sexta-feira, setembro 06, 2013

Obama "assumiu responsabilidade direta e pessoal pela investigação das denúncias de espionagem"


Dilma relata conversa com Obama e dá sinais de que não vai aos EUA

A declaração mais importante dada por Dilma em São Petesburgo, Rússia, onde participa do encontro do G20, foi a de que Obama "assumiu responsabilidade direta e pessoal pela investigação das denúncias de espionagem". Segundo a presidenta, "Obama se comprometeu a responder ao governo brasileiro até quarta-feira [11] o que ocorreu".

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff concedeu na manhã desta sexta-feira (8 horas em Brasília, 14 horas em S. Petersburgo) entrevista em que relatou parte da conversa mantida com o presidente Barack Obama. A declaração mais importante foi a de que Obama "assumiu responsabilidade direta e pessoal pela investigação das denúncias de espionagem". Segundo Dilma, "Obama se comprometeu a responder ao governo brasileiro até quarta-feira [11] o que ocorreu". 

A presidenta deixou clara sua posição: "A minha viagem a Washington depende das condições políticas a serem criadas pelo presidente Obama".
Embora a conversa tenha sido reservada, Dilma dá sinais claros de que a situação se inverteu. A viagem que era certa agora depende das respostas a serem dadas. Obama, pelo que foi relatado pela imprensa norte-americana na quinta-feira (5), apenas repetiu a versão oficial sobre o caso que já foi dada por ele mesmo, pelo vice-presidente, Joe Biden, pelo secretário de Estado, John Kerry, e pelo embaixador no Brasil, Thomas Shannon. 

Documentos mostrados por Glenn Greenwald, tendo como fonte o ex "soldado digital", Edward Snowden, comprovam que todos mentiram: as agências do serviço de espionagem dos EUA monitoram não apenas os fluxos de informação, mas os conteúdos. Hoje, em todos os jornais, são reproduzidas novas provas de que as agências quebraram os códigos de criptografia das mensagens de internet. Na prática, como dizem fontes do Itamaraty, eles transformaram os e-mails em cartão postal. Isso deixa Obama a um passo de ter praticado, ao contrário do que declarou, abuso de poder.

Viagem aos Estados Unidos subiu no telhadoSobre a viagem prevista inicialmente para outubro, aos Estados Unidos, de fato, ninguém sabe dizer exatamente se Dilma vai ou não aos Estados Unidos. Nem Obama e nem mesmo a própria Dilma. Mas os sinais de que a viagem "subiu no telhado" já estão dados. Isso ficou claro quando Dilma mandou cancelar a ida da equipe que iria preparar a viagem. Essa equipe é tradicionalmente chamada de "precursora".

Se não surgir nada de novo na explicação a ser dada por Obama, não haverá motivo para que Dilma esteja nos Estados Unidos apertando a mão e sorrindo ao lado de Obama, no dia 23 de outubro. A expressão "condições políticas" deixou isso muito claro. Assessores próximos à presidenta entendem que a frase pode ser entendida também como algo que envolve a situação da Síria. Até outubro, Obama terá lançado um ou mais ataques à Síria, a depender das consequências de uma escalada de violência provocadas por uma ingerência militar direta dos Estados Unidos no conflito.
Dilma avisou hoje que "o Brasil não reconhece uma ação militar na Síria sem a aprovação da ONU". 

Brasil espera por dois pedidos de desculpasA posição do governo brasileiro é a de esperar dois pedidos de desculpas de Obama: um, pessoal e reservado, à própria presidenta, e outro ao Brasil, de forma pública. Ontem, não veio nem uma coisa, nem outra. Por escrito, se considera improvável que venha, tais as implicações políticas de Obama admitir a espionagem sobre o conteúdo de mensagens de um chefe de Estado.

A ideia do vice-presidente, Joe Biden, de trocar o pedido de desculpas por agrados ao Brasil já é encarada como ofensa por autoridades brasileiras. A sinalização de que os Estados Unidos, no dia 23 de outubro, anunciariam um apoio à presença do Brasil no Conselho de Segurança da ONU é vista como conversa para boi dormir. Seria uma declaração bem vista, mas não avança na discussão e desmoralizaria a presidenta, que deixou clara sua irritação com a violação da soberania do país. 

Dia D é o 24 de setembroA presidenta deve fazer um discurso duro no dia 24 de setembro, quando falará à Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Este momento tem sido visto como o definitivo ("deadline") para uma decisão sobre o assunto da viagem de outubro.

