sexta-feira, março 22, 2013
Mataram mais uma árvore em São Luís. Era uma árvore muito bonita. Era tão bonita que eu até brincava e dizia que a gente devia esconder do pessoal da prefeitura. Pois foi morta a golpes de motosserra. Tem um poste de vigilância da PM bem próximo, quem sabe a polícia possa descobrir quem foi o criminoso. POBRE SÃO LUÍS...
domingo, março 17, 2013
Chávez e o redesenho do mundo
17/3/2013, Mark
Weisbrot*, Al-Jazeera. Qatarhttp://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2013/03/20133178738331777.html
A impressionante reação mundial à morte do presidente Hugo Chávez da Venezuela, sobretudo no hemisfério ocidental, pôs em forte destaque o mundo “multipolar” pelo qual Chávez lutou. 55 países fizeram-se representar por chefes de Estado em seu funeral, dia 8/3/2013 (todos os países latino-americanos). 14 países latino-americanos decretaram luto oficial – entre os quais o governo direitista do Chile.
Na contramão da comoção planetária, e da homenagem solene prestada por respeitados chefes de Estado latino-americanos, a Casa Branca limitou-se a uma declaração grosseira e fria e – para horror de muitos latino-americanos – sequer ofereceu condolências.
O que se vê é que presidente mais demonizado – apesar de democraticamente eleito e reeleito – da história do mundo tinha muitos amigos e admiradores – e não só “estados inimigos” como Irã ou Síria, imediatamente e incansavelmente mencionados no ‘jornalismo’ e nos ‘noticiários’ nos EUA.
A ‘mídia’ nos explica agora que a simpatia se dirigiria ao petróleo venezuelano. Mas nenhum rei da Arábia Saudita jamais foi amado e homenageado como Chávez, vivo ou morto.
Os leitores do New York Times provavelmente surpreenderam-se ao ler, em coluna publicada semana passada, assinada por Lula da Silva, o popular ex-presidente do Brasil, que ambos sempre foram muito próximos e partilhavam a mesma visão de América Latina. É verdade, e há muito tempo: em 2006, quando Lula da Silva foi reeleito, sua primeira viagem ao exterior foi à Venezuela, para ajudar na campanha de reeleição de Chávez.
Encaremos os fatos: o que Chávez disse sobre o papel de Washington no mundo foi exatamente o que todos os presidentes de esquerda – hoje, ampla maioria na América do Sul – pensavam. E Chávez nunca se limitou a apenas falar: como Lula da Silva registra, Chávez desempenhou papel crucial na formação da UNASUR (União das Nações Sulamericanas), da CELAC (Comunidade de Nações da América Latina e Caribe), e em outros esforços e realizações para a integração regional.
“Talvez suas ideias venham a inspirar os jovens do futuro, como a vida de Simon Bolívar, o grande libertador da América Latina, inspirou o próprio Chávez” – escreveu Lula da Silva.
Chávez transformou a América Latina
Chávez foi o primeiro do que viria a ser uma linhagem de presidentes de esquerda democraticamente eleitos que transformaram a América Latina, e especialmente a América do Sul, ao longo dos últimos 15 anos, dentre os quais Nestor e Cristina Kirchner na Argentina, Lula da Silva e depois Dilma Rousseff no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Daniel Ortega na Nicarágua, Fernando Lugo no Paraguai, José “Pepe” Mujica no Uruguai e Mauricio Funes em El Salvador.
Antes de Chávez, presidentes de esquerda que fossem democraticamente eleitos tendiam a ter o mesmo fim que teve Salvador Allende do Chile – derrubado por golpe organizado pela CIA, em 1973. Parte significativa da esquerda latino-americana, inclusive o próprio Chávez, continuavam céticos sobre a eficácia da via eleitoral para mudar a sociedade, ainda 20 anos depois, dado que as elites locais, apoiadas por Washington, sempre tinham um ‘veto’ ilegal, ao qual recorriam quando dele precisavam.
Chávez soube ter papel vital na “segunda independência” da América do Sul, porque foi diferente de outros chefes de Estado, em vários importantes sentidos. Percebi isso logo na primeira vez que o encontrei, em abril de 2003. Dava a impressão de falar a todos do mesmo modo – fosse quem lhe trazia o almoço no palácio presidencial, fossem visitantes que ele admirava. Chávez falava muito, mas também era ouvinte atento e concentrado.
Lembro de um jantar, há poucos anos, com mais de 100 representantes de grupos da sociedade civil de todo o continente – ativistas que trabalhavam para o cancelamento das dívidas de países pobres, para a reforma agrária, muitas e muitas variadas lutas. Chávez ouviu longa e atentamente, anotando sem parar, por mais de uma hora, com os convidados à frente dele, apresentando o que cada grupo fazia. Ao final, com as anotações diante dos olhos, falou, com resposta para cada um dos grupos: “OK. Agora, aqui está o que me parece que podemos fazer para ajudar vocês.” Não sei de qualquer outro presidente capaz de trabalhar assim.
Não era simulacro ou demagogia. Em Chávez, nada era simulacro ou demagogia. Sempre dizia o que pensava – o que nem sempre é adequado, num chefe de Estado. Mas a maioria dos venezuelanos amava aquela franqueza, porque dava a Chávez uma densidade, uma realidade que poucos políticos têm: era, portanto, alguém em quem se podia confiar.
A atitude não mudava em relação a outros governos. Embora tenha tido grandes brigas públicas com alguns governos, praticamente nunca criticou outro chefe de Estado, a menos que tivesse sido atacado antes. Manteve boas relações até com o governo direitista de Alvaro Uribe da Colômbia, durante vários anos; até que Uribe virou-se contra ele, o que Chávez interpretou (provavelmente com razão) como Uribe agindo sob ordens dos EUA. Quando Manuel Santos, que fora ministro da Defesa de Uribe, tornou-se presidente da Colômbia, em agosto de 2010 e decidiu restabelecer boas relações com Chávez, encontrou a porta aberta.[1] As relações foram imediatamente recompostas. Chávez era amigável com qualquer um que não o agredisse.
Mas havia mais que traços de personalidade e a busca de alianças – das quais Chávez precisava, se quisesse sobreviver, depois que o governo Bush declarou publicamente, em 2002, que tinha intenções de derrubá-lo (embora essa informação tenha passado praticamente sem qualquer notícia na imprensa-empresa dos EUA, há provas documentais consistentes do envolvimento de Washington no golpe militar de 2002 contra Chávez[2]). Chávez tinha visão solidária do mundo. Ele e seu governo construíram inúmeras políticas que não se orientavam pelo princípio de que “nações não têm amigos: nações têm interesses”.
Sempre viu as injustiças e desequilíbrios da ordem econômica e política mundial do mesmo modo como via as injustiças sociais dentro da Venezuela – como males sociais e algo que se podia combater com sucesso. Por que os EUA e meia dúzia de aliados ricos controlariam o FMI e o Banco Mundial? Ou por que escreveriam, só eles, as regras de comércio da OMC, ou da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas, que Chávez ajudou a derrotar)? A Venezuela não tinha qualquer interesse nacional específico nessas lutas, porque é dos grandes exportadores mundiais de petróleo.
Mas Chávez entendeu que eram lutas importantes para todos, e seu pensamento coincidiu com o que estava acontecendo no mundo: todo o planeta se encaminhava rapidamente para se tornar economicamente mais multipolar. A China, por exemplo, a qual, segundo as mais confiáveis estimativas[3] de seu poder paritário de compra [orig. purchasing power parity), já é a maior economia do mundo, praticamente não tem voz nem voto nem no FMI nem no Banco Mundial. Outros países em desenvolvimento têm ainda menos. As ideias de Chávez, portanto, ressoaram cada vez mais profundamente, em grande parte do mundo, especialmente na América Latina.
A imprensa-empresa: ‘informação’ sempre negativa sobre a Venezuela
Por outro lado, a história de Chávez também mostra o enorme poder da imprensa-empresa, a chamada ‘mídia’, no serviço de modelar a opinião pública. Muitos governos conhecem bastante bem as realizações do governo Chávez, mas, porque a imprensa-empresa norte-americana e, por via de repetição, a imprensa-empresa latino-americana só veiculavam, quase exclusivamente, ‘informação’ negativa sobre a Venezuela, durante 14 anos – sempre ‘informação’ exageradamente negativa e não raras vezes, ‘informação’ falsa[4] –, a maior parte da população no hemisfério ocidental jamais conheceu sequer os fatos básicos sobre a Venezuela ou sobre o governo de Chávez.
