terça-feira, dezembro 27, 2005



POR CAIA FITTIPALDI
Campanha "Nenhum Brasileiro sem resposta-na-ponta-da-língua, pra Responder à Folha de S.Paulo": "O 'projeto de país' do Eduardinho Graeff, by Clóvis Rossi"

Sr. Clóvis Rossi,
Seu comparsa aí repete hoje o bobajol que toda essa Folha de S.Paulo escreve todos os dias. O senhor sente-se 'assegurado' por ele repetir o seu bobajol e -- pasme! -- oferece a esse imbecil o nobre espaço do jornal pelo qual EU pago pra ler. Mais dia menos dia, serei obrigada a recorrer a alguma Delegacia do Consumidor, para ver se consigo receber o serviço que compro e pelo qual pago: receber um jornal.
Eu NÃO pago para receber propaganda de tucanos ou de Friazinhos. O Friazinhos é seu patrão; o Friazinhos não é MEU patrão: ele (e o senhor) são fornecedores de um serviço que eu compro, pelo qual pago e que não recebo, mais, há meses: jornalismo.
Eu sou um cidadão. Eu VOTO e elejo Lula-presidente. E reelejo Lula-presidente, porque isso é parte do MEU projeto de país. O que menos me interessa, no mundo, é a opinião que CR ou Friazinhos tenham sobre o meu voto e sobre o MEU projeto de país.
Ou, então... quem sabe... O senhor e seu amigo-aí, quem sabe, estariam supondo que eu... não saiba votar?! Não faltaria, mesmo, mais nada, pra acontecer, pra condecorar o autismo dos dois-aí: o seu e o dele. Neopelés?! Neohebescamargos?
No mais, observo que a metáfora "'eles' (eu) não têm um projeto de país" deve ser o mote de propaganda da tucanaria, para esse mês. Anteontem, foi a insuportável Lucia Hipólito, a 'exigir' projeto-de-país n'O Observatório de Imprensa.
Para ela, que é do PSD [risos], mas eu suponho que, hoje, seja paga por Bornhausen-ACM-FHC, só os "deputados e senadores velhos" (?!) teriam projeto de país... E o Brasil estaria à beira do caos porque "há muitos deputados e senadores jovens, de sangue muito quente, no Congresso", os quais não teriam, para LH, o tal de "projeto de país".
Deve-se registrar que, no mesmo instante, o ma-ra-vi-lho-so Luis Nassif perguntou, na lata, preciso, correto, democrático e decente: "Mas... que projeto de pais tem o PSDB?!" Ficou sem resposta, é claro. E, além das imediatas vinhetas, recebeu as caratonhas mais indignadas, daquela horrenda Lucia Hipólito (eu VI).
Hoje, são o senhor e o seu colega-correspondente-aí: nesse segundo diagnóstico-de-sociologia-de-palestragem-e-michê-de-FHC, consecutivo, dois, o segundo, igualzinho, em dois dias, também faltaria o tal de "projeto de país".
Só que, para o senhor e o seu amigo-aí, só faltariam "projetos de país" aos metalúrgicos, aos índios cocaleros e, no geral, aos pobres. O tal de "projeto de país" de vocês dois... estaria UÓTIMO [risos]. Ora essa... pois candidatem-se à presidente, os doizinhos! Disputem votos, com o 'projeto de país' de vocês! Elejam-se! Ou metam a violinha no saco, quando perderem em eleições democráticas, como perderam, em 2002 e perderão outra vez, em 2006.
No mais, é só besteirol a quatro mãos, hoje, na sua coluna, Sr. Clóvis Rossi: a única "condição necessária e suficiente" para QUALQUER CIDADÃO e seu respectivo projeto de país chegarem ao poder, para viabilizarem-se, nas democracias, é receberem VOTOS, em eleições democráticas. Em matéria de 'projeto de país', é eleição, ou é golpe. Não há terceira via.
Em países 'educados' por universidade 'neoliberal' e tucano-pefelista e imprensa autista, desossada, semianalfabetizada e partidarizada, como o Brasil-2005, o ato inicial de VOTAR -- o ato, o voto, o gesto! -- já é manifestação de que os eleitores temos um projeto de país, sobretudo quando o voto manifesta-se contra sociologias-de-araque (como as de FHC e Lucia Hipólito e outros 'cientistas políticos'); contra jornais como a Folha de S.Paulo; e contra jornalistas como o senhor e o seu patrão; e contra leitores como o seu-amigo-aí.
O MEU projeto de país, que manifestei pelo meu voto em Lula e que outra vez manifestarei em 2006 é, hoje, muito claro e já tem, até, várias versões de propaganda: "Xô, tucanaria! Vamos acabar com a raça de Bornhausen-FHC! Virgílio é uma abominação! Queremos imprensa de redemocratização do Brasil! Xô Folha de S.Paulo! Xô colunagens de Clóvis Rossi! LULA É MUITOS!" E por aí vamos! E vamos! Lula é muitos! Lula 2006!
É claro que há, aí, um MAGNÍFICO projeto de pais, para o Brasil-2006. Talvez não seja o seu [risos]. Mas é o MEU.
É quase inacreditável, eu sei, mas o senhor escreveu e está impresso, quer dizer, há prova: "uma filósofa baba no vestido só porque ouve um metalúrgico falar" (22/12/2005). Mas... que metáfora canalha, Sr. Clóvis Rossi! Se babasse, a filósofa ainda babaria melhor do que o seu correspondente-imbecilóide, aí, que baba porque lê... uma Folha de S.Paulo! [risos, muitos].
Pode-se dizer que, hoje, o senhor e seu correspondente-imbecilóide-aí, ofendem, em jornal, em coluna, ao mesmo tempo, EU (que sou o cliente-consumidor desse jornal!) o meu voto, a democracia brasileira, o jornalismo e, até, o Código do Consumidor [risos]. Acho que alguém está pirando, aí nesse jornal [risos] ou, vai-se ver, já pirou completamente! Acorda, OMBUDSMAN! Abram o olho, acionistas da FSP! (E nem acrescento, pq me preocupa menos, que os senhores ofendem também a filosofia. Piraram total?)
Dois Napoleões, vocês-aí, 'trocando idéias' no pátio do mesmo hospício [risos]. Melhor: dois Napoleões, no mesmo hospício, e convencidos de que bom, mas bom meeeeeeeeeeesmo, prô Brasil, é o 'projeto de país' à moda Eduardinho Graeff [risos].
Tenho observado que sempre que FHC 'cita' Eduardinho Graeff (o que FHC fez na aula-magna-chata, para pautar a Folha de S.Paulo para dezembro/2005) é porque FHC está A-PA-VO-RA-DO. Hoje, Eduardinho Graeff ganha meia página na FSP. Tá provado: FHC está A-PA-VO-RA-DO! Ótimo, pro MEU projeto de país!
Lula é muitos! Lula 2006!
[assina] Caia Fittipaldi (dos Lingüistas Brasileiros para a Democracia/ Universidade Nômade / Campanha “Nenhum Brasileiro sem Resposta-na-ponta-da-língua, pra Responder à Folha de S.Paulo" / Tricoteiras Unidas / Mães do Planalto / Gaviões da Fiel.) [Msg composta com msg de vários campanhistas. Para vários destinatários, campanhistas e outros]

segunda-feira, dezembro 26, 2005


FEBEM
ELDORADO DE CARAJÁS
P-36
Jatinhos e donos de jornal
O BRASIL DE FHC QUEBRADO
Torta no secretário da pulverização...
O Fracasso tucano não tem
pai nem mãe








Dando nome aos bois, uma visão crítica da mídia do Brasil

A oposição ficou em estado de histeria quando o presidente Lula em entrevista a revista Carta Capital e no encontro do Mercosul em Montevidéu, disse que ela age como a oposição venezuelana, que tentou um golpe fracassado contra o presidente Hugo Chávez. Mas, qual a similaridade entre a oposição do Brasil e a da Venezuela?
Ela se caracteriza por usar a mídia como foco de propaganda golpista. Nos dois países a mídia é controlada por pequenos grupos mercantilistas que têm interesses de classe social bem definidos. No Brasil quem faz sistematicamente uma política para a desestabilização do governo é a revista Veja e o jornal Folha de São Paulo.
A revista Veja ficou vários meses atacando o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores, de forma apressada e irresponsável, só parando quando caiu na denúncia vazia dos dólares de Cuba. O ex-governador Leonel Brizola sempre disse que essa é a maior revista estadunidense publicada em língua portuguesa. Ela nunca traz nenhuma crítica ao governo de São Paulo ou ao prefeito da cidade de São Paulo, por estar umbilicalmente ligada aos tucanos. Segundo dados divulgados pelo deputado Dr. Rosinha, há na diretoria do grupo Abril, pessoas ligadas ao governo do FHC, além do grupo ter doado dinheiro para campanha de deputados do PSDB.
A revista também nunca traz crítica ao governo dos Estados Unidos, e sua política belicista e destruidora. Aliás, a imprensa brasileira não cobre os Estados Unidos do jeito que deveriam, quem assistiu ao filme Fahreneit 9/11, do Michael Moore, percebe que as notícias que são ruins ao império não são publicadas na mídia brasileira, para dar uma impressão de Disneylândia daquele país, ao povo brasileiro. Esse idílio foi quebrado pelo furacão Katrina, que expôs as mazelas do país mais rico do mundo.
Não importa o fato contra o PT, sempre será publicado pela revista Veja na capa, enquanto fatos tão ou mais comprometedores de outros partidos como o PSDB e o PFL, quando não ignorados, ficam praticamente escondidos no interior da revista. A política da Veja é sempre dar evidência negativa ao governo Lula e ao Partido dos Trabalhadores.
Quanto ao jornal Folha de São Paulo, ele vem há algum tempo atacando o Partido dos Trabalhadores . A Folha no ano de 2004 usou todos os meios possíveis para destruir a imagem da prefeita Marta Suplicy, enquanto enaltecia a do Serra, isso foi provado cientificamente por um grupo de acompanhamento da mídia da Escola de Comunicação da USP. Toda ação da prefeita era colocada de forma pejorativa, como os CEUs, que o jornal apelidou de escolões e fez severas críticas ao projeto. Assim foi com o Bilhete Único, com o Passa-rápido e toda ação da prefeitura era sempre enfatizada de forma pejorativa. Todos os dias a Folha de São Paulo e o jornal Agora, que também é do grupo traziam pesadas críticas à prefeita, responsabilizando-a por tudo que acontecia em São Paulo, mesmo que a área fosse de responsabilidade do estado, como é a segurança.
Atualmente, com a mudança da gestão as críticas cessaram, dando a impressão que estamos no paraíso. O prefeito aumentou a passagem de ônibus de R$ 1,70 para R$ 2,00, reduziu a frota, colocou ônibus velhos nas ruas, persegue os moradores de rua do centro, os congestionamentos são imensos na cidade e nada é publicado de forma crítica nos jornais do grupo. O mesmo acontece com o governo Alkmin com mais de 56 pedidos de abertura de CPI na Assembléia Legislativa e situações como a da Febem (inclusive com condenação na OEA) e da segurança pública que já teriam desestabilizado qualquer governo; tem um tratamento diferenciado do jornal e ele segue blindado.O que acontece de ruim no estado por incompetência do governador ou por negligência nunca é enfatizado; isso explica a imagem positiva que ele tem na população. Dessa forma qualquer um é sério e competente.
Quanto ao governo Lula, o jornal o persegue desde o início. Nunca sai na primeira página uma matéria favorável ao governo. Quando a inflação baixa, há aumento da exportação ou aumento no nível de emprego, é publicada de forma burocrática no interior do jornal, mas qualquer denúncia ou fato negativo contra o governo, é publicado em manchete na primeira página. A Folha tem usado um truque de sublimação na primeira página. Quando há menção ao nome PT ou a Lula, em letras destacadas, eles colocam uma foto ligando o nome a um fato negativo. Assim eles associam os nomes, com marginais, quando da ligação com a foto de três detentos que iam prestar depoimento na CPI, a destruição de um depósito de combustível em Londres, entre outros fatos negativos.
Os articulistas do jornal, com raras exceções, são sistematicamente adestrados para criticar o governo federal, a impressão que dá é que os artigos são escritos no diretório do PSDB. O jornal ainda publica fatos sem comprovação, como foi a denúncia feita pelo ACM neto de desfalques nos fundos de pensão, que deu várias primeiras páginas, sem nenhuma prova e que os especialistas consideraram o relatório do deputado do PFL como uma farsa, mas o jornal não se retratou. O objetivo claro da Folha de São Paulo é fazer o maior estrago possível, sem nenhum compromisso com a verdade; é a obsessão dos donos do jornal em colocá-lo de rabo preso com os tucanos, fazendo um jornal a desserviço do Brasil e impossibilitando a sua leitura por quem espera coerência da imprensa. O Grupo Cisneros da Venezuela não faria melhor.
Toda informação vinculada ao PT ou ao governo vem sob a rubrica “escândalo do mensalão”, apesar de não haver prova da existência do mensalão. A intenção é muito clara, seja verdade ou não, macular o partido e o governo sob essa ótica. Eles são culpados mesmo que não exista prova. Os fatos ligando figuras proeminentes dos tucanos e pefelistas, como o caixa 2 mineiro, dinheiro suspeito no Mato Grosso, tráfico de drogas, corrupção na Bahia, nunca têm um tratamento investigativo e seja qual for a gravidade nunca sai em manchete na primeira página. Assim também são outros meios de informação como todos os canais de televisão e os seus noticiários, principalmente quando têm âncoras, que amparados por uma pseudo neutralidade, aumentam o tom e as críticas quando o assunto é governo Lula e Partido dos Trabalhadores.
Há ainda os programas pseudo-populares nas rádios pelo país afora que ficam martelando preconceitos contra o governo federal. Os sítios da Internet, como o UOL, ligado ao grupo Folha, que quando a notícia é ruim para o PT e o governo fica estampado o dia inteiro no sítio e quando é ruim para a oposição logo desaparece. Não se está questionando neste artigo o direito de uma imprensa livre e democrática, aliás é isso que está faltando. O jornal Brasil de Fato tem denunciado que as matérias desfavoráveis ao governo e ao prefeito de São Paulo, nos jornais Agora e Folha de São Paulo; tanto o Alkmin quanto o Serra têm ligado para o dono do jornal, para fazer “cair” a matéria. Ou seja, só há democracia quando o governo é de esquerda, aí todos os jornalistas podem publicar o que quiserem, principalmente matérias negativistas.
Será que se o governo federal não fosse de esquerda, o noticiário seria o mesmo? Ou seria, como foi no caso do município de São Paulo, em que quando a Marta Suplicy era a prefeita o malho era constante, e agora com o Serra, a mídia se omite? A liberdade de imprensa não é a liberdade dos donos das mídias colocarem o seu ponto de vista, independentemente dos interesses da nação e da verdade fatual? Como democratizar a ditadura midiática? De que forma se contrapor a ela? Essas questões são muito importantes na implantação de um projeto de nação democrática e com inclusão social no Brasil.
Fica bem claro neste texto que não se questiona o fato da publicação dos erros cometidos pelo Partido dos Trabalhadores, ninguém quer uma mídia estilo Pravda no Brasil. Os atos errados de todo e qualquer partido ou governo devem ser publicados, mas com isonomia. O questionamento é a forma histérica e raivosa como isso é feito pela mídia do Brasil a respeito do PT, visando apenas a sua destruição, assim como a não divulgação nem investigação de erros similares ou piores cometidos por outros partidos e governos.

