quinta-feira, julho 24, 2008

A Publicidade dos Publicitários

Muito importante este artigo da Prof. Ivana Bentes, publicado nos endereços abaixo (Carta Capital e Le Monde Diplomatique/Brasil).
Todos devem, eu acho, escrever pra CC e pro Diplo/Brasil, elogiando o mais possível. Também acho que todos devem ecoar este artigo, o mais possível, nas nossas listas.
 
Este artigo é um documento histórico, no Brasil.
 
Até agora, que eu tenha visto, este é o PRIMEIRO DISCURSO que REALMENTE responde na lata, com resposta-na-ponta-da-língua, de primeira qualidade, ao discurso único que desgraça o Brasil, inventado (1) nos e pelos DES-jornalões; (2) nos e pelos DES-jornalistas; e (3) nos e pelos cursos "de propaganda & marketing" dos cursos de propaganda, publicidade e marketing que há no Brasil.
 
Grande Ivana Bentes que, sim, mandou muito bem!
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Ivana Bentes

Custou, mas apareceu, o "manifesto" dos Publicitários, se dizendo ameaçados pela tentativa de regulamentação da publicidade por parte dos órgãos de defesa do consumidor e da saúde pública.

A retórica e estratégia são conhecidas: qualquer tentativa do Estado de regular a mídia, seja a faixa etária indicativa de programas na TV, seja a veiculação de publicidade de cigarros, bebida alcoólica, gordura trans ou uma cota de filmes brasileiros na TV, qualquer movimento social que ameace os lucros exorbitantes da publicidade e a liberdade de empresa, são considerados "censura" e "ataque a liberdade de expressão".

Em nova embalagem, a velha retórica. De forma grosseira, as emissoras de TV já tinham veiculado anúncio dizendo que o governo queria "tirar o direito do telespectador de escolher seus programas",  diante da proposta em votação no Congresso de uma cota para conteúdo brasileiro nas TVs a cabo.

Como se os pacotes com enlatados e programas comprados pelas emissoras tivessem algum grau de "escolha" e  participação do espectador, obrigado ainda a levar no pacotão que compra uma porcentagem de lixo cultural adicional.

Mas o manifesto dos publicitários vai mais longe. Faz uma inversão ainda mais espetacular ao esvaziar totalmente o lugar de poder que está nas mãos (o zapping é um deles) da audiência e do público. O verdadeiro  "produto" que é "vendido" para os anunciantes a peso de ouro e que sequer é mencionado no texto.

O manifesto tenta nos convencer do contrário. Não, não é a audiência e o espectador, o público, e a sociedade, nós, que sustentamos o mercado e a mídia e sim "a publicidade" em si. São eles, os mediadores, os publicitários, diz o manifesto, os verdadeiros protagonistas dessa história.

Transformados em arautos da democracia e da "livre expressão", os publicitários defendem no seu manifesto que "é a publicidade que viabiliza do ponto de vista financeiro a liberdade de imprensa e a difusão de cultura e entretenimento para toda a população. É a publicidade que torna possível a existência de milhares de jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, assim como de outras expressões da mídia." (!!!)

Ou seja, para os publicitários estamos num cenário em que os mediadores são os protagonistas todo-poderosos da sociedade! Para eles, é a publicidade o esteio da democracia e não o contrário, a radicalização da democracia que vai democratizar inclusive a publicidade corporativa! Que vende quase qualquer coisa, que cria necessidades, fidelidades, hábitos e valores, estilos mais ou menos predadores...É essa publicidade que quer se "auto-regulamentar"?

Os publicitários escamoteiam que é o espectador, a audiência, o público, a sociedade que produz valor simbólico e real, conteúdos, opiniões, produtos, mídia, inclusive de graça e de forma colaborativa, hoje, com as novas formas de produção e difusão da cultura livre pós-internet, produtos que podem ser acessados diretamente,  sem a mediação da publicidade tradicional, inclusive!

O manifesto dos publicitários não discute o que poderia ser uma publicidade democrática ou com objetivos "públicos" e não simplesmente predadora ou visando o lucro imediato.

Também sequer cogitam a emergência de uma série de movimentos e ativistas que batalham no campo do consumo. Exigindo rótulos explicativos e indicativos dos venenos que ingerimos e que a publicidade vende sob um lindo design e letras miúdas.

Movimentos que exigem saber a origem da mão de obra de certos produtos, a forma de produção, a origem natural ou modificada, transgênica ou não, com ou sem agrotóxicos, etc. Ou seja, a liberdade de sabermos o que afinal ingerimos, calçamos, vestimos, lemos, vemos, consumimos.

Movimentos que mostram que o preço embutido da publicidade encarece os produtos de forma exorbitante! O que também não é dito no manifesto, ou seja, que somos nós que pagamos a própria publicidade que consumimos.