Poucos sabem que, depois que Chávez alcançou o controle sobre a indústria do petróleo, a economia da Venezuela passou a crescer muito bem; a pobreza foi reduzida à metade e a pobreza extrema, em mais de 70%. Poucos sabem que a maior parte desses ganhos veio do crescimento do emprego no setor privado, não de “esmolas do governo”. Poucos sabem que milhões de venezuelanos ganharam acesso a serviços públicos de saúde pela primeira vez; e que melhoraram todos os indicadores de educação (o número de matriculados no ensino superior duplicou); e que o número de aposentados saltou, de 500 mil, para mais de dois milhões.
De fato, a imprensa-empresa ocidental praticamente pintou a Venezuela como total fracasso econômico e político. E bem poucos sabem que nada há que assemelhe a Venezuela a algum tipo de “estado autoritário”. De fato, a imprensa-empresa venezuelana ainda faz, até hoje, campanha contra o governo.[5]
É um tipo de ‘jornalismo’ que ensina a não saber o que Chávez fez pelo hemisfério – não só os bilhões de dólares que distribuiu como ajuda, pelo programa Petrocaribe e outros, mas também – como Lula da Silva explicou – o papel que desempenhou na promoção da unidade continental e da segunda independência da América Latina.
Essa independência é muito mais que questão de orgulho nacional ou regional; é mais, até, que uma das mais radicais mudanças geopolíticas, até aqui, do século 21. É mudança que teve consequências imensas para os latino-americanos, onde a pobreza já caiu, de 42% no início da décadas, para 27%, em 2009. Difícil imaginar esse tipo de avanço econômico e social, no tempo em que a região vivia sob tutelagem do FMI/Washington; de fato, na região, como um todo, entre 1980 e 2000, o crescimento do PIB per capita foi praticamente zero.[6]
A maioria das pessoas em todo o hemisfério ocidental receberam uma visão à moda “Tea Party”, da Venezuela,[7] com a imprensa-empresa liberal e de direita, praticamente idêntica, sem noticiar praticamente nenhum fato, só mentiras, sobre a Venezuela e seu governo. (...).[8]
Por tudo isso, trava-se hoje uma nova batalha pela definição do legado de Chávez – e muitos já lutam para preservar os ‘ganhos’ que conseguiram na campanha para demonizar Chávez. Para esses, a onda de simpatia e de respeito por Chávez e por seu governo que se vê crescer em todo o mundo é problema real.[9]
Fato é que, durante os 14 anos de governo Chávez, os EUA perderam a maior parte da influência que sempre tiveram na América Latina, especialmente na América do Sul. Pode-se pois dizer com razoável certeza, que, na batalha contra Washington, Chávez venceu. E, com ele, a região e o planeta venceram. Por isso, será para sempre honrado, respeitado e lembrado – como foi, dia 8/3/2013, por praticamente todo o mundo.
“Durante os 14 anos de
governo Chávez, os EUA perderam a maior parte da influência que sempre tiveram
na América Latina, especialmente na América do Sul.”
A impressionante reação mundial à morte do presidente Hugo Chávez da Venezuela, sobretudo no hemisfério ocidental, pôs em forte destaque o mundo “multipolar” pelo qual Chávez lutou. 55 países fizeram-se representar por chefes de Estado em seu funeral, dia 8/3/2013 (todos os países latino-americanos). 14 países latino-americanos decretaram luto oficial – entre os quais o governo direitista do Chile.
Na contramão da comoção planetária, e da homenagem solene prestada por respeitados chefes de Estado latino-americanos, a Casa Branca limitou-se a uma declaração grosseira e fria e – para horror de muitos latino-americanos – sequer ofereceu condolências.
O que se vê é que presidente mais demonizado – apesar de democraticamente eleito e reeleito – da história do mundo tinha muitos amigos e admiradores – e não só “estados inimigos” como Irã ou Síria, imediatamente e incansavelmente mencionados no ‘jornalismo’ e nos ‘noticiários’ nos EUA.
A ‘mídia’ nos explica agora que a simpatia se dirigiria ao petróleo venezuelano. Mas nenhum rei da Arábia Saudita jamais foi amado e homenageado como Chávez, vivo ou morto.
Os leitores do New York Times provavelmente surpreenderam-se ao ler, em coluna publicada semana passada, assinada por Lula da Silva, o popular ex-presidente do Brasil, que ambos sempre foram muito próximos e partilhavam a mesma visão de América Latina. É verdade, e há muito tempo: em 2006, quando Lula da Silva foi reeleito, sua primeira viagem ao exterior foi à Venezuela, para ajudar na campanha de reeleição de Chávez.
Encaremos os fatos: o que Chávez disse sobre o papel de Washington no mundo foi exatamente o que todos os presidentes de esquerda – hoje, ampla maioria na América do Sul – pensavam. E Chávez nunca se limitou a apenas falar: como Lula da Silva registra, Chávez desempenhou papel crucial na formação da UNASUR (União das Nações Sulamericanas), da CELAC (Comunidade de Nações da América Latina e Caribe), e em outros esforços e realizações para a integração regional.
“Talvez suas ideias venham a inspirar os jovens do futuro, como a vida de Simon Bolívar, o grande libertador da América Latina, inspirou o próprio Chávez” – escreveu Lula da Silva.
Chávez transformou a América Latina
Chávez foi o primeiro do que viria a ser uma linhagem de presidentes de esquerda democraticamente eleitos que transformaram a América Latina, e especialmente a América do Sul, ao longo dos últimos 15 anos, dentre os quais Nestor e Cristina Kirchner na Argentina, Lula da Silva e depois Dilma Rousseff no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Daniel Ortega na Nicarágua, Fernando Lugo no Paraguai, José “Pepe” Mujica no Uruguai e Mauricio Funes em El Salvador.
Antes de Chávez, presidentes de esquerda que fossem democraticamente eleitos tendiam a ter o mesmo fim que teve Salvador Allende do Chile – derrubado por golpe organizado pela CIA, em 1973. Parte significativa da esquerda latino-americana, inclusive o próprio Chávez, continuavam céticos sobre a eficácia da via eleitoral para mudar a sociedade, ainda 20 anos depois, dado que as elites locais, apoiadas por Washington, sempre tinham um ‘veto’ ilegal, ao qual recorriam quando dele precisavam.
Chávez soube ter papel vital na “segunda independência” da América do Sul, porque foi diferente de outros chefes de Estado, em vários importantes sentidos. Percebi isso logo na primeira vez que o encontrei, em abril de 2003. Dava a impressão de falar a todos do mesmo modo – fosse quem lhe trazia o almoço no palácio presidencial, fossem visitantes que ele admirava. Chávez falava muito, mas também era ouvinte atento e concentrado.
Lembro de um jantar, há poucos anos, com mais de 100 representantes de grupos da sociedade civil de todo o continente – ativistas que trabalhavam para o cancelamento das dívidas de países pobres, para a reforma agrária, muitas e muitas variadas lutas. Chávez ouviu longa e atentamente, anotando sem parar, por mais de uma hora, com os convidados à frente dele, apresentando o que cada grupo fazia. Ao final, com as anotações diante dos olhos, falou, com resposta para cada um dos grupos: “OK. Agora, aqui está o que me parece que podemos fazer para ajudar vocês.” Não sei de qualquer outro presidente capaz de trabalhar assim.
Não era simulacro ou demagogia. Em Chávez, nada era simulacro ou demagogia. Sempre dizia o que pensava – o que nem sempre é adequado, num chefe de Estado. Mas a maioria dos venezuelanos amava aquela franqueza, porque dava a Chávez uma densidade, uma realidade que poucos políticos têm: era, portanto, alguém em quem se podia confiar.
A atitude não mudava em relação a outros governos. Embora tenha tido grandes brigas públicas com alguns governos, praticamente nunca criticou outro chefe de Estado, a menos que tivesse sido atacado antes. Manteve boas relações até com o governo direitista de Alvaro Uribe da Colômbia, durante vários anos; até que Uribe virou-se contra ele, o que Chávez interpretou (provavelmente com razão) como Uribe agindo sob ordens dos EUA. Quando Manuel Santos, que fora ministro da Defesa de Uribe, tornou-se presidente da Colômbia, em agosto de 2010 e decidiu restabelecer boas relações com Chávez, encontrou a porta aberta.[1] As relações foram imediatamente recompostas. Chávez era amigável com qualquer um que não o agredisse.
Mas havia mais que traços de personalidade e a busca de alianças – das quais Chávez precisava, se quisesse sobreviver, depois que o governo Bush declarou publicamente, em 2002, que tinha intenções de derrubá-lo (embora essa informação tenha passado praticamente sem qualquer notícia na imprensa-empresa dos EUA, há provas documentais consistentes do envolvimento de Washington no golpe militar de 2002 contra Chávez[2]). Chávez tinha visão solidária do mundo. Ele e seu governo construíram inúmeras políticas que não se orientavam pelo princípio de que “nações não têm amigos: nações têm interesses”.