Evaristo Almeida – Mestre em Economia Política – PUC-SP
Novo colaborador do Beatrice

Quem é o mercado

Os economistas conservadores e a mídia de um modo geral, tratam o mercado como algo impessoal, etéreo, racional e justo. Mas trata-se de um embate ideológico, pois o mercado tem rosto, ele é branco, masculino, concentra-se em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ele estudou em universidades públicas, por “meritocracia” de quem nasceu rico, fez pós-graduação em universidades estadunidenses, preferencialmente em economia e administração.
O mercado é dono dos bancos, das fábricas, dos jornais, das televisões e das empresas em geral. Ele escreve em grandes jornais e revistas paulistas. O mercado tem preferências eleitorais, vota sempre num partido cujo símbolo pertence a fauna brasileira; elegeu o prefeito de São Paulo, e adora o atual governador do estado. O mercado criou verdadeiro terror contra a eleição de Lula em 2002, mas de uns tempos para cá, ele o suporta, rezando para que chegue logo 2006. O que ele não engole é o Partido dos Trabalhadores, essa raça, que eles esperam ficar livres por pelo menos 30 anos.
O mercado se apresenta no rosto de um apresentador notívago, que todo final de noite apresenta um programa de entrevistas na televisão, ele se incorpora nos apresentadores do Jornal Nacional, do Jornal da Record, do Redenews! Ele se manifesta nas crônicas de um ex-cineasta, que sempre malha a esquerda. Quando o governo gasta em programas sociais, o mercado condena, pois é populismo, mas quando o governo paga R$ 180 bilhões de juros num ano, o mercado considera que é racionalidade econômica.
O mercado anda de carro importado, compra na Daslu, mora em grandes casas e apartamentos em áreas consideradas nobres. Para o mercado o Brasil precisa flexibilizar as leis trabalhistas, pois o que segura o crescimento econômico do país são os direitos dos trabalhadores; imagina dar direito para essa gente, que antes de maio de 1888, trabalhava apenas pela comida e por um teto. O mercado tem como ícone, um sociólogo, que apesar de quase ninguém tê-lo lido é bastante comentado.
O mercado criou no Brasil uma das sociedades mais perversas do mundo, para que ele mercado continuasse a ter lucros altos e vivendo bem. Para o mercado, o social é caso de filantropia ou de polícia, as coisas do jeito que estão vão muito bem. A vertente industrial já foi a maior força do mercado, mas agora é o mercado financeiro, esse mesmo que não cria nada, mas num passe de mágica e de juros altos multiplica dinheiro, para ele mercado.
O mercado não entende porque as pessoas se organizam no MST, esse bando de baderneiros, essas pessoas deviam se conformar com as privações que o destino reservou a elas; nesse sentido o mercado concorda com Malthus, economista inglês do século XIX, para quem não adianta fazer nada para ajudar os pobres, o melhor é deixá-los à própria sorte. E o mercado é onipresente e onipotente, pois, por via dos seus representantes está em todo lugar ao mesmo tempo, além de ter muito poder para continuar desfrutando dos benefícios do capitalismo selvagem tupiniquim, sem nenhuma espécie de remorso, pois o mercado não tem sentimentos, e se preciso faz uso de qualquer meio, para manter inalterado o estado de coisas, mesmo dando um golpe num presidente eleito com mais de 52 milhões de votos.

Evaristo Almeida – Mestre em Economia Política – PUC-SP
Novo colaborador do Beatrice

domingo, dezembro 25, 2005








Pescarias em jatinhos de dono de jornal, micos e hienas na madrugada, Institutos que surgem do nada,,, quanto custa e quem banca tudo isso???

"Pessoas politicamente expostas" (PEPS) - Maravilha de projeto! Mas pode ser melhorado: jornalista-colunista de jornalão também é PEP, né?!

Vejam aí, o que é o projeto do Governo Lula, para fiscalizar permanentemente a movimentação financeira de tooooooooooooooooodo esse pessoal (as PEPS). É uma maravilha de projeto!

Pra melhorar o projeto, sugiro que os jornalistas-colunistas de jornalão sejam incluídos na definição de "pessoas politicamente expostas". Afinal, se há pessoa politicamente exposta, no Brasil-2005-6, são, por exemplo, TOOOOOOOOOOOOOOOOODOS os jornalistas-colunistas das páginas 2 da Folha de S.Paulo e do Estadão, incluindo a Lúcia Hipólito, né?!

Bornhausen está chutando paredes! FHC está chutando estantes de livros de sociologia-uspeana-tucana. Virgílio está comendo as próprias sobrancelhas, de raiva. FHC 'declarou' que só fiscalizarão ele, a família dele e os jornalistas dele... se vencerem as eleições. Taí! FHC-Bornhausen sabe! Serra sabe! A página 2 da Folha de S.Paulo sabe! [risos muitos]
PREVEJO, para os próximos dias, um SURTO de ataques, na Folha de S.Paulo e Estadão e Veja -- com direito a entrevista de página inteira com FHC e outros trocentos 'sociólogos' e 'economistas' e professô-dotô livre docente de Ética e Filosofia sobre... a liberdade de imprensa tratada como se fosse um direito divino intocável; sobre o direito também divino a eles não prestarem contas de nada a ninguém nunca, e ôtras mumunhas más.

Alguém quer apostar que, amanhã, a página 2 da FSP estará COBERTA de malhação contra... Delúbio?! [risos] Eta jornalismo vagabundo, o que há no Brasil 2005-6, hein?! Sorte nossa, afinal, que já estejam TOTALMENTE previsíveis [risos, muitos].

Observem que introduzi uma pequena mudança no título da matéria que cito hoje: onde se lia “Políticos terão contas monitoradas, diz Bastos", eu arrumei para “Políticos terão contas monitoradas, diz o Ministro da Justiça de Lula”.

A verdade é que, se ficarmos bem espertos, os jornalões-da-tucanaria já fazem metade do serviço, para nós. A gente pode pegar as mesmas matérias e só corrigir os pontos onde a manipulação seja mais braba, como fiz aqui.

Assim, a gente aproveita a 'investigação jornalística' deles (os nomes escritos certinhos, algumas datas, alguns números) e só corrige as manchetes, os leads, os subtítulos, alguns verbos mais safadins; trocamos algumas fotos, e, assim... aproveitamos o texto já está pronto e digitado. Fica mais barato, pra nós [risos muitos].

Vejam aí. O texto abaixo está como o original. Bom exercício, hoje, pode ser o de arrumar o texto abaixo, de modo a torná-lo aproveitável para divulgação em mídia democrática, não enviesada. Divirtam-se!

8-) Caia
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24/12/2005 - 09h51 – “Políticos terão contas monitoradas, diz o Ministro da Justiça de Lula”. Matéria de Valdo Cruz e Silvana de Freitas (da Folha de S.Paulo/UOLNEWS, em Brasília. Na Internet, em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u74802.shtml)
O governo pretende submeter ministros de Estado, deputados, senadores, diretores de autarquias e dirigentes partidários, principalmente tesoureiros, a um acompanhamento mais rigoroso de sua movimentação financeira para detectar suspeitas de lavagem de dinheiro.
Essas deverão ser algumas das "Pessoas Politicamente Expostas", chamadas de Peps, segundo o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Ele disse que o governo poderá dispensar o envio de projeto ao Congresso para criar as Peps, podendo instituí-las por meio de decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os decretos irão definir tanto o perfil das Peps quanto as obrigações das instituições financeiras no monitoramento das operações realizadas por elas.
A idéia, por exemplo, é que os sigilos bancários e telefônicos dessas pessoas sejam monitorados freqüentemente. Com isso, segundo Thomaz Bastos, quaisquer atividades ilícitas poderão ser detectadas rapidamente.
O ministro afirmou que esse controle será feito de forma ostensiva. "O fundamental disso é a agressividade. O serviço de inteligência financeira e os seus braços executivos não podem ficar numa posição passiva."
Na avaliação dele, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) tem atuação muito importante no combate à lavagem de dinheiro, mas de forma passiva, porque apenas recebe e repassa informações.
Polêmica
Thomaz Bastos reconheceu que a proposta é polêmica, mas afirmou que essa seria uma tendência mundial. "É polêmica sim, mas é uma ação aplicada hoje em todo o mundo, na Europa Ocidental inteira, nos Estados Unidos."
De acordo com o ministro da Justiça, a atual crise política dificilmente teria surgido se já existissem as Peps no Brasil, já que dirigentes partidários estariam sob uma vigilância mais próxima dos órgãos de fiscalização.
"[Se as Peps existissem], dificultaria sob todos os aspectos. Os dirigentes partidários devem ser Peps. Haveria uma vigilância maior, mais comunicações sobre irregularidades", afirmou.
No início deste mês, em Vitória, representantes de 29 órgãos governamentais discutiram o assunto em um encontro chamado Encla (Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro).
O trabalho articulado de combate à lavagem de dinheiro envolve atualmente órgãos como Receita Federal, Polícia Federal, Poder Judiciário, Banco do Brasil, Banco Central, INSS, secretarias de fazenda do interior e Ministério Público. A Controladoria Geral da União deverá definir até 31 de março de 2006 quem serão as Peps. Thomaz Bastos disse que servidores que ocupam funções estratégicas, como membros de comissões de licitação, poderão ser incluídos na lista. Por ora, o governo não cogita expor os empresários a esse controle.
O ministro da Justiça informou ainda que até o final de 2006 o governo federal deverá assinar com 50 países tratados de cooperação em processo penal.Na opinião dele, houve "um avanço colossal" no combate à lavagem de dinheiro nos últimos três anos. Um exemplo desse avanço teria sido a criação, no governo Lula, do Departamento de Recuperação de Ativos, ligado ao Ministério da Justiça.