Incutindo o medo. Com décadas de atraso em relação a outros países,  e apesar do lobby poderoso, a propaganda de cigarros foi proibida na mídia brasileira. O que não levou a falência nem as emissoras de TV e jornais nem as fábricas de cigarros (que passaram a apoiar Festivas de música e produtos culturais).

O fim da propaganda de cigarro também não levou a uma diminuição da "liberdade de expressão" de ninguém, quem quer fuma, mas diminuiu-se sim os riscos de câncer de pulmão em nível planetário.

Agora a batalha é proibir a publicidade de bebidas alcoólicas, sendo o alcoolismo uma epidemia no Brasil de ricos e pobres. Ninguém deixará de tomar sua cerveja, cachaça, vinho, whisky, o que for, mas sem dúvida o consumo será balizado por outras forças que não simplesmente o bombardeamento diário da publicidade ostensiva e reiterativa.
   
Ao neutralizarem a força do consumidor e se colocarem na "origem" da liberdade de expressão e como fonte primordial de sustentação da mídia democrática, os publicitários fazem uma peça de marketing ruim e corporativa, distorcida.

Esquecem, que o telespectador e a audiência, o público, o "prossumidor" (o consumidor que se tornou produtor e publicista) está mobilizado e é a nova forca de transformação no capitalismo midiático e imaterial.

A Mídia somos nós, a liberdade de expressão não tem nada a ver com propaganda de cerveja ou de gordura trans! Mesmo parados diante da TV estamos trabalhando para a audiência. O poder de consumo, de produção, criação e difusão está em toda a sociedade. É a sociedade que deve ser emponderada! Ao invés da defesa incondicional da "perenidade" do mercado publicitário, principalmente num capitalismo da abundância e da emergência da economia da gratuidade.

O estágio atual é de politização do consumo! Não precisamos de manifesto de publicitários defendendo sua corporação e propondo "adequar" os Cursos de Comunicação  as suas exigências, adestrando os jovens a um complexo industrial/publicitário em crise. Quando precisamos de uma nova publicidade,  de democratização, colaborativa e feita pelo próprio consumidor.

O que falta são mais movimentos de consumidores, de telespectadores que pudessem exigir, opinar, protestar e pressionar os fabricantes de produtos e os publicitários. Algo que o anonimato e a impessoalidade da audiência não estimulam.

Como dar credibilidade a um manifesto que apaga o consumidor como fonte de poder e valor e colocar no seu lugar...os publicitários, ou que demoniza o Estado que quer regular e restringir certas propagandas?

O Manifesto dos Publicitários se torna uma jogada de marketing ruim, pois:

Para os publicitários,  não existe comunicação sem  publicidade!
Para os publicitários, a proibição de anunciar bebida alcoólica vai levar a mídia a falência!
Para os publicitários, sem a publicidade não existe "liberdade de expressão"!
Para os publicitários,  para não "desaquecer" o mercado não se pode intervir  nem restringir certos anúncios, como o de "bebidas alcoólicas, remédios, alimentos, refrigerantes, automóveis, produtos para crianças, entre outras".

Seria o equivalente a dizer que para não "desaquecer" o mercado de drogas não se pode intervir no sistema de venda, de tráfico de armas e de corrupção existente.  Pois esse é um mercado aquecidíssimo e que movimenta zilhões, sem publicidade!

"Seria demais pedir a um anunciante que proponha o desestímulo ao consumo", nas palavras de Gilberto Leifert, presidente do Conar,   ao vender o texto, ou melhor,  a publicidade dos publicitários. Perfeito, é essa a lógica do Manifesto!

"O objetivo central é sempre o fortalecimento da indústria da comunicação", completa o texto, ou seja, a manutenção de um  mercado publicitário "perene" a qualquer custo. A mesma lógica "desenvolvimentista" que ainda é dominante na política, apesar de ultrapassada e discutível.

Os publicitários querem criar uma confusão entre as liberdades individuais, o "risco escolhido" (consumir, viver e morrer, ter prazer fumando cigarro, ingerindo gordura trans, bebendo ou usando drogas leves e pesadas, por vontade própria), a "liberdade de expressão" (que tem a ver com a possibilidade da pluralidade e da autonomia) e capturam a defesa legítima dessas liberdades para a sua defesa de "liberdade comercial", mesmo que essa liberdade das empresas afronte a saúde pública e a construção do comum.

É muito preocupante que os publicitários transformem a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Congresso em inimigos públicos número um dos publicitários! Ou seja, o que está sendo descartado são as questões de saúde pública! E a construção do interesse "comum".

Estranhamente os publicitários não falam em democratizar as verbas públicas destinadas as suas empresas e que são repartidas entre uns poucos veículos de comunicação. Essa repartição pouco democrática do bolo nem sequer é mencionada. Ou seja, o Estado só incomoda quando quer regular para todos, não quando privilegia poucos.