Sempre viu as injustiças e desequilíbrios da ordem econômica e política mundial do mesmo modo como via as injustiças sociais dentro da Venezuela – como males sociais e algo que se podia combater com sucesso. Por que os EUA e meia dúzia de aliados ricos controlariam o FMI e o Banco Mundial? Ou por que escreveriam, só eles, as regras de comércio da OMC, ou da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas, que Chávez ajudou a derrotar)? A Venezuela não tinha qualquer interesse nacional específico nessas lutas, porque é dos grandes exportadores mundiais de petróleo.
Mas Chávez entendeu que eram lutas importantes para todos, e seu pensamento coincidiu com o que estava acontecendo no mundo: todo o planeta se encaminhava rapidamente para se tornar economicamente mais multipolar. A China, por exemplo, a qual, segundo as mais confiáveis estimativas[3] de seu poder paritário de compra [orig. purchasing power parity), já é a maior economia do mundo, praticamente não tem voz nem voto nem no FMI nem no Banco Mundial. Outros países em desenvolvimento têm ainda menos. As ideias de Chávez, portanto, ressoaram cada vez mais profundamente, em grande parte do mundo, especialmente na América Latina.
A imprensa-empresa: ‘informação’ sempre negativa sobre a Venezuela
Por outro lado, a história de Chávez também mostra o enorme poder da imprensa-empresa, a chamada ‘mídia’, no serviço de modelar a opinião pública. Muitos governos conhecem bastante bem as realizações do governo Chávez, mas, porque a imprensa-empresa norte-americana e, por via de repetição, a imprensa-empresa latino-americana só veiculavam, quase exclusivamente, ‘informação’ negativa sobre a Venezuela, durante 14 anos – sempre ‘informação’ exageradamente negativa e não raras vezes, ‘informação’ falsa[4] –, a maior parte da população no hemisfério ocidental jamais conheceu sequer os fatos básicos sobre a Venezuela ou sobre o governo de Chávez.
Poucos sabem que, depois que Chávez alcançou o controle sobre a indústria do petróleo, a economia da Venezuela passou a crescer muito bem; a pobreza foi reduzida à metade e a pobreza extrema, em mais de 70%. Poucos sabem que a maior parte desses ganhos veio do crescimento do emprego no setor privado, não de “esmolas do governo”. Poucos sabem que milhões de venezuelanos ganharam acesso a serviços públicos de saúde pela primeira vez; e que melhoraram todos os indicadores de educação (o número de matriculados no ensino superior duplicou); e que o número de aposentados saltou, de 500 mil, para mais de dois milhões.
De fato, a imprensa-empresa ocidental praticamente pintou a Venezuela como total fracasso econômico e político. E bem poucos sabem que nada há que assemelhe a Venezuela a algum tipo de “estado autoritário”. De fato, a imprensa-empresa venezuelana ainda faz, até hoje, campanha contra o governo.[5]
É um tipo de ‘jornalismo’ que ensina a não saber o que Chávez fez pelo hemisfério – não só os bilhões de dólares que distribuiu como ajuda, pelo programa Petrocaribe e outros, mas também – como Lula da Silva explicou – o papel que desempenhou na promoção da unidade continental e da segunda independência da América Latina.
Essa independência é muito mais que questão de orgulho nacional ou regional; é mais, até, que uma das mais radicais mudanças geopolíticas, até aqui, do século 21. É mudança que teve consequências imensas para os latino-americanos, onde a pobreza já caiu, de 42% no início da décadas, para 27%, em 2009. Difícil imaginar esse tipo de avanço econômico e social, no tempo em que a região vivia sob tutelagem do FMI/Washington; de fato, na região, como um todo, entre 1980 e 2000, o crescimento do PIB per capita foi praticamente zero.[6]
A maioria das pessoas em todo o hemisfério ocidental receberam uma visão à moda “Tea Party”, da Venezuela,[7] com a imprensa-empresa liberal e de direita, praticamente idêntica, sem noticiar praticamente nenhum fato, só mentiras, sobre a Venezuela e seu governo. (...).[8]
Por tudo isso, trava-se hoje uma nova batalha pela definição do legado de Chávez – e muitos já lutam para preservar os ‘ganhos’ que conseguiram na campanha para demonizar Chávez. Para esses, a onda de simpatia e de respeito por Chávez e por seu governo que se vê crescer em todo o mundo é problema real.[9]
Fato é que, durante os 14 anos de governo Chávez, os EUA perderam a maior parte da influência que sempre tiveram na América Latina, especialmente na América do Sul. Pode-se pois dizer com razoável certeza, que, na batalha contra Washington, Chávez venceu. E, com ele, a região e o planeta venceram. Por isso, será para sempre honrado, respeitado e lembrado – como foi, dia 8/3/2013, por praticamente todo o mundo.
* Mark Weisbrot
é co-diretor do Center for Economic and Policy Research, em Washington, DC. E
anima o blog Just Foreign Policy (http://www.justforeignpolicy.org/).
[5] http://www.cepr.net/index.php/blogs/the-americas-blog/venezuelan-economic-and-social-performance-under-hugo-chavez-in-graphs.
Quanto à imprensa-empresa brasileira, parece ser caso especial, no planeta. Em 2002, quando Chávez passou dois dias deposto, por golpe imediatamente derrotado pelo povo nas ruas, William Waack, um dos principais âncoras do principal ‘noticiário’ nacional, da Rede Globo, disse: “O estilo mandão de Chávez prova que a era do populismo não funciona. Quem trata a democracia como ele tratou, desrespeitando instituições e preferindo mandar com a bota em vez de dialogar, não deve ficar espantado ao ser varrido do poder” (o vídeo foi tirado do ar, mas a história aparece bem contada em http://www.facebook.com/ocupa.a.rede.globo/posts/503622223016553) [NTs].
Quanto à imprensa-empresa brasileira, parece ser caso especial, no planeta. Em 2002, quando Chávez passou dois dias deposto, por golpe imediatamente derrotado pelo povo nas ruas, William Waack, um dos principais âncoras do principal ‘noticiário’ nacional, da Rede Globo, disse: “O estilo mandão de Chávez prova que a era do populismo não funciona. Quem trata a democracia como ele tratou, desrespeitando instituições e preferindo mandar com a bota em vez de dialogar, não deve ficar espantado ao ser varrido do poder” (o vídeo foi tirado do ar, mas a história aparece bem contada em http://www.facebook.com/ocupa.a.rede.globo/posts/503622223016553) [NTs].
segunda-feira, março 11, 2013
A queda da Casa de Europa
Paris: o frio dos que perderam tudo
11/3/2013, Pepe Escobar, Asia Times Online
The Enchanters came / Cold and old,
Making day gray / And the age of gold
Passed away, / For men fell
Under their spell, / Were doomed to gloom.
Joy fled, / There came instead,
Grief, unbelief, / Lies, sighs,
Lust, mistrust, / Guile, bile,
Hearts grew unkind, / Minds blind,
Glum and numb, / Without hope or scope.
There was hate between states,
A life of strife, / Gaols and wails,
Dont's, wont's, / Chants, shants,
No face with grace, / None glad, all sad.
W H Auden, “The Golden Age”
[Thank You, Fog, NY: Faber and Faber, 1974]
Não se tem, infelizmente, versão pós-moderna de Dante guiado por Virgílio para contar a um mundo perplexo o que está realmente acontecendo na Europa, passada a recente eleição geral na Itália.
Na superfície, os italianos votaram um retumbante “não” – contra a austeridade (imposta à moda alemã); contra mais impostos; contra cortes no orçamento, desenhados, em teoria, para salvar o euro. Nas palavras do prefeito de Florença, de centro-esquerda, Matteo Renzi, “Nossos cidadãos falaram alto e claro, mas talvez ainda não tenhamos entendido completamente sua mensagem.” De fato, não é difícil entender.
Há quatro principais personagens nessa peça moral/existencial digna da mais ensandecida tradição da commedia dell 'arte.
O vencedor pírrico é Pier Luigi Bersani, líder da coalizão de centro-esquerda; mas não consegue formar governo. O perdedor indiscutível é o tecnocrata e ex-serviçal de Goldman Sachs, primeiro-ministro Mario Monti.
E há também os reais vencedores: “dois palhaços” – pelo menos de um ponto de vista alemão e da City de Londres, via The Economist. Os “palhaços” são o movimento comandado pelo comediante Beppe Grillo, “Movimento 5 Estrelas”, e o notório bilionário e ex-primeiro ministro Silvio “Bunga Bunga” Berlusconi.