Conforme Carta Maior antecipou (leia a matéria de 16 de agosto), o Brasil vai propor normas internacionais de regulação da internet para garantir a liberdade de expressão e o direito à privacidade. A presidenta oficializou, em sua entrevista em S. Petersburgo: 

"Irei à ONU propor uma nova governança contra invasão de privacidade". 
As declarações citadas da entrevista da presidenta em S. Petersburgo estão disponíveis no perfil do Blog do Planalto no Twitter.

quarta-feira, setembro 04, 2013

Se o governo não se despir do economicismo, perderá a guerra. Ainda que tome as medidas tecnicamente adequadas à retomada do crescimento. O contrafogo das expectativas negativas pode por tudo a perder. Guardadas as proporções, vale lembrar: Puttin, na Rússia, colocou no ar uma emissora estatal que dispõe de orçamento de US$ 300 milhões/ano. E um quadro de dois mil contratados. Guardadas as devidas motivações, cumpre insistir: esse é o tamanho do jogo.

A guerra que pode matar uma nação

Variáveis macroeconômicas são ingredientes à espera de um projeto de Nação.

Quem decide a receita do desenvolvimento e da sociedade é a luta política.

Uma arma crucial do embate é a formação das expectativas.

No Brasil hoje, são elas que podem mover ou travar a engrenagem decisiva do investimento na esfera industrial e na infraestrutura.

Num caso, o país retoma o crescimento ancorado em bases consistentes.

No outro, o pessimismo estreita o horizonte do futuro e afoga a Nação na liquidez rentista. A espiral descendente do emprego e do consumo cuida do resto, conflagrando a inquietação social.

É a disjuntiva dos dias que correm.

A guerra das expectativas dispara mísseis que cruzam os céus do imaginário social ininterruptamente.

A quarta frota desta guerra é a área na qual a influencia conservadora desequilibra o jogo a seu favor: o comando do noticiário em geral; o da economia, em particular.

Dados auspiciosos do IBGE sobre o PIB do segundo trimestre foram recepcionados com um muxoxo pela emissão conservadora: ‘resultado surpreende o mercado’.

Modéstia.

O resultado não surpreende, ele o decepciona.

Um desastre econômico de proporções ferroviárias é vaticinado há meses pela endogamia da mídia com a corriola das consultorias e a pátria financeira.

O lubrificante ora é o dólar no mercado futuro. Ora a AP 470. Ora a 'invasão' da saúde pública por 'escravos de Fidel', desembarcados de ‘aviões negreiros’. Assim por diante.

A impressionante expansão de 9% do investimento no 2º trimestre, comparado ao mesmo período de 2013, trouxe ao crescimento de 1,5% do PIB uma qualidade há muito requerida pelo país.

O incremento de capacidade produtiva avançou bem acima da variação do consumo das famílias (2,3%) e o do governo (1%).

É a calibragem correta para uma expansão de longo curso.

Aquela que não desanda em pressões inflacionárias porque a oferta caminha adiante da demanda.

Não significa que a matriz de um novo ciclo está consolidada. Estamos longe disso.

O Brasil acumula pendências cambiais e de logística que emperram o motor do seu desenvolvimento.

A economia tem gargalos objetivos; oscila em altos e baixos à procura de uma nova coerência, como mostra a montanha-russa do desempenho industrial.

Mas o PIB que surpreendeu a narrativa derrotista comprova que a fatalidade conservadora não é um dado de natureza.

É um ingrediente da luta política em curso, abastecida com a pólvora das expectativas.

O conjunto manipula a incerteza intrínseca ao cálculo econômico de longo prazo no regime capitalista.

A sinalização financeira a quem caberia clarear a neblina do futuro, age para cegar. Seu alto-falante midiático cuida de afligir.

Um lucra com a especulação nutrida pela incerteza; o segundo, com o rebate conservador que o pânico injeta nas pesquisas eleitorais.

Significa dizer que a batalha do crescimento não será vencida no âmbito exclusivo das medidas econômicas.

Se o governo não se despir do economicismo, perderá a guerra. Ainda que tome as medidas tecnicamente adequadas à retomada do crescimento.

O contrafogo das expectativas negativas pode por tudo a perder.

Guardadas as proporções, vale lembrar: Puttin, na Rússia, colocou no ar uma emissora estatal que dispõe de orçamento de US$ 300 milhões/ano. E um quadro de dois mil contratados.

Guardadas as devidas motivações, cumpre insistir: esse é o tamanho do jogo.

Nunca é demais repetir: a coerência macroeconômica quem dá é a correlação de forças da sociedade, que tem na formação das expectativas um de seus ordenadores decisivos.

Quem fizer a leitura política do noticiário econômico enxergará a queda de braço em curso.