O manifesto dos publicitários que ganhou ampla repercussão na própria TV, em horário nobre,  teve dois garotos propaganda de peso, um Civita e um Marinho, donos de corporações de mídia e TV, com seus ternos cinzas, voz monocórdia e rosto descansado,  adentraram a nossa casa,  pela concessão pública que lhes demos, para fazer a sua própria publicidade e anunciar essa estranha contrafação. (IB)
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http://fml.wikispaces.com/

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Ninguém esqueceu nada...

E não é justamente pra isso que serve esse tipo de mídia?
Confundir, embaralhar, levantar cortinas de fumaça, politizar as acusações, enfraquecer instituições, destruir reputações...
Não é justamente esse tipo de mídia que estamos combatendo?
A Maria Inês Nassif descreveu bem como tem funcionado a mídia, só que isso não é um erro da mídia, dos jornalistas.
É essa visão sistêmica do papel da mídia que a maioria desses jornalistas não têm, é por isso que o texto dela sai no Valor.
Não é uma questão de não seguir o manual, não é uma questão de fazer a crítica interna da mídia.
A mídia não está fora do jogo, ela é parte no jogo.
Ela não está na cadeira numerada, ela tem uniforme numerado.
Nós também estamos nesse jogo, e a mídia está no outro time, a mídia quer fazer gol na gente... am
 
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VALOR ECONÔMICO, 24/07/2008

Esqueceram que Dantas era o acusado

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras.

A primeira reação da mídia foi a de se refugiar em seu papel noticiarista: a prisão do banqueiro Daniel Dantas, de sua irmã e de outros parceiros de negócios foi acompanhada pelas lentes dos fotógrafos e dos cinegrafistas, e pelas diligentes anotações dos repórteres. Aí, os acusados eram Dantas e outros integrantes ou parceiros de negócios do Grupo Opportunity. Num segundo momento, os meios de comunicação embarcaram nos protestos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que acusou o delegado da PF, Protógenes Queiroz, de sensacionalista, jogou pedras sobre o Ministério Público e soltou todos os presos, exceto os envolvidos diretamente na tentativa de suborno de um delegado. Foi quando os acusados passaram a ser a Polícia Federal e o Ministério Público. Em seguida, sob pressão da mídia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e a direção da Polícia Federal forçaram o afastamento dos delegados responsáveis pelo inquérito. A partir daí, os dedos acusadores da mesma mídia apontaram para o governo, que teria abortado a ação saneadora do delegado Protógenes, antes aquele que cometeu abusos contra acusados.

 

Exceto no primeiro capítulo da novela Daniel Dantas, o foco da mídia não foi o dos negócios do banqueiro - ou empresário, ou sócio de empresas fantasmas, ou seja lá o que for - que estava sob investigação da polícia, mas os supostos crimes cometidos pela PF, ou uma ação política do governo para esvaziar o inquérito produzido por delegados da PF antes acusados de cometer ilegalidades.

 

É difícil cobrar um comportamento sempre coerente da mídia: no calor dos fatos, reportar e julgar ao mesmo tempo, sem ter todas as informações, embute um enorme risco de erro. Mas é inegável que as oscilações abruptas de julgamento - e de foco - têm evidentes efeitos colaterais. A desautorização do inquérito da PF em determinado momento - desautorização pura e simples, sem ressalvas - serviu à defesa de Dantas. É certo que o inquérito cometeu erros crassos, misturou estações e interpretou de forma muito equivocada alguns grampos - e perdeu credibilidade ao misturar pessoas envolvidas nos negócios de Dantas com outras que simplesmente foram citadas e não tinham culpa nenhuma no cartório. Mas os meios de comunicação também não separaram as coisas. Primeiro, publicaram tudo como se fosse tudo verdade e, quando se depararam com a dificuldade de comprovar o envolvimento de alguns dos citados, a tendência foi a de generalizar a acusação de “abuso”, como se prender alguém que mandou corromper um delegado fosse algo impensável, pelo menos quando essa figura é um banqueiro. Quando resolveram rever sua opinião sobre a polícia - e isso ocorreu quando foi possível acusar o governo de pressão política sobre a instituição - a guinada foi radical: a PF não era mais leviana, mas moralizadora, e era essa PF moralizadora o objeto das pressões de um governo.

 

Nesses dois extremos, a mídia também foi o veículo da sensacionalização. Se a PF foi sensacional, foi porque o fato dado a conhecimento foi reverberado pela mídia sem qualquer filtro. Daí foi a própria mídia a acusar o sensacionalismo e pressionar por uma posição de governo contra o que considerou abusos. E foram os próprios meios de comunicação quem, à ação corretiva dos superiores do delegado, acusaram sensacionalmente o governo de ter pressionado a instituição a não apurar fatos relativos ao inquérito contra Dantas e grupo.

