COM LULA ATÉ O ÚLTIMO VOTO. QUEM ESCOLHE O PRESIDENTE É O POVO.
domingo, janeiro 21, 2018
quarta-feira, janeiro 17, 2018
terça-feira, janeiro 16, 2018
sexta-feira, janeiro 12, 2018
sexta-feira, janeiro 05, 2018
#LulaEmPOA >> Acesse o site para saber a programação completa
#LulaEmPOA
Vamos construir uma grande e combativa cobertura colaborativa.
A partir de amanhã começa a funcionar o comitê de imprensa da Frente Brasil Popular em Porto Alegre
Vamos construir uma grande e combativa cobertura colaborativa.
A partir de amanhã começa a funcionar o comitê de imprensa da Frente Brasil Popular em Porto Alegre
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Enquanto
isso, os verdadeiros corruptos donos dos milhões flagrados em malas e
escondidos continuam aplicando golpes. Temer nem foi a julgamento. Aécio
está solto. As suspeitas contra Alckmin nunca foram apuradas.
comlulaempoa.com.br
CADÊ A LAVAJATO? Golpistas dão aval para Boeing assumir área militar da Embraer
Negociação
da maior fabricante brasileira de aviões com multinacional estadunidense já tem a bênção do governo golpista. O ex-ministro da
Defesa e das Relações Exterior, Celso
Amorim, se colocou contra as negociações e afirmou que mesmo com o
“furor privatista” do governo Temer, a venda não deveria ser permitida.
“Totalmente contrário, acho isso um crime de lesa-pátria. O governo
brasileiro tem que usar o golden share que ele dispõe para impedir essa
fusão, porque não é fusão é uma incorporação”, afirmou Amorim.
Negociação da maior fabricante brasileira de aviões com multinacional estadunidense já tem a bênção do governo golpista
pt.org.br
TUCANAGEM CONTRA O PETRÓLEO BRASILEIRO E A PETROBRÁS
5/1/2018, Pedro Augusto Pinho* [msg. distribuída por e-mail, aqui redistribuída]
A Petrobrás é fruto da coragem e da habilidade política do Presidente Getúlio Vargas, grande eleitor mesmo 63 após sua morte, e da atuação da própria empresa, que sempre promoveu o desenvolvimento nacional.
Como todos os brasileiros, desde os analfabetos até os que se orgulham de seus dois neurônios, têm perfeito conhecimento, a Petrobrás sempre sofreu a oposição das forças que representam entre nós os interesses estrangeiros, a escravidão e a ignorância.
Não me deterei na história destas agressões, sempre cantando o dueto corrupção-comunismo, único discurso que estes inimigos do Brasil conseguem articular. Mas é interessante relembrar o que ocorreu em 1964.
Vitorioso o movimento militar, a Petrobrás, tida como antro de corrupção e comunismo, foi no dia 7 de abril de 1964 entregue para a “depuração”, ao Marechal Adhemar de Queiroz.
Competente comandante, o Marechal procurou, logo que assumiu, conhecer detalhadamente a empresa. Conversou com chefes e subordinados, com os possíveis aliados do 31 de março e os que se recolhiam temerosos de represálias. Concluiu que a Petrobrás era muito menos corrupta do que a imensa maioria das empresas privadas, nacionais e estrangeiras, que conhecera ao longo de sua carreira. Também compreendeu rapidamente que os comunistas eram muito menos numerosos do que os inimigos do Brasil que trabalhavam nos Diários Associados e no Globo e que cantavam loas à “revolução”. Tampouco nem os supostos corruptos nem os supostos comunistas só pensavam em enriquecer com o “ouro para o bem do Brasil” de Chateaubriand.
O Marechal Adhemar de Queiroz foi um defensor da Petrobrás contra os quadros do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e da Consultec que cercavam o Presidente Castelo Branco.
A Petrobrás cresceu, fez surgir empresas brasileiras em diversas áreas da engenharia, promoveu o desenvolvimento tecnológico, patrocinou pesquisas acadêmicas e projetos de cultura nacional. Tornou-se uma invejável e grande empresa. Até que foi assaltada, dia 24 de março de 1999, pelo tucanato.
Desde então passou a sofrer os oito anos de demolição sob a chefia do francês Henri Philippe Reichstul, até 2001; e do banqueiro, formado na Wall Street, Francisco Gross, até 2003.