Para tumultuar ainda mais as coisas, Berlusconi foi condenado a um ano de prisão, na 5ª-feira passada, numa corte de Milão, em processo que inclui escândalo de gravações clandestinas. Haverá apelação; e, como já aconteceu antes, noutra condenação, ele outra vez se safará. O mantra de Berlusconi não muda: “sou perseguido pelo judiciário italiano.”
Há mais, muito mais. Esses quatro personagens – Bersani, Monti, Grillo, Berlusconi – estão, de fato, no coração de imensa, imensíssima tragédia shakespeareana: o fracasso político da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), que, traduzido, implica que a política da União Europeia está sendo espatifada.
É o que acontece quando o projeto da União Europeia não tem nem jamais teve coisa alguma a ver com “união” política – e sempre só teve a ver com inventar o euro como moeda comum europeia. Não surpreende que, nessas circunstâncias, o mais importante mecanismo da unificação da Europa seja o Banco Central Europeu. Mas abandonem qualquer esperança de ver políticos europeus falando a seus esfarrapados cidadãos sobre alguma real união europeia. Será que alguém ainda quer união? E sob que formato?
Eis o Absurdistão
Por que as coisas aconteceram na Itália do jeito que aconteceram? Não encontrei melhor explicação que a de Marco Cattaneo (em http://cattaneo-lescienze.blogautore.espresso.repubblica.it/2013/02/26/le-elezioni-in-assurdistan/?ref=HREA-1), em artigo em que ele tenta entender o “Absurdistão”.
Tudo começou com uma lei eleitoral que até na Itália foi definida como ulna porcata [grande porcaria], validando um sistema “des-proporcional” (cientistas políticos, anotem!) que só poderia levar a situação absolutamente ingovernável.
Na excelente leitura de Cattaneo, a coalizão “Um por Todos, Todos por Um” (de Bersani), obteve 31,6% dos votos. A coalizão “Cada um por Si” (de Berlusconi) obteve 30,7%. E os novíssimos “1 = 1, o Resto = Zero” (de Grillo) obtiveram surpreendentes 23,8%.
Mesmo assim, desafiando qualquer lógica, no final “Cada um por Si” ficou com 116 assentos; “Um por Todos, Todos por Um”, com 113 assentos; e os “1 = 1, o Resto = Zero” ficaram só com 54 assentos – menos que a metade.
Nas ruas, de Nápoles a Turim e de Roma a Palermo, há outra explicação. Nada menos que 45% dos italianos, de aposentados que vivem com 1.000 euros [US$1,300] até banqueiros que fazem 10 milhões/ano, não querem mudança nenhuma. Outros 45% – os desempregados e os subempregados – querem mudança radical. E 10% não ligam – e jamais ligaram. Misture e acrescente tudo isso à lasagna da ingovernabilidade.
E extraia de lá uma colherzinha de sabedoria de cappuccino-no-balcão. Em breve, as finanças do Absurdistão estarão em estado tão lastimável quanto as finanças do Helenistão – terra vizinha, dos descendentes de Platão e Aristóteles. Quando acontecer, então, o Absurdistão será usado como modelo para a Europa e para o mundo: onde 1% da população controla 99% da riqueza nacional. De Lorenzo de Medici a Berlusconi; caso claro de Ascensão e Queda.
Bunga Bunga me, baby
Processado e julgado até o osso (inclusive com uma condenação por fraude fiscal em outubro de 2012; mas safou-se); beneficiário de leis espúrias explicitamente escritas e aprovadas para protegê-lo e seu gigantesco império empresarial: eis a saga Bunga Bunga rabelaisiana. Até agora, derrotou todos. Silvio Berlusconi talvez seja o último comeback kid.[1] Como conseguiu safar-se da cadeia, dessa vez?
É fácil, se você mistura voltagem bilionária de mídia (e controle pelas corporações) com promessas grotescas – como retalhar um muito detestado imposto sobre a propriedade. Como fazer, com a arrecadação que encolheria? Simples: Silvio prometeu novos impostos sobre o jogo, e negócio obscuro para recuperar alguns dos fundos que italianos mantêm em bancos suíços.
Faz alguma diferença que a Suíça já tenha dito bem claramente que seriam necessários muitos anos, até o esquema funcionar? Claro que não. Até a vasta oposição a Silvio teve de reconhecer que a ideia era “golpe de gênio”. Cerca de 25% dos italianos votaram no partido de Silvio. Quase 1/3 apoiou sua coalizão de direita. Na Lombardia – conhecida informalmente como o Texas da Itália – a coalizão reduziu o centro-esquerda a cacos. A Toscana, por sua vez, votou como tradicionalmente com a esquerda; e Roma, por essência, oscila.
Os eleitores de Silvio são, quase todos, pequenos e médios comerciantes; o norte da Itália comanda a economia. Odeiam impostos; vão de legiões de sonegadores aos asfixiados pela carga fiscal. Obviamente, dificilmente se preocupariam menos com o déficit orçamentário de Roma. E todos desejam que a chanceler alemã Angela Merkel apodreça no nono círculo do inferno de Dante.
Frau Merkel, por sua vez, acalenta a ideia de que cruzará tranquilamente as águas da eurozona rumo ao seu terceiro mandato, nas eleições de setembro próximo. Praticamente impossível – graças aos eleitores de Silvio e Beppe Grillo. Pode-se dizer que a um abismo entre norte e sul na Europa. A cúpula da União Europeia, nesse mês de março, será – literalmente, um quebra-quebra.
Aqueles sexy palhaços-políticos
A União Europeia vive o apocalipse. Le Monde insiste que a Europa não agoniza.[2] Ah, está. Está em coma.
E nem assim Bruxelas (aquela Comissão Europeia infestada de burocratas) e Berlin (o governo alemão) sequer cogitam de algum Plano B: é austeridade ou que-se-explodam. Previsivelmente, o ministro alemão das Finanças, Jeroen Dijsselbloem – novo cabeça da espetacularmente opaca, não transparente, comissão que comanda o euro – disse que o que Monti fazia (e foi furiosamente rejeitado pelos italianos) é “crucialmente necessário para toda a eurozona”.
Em 2012, a economia italiana encolheu 2,2%, mais de 100 mil pequenos negócios fecharam as portas (e, sim, todos votaram em Silvio) e o desemprego já passou de 10% (na realidade, já passou de 15%). A Itália talvez tenha a mais alta dívida nacional de toda a Eurozona, depois da Grécia. Mas aqui o Absurdistão manifesta-se outra vez, via a austeridade: o déficit fiscal da Itália é muito inferior ao da França e ao da Holanda.
Estourem a champagne: a França está em decadência vertical. Não se trata só de declínio da indústria, mas também da perene recessão, da turbulência social e de uma dívida pública que ultrapassa 90% do PIB. A França, a segunda maior economia da eurozona, pediu mais um ano à Comissão Europeia para baixar seu déficit para menos de 3% do PIB. Jens Weidman, presidente do Bundesbank, rugiu que “Esqueçam”.
Portugal também está pedindo água à troika. A economia portuguesa encolheu (cerca de 2%) pelo terceiro ano consecutivo, com desemprego acima de 17%.
A Espanha vive sob horrenda recessão, além de enfrentar crise monstro da dívida. O PIB caiu 0,7% em 2012 e, segundo o Citibank, cairá mais 2,2% em 2013. O desemprego alcança inacreditáveis 26%, com mais de 50% dos jovens, desempregados. Nem todos acertam a loteria, jogando no Barcelona ou no Real Madrid. A Irlanda tem o maior déficit da eurozona, 8%, e acaba de reestruturar a dívida de seus bancos.
A Grécia está no quinto ano consecutivo de recessão, com desemprego acima de 30% – e, isso, depois de dois pacotes de austeridade. Atenas corre em círculos, tentando escapar dos credores, ao mesmo tempo em que tenta aliviar alguns dos cortes draconianos. Os gregos já não têm dúvidas: a situação é pior que a da Argentina em 2001. E lembrem: a Argentina deu calote nos bancos.
Até a Holanda enfrenta grave crise bancária. E, como se não bastasse, David Cameron pôs em torvelinho o futuro da Grã-Bretanha.
Assim sendo, é, mais uma vez, a vez de Silvio – e quem mais poderia ser? – de temperar o cozidão. Só o Cavaliere seria capaz de dizer que o famoso spread – a diferença entre o quanto Itália e Alemanha pagam para tomar empréstimos nos mercados de ações – foi “inventado” em 2011 por Berlin (o governo alemão) e Frankfurt (o Banco Central Europeu), para conseguir livrar-se Dele, de Silvio, e “eleger” o tecnocrata Monti.
A imprensa-empresa alemã, também previsivelmente, não quer saber de prisioneiros vivos. A Itália e os italianos são diariamente ridicularizados como “infantiloides”, “ingovernáveis”, “gravíssimo risco para a eurozona”. (Por exemplo, ver Der Spiegel[3].)