 

Mídia mudou de posição sobre a PF várias vezes

Nesse processo, o resultado mais palpável foi que em alguns dias Daniel Dantas e suas ações pouco republicanas saíram rapidamente de foco e deram lugar a um debate surrealista sobre o que é um abuso policial e sobre até onde vai a autonomia da PF diante de uma pressão do governo (dada como certa e definitiva) sobre a instituição para não apurar os fatos - que, ao mesmo tempo, segundo a mesma imprensa, fez um inquérito que beirou o abusivo. É surrealista porque em nenhum momento a imprensa analisou o seu próprio papel no caso. E isso inclui o fato de que toda a informação que uma instituição vaza é publicada por algum veículo de comunicação. Se foi um abuso o vazamento de todo o inquérito, inclusive as partes relativas a pessoas que não são parte dos delitos cometidos pelo grupo de Dantas, de quem é o abuso? De quem vazou ou de quem publicou a informação vazada?

 

Desde a promulgação da Constituição de 1988, o país vive ciclos em que uma ou outra instituição se impõe sobre as demais quando assume como exclusivamente seu o papel de repressão ao crime e de guardião da moralidade. O Ministério Público já esteve nessa situação, assim como os juízes de primeira instância. Agora é a vez da PF. Todas as vezes que uma instituição se excedeu, no entanto, foi porque encontrou eco na mídia. Foram os veículos de comunicação que deram guarida aos sucessivos vazamentos de investigações do MP ou de processos que corriam na Justiça; como hoje dão abrigo aos vazamentos da PF. Não raro, um vazamento de informação acaba justificando um pedido judicial da mesma instituição que fez o vazamento; ou é usado como pressão política contra partidos e governos; ou é exibido como prova de eficiência, em movimentos de valorização corporativa. Portanto, a informação, pretensamente acrítica, não é neutra. Ela tem usos políticos e corporativos.

 

Não dá para debater os eventuais abusos de instituições sem reconhecer que o jornalismo teve um papel fundamental nos processos de hipertrofia dos poderes de uma ou outra, em determinados períodos. É um engano imaginar que a informação acrítica é neutra. Ela é apenas acrítica - e isso não significa sequer ser independente. O próprio modus operandi de Dantas é prova disso. A farta produção de dossiês para destruir reputações de inimigos foi um fato. Se os jornais e revistas os publicaram, fizeram um favor a Dantas. Esse comportamento está longe de ser neutro. Se um inquérito policial atinge quem não deve atingir, e a imprensa não filtra essa informação, pode lançar o descrédito em todo o inquérito e contribuir para a impunidade dos que devem efetivamente ser punidos. Ou pode abalar as reputações de quem nada deve.

segunda-feira, julho 21, 2008

Entidades civis em prol da democratização dos meios de comunicação querem que as próximas renovações sejam debatidas publicamente


Concessão da Globo em Minas não é votada

16/07/2008

Mariana Mazza

Tela Viva

 

Acabou não sendo analisada pelos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, a proposta de renovação da concessão da Rede Globo para a cidade de Belo Horizonte (MG). O TVR (classificação desse tipo de processo) estava na pauta desta quarta-feira, 16, mas a comissão não chegou a se reunir por conta da Ordem do Dia no Plenário da Câmara dos Deputados. A renovação em Minas está sendo relatada pelo deputado Miro Teixeira (PDT/RJ), que já apresentou parecer favorável à aprovação.

Além deste, outros três TVRs referentes à Rede Globo estão na Comissão de Ciência e Tecnologia: uma para a cidade do Rio de Janeiro, relatada por Júlio Semeghini (PSDB/SP); outra para São Paulo, relatada por Bilac Pinto (PR/MG); e mais uma para Brasília, sob a análise de Jorge Bittar (PT/RJ). A quinta renovação de concessão da Rede Globo, para a operação na cidade de Recife (PE) foi aprovada na semana passada.


Entidades civis em prol da democratização dos meios de comunicação querem que as próximas renovações sejam debatidas publicamente antes de serem votadas.

Em comunicado encaminhado ao presidente da CCTI, deputado Walter Pinheiro (PT/BA), cinco entidades defendem a realização das audiências como forma de ampliar o debate sobre o tema. O documento é assinado pela Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Federação Interestadual dos Trabalhadores em Rádio e TV (Fitert) e pelo Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes).

Em princípio, a idéia é bem vista pela deputada Luiza Erundina (PSB/SP), uma das parlamentares mais atuantes no debate sobre as concessões de rádio e televisão dentro da Comissão de Ciência e Tecnologia. No manifesto, as entidades pedem ainda que a comissão analise a segunda parte do relatório produzido pela Subcomissão de Radiodifusão no ano passado e que propõe mudanças no sistema de análises dessas concessões. A subcomissão foi presidida por Erundina e apenas uma versão simplificada do relatório chegou a ser aprovada.

