terça-feira, junho 28, 2011

Obama: no máximo, uma pausa nas guerras de Bush

25/6/2011, Lawrence Davidson, Consortium News
http://consortiumnews.com/2011/06/25/obamas-decent-interval-on-bushs-wars/

Em dezembro de 2009, o presidente Barack Obama envolveu os EUA numa “avançada” nos Afeganistão, e mandou mais 30 mil soldados, para lá permanecerem durante um ano e meio e cumprir metas “bem especificamente definidas”, dentre as quais “desmontar, desmantelar e derrotar a al-Qaeda e seus aliados extremistas”.

Dia 22 de junho de 2011, o presidente comunicou que essas metas teriam sido alcançadas e que “a maré da guerra está recuando”. Assim sendo, comunicou que retiraria de lá 33 mil soldados, de agora até o final de 2012.

Não por coincidência, pesquisa do Pew Center acaba de ser divulgada, informando que 56% dos norte-americanos estão cansados de ouvir falar de Guerra do Afeganistão. Claro. Mesmo com a anunciada retirada de 68 mil soldados norte-americanos permanecerão no Afeganistão, até, conforme o cronograma de Obama, o final de 2014, quando, então, a guerra do Afeganistão terá “um fim responsável”.

As respostas dos Republicanos ao anúncio de Obama variaram. Alguns Republicanos, como o candidato presidencial Mitt Romney, que certamente também leu a pesquisa que sem dúvida serviu de estímulo à decisão de Obama, andam dizendo que prefeririam retirada mais rápida.

Mas outros, como o Republicano Mike Rogers, presidente da Comissão de Inteligência da Câmara de Deputados, opõe-se ao cronograma de Obama. Dizem que Obama faz política com os soldados. Essas várias respostas significam que, aconteça o que acontecer, os Republicanos sempre poderão sair-se com “Nós bem que avisamos...”

Os comandantes militares norte-americanos no Afeganistão não estão satisfeitos com a retirada. Dizem que a retirada das tropas da “avançada” nesse momento compromete “a consolidação de conquistas frágeis” obtidas em Helmand e outras províncias nas quais os Talibã reúnem-se.

Há alguma verdade nessa opinião, mas o problema está em que essa opinião parte da ideia de que alguma “conquista” dos EUA no Afeganistão possa ser algum dia qualquer coisa além de “frágil”.

Por outro lado, os comandantes afegãos, como o general Mohammad Zahir Azimi do ministério da Defesa do Afeganistão, têm declarado que os exércitos afegãos “preencherão o vazio” deixado pela retirada dos norte-americanos. “Estamos preparados”, disse ele, e, nisso, é provavelmente tão simplório quanto os generais norte-americanos.

Tudo isso soa irreal para quem conheça a história moderna do Afeganistão. Essa história, adequadamente considerada, torna problemática toda a aventura dos EUA naquele país.

Em entrevista recente a Amy Goodman, em seu programa de televisão “Democracy Now!”, o professor Juan Cole, especialista em Oriente Médio, disse que “os políticos norte-americanos em geral nada sabem de história”. Lembrou que os britânicos, no século 19, tinham “dezenas de milhares de soldados” em regiões sensíveis do Afeganistão e nem assim conseguiram pacificá-las.

Depois, como se sabe, os russos também fracassaram em tentativa semelhante.

Quais as probabilidades, perguntou Cole, de uma força expedicionária norte-americana “relativamente temporária (...) e pequena alcançar algumas daquelas províncias e conseguir modelá-las pelos nossos critérios, para o longo prazo? Sempre penso que isso sempre seria bem pouco provável.” De fato. Sempre foi improvável e continua a ser improvável.

A seguir, alguns outros pontos a considerar:

– No que tenha a ver com a franquia da al-Qaeda que opera no Afeganistão, já deixou de ser fator de peso na guerra do Afeganistão, há muito tempo. Já em dezembro de 2009, quando o presidente Obama anunciou sua “avançada”, a inteligência dos EUA estimava em menos de 100 o número de agentes ativos da al-Qaeda no Afeganistão. Portanto, mesmo antes da morte de Osama bin Laden, a guerra do Afeganistão já tinha mais a ver com os “aliados extremistas da al-Qaeda”, do que, diretamente, com a al-Qaeda.

– E quem são esses “aliados extremistas”? Ora! Só podem ser os Talibã. Mas, como a própria expressão já sugere, “os Talibã” não são grupo unificado. São vários grupos.

Como Cole explicou a Amy Goodman, “o que os EUA chamam de “os Talibã” são quatro ou cinco diferentes grupos, e nem todos seguem o Mulá Omar.” Mulá Omar era quem mandava no Afeganistão em 2001, quando os EUA invadiram o país.

Desde o início, os líderes políticos norte-americanos tenderam a misturar tudo: ‘tudo’ era al-Qaeda. Não há dúvidas de que, para o pessoal de Bush Filho, al-Qaeda e “os Talibã” comporiam um todo homogêneo.

Quando, depois do 11/9, o governo do Afeganistão respondeu ao pedido dos EUA para que entregasse bin Laden, com a exigência de que os EUA exibissem provas do envolvimento de bin Laden naqueles ataques, os Bushistas nem se deram ao trabalho de responder. O ‘pessoal lá’ tinham, todos, uma mesma cara, para os Bushistas. E os Bushistas invadiram o Afeganistão.

– Hoje já não importa quem seja ou deixe de ser o Mulá Omar. Todos os diferentes grupos Talibãs são contra a intervenção dos EUA em seu país e todos fazem oposição ao presidente Hamid Karzai, aliado dos EUA. E todos sabem que, sem a presença lá de tropas de combate norte-americanas, os vários grupos que fazem oposição a Karzai terão melhores chances de derrubá-lo.

– Quanto a isso, o presidente Obama também sabe que, de hoje até 2014, os EUA não conseguirão ‘injetar’ força ou popularidade no governo de Karzai, para que consiga sobreviver. Obama diz, simultaneamente, que a al-Qaeda está completamente derrotada; e que “nós não tentaremos fazer do Afeganistão um lugar perfeito. Não policiaremos as ruas nem patrulharemos para sempre as montanhas. Esse trabalho é responsabilidade do governo afegão”.

Essas duas afirmativas, justapostas, são manifestação de um ainda tênue esforço para separar coisas que os norte-americanos sempre supuseram que fossem uma e a mesma coisa. Obama está dizendo que é possível derrotar a al-Qaeda e, mesmo assim, perder o Afeganistão para facções Talibã. E está dizendo isso aos norte-americanos, porque isso é o que, muito provavelmente, acontecerá.

– Mas Obama está tentando extrair da retirada tudo que possa extrair, de ‘aproveitável’. Não há dúvidas de que não quer outra retirada como a do Vietnã. Está fazendo o possível para que os Democratas não sejam responsabilizados pela derrota.

Assim, seja no Iraque seja no Afeganistão, sua meta é chegar a “um fim responsável”. Depois disso, será erro dos nativos, se o Iraque acabar como governo aliado ao Irã e/ou voltar à guerras civis entre sunitas, xiitas e curdos.

E, depois de 2014, a culpa será de Karzai, se Kabul for entregue a algum tipo de governo “dos Talibã” e/ou recair numa guerra civil sectária entre os pashtuns e as demais várias minorias étnicas locais. Por tudo isso, “um fim responsável” significa, de fato, retirada em ordem, sem escândalo.

Mas o que implica um fim realmente responsável? Implica que deve levar também o presidente Obama e o Congresso a pensar detidamente sobre a política exterior dos EUA dos últimos 50 anos.

Se se dedicarem a pensar sobre isso, profundamente, objetivamente e responsavelmente, logo chegarão à conclusão óbvia de que – se os EUA são capazes de aprender alguma coisa do Vietnã, do Iraque e do Afeganistão – os EUA chegamos ao ponto em que chegamos por efeito das políticas ainda vigentes.