O tabloide Bild, ultrapopular, inventou até nova pizza: não “Quatro Estações” [Quattro Stagioni], mas “Quatro Estagnações” [Quattro Stagnazioni].
O veredicto é uma Itália “nas mãos de palhaços-políticos que podem destruir o euro ou forçar o país a sair”. Até o liberal-progressista Der Tagesspiegel em Berlim define a Itália como “um perigo para a Europa”.
Peer Steinbruck, ex-ministro alemão das Finanças e candidato social-democrata contra Merkel em setembro próximo, resumiu: “Em certa medida, estou aterrorizado, agora que dois palhaços venceram as eleições.”
Assim sendo, seja qual for o governo que surja na Itália, a mensagem de Bruxelas, Berlin e Frankfurt é sempre a mesma: se não cortarem, cortarem, cortarem, ficarão por sua própria conta.
A Alemanha, essa, só tem um Plano A. Chama-se “Esqueçam o Club Med”. Significa integração mais íntima com a Europa Oriental (e ali, um pouco depois, na mesma estrada, a Turquia). Um acordo de livre comércio com os EUA. E mais negócios com a Rússia – a chave é a energia – e com os BRICS em geral. Digam o que digam os jornais, fato é que os think-tanks alemães já estão trabalhando com uma eurozona de duas pistas.
O povo quer alívio monetário / The people want quantitative easing
O filme, de título muito adequado, Girlfriend in a Coma [Namorada em Coma],[4] dirigido por Annalisa Piras e escrito em coautoria com Bill Emmett, ex-editor de The Economist, tentou dar conta, com algum sentido, dos vícios e virtudes da Itália.
E mesmo assim, não só via Prada ou Maserati, presunto de Parma ou vinhos Brunello, a Itália continua a ter lampejos de brilho: o melhor aplicativo do mundo – Atom, que permite personalizar as funções de um telefone celular, sem que você tenha de entender de alta programação de computadores – foi criado por quatro jovens de 20 e poucos anos, em Roma, como La Repubblica noticiou.[5]
O filósofo Franco Berardi – que nos anos 1970s participou do movimento italiano dos autonomistas – avalia corretamente que o que a Europa vive hoje é consequência direta dos anos 1990s, quando o capital financeiro sequestrou o modelo europeu e o engessou sob o neoliberalismo.
Subsequentemente, pode-se argumentar, consistentemente, que os Mestres do Universo financeiro usaram o período pós-crise financeira de 2008 para superturbinar a desintegração da União Europeia via um tsunami de cortes nos salários, precarização dos empregos para os mais jovens, achatamento das aposentadorias e privatização hardcore de tudo. Não surpreende que cerca de 75% dos italianos tenham dito “não” a Monti e Merkel.
O resumo da ópera é que os europeus – dos países do Club Med a algumas economias do norte – tenham-se cansado de ter de pagar as dívidas acumuladas pelo sistema financeiro.
O movimento de Grillo per se – apesar de seus 8,7 milhões de votos – não consegue, obviamente, governar a Itália. Algumas de suas (vagas) ideias têm enorme apelo entre as novas gerações, sobretudo no que tenham a ver com calote unilateral na dívida pública (vejam os exemplos de Argentina, Islândia e Rússia), a estatização dos bancos e uma renda “de cidadania” para todos, de 1.000 euros por mês. Daí em diante, haveria referendo e mais referendo, sobre acordos de livre comércio, participação na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e, claro, permanecer ou não na eurozona.
O que o movimento de Grillo já fez é mostrar o quanto a Europa é ingovernável sob o mantra de Monti-Merkel, da austeridade. Agora, a bola está no campo da elite financeira europeia. Muitos não se incomodariam de deixar que a Itália converta-se numa nova Grécia.
Assim, voltamos ao início. A única saída é uma reformulação política da União Europeia. No pé em que estão as coisas, a Europa assiste, impotente, a morte do estado de bem-estar, sacrificado no altar da Recessão. Assim a Europa vai rumando para a irrelevância global – apesar do Real Madrid e do Bayern de Munique.
A Queda da Casa de Europa pode vir a ser história de horror, além de qualquer coisa imaginada por Poe[6] – com elementos (já visíveis) de fascismo, exploração neo-Dickensiana de trabalhadores e guerra social, civil, ampla. Nesse contexto, a lenta reconstrução de uma Europa com base social pode tornar-se sonho movido a ópio.
O que Dante faria dessa matéria bruta? Roberto Benigni, nascido na Toscana, está atualmente lendo e comentando em profundidade os cantos XI até XXII – do Inferno de Dante, ponto alto da Divina Comédia. Assisti, boquiaberto, pela televisão, RAI – a praça em frente à fabulosa igreja Santa Croce em Florença, absolutamente lotada – à perfeição cósmica das palavras do Maestro que dão sentido a tudo isso.
Se, pelo menos, seu espírito iluminasse esses vendilhões do Inferno, de Monti a Merkel, de Silvio aos banqueiros da Europa Central – e alinhassem o Homem outra vez às estrelas e mostrasse o caminho a essa Europa atormentada.
[1] Sobre a expressão, que designa, na
gíria dos EUA, no registro pejorativo: (a) alunos que adiam a formatura na
escola secundária, para continuar a comer de graça na escola; (b) quem se muda
da casa dos pais, mas continua a voltar diariamente para comer e lavar a roupa,
ver http://www.urbandictionary.com/define.php?term=comeback%20kid
[NTs].
[6] Referência ao conto magistral de Poe,
“A queda da casa de Usher”. O conto pode ser lido em português em http://www.beatrix.pro.br/index.php/a-queda-da-casa-de-usher-edgar-allan-poe/
[NTs].
da Vila Vudu
quarta-feira, março 06, 2013
El comandante deixou o prédio [1]
6/3/2013, Pepe Escobar, Asia Times Online
Parece filme, a história de um homem do povo que cresce, contra todas as probabilidades até se tornar o Elvis político da América Latina. Muito maior que Elvis, na verdade, presidente que venceu 13 de 14 eleições nacionais democráticas. Chance zero de alguém ver esse filme premiado com algum Óscar – nem, jamais, de ser produzido em Hollywood. A menos, é claro, que Oliver Stone convença a HBO a fazer um especial para a televisão a cabo e DVD.
Que inspirador, que iluminador assistir às reações dos líderes mundiais à morte de El Comandante Hugo Chávez da Venezuela. O presidente do Uruguai Jose Mujica – homem que rejeita 90% do salário, porque insiste que precisa de muito menos para atender às suas necessidades básicas – mais uma vez lembrou que, para ele, Chávez sempre foi “o líder mais generoso que jamais conheci”; e elogiou a “fortaleza da democracia” da qual Chávez foi grande construtor.
Compare-se isso com o presidente dos EUA Barack Obama – no que parece ser requentamento, tipo corta-cola, de circular interna da Casa Branca – reafirmando o apoio dos EUA “ao povo venezuelano”.
Estaria apoiando o mesmo “povo venezuelano” que elegeu e reelegeu Chávez, sem interrupção, desde o final dos anos 1990s? Ou é apoio só ao “povo venezuelano” que vive a entornar Martinis em Miami, enquanto demoniza Chávez como perigoso comunista do mal?
El Comandante pode até já ter deixado o prédio – o corpo derrotado pelo câncer –, mas a demonização post mortem prosseguirá para sempre. Uma das razões disso salta aos olhos. A Venezuela é dona da maior reserva de petróleo do mundo. Washington e aquela cidadela kafkiana, em ruínas, também conhecida como União Europeia vivem a cantar All You Need is Love, sem parar, aos pés daqueles fantasmagóricos, espectrais, feudais petromonarcas do Golfo Persa (nunca, claro, para “o povo”), em troca do petróleo deles. Mas, diferente disso, na Venezuela, El Comandante Chávez apareceu lá com a ideia subversiva de usar a riqueza do petróleo para, pelo menos, minorar o sofrimento dos venezuelanos. O turbocapitalismo ocidental, como é bem sabido, não faz redistribuição de riqueza nem dá força e poder a valores comunitários.
Odeio você, cabron
Segundo o Ministro de
Relações Externas, o vice-presidente Nicolas Maduro – e não o presidente da
Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, íntimo dos chefes militares – assumirá a
presidência até as próximas eleições, a serem realizadas dentro de 30 dias. Tudo
autoriza a prever que Maduro será eleito. A oposição política na Venezuela é uma
piada em formato de colcha de retalhos. Pode-se começar a pensar em chavismo sem
Chávez – para imenso desgosto e ira infinita da vasta indústria pan-americana e
pan-europeia de odiadores de Chávez.