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quarta-feira, julho 16, 2008

Os que hoje se chocam com algemas e supostas pirotecnias nunca hesitaram em legitimar torturas, extermínios e supressões de direitos


Estado Policial, 
o que teme a grande imprensa?

Bastou uma bem sucedida operação da Polícia Federal levar à prisão um banqueiro e outros notáveis do andar de cima, para a grande imprensa, em editoriais e colunas, alertar que "em plena democracia se observam graves agressões a direitos constitucionais por parte do braço armado e jurídico do Estado".

Gilson Caroni Filho

Virou moeda corrente o emprego do termo "Estado policial" como forma de classificar um conjunto de ações que, como destacou Leandro Fortes, na revista Carta Capital ( edição nª 504, de 16 de julho de 2008) procurava desbaratar um esquema "que concentra a própria alma das relações entre política, altas finanças e interesses privados impublicáveis". O mundo dá voltas, mas não da forma como deseja o baronato midiático.

Pensar a realidade brasileira à luz da democracia é rever o passado, entender o presente e refletir sobre o futuro, tendo como referência o comportamento da imprensa ante os princípios que, unidos, formam o ordenamento democrático pleno: participação, igualdade, liberdade e solidariedade.

Em algum momento, no atual governo, a Polícia Federal sintetizou substancialmente uma nova ordem que se contrapusesse antiteticamente ao Estado de direito? Apresentou-se como dimensão não só mais limitada, mas também degenerativa em relação a ele? Onde, para justificar a grita, ocorreu revogação de direitos individuais ou supressão de direitos? A resposta é simples. No imaginário de um poder que nunca foi independente dos interesses corporativos e de classe.

Os que hoje se apresentam como fiadores do regime democrático, instâncias de fiscalização dos Poderes, têm uma folha corrida invejável. Sempre que o aparato estatal tentou se constituir como Estado Social, em resposta direta às necessidades substanciais das classes subalternas existentes, o apoio ao retrocesso institucional foi imediato.

Os que hoje se chocam com algemas e supostas pirotecnias nunca hesitaram em legitimar torturas, extermínios e supressões de direitos. Quando foi preciso, não negaram sustentação a que o diálogo democrático fosse substituído pela imposição autocrática. A história da Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Jornal do Brasil se confunde com golpes e "liberalizações sobre controle"

O "Clube da Lanterna", criado por Carlos Lacerda, foi a matriz discursiva de uma imprensa que nunca deu tréguas a governos democraticamente eleitos. Os principais órgãos de imprensa, com honrosas exceções, atuaram de forma decisiva tanto na formação de consensos da inviabilidade moral e política da preservação dos mandatos, quanto nas soluções intra-elites para resolução dos impasses..

Sequer se deram ao trabalho de atualizar métodos. Em março de 1956, o Globo estamparia em manchete que "A UDN abre fogo contra Juscelino", reproduzindo discurso proferido na tribuna da Câmara contra o presidente:

"A verdade é que graves escândalos se processam aos olhos do presidente da República, e, ao que tudo indica, com a sua conivência ou, pelo menos, complacência. Suas marchas e contramarchas, afirmações e negativas, estados alternados de euforia e depressão tornaram-no, muito cedo, o mais fraco, hesitante, omisso e desautorizado presidente da República." *

Transformar intenções em gestos e declarações em fatos fazem parte da tradição jornalística brasileira. Importante destacar que o trecho acima foi publicado há 52 anos. Qualquer semelhança com o que é visto nas primeiras páginas da grande imprensa hoje não é coincidência, é método.Uma aula de jornalismo comparado, no tempo e no espaço.

Não muito distinto é o noticiário editorializado do Estado de S. Paulo, em 7 de abril de 1964: "O ex-presidente João Goulart teria sido visto embarcando para o exílio carregando sacos de dinheiro". Expediente narrativo tão grotesco quanto surrado. O objetivo, como hoje, é claramente golpista. Trata-se de conquistar o apoio da classe média, tradicionalmente mais receptiva aos apelos moralizantes. **

Mas talvez os mais emblemáticos exemplos de como o jornalismo, que hoje se apresenta como ferramenta da soberania popular, "enfrentou" um Estado Policial, venha de O Globo, Folha e Estado, nos anos de chumbo. Defendendo o regime militar de acusações de tortura, o diário da família Marinho, destacou em editorial intitulados "Torturas?", publicado em 1969.



"O Brasil está sendo apresentado em vários países da Europa Ocidental como sede de um regime que colocou a barbárie no Poder, jornais franceses, alemães, belgas, austríacos, ingleses, holandeses, italianos publicam freqüentemente matérias fantasiosas a respeito de 'banhos de sangue' que aqui ocorreriam de torturas etc. (...) 0 Governo está no dever de destruir todas as mentiras que se dizem no exterior contra o regime brasileiro, que, aliás, salvou o País dos mais terríveis torturadores".