[SOBRE "Bronca parlamentar", Márcia Peltier, no Jornal do Brasil Online, Rio de Janeiro, 24/12/2005, na edição impressa e na Internet, em http://jbonline.terra.com.br/]
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Jornalista Márcia Peltier,

parece-me que, muito mais democrático e importante, do que a senhora ficar aí 'ensinando' seus leitores a NÃO VEREM que NINGUÉM pode julgar e condenar sem provas (sobretudo a imprensa, que NÃO PODE, mesmo, nem julgar nem condenar sem provas, nunca, em caso algum), seria, hoje, a senhora chamar a atenção dos seus leitores para a EVIDÊNCIA absoluta de que o 'relatório' Serraglio é uma lenga-lenga sem fim, de repetição de 'julgamentos'... de colunagem de jornal [risos].

Afinal de contas, pra 'concluir' que "estou convencido de que houve mensalão", ninguém precisaria investigar nada. EU estou convencida de que o deputado Serraglio estava tão convencido quanto o Ônyx-o-Horrível, e quanto o ACM-Kid, de que, se não houvesse mensalão, ele seria inventado, contruído e inflado.

Uma das arapucas mais brabas, na qual os cidadãos-eleitores brasileiros estamos presos, em 2005, é a seguinte. Explico-a aqui, democraticamente, porque, na minha opinião, a senhora é parte da arapuca. Então, lá vai:

(a) 'jornalistas-colunistas' que têm longa tradição como militantes POLÍTICOS (e, em 2005, todos esses são tucanos-pefelistas) só fazem escrever suas personalíssimas opiniões político-partidárias, como se fossem 'fato' jornalístico ou 'análise' política 'isenta';

(b) imediatamente, alguns 'políticos' passam a supor que o que aqueles jornalistas militantes políticos [sempre os mesmos!] estejam 'manifestando' seja alguma 'opinião pública', apenas porque a opinião pessoal daqueles determinados (e sempre os mesmos!) jornalistas-colunistas-de-jornalão COINCIDEM com a opinião política de um dos partidos, ou de uma 'linha' política;

(c) imediatamente, esses mesmos políticos passam a REPETIR as opiniões personalíssimas daqueles jornalistas que, afinal de contas, só manifestam, mesmo, sempre, as suas próprias convicções políticas PESSOAIS. Assim é que, aos poucos, vai-se apagando, na discussão social, a opinião legitimamente pública e democrática; e vai-se construindo uma "opinião publicada", que ATÉ Carlos Lacerda já conhecia [risos]. (A senhora já ouviu falar nisso?)

Prova desse estranhíssimo casamento, em que alguns políticos e partidos políticos servem-se da mídia, do mesmo modo como a mídia serve-se de alguns políticos e partidos, pra finalidades que NADA TÊM de democratizatórias, no Brasil 2005-6, é, dentre outras, o 'casamento' entre Roberto Jefferson e a Folha de S.Paulo.

Pode-se dizer que, naquela entrevista, Roberto Jefferson entrevistou a Lo Prete [risos]: ele a convocou e pautou-a; dia seguinte, o jornal publicou como se aquilo fosse uma verdade simples. Nenhum jornalão brasileiro, depois, sequer SUGERIU que podia haver coelho naquele mato. Investigação jornalística, foi NENHUMA; e, aliás, assim continua, até hoje.

Outra prova desse estranhíssimo casamento, em que a imprensa brasileira dá mostra de que 'crê' que os fatos políticos possam ser tratados como futricas de opinião pessoal, é aquela obscena "Mesa das Meninas do Jô", em que jornalistas-colunistas brasileiras põem-se estridentemente a cacarejar, ante qualquer piada fascista, daquele humorista fascista (e tucano assumido).

Cadê, afinal de contas, o jornalão ou o jornalista ou a jornalista brasileiro/brasileira que esteja investigando, por exemplo, o que declarou o Ministro José Dirceu, sobre aquela 'entrevista' de Roberto Jefferson?

A senhora certamente sabe -- pois se ATÉ EU sei! -- que Roberto Jefferson resolveu vingar-se do Ministro José Dirceu, exatamente quando ele (Jeff) convenceu-se de que ele (Jeff) não conseguiria manter, como até então, o seu esquemão-mamata, de décadas, nos Correios. Jornalismo investigativo e democrático, hoje, no Brasil, espinafraria todos os dias a mamata-de-Jeff. Mas, no Brasil, a mídia-empresa degolou o ministro José Dirceu.

É claro que, ontem, o Presidente Aldo Rebelo disse EXATAMENTE o que EU acho que se tenha de dizer!

Basta a evidência de que o Presidente Aldo Rebelo declarou EXATAMENTE o que EU penso, para que essa declaração tenha perfeita legitimidade democrática: afinal de contas, EU SOU O CIDADÃO LEITOR-ELEITOR, não é?! E EU ELEGI o Deputado Aldo Rebeleo, em quem voto sempre, há anos. A culpa não é minha, é claro, se o Clóvis Rossi não conseguiu eleger seus candidatos, ou se a senhora não conseguiu eleger os seus.

Taí. EU estou TOTALMENTE CONVENCIDA de que, depois de seis meses de 'investigações' à moda Serraglio, não há ainda sequer UMA prova de que o governo Lula tenha pago parlamentares para votarem a favor do governo.

O mais elementar bom-senso manda concluir que, nesse caso, (i) não houve, mesmo, nenhum mensalão; e (ii) a 'crise ética' é invenção de 'éticos' à moda dos jornalistas colunistas da página 2 da FSP [risos], que, de éticos, NÃO TÊM nada a mais (e possivelmente têm MUITO a MENOS) do que EU, que sou cidadão-eleitor do governo que governa o Brasil, eleito em eleiçõs democráticas.

Por quê? É proibido vencer eleições no Brasil?! [risos] A senhora acha que seja 'pouco ético' o meu candidato ser eleito e ter opiniões diferentes das suas opiniões?! [risos, muitos]

É minha opinião sobre a sua opinião na coluna de hoje: respeito a sua opinião, mas (i) ela é apenas a sua opinião PESSOAL; e (ii) a sua opinião pessoal não coincide, de modo algum, nem com qualquer 'verdade-absoluta'. E a sua opinião pessoal tampouco coincide, 'naturalmente', não, de modo algum, com a MINHA opinião pessoal.

Por que a senhora tem coluna de jornal para fazer propaganda da SUA opinião pessoal e eu -- CIDADÃO e ELEITOR -- não tenho coluna de jornal para fazer propaganda da MINHA OPINIÃO? Pois fique sabendo que a MINHA OPINIÃO PESSOAL coincide completamente com a opinião do presidente Aldo Rebelo, não com a sua, no assunto que a senhora comenta hoje.

Aproveito para dizer que minha opinião TAMBÉM coincide COMPLETAMENTE com a opinião do presidente Lula, para quem sempre houve corrupção no Brasil e é completamente impossível erradicar a corrupção, no Brasil, logo do primeiro governo popular que o Brasil elege, em 500 anos. Acho também que a erradicação da corrupção já começou.

Acho, afinal, que é a erradicação da corrupção, não a existência da corrupção, que está ENLOUQUECENDO tanta gente, a começar pelo horrendo senador Bornhausen, FHC et allii.

Ou, quem sabe... a senhora está pensando que os horrendos senador Bornhausen, FHC ou ACM-Kid só souberam 'de corrupção'... pela entrevista que a Lo Prete deu ao Roberto Jefferson, anteontem?! [risos, muitos].

Lula é muitos! Lula 2006!

[assina] Caia Fittipaldi (dos Lingüistas Brasileiros para a Democracia/ Universidade Nômade / Campanha “Nenhum Brasileiro sem Resposta-na-ponta-da-língua, pra Responder à Folha de S.Paulo" / Tricoteiras Unidas / Mães do Planalto / Gaviões da Fiel.) [Msg composta com msg de vários campanhistas. Para vários destinatários, campanhistas e outros]

PS. A senhora sabe quem é um tal de "Montenegro", de que o horrível Jô Soares sempre fala, sempre que aparece lá, naquela rodinha, uma "D. Ana Maria Tahan", editora do Jornal do Brasil-aí e SUPER cacarejante?
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América Latina 2006

O ano de 2006 já começou para a América Latina, com a eleição de Evo Morales como presidente da Bolívia, o acontecimento mais importante da história desse país e um das mais importantes do continente. O longo ciclo de dez eleições presidenciais segue com o segundo turno da eleição chilena, em que deve se confirmar - embora com dificuldades - a eleição de Michele Bachelet como primeira mulher presidente do Chile, dando continuidade ao quarto mandato seguido da aliança entre os socialistas e os democrata-cristãos.
Se a eleição da Costa Rica, em fevereiro, não deve apresentar novidade, a do México, em julho de 2006, em um único turno, promete ser das mais importantes do ano, junto com a brasileira. Depois de ter tido sua vitória literalmente roubada - segundo confissão nas memórias do ex-presidente, Miguel de la Madrid, do PRI -, em 1988, de Cuahutemoc Cardenas, o Partido da Revolução Democrática (PRD) é de novo favorito para eleger o presidente do México.
O ex-governador do Distrito Federal, Andrés Manoel Lopez Obrador, está em primeiro lugar nas pesquisas, na frente de um ex-ministro do presidente Vicente Fox, do PAN, e do mesmo candidato do PRI que concorreu na eleição anterior. Caso ganhe Lopez Obrador, se ampliará o campo de alianças para a integração latino-americana. Mesmo sem sair do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, o hoje candidato do PRD se aproximaria do Mercosul e dos outros projetos de integração continental, aumentando ainda mais o isolamento dos EUA na América Latina.
Na Colômbia, depois de conseguir uma reforma eleitoral que introduziu a reeleição, o conservador Álvaro Uribe é favorito para seguir no governo, com o apoio irrestrito do governo de Bush, intensificando a guerra contra as organizações guerrilheiras, embora a oposição a seu governo tenha crescido, a ponto de ele ter perdido um plebiscito e nas eleições municipais tenham sido eleitos candidatos opositores, inclusive na capital, Bogotá.
No Peru, um candidato nacionalista surpreende e se aproxima de uma candidata empresarial, conservadora, que até ali liderava as pesquisas, na eleição presidencial de abril de 2006. Na Nicarágua, a os sandinistas tem uma nova oportunidade de retornar ao governo, seja na versão oficial de Daniel Ortega, seja na dissidente do prefeito de Manágua, Herty Lewites.
A eleição equatoriana, de outubro é uma incógnita. Depois de eleito com o apoio dos movimentos camponês e indígena daquele país, antes mesmo de tomar posse Lúcio Gutierrez assinou, nos EUA, acordos com o governo estadunidense que feriam diretamente sua própria plataforma eleitoral. Não demorou para que esses movimentos rompessem com o governo, pagando no entanto o preço de não haver construído sua própria alternativa, dividindo-se, com alguns setores minoritários permanecendo no governo. O quadro eleitoral ainda não está desenhado, mas os partidos tradicionais, que tiveram depostos seus últimos três presidentes eleitos por mobilizações sociais, podem voltar ao governo.
No Brasil se decide muito do futuro da América Latina. A política externa brasileira colocou o país como eixo de uma ampla aliança, que vai de Cuba e da Venezuela por um lado, até a Argentina e o Uruguai, incorporando agora certamente a Bolívia. A continuidade dessa política permitirá, agora com um campo mais amplo de ação - incluindo a Bolívia e eventualmente o México e o Peru - permitirá consolidar o única espaço de integração em escala internacional com autonomia em relação aos EUA. Um eventual retorno da aliança tucano-pefelista representará não apenas uma eventual desarticulação dessa aliança ampla, com a desaparição do seu eixo, como significará, para os EUA, a conquista de um aliado importante, que romperá seu isolamento, depois que o fracasso do governo de Vicente Fox fez fracassar a aposta que faziam no ex-gerente geral da Coca-Cola como seu principal aliado no continente.
As declarações de FHC, saindo de reuniões em Washington, com próceres do governo dos EUA, criticando a Venezuela, soam como música aos ouvidos do governo Bush e revelam o papel que essa aliança direitista teria num eventual retorno ao governo, no plano internacional. Os alvos principais da política externa seriam os ataques à Venezuela, a Cuba e à Bolívia, para isolá-los, assim como à Argentina - onde Nestor Kirchner tem boa chance de se reeleger, em abril de 2007, fechando o ciclo eleitoral aberto em dezembro de 2005, o mesmo acontecendo com Hugo Chávez, em dezembro de 2006.
O certo é que a América Latina será outra depois desse ciclo eleitoral, mais integrada e progressista ou dividida e conservadora, com o fortalecimento do governo Bush no continente. É um ano longo, que vai de dezembro de 2005 até abril de 2007, em que as eleições do México e - principalmente - do Brasil, serão as mais decisivas.