De um lado, iniciativas oficiais procuram desbastar o caminho para um novo ciclo histórico, ancorado no impulso do investimento com maior equidade social.

De outro, os interesses que tentam direcionar a encruzilhada atual para a regressão ao modelo dos anos 90: privatizações, Estado mínimo, arrocho social, alinhamento carnal com geopolítica e a economia imperial norte-americana.

Nunca será fácil converter as conquistas e aspirações de uma época à paz salazarista cobiçada pelos ‘mercados’.

A saber: um cemitério social rígido como o eletrocardiograma de um morto, associado à apoteose rentista da nação à serviço do dinheiro.

Fomentar a crise de confiança é a pedra basilar dessa arquitetura.

Dar a isso a abrangência de um sentimento coletivo de baixa autoestima, é a sua argamassa.

Fazer da descrença no país, em suas lideranças, no Estado e organizações sociais um acontecimento de natureza política e econômica, o vigamento superior.

Naturalizar esse jogral a ponto torna-lo uma profecia autorrealizável, a cumeeira do processo.

Leve tudo ao forno da inquietação social movida a denuncismo e vaticínios de desastre iminente no desempenho do PIB e dos índices de inflação.

Não importa que os resultados do mês em curso os desmintam.

O núcleo duro dessa usina de sombras e abismos é afinado por um jogral de pluralidade ideológica irrisória.

Em entrevista recente, o colunista do Estadão, José Paulo Kupfer, admite o viés que afina o noticiário econômico:

‘Fiz uma pesquisa de fontes em alguns principais jornais: Estadão, O Globo, Folha. Captei 500 participações. 85% das citações eram de consultorias, departamentos de economia (alinhados) a escolas neoliberais. Fica tudo com uma visão só”, afirmou.

Como enfrentar essa guarda pretoriana sem um antídoto da envergadura daquele ostentado pelo projeto da ‘Russia Today’?

Difícil.

O PIB do segundo trimestre revelou uma taxa de investimento ainda abaixo dos 20% , tido como um requisito para acelerar a máquina do crescimento.

Mas cravou 18,6%, em ascensão, tendo como pano de fundo cerca de R$ 3,8 trilhões em novos projetos investimentos privados e grandes obras de infraestrutura.

A previsão é do BNDES para o período 2014 e 2018.

O valor, apreciável em qualquer latitude do globo, separa a linha entre o país viável e aquele cronicamente inviável , disseminado pelo jogral dos ‘ 85%’ identificados por Kupfer.

Não só. O conjunto incide sobre um mercado de 200 milhões de habitantes.

Significa que o país tem hoje uma população equivalente a dos EUA nos anos 70. E uma renda pouco superior a 1/3 daquela dos norte-americanos nos anos 30.

Com uma distinção dinâmica não negligenciável.

A distribuição, no caso brasileiro, é melhor que a registrada na sociedade norte-americana, atropelada então por 14 milhões de desempregados da crise de 29.

Essa obra prima dos livres mercados é um pouco o que a turma dos ‘85%’ quer ressuscitar no Brasil do século 21.

Precisa para isso torturar de morte ingredientes dificilmente compatíveis com a sua receita de nação: uma população jovem, uma imensa demanda não atendida, trilhões de reais mobilizáveis e recursos estratégicos abundantes, a exemplo do pré-sal.

A macroeconomia pura e simples jamais diria que estamos diante dos ingredientes de um fracasso, como aquele vaticinado dia e noite pela emissão conservadora.

Mas a guerra das expectativas pode matar uma Nação.

Se conseguir convencê-la a rastejar por debaixo de suas possibilidades históricas. 

Postado por Saul Leblon às 08:27

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terça-feira, setembro 03, 2013

No ano passado, o Google se tornou-se o segundo faturamento em publicidade do país, atrás apenas da Globo, e à frente da Abril e demais grupos de mídia, com R$ 2,5 bilhões. Este ano, deverá crescer R$ 1 bi.