As políticas dos EUA, não alguma al-Qaeda, levaram os EUA para os desastres gigantes cujo “fim responsável” ainda não está garantido. É preciso pensar sobre aquelas políticas. E revogá-las.

Infortunadamente, não se vê absolutamente qualquer sinal de que os políticos norte-americanos estejam sequer próximos desse ponto da curva de aprendizagem. A precipitação, a leviandade com que o presidente Obama pulou na guerra contra a Líbia mostra que considera insistir nas políticas de guerra oportunistas de Bush Filho.

O espetáculo vergonhoso do Congresso adulando o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu há algumas semanas, diz que o Congresso dos EUA está preso num erro profundo e perigoso.

O que se vê, dessa visão vesga, é que a política externa é a política interna em formato só superficialmente alterado. É retrato da política doméstica e de atitudes ideológicas sistêmicas.

Os EUA repetidamente disparam ladeira abaixo, porque somos empurrados pela retaguarda, não puxados pela vanguarda. É o mesmo que dizer que Obama talvez consiga arrancar-se sem completo vexame do Iraque e do Afeganistão; mas de modo algum haverá “fim responsável” para essas desastrosas aventuras ‘globais’.

Os lobbies domésticos que definem os ‘interesses’ internacionais dos EUA continuarão a impor os interesses deles.

O que será preciso para mudar fundamentalmente o modo como os EUA fazem as coisas?

Partidos políticos, burocracias, lobbies entrincheirados no poder e ideologia são pesos gigantescos, difíceis de mover. Movem-se pelo tempo e espaço ‘sempre avante’ (talvez a isso se chame ‘tradição’ ou ‘progresso’) e não mudam facilmente de direção.

De fato, é preciso que alguma poderosa força oblíqua se interponha ao ‘progresso’, ao ‘avanço’, para mudarem essas instituições e as porem em rota realmente nova. Não raras vezes, essa força oblíqua poderosa é violenta. Talvez os EUA ainda tenham de enfrentar alguma grave catástrofe.

Um país tão agarrado aos próprios vícios, tão cheio de hubris e de arrogância, que já há várias gerações sofre derrotas militares, que está praticamente falido, e nem assim considera alterar seu padrão de resposta ao que acontece no mundo. Surpresa, mesmo, é que ainda se mantenha (ou quase) de pé.

John Davies, poeta inglês do século 17, escreveu que o povo aprende pouco, mas esquece muito.

A maioria dos norte-americanos nada aprendeu sobre o mundo. Política externa é mistério para eles e alegremente delegam essa parte da vida nacional a políticos e lobbyistas que esquecem os próprios erros, no instante em que os cometem.
Ao ritmo em que vão, os EUA não acabarão numa explosão. Acabarão num gemido.

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++

segunda-feira, junho 27, 2011

Filho de FHC que a Globo escondeu não era dele…

…
25/06/2011 – 12h57
Filho de repórter da Globo não é de FHC, revela DNA
MÔNICA BERGAMO
Dois testes de DNA, feitos em São Paulo e em Nova York, revelaram que Tomás Dutra Schmidt, filho da jornalista Miriam Dutra, da TV Globo, não é filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em 2009, FHC reconheceu Tomás como filho num cartório em Madri, na Espanha.
O jovem, que hoje tem 18 anos, pode usar o documento a qualquer momento para colocar o nome do ex-presidente em sua certidão, segundo interlocutores de FHC. A informação sobre os testes foi publicada na coluna Radar, da revista “Veja”.
Depois que o documento já estava pronto, os três filhos do tucano com Ruth Cardoso — Paulo Henrique, Beatriz e Luciana — pediram ao pai que fizesse um exame que comprovasse que Tomás era mesmo filho dele.
O ex-presidente concordou, imaginando com isso colocar fim a qualquer possibilidade de desentendimento entre os irmãos e Tomás.
O primeiro teste foi feito no fim do ano passado, em São Paulo. A saliva de FHC foi recolhida em São Paulo, e a de Tomás, em Washington, nos EUA, onde estuda, por meio do representante do escritório do advogado brasileiro Sergio Bermudes, que cuidou tanto do reconhecimento quanto dos testes feitos.
O primeiro exame deu negativo. FHC decidiu então se encontrar com Tomás em Nova York para um novo teste, que também deu negativo.
Fernando Henrique Cardoso estava disposto a manter a história restrita a seus familiares. De acordo com interlocutores do ex-presidente, ele acha que o exame é uma mera negativa biológica, e não jurídica.
Ele está disposto a manter o reconhecimento de Tomás.
Seus herdeiros, no futuro, poderão questionar a paternidade com base nos testes de DNA.
O ex-presidente não falará nada sobre o assunto, pois entende que diz respeito apenas à sua vida privada.

A prisão secreta de Israel

A BBC trouxe como manchete de página Netanyahu anuncia fim de 'privilégios' de detentos palestinos AQUI.
O absurdo da informação da BBC não é a declaração de Netanyahu, o individuo que faz da crueldade contra os palestinos seu projeto de governo.
A exemplo de seus antecessores.
O absurdo é a BBC assumir a informação pura e simplesmente sem questionar as barbaridades que se sucedem nas prisões da entidade sionista.
Guantánamo, Abu-Ghraib e Bagram são uma brisa diante das atrocidades que se sucedem diuturnamente na antiga terra bíblica.
Basta consultar uma matéria publicada no jornal Frances Le Monde Diplomatique, cujo título é A prisão secreta de Israel.
“Espancamentos e tortura são rotina na fortaleza de concreto israelense, onde presos desaparecem e são despojados de seus direitos mais elementares, nos termos das Convenções de Genebra” AQUI.
E olha que essa matéria do Le Monde Diplomatique nem é recente.
E nem o Diplô é totalmente confiável quando se trata de assuntos do Oriente Médio.
Fazer o que?
Essa é a mídia que se autodenomina de “informação”, quando, mais honesto seria se dissesse de “propaganda”.
POSTADO POR GEORGES BOURDOUKAN

Petrobras apoia Parada LGBT e reconhece isonomia de direito de casais homossexuais

 Neste domingo (26/6) será realizada mais uma edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), a maior do gênero no mundo, segundo os organizadores. O tema deste ano será “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!” – 10 anos da Lei Estadual 10948/01. Rumo ao PLC 122″ (Projeto de Lei da Câmara, que propõe a criminalização da homofobia). A Petrobras patrocina o evento desde 2007.
Empresa pioneira em iniciativas de respeito à diversidade, a Petrobras reconhece, desde 2007, o direito a benefícios previdenciários de casais de mesmo sexo. No mesmo ano, a cobertura do Programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde foi estendida a parceiros do mesmo sexo. Hoje, mais de 100 funcionários, entre homens e mulheres, usufruem o direito de incluir os seus companheiros no plano de saúde da Companhia. Essas ações são acompanhadas pela Comissão de Diversidade da Petrobras.
Em ambos os casos o critério adotado pela Companhia é o mesmo para a admissão de companheiros heterossexuais. A forma de comprovação do vínculo se dá por meio da apresentação de documentos como as declarações de União Estável registrada em cartório e do imposto de renda em que conste o companheiro, ou a companheira, como dependente do beneficiário titular. Esses dados são reportados no Relatório de Sustentabilidade e também na carteira do Índice Dow Jones.
Todas essas iniciativas e princípios também fazem parte do Programa Pró Equidade de Gênero da Petrobras, coordenado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres que, em 2010, foi reconhecida pelos esforços de implementação de políticas neste sentido, recebendo pela terceira vez consecutiva o Selo Pró Equidade de Gênero. Este programa inclui, entre suas ações, o combate à homofobia, que está relacionado à agenda de direitos humanos da comunidade LGBT no Brasil.
A Petrobras amplia sua atuação nesta área através do patrocínio a projetos para a promoção da equidade de gênero e para a defesa da diversidade sexual. São exemplos iniciativas como os projetos Centro de Formação Juvenil para o Turismo Patativa do Assaré, do Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), e CACTO – Centro de Cultura, Arte, Comunicação e Tecnologia, da Fábrica de Imagens, contemplados na Seleção Pública 2010 do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Os projetos têm foco na promoção dos direitos humanos e questões de gênero, diversidade sexual e juventude, atuando na capacitação profissional de jovens para a área de turismo e comunicação.
O apoio à Parada LGBT está consonante com um dos dez valores descritos no Planejamento Estratégico da Petrobras: a valorização da diversidade humana e cultural nas relações com as pessoas e instituições, garantindo os princípios de respeito às diferenças, de não discriminação e de igualdade de oportunidade.