Emir Sader

sábado, dezembro 24, 2005


Sobre VINICIUS TORRES FREIRE. 12/12/2005. "Aaaah, Rooomeeeu!". Folha de S.Paulo, na edição impressa, p. 2 e na Internet, em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1212200504.htm
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É tão espantosa a ginástica que Vinicius Torres Freire fez, ontem, na página 2 da Folha de S.Paulo, para autorizar-se a escrever o que escreveu, que resolvemos começar por tentar saber quem, afinal, é VTF.
Da página da FSP, obtivemos a seguinte biografia: “Vinicius Torres Freire nasceu no Rio de Janeiro em 1965. Estudou ciências sociais e letras na USP, foi pesquisador visitante da Universidade da Califórnia (San Diego) e faz MBA em finanças. Começou no jornalismo no "Jornal da Tarde", em 1985, resenhando livros. Trabalhou na Editora Abril, no "Estado de S.Paulo", e foi, sucessivamente, editor de Educação, editor de Ciência, correspondente em Paris, editor de Opinião e editor de Economia da Folha. Atualmente, é secretário de Redação. Assina, às segundas-feiras, uma coluna na seção Opinião.” (Ontem, segunda-feira, assinou a coluna que estamos comentando.)
A biografia explica alguma coisa: nascido em 1965, VTF poderia ter freqüentado a USP na segunda metade dos anos 70 – auge da ditadura, quando nem USP havia, bem feitas as contas.
Depois, foram as tais “pesquisas” em San Diego, que não se sabe quais foram e podem ter ido, na década dos 80, de Maria Callas à Ku-Kux-Klan, entidades muito ativas na California, naquela década, às vezes in memoriam, às vezes ao vivo. Fossem quais fossem as tais “pesquisas” que VTF fez por lá, se fossem ou parecessem importantes para alguma finalidade que melhorasse as coisas para VTF, elas estariam mais detalhadas, no currículo que a FSP divulga para anunciantes em potencial. Sem nenhum detalhamento, no currículo de propaganda, não há dúvida possível: as “pesquisas” que VTF fez na California, na década de 80 ou de 90, bem explicadas, foram nada. “MBA em finanças” e nada, também são parentes próximos, e sempre foram, também em tempos pré-Schwarzzeneger, na California.
Mas o pior de tudo, nesse currículo de VTF, é que NADA do que se lê no currículo de VTF, até aqui, faz, forma, constrói um jornalista. A USP, nos anos 70? Não fez, formou, construiu jornalistas. “Resenhar livros”? Certamente essa atividade jamais fez, formou, construiu qualquer jornalista decente, no planeta.
O resto da biografia-produto de VTF vai pelo mesmo caminho e continuamos sem saber de onde, afinal, viria a competência pressuposta e, ontem, autoproclamada, para que VTF ‘decidisse’ – e a FSP publicasse, ontem, em espaço nobre – a sentença condenatória de algum nosso total avacalhamento brasileiro nacional congênito irremissível.
Até aqui, a coluna de VTF, ontem, seria só bobagem sobre bobagem – e chata, e mau-humorada e, afinal, pura grosseria e spleen à moda California-Schwarzzeneger. Mas pode haver mais, do pior.
Por que citar Roberto Schwarz, mas trair toda a essência crítica progressista do pensamento desse que é, provavelmente, hoje, o mais importante pensador brasileiro – e marxista e petista?
Pra início de conversa, Roberto Schwarz JAMAIS escreveu o que VTF escreve que ele teria escrito. Absolutamente nunca escreveu – não, sem dúvida alguma, absolutamente NÃO – no propósito de avacalhar o Brasil, que VTF tentou impor-lhe, na coluna de ontem. Mas Roberto Schwarz escreveu outras coisas, precisas e claras, que, essas, dificilmente ‘ajudariam’ VTF. Dentre centenas de outras, por exemplo, colho uma, que Roberto Schwarz escreveu em 1982 (há 23 anos, provavelmente enquanto VTF desmesurava-se, em San Diego, California, nas tais “pesquisas”). Enquanto VTF estudava só Deus sabe o quê, em San Diego, California, Roberto Schwarz já ensinava, com clareza solar – e em lição dirigida ao Partido dos Trabalhadores:
“A verdade é que a conquista de uma cultura democrática hoje não depende só de lutas econômicas e políticas, mas também da invenção – e a palavra invenção está aqui de propósito, para sublinhar a novidade do problema – da invenção de uma política democrática em relação aos meios de comunicação de massa. É certo que eles são inimigos do trabalhador, na medida em que servem o interesse do capital (...). Mas serão também um elemento de vida e um aliado indispensável, pois sem eles é impensável a democracia na escala presente. Portanto, é preciso lutar pelo acesso a eles, conhecê-los e estudá-los”.[1]
Depois, na coluna de VTF, hoje, é O Bandido da Luz Vermelha – que ninguém supõe que tenha sido lembrado, por VTF, por ter sido Acácio Pereira e morrido louco. VTF tenta é fazer-se de Paulo Vilaça, talvez, de Sganzerla.
Mas, outra vez, o que há de importante só aparece aqui, apenas, para que a frase do bandido possa ser travestida como ‘diagnóstico’... e ‘reaproveitada’ por VTF. O escandaloso projeto de chingar o Brasil, os brasileiros e todos os eleitores do Presidente Lula, nessa coluna de VTF, serve-se do filme, como máscara, para que o próprio VTF permaneça oculto.
Como fez, ao tentar usar Roberto Schwarz, também aqui VTF tenta construir alguma máscara metida a ‘inteligente’, que o esconda, que o camufle. E outra vez, como antes, VTF deixa o próprio rabo (fascista) de fora.
Em comentário de insider que – esse sim! – viu o filme, diz Carlos Ebert, câmera de “O Bandido”:
“O Bandido da Luz Vermelha é Ademar de Barros, Chateaubriand, Rádio Nacional, Hora do Brasil, Patrulha da Cidade, O Cruzeiro, Imprensa Marron (...)” [2]
Quer dizer, curto e grosso: o bandido-de-verdade é Vinicius Torres Freire, outra vez! E otário! E deu bandeira! [risos] Sganzerla vive! Paulo Vilaça vive!
E, afinal, chegamos à Julieta de Grande Otelo, em chanchada de 1949, que dá título à coluna de VTF, ontem, tão deslocada e extemporânea que chama a atenção. Afinal, se já VTF fez o que fez com (i) Roberto Schwarz; (iii) com Sganzerla; (iv) com “O Bandido da Luz Vermelha” (o filme); e com 40 anos de cultura crítica, no Brasil... o que não faria com uma... chanchada de 1949?!
Por que a Julieta de Grande Otelo, aos berros, no título da coluna? Por que não, por exemplo, uma Julieta Hebe Camargo, de um Romeu Ronald Golias – também excelentes Shakespeare de chanchada e televisão e, esses, de 1967-70, anos que, afinal, teriam mais a ver com o período que VTF finge que comenta?
A resposta a essa pergunta veio de um de nossos campanhistas. E teve, pra todos nós, o poder de convencimento que tem o horror sem nome, quando aparece antes aos olhos só de um, o mais atento ou, apenas o menos covarde. A resposta foi horrenda, porque, afinal, ela nos envergonha todos – jornal, jornalistas e leitores que não protestem.
Na roda de conversa sobre a coluna de VTF, hoje, quando a pergunta foi: “Mas por que, diabos, VTF meteu Grande Otelo, aí, nessa farsa fascista que ele construiu, tão desavergonhadamente?” a resposta veio tímida, envergonhada, não de sua lucidez, mas de ver o que via: “Porque Grande Otelo é negro.”
Parece impossível, eu sei, parece super-interpretar, parece forçação de barra. Não é.
É impossível evitar essa conclusão: Vinicius Torres Freire incluiu Grande Otelo nessa peça inacreditável de jornalismo fascista – de jornalismo militantemente racista – e que a Folha de S.Paulo publicou ontem, porque Grande Otelo é negro.
Na operação skin-head-brucutu, de jornalismo de pitt-bull-boy pirado, de inventar um avacalhamento nacional brasileiro congênito, irremissível, Vinicius Torres Freire ‘selecionou’ um negro brasileiro – um grande artista negro brasileiro –, para expô-lo como 'ridículo exemplar', como 'monstro de feira'.
Deve ter parecido metáfora precisa e perfeita, para Vinicius Torres Freire; que o ajudaria a dizer o que queria dizer aos leitores da Folha de S.Paulo, Brasil, dia 13/12/2005: “todos vocês, eleitores do presidente Lula, no Brasil 2005, são burros, por condenação 'aristocrática'; são pobres, por condenação 'moral'; e são pretos, por condenação racista”. Nós! Todos nós, os mais de 60 milhões de eleitores do presidente Lula, no Brasil... fomos ‘condenados’ por Vinicius Torres Freire, na Folha de S.Paulo, em São Paulo, Brasil, 2005! Em números, dá mais condenações do que na Alemanha de Hitler!
Para a felicidade da democracia brasileira, todos os fascismos são sempre o mesmo fascismo; e, tendo de ser construídos, como hoje, no Brasil, por imprensa-empresa partidarizada e completamente acanalhada, todos os fascismos têm de vir à tona, necessariamente; e aparecem. Onde apareçam, podem ser denunciados. O resto é trabalho.
Tudo, portanto, só, e cada vez mais... golpismos e golpismos, no Brasil-2005.
O presidente Lula, mais uma vez, acertou perfeitamente.
Lula-2006! Dirceu vive!
[assina] Caia Fittipaldi (dos Lingüistas Brasileiros para a Democracia/ Universidade Nômade / Campanha “Nenhum Brasileiro sem Resposta-na-ponta-da-língua, pra Responder à Folha de S.Paulo" / Tricoteiras Unidas / Mães do Planalto / Gaviões da Fiel)
[para vários destinatários, campanhistas e outros]
NOTAS:
[1] SCHWARZ, Roberto. 1987. Política e Cultura (subsídios para uma plataforma do PT em 1982). Que horas são?. São Paulo: Companhia das Letras, pp. 83-85.
[2] Depoimento de Carlos Ebert, câmera de “O Bandido da Luz Vermelha”. Revista Contracampo n. 61, na Internet, em http://www.contracampo.com.br/61/depoimentoebert.htm

CURTAS E BOAS

- Aumento do emprego formal faz Previdência bater recorde de arrecadação. O aumento do emprego com carteira assinada fez a arrecadação da Previdência Social bater recorde no mês de novembro, quando somou R$ 9,044 bilhões, com crescimento de 3,4% no mês e de 11,6% em relação a novembro do ano passado.
- Desemprego em SP é o menor desde 2001Pesquisa divulgada pelo Seade/Dieese mostra que, em novembro, foram criados 86 mil postos de trabalho na região metropolitana de São Paulo.
- Petrobras bate 10º recorde histórico do ano. A Petrobras informou em nota que registrou uma produção recorde de 1,857 milhão de barris por dia. O desempenho é cerca de 23 mil barris a mais do que no último recorde da estatal, obtido em 23 de junho deste ano. O resultado representa também um aumento de 5,8% em relação ao último recorde mensal de produção, registrado em junho deste ano, de 1,755 milhão de barris/dia, e 10,7% maior do que a média de 2005 ate novembro.
- IGP-M anual deve ser o mais baixo da história, prevê FGV. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) teve queda de 0,06% no período entre os dias 21 de novembro e 10 de dezembro. No mês anterior, os preços apurados pela Fundação Getulio Vargas subiram 0,25%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação medida pelo índice é de 1,16%. Segundo o economista Salomão Quadros, o IGP-M deve encerrar 2005 com o menor patamar de inflação acumulada já verificado na história do indicador, que começou a ser calculado em 1989. A menor taxa foi registrada em 1998, quando o índice atingiu 1,78%. Vale lembrar os últimos índices de inflação:
2002 (FHC) – 12,5% 2003 (Lula) – 9,3% 2004 (Lula) – 7,6% 2005 (Lula) – pouco mais de 5%
Juro ao consumidor é o menor desde 94Taxa média caiu 1,3 ponto percentual em novembro.

