sexta-feira, abril 26, 2019

Ninguém espere nada da justiça brasileira. A situação de Lula é como a de Mandela na África do Sul. Mandela ficou 28 anos preso e só foi libertado quando o regime do Apartheid caiu. Lula só sai se o GOLPE for derrotado.


No dia 21 de Março de 1960, ocorreu no bairro de Sharpeville, na cidade de Johanesburgo, na África do Sul, um protesto, realizado pelo Congresso Pan-Africano. O protesto pregava contra a Lei do Passe, que obrigava os negros da África do Sul a usarem uma caderneta na qual estava escrito aonde eles poderiam ir.

Jornal GGN – Menos de 24 horas após o Superior Tribunal de Justiça reduzir a pena de Lula no caso triplex, o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Luiz Antonio Bonat, fez o processo do sítio de Atibaia andar rumo ao TRF-4.
Pela decisão do STJ, Lula tem direito a migrar de regime prisional, do fechado para o semiaberto, em setembro de 2019. Mas se o TRF-4 condená-lo em segunda instância na ação do sítio de Atibaia, essa perspectiva será frustrada. É dentro desse contexto que se dá a movimentação de Bonat.
O juiz de Curitiba deu prazo de 8 dias para a defesa de Lula se manifestar a respeito da condenação imposta pela juiza substituta, Gabriela Hardt. Copiando passagens da sentença de Sergio Moro no caso triplex, a magistrada condenou o ex-presidente a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a propriedade no interior de São Paulo.

https://jornalggn.com.br/noticia/em-menos-de-24h-apos-reducao-da-pena-de-lula-juiz-de-curitiba-avanca-com-caso-atibaia/

Sem estatal o Brasil não vai crescer

"Moro é indigno, medíocre e lamentável". Resposta de ex-1º Ministro de P...

quarta-feira, abril 24, 2019

CERTEIRA - O neoliberalismo degradou tudo!



O desabafo é da filósofa Marilena Chauí. Em palestra na Casa do Saber, ela descreve as transformações no capitalismo que levaram à devastação de países, ao encolhimento do espaço público, à precarização e fragmentação do trabalho e ao culto da ideia do “empresário de si mesmo” –e outras tantas mudanças que acabam servindo para apunhalar o coração da democracia.

“Desde a maternidade até a entrada no mercado de trabalho, o indivíduo é treinado para ser um investimento bem-sucedido. Como consequência disso, decorre, de um lado, o surgimento de uma subjetividade narcisista, portanto, propensa à depressão. O narcisismo produz a depressão. E não é por acaso que a depressão é a doença da sociedade contemporânea.

“E, de outro, a enculcação da culpa naqueles que não vencem a competição, desencadeando ódios, ressentimentos e violências de todo tipo, particularmente contra imigrantes, migrantes, negros, índios, mendigos, LGBT, destroçando a percepção de si como membro ou parte de uma classe social e destruindo formas de solidariedade, desencadeando práticas fascistas de extermínio”, afirma. - LEIA TUDO AQUI https://tutameia.jor.br/chaui-neoliberalismo-gera-odio-e-violencia/


terça-feira, abril 16, 2019

Você já viu algum ricaço engarrafado embaixo de algum viaduto?


Sindicato dos Engenheiros debate por que pontes, viadutos, prédios e barragens estão ruindo no Brasil https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/sindicato-dos-engenheiros-debate-por-que-pontes-viadutos-predios-e-barragens-estao-ruindo-no-brasil.html

Não é fatalidade. O capitalismo de DESASTRE como alguns chamam o capitalismo do arrocho, o neoliberalismo, vive de parasitar os trabalhadores. Só o trabalho humano produz riqueza. E só o trabalhador consciente e organizado pode acabar com o roubo da riqueza que ele produz.

Você já viu algum ricaço engarrafado embaixo de algum viaduto? Eles nem pisam mais no chão. Andam de jatinhos e helicópteros que custam o arrocho da sua vida. E aí, para te convencer a aceitar a tua precarização, o 1% que também é dono da mídia inventa o medo da crise. Leia o livro, veja o filme: A Doutrina do Choque.


https://vimeo.com/26773488 - A DOUTRINA DO CHOQUE

O relatório do Senado que mostrou que não há deficit na Previdência

Documento produzido no final de 2017 esclareceu com precisão as receitas e despesas do sistema, bem como todos os desvios de recursos

Conforme concluiu a CPI do Senado sobre a Previdência Social brasileira, não há deficit, pelo contrário, há superávit e grandes devedores que não são devidamente cobrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A consequência previsível da tal “reforma da Previdência” que os banqueiros tanto querem será o aumento da imoral desigualdade social existente no país. Se for para fazer alguma alteração nas regras da Previdência Social só se for para corrigir plenamente as aposentadorias e pensões.