Só podia ser nos EUA

ESCÂNDALO: REVELADA CORRUPÇÃO GIGANTESCA NOS EUA (BILHÕES DE US$!)


AUTORIDADES DOS EUA ROUBARAM BILHÕES DE DÓLARES DA GUERRA NO IRAQUE

O FEDERAL RESERVE BANK (FED) ENVIOU BILHÕES DE DÓLARES AO IRAQUE – ROUBARAM

Do “Washington’s Blog”, dos Estados Unidos:

“O FED [Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos] de Nova York se recusa a revelar aos investigadores [do próprio governo] quantos bilhões de dólares foram enviados para o Iraque durante os primeiros dias da invasão dos EUA, disse o ‘inspetor-geral especial para a reconstrução do Iraque’ à CNBC na terça-feira última [21].

A falta dessa divulgação por parte do FED está tornando difícil para o inspetor-geral seguir o rastro de bilhões de dólares em espécie que ‘desapareceram’ na corrida caótica para financiar a ocupação do Iraque, e para determinar o quanto desse dinheiro foi roubado.

O FED de Nova York [autodecidiu que] não vai revelar detalhes, o inspetor-geral disse, porque o dinheiro inicialmente veio de uma conta no FED, mantida em nome do povo do Iraque e financiada pelo dinheiro [de propriedade iraquiana, mas apropriada pelo governo dos EUA] do programa ‘Petróleo por Alimentos’ (‘Oil-for-Food program’). Foi dito à equipe do inspetor-geral que, sem autorização do titular da conta, o próprio governo iraquiano, não poderiam receber informações sobre a conta...

O problema é que os críticos do governo iraquiano acreditam que funcionários do alto escalão [do Iraque e dos EUA] estejam envolvidos.

Como observei no ano passado:

Em Julho de 2009, o congressista Henry Waxman afirmou:

“Em um período de 13 meses, de maio de 2003 a junho de 2004, o Federal Reserve enviou cerca de US$ 12 bilhões ‘in cash’, principalmente em notas de 100 dólares, dos Estados Unidos ao Iraque. Para isso, o Federal Reserve Bank de Nova York teve que embalar 281 milhões de notas em caixas de madeira para serem enviadas ao Iraque. O dinheiro pesava mais de 363 toneladas e foi carregado em aviões C-130 de carga e enviados à Bagdá ...”

O jornal ‘Los Angeles Times’ reportou na época:

“Auditorias anteriores feitas por Stuart W. Bowen Jr., o ‘inspetor-geral especial para a reconstrução do Iraque’, descobriram que mais de US$ 8,8 bilhões em tais fundos não podem ser devidamente contabilizados".

Stuart W. Bowen Jr
‘Bloomberg’ escreveu:

“Um relatório do ‘Comitê da Reforma do Governo’ supervisionado por ‘Waxman’s House’ descreveu que empreiteiros foram orientados a trazerem sacos grandes para coletar pacotes de dinheiro envolvidos em filmes plástico termicamente moldados e [relatou] um episódio em que um membro da ‘equipe Bremer’ foi alegadamente ordenado a gastar US$ 6,75 milhões em uma semana.

‘Não temos como saber se o dinheiro que foi enviado para a ‘zona verde’ (área dentro de Bagdá reservada para moradia e trabalho dos americanos e aliados) acabou nas mãos do inimigo’ 
(Waxman, um democrata da Califórnia, disse na audiência).”

Não estou muito preocupado com o dinheiro ter caído em mãos inimigas [dos iraquianos]. Acho muito mais provável que tenha caído nas mãos dos felizardos empreiteiros [norte-americanos] da nossa defesa. Como nossos camaradas abaixo:

[O Washington's Blog mostra foto de] Frank Willis, posando com tijolos de US$100.000,00 em espécie, com os quais algumas vezes jogaram futebol. As notas são dois milhões pagos à empreiteira ‘Custer-Battles’, que carregou essa grana em sacos de aniagem.

Frank Willis (à esquerda)

Em adição, a ‘ABC’ observou que pode ter havido uma ‘tendência partidária’:

“O republicano Paul Hodes, DNH (‘do not harm’), afirmou que universitários recém-formados, ligados aos republicanos, foram enviados ao Iraque em vez de funcionários públicos experientes.

Rodes desafiou: "Quero saber por que metade da equipe dos EUA nunca tinha viajado para fora do país antes e teve que obter passaportes pela primeira vez?"

(Eu não estou tentando fazer disso uma questão partidária, mas sob a atual administração democrata, eu imaginaria que os camaradas democratas estão, favoravelmente, tendo 'as palmas das mãos engraxadas').

Vinte e quatro bilhões de dólares em notas de US$ 100 foram carregados em ‘paletes’, colocadas nos C-130s e transportadas ao Iraque em Junho de 2004, sozinhas:


Então, quando a data de embarque mudou, os funcionários tiveram que juntar e alinhar os aviões de carga C-130 da U.S. Air Force para guardar o dinheiro. Sendo 2,402 bilhões de dólares entregues [a autoridades norte-americanas] em Bagdá em 22 de Junho de 2004.

Foi a maior transferência de dinheiro de uma só vez na história do FED de Nova York.

E adivinha quem era o chefe do FED de Nova York na época que isso aconteceu?

Sim ... ‘Palete Tim’ (Timothy F. Geithner).

Timothy F. Geithner

Nota: Eu não estou insinuando que a expedição do FED para o Iraque foi ilegal (aparentemente [oficialmente], faziam parte de um acordo ONU-Iraque sobre as receitas do petróleo iraquiano). E eu não estou insinuando que Geithner é o responsável pelo roubo de bilhões de dólares por empreiteiros da defesa ou outros -ele nunca foi convidado para supervisionar a distribuição dos fundos desde que chegou ao Iraque, e ele não era chefe do FED de Nova York, quando os embarques começaram.

‘Al Jazeera’ observou, no domingo [19] que 'as cifras' poderiam ser muito mais altas:

[Um] orador do Parlamento iraquiano (al-Nujaifi) disse a Al Jazeera que a quantidade de dinheiro iraquiano “não contabilizado” [surrupiado sem controle] pelos EUA é de US$ 18.7 bilhões -três vezes mais que os US $ 6,6 bilhões reportados.

Pouco antes de partir para uma visita aos EUA, al-Nujaifi disse que recebeu um relatório com base em informações dos auditores dos EUA e Iraque [informando] que a quantidade de dinheiro retirado de um fundo de receitas do petróleo iraquiano procede, mas o que desapareceu é muito mais do que os US$ 6,6 bilhões informados.

"Há uma quantidade enorme de dinheiro faltante durante a primeira administração americana, desse dinheiro iraquiano no primeiro ano de ocupação”.

"O fundo de desenvolvimento do Iraque [já 'administrado' pelos invasores norte-americanos] 'perdeu' cerca de US$ 18 bilhões nessas operações -a sua localização é desconhecida. Também faltam os documentos de despesas.”

"Eu acho que isso vai ser discutido em breve. Deve haver uma resposta para onde tem ido o dinheiro iraquiano."

A administração Bush enviou por via aérea um total de US$ 20 bilhões em dinheiro para o país em 2004. Esse dinheiro era [iraquiano] oriundo da venda do petróleo iraquiano, excedentes do programa ‘petróleo por comida’ da ONU e ‘ativos iraquianos’ apreendidos.