Enviado por luisnassif, ter, 03/09/2013 - 08:00
Autor: 
Coluna Econômica
Na sexta-feira passada, as Organizações Globo surpreenderam o país com uma autocrítica de seu apoio à ditadura militar.
Soou artificial.
Um dia antes, manifestantes jogaram merda em sua sede, em São Paulo. Nas redes sociais, com exceção da revista Veja, não existe organização capaz de despertar tanto amor e ódio.
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Para entender essa demonstração de fraqueza da Globo, é preciso analisar o atual estágio da mídia brasileira.
O mercado da Internet está sendo disputado por três grupos: a mídia convencional, as empresas de telefonia e as grandes redes sociais, como Google e Facebook.
Antes, mídia vendia publicidade; telefonia vendia pulsos; redes sociais vendiam sonhos. Agora, as redes sociais vendem publicidade, ligações telefônicas e filmes sob demanda. Nos EUA, já dominam completamente a publicidade nacional (dos grandes produtos) e os classificados.
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No ano passado, o Google se tornou-se o segundo faturamento em publicidade do país, atrás apenas da Globo, e à frente da Abril e demais grupos de mídia, com R$ 2,5 bilhões. Este ano, deverá crescer R$ 1 bi.
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Tanto grupos da velha mídia como empresas de telefonia têm razão ao pleitear isonomia com grupos de fora – que não pagam impostos no Brasil nem contribuições às quais são obrigadas TVs a cabo.
Para estabelecer a isonomia, haveria a necessidade de um novo ordenamento jurídico. O caminho seria a Lei dos Meios – proposta há anos pelo então Secretário de Comunicações do governo federal Franklin Martins.
No entanto, demonizou-se a Lei dos Meios, como se fosse um instrumento para calar a mídia. Agora, necessita-se de uma mudança legal que defina os novos marcos das comunicações. E a Globo quedou-se só.
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Dias atrás, um interlocutor de João Roberto Marinho – um dos herdeiros da Globo – ouviu dele manifestação de surpresa com o ódio que a empresa desperta, o desassossego com a crise dos aliados - seus três maiores aliados, Folha, Abril e Estadão, perdem fôlego a cada dia que passa -, o desconforto com a competição das redes sociais.
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De fato, as empresas de telecomunicações contam com o lobby escancarado do Ministro Paulo Bernardo.
Já a Globo enfrenta o momento mais delicado de sua história sem dispor do antigo poder de definir as leis a seu talante e estando cada vez mais isolada.
É por aí que se entendem as mudanças.
Nos últimos tempos, a Globo trocou seu lobista em Brasília – Evandro Guimarães, competente porém herdeiro dos tempos do “eu sou o senhor do universo”- por outro, mais político. Nomeou para cargo de direção uma executiva incumbida de começar a enxugar a estrutura de custos para adaptar-se aos novos tempos.
Provavelmente seu noticiário começará a se tornar menos tendencioso e poderá até a voltar a praticar jornalismo de primeira, crítico porém plural. Ouvintes da CBN, telespectadores do Jornal Nacional e da Globo News voltarão a saborear comentaristas equilibrados, com bom senso, criticando, sim, mas sem prever mais o fim do mundo e a invasão do país pelas forças de Fidel Castro.
Seja qual for a mudança, continuará poderosa. Mas os tempos de poder absoluto não mais voltarão. Nos próximos anos, terá que fazer algo impensável para quem se considerava um império: sair do pedestal, legitimar-se novamente, montar redes de aliados.


segunda-feira, setembro 02, 2013

Dilma na 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na abertura do Debate Geral da 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas - Nova York/EUA

21/09/2011 às 11h20

Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser,
Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo,
Senhoras e senhores,

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna, que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.
É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.
Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.
Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino, e são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.
Senhor Presidente,
O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações.
Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.
Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.
Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as consequências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.
Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É – permitam-me dizer – por falta de recursos políticos e, algumas vezes, de clareza de ideias.
Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.
O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise – a do desemprego – se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo – 44 milhões na Europa, 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta.
Nós, mulheres, sabemos – mais que ninguém – que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.
Senhor Presidente,
É significativo que seja a presidenta de um país emergente – um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego – que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.
Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.
Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.
O mundo se defronta com uma crise que é, ao mesmo tempo, econômica, de governança e de coordenação política.
Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.
As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.
Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.
Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.
Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.
Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.
A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial.
O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade, de maneira espúria e fraudulenta.
Senhor Presidente,
O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.
Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.
Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.
Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança, e que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.
É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.
Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.
Senhor Presidente,
Desde o final de 2010 assistimos a uma sucessão de manifestações populares, que se convencionou denominar “Primavera Árabe”. O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.
É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.
Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.
Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento.
O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.
Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger, pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões, e a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.
Senhor Presidente,
A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.
O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea, um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.
O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.
No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.
O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.
Senhor Presidente,
Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.
Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.
O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.
Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia, como deve ser.
Senhor Presidente,
O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.
Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar, já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações – com novas metas no Protocolo de Quioto – para além de 2012.
Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o secretário-geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os chefes de Estado e de Governo compareçam.
Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,
O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza, e que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.
O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes de 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.
No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm, nas mães, a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.
Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.
Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.
Senhor Presidente,
Além do meu querido Brasil, sinto-me aqui também representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.
Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.
Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.
E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações, que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.

