famílias. São famílias, por definição, localizadas em regiões remotas, pequenos vilarejos que as concessionárias não serviam por não ser econômico.
Mesmo se ficasse só nisso, já seria um feito excepcional. Não só pelo número absoluto de famílias e comunidades beneficiadas, mas também pelo fato de quase 90% da meta ter sido alcançada - meta essa que já era bastante ambiciosa.
Foi tão forte o desejo de narrar um fracasso que o repórter excluiu do seu argumento sobre o não cumprimento da meta deste ano o fato relevante de que o ano ainda não terminou. Só lá em baixo, no pé da reportagem, separadas propositalmente do argumento principal da narrativa, está a informação de que já há mais R$ 13 bilhões em contratos fechados, sendo R$ 9,4 bilhões do governo federal, R$ 1,6 bilhão dos governos estaduais e R$ 1,9 bilhão das concessionárias. O sucesso é tanto que o Ministério de Minas e Energia já pensa em ampliar a meta em mais 1,1 milhão de famílias entre 2009 e 2010. (1)
Na mesma edição, a Folha relata outro retumbante “fracasso” do governo Lula. “Gastos do governo com o PAC caem 70%”. O título é de quatro colunas ocupando também o topo de página. Um gráfico de pagamentos do PAC revela investimentos crescentes ao longo do ano, exceto pequena redução em junho, e as quedas que deveriam justificar o título, em setembro e outubro.De pronto está a desonestidade do título. Gastos só caíram nos últimos dois meses. E mais: caíram de forma brusca. A explicação está lá, escondida, no meio da própria reportagem: as chuvas de setembro e a greve dos servidores do Departamento Nacional de Infra-estrutura (DNIT) que “bloqueou pagamentos e todas as demais fases da gastos durante três semanas...” (2). Um título mais preciso seria na linha de ”greve paralisa obras do PAC”. Mas esse título não serviria ao propósito aparente de retratar um governo inoperante e incompetente.
Manipulação de números repetiu-se no título de página inteira ”Diminuem as vendas em supermercados”. O segundo parágrafo, aliás atropelado, diz que “a queda nas vendas em setembro, além de ser sazonal, ocorreu porque, em agosto, houve queda nos preços de alguns alimentos, o que resultou em alta no consumo daquele mês...”
Afinal, se em agosto os preços caíram, significa que o povo estocou, com isso comprando menos em setembro? Além dessa confusão, o jornal admite que comparou dois meses incomparáveis. Agosto teve 31 dias e cinco finais de semana. Setembro teve apenas 30 dias e quatro fins de semana. Os fins de semana concentram as idas aos supermercados para as compras maiores do mês.
Só o ajuste sazonal do número de dias de cada mês daria uma “diminuição” de 2,2% no faturamento de setembro em relação a agosto. E mais: lá adiante, em outro parágrafo, está escrito que o preço médio de uma cesta com 35 produtos caiu 1,25% em setembro, em relação a agosto. E nem consideramos ainda que setembro teve um fim de semana a menos. Portanto a queda de 5,6% no faturamento foi inferior ao que se deveria esperar pelo menor número de dias, menor número de fins de semana, e preços menores dos alimentos. O oposto do que o titulo dá a entender.
É isso que se chama inversão dos sentidos, truque que vem se tornando especialidade desse jornal. Na história do Luz para Todos o objetivo aparente é passar a idéia de um governo que não cumpre promessas e na reportagem da redução do ritmo do PAC, o objetivo é caracterizar um governo incompetente.
Há uma outra dimensão ainda mais interessante nessas manipulações: as duas reportagens saíram na véspera do evento em que o governo prestaria contas dos programas, quando o correto seria usar as informações para questionar a prestação de contas, não deixar o governo falando sozinho. Isso seria bom jornalismo. Por que o jornal se antecipou?
Sua intenção aparente e nada modesta foi a de esvaziar a prestação de contas do governo. Ou seja: o jornal quis pautar a agenda nacional e/ou negar ao governo seu potencial de pautar essa agenda.
O jornal torce os fatos porque está torcendo pelos fatos, em vez de tentar retratá-los com a maior precisão e contextualização possível. A matéria do PAC é mais uma de toda uma torcida do jornal contra o programa, desde o seu início.
Já a reportagem sugerindo falsamente que o povo está comprando menos comida, além de usar como referência um dado (faturamento) que interessas apenas aos proprietários dos supermercados, faz parte de uma nova e preocupante torcida da Folha: a torcida para que a crise dos bancos chegue logo ao Brasil. Esse catastrofismo vem marcando a cobertura de toda a mídia. Mas também nisso a Folha vem se superando.
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(1) No dia seguinte, a Folha voltou ao assunto em pequena nota na qual a ministra Dilma Rousseff, diz que faltarão apenas 100 mil famílias para a meta deste ano. Ou seja o programa terá cumprido 95% de sua meta. Mesmo assim, o jornal manteve a narrativa do fracasso.
(2) Também nesse caso a Folha voltou ao assunto no dia seguinte com o titulo: “Planalto culpa greves por ritmo menor de obras.” O jornal não contesta o argumento. Ao contrário, reforça-o dizendo que “conforme o jornal informou ontem, a greve de três semanas no DNIT paralisou todas as etapas dos gastos em obras de conservação, manutenção e construção de rodovias, responsáveis pela maior parcela dos investimentos do PAC.”


Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).




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sexta-feira, outubro 31, 2008

Jornalistas querem desempregar você


Se eu fosse o dono das Casas Bahia eu parava imediatamente de anunciar na TV.
Por que colocar dinheiro na TV, se a TV está querendo desempregar os meus clientes e acabar com o meu negócio?
Desligue a Globo, a Bandeirantes, a Record e o SBT.
É melhor quebrar o latifúndio da mídia do que quebrar o Brasil.
Os jornalistas vão perder o emprego?
Ótimo, talvez assim eles desenvolvam algum tipo de responsabilidade com relação ao resto da humanidade.
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Vendas das Casas Bahia não foram afetadas pela crise

Apesar de a crise ainda não ter abalado as vendas nas Casas Bahia, a maior rede de eletrodomésticos do país, a empresa já está tomando algumas providências para não ser surpreendida mais na frente.Uma das medidas tomadas foi suspender as compras dos fornecedores que estiverem reajustando os preços em razão da alta do dólar.

O objetivo de Michael Klein, diretor-executivo das Casas Bahia, ao tomar essa decisão, é não frear as vendas. Mesmo com toda essa crise, ele mantém a aposta de atingir a meta de R$ 14 bilhões de faturamento neste ano, R$ 1 bilhão acima do registrado em 2007.

"Estamos deixando de comprar dos fornecedores que estão subindo os preços", diz Michael Klein. "A minha preocupação é com o poder aquisitivo da população."

O empresário sabe que a elevação dos preços afeta diretamente o poder aquisitivo da população. É esse efeito que ele quer evitar ao rejeitar os aumentos de preços da indústria.

Nos últimos dias, Klein afirma que vários fornecedores começaram a subir os preços de seus produtos usando o argumento da alta do dólar. Os reajustes vão de 10% a 30%, dependendo do peso do componente importado.As TVs de plasma e de LCD têm, por exemplo, cerca de 70% de importados. Já as geladeiras, mais ou menos 15%. As indústrias estão tentando repassar para o comércio os efeitos da alta do dólar sobre os seus custos.

Klein não diz, no entanto, quais são as empresas que estão tentando repassar esses aumentos. Apenas afirma que só está trabalhando com os fornecedores que estão mantendo os seus preços.

Sobre a crise financeira global, Klein afirma que o cliente das Casas Bahia ainda não sentiu seus efeitos. De acordo com ele, o consumidor de baixa renda não está preocupado se a ação da Vale caiu ou subiu 50% ou 60% no ano, se o preço do barril de petróleo despencou para US$ 60 ou se quebrou algum banco americano, mas sim com o seu emprego e com a manutenção do crédito.

Por isso, o empresário diz que as vendas das Casas Bahia não foram afetadas pela crise, pelo menos por enquanto. A empresa não só manteve os preços como também as mesmas condições de financiamento -taxa de juros e prazo de pagamento.

De qualquer forma, Klein afirma que vai esperar assentar a poeira da crise para fazer o planejamento da empresa para 2009. No ano passado, a empresa já estava com os planos prontos para 2008.

"O mercado ainda está se comportando de forma irracional. Não há condições de se planejar nada para 2009", diz Klein. "O melhor é esperar o mercado assentar para planejar qualquer coisa."

Segundo Michael Klein, o que ele observa, no entanto, é que as empresas que não se endividaram, não dependem de dinheiro de fora nem de capital de giro dos bancos estão trabalhando normalmente, como o caso das Casas Bahia. "A crise ainda não chegou aqui."

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quinta-feira, outubro 30, 2008

Tragédia de Eloá exige urgente controle social sobre a mídia


Enquanto a mídia estiver acima do bem e do mal, livre de qualquer controle social civilizatório, humanizador e democrático da sociedade, estaremos sendo surpreendidos por espetáculos animalescos em que a televisão termina envolvendo-se irresponsavelmente em crimes, tal como ocorreu agora no seqüestro que terminou com a trágica morte da adolescente Eloá Cristina.

Por Beto Almeida*, no Hora do Povo
Toneladas de falsa lamentação estarão sendo difundidas pela mídia incapaz de olhar no próprio espelho e reconhecer que ela própria tem sido fator de disseminação de mensagens que cultuam a violência. No caso Eloá, as redes de TV deram um funesto passo adiante no desrespeito às normas mais básicas do processo civilizatório: pelo menos três redes de TV comunicaram-se diretamente, por telefone celular, com o assassino Lindemberg Fernandes, durante o transcurso do ato criminoso, revelando a mais absoluta irresponsabilidade e, até que se prove o contrário, com capacidade de interferir negativamente no desfecho do episódio, quando ainda estava ocorrendo uma negociação das autoridades policiais na tentativa de evitar o pior, que acabou ocorrendo.

Conforme já divulgado, a apresentadora Sonia Abraão, da Rede TV, chegou mesmo a entrevistar longamente Lindemberg por celular no exato momento em que o oficial da PM tentava desesperadamente um contato telefônico com o criminoso. Resultado: o celular estava ocupado!!! Isto é de uma gravidade gigantesca!!!