- Bolsa estiagem começa a ser paga a 99 mil agricultores. O Bolsa Estiagem (R$ 300,00) começou a ser pago dia 21 para os agricultores de Mato Grosso do Sul e do Nordeste (menos o Maranhão) que se inscreveram para receber o Auxílio Emergencial Financeiro do governo federal. O Bolsa Estiagem é parte do Programa de Resposta aos Desastres, mantido pelo Ministério da Integração Nacional em parceria com o Desenvolvimento Agrário. Os beneficiários são agricultores que perderam no mínimo 50% das lavouras, que têm renda mensal média de até dois salários mínimos e que moram em municípios com decretos de situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal. O objetivo do Bolsa Estiagem é diminuir os prejuízos causados pela seca aos agricultores que não tiveram acesso a nenhum outro programa assistencial do Ministério do Desenvolvimento Agrário, como, por exemplo, linhas de crédito.
Governo Federal aposta no Ensino Tecnológico. Os Cursos Superiores de Tecnologia são cursos de graduação com tempo de duração variando entre dois e três anos. Este fator possibilita aos estudantes ingressarem antes no mercado de trabalho. Em entrevista à Folha Dirigida (jornal destinado a interessados em concursos públicos), o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Eliezer Pacheco, declarou: “ até uma semana atrás estávamos impedidos de criar novas escolas, já que o governo anterior não só não investiu neste nível de ensino, através da rede federal, como criou uma legislação proibindo novas escolas. Estamos construindo para 2006, pelo menos, 32 escolas profissionais no país, sendo que destas 32, dez delas serão construídas até o final do primeiro semestre do próximo ano para que já funcionem no segundo semestre. Inicialmente, elas estarão naqueles Estados em que, apesar de haver ensino profissional no Brasil há 90 anos, não têm nenhuma escola, seja no setor industrial ou agrícola: Acre, Amapá e Mato Grosso do Sul.” O critério para a construção das novas escolas: periferias das regiões metropolitanas e regiões com mais altos índices de exclusão social.

jotaamorim

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sexta-feira, dezembro 23, 2005











Abraço companheiro em todos vocês que não deixaram essa bandeira cair.
Generosidade e curiosidade sempre...

Adauto Melo
Grupo Beatrice
http://grupobeatrice.blogspot.com/
Exposição Arte de Cuba

Local: CCBB de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília
Data: 30/01/06 a 23/04/06 - SP15/05/06 a 16/07/06 - RJ31/07/06 a 15/10/06 - BrasíliaPatrocinador: Banco do BrasilRealizador: CCBBCoordenador: Rodolfo AthaydeCuradora: Ania RodriguezProdutora Clarice Magalhães

A exposição Arte de Cuba reunirá as mais significativas obras das artes plásticas cubanas do século XX até hoje. Um amplo panorama do movimento modernista cubano, seguido dos representantes das gerações dos anos 60, 70 e 80 e uma rigorosa seleção de obras de artistas cubanos contemporâneos, internacionalmente reconhecidos , formarão o total da mostra.
Ao longo do século XX, a arte cubana viu-se marcada pela experimentação e diversidade das expressões. A curadoria escolheu três linhas temáticas gerais que resumem diversas tendências e a partir delas organiza o conjunto da mostra:
- A busca das raízes da cultura cubana- Experimentação com a linguagem plástica- Compromisso social do artista
Os anos 20 marcam a entrada do modernismo nas artes plásticas cubanas. É um momento de maturidade e coerência coletivas, também marcado pela aparição de importantes individualidades. Junto às preocupações de renovação formal da prática acadêmica, aparece o interesse pela representação da identidade nacional.
No ano 1927, a Exposición de Arte Nuevo resume as novas intenções da arte no período. Um dos artistas participantes dessa mostra, Víctor Manuel, passaria a ser emblemático para a análise do período. A exposição mostrará as obras dos artistas mais significativos dentro desse período de surgimento da arte moderna em Cuba. Todos expressivos da pluralidade desse momento, no qual tendências, estilos e interesses variados determinam a riqueza e fertilidade da época.
A partir da assimilação da linguagem do modernismo europeu, esses artistas constroem um imaginário cubano. A necessidade de representar paisagens, costumes, rostos típicos e expressivos do "cubano" aparece em cada obra. Remontam-se então ao interior cubano e à figura do "guajiro" como arquétipo do autêntico nacional. Nesta tendência se destacam nomes como Gattorno, Abela, Carlos Enríquez, entre outros.
No final dos anos 30 já está consolidada a modernidade plástica em Cuba. Novos artistas integram a cena cultural cubana, unidos na procura de uma expressão cubana dentro da modernidade artística de Ocidente.
Algumas mudanças acont ecem nesses anos. A pintura de tema político e social perde a força de anos anteriores. O "criollismo" interessado em temas rurais se orienta em outras direções, o afrocubanismo vanguardista, expressado na representação de cenas vernáculas, de música e dança, ganha outra dimensão com a aparição de figuras como Wifredo Lam ou Roberto Diago, criadores de novas iconografias, distante de visões pintorescas ou bucólicas.
Wifredo Lam o artista cubano que maior reconhecimento internacional obteve, e é um dos grandes destaques da exposição. Seu contato em Europa com a arte africana, com os cubistas e, de modo mais definitivo, com os surrealistas, o faz voltar os olhos à sua terra na busca das expressões autênticas da ilha.
Sua re-descoberta da poesia interna das manifestações afrocubanas é refletida em obras que sintetizam o que Carpentier chamara de "o real maravilhoso".
Os anos 50 são marcados pelo signo da abstração. Em Cuba, a arte tenta fugir das expressões "locais" que marcaram e identificaram as pretensões de anos anteriores, para assumir uma linguagem internacional, universal. Luis Martinez Pedro, um dos artistas que mais rápido assume a abstração obteve em 1953 é premiado na Bienal de São Paulo. Nesse mesmo ano se cria o grupo Los Once, que trabalhará o expressionismo abstrato e mais tarde o grupo Diez Pintores Concretos.
Desde linguagens diversas, e a partir de perspectivas também diferentes, foram refletidas na arte as mudanças que se iniciaram com o processo revolucionário. Os anos 60 foram de grande liberdade formal e cada artista refletiu ao seu modo a vivência da Revolução, longe de dogmas estéticos ou ideológicos. A linguagem pop, o expressionismo, o hiperrealismo, definem algumas das tendências da época. Destacam-se nesse momento, entre outras, as figuras de Raúl Martinez, Servando Cabrera, Antonia Eiriz.
Com a criação da Escola Nacional de Arte, surge uma nova geração de artistas, cuja produção tem relações diretas com temas tão diversos como as tradições camponesas, o realismo social ou as mitologias afrocubanas. O que une as obras de Pedro Pablo Oliva, Zaida Del Rio, Roberto Fabelo, Tomás Sánchez é aquela perspectiva lírica, intimista, pessoal presente em seus trabalhos.
Mas a arte igualmente foi reflexo das profundas contradições da sociedade e, a partir dos anos 80s, momento em que também ocorre uma revisão dos paradigmas estéticos, assume uma postura crítica ante a realidade. Impõe-se a arte conceitual como meio de estruturar esse discurso comprometido com o questionamento de temas como a emigração, a ideologia ou a iconografia revolucionária.
O âmbito das artes plásticas erige-se como uma área de tolerância, que permite aos artistas tratar livremente temas polêmicos. Em suas instalações, fotografias, gravuras, são recorrentes as representações da ilha, dos heróis, da bandeira, não para cantar as glórias do processo histórico vivido, mas para revistá-lo com olhar crítico.
Hoje, ante um complexo panorama nacional, a arte cubana se debruça ante o dilema de fugir da tentação da crítica banal. Sem perder o sentido reflexivo que sempre acompanhou à criação plástica, os artistas encontram meios mais sutis e universais de expressar suas preocupações, em pro de uma representação de dilemas contemporâneos.

terça-feira, dezembro 20, 2005



IMPRENSA TUCANA, JATINHOS E PESCARIAS...

Governo paga jato dos Maiorana
Valor do contrato entre Governo e ORM permite compra de avião.
É difícil calcular com precisão o quanto o governo do Estado já pagou às Organizações Rômulo Maiorana (ORM) pelo fretamento do único jatinho executivo da empresa de aviação do grupo Liberal. As estimativas ultrapassam os R$ 10 milhões, conforme as variantes dos contratos levadas em conta. O negócio, que começou em 2001, na gestão do ex-governador Almir Gabriel e perdura até hoje, revela-se milionário - graças à assinatura de sucessivos termos aditivos, prorrogando o contrato original. Qualquer empresa do setor adoraria ter essa conta. O contrato é tão vantajoso que a ORM Táxi Aéreo Ltda, sem tradição nenhuma no setor - fundada somente para assumir os serviços de fretamento de aeronaves executivas do governo - já trocou o seu único jato. Saiu o Citation Bravo, de US$ 5 milhões e entrou, em junho deste ano, o Citation Excell XLS, de US$ 10 milhões, mais confortável e com tecnologia mais avançada.Ao assumir o serviço de fretamento de jatos executivos do governo do Estado, a ORM Táxi Aéreo Ltda. não só desbancou, sem concorrência pública, uma tradicional operadora, a Sociedade de Táxi Aéreo Weston, como conseguiu vender seus serviços a preços muito mais caros do que aqueles habitualmente pagos pelo Estado. Basta uma leitura de atos relativos a essa questão, publicados no Diário Oficial do Estado (DOE), entre 2000 e 2005 para que se constate esse prejuízo aos cofres públicos. A única aeronave da ORM Táxi Aéreo Ltda. deveria prestar serviços contínuos de vôos ao governo do Estado, durante a vigência dos contratos firmados entre ambos, para fazer jus aos R$ 650 mil que têm embolsado, em média, a cada três meses, desde que ganhou o generoso contrato. No contrato firmado, a empresa recebe do governo essa quantia independentemente de ter ou não voado a serviço de Jatene. Em cada deslocamento, o quilômetro voado custa R$ 27,00 e se o custo total da quilometragem apurada no período do contrato ultrapassar os R$ 650 mil, a diferença é cobrada. Entretanto, se o avião voar menos do que o estimado, a fatura não sofre nenhum desconto, garantindo o faturamento mínimo contratado. Comparando-se esses valores com os praticados no mercado, fica evidente o superfaturamento. A TAM presta esse mesmo tipo de serviço de aluguel de jatinhos executivos a um custo bem menor, de R$ 15,00 o Km voado para uma aeronave com a mesma capacidade de passageiros. Ou seja, o valor pago a ORM Táxi Aéreo é quase o dobro desse valor. Para se ter uma idéia dessa ação entre amigos, uma viagem entre Belém e São Paulo - ida e volta - com cerca de 6 mil quilômetros, não sai por menos de R$ 162 mil na ORM Táxi Aéreo. Na TAM, o custo cai para R$ 90 mil. Mas o único jatinho da ORM Táxi Aéreo nem sempre está a serviço do governo do Estado. Não raro, o avião do vice-presidente do grupo ORM, Rômulo Maiorana Júnior, rasga os céus da Amazônia levando-o com grupos de amigos a badalados balneários e outros pontos do país e até do exterior. Mas não se pode dizer que o governador Simão Jatane não sabe usufruir do contrato com os Maiorana. Vez por outra, ele vai a S. Paulo e a Brasília no jatinho.Mas não é só. Pescador diletante, o governador costuma também usar o avião dos Maiorana para chegar à estação de São Benedito, no Mato Grosso. Se quisesse poderia usar os cinco aviões do Governo do Estado (um Xingu, um King Air, uma Caravan, um Baron e Sertanejo) estacionados em Val-de-Cans.Nessas pescarias, relata um piloto, Jatene desloca o King Air para levar a sua tropa precursora. O avião volta e leva alguns secretários de Estado; e depois retorna para levar parentes do governador. O governador toma o jatinho das ORM até Alta Floresta (MT) e segue de lá no King Air. A operação se repete para trazer de volta o nobre pescador e sua trupe. Uma farra com o dinheiro público.Estimativas conservadoras, com base no que está publicado no DOE indicam que o governo do Pará praticamente bancou todo o custo de aquisição do jatinho executivo dos Maiorana. Isso reforça o caixa dos membros do grupo de comunicação que, desde que Almir e Jatene assumiram o governo, vêm faturando cerca de 18 milhões por ano, ou seja, dois terços dos gastos do governo estadual com publicidade. Em 2005, o orçamento do Estado para propaganda foi de cerca de 26 milhões de reais.