Muito obrigada.

domingo, setembro 01, 2013

Dirceu: Enfrentar sem medo o debate político e a disputa em defesa do nosso governo e nosso projeto.



31 ago 2013/8 Comentários/ destaque /Por Zé Dirceu
É preciso enfrentar e responder à altura a escalada da mídia contra o governo, porque ela é contra o país. É preciso responder com ideias e fatos, com debate político, com disputa de espaço democrático e plural na própria mídia – um direito constitucional –, utilizando todos os espaços institucionais, como o Congresso Nacional e os instrumentos de comunicação à disposição do Executivo, dos partidos e dos cidadãos.
É preciso falar com o povo, ir para as ruas, bairros, fábricas, escritórios. Enfrentar sem medo o debate político e a disputa em defesa do nosso governo e nosso projeto.
Dois exemplos justificam esse alerta e esse pedido: a vergonhosa postura da imprensa em geral, com as exceções de sempre, sobre o crescimento do PIB no segundo trimestre, negativa, pessimista, derrotista, que ajuda a criar expectativas para inviabilizar a retomada do crescimento; e a reportagem na manchete de ontem da Folha de S.Paulo sobre os Mais Médicos, dizendo que prefeituras estariam demitindo profissionais para receber os do programa federal, a fim de economizar.
O jornal nem mesmo ouviu o Ministério da Saúde, que ontem mesmo esclareceu que as prefeituras que tentarem fazer a troca serão excluídas do programa. Bastava um telefone para verificar que a manchete não se sustentava.
E na edição de hoje, toda a Folha, começando pelo editorial, também está dedicada contra o Mais Médicos. E toda a edição do caderno econômico foi feita para “provar” que não haverá crescimento no terceiro trimestre e que o ano de 2013 e o governo Dilma serão um dos piores de todos os tempos na economia… De todos os presidentes, menos Fernando Collor e Floriano Peixoto, e por aí vai…
Nós e o povo brasileiro conquistamos a democracia e elegemos três vezes o presidente do Brasil – fato inédito em nossa história, incluindo uma mulher – na luta e contra os mesmos que hoje do alto do controle da informação, um direito constitucional, pretendem usurpar a delegação que recebemos da soberania popular.
É hora de dar o bom combate e responder à altura a atual campanha contra o nosso governo.



Entrevista com José Dirceu

sábado, agosto 31, 2013

PAULO NOGUEIRA: Por que a direita odeia tanto Zé Dirceu?

Por que a direita odeia tanto Zé Dirceu?