Quem dá o direito aos meios de comunicação de sentirem-se acima das normas da sociedade, de considerarem-se mais importantes que a própria polícia, de decretarem arbitrariamente - revelando prepotência - que mais importante que a negociação é a entrevista que faziam como o seqüestrador? Será a sacrossanta lei do “vale tudo pela audiência”? Êpa!!! Aqui se verifica a transposição apavorante do limite entre civilização e barbárie!

Ibope

A menos que a psicologia tenha desistido de tudo diante do ceticismo que tais episódios podem causar sobre a capacidade humana de avançar no processo civilizatório, é inegável que uma negociação adequada, uma persuasão na dose certa, uma palavra precisa orientada por critérios científicos podem, sim, sensibilizar um sujeito transtornado e até demovê-lo de chegar às últimas conseqüências, salvando vidas em risco.

Sim, há uma longa trajetória de acertos e erros nesta matéria, mas, até onde se sabe, os especialistas em saúde mental conseguem inúmeros êxitos basicamente através de técnicas de neutralização dos distúrbios destrutivos, evitando que os protagonistas de atos violentos, como Lindemberg, cheguem às últimas conseqüências. É rigorosamente inaceitável que se despreze o legado de Freud, Adler, Reich, Jung e os progressos já alcançados na área da saúde mental pela humanidade assim em troca um pontinho a mais no Ibope.

Afinal, os amigos de Lindemberg testemunharam que ele sempre foi um cara normal, boa praça, camarada, um jovem pobre de periferia enfrentando as adversidades que o capitalismo colocou à sua frente. Portanto, será que uma pessoa assim não poderia afinal ter se sensibilizado pela negociação conduzida sob orientação de psicólogos?

Sim, em tese poderia, pois desconhecem-se antecedentes de conduta violenta ou anti-social de Lindemberg. Sim, poderia, mas não com as televisões, com sua capacidade de alterar o comportamento de qualquer ser humano — e é impossível negar isso — telefonando para ele, querendo entrevistá-lo “ao vivo”, sabendo-se que ele tinha a televisão ligada, conforme foi informado.

O que estas entrevistas interferem num sujeito que já estava completamente transtornado por um surto violento? Qual a possibilidade de que ao insuflar o seu ego, lançando-o no terreno escorregadio da “fama”, transformando-o numa “celebridade”, tornando ainda mais complexa a cena do crime, adulterando todo o processo de diálogo negociador que vinha sendo mantido com o policial encarregado, a mídia terminou por entrar em cena num crime em andamento, com entrevistadores que não são especialistas nem em segurança pública, nem em saúde mental, nem em ciências jurídicas, mas simplesmente à busca do desprezível “furo jornalístico”, aumentou os fatores de risco das adolescentes seqüestradas?

Ainda que estas perguntas não sejam todas respondidas facilmente, terá a mídia o direito de estabelecer por decreto que ela pode colocar-se em contato direto com um sujeito que está cometendo um crime simplesmente porque para ela o furo jornalístico está acima da vida? Uma sociedade que desenvolve as tecnologias da comunicação mas não desenvolve os instrumentos de sua humanização, revela-se uma sociedade com componentes bárbaros.

E revela também o risco de termos meios de comunicação tão ágeis, tão abrangentes, mas, por estarem sem controle social humanizador, capazes de ampliar a insegurança, resvalar para o papel de cúmplice de um ato criminoso na medida em que, à revelia de qualquer orientação das autoridades policiais, adentra eletronicamente a cena do crime, introduz a retro-alimentação de valores e mensagens que aprofundam o distúrbio de um seqüestrador já em transe psicótico, que passa então a ver o seu ato na tela da televisão ligada no apartamento transformado em cativeiro. Que efeitos isto pode ter na sua decisão de matar ou render-se?

Com a palavra os especialistas em saúde mental, particularmente aplicada à área de segurança pública: ao se ver na tela, entrevistado por estas desastradas apresentadoras, o efeito psicótico do fato comunicativo que o torna “celebridade”, não pode agravar a complexidade de seu transtorno, não pode insuflar ainda mais seus instintos violentos, não pode interferir negativamente no desfecho ao entorpecer o processo de negociação, que, afinal, sofreu várias interrupções para que as televisões, como abutres, celebrassem o seu “vale tudo pela audiência”???

Como alternativa não seria mais lógico, mais sensato, sobretudo mais humano do que espremer aquelas 100 horas de seqüestro para que produza o máximo de sensacionalismo possível, simplesmente não dar nenhuma divulgação até o desfecho final do episódio? Especialmente, porque os magnatas da mídia — especialmente os do departamento comercial das TVs, de olho no Ibope minuto a minuto — sabiam que Lindemberg tinha uma TV ligada. Insufladas pelo departamento comercial, as redações se agitam: “Vamos entrevistar o seqüestrador ao vivo!!!”. Se isto aumentava o risco de vida de Eloá e Nayara... não era o elemento mais importante.

Afinal, vale tudo pela audiência, decreta a barbárie do mercado! Mas, também as autoridades policiais sabiam desta ação irresponsável das tevês: por que não determinaram a suspensão destas entrevistas? Por que não há rigorosamente nenhum controle social sobre os meios de comunicação social no Brasil hoje se vamos acumulando tragédias desta natureza?