Contrato do Governo com ORM teve vários aditivos
É difícil precisar, porém, quanto apenas o avião rende ao vice-presidente das ORM. Os contratos e seus constantes aditivos estão propositadamente camuflados no DOE, dificultando uma visão exata do assunto. O governo, por ser coisa pública, e a ORM Táxi Aéreo, por ser a empresa de prestação do serviços, tinham obrigação de esclarecer à opinião pública o contrato celebrado entre eles, ao invés de guardarem-no sob sete chaves. Seja como for, o caso tem gosto e cheiro de escândalo. O jatinho anterior, de prefixo PP-ORM, comprado pelo vice-presidente do grupo, Romulo Maiorana Jr., para as suas viagens de lazer e negócios, começou a ser contratado pela Casa Militar da Governadoria do Estado (CMG) em 31 de outubro de 2001, sem licitação. O governo, ainda sob o comando de Almir Gabriel (PSDB), foi representado pelo então chefe da CMG, coronel João Paulo Vieira da Silva, atual comandante da Polícia Militar. O Estado se comprometeu a pagar R$ 850 mil pelos três meses de vigência do contrato que terminou em 1º de fevereiro de 2002. Isso representou um pagamento mensal de R$ 283.333,00 e caracterizou mais uma ação entre amigos. Até então, o serviço de fretamento de jatinhos executivos ao governo do Estado vinha sendo prestado pela Sociedade de Táxi Aéreo Weston. Esta empresa, subitamente, caiu em desgraça junto ao chefe da CMG, encarregado dos contratos de fretamento de aeronaves e até da dispensa de licitação para a contratação de tais serviços. Pelo DOE, é possível se fazer uma comparação entre o contrato com a empresa Weston e a ORM Táxi Aéreo. Em 10 de agosto, o governo do Estado, representado pelo coronel Vieira, assinou o termo aditivo nº 001/00 CMG, com a Weston, no valor de R$ 263 mil, sobre um contrato que entrou em vigência no dia 13 de junho 2000 e terminou no dia 13 de setembro do mesmo ano. Esse período é exatamente igual ao do contrato feito com a ORM. Mas, a ORM Táxi Aéreo faturou R$ 850 mil. A primeira demonstração de poder da nova empresa do ramo da aviação junto ao governo do Estado ocorreu em 31 de outubro de 2001, com o contrato de R$ 850 mil (nº 05/01 CMG). Esse contrato teve vigência até 1 de fevereiro de 2003 e só foi rescindido em 28 de fevereiro de 2003, em ato assinado pelo coronel Vieira e pelo diretor das ORM, José Luiz Sá Pereira.Essa revogação permitiu ao governo do Pará abrir licitação para contratar serviço de fretamento de aeronaves de seis lugares, com toalete a bordo e outras exigências que se encaixavam como uma luva no tipo de jatinho executivo do vice-presidente das ORM, que, evidentemente, ganhou a licitação para um contrato de 120 dias, com faturamento de R$ 650 mil.O contrato foi renovado em 30 de outubro de 2003, pelos mesmos R$ 650 mil, com validade até 02.03 de 2004. Esse contrato foi aditivado em 1º de junho e em 1º de novembro do mesmo ano, por igual valor, passando a vigir até 1º de março de 2005. Ou seja, somente no governo de Simão Jatene, o contrato já foi renovado pelo menos três vezes. E assim vem sendo mantido seguidamente. Somente em 2004, segundo extrato da unidade gestora 110106 do gabinete do governador - Casa Militar, obtido pelo DIÁRIO, Jatene pagou à ORM Táxi Aéreo,o valor de R$ 1.537.386,21, o que projeta, no mínimo, mais de R$ 6 milhões saídos dos cofres públicos para a empresa do grupo Liberal durante a atual gestão tucana.O caso era ainda mais grave no governo de Almir Gabriel. O tucano pagava aos Maiorana pelo jatinho o valor de R$ 850 mil trimestralmente, o equivalente a R$ 3,4 milhões por ano, sem deter a exclusividade de uso da aeronave. Durante os dois governos tucanos, os Maiorana vão embolsar com o aluguel do avião usado pelo governador e seus secretários, no mínimo, R$ 10 milhões. Com essa dinheirama, o governo do Pará poderia comprar um jato executivo. Mas o ex e o atual governador preferiram o caminho do favorecimento aos amigos do grupo Liberal, como já havia ocorrido com o convênio firmado entre a Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa) e o mesmo grupo de comunicação. Numa operação inimaginável, o Estado paga ao grupo Liberal para que use as repetidoras de propriedade do governo do Estado. As ORM recebem cerca de R$ 10 milhões por ano. Uma gritante inversão de papéis: é como se o inquilino recebesse aluguel do dono do imóvel, ao invés de pagá-lo.

NEGÓCIO DA CHINA
Se o governo tivesse o seu próprio jatinho, poderia fazer uma boa economia nas viagens que tanto o governador quanto seus secretários mais próximos realizam pelo mundo afora, como aquela, entre 17 de janeiro a 3 de fevereiro deste ano. Jatene e três secretários - Paulo Chaves (Cultura), Ramiro Bentes (Indústria e Comércio) e Adenauer Góes (Turismo) - se deslocaram, “a serviço do Estado”, de Belém para Caiena, capital da Guiana Francesa, no jatinho das ORM. De Caiena, cada qual com a sua própria mulher, seguiu em avião de carreira até Paris, a ainda sedutora capital francesa, e, depois, a Madri, capital da Espanha. Rominho, como é mais conhecido o vice-presidente das ORM, adquiriu o jatinho pelo sistema de leasing, com parcelas em torno de US$ 80 mil por mês, ou R$ 180 mil, praticamente equivalente ao valor mensal do fretamento do avião pelo Estado. O Estado passou a pagar também as despesas com manutenção, hangar e tripulação. No final do governo de Almir Gabriel, o primeiro avião das ORM estava praticamente pago graças ao dinheiro público. Com a continuidade do contrato, o novo e moderno Citation Excell XLS também será pago com o suado dinheiro do contribuinte paraense.

Diário do Pará

Um agradecimento especial para a companheira Jussara que manteve o blog atualizado desde o dia 12.12.

Essas coisas de companheiro pra companheiro que só a gente sabe o que é...

segunda-feira, dezembro 19, 2005

OS ILIBADOS

Desafio os deputados que batem no peito com a famosa "sou homem de bem"a fazer o mesmo que o Dr.Rosinha do PT. Será que Rodrigo Maia, Aleluia, Acminho grampinho, Eduardo Paes, Onyx Lorenzoni, Zulaiê Cobra, e outros que dizem ter moral ilibada, que atacam ferozmente o governo Lula, abririam mão de seus salários extra? Eles não estão cometendo uma ilegalidade, pois consta no regimento interno da Câmara esse absurdo que eles aprovaram, mas estão cometendo uma imoralidade, uma safadeza, uma grande canalhice. Mudar as regras do regimento interno acabando com essa safadeza, isso nem passa pelas cabecinhas desses safados. Diminuir o tempo de férias, acabar com essa orgia salarial, diminuir as mordomias, nem pensar! Que moral eles tem para cassar outros deputados, que usaram caixa 2 de dinheiro emprestado de bancos, quando eles promovem um veradeiro assalto aos cofres públicos?



Deputado recusa salário e vira alvo de piadas



Câmara
Florisvaldo Fier, o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), recusa-se a receber os dois salários adicionais (R$ 25.600) da convocação extraordinária. Ele contou ao blog que se tornou alvo de piadas no Congresso Nacional.



- Por que o sr. recusou os dois salários adicionais?

Doutor Rosinha: Nunca recebi. É questão de princípio. Mando ofício pedindo que não seja feito o depósito.

- Todos poderiam fazer o mesmo?

Rosinha: Sim. Todos, sem exceção. A coisa é legal, mas entendo que é imoral. Por isso não recebo.

- Por que é imoral?

Rosinha: Já temos salários demais.

- Quantos salários recebe um deputado?

Rosinha: Doze, mais o 13o salário. Há mais uma coisa chamada convocação e desconvocação do período ordinário. Vai para 15. Com a convocação extraordinária, são mais dois salários. Vai para 17. Se houver convocação no meio do ano, sobe para 19.

-Não acha que os extras deveriam acabar?

Rosinha: Tem um projeto tramitando. O Aldo Rebelo (presidente da Câmara) disse que colocará em votação. Espero que coloque.

- Acha que vai ser aprovado?

Rosinha: Se tiver mobilização da imprensa e da sociedade civil há chances.

- O sr. comunicou à liderança do PT que não iria receber?

Rosinha: Na primeira vez, em 99, pedi reunião da bancada. Não convenci ninguém. Depois disso, nem comunico.

- O sr. se sente como um corpo estranho no Congresso?

Rosinha: Sim. Alguns fazem piada. Nessa semana mesmo, dois deputado vieram brincar. Dizem assim: 'Ah, você não quer? Dou o número da minha conta pra você depositar'. Não gostei.

- Quem brincou?

Rosinha: Não vou falar os nomes. Mas são deputados com certa liderança na Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

domingo, dezembro 18, 2005

O GOLPE DA MÍDIA CONTRA LULA, A FAVOR DO TUCANOS.

A mídia é safada, a mídia manipula informações, a mídia está tentando o golpe contra o governo Lula, a mídia quer o PSDB no governo do país. Muitos vão perguntar porque a mídia quer o PSDB novamente? Porque os donos da mídia fazem parte da elite. Eles escrevem para elite, eles vendem para a elite, e o PSDB governa para elite atendendo o clamor da elite. Vejam que interessante as noticias de hoje, não são matérias de capa, mas deveriam ser, por exemplo, o Toninho Barcelona mentiu quando disse que foi procurado por dois advogados do PT na prisão, não houve visita para ele nesse dia, inclusive houve uma rebelião no dia em que Barcelona diz ter sido pressionado, a rebelião foi atribuída ao próprio doleiro. Ele foi considerado pelo diretor de disciplina um preso de "altíssima periculosidade”. Se fosse o contrário , essa noticia seria manchete para incriminar petistas e o PT. Outra noticia de hoje, “A Prece foi a fundação que teve mais prejuízos entre 2000 e 2005, segundo ranking elaborado pelo deputado ACM Neto (PFL-BA). Só em operações na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), a fundação perdeu R$ 309 milhões -o prejuízo total de 14 fundos analisados foi de R$ 729 milhões.
O período em que as perdas estão concentradas (2003 e 2004) coincide com os dois primeiros anos de Rosinha Matheus (PMDB) à frente do governo do Rio. As conexões de Funaro com o Rio estendem-se também a Anthony Garotinho (PMDB): ele é apontado como um dos operadores do caixa dois do ex-governador -o que ambos negam. Outra noticia curiosa é de que agência de Valério pagou despesas de deputados do DF, e cita o presidente da Câmara Distrital, Benício Tavares (PMDB-DF), e Gim Argello, não citam os outros deputados, e nem quais são os partidos, se fosse o PT seria manchete de capa. Esta noticia do Funaro também seria manchete de capa se ele fosse do PT.Mas ele é ligado com o Garotinho, com o PSDB, não interessa ser manchete. Funaro não nega, no entanto, que é dele o apartamento em que o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mora, de graça, no hotel Blue Tree em Brasília. Cunha é o líder da bancada peemedebista que Garotinho controla, com 20 parlamentares.” Um dos mistérios da CPI é a razão pela qual Funaro já foi convocado, mas até agora não depôs. Ele próprio tem a sua versão sobre a "moleza" da CPI. Diz ser "destemperado" e, se provocado, poderia enlamear políticos de A Z. Em toda a matéria aparecem os nomes do PMDB, PL, PFL, PSDB, do filho do Maluf, mas não aparece citação ao PT então não vai ser manchete nunca. Mas está na chamada da capa que Alckmin diz que pesquisab não define candidatura e que Datafolha mostra aprovação de Serra e do governador. As eleições não são no mês que vem os candidatos não estão definidos pelos partidos, mas a FSP quer antecipar o calendário das eleições, e quer impor a sua vontade, de que seja um candidato do PSDB. Como se não bastasse essas noticias que não são manchetes, eles trazem um entrevista com o Alckmin, já como sendo o candidato oficial, depois mostram os números das pesquisas, com a vantagem do PSDB, que está com todo o apoio da mídia fazendo campanha eleitoral desde o inicio de 2004. Quando o presidente Lula fala que há um GOLPE em andamento, ele está certo, ele tem certeza do que fala, e está tudo ai comprovado que não nos deixa mentir.

Jussara Seixas


sábado, dezembro 17, 2005

VÁLERIO,PSDB, FHC TUDO A VER.


Descoberto esquema tucano no valor de aproximadamente R$ 104 milhões, em valores corrigidos para financiar campanha
O deputado Doutor Rosinha (PT-PR) denunciou esquema montado pelo PSDB dentro da Telecomunicações de São Paulo (Telesp) e da Fundação Jorge Duprat de Figueiredo (Fundacentro) para financiar campanhas tucanas com dinheiro público. Em entrevista à imprensa, ontem, o parlamentar afirmou que a suspeita das irregularidades surgiu depois de uma análise de uma nota técnica divulgada pela assessoria da CPMI dos Correios, feita com dados do Banco Central. A documentação trata da transferência de recursos feita pela Telesp e Fundacentro para a empresa SMP&B, do publicitário Marcos Valério, no período entre 1997 e 1999.