PAULO NOGUEIRA 31 DE AGOSTO DE 2013
Provavelmente porque ela não conseguiu seduzi-lo como fez com tanta gente.
Dirceu
Dirceu
Por que Zé Dirceu é tão odiado pela direita?
Ele é ainda mais odiado que Lula, o que não é pouco.
Tenho minha tese.
De Lula era esperado, mesmo, que estivesse do lado oposto ao da direita. Operário, nordestino, nove dedos, pouca oportunidade de estudar.
Seria uma aberração Lula se alinhar ao 1%, para usar a grande terminologia do movimento Ocupe Wall Street.
Mas Dirceu não.
Ele tinha todos os atributos para figurar no 1% que fez o país ser o que é, um dos campeões mundiais de iniquidade, a terra das poucas mansões e das tantas favelas.
Articulado, inteligente, dado a leituras. Bem apessoado. Na ótica do 1%, pessoas como Zé Dirceu são catalogadas como traidoras, e devem ser punidas exemplarmente para que outras do mesmo gênero, ou se preferirem da mesma classe, não sigam seu exemplo.
Na França revolucionária, a aristocracia entendia que os Marats, os Desmoullins, os Héberts  pregassem a morte do velho regime, mas jamais conseguiu compreender o que levou o Duque de Orleans a também lutar pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade.
O 1% brasileiro, na história recente, soube sempre atrair equivalentes a Dirceu. Carlos Lacerda, por exemplo, era de esquerda na juventude.
Depois, se tornou um direitista fanático. Segundo relatos de quem o conheceu, ele se cansou da vida dura reservada aos esquerdistas em seus dias e foi para onde o dinheiro estava.
O 1% recompensa bem. Nos dias de hoje, se você defende os privilégios, acaba falando na CBN, aparecendo em entrevistas na Globonews, tendo coluna em jornais e revistas, dando palestras muito bem pagas. E, com a carteira abastecida, ainda pode posar de ‘corajoso’ defensor da ‘imprensa livre’.
Dirceu não fez a trajetória de Lacerda. Não abjurou suas crenças.
E então virou o demônio.
Quem o demonizou foram exatamente aqueles que o adulariam se ele se vendesse. A imagem que a mídia construiu de Zé Dirceu concentrou num único homem todos os defeitos possíveis: vaidoso, arrogante, corrupto, inescrupuloso, maquiavélico.
Um monstro, enfim.
Pegou essa imagem? Menos do que o 1% gostaria, provavelmente. Quem não se lembra de Serra, num debate com Haddad, repetidas vezes tentar encurralar seu oponente com a acusação de que era “amigo do Dirceu”?
Haddad reconheceu tranquilamente a amizade, e quem terminou eleito não foi Serra.
Na mídia tradicional, a campanha contra Dirceu desconhece limites jornalísticos e, pior que isso, legais.
Um repórter tenta invadir criminosamente o quarto do hotel que ele ocupa, e ainda assim é Dirceu que aparece como o vilão do caso.
Quem conhece o Dirceu real, com seus defeitos e virtudes, grandezas e misérias, são aqueles poucos de seu círculo íntimo. Para eles não faz efeito o noticiário que o sataniza. (Caso interesse a alguém, nunca votei em Dirceu e não o conheço pessoalmente.)
De resto, esse noticiário – ou propaganda – não é feito para eles, mas para os chamados ‘inocentes úteis’, aqueles que em outras épocas acreditaram no “Mar de Lama” de Getúlio Vargas ou no “perigo comunista” representado por João Goulart.
É a imagem demoníaca de Dirceu construída pela mídia que, nestes dias, é utilizada pela maioria dos juízes do Supremo no julgamento do Mensalão.
Não chega a ser surpresa. A justiça brasileira tradicionalmente foi uma extensão do 1%.
Estudiosos já notaram a diferença da atuação da justiça no Brasil e na Argentina na época das duas ditaduras militares.
No Brasil, a justiça foi servil aos militares. Na Argentina, a justiça desafiou frequentemente os militares ao declarar inocentes muitos acusados de “subversivos”.
Isso acabou levando os militares argentinos a simplesmente matar milhares de opositores sem que fossem julgados.
Fundamentalmente, Dirceu paga o preço de sua opção teimosa pelo 99%.
Mas quem vai julgá-lo perante a história não é o 1%, representado por uma mídia que defende seus próprios privilégios e finge se bater pelo interesse público. E nem uma corte em cuja história a tradição é o alinhamento alegremente pomposo com o 1%.
Ele deve saber disso, e imagino que isso o conforte em horas duras como esta.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-a-direita-odeia-tanto-ze-dirceu/

sexta-feira, agosto 30, 2013

PT - NOTA SOBRE A SITUAÇÃO NA SÍRIA

NOTA SOBRE A SITUAÇÃO NA SÍRIA

O Partido dos Trabalhadores acompanha com crescente apreensão a situação na Síria.
Desde o início dos conflitos naquele país, a nossa posição é de que cabe unicamente ao povo sírio encontrar uma solução pacífica e política para as suas diferenças.
O PT condena com total veemência qualquer forma de violência contra civis e rechaça qualquer tipo de ingerência externa.
Há exemplos recentes confirmando que ações militares patrocinadas por potências estrangeiras não ajudam a paz, a democracia e o bem estar, causando mais destruição e perda de vidas humanas.
O PT reitera sua opinião favorável à democratização do sistema ONU, inclusive a ampliação do chamado Conselho de Segurança (CS). E apoiamos a posição manifesta pelo governo brasileiro, acerca da ilegalidade de toda e qualquer intervenção sem autorização expressa do CS.
Por fim, defendemos a investigação completa do atentado cometido, ao que tudo indica, com armas químicas. E repudiamos a tentativa, já vista no caso do Iraque, há vários anos, de forjar pretextos para ações unilaterais.
A paz está sob ameaça. O PT estará presente e se solidariza com todas as atividades em defesa da paz mundial.
Rui Falcão, presidente nacional do PT
Iriny Lopes, secretária de relações internacionais
Valter Pomar, secretário executivo do Foro de Sâo Paulo.