Leia tudo aqui:

https://jornalggn.com.br/previdencia-social/o-relatorio-do-senado-que-mostrou-que-nao-ha-deficit-na-previdencia/

domingo, abril 14, 2019

UM TEXTO DE 2012, MAS AINDA BOM DE LER: pequenas “dobradiças felizes” da estrutura militar e do poder global dos Estados Unidos.

O capitalismo feliz


A história do desenvolvimento capitalista dos séculos XIX e XX registra a existência de alguns países com altos níveis de desenvolvimento, riqueza e qualidade de vida, e com baixa propensão nacional expansiva ou imperialista. Como é o caso das ex-colônias britânicas, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, e dos países nórdicos, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia. Todos apresentam taxas de crescimento alta, constante e convergente, desde 1870, só inferior a da Argentina, até a 1º Guerra Mundial. Hoje são economias industrializadas, especializadas e sofisticadas; a Noruega tem o 3º maior renda per capita, e o maior índice IDH (0.943), do mundo; a Austrália tem a 5º renda per capita, e o 2º melhor IDH do mundo (0, 929); e quase todos tem uma renda média per capita entre 50 e 60 mil dólares anuais. A Noruega é considerada hoje o país mais rico do mundo, em “reservas per capita”, e foi considerada pela ONU, em 2009, como “o melhor país do mundo para se viver”. E a Dinamarca já foi classificada – entre 2006 e 2008 - como “o lugar mais feliz do mundo”, e o segundo país mais pacífico da terra, depois da Nova Zelândia, e ao lado da Noruega.

Canadá, Austrália e Nova Zelândia foram colônias de povoamento da Inglaterra, durante o século XIX, e depois se transformaram em Domínios da Coroa Britânica, até depois da 2º Guerra Mundial. Mas até hoje são nações ou reinos independentes que fazem parte Commonwealth, e mantém o monarca inglês como seu chefe de estado. Como colônias e domínios funcionaram sempre como periferia da economia inglesa, mesmo depois de iniciado seu processo de industrialização, mantendo-se – em média - a participação do capital inglês, em até 2/3 da formação bruta de capita destes três países. E todos eles estabeleceram relações análogas com a economia norte-americana, depois do fim da Segunda Guerra. Neste século e meio de história, o Canadá – como caso exemplar – esteve ao lado da GB e dos EUA na 1º e 2 º Guerras Mundiais, alem de participar Guerra dos Boers e da Guerra da Coréia e de ser um dos membros fundadores da OTAN, em 1949. Participou das Guerras do Golfo, do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, e participa diretamente do sistema de defesa aeroespacial norte-americano. E o mesmo aconteceu, em quase todos os casos, com a Austrália e a Nova Zelândia.

Por outro lado, os países nórdicos foram expansivos, e a Suécia em particular, foi um grande império dominante, dentro da Europa, até o Século XVIII. Mas depois de sua derrota para a Rússia, em 1720, e depois da sua submissão dentro da hierarquia de poder europeia, os estados nórdicos se transformaram em pequenos países, com baixa densidade demográfica e alta dotação de recursos naturais, funcionando como pedaços especializados e cada vez mais sofisticados do sistema produtivo europeu. A Suécia ficou famosa pelo “sucesso” de sua política econômica anticíclica ou “keynesianas”, depois da crise de 1929, mas de fato logrou superar os efeitos da crise graças à suas condição de sócia econômica, e fornecedora de aço e equipamentos para a máquina de guerra nazista, que também ocupou a Dinamarca e exerceu grande influencia sobre a região, durante toda a Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, a Dinamarca e a Noruega se tornaram membros da OTAN, e a Dinamarca segue sendo uma passagem estratégica para o controle do mar Báltico.

Por sua vez, a Suécia participou das Guerras do Kosovo e do Afeganistão, e foi fornecedora de armamentos para as forças anglo-saxônicas, na Guerra do Iraque. Por último, a Finlândia, que fez parte da Suécia, até 1808, e da Rússia, até 1917, acabou ocupando um lugar fundamental dentro da Guerra Fria, até 1991, e ainda ocupa uma posição estratégica até hoje, no controle da Bahia da Finlândia, e da própria Rússia.