Além de alterar a situação jurídica da Petrobrás, pela Lei nº 9478/1997, reestruturaram a organização da empresa, facilitando a ação corrupta de seus gerentes e dirigentes, pela quebra da linha hierárquica até então vigente.
Houve, ainda, um grande negócio que mereceria a ação competente do Ministério Público Federal (MPF), não fosse hoje esta instituição, por vários de seus membros, um braço do tucanato.
Em 2000, a Petrobrás de Reichstul começa a vender suas ações na Bolsa de Nova Iorque. Hoje, 29,83% das ações ordinárias e 44,23% das ações preferenciais estão em mãos de pessoas físicas e jurídicas no exterior. Observe o caro leitor que não afirmo que seriam pessoas físicas e jurídicas estrangeiras.
É possível – como a decisão de Pedro Parente de dar um presente de quase 3 bilhões de dólares a estes “investidores no exterior” nos leva a cogitar – que os beneficiados hoje não sejam necessariamente estrangeiros, mas brasileiros, com recursos e disponibilidades políticas, que constituíram pessoas jurídicas em paraísos fiscais, para se locupletarem com as ações da Petrobrás.
Um acordo, à revelia dos acionistas brasileiros, já é ponto de suspeição. A inércia do MPF em ato de tal gravidade torna o ato e o MPF o ainda mais suspeitos. E, como mais um indício, a Polícia Federal de Temer – ou seria do PMDB? –, ocupadíssima à caça de qualquer incriminação da família Lula, não tem tempo nem quadros para investigar essa potencial evasão de divisas.
Assim a Petrobrás se verá assaltada mais uma vez em seu caixa. Assim também, os governos tucanos, direta ou indiretamente, vão transferindo as reservas brasileiras de petróleo para o controle alienígena. E a maior e mais tecnologicamente bem aparelhada empresa nacional, vai sendo destruída por seus administradores.
Este é o ódio que alguns nascidos no Brasil devotam ao nosso País. Como escrevia Camões, no episódio de Inês de Castro, nos Lusíadas, “com falsas e ferozes razões” – corrupção e comunismo – condenam à miséria, à humilhação, à vida de escravos, e por que não à morte como os filhos de Inês, milhões e mais milhões de brasileiros.
Façamos de 2018 o ano da independência.*****
* Para ouvir mais do Dr. Pedro Augusto Pinho, assista à entrevista que deu ao jornalista Beto Almeida, transmitida pela TV Comunitária do Rio em 21/2/2017, 56", em Youtube [NEd.]
segunda-feira, janeiro 01, 2018
A Condenação de Lula pelo TRF-4 e o divisor de águas na sociedade brasileira – breve análise político-existencial
por José Policarpo Jr
Nenhuma sociedade atravessa uma situação semelhante à vivida
política e institucionalmente pelo Brasil atual sem deixar marcas profundas no
solo da vida coletiva, no relacionamento interpessoal e nos sentidos
existenciais dos indivíduos.
O julgamento do ex-presidente Lula em segunda instância no
próximo dia 24 de janeiro no TRF-4, cujo resultado de confirmação da sentença
do juiz Moro já é tido como certo, representa um momento decisivo de uma escalada
autoritária que começou há alguns anos e que deixará cicatrizes por longo tempo
entre os cidadãos brasileiros. Não pretendo aqui analisar os vícios e absurdos
da denúncia do ministério público e da sentença que condena o ex-presidente sem
nenhuma prova, ou, mais explicitamente, que o faz contrariamente às provas de
sua inocência incluídas pela defesa nos autos do processo; esse trabalho já
está feito por pessoas muito mais qualificadas do que eu e se encontra
amplamente disponibilizado em vários meios digitais e impressos [i]. Disponho-me aqui a analisar as prováveis
consequências ético-políticas do fato e das atitudes pessoais diante do mesmo,
pois, reafirmo, não estamos diante de um acontecimento qualquer, mas de um fato
com imensas repercussões para a democracia, as liberdades e a vida social
brasileiras.
O momento em questão é semelhante a diversos outros
acontecimentos históricos de alta significação, tais como: (a) o caso Dreyfus,
na França de fins do século XIX; (b) os primeiros atos legais do regime nazista
contra os judeus, a partir de 1933; (c) a luta de Mohandas Gandhi, contra o
domínio britânico e pela soberania do povo indiano; (d) o julgamento de Rivonia
que condenou Nelson Mandela e várias outras lideranças do Congresso Nacional
Africano, em 1964, pelo judiciário do regime racista na África do Sul; (e) o
movimento dos direitos civis e a morte de Martin Luther King, nos anos 1960,
nos EUA; (f) o golpe de estado de Pinochet, em 1973, e o regime sanguinário que
o seguiu.