quarta-feira, agosto 28, 2013

o Brittinho deitou em cima deste troço aí

Vídeo mostra o “engavetamento” o mensalão mineiro do PSDB


Joaquim_Barbosa121_Mensalao_Tucano
Fernando Brito, via Tijolaço
Alertado pelo Conversa Afiada, vou ao site do Congresso em Focoe está lá a matéria de Eduardo Militão sobre o escândalo do “adormecimento” do caso do mensalão mineiro – recursos que Marcos Valério repassou ao ex-governador e líder tucano Eduardo Azeredo – no Supremo Tribunal Federal.
Por duas vezes o processo vai à pauta do Plenário. Da primeira vez, a pedido de Gilmar Mendes – ex-advogado-geral de FHC – é adiado. Da segunda vez, sob o argumento de que seu voto “é longo”, o então presidente do STF Ayres Britto diz que o lerá depois do lanche da tarde que os ministros fazem.
Na volta, porém, o caso que põe em pauta é outro, distinto. O do mensalão mineiro desaparece entre os chás e sanduíches.
Ouvido, o agora aposentado prefacista de Merval Pereira, Ayres Britto diz que, se trocou de processo, foi porque ele “ouve os demais ministros”.
O ex-procurador da República, Cláudio Fonteles, entre risos irônicos, diz que “o processo foi tirar uma soneca” nas gavetas de Britto.
“Você pergunta ao ministro Ayres Britto por que é que ele resolveu agilizar o do PT e não o do PSD? Pergunte a ele. Hehehehe… Pelo que o senhor está me descrevendo aí [o repórter do Congresso em Foco] o Brittinho deitou em cima deste troço aí.”
Abaixo, o vídeo, para você conferir o que se passou:

Xeque-Mate: Raimundo Pereira desafia STF



28/08/2013

Nesta segunda-feira 26/08 o entrevistado do programa Roda Viva, foi o advogado e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior.

O tema da entrevista foi o “mensalão”

O cara parecia porta voz de Joaquim Barbosa e Gurgel...

O jornalista Raimundo Pereira, aproveitou a ocasião e fez uma defesa pela anulação do julgamento da AP 470.

Reale, não conseguindo dar explicações, que na verdade não existem, desviou-se das perguntas...

Tentou continuar afirmando, um discurso que era claramente o mesmo que você assiste na Globo, ou lê na Veja.

E Raimundo Pereira desafiou em horário nobre o supremo..."Se o que eu afirmo na minha revista, que tem erro, é mentira, me processem!"

Eu nem postei o vídeo completo,, pois não vale à pena...

Fiz uma edição com as palavras de Raimundo Pereira da Revista Retrato do Brasil.


quinta-feira, agosto 22, 2013

Mídia quer desemprego e inflação para derrotar Dilma.


O Brasil alcançou o maior estoque de empregos dos últimos dez anos, afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, durante a reunião do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) realizada nesta quinta-feira (22) no Palácio do Planalto.
“Está nos jornais, e eu acho de grande relevância, que é a situação do emprego no Brasil. Eu gostaria de chamar a atenção de todos para o estoque de empregos que hoje nós temos no país. Nós temos 40,454 milhões de empregos. É o maior estoque de empregos dos últimos dez anos quando nós começamos uma política ofensiva de empregabilidade.”
A ministra também comentou sobre os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre a taxa de desemprego de julho que foi de 5,6%. Em junho, a taxa registrada foi de 6,0%.

“Qualquer número que saia sobre variável de criação de vagas de emprego, de geração de empregos, deve ser observado a partir desse estoque. Isso é importante falar para que não prevaleça uma ideia muito pessimista de que nós estamos com uma situação de desemprego. Muito pelo contrário. O dado do IBGE divulgado hoje, junto com os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mostra que a nossa taxa de desemprego do mês de julho é de 5,6[%] contra 6,0 [%] do mês de junho. Nós temos um crescimento menor das vagas de emprego, da geração de emprego, em razão também do grande estoque, do aumento de estoque que nós tivemos de emprego nos últimos anos.”

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A mídia, o desemprego e o Prozac
Enviado por Miguel do Rosário on 22/08/2013 – 4:11 pm1 comentários
Cada vez me convenço mais que a nossa mídia é sócia da indústria de antidepressivos. Eles investem na ansiedade para forçar as pessoas a comprarem remédios. Todos os jornalões de hoje trazem títulos na primeira página advertindo para a piora no mercado de trabalho. A Folha foi a mais eficiente. Usando os números do Caged, fala que as capitais “fecham vagas pela 1ª vez em uma década”. Só que não é verdade. Ou antes, a mídia fala uma verdade parcial afim de vender uma mentira completa.


A manchete não tem sentido jornalístico. É surreal, politiqueira, falsa. A manchete recorta um fato negativo dentro de uma estatística positiva. É como se o Flamengo ganhasse de três a um do Fluminense e a manchete no dia seguinte fosse “Flamengo toma um gol do Fluminense”.