Não aconteceu por acaso, que El Comandante tenha-se tornado imensamente popular entre “o povo”, não só em vastas regiões da América Latina mas, também, em todo o Sul Global. Esse “o povo” – e não é o mesmo “o povo” de que Barack Obama fala – viu claramente a correlação direta que há entre o neoliberalismo e a expansão da miséria (hoje, milhões de europeus estão duramente conhecendo o mesmo gosto amargo). Especialmente na América do Sul, foi a reação popular contra o neoliberalismo que desencadeou – mediante eleições democráticas – uma onda de governos de esquerda na última década, da Venezuela à Bolívia, Equador e Uruguai.
O governo Bush detestou tudo isso – para dizer o mínimo. Nada pôde fazer contra Lula no Brasil – operador inteligente que vestiu terno neoliberal (Wall Street o adorava), mas manteve o coração progressista. Washington – incapaz de pensar fora da caixa dos vícios dos golpes e mais golpes dos anos 1960s e 1970s – supôs que Chávez seria o elo fraco. Assim aconteceu, em abril de 2002, o golpe chefiado por uma facção de militares, que pôs no poder (digamos!) um rico empresário venezuelano. O golpe, apoiado pelos EUA, durou menos de 48 horas; Chávez foi devidamente reimpossado, apoiado pelo “o povo” (o verdadeiro) e grande parte do Exército.
Exatamente por isso, nada há de surpreendente em Maduro ter anunciado, algumas horas antes da morte de El Comandante, que dois empregados da embaixada dos EUA estavam sendo expulsos do país: o adido David Delmonaco e o adido-assistente Devlin Costal. Delmonaco foi acusado de fomentar – e o que mais essa gente “fomenta”?! – um golpe, com alguns grupos de militares venezuelanos. Esses gringos não aprendem!
Há entre os chavistas imensíssima suspeita de que El Comandante tenha sido envenenado – e bem se pode prever algum tipo de replay talvez um pouco mais complexo do que aconteceu a Yasser Arafat em 2004. Pode ter sido envenenado por Polônio-210 radiativo, como no caso de Arafat. A CIA, menina dos olhos de Hollywood, talvez tenha também algumas ideias sobre mais esse assassinato.
Estou todo mexido... [2]
Está aberto o veredicto sobre que exato tipo de revolucionário foi Chávez. Sempre elogiou todos, de Mao a Che, no Pantheon revolucionário. Sem dúvida foi líder popular muito habilidoso, com fino olhar geopolítico para identificar os padrões centenários de subjugação da América Latina. Daí suas repetidas referência à tradição revolucionária hispânica, de Bolívar a Martí.
O mantra de Chávez era que a única saída para melhor futuro na América Latina teria de ser a integração; daí os muitos e muitos mecanismos que criou e impulsionou, da ALBA (Aliança Bolivariana) a Petrocaribe, do Banco do Sul à UNASUL (União dos países latino-americanos).
Quanto ao seu “socialismo do século 21”, que escapava de todas as camisas-de-força ideológicas, fez mais para explorar o verdadeiro espírito dos valores comuns e partilhados – como um antídoto contra a putrefação do capitalismo financeiros super turbinado – que toneladas de análises acadêmicas neomarxistas.
Não surpreende que, para a gangue e asseclas de Goldman Sachs, Chávez pareça mais perigoso que a Peste Negra. A Venezuela comprou jatos Sukhoi de combate; criou e aprofundou laços estratégicos com dois grandes BRICS, Rússia e China – além de outros atores em todo o Sul Global; mantém mais de 30 mil médicos cubanos em treinamento de medicina preventiva, vivendo em comunidades pobres –, o que gerou uma explosão de jovens venezuelanos estudando medicina.
Números impressionantes contam grande parte da história que tem de ser conhecida. O déficit público na Venezuela não passa de meros 7,4% do PIB. A dívida pública alcança apenas 51,3% do PIB – muito abaixo da média da União Europeia. O setor público – ao contrário do que pretendem as apocalípticas acusações de “comunismo!” – equivale a apenas 18,4% da economia, menos que a estatizada França e que toda a Escandinávia. Em termos de geopolítica do petróleo, as quotas são estabelecidas pela OPEC; assim, o fato de que a Venezuela esteja exportando menos para os EUA implica que está diversificando seu portfólio de clientes (e exportando mais e mais para a China, parceira estratégica).
E eis o grande trunfo: a pobreza desgraçava 71% dos cidadãos venezuelanos em 1996. Em 2010, a porcentagem já fora reduzida para 21%. Para análise séria da economia venezuelana na era Chávez, vide http://venezuelanalysis.com/analysis/7513.
Anos atrás, foi preciso que aparecesse um romancista soberbo, como Garcia Marquez, para ver e explicar que o segredo de El Comandante estava em ele ser o grande Comunicador; era um deles (do seu “povo”, não no sentido de Barack Obama); da aparência física às atitudes e maneirismos, à cordialidade, ao palavreado (o mesmo se aplicava a Lula, em relação a muitos brasileiros).
Assim sendo, enquanto Oliver Stone sonda o mercado cinematográfico, temos de esperar por algum Garcia Marquez, que eleve Chávez ao Walhalla literário. Uma coisa é certa: em termos da narrativa do Sul Global, a história recordará que El Comandante, sim, deixou o prédio. Mas, depois dele, o prédio nunca mais foi o mesmo.
Não aconteceu por acaso, que El Comandante tenha-se tornado imensamente popular entre “o povo”, não só em vastas regiões da América Latina mas, também, em todo o Sul Global. Esse “o povo” – e não é o mesmo “o povo” de que Barack Obama fala – viu claramente a correlação direta que há entre o neoliberalismo e a expansão da miséria (hoje, milhões de europeus estão duramente conhecendo o mesmo gosto amargo). Especialmente na América do Sul, foi a reação popular contra o neoliberalismo que desencadeou – mediante eleições democráticas – uma onda de governos de esquerda na última década, da Venezuela à Bolívia, Equador e Uruguai.
O governo Bush detestou tudo isso – para dizer o mínimo. Nada pôde fazer contra Lula no Brasil – operador inteligente que vestiu terno neoliberal (Wall Street o adorava), mas manteve o coração progressista. Washington – incapaz de pensar fora da caixa dos vícios dos golpes e mais golpes dos anos 1960s e 1970s – supôs que Chávez seria o elo fraco. Assim aconteceu, em abril de 2002, o golpe chefiado por uma facção de militares, que pôs no poder (digamos!) um rico empresário venezuelano. O golpe, apoiado pelos EUA, durou menos de 48 horas; Chávez foi devidamente reimpossado, apoiado pelo “o povo” (o verdadeiro) e grande parte do Exército.
Exatamente por isso, nada há de surpreendente em Maduro ter anunciado, algumas horas antes da morte de El Comandante, que dois empregados da embaixada dos EUA estavam sendo expulsos do país: o adido David Delmonaco e o adido-assistente Devlin Costal. Delmonaco foi acusado de fomentar – e o que mais essa gente “fomenta”?! – um golpe, com alguns grupos de militares venezuelanos. Esses gringos não aprendem!
Há entre os chavistas imensíssima suspeita de que El Comandante tenha sido envenenado – e bem se pode prever algum tipo de replay talvez um pouco mais complexo do que aconteceu a Yasser Arafat em 2004. Pode ter sido envenenado por Polônio-210 radiativo, como no caso de Arafat. A CIA, menina dos olhos de Hollywood, talvez tenha também algumas ideias sobre mais esse assassinato.
Estou todo mexido... [2]
Está aberto o veredicto sobre que exato tipo de revolucionário foi Chávez. Sempre elogiou todos, de Mao a Che, no Pantheon revolucionário. Sem dúvida foi líder popular muito habilidoso, com fino olhar geopolítico para identificar os padrões centenários de subjugação da América Latina. Daí suas repetidas referência à tradição revolucionária hispânica, de Bolívar a Martí.
O mantra de Chávez era que a única saída para melhor futuro na América Latina teria de ser a integração; daí os muitos e muitos mecanismos que criou e impulsionou, da ALBA (Aliança Bolivariana) a Petrocaribe, do Banco do Sul à UNASUL (União dos países latino-americanos).
Quanto ao seu “socialismo do século 21”, que escapava de todas as camisas-de-força ideológicas, fez mais para explorar o verdadeiro espírito dos valores comuns e partilhados – como um antídoto contra a putrefação do capitalismo financeiros super turbinado – que toneladas de análises acadêmicas neomarxistas.