Os oficiais [norte-americanos] no Iraque, supõe-se, teriam “dado” [sem controle] o dinheiro para os ministérios iraquianos e para os empreiteiros dos EUA, “destinado à reconstrução do país”.

Os EUA já auditaram o dinheiro por três vezes, mas ainda não são capazes de revelarem para onde ele foi.

Essa rede não deve ser muito grande -alguns deles (envolvidos no ‘mau uso’ [sic] desse dinheiro) são autoridades dos EUA, mas muitos acreditam serem iraquianos que [também] encheram seus bolsos.

“Safeguarding the money was up to the Americans … after the invasion, provisional authority here was run by the American military”.

“A salvaguarda do dinheiro era responsabilidade dos americanos... Após a invasão, a autoridade provisória, aqui [no Iraque], foi exercida pelos militares americanos”.

O jornal “Los Angeles Times” reportou em 13 de junho:

“Pela primeira vez, os auditores federais estão sugerindo que uma parte, ou todo o dinheiro, pode ter sido roubado, e não apenas ‘perdido’ em um ‘erro de contabilidade’.

Stuart Bowen, ‘inspetor-geral especial para a reconstrução do Iraque’, um cargo criado pelo Congresso, disse que os US$ 6,6 bilhões em falta pode ser "o maior roubo de fundos na história nacional."

O roubo de uma soma tão incrível pode parecer improvável [pela sua enorme dimensão], mas [ocorreu o não explicado ‘sumiço’ de bilhões e] as autoridades dos EUA não estão excluindo essa possibilidade.

Alguns empreiteiros americanos foram acusados de desviar dezenas de milhões em propinas durante o período pós-invasão, especialmente em seus caóticos primeiros dias, quando as autoridades iraquianas eram vistas como “o principal agressor” [sic].

O Federal Reserve tem se envolvido em outras atividades repugnantes, como ‘emprestar bilhões para ["rebeldes" derrubarem] Kadafi’ e encobrir a fonte de financiamento para os arrombadores do Watergate. O ‘New York Fed’ de Geithner também forçou o pagamento dos CDS (‘credit default swap’- uma espécie de seguro bancário aos empréstimos efetuados) da AIG (a seguradora gigante de Goldman Sachs) em valor total, e depois manteve a ação em segredo.”

FONTE: publicado no “Washington’s Blog” e transcrito no portal do jornalista Luis Nassif (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-gastos-dos-eua-com-o-iraque#more) [imagens do Google, títulos, trechos entre colchetes e pequenos ajustes na tradução adicionados por este blog democracia&politica]
http://democraciapolitica.blogspot.com/2011/06/escandalo-revelada-corrupcao-gigantesca.html

domingo, junho 26, 2011

Barco de ajuda a Gaza responde ao governo Obama





24/6/2011, Countercurrents – http://www.countercurrents.org/aoh240611.htm
Atenas, 24/6/2011 – Os ativistas pacifistas norte-americanos que se preparam para partir levando mensagem de solidariedade ao povo de Gaza a bordo do barco de bandeira norte-americana “A Audácia da Esperança” [título de livro de Obama] manifestaram profundo desapontamento, depois de ‘alerta’ emitido pelo Departamento de Estado dos EUA no dia 22/6/2011.

Em vez de escrever ao governo de Israel, exigindo livre passagem para um barco que conduz cidadãos norte-americanos desarmados com ajuda humanitária aos palestinos, o governo dos EUA pressiona seus próprios cidadãos para que não empreendam movimento legal que livremente decidiram empreender.

Na 4ª-feira, o departamento de Estado emitiu um “alerta de viagem” dirigido a cidadãos norte-americanos que planejem participar da Flotilha de Liberdade para Gaza. O documento aconselha os cidadãos norte-americanos a não viajar para Gaza por qualquer meio, por terra, mar ou ar, “considerando que em tentativas anteriores de entrar em Gaza por mar, os barcos foram impedidos por comandos israelenses, ação que resultou em mortos e feridos, além de prisão e deportação de cidadãos dos EUA.”

“Pelos termos do documentos, conclui-se que o Departamento de Estado entende que os atos de violência previsíveis de Israel contra manifestantes desarmados seriam eventos tão naturalmente previsíveis quanto maremotos ou tempestades” disse Hagit Borer, professora de Linguística da Universidade Southern California e passageira do barco norte-americano. “É atitude espantosa, vinda de governo que garante a Israel bilhões de dólares em ajuda militar e usa rotineiramente seu poder de veto para impedir que o governo de Israel seja censurado pelo Conselho de Segurança da ONU, pela prática de crime de ocupação ilegal de terras palestinas.”

Os passageiros do barco norte-americano observam que o Departamento de Estado tem o dever legal de proteger os cidadãos, sempre que viagem ao exterior. "Até hoje, os funcionários do governo dos EUA falharam sempre que se tratou de impedir que autoridades israelenses nos atacassem fisicamente” – disse Robert Naiman, diretor político da organização Just Foreign Policy, outro passageiro do barco para Gaza. “É claro que o Departamento de Estado deveria manifestar-se contra quem nos ameaça, em vez de tentar impedir que nós viajemos. É terrivelmente decepcionante constatar que não fazem o que devem fazer.”

A seguir, o texto da carta que os passageiros do barco “A Audácia da Esperança” enviaram, dia 14 de junho, ao presidente Obama, à secretária de Estado Hilary Clinton e a outras autoridades. Ainda não receberam resposta.


+++++++++++++++++++++++


14 de junho de 2011

Senhor Presidente
Casa Branca
1600 Pennsylvania Avenue NW, Washington, DC 20500
Senhor Presidente Obama:

Escrevemos para informar-lhe que 50 norte-americanos desarmados partirão nos próximos dias em barco sob bandeira dos EUA, que batizamos “A Audácia da Esperança”, e que integrará mais uma Flotilha da Paz rumo a Gaza.

Nossa manifestação pacífica fará pressão contra o bloqueio de Israel a Gaza, que já é, de fato, campo de prisioneiros no qual Israel mantém aprisionados 1,6 milhão de civis, a maioria dos quais com menos de 16 anos. O bloqueio israelense reduziu à miséria a população de Gaza, privou os palestinos de Gaza de itens básicos de sobrevivência e de materiais de construção para reconstruir as casas que o exército israelense destruiu no ataque de 2008-9; continua a impedir que os doentes e deficientes físicos encontrem socorro médico; e impede que estudantes já contemplados com bolsas de estudos ausentem-se de Gaza para estudar. Em Gaza, 45% da população em idade de trabalhar está desempregada.

Além de 10 passageiros, 5 tripulantes e 10 jornalistas, nosso barco leva também milhares de cartas de solidariedade, apoio e amizade reunidas em todos os EUA e endereçadas aos homens, mulheres e crianças de Gaza. Não temos a bordo nenhum tipo de arma. Não levamos a bordo nenhum produto comercial a ser entregue em Gaza. A nossa, é missão da sociedade civil dos EUA, dirigida à sociedade civil de Gaza. Não somos grupo partidário nem temos qualquer ligação com governo ou grupo de opinião. Nossa ação é ação não violenta, de solidariedade humana e de apoio ao povo palestino de Gaza, para ajudá-los a defender seus direitos humanos.

Na honrada tradição de ativismo não violento da sociedade norte-americana, que sempre se ergueu em manifestações pacíficas contra a injustiça, viajaremos a Gaza com a esperança de que nossa viagem prove ao povo de Gaza que não estão sós. Nossa viagem visa também a chamar a atenção dos EUA e do mundo para o castigo coletivo, moral e legalmente indefensável, que Israel impõe, em Gaza, a civis.

Sr. Presidente, o senhor com certeza já sabe que o bloqueio contra Gaza é insustentável. E seu governo já várias vezes manifestou apoio a manifestações pacíficas ao longo dessa “Primavera Árabe”.