A mídia pode ampliar o risco de vida no desfecho de um seqüestro. No sul também já houve um episódio assim, onde reportagem negociou com um seqüestrador tendo como pano de fundo conseguir que a sua rendição fosse aprazada por um tempo para que o fato fosse noticiado ao vivo dentro do horário do telejornal da emissora gaúcha. Quando Marx fala que ainda estamos na pré-história da civilização muitos não acreditam...

Cumplicidade

Para revelar esta barbárie basta lembrar outro carnaval televisivo de culto à violência: o caso do assassinato da menina Isabela Nardoni. No dia da reconstituição do crime, as redes de televisão transmitiram nove horas seguidas ao vivo, sem interrupções para comerciais, derrubando mesmo a grade comercial.

Sim, mas igual “esforço de reportagem” não é feito para uma divulgação apropriada, equilibrada, humanizada de informações sobre a violência doméstica, pano de fundo daquele crime. Quando uma menina é assassinada alteram-se a duração dos telejornais, dos programas, derrubam-se até grades comerciais.

Mas, para uma política preventiva, de humanização das relações familiares, de construção de consciência amorosa, revelando e abordando adequada e delicadamente a existência do grave problema de saúde e de segurança pública que é a violência doméstica, as tevês fazem o mais absurdo dos silêncios, aproximando-se assim da cumplicidade, pela via da omissão, por deixar de cumprir o que reza a Constituição, segundo a qual a mídia deve ser fator de elevação educacional, cultural e civilizatória.

Espalhar o terror para vender segurança... privada

Hoje a nossa mídia predominantemente “espalha terror para vender segurança”. Os desenhos animados são aterrorizantes, emitem sons freneticamente agressivos, os personagens matam com a maior facilidade, as armas são os ícones mais difundidos, não são os livros, os heróis da nacionalidade. Armas têm sua imagem super divulgada como poder, prazer, ação, emoção ou simples objeto de consumo, atributo de status.

Desse desfile permanente de armas na telinha depreende-se quase que uma máxima: “que sentido tem uma vida sem armas?”. Talvez alguém cinicamente tente dizer que a multiplicação de empresas de segurança privada para ricos, de milícias armadas em bairros pobres e o enxugamento da segurança pública como parte da demolição neoliberal do estado não tenha nada que ver com isto tudo que estamos tratando. Foi este critério pretensioso e prepotente, sempre na linha do vale tudo pela audiência, que conduziu Tim Lopes ao seu suplício, quando a TV Globo já dispunha, com antecedência, de todas as informações sobre o risco que o repórter corria.

Mas a TV segue com o circo de horrores. Assim como, pela lógica da divulgação em tirânica abundância, parece que “não tem sentido um mundo sem cerveja, sem Coca-Cola, sem a velocidade dos super carros anunciados, velocidade impossível pelos engarrafamentos de um transporte inviabilizado pelo individualismo em detrimento do coletivo”.

Provavelmente jovens como Lindemberg não se transformassem em criminosos se lhes alcançasse uma televisão humanizada, civilizada, que não cultue e não propagandeie a arma. Uma televisão que não realimentasse permanentemente o animalesco critério de que “eu amo tanto esta mulher que se ela não me quiser eu a mato de tanto amor”.

Temos uma TV machista também, temos uma TV debilóide, uma TV para brancos, para adultos, uma TV embrutecedora, destinada a vender e vender e vender, a formar consumidores, e quem não puder comprar um tênis caro é impelido a matar alguém para roubar um tênis, como ocorreu em Brasília. Afinal, a vida não tem sentido sem um desses tênis caríssimos... Temos uma TV de erotização doentia, uma TV que nos empurra para o alcoolismo, que nos recomenda, como a Lindemberg, a intolerância e o machismo, particularmente com armas nas mãos, quando enfrentamos uma angústia ou uma dor amorosa.

Temos uma TV bárbara. E não tem que ser assim, pois há no mundo experiências de TVs que são vetores educativos, culturais, humanizadores. A TV em Cuba evita a divulgação de crimes e não há publicidade comercial. Mas divulgam-se livros, filmes, datas históricas, heróis do país e do mundo, espetáculos de balé e música clássica. Crimes não!

Aqui podemos assistir desde sexo o mais vulgarizado até seres humanos espancando-se infinitamente com chutes e cotoveladas no rosto uns dos outros. Há canais para leilões de cavalos, bois, tapetes, corridas de cavalo, mas raramente há programas sobre inúmeros problemas de saúde mental para uma população carente de informação educativa, tal como pregou o presidente Lula ao determinar a criação da TV Brasil.

Aliás, registre-se a sóbria e equilibrada cobertura da TV Brasil sobre a tragédia de Eloá. Este é o caminho. A televisão é uma ferramenta muito importante para estar sob o controle da lógica bárbara e anticivilizatória do mercado, deve estar sob controle social, humanizador e democrático. Aliás, vale lembrar, as TVs que cometeram este espetáculo de barbárie no caso Eloá são as mesmas que durante anos enalteceram, recomendaram, sustentaram, sem discussão democrática, os valores do mercado como diretriz para o funcionamento da sociedade e agora, diante do enormes prejuízos que as fraudes mercadológicas especulativas causaram ao contribuinte norte-americano, podendo nos atingir, estas tevês não reconhecem o seu erro. Estão acima do bem e do mal.