Por tudo isto, apesar de que estes países tenham origens e trajetórias diferentes, é possível identificar algumas coisas que eles têm em comum:

i. São pequenos ou tem uma densidade demográfica muito baixa

ii. Tem excelente dotação de recursos, alimentares, minerais ou energéticos.

iii. Todos ocupam posições decisivas no tabuleiro geopolítico mundial.

iv. E todos se especializaram em serviços ou setores industriais de alta tecnologia, e em alguns casos, dentro da industria militar.

Alguns diriam que se trata de um caso típico de “desenvolvimento a convite”, mas isto quer dizer tudo e nada ao mesmo tempo. O fundamental é que o sucesso econômico destes países não se explica por si mesmo, porque desde o século XIX, os “domínios” operaram como “fronteiras de expansão’ do “território econômico” inglês, e como bases militares e navais do Império Britânico. E os países nórdicos, depois que foram submetidos, se transformaram em satélites especializados do sistema de produção, e do poder expansivo europeu. E hoje, finalmente, todos estes sete países operam como pequenas “dobradiças felizes” da estrutura militar e do poder global dos Estados Unidos.

sexta-feira, abril 12, 2019

ASSANGE, MESMO PRESO, DÁ UMA LIVRADA NA MÍDIA E NO SISTEMA PODRE DO OCIDENTE



O livro que Assange carregava nas mãos e sua mensagem ao mundo

247 - No momento em que foi preso e arrastado pela polícia inglesa da embaixada equatoriana nesta quinta-feira (11), em Londres, trazia um livro na mão. O gesto foi uma mensagem ao mundo sobre os verdadeiros autores de sua prisão ilegal: History of the National Security State (A História do Estado de Segurança Nacional), de Gore Vidal, um livro sobre o complexo industrial-militar que comanda os Estados Unidos.
Segundo Pepe Escobar, em entrevista ao Bom Dia da TV 247 nesta sexta-feira, foi um "lance sensacional e sofisticado" de Assange: "Ele fez questão de mostrar o livro porque sabia que todo mundo ia focar o livro, para dar o 'big picture', o grande quadro da prisão dele". Segundo Leonardo Attuch, com o gesto, Assange transformou sua prisão num "ato político" - assista à conversa entre Escobar e Arttuch ao final.
No livro The National Security State, de 1988, Gore Vidal discute com o editor Paul Jay “os eventos históricos que levaram ao estabelecimento do complexo industrial-militar e a cultura que deu origem à ‘Presidência Imperialista'”. A expressão “complexo industrial-militar” foi usada pela primeira vez pelo Presidente Dwight Eisenhower e é utilizada para denunciar o suposto poder oculto das forças armadas e da indústria militar na política americana.
Assange ficou asilado na embaixada do Equador em Londres por sete anos, até a prisão nesta quinta-feira. As imagens da prisão, feitas apenas pela rede russa RT mostraram-no de barba comprida, alquebrada e com o livro de Gore Vidal nas mãos.

https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/389999/O-livro-que-Assange-carregava-nas-m%C3%A3os-e-sua-mensagem-ao-mundo.htm

Bom dia 247, com Pepe Escobar (12.4.19): A verdadeira história da prisão...

#AOVIVO - 20 Minutos Internacional: por que Julian Assange foi preso? A importância dos vazamentos do Wikileaks. A denúncia do imperialismo norte-americano. As acusações frágeis de estupro na Suécia. O refúgio na embaixada do Equador em Londres. Por que Lula defendeu Assange. A traição de Lenín Moreno. Para onde vai Assange?

quarta-feira, abril 10, 2019

QUANDO ESSE GOLPE FINALMENTE FOR DERROTADO, NINGUÉM VENHA FALAR EM ANISTIA



O infortúnio da família do ex-presidente é a desgraça de um país à deriva, onde o pobre é o alvo


“Eu não posso aceitar que meu pai esteja preso por causa de um apartamento que a gente nunca foi dono, nunca usou, nunca teve as chaves. Eu sei a verdade desta história, fui nesse apartamento com a minha mãe para ver se ela queria comprar. Se quisesse, poderia ter comprado, tinha condição para isso. O fato é esse. Mas aí inventaram uma mentira absurda, e o prenderam. O que eles não entendem é que o Lula, além de ser um líder político, é o meu pai e dos meus irmãos, avô dos meus filhos e sobrinhos, o bisavô da Analua. Nós sofremos muito com isso. Ele tem 73 anos e está numa solitária por um crime que não cometeu. E nós acabamos presos com ele.”