Como cidadãos dos EUA, esperamos que nosso país e seu governo se empenhem para assegurar livre passagem para os barcos da Flotilha da Paz até Gaza. Contamos também com que nosso país apoiará nosso clamor, de caráter humanitário, para que o bloqueio israelense contra Gaza seja imediatamente levantado.

Para tanto, é preciso que o governo dos EUA notifique Israel, em termos claros, de que não deve impedir pela força que a nova Flotilha da Paz – à qual se integrou nosso barco “A Audácia da Esperança” – chegue a Gaza. É o que nós, que estaremos a bordo desse barco – engenheiros, pedreiros, bombeiros, advogados, trabalhadores sociais, aposentados, sobreviventes do Holocausto, funcionários públicos aposentados – esperamos de nosso presidente e do governo que ajudamos a eleger.
Nosso barco partirá do leste do Mediterrâneo na última semana de junho. Agradecemos desde já suas providências, para proteger nossas vidas e nos assegurar livre trânsito por mar até Gaza.

Atenciosamente,
Norte-americanos a bordo do barco “A Audácia da Esperança”, de bandeira norte-americana: Nic Abramson, Johnny Barber, Medea Benjamin, Greta Berlin, Hagit Borer, Regina Carey, Gale Courey Toensing, Erin DeRamus, Linda Durham, Debra Ellis, Hedy Epstein, Steve Fake, Ridgely Fuller, Megan Horan,Kathy Kelly, Kit Kittredge, Libor Koznar, Melissa Lane, G. Kaleo Larson, Richard Levy, Richard Lopez, Ken Mayers, Ray McGovern, Gail Miller, Carol Murry, Robert Naiman, Henry Norr, Ann Petter, Gabe Schivone, Kathy Sheetz, Max Suchan, Brad Taylor, Len Tsou, Alice Walker, Paki Wieland, Ann Wright.

Cc:
Sr. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU
Sra. Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA
Sr. Jeffrey Feltman, secretário de Estado (assistente) dos EUA
Sra. Susan E. Rice, representante permanente dos EUA na ONU
Sr. James B. Cunningham, embaixador dos EUA em Israel (e outros)
++++++++++++++++++++++++++++++++

Estamos acompanhando a Marcha da II Frota da Liberdade até Gaza


ACOMPANHEM MAIS UMA AÇÃO CRIMINOSA DO ESTADO NAZI-SIONISTA AO VIVO

Cumpas queridos,
Estamos acompanhando a Marcha da II Frota da Liberdade até Gaza. Com a coordenação de Tali Feld Gleiser, o suporte de quem vos escreve e a participação técnica do Wilmar Frantz Jr. Desacato está narrando para vocês, para os leitores e uma lista de veículos e jornalistas de diversas partes, a marcha da Liberdade.
Esperamos vocês conosco nestes dias de luta, em prol de uma vitória da paz e da civilização. A Frota transporta 10 toneladas de ajuda humanitária por valor de 600 mil Euros. Quantos mais estejamos atentos, mais difícil para Israel e o Império será deter a Frota.
Venham com a gente:
Raul Fitipaldi
@desacatobrasil