É, portanto, urgente o desenvolvimento de mecanismos de controle social da mídia no Brasil. Ou, se nada for feito neste sentido, com dor e realismo somos obrigados a nos perguntar: qual será a próxima façanha da TV-barbárie? Sei que na Espanha alguns canais chegam a transmitir suicídio ao vivo... Foi para isto que se criou a televisão?

* Beto Almeida é presidente da TV Comunitária de Brasília


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terça-feira, outubro 28, 2008

A dimensão política da crise




Rui Falcão

Em artigo publicado pela Folha de S. Paulo (24/10/2008), Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-secretário geral da Unctad, observa, a propósito da crise financeira, que “as análises falam de tudo, menos de moral e de política. Dão a impressão de que o problema se limita a aspectos técnicos, sem vinculação com os valores éticos e independentes das relações de poder”.

De fato, não há como compreender o colapso sem remontar à mudança na correlação de forças na sociedade, ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990, entre grupos e classes dentro de cada país e entre estes e atores externos, mudança que acabou por conferir uma nova expressão institucional ao Estado. É dizer que a transferência de ativos e de capacidades de decisão do Estado para a iniciativa privada, a eliminação dos controles, a desregulamentação do trabalho, o desmantelamento da rede de proteção social, a contração do gasto público em políticas sociais, a redução de impostos sobre os ricos, a preeminência conferida à economia fictícia (financeira) sobre a economia real (da produção) – tudo isso se constitui em expressão de uma determinada modalidade de organização da vida econômica - agora em frangalhos geotectônicos -, somente compreensível à luz de uma nova relação entre Estado e mercado, resultante de um novo sistema de poder associado a ela.

Aí está a dimensão política da crise, de que fala Ricupero. Sem ela, não é possível compreender como nos Estados Unidos, por exemplo, a participação do setor financeiro no total dos lucros corporativos tenha saltado de 10% em 1980 para 40% em 2006, apesar de gerar apenas 5% dos empregos, enquanto a participação dos salários na renda nacional declinava. “Não se avança sobre quase metade dos lucros da economia sem contar com a cumplicidade do sistema político. A mudança de poder que abriu o caminho à hegemonia financeira foi, nesse período, a ‘revolução’ neoconservadora de Reagan e de Thatcher...”, acrescenta.

A nova configuração na distribuição e apropriação do excedente social somente se tornou possível mediante as profundas mudanças promovidas nas relações de poder na sociedade, e disso ela é expressão. O redesenho e o controle da rede institucional do Estado, que daí resultaram, postos a serviço do capital financeiro, expressam o que vem a ser o poder político em termos singelos – a capacidade de convencer ou obrigar os outros a fazer algo que não estava em sua intenção fazer, ou abster-se de algo que gostariam de fazer.

Isso se torna possível quando se concentram e mobilizam recursos de natureza variada, incluídos os de caráter econômico. Como resultado da mudança na distribuição e no uso dos recursos, mudam as relações entre indivíduos e grupos sociais, assim como mudam a sua posição relativa na hierarquia, a sua capacidade de ação e de imposição de objetivos e metas.

Eis a grande reestruturação, agora à beira do colapso, que gerou ganhadores e perdedores. Estes são fáceis de identificar na configuração política que resultou da redistribuição dos recursos em termos de eqüidade social e de poder sobre a máquina do Estado. Em primeiro lugar, o maior peso atribuído ao mercado pelos reformadores neoliberais implicou transferência de poder, das instituições do Estado para os atores que dele se apropriaram, com vistas a impedir que a sociedade, por mediação do Estado, lhes impusesse cobro no exercício da liberdade individual, concebida pelos neoconservadores como incompatível com toda e qualquer modalidade de controle e responsabilidade social – selvageria ideológica travestida de “empreendedorismo”, “capacidade de iniciativa”, “criatividade”, “inovação”.

Em segundo lugar, como resultado da preeminência dos interesses do mercado sobre a sociedade e o Estado, enfraqueceram-se os mecanismos de negociação, de organização e de mobilização dos movimentos sociais, já debilitados politicamente pela crise do desemprego e da estagnação econômica, que se agravava desde a segunda metade da década de 1970.
Além de propiciar o aumento da concentração da renda e a distribuição desigual dos custos e benefícios das políticas de recomposição das finanças públicas, o debilitamento do controle social sobre o Estado, em favor das elites neoconservadoras, provocou o esvaziamento das políticas sociais, que até então haviam caracterizado e legitimado a gestão pública, ainda que de eficácia incerta.

O discurso neoconservador, que passou a inculpar o Estado de Bem-Estar social pelos excessos distributivos do Estado - o mesmo Estado que durante 30 anos havia assegurado a estabilidade e o crescimento econômico revigorado por políticas sociais -, alcançou notável aceitação, graças à cooptação dos grandes meios de comunicação, em especial no caso do Brasil. Uma vez derrubado o muro de Berlim, os direitos sociais e a organização do trabalho, anteriormente brandidos como apanágio do mundo livre, passaram a ser estigmatizados em nome da democracia, da eficácia econômica e do livre mercado.