Esta é apenas uma pequena lista dentre os mais conhecidos
acontecimentos que marcaram sociedades no mundo moderno. Embora haja grandes
distinções entre todos os momentos mencionados, há algo comum que a todos eles
perpassa: para o bem ou para o mal, todos eles foram marcos definidores que
mudaram a história de suas sociedades e obrigaram os contemporâneos a assumir
uma posição determinada a respeito da situação específica. A indiferença das
pessoas no tocante a tais eventos foi progressivamente impossibilitada, porque
aqueles se tornaram questões fundamentais da sociedade, das quais não se poderia
escapar ou evadir-se. Em acréscimo, tal aspecto comum veio a se caracterizar,
no decorrer do tempo, pela legitimação de apenas uma posição, dentre aquelas em
disputa, como digna, civilizada e humana, a despeito de que, à época de cada um
dos acontecimentos, os conflitos pessoais e sociais a seu respeito fossem
fortíssimos. Nos dias atuais, todas as pessoas esclarecidas sabem que: (a)
Alfred Dreyfus foi julgado e condenado sem provas, por interesses escusos de
proteção a funcionários hierarquicamente superiores e pelo antissemitismo
contra a pessoa do réu; (b) os atos legais nazistas contra os judeus, além de
anti-humanos por si mesmos, faziam parte de uma estratégia geral de aniquilação
de tais pessoas; (c) a luta de Gandhi foi justa e por um princípio hoje
mundialmente reconhecido, tendo esse líder entrado para o panteão mítico do
século XX; (d) Nelson Mandela tornou-se reconhecido e mundialmente aclamado por
sua luta contra o apartheid, seu governo e seu comprometimento com a justiça e
a paz; (e) Martin Luther King, mundialmente reconhecido e aclamado, tornou-se
um mártir da paz e dos direitos civis, também ingressando, juntamente com
Gandhi e Mandela, no âmbito dos mitos inspiradores dos tempos modernos; (f) a
figura de Augusto Pinochet ombreia-se hoje com a de tiranos da qualidade de
Hitler, Mussolini e Stalin, por ter liderado um regime de torturas e terror que
aniquilou milhares de pessoas.
Hoje, é fácil reconhecer tudo isso. A história, por meio da
luta, comprometimento e sangue derramado de muitas pessoas, tornou límpido tal
reconhecimento para nós que não vivenciamos aqueles momentos. Às vezes, pela
facilidade em reproduzir esses julgamentos já realizados pela história, sequer
nos damos conta do esforço, da envergadura moral, do comprometimento consigo
mesmo e com a humanidade em cada um, por parte das pessoas que sustentaram com
suas vidas esse mesmo reconhecimento enquanto vivenciavam tais situações em
carne e osso, contrapondo-se às opiniões majoritárias e aos sistemas sociais,
políticos e econômicos que lhes davam suporte. Em suma: ser contrário à
ditadura de Pinochet hoje e fora do Chile é muito fácil; fazer isso na
sociedade chilena dos anos 1970 era algo completamente diferente.
De forma semelhante aos momentos mencionados, mantidas todas
as diferenças históricas, sociais e políticas, a sociedade brasileira
aproxima-se de um momento decisivo que a marcará por muitos anos e estará
gravada na vida de milhões de brasileiros. Trata-se, ao fim e ao cabo, de como
a sociedade e os indivíduos se posicionarão diante da condenação e eventual
prisão do ex-presidente Lula, sem provas, com o fito de afastá-lo
definitivamente das eleições presidenciais de 2018, consolidando-se, assim, uma
ditadura judicial-midiática iniciada com o golpe de 2016.