A Folha, da família Frias, no ano seguinte, mostraria toda sua "capacidade de resistência" à ditadura.

"O país encontra-se em paz, em calma (...) A economia está revigorada (...) Planos de alto valor social e econômico estão em execução - a Transamazônica, o Programa de Integração Social, a campanha contra o analfabetismo etc. (...) Apesar disso, insiste-se lá fora em denegrir a imagem do Brasil (...) Não há outra explicação para essa campanha: má-fé mesmo, uma espécie de represália por não termos permitido que deitasse raízes aqui uma ideologia totalitária e materialista que acredita encontrar na América Latina campo propício para sua expansão."

O Estadão também não negaria munição às práticas dos porões, transformadas em política de Estado.

"'A opção dos governos que se seguiram à Revolução de 1964 a favor do sistema econômico da livre iniciativa é responsável pelo que hoje já é considerado como o 'milagre econômico brasileiro', e o êxito da política econômica brasileira é a principal causa da campanha anti-Brasil, promovida nos países do Ocidente por elementos que, esquecidos das causas de seu progresso econômico e servindo, consciente ou inconscientemente, aos propósitos do comunismo internacional, remendou aos países do 'Terceiro Mundo' a receita moscovita do 'desenvolvimento não capitalista' tipo nasserista, peruano ou 'democrata cristão' chileno".

São esses mesmos veículos que hoje se apresentam como garantidores da titularidade dos nossos direitos constitucionais. São eles que vêem no governo uma inequívoca inflexão autoritária. Alguém acredita em bruscas rupturas com o passado. Conversões súbitas não merecem melhor análise. Ou, quem sabe, o problema não resida no Estado Policial. Mas em quem o presida.

*http://decadade50.blogspot.com/

** Mar de lama. Retrato do Brasil,v.II,p.389-391,1984.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

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terça-feira, julho 15, 2008

O que a Globo e o PSDB querem esconder?













1. o povo brasileiro exige que a Globo e o PSDB expliquem essa blindagem.

2. o que a Globo e o PSDB querem esconder do povo brasileiro criando esses artifícios para desviar a atenção da relação Dantas-PSDB?

3. por que a Globo jogou Daniel Dantas para as feras?

4. o que o PSDB dá em troca dessa blindagem feita pela Globo?

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Gravação joga escândalo Dantas "no colo" de FHC

Enquanto a maior parte da imprensa entorta e manipula informações para tentar engendrar o governo Lula no escândalo Daniel Dantas, o site Terra Magazine, que tem feito uma ampla cobertura do episódio, revela, com exclusividade, mais uma prova de que as relações promíscuas de Dantas com o poder ocorreram sobretudo com o tucanato. Desta vez, uma gravação feita pela Polícia Federal no bojo da Operação Satiagraha mostra diálogos que envolvem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nas negociatas do banqueiro.

Dantas coloca FHC em cena numa conversa com ele, Dantas, e dirigentes do Citibank. Cena essa que, segundo o roteiro dantesco, marcaria os primeiros passos da montagem do fundo CVC, sociedade entre Daniel e o Citibank.

 

No diálogo entre Dantas e sua diretora jurídica, Danielle Silberglade Ninnio, o banqueiro ensaia vender influência junto ao presidente e a importância da sua presença na montagem do fundo.

 

O editor-chefe do Terra Magazine, Bob Fernandes, conversou com Fernando Henrique para obter explicações do ex-presidente a respeito do episódio. Segundo Fernandes, FHC disse que as suspeitas "não tem base". "Na verdade, fui procurado por ele e pelo pessoal do Citibank, que me comunicaram que iam fazer um fundo que tinha feito muito sucesso nos Estados Unidos, o Equity (...) muitas pessoas me procuravam. Isso já é conversa dele, já é usar o santo nome em vão...", disse FHC.

Segue abaixo a reportagem de Terra Magazine sobre a conversa em que Dantas cita suas relações com FHC:

 

Quinze de novembro de 2007. O banqueiro Daniel Dantas conversa com a diretora jurídica do Opportunity, Danielle Silbergleide Ninnio, às 09h01m42s.

Ambos debatem, mais uma vez, umas das incontáveis batalhas jurídico-comerciais de Dantas. No caso, o objetivo é levar o Citi a retirar as ações judiciais contra ele - algo correspondente a US$ 1 bilhão - e fazer a fusão Brasil Telecom e Oi, onde ganharia R$ 1 bilhão.

Para ser concretizada a fusão BrOi, é necessário ultrapassar o Citibank. Daniel discute com Danielle a sinuosa estratégia, a munição que levarão para enfrentar o Citi em Nova Iorque.

Na conversa ele parece se preparar para um depoimento. Num flash-back, retorna ao início da empreitada.