Na estratégia dos reformadores, o papel do Estado deveria restringir-se ao nível mínimo de provisão de bens públicos, estes interpretados em sentido restritivo. E, para desmantelar os instrumentos de intervenção, que haviam servido ao Estado de Bem-Estar, foi necessária uma prévia concentração de poderes decisórios em seu aparato institucional, imprescindível para impor a desregulamentação, a abertura e a entrega de funções essenciais do Estado à iniciativa privada; vencer as resistências democráticas em defesa do diálogo e da negociação e alterar o equilíbrio preexistente.

Para tanto, impunha-se a retração da gestão pública no terreno da economia e das políticas sociais, para confiar a execução da justiça distributiva à mão invisível do mercado. Somente assim, a mão neoconservadora pôde exercitar-se, depois de ter imposto a sua hegemonia no controle do Estado e de se ter apropriado de suas funções coercitivas, para a realização dos novos objetivos anti-sociais. De então em diante, caberia ao mercado, de modo excludente, na sua suposta condição soberana de matriz da riqueza, da eficiência e da justiça, promover a alocação dos recursos, distribuir bens, serviços e rendas e remunerar empenhos e engenhos.


A manifestação mais freqüente da ampliação da soberania estatal sob domínio neoliberal – ou seja, da ampliação da capacidade do Estado de impor decisões com autoridade suprema sobre a população e o território – foi a concentração do poder no âmbito do governo central, em especial o Poder Executivo, que passou a absorver prerrogativas do Parlamento, legislar por instrumentos de exceção ou de emergência, e dos tribunais. Truculência quando necessário – é o que exigia o teor anti-social das reformas.

Não se pode esquecer de que, entre outros botins, estava em jogo a disputa pela apropriação e controle de ingentes fundos sociais, como as contribuições dos sistemas de pensões e aposentadorias, sob gestão estatal. Por isso, os promotores das reformas, ao mesmo tempo em que festejavam a falência do totalitarismo soviético, lançavam mão de recursos extremos de concentração de poder.

Assim é que, enquanto na Argentina o presidente Carlos Menem recorria a medidas de exceção, como decretos de emergência, para entregar os fundos públicos da previdência à iniciativa privada, no Chile o general Augusto Pinochet, ao suspender os direitos democráticos e impor uma ditadura sangrenta, promovia a privatização radical do sistema previdenciário, cujo controle confiou às finanças internacionais.

A previdência social brasileira teria tido o mesmo destino, não fossem os movimentos sociais a barrar o intento do governo FHC de privatizá-la, motivo por que a reforma, entre nós, limitou-se a restaurar as finanças públicas sem que a mão do mercado pudesse apropriar-se da poupança dos trabalhadores, como prescreviam, a mando das finanças globais, o FMI e o Banco Mundial.

A diferença na qualidade dos resultados referentes às reformas da previdência colhem-se agora, no calor da crise financeira atual. A variação dos impactos da crise sobre o sistema previdenciário dos países da América Latina, entre outros, reflete a variação na capacidade de luta dos trabalhadores de cada um deles na defesa de seus interesses contra a voracidade neoliberal dos governantes associados à “mão invisível”. Assim, por exemplo, as perdas no valor dos fundos de aposentadoria chilenos, sob controle das finanças internacionais, que haviam atingido 25% em setembro, estão na iminência de ultrapassar 40% em outubro, enquanto na Argentina as perdas atingiram mais de 40%, o que levou o governo Kirchner a reestatizá-lo. Para não falar da Islândia, país modelo das reformas neolilberais, onde as perdas dos aposentados já ultrapassam 70%. Já no Brasil, graças à resistência dos trabalhadores contra as investidas privatizantes de FHC, as perdas são nulas.

A crise financeira, como lembra Ricupero, é de natureza política, gera ganhadores e perdedores e convida a uma nova distribuição de poder, que queremos menos desigual e mais eqüitativa, como condição para a estabilidade econômica, a expansão do emprego e o fortalecimento da democracia. Isso somente se assegura mediante a vigilância e a defesa da sociedade organizada contra as ameaças recorrentes de retorno dos neoliberais ao poder.

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Rui Falcão, 64 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão no governo Marta Suplicy.

Para acessar o artigo clique aqui


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sábado, outubro 25, 2008

AGORA MAIS DO QUE NUNCA É FLÁVIO DINO PREFEITO


Após o debate não restou nenhuma dúvida sobre quem será o melhor prefeito para São Luís.

Flávio Dino foi todo tempo específico e claro sobre como pretende governar.

Citou um a um todos os recursos, programas e parcerias que como prefeito engajado na democracia vai poder utilizar para tornar São Luís uma cidade melhor.

Mostrou conhecer o novo Estatuto das Cidades, lei fundamental para os municípios brasileiros, que foi amplamente discutida no Congresso Nacional.

É impressionante, mas o candidato tucano não sabia o que dizer sobre o novo Estatuto das Cidades, e simplesmente embromou.

O velho esquema de dizer que vai fazer isso e aquilo sem nunca demonstrar como, de onde virão os recursos e com quem fará as parcerias.