Trata-se de um daqueles momentos em que a história cobra de
cada um, inexoravelmente, uma posição explícita a respeito de acontecimento
fulcral e definidor de um tempo. Certamente que parte considerável das pessoas
tenta fugir ao peso de ter que assumir uma posição clara perante as demais,
porque em tal momento a escolha pessoal não define um ato cotidiano qualquer,
mas revela de forma incisiva o modo estrutural como alguém se porta diante da
situação inescapável de ter que assumir a responsabilidade por seu posicionamento
no mundo e pela estrutura do próprio mundo que supõe defender. O peso em
assumir seu posicionamento se expressa para muitas pessoas porque, em tais
situações, pouco valem as racionalizações, as desculpas, os discursos
floreados, as promessas de boas intenções; a pessoa está envolvida, quer
queira, quer não, em carne e osso na situação e não serão palavras abstratas
posteriores que poderão legitimá-la perante os demais e o devir. Nessas
situações cruciais, o que vale é a atitude indivisível pela qual a pessoa se
manifesta no mundo. A condição humana em tais situações, com todas as possíveis
implicações relacionadas, já foi há muito estudada por um ramo da filosofia
hoje já clássico – a Filosofia da Existência, tal como expressa por autores
como Karl Jaspers, Gabriel Marcel, Sartre, entre outros.
Alguns podem supor evadir-se da situação ou ignorá-la ao
adotar postura de indiferença ou desqualificação do assunto em pauta. A
história não é, entretanto, tão complacente nesses momentos quanto possam
pensar essas pessoas. Haverá sempre um preço a pagar por qualquer postura que a
pessoa assumir, inclusive a indiferença. Hoje está claro que todos aqueles,
inclusive judeus, que inicialmente não se posicionaram de forma clara e firme
contra as primeiras leis antijudaicas do III Reich nada mais fizeram do que
contribuir com o fortalecimento das investidas mais brutais dos nazistas na
consolidação do terror totalitário; hoje, ninguém reconheceria como legítima a
posição de alguém que afirmasse naquela ocasião que tudo aquilo não lhe dizia
respeito – tal atitude de alheamento configuraria por si mesma expressão de
barbárie. Adicionalmente, quem se assume indiferente diante de tais situações
deslegitima-se a si mesmo porque recai em autocontradição, uma vez que não lhe é
indiferente viver em uma democracia ou em uma ditadura; antes, tal pessoa
pretende ter todos os benefícios da vida em uma sociedade livre e democrática,
sem se comprometer com a defesa dos princípios que tornam possível a sua
existência.
Não estamos, no caso do julgamento sem provas do
ex-presidente, diante de uma eleição livre e limpa em que todas as posições em
disputa são legítimas e respeitáveis e qualquer um tem o direito fundamental de
defender a sua opinião como um dos lados da disputa. Pode-se ter opinião a
respeito de qualquer coisa, embora nem todas possam ser legítimas, desde que a
pessoa acate as consequências de sua própria expressão. Alguém pode, ainda
hoje, ter a opinião de que não houve o genocídio de judeus no regime nazista (e
ainda há pessoas que assim pensam), do mesmo modo como alguém pode ter a
opinião de que o mundo foi criado em seis dias literais de 24h (outros também
pensam assim) – a primeira opinião não possui legitimidade civilizatória,
democrática, nem histórica, e a segunda não possui legitimidade científica. O
fato concreto é que estamos diante de uma condenação do ex-presidente Lula, sem
provas – afirmam-no dezenas de juristas que analisaram o processo e até alguns
jornalistas de direita, e os próprios acusadores não conseguem provar a
acusação. Como já afirmado, isso não é uma novidade histórica. Não é e nunca
foi um processo justo, ou “luta contra a corrupção” – esse slogan já foi
desmentido por inúmeros outros acontecimentos; a falta de interesse do
ministério público e do judiciário em investigá-los e processar as pessoas que
cometeram crimes a eles relacionados, com provas materiais robustas e
insofismáveis, dissolve aquele lema por completo. A história é pródiga em
mostrar que a razão e o compromisso com a verdade não são matérias abundantes,
a não ser post factum. Por essa razão, não é de estranhar que haja
milhões de brasileiros que, independentemente de prova, desejam e propugnam a
condenação do ex-presidente; fundamentam-se tão somente nos seus desejos e
opções políticas mais inconfessáveis, na adesão aos desejos da classe dirigente
brasileira e na formalidade do processo judicial – a razão está completamente
alheada de seu próprio posicionamento. Alguém, portanto, pode ter a opinião de
que Lula deve ser condenado nas condições atuais, mas essa opinião não tem
valor civilizatório, nem democrático, posto não haver prova que a corrobore,
além de muitos outros problemas de legitimidade jurídica já analisados por
juristas conceituados[ii]. Muitos, na África do Sul do apartheid,
também tinham a opinião de que Mandela deveria ser condenado e preso
eternamente, por sua luta contra o regime racista; hoje, os herdeiros dessa
opinião e os que ainda a nutrem não têm a coragem de macularem-se a si mesmos
ao emiti-la – são fascistas sob disfarce.