O depoimento, a CartaCapital, é de Fábio Luís Lula da Silva. O leitor há de se recordar do Lulinha. Bem antes da mamadeira de piroca, ainda no advento das fake news, o filho do ex-presidente Lula era “o dono da Friboi”, mentira deslavada que por vezes incluía a posse da Oi, além de um avião de 50 milhões de dólares. “A perseguição ao meu pai se estende a nós. Perdemos minha mãe porque ela não aguentou isso. No passado, diziam que o Lula morava no Morumbi e não na nossa casa em São Bernardo. Éramos crianças, e crescemos ouvindo essas mentiras sobre nós, uma loucura. Eu mesmo já fui dono da Friboi, né? Hoje soa engraçado, mas aquilo foi um verdadeiro inferno… Meu pai nunca se preocupou em juntar dinheiro, tanto que mora na mesma casa desde os anos 80. Agora está preso por um crime que nunca cometeu. É revoltante, uma tristeza diária não convivermos com ele.”



A tragédia da família Silva é literal e metafórica. Depois de um ano da prisão política do ex-presidente, que aniversariou no domingo 7, os Lula da Silva comem o pão que Sérgio Moro amassou. O juiz tirou do páreo o candidato favorito à Presidência e, a reafirmar nossa vocação bananeira, ascendeu-se ao poder como ministro do governo que ajudou a eleger. Lula, por seu lado, cumpre pena de 12 anos e um mês numa solitária na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, encalacrado com sentenças e processos que fazem de Kafka literatura infantil.
Durante esse período, o ex-presidente perdeu o irmão Vavá, morto aos 79 anos, e seu neto Arthur, 7, vítima de infecção bacteriana. Filhos e noras fecharam-se em casa, assombrados por problemas financeiros e de saúde, colhidos pelo luto e o medo da violência física, acossados por buscas e apreensões. Metaforicamente, os Silva são também o povão, tamanha a presença do sobrenome na base da pirâmide. No contexto atual, a tragédia de um é a tragédia do outro – ao se aprisionar o Silva que estaria no topo, elegeram-se os Silva da base como o alvo a ser abatido.
Desde a morte de dona Marisa, filhos e noras de Lula ficaram traumatizados pelo infortúnio e a perseguição. “Quem acompanha de perto sabe a dificuldade que essas pessoas têm”, diz Paulo Okamoto, ex-metalúrgico responsável pelo Instituto Lula e um amigo do ex-presidente desde os tempos do sindicato em São Bernardo do Campo. “Não conseguem trabalhar, não têm tranquilidade para estudar, os netos são hostilizados na escola. Ao condenar o Lula, condenaram a família. Deviam sair do Brasil, mas quem vai fazer isso com um pai na cadeia?”
Tampouco teriam condição para isso, já que atravessam sérias dificuldades financeiras. Estão com os negócios à míngua ou tecnicamente desempregados, à exceção da filha Lurian e do filho Luiz Cláudio, que acaba de assumir um posto de assessoria no gabinete do deputado estadual por São Paulo Emídio de Souza, do PT. Na terça-feira passada, Emídio foi instado a dar explicações à imprensa a respeito de sua escolha, e Luiz precisou esquivar-se dos repórteres. Vai ganhar 6 mil reais por mês. “Que empresário dará emprego a esse pessoal?”, pergunta-se Okamoto. “É sempre a mesma história: ‘Mas os filhos do Lula são ricos, por que estão trabalhando aqui?'”
O pedagogo Marcos, filho mais velho, cuida de um pequeno mercadinho e está tentando montar uma distribuidora de carvão. Depois da morte de dona Marisa, mudou-se com a família para o interior de São Paulo, disposto a refazer a vida. Mas, num episódio nunca esclarecido pelas autoridades, teve a nova casa invadida pela polícia sob o argumento de que buscavam desmantelar uma quadrilha de tráfico de drogas. Levaram computadores, devolvidos mais tarde. Nada foi encontrado.
Desde então, ele e a mulher lutam para superar o trauma, transformado em doença. Todos os outros filhos foram alvos de buscas e apreensões que reviraram imóveis, recolheram máquinas e documentos. O neto Arthur, filho de Sandro e Marlene, testemunhou a ação quando os policiais foram à casa da família. Não há notícia de que algo de suspeito tenha sido apanhado em qualquer uma das operações. O ipad de Arthur, levado do apartamento de Lula, jamais foi devolvido. Desse processo, Sandro herdou uma síndrome do pânico, hoje sob melhor controle.
Fábio Luís, o Lulinha, é um dos donos da PlayTV, um canal por assinatura que veicula informações sobre música, filmes, animes e jogos de computador. Antes, firmara parceria com a Oi para produção de conteúdo jovem para telefones celulares. De “sócio” da empresa nesse empreendimento, foi catapultado pelos antipetistas a “dono da Oi”. Fosse verdade, seria um grande case de fracasso, visto que o dono da Oi não consegue mais acesso a empresários capazes de veicular seus reclames no canal.