quinta-feira, junho 23, 2011

A Esquerda nos Eixos e o novo ativismo

Ivana Bentes

Pretendia escrever um texto de avaliação sobre as Marchas da Liberdade em todo Brasil quando vi este artigo na rede ["A esquerda fora do eixo, publicado dia 17 de Junho de 2011 no site Passa a Palavra com assinatura coletiva http://passapalavra.info/?p=41221] sintomático da perplexidade de certos setores da esquerda tradicional com as mudanças e crise do capitalismo fordista e as novas dinâmicas de resistência e criação dentro do chamado capitalismo cognitivo (pós-fordista, da informação ou cultural).
Crise e desestruturação que tem como horizonte a universalização dos meios de produção e infra-estrutura pública instalada, a constituição de novos circuitos e mercados e a emergência de uma intelectualidade de massa (não mais o “proletariado”, mas o cognitariado) com a possibilidade da apropriação tecnológica por diferentes grupo (software livre, códigos abertos, cultura digital).
Crise e paradoxo onde o próprio crescimento gera e multiplica precariedade, mas também novas dinâmicas e modelos.
O capitalismo da “abundância” produz crise ao entrar no horizonte da gratuidade/compartilhamento/colaboração com uma mutação da própria idéia de “propriedade” (ver a crise do Direito Autoral).
O texto percebe as mudanças, estruturais, mas não consegue ir além nas conseqüências e funciona como uma caricatura que busca demonizar as novas dinâmicas sociais e culturais pós-fordistas e despotencializar a cultura digital, o midiativismo e as estratégias de apropriação tecnológicas das redes, inclusive a apropriação de ferramentas como o Facebook, twitter e outras para causas e objetivos próprios, como fizeram os árabes e os espanhóis, hackeando as novas corporações pós-fordistas.
Falta ao texto (além de diagnósticos equivocados sobre a “nova classe dominante”) um arsenal teórico minimamente a altura das mutações, crises e impasses do próprio capitalismo.
Há uma frase sintomática neste artigo que me chamou atenção e que esclarece em muito sobre “quem” fala e de “onde” fala sob a assinatura anônima/coletiva:
Diz: “é praticamente impossível para um observador desatento ou viciado nas velhas estruturas identificar e combater o novo sujeito formado por este coletivo (ou rede).”, referindo-se ao Circuito Fora do Eixo a quem os autores atribuem _ numa teoria “conspiratória” que não esconde uma envergonhada admiração_ praticamente tudo o que está acontecendo de mais interessante na cena do ativismo brasileiro!
A frase explicita o medo diante das novas dinâmicas que estão sendo inventadas e experimentadas “fora do eixo” da esquerda clássica, criando experiências e conceitos que explodem o arsenal de teorias maniqueístas fordistas de uma esquerda pautada pelo capitalismo do século XX, incapaz de enxergar as “revoluções do capitalismo”, dentro “do” capitalismo e que vem sendo discutidas pelo menos desde maio de 68 ou logo depois quando, por exemplo, os teóricos-ativistas Gilles Deleuze e Félix Guattari lançaram o extraordinário manifesto “O Anti-Édipo ou Capitalismo e Esquizofrenia”, de 1972. Ou que ignora as análises sobre as mutações do capitalismo tematizadas por um teórico comunista como Antonio Negri, nos livros “Império” e “Multidão”, dois clássicos contemporâneos.
A frase dá bem a dimensão desse medo e incompreensão do novo e aponta a própria incapacidade de ver dos autores do artigo.
O observador “viciado nas velhas estruturas” é exatamente “quem fala” neste texto, que também se entrega, medroso e preocupado, com a perda do seu próprio protagonismo. Perda de toda uma esquerda fordista que funciona hoje como a “vanguarda da retaguarda” mais conservadora até que muitas dinâmicas do próprio mercado!
Entre os problemas mais gritantes destaco:
1.O texto não consegue configurar que os movimentos e articulações, ainda que incipientes, das marchas das liberdades em todo Brasil não são “a nova classe dominante”, mas a emergência de um movimento transversal, “movimento de movimentos”, com dinâmica própria e singular em cada território, com uma pauta heterogênea, aberta e em construção, sem “central única” ou “comando” dos “iluminados”, que se auto-organiza e cujos “fins” não foram dados a priori!
2. Não se trata de uma “nova classe média liberal”, nem “nova classe dominante”, “despolitizada”, mas de um arranjo transversal que junta e agrega o chamado precariado urbano, a nova força de transformação no capitalismo contemporâneo.
3. Ou seja, movimentos como os das marchas (e tantos outros) ou o Circuito Fora do Eixo são a base de um novo ativismo contemporâneo, a da emergência do precariado cognitivo, ou cultural, ou seja, da explosão e da percepção que o sistema trabalhista fordista e previdenciário clássicos não dão mais contas da dinâmica de ocupações ‘livres’ (mesmo que frágeis e sem segurança) no capitalismo da informação. E que essa precariedade e autonomia não significa apenas “vitimizar” e “assujeitar” é uma potência para novos arranjos, alianças e lutas.
4. O Circuito Fora do Eixo é, no meu entender, um dos mais potentes laboratórios de experimentações das novas dinâmicas do trabalho e das subjetividades. Que tem como base: autonomia, liberdade e um novo “comunismo” (construção de Comum, comunidade, caixas coletivos, moedas coletivas, redes integradas, economia viva e mercados solidários).
Estão FORA do eixo/fetiche da esquerda por trabalhadores assujeitados na relação patrão/empregado! Mas tem enorme potência para articularem não apenas a classe média urbana, mas se articularem com os pobres e precários das periferias e favelas, ao se conectarem com outras redes como a da CUFA e outras, que junta os jovens negros e pobres para outras marchas como a do Direito a Moradia, em preparação. Além de outras articulações sem medo de “aparelhamentos” seja das corporações, dos partidos, ou do Estado. Sem demonizar as relações com os mercados, mas inventando e pautando, “criando” outros mercados, fora da lógica fordista do assujeitamento.
5. Ou seja, o Fora do Eixo entendeu que o modelo na produção cultural é o modelo de funcionamento do próprio capitalismo.
Não mais o capitalismo fordista da “carteira assinada” mas o dos zilhões de free-lancers, autônomos, diplomados sem empregos, sub-empregados, camelôs, favelados, contratados temporários, designes, artistas, atores, técnicos, que ou “vendem” sua força livre de trabalho com atividades flutuantes temporárias, ou se ORGANIZAM e INVENTAM o próprio emprego/ocupação e novos circuitos, como tem feito de forma incrivelmente bem sucedida o Circuito Fora do Eixo, resignificando e potencializando o imaginário de jovens no Brasil inteiro.
Uma esquerda pós-fordista que está dando certo, que inventa estratégias de Mídia, que inventa “mercados” solidários, contrariando os anunciadores do apocalipse.
6. A ideia de que, para se ter “direitos”, é preciso se “assujeitar” em uma relação de patrão/empregado, de “assalariamento”, é uma ideia francamente conservadora. O precariado cognitivo, os jovens precários das economias da cultura estão reinventando as relações de trabalho; os desafios são enormes, a economia pós-Google não é fordista, não é melhor nem pior que as velhas corporações, mas abre para outras dinâmicas e estratégias de luta, EM DISPUTA!
Não vamos combater as novas assimetrias e desigualdades com discursos e instrumentos da revolução industrial!!! Como faz o texto na sua argumentação redutora e tendenciosa.
Não é só o capitalismo financeiro que funciona em fluxo e em rede, veloz e dinâmico. As novas lutas e resistências passam por essas mesmas estratégias.
O Fora do Eixo está apontando para as novas formas de lutas, novas estratégias e ferramentas, que inclui inclusive PAUTAR AS POLITICA PUBLICAS, PAUTAR o Parlamento, PAUTAR A MIDIA, Pautar a Globo, como as marchas conseguiram fazer! Ser bem sucedido ai, onde muitos fracassaram, é o que parece imperdoável!
Há um enorme ressentimento no texto, mal disfarçado, diante de tanta potência, lida pela chave mesquinha da “luta por poder”, “captalização de prestígio”, da “nova classe dominante”. O objetivo infelizmente parece ser o de desqualificar, rotular e “neutralizar” os que são os novos aliados de uma radicalização do processo democrático no Brasil, que estão inovando na linguagem e nas estratégias. “Perigo” que ameaça a jovem/velha esquerda, que perde protagonismo em todas as esferas, incapaz de dialogar com esse novo e complexo cenário, com todos os seus riscos. Experimentar = se expor aos riscos.
7. Como dizem os ativistas italianos: “Odeia a Mídia? Torne-se Mídia”. A velha esquerda foi incapaz de fazer frente as velhas corporações, perdeu para a mídia de massas, conseguiu pautar algumas politicas públicas, mas está francamente perdida no capitalismo dos fluxos e das redes. Não sabe como resistir, nem inovar, nem experimentar, nem ousar. Está tristemente na retaguarda do próprio mercado!!!
8. O artigo parece ter como horizonte a luta por cartórios do século XIX!!! Com estratégias e palavras de ordem abstratas, um “anticapitalismo” vago que perdeu o sentido. Pois as novas lutas são em FLUXO, são modulações, não são MOLDES PRE-FABRICADOS, não são sequer anti-capitalistas, no sentido estrito, pois estão hackeando o capitalismo, se apropriando de suas estratégias para resignificar o COMUNISMO das redes, no sentido mais radical de um comunismo DENTRO do próprio capitalismo, esquizofrenia do sistema que produz hoje um horizonte do COMUM, que temos que construir e pelo que temos que lutar.
9. É preciso dizer ainda que “não existe UM outro mundo”, não existe “fora do capitalismo” (como diz Guattari e Negri) só existe esse mundo aqui, em processo, mutante, imanência radical, e é deste mundo aqui (um rio que vem de longe…) que iremos inventar outros tantos mundos, no plural.
10. O Fora do Eixo, nas suas práticas de criação de comum e comunidades (que o texto detecta mas distorce) e politização do cotidiano, não é o “inimigo” a combater, estão forjando as novas armas para os movimentos em fluxo, então criando redes, fazendo midiativismo, estão relendo e re-inventando, de forma empírica e genial, dinâmicas e processos decisivos dos embates políticos: situacionismo, Maio de 68, experiências de Seatle, hackerativismo, cultura livre, estão na deriva e na luta. A “geração em rede” não mascara nenhum tipo de “conteúdo político oculto e perigoso” que precisa ser desmascarado, ela é o novo conteúdo e linguagem política, ela encarna as novas lutas e está inventando futuros alternativos. (IB)

ESCRITO POR IVANA BENTES EM 22 JUNHO 2011 | CATEGORIA: SEM CATEGORIA |

Vencedores e derrotados no Afeganistão de Obama

24/6/2011, MK Bhadrakumar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/South_Asia/MF24Df02.html



O presidente Barack Obama dos EUA sempre se faz presente, quando a hora exige floreios retóricos. Por esse metro, o discurso da retirada, quarta-feira, em Washington, que ele atentamente intitulou “No caminho avante no Afeganistão”, foi mais discurso programático que discurso para incendiar as mentes. E avalia corretamente que não é hora de celebrar, mas de justificar o que foi feito sobre algo que deu horrivelmente errado.

Há vencedores e derrotados no discurso de Obama. Primeiro, os derrotados. São o Pentágono, o presidente Hamid Karzai do Afeganistão, o Paquistão e o sul da Ásia e a criatura amorfa conhecida como al-Qaeda. Vencedores são os Talibã e, mais uma vez, o Paquistão.

A mudança de “combate para apoio” e da via militar para a via política é reflexo do ceticismo crescente quanto à efetividade da “avançada” [orig. “surge”] das tropas. Obama agradeceu aos soldados pelo bom trabalho que fizeram, mas foi nisso apenas superficial. Para ele, a “avançada” foi um sucesso. E mudou de assunto. Não elogiou a “avançada” – os 33 mil soldados que mandou para o Afeganistão no final de 2009 – como sucesso retumbante. Foi sombrio. Agradeceu os soldados da infantaria que entregaram a vida em sacrifício supremo, mas não mencionou o herói da “avançada” – o general David Petraeus, comandante dos EUA no Afeganistão, que Obama acaba de nomear novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA).

Seja qual for o ponto de vista, não é o tipo de retirada que o Pentágono desejaria – 10 mil soldados até o final de 2011, 33 mil até meados de 2012 e remoção dos demais 70 mil soldados, “em passo regular” ao longo de 2013, de tal modo que, ao final de 2014, “esse processo de transição estará completado”. Obama deixou sem definir se todos os 70 mil soldados serão retirados ao final de 2014 ou quando, ou se, como no Iraque, onde 10 mil soldados podem ser deixados mesmo depois da retirada total prometida para o final de 2011, haverá soldados norte-americanos residuais de longo prazo, deixados também nas montanhas do Hindu Kush.