A história já nos mostrou que regimes totalitários são
capazes de suprimir fatos da mentalidade da população. Aliás, nenhum regime
totalitário sobrevive sem buscar definir a história a seu modo. O fato de que
procuradores e juízes condenem sem prova o ex-presidente Lula é algo grave, mas
não singular historicamente. A favor deles se encontra o poder temporal de
fazê-lo contra os fatos, na tentativa de suprimir a estes por meio do ato de
força da própria sentença convertida em fato. Entretanto, já agora estão
disponíveis diversos meios de prova que, apesar de não deterem a força de se
impor sistemicamente, terão o poder, no Brasil e em outros países, de deixar
registrada a violência institucional praticada e apontar claramente os seus
perpetradores e apoiadores ativos e indiferentes.
A classe dirigente brasileira quer impor a todos a aceitação
resignada de uma mentira manifesta, como se todos tivessem que, pelo medo,
reproduzir o absurdo de que 2 + 3 = 7. Muitos se prestam a esse papel, a
começar dos procuradores e juízes que operam o cenário, incluindo-se aqueles
que os apoiam e os que imaginam ficar alheios à questão. Por esse ato,
renunciam a sua própria dignidade para habitar o mundo humano e regridem ao
estágio da lei do mais forte, por mais que, em palavras apenas, afirmem-se
democratas. O preço histórico e existencial será cobrado da sociedade
brasileira e de cada brasileiro que apoiou ou se omitiu diante do ato bárbaro
do juízo de exceção contra o ex-presidente Lula, encomendado para dar
continuidade ao projeto golpista, e agora ditatorial, iniciado em 2016.
Condenar alguém sem provas, em um juízo de exceção, com o
fito de destruir a democracia brasileira é uma possibilidade histórica, que
pode diferir em grau, mas que é da mesma natureza bárbara e violenta do
processo contra Dreyfus, das leis antijudaicas nazistas, dos processos
imperiais contra Gandhi e os que lutaram pela independência da Índia, da
perseguição racista a Mandela e a Martin Luther King, dos métodos da ditadura
de Pinochet empregados contra os que resistiram ao golpe de estado por ele perpetrado.
Todo cidadão é livre para posicionar-se favoravelmente a qualquer um desses
acontecimentos que agrediram e agridem os fundamentos do mundo comum; não tem,
entretanto, a legitimidade de fazê-lo com a expectativa de que possa ser bem
recebido na comunidade humana, porque aquele que julga ter o direito de
sobrepor cegamente suas preferências às regras que possibilitam a convivência
por entre a pluralidade humana expressa, por esse seu ato, sua própria
limitação antropológica para compreender com integridade o sentido de “viver
com”, na medida que é incapaz de transcender o seu próprio autocentramento.
Recife, 31 de dezembro de 2017.
José Policarpo Junior - doutor em Educação (PUC-SP) e
professor titular da UFPE.
[i] Para os que ainda não se informaram
suficientemente, há, entre inúmeras outras fontes excelentes, os seguintes
textos e documentários disponíveis:
A VERDADE DE LULA. Documentos provam cessão de direitos
do Triplex. 20/jun/2017. Disponível em: http://www.averdadedelula.com.br/pt/2017/06/20/documentos-provam-cessao-de-direitos-do-triplex/
A VERDADE DE LULA. OAS é dona do Triplex, reafirma a
defesa. 26/jun/2017. Disponível em: http://www.averdadedelula.com.br/pt/2017/06/26/oas-e-dona-do-triplex-reafirma-a-defesa/
BRASIL DE FATO. Denúncia contra Lula é política, baseada
em hipóteses e não em fatos, diz jurista. 14/set/2016. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2016/09/14/denuncia-contra-lula-e-politica-baseada-em-hipoteses-e-nao-em-fatos-diz-jurista/
LACERDA, Fernando Hideo I. Breves considerações sobre a
sentença contra Lula. 13/jul/2017. Disponível em: https://jornalggn.com.br/noticia/breves-consideracoes-sobre-a-sentenca-contra-lula-por-fernando-hideo-i-lacerda
MANCE, Euclides. Falácias de Moro: análise lógica da
sentença condenatória de Luiz Inácio Lula da Silva – Processo no.
5046512-94.2016.4.04.7000. Passo Fundo: IFIBE, 2017.