Segundo Daniel, tudo começa, ou passa, por um encontro em Brasília entre o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso e os responsáveis, no Citibank, pela parte de Private Equity (investimentos não financeiros).

O banqueiro, ao rememorar uma de suas pelejas, avança por território movediço. Recorda a reunião com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, antes da criação do fundo de investimentos (o que veio a ocorrer no final de 1997).

Presentes, no tal encontro, além do presidente da República, os norte-americanos Bill Confort e Mary Lynn Putney, chefes de Private Equity no Citi.

Mary Lynn era gestora de relacionamento de Daniel Dantas, hospedava-se em sua casa em Búzios e visitava-o na Bahia.

O que vaza das entrelinhas na montagem da estratégia de Daniel e Danielle é uma tentativa de comprometer o Citibank. Por quê?

Depois do escândalo Enron, vigora a lei Lei Sarbanes-Oxley (do senador Paul Sarbanes e do deputado Michael Oxley), de 2002, que pune com até 10 anos de cadeia os executivos de empresas com operações financeiras no exterior. Quem entende os pormenores desse tatame, sente que o Citi vive diversos temores ante esse novo marco jurídico.

Nessa montagem de estratégia para enfrentar o gigante Citi, Dantas se refere a um documento que veio de Londres ("eu já tinha dito que eu não li um documento que eu assinei, tá?") e explica o batismo do fundo.

- ... "Ah, por que que vocês botaram o nome do CVC?" Eu digo: por que o CITI pediu. "Mas vocês não pediram ao CITI pra botar em nome do CVC?" Não, o Citi achou que pra "raise the fund internacional" (elevar o fundo internacional-inglês) era bom. "Ahh, e no Brasil, o nome CVC não te ajudava?" Eu digo: nada, é um nome de uma agência de turismo...

O diálogo sobe de andar, e até de tom. Chega ao Planalto. Aos trechos seminais. Foram mantidos, inclusive, os erros de transcrição.

Daniel Dantas: Sobre o uso do nome. E também, o CVC... o CITI não era bem visto na época, porque...por conta dos rescaldos da negociação da dívida, o banco era atribuído ao banco onde as causas do...da crise econômica brasileira. Então, não tinha nada que o CITI trouxesse de positivo na captação. Eu disse pra ele que os investidores dos fundos de pensão se motivaram porque nós oferecemos a ele "internacional exposure" (exposição iternacional-inglês), sócios estrangeiros que poderiam melhorar as práticas e o entendimento dos fundos de pensão. E ele disse: "ahhh, mas você teve uma reunião com FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, quem estava na reunião?" FERNANDO HENRIQUE, MARY LYNN e o presidente do CITI do Brasil. "Como é o nome dele?" Não lembro. "Ahh, o que que vocês falaram lá, mas tem aqui num email seu você dizendo que CARDOSO disse que tinha gostado da reunião e que ia apoiar a iniciativa". Eu digo: CARDOSO esteve na reunião, BILL CONFORT explicou na reunião que PRIV EQUIT FUND tinha sido responsável pela revolução de eficiência na economia americana, o "shaking up for corporate america" (o agito para empresas americanas-inglês) e que podia ser muito interessante pro Brasil e que podia também atrair muito capital pro Brasil. Alô?

Danielle - Oi?

Daniel Dantas: E aí, o presidente achou que era interessante, depois eu fui ao BNDES e tal, conversei porque ele tinha achado interessante tentar desenvolver a linha de "private equit" aqui no Brasil.

Danielle: ... (inaudível) que ele ia te perguntar isso. Lembra daquele negócio da CPI? Eu tinha certeza!

Daniel Dantas: Aí ele, aí ele... não, foi isso que o mister CONFORT foi...foi falar com... falou com mister CARDOSO. Aí, o que que acontece, então ajudou no fundo a persuadir o governo a simular o "private equit" no Brasil. Está muito distante de que tenha investido por conta do ...(inaudível). Já se diz que os fundos investiram, você alguma vez disse aos fundos que: "ahhh, o que que você faria...?". Aí, primeiro ele inventou agora que estava inconsistente esse meu "declaration", porque os fundo, o fundo tinha uma carta lá de não sei quem mostrando que o fundo nacional fechou depois que o fundo estrangeiro já tinha fechado, quando o fundo nacional fechou e tal. Não sei. "Ahhh, mas como é que você não sabe?". Eu não sei. "Mas você não assinou esse "declaration?". Assinei o "declaration". "Mas você não preparou?". Eu digo: Não, não preparei. O "declaration" foi preparado pelos "lawyer", eu basicamente revisei os "declaration", confiei naquilo que me foi informado e acredito que está certo. Ele... quer dizer, não fui disputar, é ou não é, não sei. Aí o que acontece é o seguinte, nessa linha, é difícil dele pegar. Aí, onde eu sei ele não sabe, onde ele sabe eu não sei.