VAMOS PARA AS RUAS ELEGER FLÁVIO DINO PREFEITO:

É o candidato da coligação PCdoB/PT.

É o candidato do governo LULA.

É o candidato que tem história na militância de esquerda e pela democracia brasileira.

É o único com reais condições políticas de governar São Luís junto com a população.

É o único candidato que fará tudo para que os programas sociais do governo LULA cheguem para quem precisa.



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segunda-feira, outubro 20, 2008

Lula enquadra Serra


"Quem não quer ser cobrado pelo povo que não seja governo".

O presidente disse que o governador não tem o direito de acusar o PT por confronto entre polícias. Lula falou sobre o confronto entre policiais militares e civis na última quinta-feira. Foi a primeira vez na história que as duas forças de segurança do Estado se enfrentaram. No confronto, mais de 30 pessoas ficaram feridas, algumas à bala. "O governador Serra não tinha direito, me conhecendo, de acusar o PT nesse caso das Polícias Civil e Militar. Eu espero que, em algum momento, o governador peça desculpa por essa heresia, essa acusação", disse. O presidente enquadrou o governador de São Paulo, lembrando a ele das suas responsabilidades como governante. "Já comi o pão que o diabo amassou em 2005. Nunca me viram acusar quem quer que seja. O PT tem responsabilidade. As centrais sindicais também. Não podemos impedir que os dirigentes sindicais façam pauta de reivindicações para entregar pra nós, governantes. Quem não quer ser cobrado pelo povo que não seja governo. Aqui tem uma porção de companheiros que estão comigo, mas que vivem me cobrando. Eu acho que isso é democracia. É assim que a gente vai fortalecendo a sociedade, as entidades de classe e o movimento social. Por que é que eu vou ficar nervoso quando o movimento da moradia vai a Brasília fazer passeata? Eles têm mais é que fazer passeata mesmo, pois é assim que se conquistam as coisas", declarou.
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domingo, outubro 19, 2008

Veja como funciona o esquema PSDB/MÍDIA


O seqüestro: é você sob a mira de um revólver

Como o povo paulista foi seqüestrado e humilhado pelos criminosos da falange midiocrata

Mauro Carrara

A mocinha mais encantadora da escola, olhos meio tupinambás, cabelos negros e compridos, alegre e falante, teve o cérebro atravessado por um fervente projétil de arma de fogo. Eloá é a vítima mais visível do desgoverno insano e cínico que mantém São Paulo em cativeiro desde Março de 2.001, quando ascendeu ao trono estadual o suserano alquimista. Ser paulista, hoje, equivale a viver num buraco imundo, úmido e molhado, sob a mira trêmula de um revólver, mas diante de uma TV que anuncia maravilhas da autoridade midiocrata.

Os paulistas sofrem, sobretudo, por conta da educação com padrões de quinto mundo, cujo projeto foi iniciado pela secretaria Rose Neubauer, há 13 anos. O Estado converteu-se, assim, na terra dos jovens analfabetos, zumbis sociais, filhos do regime de "aprovação automática".

No campo das obras públicas, sob a bandeira de treze listras, prospera o paraíso das empreiteiras e dos "gatos". As irregularidades se multiplicam, mas o campo de força da Assembléia Legislativa impede qualquer investigação detalhada sobre a farra com o dinheiro público.

Não bastasse a máfia dos pedágios e aquela dos fiscais associados aos parceiros do DEM, parte de São Paulo ainda foi entregue ao crime organizado. Quando o acordo sofre ameaças, o PCC simplesmente assume o controle de toda a gleba, como ocorreu em Agosto de 2.006.

Unanimidade sob vigilância do editor careca

São Paulo já sofrera muito, outras vezes, sob a direção de embusteiros como Ademar de Barros, Laudo Natel e Paulo Maluf. Estes, no entanto, encontravam aqui e ali o julgamento crítico, e muitas vezes a oposição, de veículos da imprensa hegemônica e dos jornalistas.

Constituído pela aliança dos setores quatrocentões, pela elite industrial e pelos ventríloquos do neoliberalismo bandeirante, o sistema de governo tucano cuidou, desde 1.995, de privar o Estado de qualquer debate público de idéias.

Esse controle se faz pela cooptação de profissionais de imprensa, muito bem remunerados, pela censura prévia exercitada nos "aquários" das redações e pela duras punições aplicadas aos jornalistas não-alinhados.

Nas redações da Barão de Limeira e da Marginal Tietê, há os chamados "telefones azuis", pelos quais o dono da mídia paulista, o calabrês José Serra Chirico, encomenda matérias, edita verbalmente textos e determina demissões.

"O Serra mandou" é frase comum, pronunciada em cochichos nas redações dos dois principais jornais paulistas.

Quando o calvo mandatário se vê ocupado, destaca algum de seus lugares-tenentes para a função de editor-chefe. Pode ser Aloysio Nunes Ferreira Filho, José Aníbal ou Angelo Andrea Matarazzo, tido orgulhosamente no PSDB como o "Chuta-mendigo", por conta de sua política de perseguição ao povo-de-rua.