MEDEIROS, Sérgio. Lula e a fragilidade assustadora da
peça de acusação firmada por Moro. 14/jul/2017. Disponível em: https://jornalggn.com.br/fora-pauta/lula-e-a-fragilidade-assustadora-da-peca-de-acusacao-firmada-por-moro-por-sergio-medeiros
PRONER, Carol; CITTADINO, Gisele; RICOBOM, Gisele;
DORNELLES, João Ricardo. Comentários a uma Sentença Anunciada – o
processo Lula. Bauru: Canal 6, 2017.
REDE BRASIL ATUAL. Pedro Serrano: o sistema penal não
soluciona o problema da corrupção. 21/set/2017. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2017/09/pedro-serrano-o-sistema-penal-nao-soluciona-o-problema-da-corrupcao
SILVA JARDIM, Afranio. Breve análise da sentença que
condenou o ex-presidente Lula e outros. 13/jul/2017. Disponível em: https://jornalggn.com.br/noticia/breve-analise-da-sentenca-que-condenou-o-ex-presidente-lula-e-outros-por-afranio-silva-jardim
TV 247. Entrevista com Luiz Moreira – Prof. de
Direito Constitucional. 19/dez/2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=x5Uewhu__mA
TV 247. TV Espanhola destaca perseguição a Lula e
Cristina. 27/dez/2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Ave8tIOw6K0
ZANIN MARTINS, Cristiano; TEIXEIRA ZANIN MARTINS, Valeska;
VALIM, Rafael et. al. O Caso Lula: a luta pela reafirmação dos direitos
fundamentais no Brasil. São Paulo: Editora Contracorrente, 2017.
[ii] Conferir os diversos artigos de mais de uma
centena de juristas que compõem a obra já mencionada: PRONER, Carol; CITTADINO,
Gisele; RICOBOM, Gisele; DORNELLES, João Ricardo. Comentários a uma Sentença
Anunciada – o processo Lula. Bauru: Canal 6, 2017.
https://jornalggn.com.br/blog/jose-policarpo-jr/a-condenacao-de-lula-pelo-trf-4-e-o-divisor-de-aguas-na-sociedade-brasileira-%E2%80%93-breve-analise-politico-exi#.WkkE5VaL9eI.facebook
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Os tribunais fascistas nunca antecedem aos governos fascistas.
As 12 lições do moralismo apolítico – Freixo fala
por João Feres Júnior
Realmente, não tinha a intenção de escrever esse artigo,
pois o tempo é sempre curto e Marcelo Freixo é um político bastante irrelevante
no cenário político nacional. Mas, como moro no Rio de Janeiro, seu domicílio
eleitoral, e na Zona Sul, região onde se concentram seus principais admiradores,
não consegui resistir à tentação de escrever algumas notas sobre o que mais me
saltou aos olhos na entrevista dada por ele à Folha de S. Paulo. São somente
alguns apontamentos seguidos de análises bem breves. Vamos lá.
1. Freixo se expressa muito
mal. As coisas que fala, quando escritas, parecem confusas. Comete excessivas
sentenças negativas - deve ter lido muito Foucault na graduação de história - o
que torna a comunicação bastante equívoca. Responde perguntas com perguntas. Em
suma, bastante ineficaz na comunicação para um político com suas pretensões.
2. Começa a entrevista
com uma defesa de junho de 2013, quando até os mais bobos já se tocaram da
tragédia que aquilo realmente representou para nosso país. Quer dizer, erro
aqui. Os mais bobos ainda não chegraram lá.
3. Atravessa o samba ao
citar Boulos como candidato do PSOL, jogada que força o próprio Boulos a soltar
carta dando muitas explicações e reafirmando seu apoio a Lula, entre outras
coisas.
4. Diz que não é hora de
unificar as esquerdas porque a “sociedade precisa enxergar o diferente”.
E se saí com o argumento de que a direita também está fragmentada. Como se a
política fosse uma questão de estética. Como se a possibilidade da direita
ganhar e continuar o massacre do povo hoje em curso fosse algo que o Brasil
pudesse aguentar. Claro, as pessoas que moram no Leblon e em Ipanema certamente
podem aguentar e até se contentar com tal destino.
5. Acusa Lula por ter
andado com Renan Calheiros em Alagoas, repisando implicitamente a mistificação
de que no regime do presidencialismo de coalizão é possível governar sem fazer
alianças com setores mais retrógrados do espectro político. É claro que aí ele
está jogando para seu eleitorado moralista, que só aceita governo que não faz
pacto com “ladrão”.