Não surpreende que, para a gangue e asseclas de Goldman Sachs, Chávez pareça mais perigoso que a Peste Negra. A Venezuela comprou jatos Sukhoi de combate; criou e aprofundou laços estratégicos com dois grandes BRICS, Rússia e China – além de outros atores em todo o Sul Global; mantém mais de 30 mil médicos cubanos em treinamento de medicina preventiva, vivendo em comunidades pobres –, o que gerou uma explosão de jovens venezuelanos estudando medicina.
Números impressionantes contam grande parte da história que tem de ser conhecida. O déficit público na Venezuela não passa de meros 7,4% do PIB. A dívida pública alcança apenas 51,3% do PIB – muito abaixo da média da União Europeia. O setor público – ao contrário do que pretendem as apocalípticas acusações de “comunismo!” – equivale a apenas 18,4% da economia, menos que a estatizada França e que toda a Escandinávia. Em termos de geopolítica do petróleo, as quotas são estabelecidas pela OPEC; assim, o fato de que a Venezuela esteja exportando menos para os EUA implica que está diversificando seu portfólio de clientes (e exportando mais e mais para a China, parceira estratégica).
E eis o grande trunfo: a pobreza desgraçava 71% dos cidadãos venezuelanos em 1996. Em 2010, a porcentagem já fora reduzida para 21%. Para análise séria da economia venezuelana na era Chávez, vide http://venezuelanalysis.com/analysis/7513.
Anos atrás, foi preciso que aparecesse um romancista soberbo, como Garcia Marquez, para ver e explicar que o segredo de El Comandante estava em ele ser o grande Comunicador; era um deles (do seu “povo”, não no sentido de Barack Obama); da aparência física às atitudes e maneirismos, à cordialidade, ao palavreado (o mesmo se aplicava a Lula, em relação a muitos brasileiros).
Assim sendo, enquanto Oliver Stone sonda o mercado cinematográfico, temos de esperar por algum Garcia Marquez, que eleve Chávez ao Walhalla literário. Uma coisa é certa: em termos da narrativa do Sul Global, a história recordará que El Comandante, sim, deixou o prédio. Mas, depois dele, o prédio nunca mais foi o mesmo.
[1] A expressão
tradicional, já idiomática, é Elvis has just left the building [Elvis
deixou o prédio], expressão que se usava, ao final dos concertos de Elvis
Presley, para que a multidão se dispersasse. Frank Zappa usou a expressão como
título da trilha de abertura do álbum “Broadway the Hard Way” (ouve-se em http://www.youtube.com/watch?v=mvNV5IxxB4A)
[NTs].
[2] Orig. All
shook up, rock and roll que Elvis Presley gravou em 1957, que se ouve
em http://letras.mus.br/elvis-presley/31545/
(mais sobre a canção em http://en.wikipedia.org/wiki/All_Shook_Up
) [NTs].
da Vila Vudu
terça-feira, março 05, 2013
Chávez se foi - Lula, o Brasil e o PT passam a desempenhar um papel ainda mais importante na união das forças progressistas da América Latina.
*Presidente da Assembléia Nacional da Venezuela assume o governo interino e deve convocar eleições antes de um mês** Nicolas Maduro assume o comando político da revolução** O Exército venezuelano entra em prontidão e reafirma sua lealdade ao regime bolivariano** oposição fala em 'união da família' venezuelana'** Lula, o Brasil e o PT passam a desempenhar um papel ainda mais importante na união das forças progressistas da América Latina.
CHÁVEZ SE FOI A esperança socialista em todo o mundo tem os olhos voltados para a América Latina. Hoje mais que nunca, é o olhar de uma vigília tensa e solidária. Chávez se foi. O povo venezuelano está convocado a uma tarefa histórica: superar o mais duro teste de uma revolução, que é sobreviver aos seus líderes e agregadores. Resistir ao cerco conservador. E avançar no passo seguinte de sua história, do qual depende, em parte também, o futuro da justiça social em toda a América Latina. (leia o especial sobre a Venezuela nesta pág)
(Carta Maior; 4ª feira, 06/03/2013)
Morre o presidente Hugo Chávez
O presidente da Venezuela e líder da 'revolução bolivariana', Hugo Chávez Frias, morreu nesta terça (5), aos 58 anos, vítima de câncer. O vice-presidente do país, Nicolás Maduro, fez o anúncio durante a tarde, em rede de rádio e televisão. Ele já havia confirmado, durante o dia, a notícia de que o estado de saúde de Chávez se agravara. "Viva Hugo Chávez! Viva para sempre", celebrou Maduro.
Da Redação*
O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a morte do presidente Hugo Chávez, em pronunciamento em rede de rádio e televisão. Chávez tinha 58 anos e morre após enfrentar longo tratamento contra o câncer, parte dele feito em Cuba.
O governo ainda vai informar onde será velado o corpo de Chávez e dará detalhes sobre o sepultamento. Maduro pediu que o povo venezuelano enfrente este momento "com o amor que Chávez ensinou". O vice-presidente encerrou a fala com a frase: "Viva Hugo Chávez! Viva para Sempre".
As Forças Armadas venezuelanas, também em comunicado em rede nacional de rádio e televisão, disse que se unia ao povo "neste momento de dor", que permanece unida e que manterá a luta pelos ideais de Chávez. O texto aponta que a Constituição seguirá sendo respeitada e que Maduro poderá "contar com as Forças Armadas".
Por causa da morte do presidente da Venezuela, Dilma Rousseff cancelou a viagem que faria à Argentina na próxima quinta-feira (7). A presidenta iria a El Calafate para reuniões bilaterais com sua colega argentina, Cristina Kirchner.
Ao falar, com a voz embargada, sobre a morte de Chávez, Dilma afirmou: "O presidente Hugo Chávez deixará no coração, na história e nas lutas da América Latina um vazio. Lamento, como presidente da República e como uma pessoa que tinha por ele um grande carinho".
A presidenta Dilma participava nesta terça do Congresso Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, que ocorre em Brasília. Ela e sua colega argentina, Cristina Kirchner, devem viajar à Venezuela para participar do velório de Chávez.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conviveu bastante com Chávez ao longo de seus oito anos de governo, divulgou nota oficial.
"Eu me solidarizo com o povo venezuelano, com os familiares e correligionários de Chávez, neste dia tão triste, mas tenho a confiança de que seu exemplo de amor à pátria e sua dedicação à causa dos menos favorecidos continuarão iluminando o futuro da Venezuela", diz um trecho da nota.
Clique aqui para ler o especial 'O Chavismo além de Chávez'
*Com informações da Agência Brasil
O governo ainda vai informar onde será velado o corpo de Chávez e dará detalhes sobre o sepultamento. Maduro pediu que o povo venezuelano enfrente este momento "com o amor que Chávez ensinou". O vice-presidente encerrou a fala com a frase: "Viva Hugo Chávez! Viva para Sempre".
As Forças Armadas venezuelanas, também em comunicado em rede nacional de rádio e televisão, disse que se unia ao povo "neste momento de dor", que permanece unida e que manterá a luta pelos ideais de Chávez. O texto aponta que a Constituição seguirá sendo respeitada e que Maduro poderá "contar com as Forças Armadas".
Por causa da morte do presidente da Venezuela, Dilma Rousseff cancelou a viagem que faria à Argentina na próxima quinta-feira (7). A presidenta iria a El Calafate para reuniões bilaterais com sua colega argentina, Cristina Kirchner.
Ao falar, com a voz embargada, sobre a morte de Chávez, Dilma afirmou: "O presidente Hugo Chávez deixará no coração, na história e nas lutas da América Latina um vazio. Lamento, como presidente da República e como uma pessoa que tinha por ele um grande carinho".
A presidenta Dilma participava nesta terça do Congresso Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, que ocorre em Brasília. Ela e sua colega argentina, Cristina Kirchner, devem viajar à Venezuela para participar do velório de Chávez.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conviveu bastante com Chávez ao longo de seus oito anos de governo, divulgou nota oficial.
"Eu me solidarizo com o povo venezuelano, com os familiares e correligionários de Chávez, neste dia tão triste, mas tenho a confiança de que seu exemplo de amor à pátria e sua dedicação à causa dos menos favorecidos continuarão iluminando o futuro da Venezuela", diz um trecho da nota.
Clique aqui para ler o especial 'O Chavismo além de Chávez'
*Com informações da Agência Brasil
segunda-feira, março 04, 2013
Para Saber
Portal Brasil -
Obras de
transposição do Rio São Francisco estão 43% concluídas
Sete dos
16 lotes estão em atividade, com 1,1 mil equipamentos em operação e mais de 4
mil pessoas empregadas
Daniel Nek/Ministério
da Integração Nacional
Frente de trabalho nas obras
de interligação de bacias do São Francisco, uma das prioridades do
PAC
2
As obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco apontam mais de 43% de avanço, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Integração Nacional nesta quarta-feira (12). Sete dos 16 lotes de obras estão em atividade, com construção de túneis canais, aquedutos e barragens e mais de 1,1 mil equipamentos em operação. As obras empregam, atualmente, mais de 4.100 trabalhadores.