“Tudo que se relaciona a Lula e ao PT ganhou a marca de uma grande organização criminosa”, diz Okamoto. “A Receita passou a fiscalizar em minúcia e aplicar sanções absurdas. O próprio instituto, por exemplo, foi multado em 15 milhões de reais por desvio de função, mas nos últimos anos arrecadamos uma média de 5 milhões por ano. Como vamos pagar isso? Todas as empresas dos filhos do Lula foram investigadas por tráfico de influência. Se não encontram nada, acabam achando algum problema de gestão, muitas vezes erros que a gente comete sem nem saber que é proibido. Isso foi minando os negócios.” O filho Luiz Cláudio, que tentou montar uma liga de futebol americano no Brasil, foi denunciado por tráfico de influência pela Operação Zelotes. É réu em um processo e denunciado em outro.
Na cadeia há um ano, Lula não esmorece. “Qualquer pessoa que comete um crime e sabe que cometeu de alguma forma se entrega e apenas torce para pegar uma pena menor”, diz um de seus advogados, Luiz Carlos Rocha. “A diferença para outros réus é a convicção que ele tem de não ter feito nada de errado. Lula faz da sua inocência a sua força motriz. Não admite nem conversar sobre a possibilidade de um indulto nem mesmo de uma prisão domiciliar. Quer ser julgado e inocentado.”
No primeiro dia de visita depois da morte de Arthur, o deputado cearense José Guimarães, do PT, esteve na carceragem da PF. Assim que entrou, abraçou o ex-presidente e passou a dizer-lhe palavras de consolo. Foi interrompido na hora. “Zé, eu tenho 73 anos e ainda estou tentando entender tudo o que aconteceu comigo. Vamos seguir em frente e vamos lutar!”
Quando foi comunicado na cadeia sobre o falecimento do neto, repetiu três vezes: “O Arthur? O Arthur? O Arthur?” Chorou por 12 horas. Quando embarcava no helicóptero da polícia, depois de participar do velório em São Paulo, brincou com o próprio infortúnio: “Vocês têm coragem de voar comigo nisso aí?”, perguntou. “Nunca vi um preso com a capacidade de resiliência que ele tem”, disse a CartaCapital, sob sigilo, um agente da PF de Curitiba cuja experiência ultrapassa duas décadas. “Esse é um homem muito forte, extremamente forte. Acredita de verdade que não cometeu crime algum. Entre os presos da Lava Jato, eu nunca tinha visto ninguém assim.”
Desde 7 de abril de 2018, Lula vive sozinho num espaço de 25 metros quadrados no quarto andar do prédio da PF. Um quarto com banheiro, armário, mesa com quatro cadeiras, uma esteira ergométrica, uma tevê apenas com canais abertos. Na parte da manhã, conversa por uma hora com Luiz Carlos Rocha, a quem chamam de Rochinha. À tarde, recebe o também advogado Manoel Caetano, pelo mesmo período. De resto, permanece isolado no quarto, lendo e assistindo televisão. Por alguns dias agarrou-se ao catatau de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, Brasil: Uma Biografia, de 709 páginas. Come a comida da cadeia, a não ser quando, no dia da visita – às quintas –, chega a “moela da Neide”, prato preferido preparado pela cozinheira do Instituto Lula. A lamentar, a televisão que raramente passa o Corinthians, cujo uniforme, shorts e camisa, costuma vestir quase todas as manhãs.
Sempre sozinho na cela durante os fins de semana, Lula dedica-se a ler uma montanha de cartas que lhe chega depois da triagem feita numa sala térrea do Instituto Lula, onde a imersão exige um coração valente. Há escritos de todo tipo. Uma pessoa de Anita Garibaldi, em Santa Catarina, diz que o pai costumava ouvi-lo no rádio, mas que só viram seu rosto depois que o projeto Luz para Todos permitiu que ligassem uma televisão. Um outro escreve a cada três dias. Há uma profusão de jovens que se formam e correm a agradecer a chance que lhes foi dada pelos programas de bolsas e cotas em universidades. De Palmópolis, Minas Gerais, uma senhora diz que Lula “com Bolsa Família matou a fome de muita gente e hoje está nessas condições”. Mais adiante, “sei que sua companheira faltou e que você não pode chorar de tanta tribulação (SIC). Pela fé que tenho em Deus você vai sair dessa”. A carta, ditada, tem por assinatura a digital de seu polegar.




#LulaLivre em imagens: fotos que recontam a trajetória do ex-presidente...

À Esquerda entrevista Paulo Henrique Amorim