6. Diz que Lula, “se
pudesse, faria todos os acordos que sempre fez”, mais uma vez mostrando aversão
à negociação política e posando de santo para o moralismo apolítico da sua
audiência.
7. Ao ser instado pela
repórter a se comparar a Bolsonaro faz um contorcionismo retórico enorme para
evitar a crítica ao deputado direitista. Pelo contrário, o elogia. Diz que sabe
“que ele não rouba”, afirmação que no âmbito do moralismo apolítico vale ouro.
E fecha falando que o eleitor vê ambos como honestos e corajosos.
8. Quando a repórter
tenta trocar de assunto e falar sobre o tráfico de drogas no Rio de Janeiro e a
prisão de seus líderes, ele se esquiva e sai com a brilhante frase: “o grande
crime organizado é o PMDB” -- frase que fica mais bem na boca de um coxinha
mediota do que de um político profissional.
9. Aí vem aquele que
talvez seja o ápice da entrevista. O tema é Moro e a Lava Jato. Freixo começa
criticando os excessos do juiz paranaense, mas quando comenta a condução
coercitiva de Lula, ao invés da apontar para a ilegalidade e imoralidade do ato
de Moro, ele, como que lamentando, diz que a ação do juiz deu a Lula “a
oportunidade de virar a chave e criar uma resistência muito mais aguda do que
existia até então”. É o fim da picada. A aversão a Lula demonstrada por Freixo
é assustadora. Mesmo perante um flagrante delito de Moro ele é incapaz de
emitir palavra simpática ao petista. Como se a reistência à Lava Jato fosse
sempre ruim.
10. Momento pitoresco. De passagem defende
Sergio Cabral, criticando a divulgação do vídeo dele no presídio feita pelo
Fantástico. Aqui há alguma coerência, mas biográfica e não política. Freixo
sempre “conversou” com a turma do PMDB da Alerj, a despeito de sua postura de
virgem imaculada para sua "galera". E é sabido que Cabral mais de uma
vez disse para a polícia poupar Freixo e sua turma da porrada distribuida
fartamente em manifestações. Contudo, Lula não é objeto da mesma generosidade.
Pelo contrário, a ele é proibido “conversar” com o PMDB.
11. Depois desses comentários ambíguos acerca de
Moro e Lava Jato, batendo em Lula e poupando Cabral, Freixo fecha dizendo:
“essas coisas não podem ser secundarizadas porque a tal da investigação contra
corrupção é importante. Não dá para achar que os fins justificam os meios.
Agora, isso faz com se pegue tudo o que está sendo feito pela Lava Jato e se
jogue fora? Não”.
12. O apoio à Lava Jato é elemento definidor do
moralismo apolítico. Mas não deixa de ser deprimente ver um deputado do Rio de
Janeiro, alguém que diz se orgulhar tanto de representar fluminenses e
cariocas, não reconhecer o imenso mal que a Lava Jato fez e está fazendo a seu
estado. É claro, novamente, quem sofre mais com desemprego, a falência dos
serviços públicos e a depressão econômica generalizada são os pobres. Mas o
moralismo apolítico não está muito aí para eles, venhamos e convenhamos. Na
verdade, os eleitores de Bolsonaro, também adeptos da mesma doutrina, têm
projetos mais definidos do que fazer com o excedente de pobres.
Há uma nota adicional que decidi não inserir na numeração
original para que a contagem total não pareça algum tipo de piada ou
trocadilho. Ela diz respeito a um elemento de gênero bastante incômodo na
entrevista, que aparece quando Freixo relata sua adesão ao nome de Boulos. Ele
diz que estava tomando café com sua companheira ...:
“Conversávamos sobre o que é esta esquerda do século 21. Os
olhos dela são meio que termômetro. Falei do Boulos, e arregalaram. Pensei:
"Opa, ali tem caldo".
É peculiar a maneira como se refere à Antônia, sua
companheira. Eles estavam conversando, mas seu convencimento não foi produto de
um bom argumento, articulado por ela, mas por uma reação física, um sinal de
intuição. Tal interpretação é reforçada pela frase anterior, no qual ele a
chama de “termômetro” – instrumento que usamos para fazer coisas inteligentes,
mas que, em si, é objeto inanimado, incapaz de reflexão. Aqui o entrevistado me
parece resvalar para um tropo clássico do discurso machista que é ressaltar o
poder de intuição da mulher, que sempre vem em detrimento do direito ou
capacidade de ela se constituir em interlocutor racional. Tanto é que, logo em
seguida, ele declara que foi testar a intuição de Antônia com sua equipe. Isto
é, submetê-la à luz da razão.