Como pagar a conta da subserviência

Ao arrendar a imprensa paulista, entretanto, tucanos e demônios necessitavam oferecer uma contra-partida ao publishers aposentados dos jornalões. Considerada a queda vertiginosa da venda de anúncios nas mídias tradicionais, bolou-se um plano espetacular.

A prefeitura serrista-kassabista proibiria toda a comunicação dos pequenos, especialmente a publicidade de rua. Com isso, o comércio teria de fazer o caminho de volta à mídia tradicional. Assim nasceu o projeto "Cidade Limpa", defendido com unhas e dentes pelos dois pesados jornais e pelas emissoras de rádio e TV envolvidas no projeto.

Doze meses após a implantação da lei, dados internos de Folha e Estadão mostravam que os anúncios impressos haviam crescido entre 18% e 22%, englobando setores como o varejo automotivo e o negócio imobiliário.

Em adição, mimos e promessas de "inclusão" midiática garantem o apoio religioso de formadores de opinião, como do apresentador José Luiz Datena, do sub-humorista Marcelo Tas (do programa CQC), do animador de festas Carlos Tramontina e do teleator dramático Boris Casoy.

No caso da parceria demoníaca, é preciso fazer caixa para manter essa hegemonia informativa. Desse modo, as subprefeituras se converteram em estações de captação de recursos.

A principal central de coleta é a subprefeitura da Mooca, na qual as quadrilhas de fiscais costumam agir livremente. Recentemente, a ação criminosa se tornou tão escancarada que a polícia foi obrigada a enjaular o braço direito do subprefeito e um dedicado cabo eleitoral do alcaide Celso Kassab. Aricanduva, Lapa, Santana e Vila Prudente vivem processos semelhantes, de formação de caixa a partir da exploração do comércio informal.

Mesmo com as provas obtidas pelo Ministério Público, entretanto, a mídia arrendada apenas finge cobrir esses casos. Atira-se, convenientemente, tudo para baixo do tapete.

O paulista diante de seu algoz

Há quem diga que o doentio apoio popular ao governo de intervenção midiática se deva a uma espécie de Síndrome de Estocolmo, denominação que expressa a estranha afeição que seqüestrados desenvolvem por seus algozes. Outros apostam no paralelismo entre o modus político do grupo encastelado no poder e a alma ancestral do paulista de botinas, escravizador de índios.

Por fim, há quem acredite na inoculação permanente de poderosos sedativos e alucinógenos nas veias do paulista. Em cativeiro, para manter-se dócil, ele recebe diariamente cargas de drogas midiáticas. Por isso, jamais questiona, por exemplo, a responsabilidade do governo midiocrata na tragédia do metrô, que vitimou sete cidadãos-contribuintes.

Esse também seria o motivo pelo qual o cativo não atribui ao governador qualquer culpa na baderna urbana que opôs, na porta de sua casa, policiais civis e militares. Afinal, José Serra apresenta seu próprio telejornal e determina aos reféns paulistas que é "tudo culpa do PT e da CUT".

Em Santo André, no drama de Lindembergue e Eloá, o senhor de todas as emissoras, permitiu que seus funcionários microfonados reprisassem o filme "A Montanha dos Sete Abutres", estrelado por Kirk Douglas, no papel de um jornalista fracassado que prolonga o drama humano para ter o que contar a seu público (assistam ao DVD e confiram a semelhança). O resultado da armação foi parecido: uma intervenção desastrada e a interrupção brutal de um sonho de vida. No entanto, será que só isso serve para despertar sua atenção, você que é outro dos seqüestrados?

From: Mauro Carrara

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sexta-feira, outubro 17, 2008

PSDB = PIOR SALÁRIO DO BRASIL






Castelo é tucano,
Castelo está onde sempre esteve...

Do lado da truculência, do arrocho salarial, do desemprego, da criminalização dos movimentos sociais...

No JP aqui no Maranhão, o mesmo esquema da imprensa paulista,












a imprensa no cabresto...

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quarta-feira, outubro 01, 2008

Como São Luís ficou assim?




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23 anos de Jackson e Castelo
Jackson Lago e João Castelo, um ou outro, não raro ambos, destacam-se em todas as eleições municipais de São Luís desde 1985, quando o fim da ditadura restabeleceu a escolha direta dos prefeitos das capitais.

Assim:

1985 - Castelo elege a mulher, Gardênia (PDS), numa eleição em que ainda não havia segundo turno, batendo, pela ordem, Jaime Santana (PFL) e Jackson Lago (PDT), entre outros.

1988 - Ainda sem 2o turno, Jackson se elege, com Carlos Guterres (PMDB) em segundo.
1992 - Jackson elege Conceição Andrade (PSB), superando João Alberto (PFL) no segundo turno.
1996 - Outra disputa de 2o turno. Jackson volta à prefeitura, derrotando Castelo.

2000 - Com o apoio de Roseana Sarney, Jackson se reelege, com Castelo em 2o.

2004 - Tadeu Palácio, ex-vice de Jackson, que assumira dois anos antes, vence no primeiro turno. Castelo novamente em segundo.

2008 - O tucano Castelo, pela primeira vez com apoio do pedetista Jackson, agora governador, é o líder das pesquisas.

http://www.walter-rodrigues.jor.br/default.asp


































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