O projeto tem dois eixos - Norte e Leste - e foi dividido, para sua execução, em dois canais de aproximação e outros 14 lotes de obras, totalizando 16. O canal de aproximação do eixo Norte já está concluído. Neste eixo, dois trechos contam com trabalhos 24 horas por dia: o lote 8, em Salgueiro (PE), e o lote 14, em São José de Piranhas (PB). As obras do Projeto São Francisco empregam, atualmente, mais de 4.100 trabalhadores.
O eixo Norte, com captação do rio São Francisco próximo à cidade de Cabrobó (PE), percorrerá cerca de 426 km, conduzindo água aos rios Salgado e Jaguaribe, no Ceará; Apodi, no Rio Grande do Norte; e Piranhas-Açu, na Paraíba. Este eixo beneficiará mais de 7,1 milhões de pessoas.
O eixo Leste, com captação no lago da barragem de Itaparica, no município de Floresta (PE), percorrerá 287 km até o rio Paraíba (PB), após deixar parte da vazão transferida nas bacias do Pajeú, do Moxotó e da região agreste de Pernambuco. Este eixo beneficiará mais de 4,5 milhões de pessoas.
Assista vídeo
relacionado:
Adutora em Malhada (BA) levará águas do São Francisco para
regiões que sofrem
http://www.youtube.com/watch?v=EbJQTt5eOcQ&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=EbJQTt5eOcQ&feature=player_embedded
NBR NOTÍCIAS - 09.11.12:
Dilma Rousseff participou, nesta sexta-feira (09), da cerimônia de inauguração
da primeira etapa do sistema adutor da região de Guanambi -- Adutora do Algodão,
em Malhada (BA). A primeira etapa da obra conta com investimento do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Serão construídos 265 quilômetros de adutoras,
uma estação de tratamento de água, uma estação de tratamento de lodo, seis
elevatórias e seis reservatórios, gerando uma vazão de 480 litros por segundo,
quando em sua plena capacidade.
O
projeto
A região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. O rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional. As bacias do semiárido setentrional têm uma oferta hídrica per capita bem inferior à considerada ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é de 1.500 m3/hab/ano. A disponibilidade no Nordeste Setentrional por habitante ao ano é de em média 450 m3/hab/ano.
Diante dessa realidade, o Projeto São Francisco estabelece a interligação da bacia hidrográfica do rio São Francisco, que apresenta relativa abundância de água (1850 m³/segundo de vazão garantida pelo reservatório de Sobradinho), com bacias inseridas no Nordeste Setentrional, com água para consumo humano e animal.
A região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. O rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional. As bacias do semiárido setentrional têm uma oferta hídrica per capita bem inferior à considerada ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é de 1.500 m3/hab/ano. A disponibilidade no Nordeste Setentrional por habitante ao ano é de em média 450 m3/hab/ano.
Diante dessa realidade, o Projeto São Francisco estabelece a interligação da bacia hidrográfica do rio São Francisco, que apresenta relativa abundância de água (1850 m³/segundo de vazão garantida pelo reservatório de Sobradinho), com bacias inseridas no Nordeste Setentrional, com água para consumo humano e animal.
Leia
também:
As bacias beneficiadas pela água do rio
São Francisco serão: Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e Bacias do Agreste, em
Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas, no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu, no Rio
Grande do Norte; Paraíba e Piranhas, na Paraíba.
O Projeto São Francisco vai além dos eixos Leste e Norte. Contempla diversas obras existentes ou em construção que aumentam o alcance do abastecimento de água. Entre esses empreendimentos estão a Adutora do Agreste (PE), Vertentes Litorâneas (PB) e o Eixão das Águas (CE), que já atende a região metropolitana de Fortaleza, a partir da captação d'água no açude Castanhão e receberá água do rio São Francisco do Eixo Norte.
O Projeto São Francisco vai além dos eixos Leste e Norte. Contempla diversas obras existentes ou em construção que aumentam o alcance do abastecimento de água. Entre esses empreendimentos estão a Adutora do Agreste (PE), Vertentes Litorâneas (PB) e o Eixão das Águas (CE), que já atende a região metropolitana de Fortaleza, a partir da captação d'água no açude Castanhão e receberá água do rio São Francisco do Eixo Norte.
Benefícios
Os estados contemplados pelo projeto serão: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e destacam-se o aumento da garantia de oferta hídrica proporcionada pelos maiores reservatórios estaduais; redução dos conflitos existentes nas bacias dos estados; melhor distribuição espacial da água ofertada pelos açudes estaduais; e abastecimento seguro para os municípios. Serão beneficiados diretamente 391 municípios.
Os estados contemplados pelo projeto serão: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e destacam-se o aumento da garantia de oferta hídrica proporcionada pelos maiores reservatórios estaduais; redução dos conflitos existentes nas bacias dos estados; melhor distribuição espacial da água ofertada pelos açudes estaduais; e abastecimento seguro para os municípios. Serão beneficiados diretamente 391 municípios.
Leia
também:
O projeto contempla 38 ações socioambientais, com o investimento de quase
R$ 1 bilhão. Na lista, destacam-se as vilas produtivas, o abastecimento de água
para populações difusas, ações de preservação da fauna e flora, apoio a
comunidades indígenas e quilombolas, controle da qualidade da água e trabalhos
de arqueologia.
Conclusão das obras
Desde 2011, o Ministério da Integração Nacional realiza o acompanhamento das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco por meio de seis etapas úteis, três para cada eixo.
No eixo Leste, está previsto para conclusão em setembro de 2013, a captação no reservatório de Itaparica até o reservatório Areias (meta 1L), ambos em Floresta (PE). É uma meta piloto para testes do sistema de operação. Já as obras entre a saída do reservatório Areias e o reservatório Barro Branco, em Custódia (PE) (meta 2L), deverão ser concluídas no final de setembro de 2014. O trecho entre o reservatório Barro Branco e o reservatório Poções, em Monteiro (PB) (meta 3L), deverá ser finalizado em dezembro de 2014.
Já no eixo Norte, as obras de captação do rio São Francisco, no município de Cabrobó (PE), até o reservatório de Jati, em Jati (CE) (meta 1N) estão previstas para serem concluídas em setembro de 2014. O trecho entre o reservatório Jati e o reservatório Boi II, no município de Brejo Santo (CE) (meta 2N), deverá ser concluído em dezembro de 2014.
Conclusão das obras
Desde 2011, o Ministério da Integração Nacional realiza o acompanhamento das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco por meio de seis etapas úteis, três para cada eixo.
No eixo Leste, está previsto para conclusão em setembro de 2013, a captação no reservatório de Itaparica até o reservatório Areias (meta 1L), ambos em Floresta (PE). É uma meta piloto para testes do sistema de operação. Já as obras entre a saída do reservatório Areias e o reservatório Barro Branco, em Custódia (PE) (meta 2L), deverão ser concluídas no final de setembro de 2014. O trecho entre o reservatório Barro Branco e o reservatório Poções, em Monteiro (PB) (meta 3L), deverá ser finalizado em dezembro de 2014.
Já no eixo Norte, as obras de captação do rio São Francisco, no município de Cabrobó (PE), até o reservatório de Jati, em Jati (CE) (meta 1N) estão previstas para serem concluídas em setembro de 2014. O trecho entre o reservatório Jati e o reservatório Boi II, no município de Brejo Santo (CE) (meta 2N), deverá ser concluído em dezembro de 2014.
Assista vídeo relacionado:
Projeto de integração do Rio São Francisco inicia 5º lote de
obrashttp://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=NaHWQrY-Gdk
NBR NOTÍCIAS - 31.08.12: A autorização para início
das obras do 5º lote do Projeto de Integração do Rio São Francisco foi assinado
nesta sexta-feira (31). Ao todo, serão investidos R$ 518 milhões na construção
de seis novos reservatórios e ampliação de mais um. O trecho da obra fica no
município de Jati, no Ceará. A obra faz parte do Programa de Aceleração do
Cresimento e vai levar água para 12 milhões de pessoas em 390 municípios de
Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
As obras entre o reservatório Boi II e o reservatório Engenheiro Ávidos, no
município de Cajazeiras (PB) (meta 3N), estão prevista para serem entregues em
dezembro de 2015.
Editais de obras complementares do projeto
seguirão o seguinte cronograma, de acordo com as etapas: abertura das propostas
para trechos 1L e 1N em 19 de dezembro/12; publicação de edital para trecho 2L
em 31 de dezembro/12 e para trechos 3L e 3N em 28 de fevereiro de
2013.
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