É possível que Obama tenha deixado sem definir esses pormenores porque a decisão não compete só a ele. Deve saber que longe vão os tempos em que os EUA podiam decidir os desdobramentos desses sangrentos dez anos de guerra. Quando não se vence uma guerra, os desdobramentos têm de ser decididos por consenso. Portanto, em primeiro lugar e antes de qualquer outra voz, falarão os Talibã; depois, falará o governo de Karzai e, cada dia mais, falarão também as potências regionais.

Além do mais, Obama admite que os EUA têm limitações. O dinheiro pode ser mais bem empregado em casa, para consertar estradas, para criar novos empregos e indústrias, “em momento de déficit crescente e tempos econômicos duros em casa”. Os EUA não se retirarão em movimento isolacionista, mas não manifestarão qualquer entusiasmo por intervenções em terra distante, a menos que sejam ameaçados. E mesmo que sejam ameaçados, não optarão por despachar grandes exércitos (darão preferência a amas de alta tecnologia) e convocarão ações internacionais.

Obama garantiu que a al-Qaeda foi vencida e já não há razão para prosseguir em guerra. O que agora se exige é vigilância, para que a serpente não volte a erguer a cabeça. Mas avisou o Paquistão de que ainda tem planos de “atacar paraísos seguros para terroristas” naquele país. Acrescentou que continuará a “pressionar o Paquistão para que aumente sua participação (...) e a trabalhar com o governo do Paquistão (...) e a insistir para que cumpra os compromissos assumidos”.

Obama nem tentou oferecer qualquer ramo de oliveira a Islamabad, não fez qualquer movimento para remendar as fraturas do relacionamento EUA-Paquistão, sequer comentou, nem de passagem, o que o Paquistão tem dito sobre os enormes sacrifícios que já fez – maiores que os de qualquer outro aliado dos EUA.

Em resumo, está partindo sem uma palavra de agradecimento. O que com certeza já foi anotado pelo comando militar paquistanês em Rawalpindi e pelo governo civil em Islamabad anotaram. As consequências que daí advirão escondem-se ainda no útero do tempo. Mas, curiosamente, o movimento de Obama é como uma reverência não desejada aos paquistaneses.

Porque o Paquistão é também um grande vencedor. O discurso de Obama é, na essência, o reconhecimento de tudo que os militares paquistaneses têm repetido ao longo de um, dois anos – que a guerra do Afeganistão é inútil, que é hora de reconciliar-se com os Talibã, que a via militar não leva a lugar algum, que só um acordo de paz levará a paz duradoura e à estabilidade.

Agora, dos píncaros do poder nos EUA, ouve-se Obama dizer, embora indiretamente, que “sim, sim, o Paquistão sempre esteve certo, desde o começo”. Obama reconhece devidamente em seu discurso que “a maré da guerra está em baixa” no Afeganistão. Obama fala com otimismo da possibilidade de acordo político, apesar dos “dias negros que haverá pela frente”.

As nuances da estrada para a paz no discurso de Obama receberão atenção máxima nos próximos dias, para que se identifique onde está a substância. Fala dos Talibã como entidade uniforme, sem qualquer exceção para a rede Haqqani. Desde que aceitem as precondições para a reconciliação, praticamente qualquer um será bem-vindo à tenda da reconciliação. O espírito é de “esquecer-e-perdoar”. Os Talibã foram citados como parte “do povo afegão”.

Dois, Obama admite que a reconciliação tem de ser “conduzida pelo Afeganistão”. Ecoa a posição padrão dos EUA, mas nada diz além dela para mitigar os medos palpáveis em Kabul e Islamabad, para as quais o que é dito não passa de palavras ocas, porque os EUA insistem em preservar para eles o papel de locomotiva e mantêm em perfeita escuridão o aliado afegão e seu aliado regional. Vai-se ver, é um pequeno detalhe.

Ou, vai-se ver, não há o que Obama possa fazer quanto àquela situação, porque quando o camelo entra na tenda, sempre acontece de a tenda encolher, sem espaço para outros. Mas Kabul e Islamabad sabem que terão de esperar ao relento, até que o enviado dos EUA chegue à região para detalhar o discurso de Obama, quando então saberão que nada mudou na estratégia diplomática de longo prazo dos EUA sobre o processo de paz.

O ponto mais interessante de todo o discurso é o otimismo que Obama exsuda ao falar da reconciliação com os Talibã. Declara que “tenho razões para crer que se podem obter progressos (...) que o objetivo que buscamos é alcançável.” E só. Deixa as coisas entusiasmantemente, nesse ponto. Deve-se concluir que Obama está tranqüilizado pelo feedback que recebeu dos seus funcionários sobre as confabulações secretas até aqui. E Obama tem motivos para acreditar que os Talibã são manobráveis por persuasão e desejarão negociar.

Obama não menciona Karzai nesse contexto do processo de paz, silêncio realmente ensurdecedor. Sim, é verdade, reconhece o papel chave do governo afegão na estabilização da situação em campo, mas não há como não ver que a ênfase dos EUA vai toda para o encontro marcado entre EUA e o povo afegão em geral.

Obama tampouco diz palavra sobre a conferência que os alemães ambiciosamente planejam receber em Berlim, em dezembro, uma espécie de Congresso de Viena, na qual parece que os Talibã estarão sentados à mesa de negociações sob candelabros de cristal com diplomatas em ternos caros bebericando champanhe. Mas Obama fala, sim, de outra conferência internacional, reservada aos EUA e aliados, que acontecerá em maio, em Chicago, “na minha cidade”, para “modelar a próxima fase dessa transição [afegã].”

Obama é político esperto e sabe bem avaliar o imenso potencial de exibir aos eleitores norte-americanos, em campanha para as eleições presidenciais, o quão brilhantemente ele conseguiu salvar a guerra do Afeganistão, que os governos Republicanos haviam deixado em estado miserável.

Obama pode contar com o recém-eleito prefeito de Chicago e seu antigo camarada Emmanuel Rahm, para que a Conferência de Maio seja sucesso esplêndido e momento de definição da campanha eleitoral. De fato, Obama deu bom uso em seu discurso às sandices do governo George W Bush, que não soube dar suficiente atenção à guerra do Afeganistão e desencadeou, levianamente, a invasão do Iraque em 2003.

Pode-se argumentar que é direito de Obama acumular milhagem doméstica, beneficiando-se eleitoralmente da conclusão da guerra afegã. (O pico da retirada de soldados – meados de 2012 – também coincide com o pico da campanha eleitoral.) Afinal, exige-se coragem sobre-humana de um comandante-em-chefe para reconhecer que está metido em guerra que nunca vencerá. Mais difícil ainda é fazer as coisas de modo a que a retirada não pareça derrota nem tenha de ser feita por helicópteros, do telhado do prédio da embaixada dos EUA em Kabul. Obama está conseguindo sair-se bem dessas duas dificuldades.

Mas não há como não ver que os Talibã derrotaram os EUA. Quanto a isso não há o que discutir. Manter os Talibã excluídos do cálculo do poder afegão já não é objetivo dos EUA. Os EUA reconhecem que os Talibã são parte integrante da nação afegã. Nenhum braço dos Talibã será excluído do centro político da vida dos afegão, para servir ou ao orgulho ou aos preconceitos dos EUA. Todos são bem-vindos a bordo do trem da paz rumo a Kabul.

A região em volta do Afeganistão ficará sem entender o que, afinal, se disputava nessa guerra. Há muitas ruínas e cacos por toda a parte, resultado da destruição que os EUA causaram. Obama diz que os EUA já não têm dinheiro para a reconstrução. “America, é hora de nos focar em reconstrução-da-nação aqui mesmo, em casa.” Uma dúzia de palavras que ecoarão, não só pelos vales e picos das montanhas do Afeganistão, mas por todas as estepes da Ásia Central e pelo milenar Vale do Industão.