É curioso notar como esse tratamento dispensado por ele à
figura de sua companheira faz lembrar a lírica do próprio Caetano Veloso, cujo
círculo de “intelectuais do meio artístico” Freixo confessa frequentar, na casa
de Paula Lavigne. Diria que tal lírica frequentemente tem uma pegada freyreana
(de Gilberto Freyre), que é a do reconhecimento assimétrico da diferença: o
diferente (negro, mulher, índio, etc) é objeto de uma elegia que, ao mesmo
tempo, o coloca em seu devido lugar, sempre inferior ao do narrador. Por sinal,
se não ficou claro o argumento aqui, ouçam o bolerinho Elegia, composto e
gravado pelo próprio Caetano, com letra de John Donne, que descreve em detalhe
tal situação de reconhecimento assimétrico da mulher por um eu lírico
masculino. Funciona muito bem na voz de um artista, ainda que eu possa imaginar
que tal letra secular fira algumas sensibilidades do presente. Na fala de um
político...hmmmmm, not so much!
É claro que em situações como a do presente artigo, de
comunicação remota (interpretar uma entrevista de pessoa que não conhecemos a
fundo), deve restar a dúvida se a causa de tantos “problemas” é malícia,
imperícia ou ignorância do entrevistado. Não precisamos, contudo, entrar nesses
meandros para lamentar a pedagogia mesquinha e mistificadora das ideias de
Freixo. Sendo político, ajuda a propalar um discurso de ojeriza à política, em
nome de uma moralidade burra que não resiste aos testes mais imediatos da
realidade.
Ele nunca leva em consideração o fato que nosso regime
político é o presidencialismo de coalizão e que os projetos alternativos hoje
politicamente viáveis vão todos no caminho do cerceamento do voto popular.
Não, prefere acusar Lula de fazer alianças, mesmo quando não há alternativa
melhor para se governar o país. Cala-se perante o descalabro de Moro e da Lava
Jato, que estão jogando na lata do lixo a tradição de direito garantista em
nosso país – coisa que deveria ser preocupação de primeira ordem para um
militante dos direitos humanos. Perde a oportunidade de marcar diferença entre
ele e Bolsonaro, um político que prega sistematicamente o desrespeito aos
direitos humanos. Tudo isso para qual finalidade? Se apresentar como campeão da
honestidade?
Fico imaginando o estrago que uma candidatura de Boulos pelo
PSOL fará à imagem do próprio Boulos e a de seu movimento, o MTST. Ter que
lidar com militantes como Freixo e muitos outros bastante piores -- ele está
longe de ser o mais moralista e antipolítico entre seus pares --, não é tarefa
fácil nem do ponto de vista interno, organizacional, da campanha, quanto mais
externo, isto é, na administração da imagem pública da candidatura. O paradoxo
já está explicito na resposta de Boulos à entrevista: ou ele transforma o PSOL
em um partido verdadeiramente de esquerda, focado nas questões populares
fundamentais, ou o PSOL afunda sua candidatura, e com ela sua reputação. Agora,
quem em sã consciência imagina que pode mudar por dentro o udenismo do PSOL,
que aqui venho chamando candidamente de moralismo apolítico?
É claro, a postura anti-Lula e antipetista de Freixo se
encaixa como uma luva na agenda da Folha de S. Paulo. Sugiro ao leitor visitar
o Manchetômetro (www.manchetometro.com.br)
e ver o perfil da cobertura que esse jornal dedica ao ex-presidente e a seu
partido. Claro que o entrevistado sempre tem a escolha de falar o que o jornal
e seus leitores querem ouvir, falar coisas que eles não querem ouvir, ou não
dar entrevista para a Folha. Cada um faz suas escolhas e é responsável por elas.
Resta por fim saber se a atitude de Freixo é produto de
malícia, imperícia ou ignorância? Se me permitem um último palpite de final de
ano -- não diria intuição pois talvez eu não tenha os atributos genéticos para
tanto --, acho que é uma mistura das três coisas. E digo mais, provavelmente na
proporção decrescente de sua ordem.
Feliz 2018!
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