Para Doutor Rosinha, fica claro após a análise que houve uma enorme movimentação de recursos antes da privatização das empresas. "Nos seis meses que antecederam a privatização, a quantidade de dinheiro entregue à SMP&B-SP era enorme, ou seja, eles queriam drenar todos os recursos possíveis, antes de fechar a torneira", disse. Ele disse que os dados mostram uma movimentação da conta da SMP&B, de 1997 a 1999, no valor de aproximadamente R$ 104 milhões, em valores corrigidos pelo INPC até novembro de 2005.

O parlamentar petista ressaltou que a suspeita deve-se também ao fato de que os pagamentos não eram feitos por duplicatas e sim por cheques. Na avaliação de Doutor Rosinha é preciso investigar porque os pagamentos eram feitos por cheque e se os contratos com a SMP&P para prestação de serviços de propaganda e publicidade se deu após licitação pública. "Os dados apontam várias irregularidades que precisam ser apuradas, inclusive não sabemos se o referido serviço contratado foi prestado ou não pela SMP&B", salientou.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

ORGULHO DE SER BRASILEIRO


Quando temos uma divida, e não honramos nosso compromisso de paga-la, ficamos desacreditados, perdemos o crédito, a confiança que foi depositada, somos caloteiros. O presidente Lula sabe disso, e não quis que o Brasil no seu governo e o povo brasileiro fossem chamados de caloteiros, nem quis que os investidores tivessem duvida de que seus compromissos não seriam honrados. Ninguém vende para quem é mau pagador, ninguém vende para quem da o calote. O Brasil tem uma divida imensa com o FMI, não foi o presidente Lula que a contraiu, ela já vinha antes de FHC, que mesmo sem liquidar a divida anterior, fez mais empréstimos, aumentando o que já era imenso. O presidente Lula, não fez mais acordos de empréstimos com o FMI, pagou uma grande parte dessa divida, e antecipou agora um pagamento de 15,5 bilhões de dólares. Alguns acharam ruim, falam que o presidente poderia investir em obras no país, obras que são necessárias, mas como investir um dinheiro que não é seu, como investir um dinheiro que você está devendo? Como você vai olhar para o seu credor, e falar que não tem dinheiro para pagar o que deve, se está construindo obras faraônicas, comprando maquinários, fazendo importação, aumentando salários? e a divida? e a honra do governo e de todo o povo brasileiro? O presidente Lula fez o que foi possível, fez o que era necessário e urgente,sem comprometer a credibilidade do país. O presidente Lula fez muito bem, pagou, não usou o dinheiro que não é nosso. Foi elogiado pelo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, disse que o Brasil é uma história de sucesso para a organização e um bom exemplo sobre como as economias emergentes podem atravessar crises financeiras, disse ele que é um momento muito importante para o Brasil.Reformas e boas políticas macroeconômicas trouxeram benefícios para o Brasil de forma muito significativa e em um período muito curto de tempo. Entre o verão de 2002 e o inverno de 2005 vimos o Brasil em uma posição completamente diferente, completou o diretor do FMI. O presidente Lula mudou este país para muito melhor, somente quem não está interessado que este país tenha uma economia sustentável, sólida e duradoura, quem não quer ver este país gerando emprego e renda, e livre do FMI, é que está contra o governo Lula, está contra o povo brasileiro. Hoje mais uma noticia boa, a taxa da inflação é a menor desde 1995, é menor taxa do Real, o presidente Lula está fazendo este ser um país de todos.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

EU NÃO SOU "PESSOA DE BEM", SOU CIDADÃ BRASILEIRA.


Eu não quero ser chamada de pessoa de “pessoa de bem”, quem me chamar de pessoa de bem vai ouvir um palavrão. Meu amigo Oni já disse isso, e eu concordo plenamente. O conceito hoje em dia de “pessoa de bem” está deturpado, é falso. Sou cidadã, apenas cidadã brasileira. O conceito que eu tenho de pessoa de bem, é o que me foi ensinado pelo meu pai, é quem trabalha, paga seus impostos, paga suas dividas, honra seus compromissos, não faz uso de violência, e muito menos de armas. Pessoa de bem não trapaceia, não obtém vantagens ilícitas. Pessoas de bem não mentem, não enganam, não manipulam informações. Pessoas de bem não acusam sem provas, não caluniam, não difamam. Pessoas de bem não prejudicam outras pessoas para atingir seus objetivos, pessoas de bem não prejudicam o seu país, e o povo de seu país em beneficio próprio, e em beneficio de uma minoria. Pessoa de bem reconhece quando errou, corrige os erros, não compactua com ilegalidades, muito menos acoberta erros de outros. Pessoa de bem não faz denuncias vazias, não fala o que não pode provar, e que possa prejudicar o outro. Pessoa de bem ensina seus filhos a serem pessoas de bem, ensinam que o outro tem ser respeitado, ensina que não se faz para o outro o que não quer para si. Pessoa de bem não faz juramentos falsos, nem presta falso testemunho seja para beneficio ou para prejudicar terceiros. Pessoas de bem clamam por justiça, justiça que tem que ser imparcial, justiça que tem ser igual para todos. Eu não quero ser comparada com pessoas que hoje se dizem” pessoas de bem”. Eu não quero ser comparada com Eliana Tranchesi, tida como” pessoa de bem”, que comprovadamente é uma grande contrabandista, sonegadora de impostos. Jamais agiria como Raul Cortez e Adriane Galisteu que confirmaram participação no First Charity Day, amanhã, na Daslu. Vão se juntar a Ana Maria Braga, Hebe, Zeca Camargo e Marcos Mion como vendedores VIP da loja. Da renda, 10% vão para um projeto social -e 90% para a Daslu, ou seja esses que são tidos também como” pessoas de bem” estão sendo solidários, com uma criminosa, que está sendo processada por seus vários delitos comprovados. Jamais permitiria que um filho meu trabalhasse para um contrabandista, ou com alguém que esteja agindo na ilegalidade como faz o Gov.Alckmin, que permite que sua filha trabalhe para a Daslu, é ser no mínimo conivente com o ílicito. Outro que fala que é pessoa de bem é o senador Arthur Virgilio do PSDB, que já afirmou que fez uso de caixa dois, e que ameaçou dar uma surra no presidente, porque absurdamente desconfiou que o presidente tivesse mandado investigar seu filho, o Virgilio Neto que foi preso por atentado ao pudor ao mostrar sua bunda, em público após ter perdido a eleição, outra “pessoa de bem”. Outro que é tido como “pessoa de bem” o deputado federal do PDT pelo RS, Pompeu de Matos, que defendeu de unhas e dentes o não desarmamento da população civil, e está envolvido com traficantes de armas, inclusive revelando a identidade de uma testemunha que estava em sigilo depondo na CPI do trafico armas, ao traficante de armas, colocando a vida da testemunha em risco. Não quero ser comparada ao prefeito de SP José Serra, que disse ao povo de SP, que não abandonaria a prefeitura para concorrer à eleição de 2006, assinou um compromisso público, e agora descaradamente mudou de idéia, vai abandonar a prefeitura nas mãos de Kassab do PFL, que foi Secretário de Finanças do Pitta, que em 15 meses, aumentou seu patrimônio em mais de 300%. Serra também disse que não aumentaria a tarifa dos ônibus quando candidato e foi o seu primeiro ato depois de eleito. Tem muitas outras pessoas que se intitulam “pessoas de bem”, os que cassaram o ministro Dirceu, sem provas de uso de caixa dois,sem provas do envolvimento dele em empréstimos bancários para o PT, e absolveram quem comprovadamente, assumidamente fez uso do caixa dois, o deputado Romeu Queiroz do PTB. O prefeito Manica do PSDB, Unaí MG, que mandou matar os fiscais do Ministério do Trabalho, e que mantinha em suas fazendas trabalhadores em regime de escravidão.

Definitivamente com esses parâmetros de pessoas de bem eu não sou “pessoa de bem”.

Jussara

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Estas noticias merecem destaque neste blog, o presidente Lula conseguiu mudar este país para muito melhor. Enfrentar essa oposição raivosa, enfrentar a mídia safada e conseguir fazer com que houvesse aumento recorde de empregos, queda da inflação, queda dos juros, aumento nas vendas, tem que ser chamado de herói. Parabéns presidente Lula, parabéns para nós, que tivemos a sorte de ter o melhor presidente do Brasil.



14/12/2005 - Rais confirma geração recorde de empregos



O número de empregos formais (com carteira assinada) no país aumentou 1,86 milhão em 2004. De acordo com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o total de empregos gerados no ano passado é recorde na série histórica da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), iniciada em 1985.

Rais é uma declaração anual obrigatória que todos os estabelecimentos existentes no país devem informar ao Ministério do Trabalho. É uma espécie de censo anual do mercado formal de trabalho.

Na comparação com 2003, o total de empregos teve um crescimento de 6,3%. Trata-se da segunda maior taxa de crescimento registrada pela série, só perdendo para 1986, quando atingiu 8,16%. Em 2003, o número de empregos formais criados foi de 861 mil. Nos dois primeiros anos do governo Lula, foi de 2,724 milhões.

Em 2004, a massa salarial cresceu 7,6%, em decorrência do aumento do emprego. Com o aumento de 2004, o número de empregos formais informados pelos empregadores na pesquisa alcançou 31,408 milhões.

Os Estados que mais se destacaram na geração de empregos formais, em 2004, foram São Paulo (mais 525 mil postos) e Minas Gerais (mais 194,7 mil). O único Estado onde o emprego formal caiu foi Roraima, que teve uma perda de 4,4 mil postos.

O Ministério informou, no entanto, que o desempenho de Roraima foi prejudicado pela ausência das informações do setor da administração pública.


Importância dos números
Os dados da Rais referem-se a empregos formais para trabalhadores celetistas e estatutários. É, portanto, um dado mais completo do que o do Caged (Cadastro Geral de Empregos), também levantado pelo Ministério. Luiz Marinho comemorou o resultado.
"Nos últimos meses, enfrentamos um debate esquizofrênico da oposição, nos acusando de manipular os dados do emprego a partir do Caged. A pesquisa Rais veio confirmar os números e mostrar que a geração de emprego foi ainda maior", disse ele.

As informações são da Agência Estado.




14/12/2005 - Vendas no comércio acumulam alta de 4,82% em 2005


As vendas no comércio tiveram alta de 3,74% no volume de vendas em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O resultado é da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada hoje (14) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Se comparado com o mês anterior, as vendas do comércio em outubro cresceram 0,06%.

Este ano, o setor acumula alta de 4,82% e, nos últimos doze meses, elevação de 5,65%.

"A pequena variação do rendimento médio do trabalhador no mês de outubro e o limite de endividamento da população, motivando uma redução da tomada de crédito ao consumidor, são as principais razões para essa estabilidade", explicou Pereira.

Com informações da Agência Brasil.

Jussara Seixas


Quarta-feira, Dezembro 14, 2005 | Comente (0)
A fala de um político de fino trato, com este título o jornalista Luis Weis,do Observatório da Imprensa , publicou em seu blog, Verbo Solto, a entrevista dada ao Valor Econômico do deputado pelo PT da Bahia, Jaques Wagner, que agora está na coordenação política do governo. A fala do deputado Jaques Wagner, faz jus ao título.


Valor: O senhor acha possível votar o Orçamento ainda este ano?

Jaques Wagner: Para nós, interessa votar este ano. Não tem nenhuma hecatombe se não votar, mas eu acho muito ruim fechar o ano sem apreciar o Orçamento. Preferia que o Congresso estendesse seus trabalhos até 30 de dezembro. O pessoal da Comissão de Orçamento tem dito que teria capacidade de votar até o dia 23 ou 28 de dezembro. Preferia que votasse, senão complica trabalhar com duodécimos, restos a pagar. No PSDB, me disseram que não há nenhum objetivo de obstruir a votação. Eu não consigo entender qual o objetivo de não votar. As previsões de investimentos incluem emendas de bancada, temas de interesse de deputados, de senadores, de governadores. Quando a luta política ultrapassa o bom senso não é razoável.

Valor: A oposição acusa o governo de não cumprir promessas, como o ressarcimento da Lei Kandir.

Wagner: Os governadores sabem que uma parcela da Lei Kandir está prevista para agora, em dezembro. Não devem ir os R$ 900 milhões inteiros. É possível que o governo tenha condições de aportar R$ 500 milhões. Mas já é uma boa notícia para o fim de ano.

Valor: Nesse jogo também há o interesse em forçar o funcionamento do Congresso no recesso?

Wagner: Nós temos interesse que haja o recesso normal. Até porque este foi um ano duro, está todo mundo com sua cota de trabalho bastante intensa. De qualquer forma, as CPIs têm autonomia para continuar funcionando, independente de convocação. O governo não fará convocação extraordinária. Os líderes estão tentando uma saída jurídica - ainda não conseguiram - de o Conselho de Ética funcionar. Quero deixar uma posição clara: nós não vamos convocar.