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quinta-feira, agosto 08, 2013

O Brasil, afinal, deixou de ser um país organizado apenas para servir às elites

Querem provocar amnésia coletiva nos brasileiros, diz João Sicsú; agora, avanços dependem de “enfrentamento”

publicado em 8 de agosto de 2013 às 13:31

por Luiz Carlos Azenha
O livro acabara de ser escrito quando explodiram as manifestações de junho de 2013, inicialmente em São Paulo.
O autor, economista João Sicsú, doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro — onde leciona — não precisou alterar o texto. Pelo contrário: segundo ele, o conteúdo já apontava para a nova pauta dos trabalhadores e da sociedade brasileira. Os consumidores agora querem ser cidadãos plenos e, portanto, exigem serviços públicos de qualidade.
Porém, depois das conquistas dos últimos dez anos, obtidas como resultado de um pacto em que tanto trabalhadores quanto capitalistas ganharam, Sicsú acha que “a nova pauta exige enfrentamento”.
Exemplo? Para melhorar o serviço público de saúde, será preciso enfrentar o corporativismo e os interesses das grandes empresas de saúde privada.
Sicsú contesta a ideia de que falta dinheiro ao Estado brasileiro para atender às demandas da população. É preciso, isso sim, realocar os recursos — reduzindo, por exemplo, o pagamento de juros da dívida interna.

O livro “Dez Anos que Abalaram o Brasil“, que está chegando às livrarias, é um balanço das mudanças econômicas que aconteceram no Brasil desde o início do governo Lula.
Para o autor, o gráfico acima, que aparece na página 62, é essencial para entender a profundidade das mudanças.
Sicsú acha que o que ele expressa é mais relevante até mesmo que os dados do Índice de Gini, que registra aumento ou diminuição da desigualdade entre os trabalhadores.
Já a relação entre massa salarial/Produto Interno Bruto é um raio X do bolso dos brasileiros.
E o gráfico acima comprova que, se os capitalistas ganharam muito dinheiro sob Lula, os trabalhadores ganharam relativamente mais.
Em 2009 os salários passaram a representar mais da metade do PIB, 51,4%.

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O balanço que Sicsú colocou em livro é uma tentativa de evitar que aconteça o que parece desejar a elite brasileira, que se manifesta diariamente através de sua mídia: apagar a história econômica da última década, ou atribuí-la apenas à continuação das políticas de Fernando Henrique Cardoso e sua turma.
O leitor Antonio Machado detectou isso num recente artigo do presidenciável Aécio Neves, na Folha de S. Paulo.
Levando em conta que fiz a entrevista com João Sicsú instalado no bairro do Higienópolis, em São Paulo, incorporei uma entidade tucana e fiz algumas perguntas provocativas a Sicsú.
Exemplo: não é verdade que FHC debelou a inflação e abriu as portas para o crescimento da era Lula?
Sicsú reconhece a importância do controle inflacionário, mas situa historicamente o que aconteceu no Brasil com esforços paralelos que também ocorreram na Argentina e no Equador.
Afirma que o controle da inflação não teve as repercussões sociais que pretendiam os presidentes dos três países, tanto que Fernando De La Rua foi expulso da Casa Rosada, o equatoriano Lucio Gutiérrez fugiu de helicóptero e Fernando Henrique Cardoso sofreu derrota política fragorosa.
Quem assentou as bases para um verdadeiro crescimento com estabilidade, argumenta Sicsú, foram justamente os governos de coalizão liderados pelo PT.
Não por acaso, apagar a memória do sucesso econômico deles é fundamental para o futuro do PSDB, diz o autor: “São anos que não interessam às elites brasileiras. O povo apareceu. Teve emprego e renda. Isso transformou os aeroportos, por exemplo, em espaços ‘desconfortáveis’”.
O Brasil, afinal, deixou de ser um país organizado apenas para servir às elites, argumenta João Sicsú.
Clique abaixo para ouvir toda a entrevista.
http://www.viomundo.com.br/politica/querem-provocar-amnesia-coletiva-nos-brasileiros-diz-joao-sicsu-agora-avancos-dependem-de-enfrentamento.html

sexta-feira, agosto 02, 2013

Resumo do mês de julho e algumas reflexões pra continuar lutando...







Sacanagem no MP
Sacanagem no STF
Sacanagem do JB
Sonegação e roubalheira na Globo
Trenzão tukano no metrô de SP
Mídia de aluguel muda, lesa e decadente...

A pauta da corrupção é a pauta dos ricos.
Rico pode comprar a polícia, a justiça e a mídia.

A nossa pauta é a radicalização da Democracia.
A nossa pauta é apontar onde e como o dinheiro se organiza para ferrar os pobres.

A nossa pauta é ferrar o dinheiro.