A dura realidade é que o discurso de Obama desencadeará arrepios de medo pela coluna dorsal dos não-pashtuns no Afeganistão. Nada pode ser pior do que receber ofertas de apoio e proteção e, de repente, quando mais precisa, ser deixado para trás. Os centro-asiáticos preocupar-se-ão com o efeito que terá a volta triunfante dos Talibã sobre as forças do islamismo em seus países – os quais já se preparam para enfrentar a chegada lá da Primavera Árabe.

A Índia sentir-se-á duramente abandonada. O Irã será só júbilo. E talvez também a Rússia, na medida em que essa história fará lembrar que ela já não é a única superpotência a ser derrotada em guerra no Hindu Kush. A China passará a depender ainda mais do Paquistão, e cada vez mais, para garantir que os Talibã cumpram o que disseram sobre não ter qualquer agenda para além das fronteiras do Afeganistão.

Formidável desafio para o Paquistão, digerir a verdade dura de engolir. Como as bruxas de Shakespeare dizem a Banquo, em Macbeth, há graças complexas. A morte avizinha-se de Banquo, mas sua descendência conhecerá a mais alta glória real – “Gerarás reis, mas rei nunca serás”.[1] Pode haver mais plena satisfação?


[1] Macbeth, Shakespeare, ato I, cena 3, verso 70: “Thou shalt get kings, though thou be none” (http://www.shakespeare-online.com/plays/macbeth_1_3.html); em português em http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/clubedeleituras/upload/e_livros/clle000170.pdf).

"Carne Osso"



http://www.reporterbrasil.org.br/

quarta-feira, junho 22, 2011

Americano rouba US$ 1 de banco para receber tratamento na cadeia

Um americano que sofre de dores crônicas no peito e problemas no pé esquerdo entrou em um banco e roubou US$ 1 com a intenção de ser preso e receber tratamento médico na cadeia.

De acordo com o jornal "Gaston Gazette", Richard James Verone entrou em um banco na Carolina do Norte, entregou um bilhete a uma funcionária dizendo que estava armado, e pedindo que ela lhe entregasse US$ 1.
Em seguida, ele se sentou e aguardou a chegada da polícia ao local.
"Eu não fiquei com medo. Eu disse à funcionária que me sentaria e aguardaria pela polícia".
Verone diz que trabalhou para a Coca-Cola durante 17 anos, mas foi demitido há três. Desde então, ele manteve empregos temporários, mas não possui assistência médica.
"Se você não tem saúde, você não tem nada", disse ele.
O ladrão poderia ser liberado se pagasse fiança de US$ 2.000, mas preferiu ir preso para ser tratado na cadeia.
Ao jornal, ele contou que, ao cometer um crime não violento, poderia garantir alguns benefícios sociais do governo quando saísse da cadeia.

Detido, ele deve começar a receber tratamento médico em poucos dias. 
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/933108-americano-rouba-us-1-de-banco-para-receber-tratamento-na-cadeia.shtml

>>>
Veja também: 



terça-feira, junho 21, 2011

Chama a especialista do Jornal da Globo


Muito curiosa a edição de hoje do Financial Times, o grande jornalão conservador de economia da Inglaterra.
Na mesma edição, duas matérias sobre o Brasil.

Uma, sobre os “riscos” de uma “bolha” de crédito, absolutamente sem qualquer base sólida de avaliação, estendendo uma pequena elevação da inadimplência registrada pelo Serasa. Claro que essa elevação é resultado do apertto de crédito, mas está a anos-luz de poder ser caracterizada como o “estouro de uma bolha” de crédito, como você pode verificar no gráfico da própria Serasa que reproduzo aí ao lado.
Típica noticia de quem vê o Brasil “ameaçado” pelo apetite consumista de uma massa de ex-miseráveis.
Diz o FT:
” O rápido crescimento econômico do Brasil tem levantado mais de 30 milhões de pessoas da pobreza nos últimos anos.
Estes novos consumidores começaram empréstimos para comprar casas, carros e eletrodomésticos, contribuindo para um aumento de quase 100 por cento no crédito privado desde 2007, segundo o Fundo Monetário Internacional.”
Embora não esteja dito, é óbvia a conclusão de que há crédito demais para os pobres e, portanto, nada melhor que um bom arrocho. Balela, porque os níveis de crédito na economia brasileira – apesar do crescimento – ainda representam parcela pequena da economia, menos da metada, aliás, se comparado ao que significam nos países desenvolvidos. E é crédito caro, como qualquer um de nós sabe.
Mas o FT tem outra matéria interessante.
É que o jornal britânico diz que a Ferretti, fabricante italiana de iates, está se voltando aos super-ricos brasileiros, já que as vendas aos clientes tradicionais do Mediterrâneo despencam.
A razão, segundo o jornal, é que presidentes e diretores de empresas ganharam mais em São Paulo do que em Londres ou Nova York.
Os barcos da Ferreti custam entre 300 mil euros e 80 milhões de euros. Isto é, entre R$ 685 mil e R$ 182 milhões.
Sinal que o tal “custo Brasil” provocado pela carga tributária “altíssima” não está chegando a atrapalhar o lazer dos executivos que reclamam tanto, não é?

"A Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro".

A crise econômica é sinal de esgotamento da democracia formal


Democracia real


As atuais manifestações que sacodem a Europa trouxeram uma reivindicação que há muito não se ouvia em países como Reino Unido, Espanha, França: democracia real. Há algo de importante aqui.


Pois poderíamos nos perguntar o que haveria de fictício na democracia de países que aprendemos a ver como exemplos de sistemas políticos consolidados. Por que largas parcelas de sua população compreendem que há algo no jogo democrático que parece ter se reduzido exatamente à condição de mero jogo?


Talvez tais manifestantes entenderam que a democracia parlamentar é incapaz de impor limites e de resistir aos interesses do sistema financeiro. Ela é incapaz de defender as populações quando os agentes financeiros começam a operar, de modo cinicamente claro, a partir dos princípios de um capitalismo de espoliação dos recursos públicos.


Não é por outra razão que se ouve, cada vez mais, a afirmação de que a alternância de partidos no poder não implica mais alternativas de modelos de compreensão dos conflitos e políticas sociais. Por isso, o cansaço em relação aos partidos tradicionais não é sinal do esgotamento da política. Na verdade, ele é o sintoma mais evidente de uma demanda de política, de uma demanda de politização da economia.


Em momentos assim, devemos lembrar que a democracia parlamentar não é o último capítulo da democracia efetiva. A Islândia tem algo a nos ensinar sobre isso.


Um dos primeiros países atingidos pela crise econômica de 2008, a Islândia decidiu que o uso de dinheiro público para indenizar bancos seria objeto de plebiscito. Maneira de recuperar um conceito decisivo, mas bem esquecido, da democracia, a saber, a soberania popular. O resultado foi o apoio massivo ao calote.


Mesmo sabendo dos riscos de tal decisão, o povo islandês preferiu realizar um princípio básico da soberania popular: quem paga a orquestra, escolhe a música.


Se a conta vai para a população, é ela quem deve decidir o que fazer, e não um conjunto de tecnocratas que terão seus empregos garantidos nos bancos ou de parlamentares cujas campanhas são financiadas por esses bancos. Como disse o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson: "A Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro".


O interessante é que, com isso, saímos dos impasses da democracia parlamentar para dar um passo decisivo em direção a uma democracia plebiscitária capaz de institucionalizar a manifestação necessária da soberania popular.


É tal processo que nos coloca nas vias de uma democracia real. Ele é a condição primeira para sair da crise. Pois a verdadeira questão que tal crise nos coloca é política: que regime político é este que permitiu um descalabro deste tamanho na calada da noite?


Artigo do professor Vladimir Safatle, do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP). Publicado hoje na Folha.


Foto: Manifestação de massa em Atenas, praça Syntagma, defronte ao Parlamento grego, protestando contra as novas medidas de austeridade proposto pelo governo social-democrata. Em 15 de junho de 2011.


Dimitri Messinis/AP
Redator: Cristóvão Feil