Valor: Essa questão do Orçamento é mais um aprendizado para o PT, que defendeu a obstrução quando era oposição?

Wagner: Cada um tem o seu papel. Quem é governo joga de um jeito, quem é oposição, joga de outro. Quando você é pai, você joga de um jeito, quando você é filho joga de outro. O pai controla, o filho quer liberdade. Eu tenho uma tese. A partir de 2007, a democracia brasileira ficará melhor e mais madura. Não é porque teve o governo Lula. Quando chegar 2007, todas as grandes forças políticas nacionais, em termos partidários, terão passado pelo papel de pai e filho. Ninguém será mais oposição como foi, nem será governo como está sendo ou como foi. O amadurecimento é recíproco.

Valor: Durante a crise, mais de um interlocutor do governo falou sobre "ajustes na condução da economia". O que isso significa?

Wagner: Não há hipótese de mudança na direção do caminho. Não mudamos em seis meses de turbulência, e poderíamos ter mudado. A coisa mais fácil para qualquer consultor político era dizer: "Presidente, libera o cheque e verá como todo mundo vai ficar alegre, metade da raiva vai passar". Não fizemos isso. A meta de 4,25% (de superávit primário) está decidida para este ano, está decidida para o ano que vem. O que pode acontecer? Começou a chover, diminui a velocidade, para não derrapar. O terreno secou, aumenta a velocidade porque está mais seguro. Mas estamos na mesma direção, no mesmo sentido.

Valor: Que ajustes pontuais são esses?

Wagner: Eu estou preferindo não tocar neste assunto, tem tempo que não falo de economia.

Valor: Mas isso afeta sua área, ministro, a da política. O presidente fala "não há mudanças", Palocci e Meirelles confirmam, e aí o Guido Mantega (presidente do BNDES) e o Sérgio Gabrielli (presidente da Petrobras) criticam. O PT aprova nota contra a política econômica.

Wagner: Eu acho ruim todo debate público de integrantes do governo. O debate é absolutamente aberto entre parlamentares, sociedade civil, empresários. Mas, membros de governo discutem internamente. Quem toma a decisão é o presidente.

Valor: Então podemos entender ajuste apenas como dosagem?

Wagner: É o que o próprio ministro Palocci falou. Pilares da economia - âncora fiscal, câmbio livre, metas de inflação - não mudam. De zero a dez, é zero a chance de o Palocci sair do governo.

Valor: Não causa constrangimento o fato de a oposição defender com mais ênfase a política econômica do que o PT? Como administrar esse fogo amigo, no seu posto?

Wagner: Acho que temos um problema aí. Não me interessa dizer de quem, porque aí não ajuda no debate. Mas, na minha opinião, existem coisas tratadas tecnicamente e outras que viraram um dogma. Eu não tenho obsessão ou dogma pela política econômica. Eu meço pelo resultado que ela me oferece. O resultado dos últimos oito trimestres é altamente positivo. Não é o céu, mas é positivo.

Valor: O PT filho era imaturo sob o aspecto econômico?

Wagner: Chegamos ao governo federal com maturidade infinitamente menor. Você vai amadurecendo, sem perder o norte. No PT ainda há um incômodo pelas bandeiras do partido e nós não conseguimos completar esse ritual de passagem. Não precisa ser de esquerda ou de direita para adotar as melhores práticas administrativas. Elas estão à disposição em qualquer escola. O pessoal critica a questão do desenvolvimento. Teve crescimento? Teve. Teve distribuição de renda. Querer mais tudo bem, agora desconhecer o passo dado eu acho um absurdo.

Valor: É um erro o PT encarar esse debate com ideologia?

Wagner: Eu acho. Ideologicamente você tem que traçar objetivo. Qual é o objetivo do presidente Lula? Desenvolvimento com distribuição de renda. Eu concordo que a política econômica não é a mãe de todas as coisas. Ela é a alavanca para onde eu quero chegar. Se estiver contribuindo para eu chegar, está aprovada. Se me fizer caminhar no sentido contrário é outra coisa. Economia não é ciência exata. Não adianta obstruir o debate. Só acho que, no governo, o debate tem que ser interno. Até porque se o presidente tomar uma decisão não tem que se discutir mais nada.

Valor: Os debates públicos do governo (Dilma X Palocci) geram uma desarticulação maior que os embates congressuais?

Wagner: Acho que houve esquentamento quando se falou da briga Dilma X Palocci. Para mim é o seguinte: a Dilma está na tarefa de gerência executiva de projetos. Todo mundo sabe se acelera mais se tiver uma execução orçamentária mais larga. O Palocci cuida de manter o equilíbrio da economia.

Valor: Mas a briga não está equacionada.

Wagner: Do ponto de vista de execução orçamentária isso não é uma briga, vai ser uma discussão eterna. Do ponto de vista político, para mim, não tem discussão nenhuma. O superávit primário vai ser 4,25% e ponto final. E os dois vão continuar com o presidente até o fim.

Valor: O presidente Lula defendeu explicitamente a queda da verticalização das alianças. Como esse debate será conduzido no governo e no Congresso?

Wagner: O presidente já havia dito isso "n" vezes internamente: "Eu não tenho nenhuma paixão pela verticalização". Ele diz que a verticalização, como regra, como está posta, pode ajudar a impedir determinada coligação, mas não ajuda a construir coligações. Ele, que viveu a primeira candidatura dele no voto vinculado, acha que não adianta impor nada. O tempo de TV não é o maior desafio do PT, porque temos um tempo razoável. A regra da verticalização, como interpretada no Brasil, nem dá para chamar de verticalização. Só é verticalização para quem decide se coligar nacionalmente. Se o partido não tiver pretensão de despontar nacionalmente, dirá: vou apoiar Lula ou o candidato do PSDB, mas não oficialmente, e cada Estado fará o samba que quiser. Eu sou muito simpático ao conceito da verticalização. Acho que está correto dizer que se há uma arrumação nacional ela deve se reproduzir para os Estados. Agora, do jeito que está hoje... Um partido menor não se coliga com ninguém nacionalmente; e no Estado A coliga-se com o PT, no B com o PSDB, e no C com o PFL. Então não adiantou nada.

Valor: Se na prática não adianta, então para que derrubar a regra?

Wagner: Eu acho que em 2006 vai acontecer o seguinte: como tem cláusula de barreira e o elemento mais desafiador será transpô-la, muita gente boa vai dizer: "Sinto muito, mas eu prefiro ficar solto".

Valor: Essa análise é pragmática, mas e a simbologia da política? É ruim para Lula não ter aliados históricos na chapa.

Wagner: É um prejuízo, lógico. É prejuízo para ele e para os aliados históricos. Um partido com a pujança do PSB, que quer crescer, é óbvio que se nem aparecer na coligação presidencial fica parecendo que não tem participação. Mas na hora da decisão, seguramente o PSB vai medir a sua realidade em cada Estado. O presidente Lula diz que pela pluralidade de opinião na nossa base não adianta firmar posição de governo. Seria como jogar uma bomba na base aliada.

Valor: O governo vai trabalhar pela queda da verticalização?

Wagner: Até agora eu não recebi nenhuma determinação do presidente no sentido de fazer uma operação com posição fixada de governo.

Valor: Na base, o único partido com posição fechada a favor da verticalização é o PT.

Wagner: Em relação ao PT, estou muito mais preocupado na nossa relação com a base do que com a conseqüência dessa decisão para 2006. Estou muito mais preocupado com o grau de estresse que esse debate gera na base. Em tese, serão dois partidos com cabeça de chapa: PT de um lado, PSDB do outro. O PMDB é uma força importante, e ainda não sabemos se terão candidatura própria.

Valor: No caso do PMDB, o senhor considera que a queda da verticalização pode atrair o partido para uma composição com Lula ou forçaria a candidatura própria?

Wagner: Eu, pessoalmente, tendo a achar que a verticalização dificulta mais a tese da candidatura própria. Tem gente que diz o contrário. Eu não consigo entender. O PMDB, apesar de ser um partido muito mais enraizado que outros, pretende lançar de 16 a 17 candidatos a governador com potencial real, pelas informações que eu tenho. E essas pessoas em seus Estados buscarão alianças que seguramente não serão exclusivas. Se PSDB e PFL ficam de um lado, PT e PCdoB do outro, com quem o PMDB se coliga? Isso é um problema para os governadores e suas chapas.

Valor: Quando o presidente Lula se decide sobre a reeleição? Existe a possibilidade de ele não disputar?

Wagner: Decide em fevereiro. Eu acho que existe essa possibilidade. É uma reflexão muito pessoal dele. Ele tem externado isso para todo mundo, não tem escondido. Ele não é um apaixonado pela reeleição. Insiste em dizer que você só vai para uma reeleição se tiver convicção absoluta que fará mais do que fez no primeiro mandato. Portanto, a decisão dele passa basicamente por esses dois elementos. Óbvio que, depois de tudo que nós passamos - ao contrário do que muita gente acha –, na cabeça do Lula, a responsabilidade com o partido e com o nosso projeto, seria um elemento para ele se decidir a ser candidato. Porque é a coisa do cabra militante, comprometido. Pensa assim: bom, se o meu partido está cheio de problemas, se vai ser atacado, então precisará de alguém de musculatura para defendê-lo.

Valor: Mas esse sempre foi um problema para o PT: procurar um nome alternativo a Lula.

Wagner: Só estou dizendo que o presidente está fazendo uma reflexão verdadeira, não é jogo de cena. Lula está fazendo uma reflexão interna, evidentemente cruzada com a responsabilidade que tem com a realidade brasileira, com o PT. Na hipótese de ele não ser (candidato), nada do que estamos raciocinando agora vale. Se ele não for candidato, o PSDB passa a ter de fato três candidatos disputando. No PT, não sei quantos aparecerão. O PFL vai ficar debaixo do PSDB sem a candidatura de Lula? O quadro muda totalmente. Hoje PFL e PSDB se juntam porque tem um candidato forte do outro lado. Se virar todo mundo japonês, na média, o Garotinho ganha muito empuxo no PMDB.

Valor: O PT teria um nome competitivo? Já se falou em Tarso Genro.

Wagner: Não acho que haja ninguém no PT neste momento preparando, especulando ou prospectando um nome. Não tem porque as pessoas estão fixadas numa idéia. Se o presidente disser que não quer disputar, aí vão brotar.

Valor: A demora dele em se decidir pode prejudicar o PT.

Wagner: É por isso que eu digo que ele vai se decidir no fim de janeiro ou fevereiro. É óbvio que ele tem responsabilidade com o partido, então deve estar se colocando um limite, porque não vai querer deixar o PT ou o conjunto dos outros aliados desguarnecidos.

Valor: O governo avalia fazer mudanças de estrutura, reforma ministerial para 2006?

Wagner: Nunca ouvi falar disso. Ninguém muda governo no último ano. Não vejo isso. Nunca participei de nenhum debate com o presidente em que ele cogitasse mudar, ir para outro modelo.

Valor: O PT reivindicava a coordenação política. O que mudou na relação com o Congresso depois que o senhor assumiu?

Wagner: Depois de três mandatos na Câmara eu tinha uma boa relação com a base e com as oposições na Câmara e no Senado, e isso contribuiu. Não comungo da idéia de que o que mudou é porque eu sou do PT. Realmente havia essa demanda do partido, havia rusgas para cá e para lá. Mas o presidente sempre sustentou a posição do hoje presidente da Câmara, Aldo Rebelo. Ser do PT não deixou nada mais fácil ou menos fácil.

Valor: O PT perdeu o grande estrategista do partido. Numa eventual reeleição de Lula, quem ocupa o espaço de José Dirceu?

Wagner: O Zé continua um militante do PT, mesmo após a cassação. Ele pode dar suas opiniões. Eu entendo que na medida em que o presidente Lula tomar sua decisão pela reeleição, ele vai chamar as direções partidárias e montar sua coordenação política. Evidente que o Zé Dirceu é um quadro importante, profundo conhecedor da realidade brasileira, da realidade política, mas outros chegarão para fazer esse trabalho. Temos, no coletivo partidário, muita gente que pensa bem politicamente.

Valor: O senhor se habilita à função?

Wagner: O presidente sabe que eu trabalhava com vistas à eleição baiana. Óbvio que os projetos se cruzam. Ele precisa de um palanque forte na Bahia, que é o quarto colégio eleitoral do país, como precisa de uma equipe com a qual tenha tranqüilidade trabalhar na linha que ele acredita. Por enquanto, é só especulação, porque ele não vai convidar ninguém para a coordenação antes de decidir a reeleição.

Valor: Sua candidatura na Bahia está decidida?

Wagner: Está decidida como projeto. A definição dela vou tomar combinada com a decisão do presidente.