 

Fonte: Terra Magazine * Colaboraram: Claudio Leal e Raphael Prado


http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=40402 


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domingo, julho 13, 2008

Mídia esconde relação Dantas-PSDB



Altamiro Borges
 
A efêmera detenção de Daniel Dantas, que durou apenas um dia – bem que num dos telefonemas grampeados um serviçal do banqueiro garantiu que seu patrão temia apenas a Polícia Federal, já que no Supremo Tribunal Federal “ele resolveria tudo” – dá um baita alivio à mídia hegemônica. Afinal, ela estava fazendo de tudo para esconder as relações promiscuas entre o megaespeculador e vários tucanos de alta plumagem. A TV Globo, por exemplo, noticiou a cinematográfica prisão vinculando-a unicamente ao “escândalo do mensalão do PT”. Já a Folha de S.Paulo, da famíglia Frias, deu um título esquizofrênico na capa: “Defesa do banqueiro diz ter papéis contra o PT”.
 
Defensora intransigente da privataria na era FHC, a mídia venal evitou vincular a fortuna obtida ilicitamente pelo mafioso com o processo da venda criminosa da estatal das telecomunicações. O seu banco, Opportunity, foi criado em 1996 e cresceu exatamente com a onda das privatizações, graças às íntimas relações com líderes do PSDB. Nenhuma manchete para o fato do especulador ter sido diretamente agraciado pelo ex-ministro tucano das Comunicações, Mendonça de Barros, que acionou os fundos de pensão nas negociatas. Pouco destaque para outras figuras tucanas que assumiram altos cargos no Opportunity, como o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, e a ex-diretora do BNDES, responsável pela área das privatizações, Elena Landau.
 
Cadê a filha do governador Serra
 
No seu desespero para defender os tucanos, a mídia deixou de noticiar até que um dos presos na mega-operação da PF, Verônica Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, foi sócia de Verônica Serra, filha do atual governador paulista, na firma de consultoria Decidir. A empresa, que continua em atividade, registrou-se em Miami (EUA) em 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil e oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no seu site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”.
 
Durante a CPI do Mensalão, em 2005, a senadora Ideli Salvatti acusou Dantas de manter íntimas relações líderes tucanos, citando sua sociedade com Pérsio Arida e a empresa de sua irmã com a filha do então prefeito da capital paulista, José Serra. A denúncia causou alvoroço na época, mas a mídia venal sequer retomou o caso agora. Esquecimento ou cumplicidade? Bob Fernandes, jornalista do site Terra Magazine e o primeiro a denunciar as prisões desta semana, talvez tenha a resposta. Após anos averiguando as maracutaias do banqueiro, ele chegou à conclusão de que Daniel Dantas é “um dos personagens centrais da mais feroz e encarniçada batalha da historia do capitalismo brasileiro” e que esta “batalha feroz incluiria também jornalistas e publicações”.
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quinta-feira, julho 10, 2008

DA ESCÓRIA PARA A ESCÓRIA


EU QUERO MEU SERTÃO DE VOLTA
 
Por Anselmo Alves*

Nos últimos dez anos tenho viajado freqüentemente pelo sertão de Pernambuco, e assistido, não sem revolta, a um processo cruel de desconstrução da cultura sertaneja com conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior.

Em todos os espaços de convivência, praças, bares e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade, que não raro, desqualifica e 'coisifica' a mulher e embrutece o homem. 

O que adianta as campanhas bem intencionadas do Governo Federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta: 'beber, cair e levantar' ou 'dinheiro na mão e calcinha no chão'.


O que adianta o Governo Federal criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam à violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando: 'vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de puta pra todo lado'. Será que são esses trogloditas que chegam em casa depois de beber, cair e levantar e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas? 

Por onde andam as mulheres que fizeram o movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80, que não reagem contra essa onda musical grosseira e violenta? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois leio os três jornais de maior circulação no Estado todos os dias, e nada encontro que questione tamanha barbárie. E boa parte dos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixa qualidade.


E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cd's e dvd's dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. 

O que fazem os promotores de justiça, juizes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos?

Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome de forró para a música que fazem.


O que esses conjuntos musicais praticam não é forró! O forró é inspirado na matriz poética do sertanejo; eles se inspiram numa matriz sexual chula! O forró é uma dança alegre e sensual; eles exibem uma coreografia explicitamente sexual!

O forró é um gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; eles criaram uma única pancada musical, que em absoluto, não corresponde aos ritmos do forró! E se apresentam como bandas de forró eletrônico! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80. 

Em contrapartida, o movimento do forró pé-de-serra deixa a desejar na produção de um forró de qualidade. Na maioria das vezes as letras são pouco criativas; tornaram-se reféns de uma mesma temática! Os arranjos executados são parecidos! Pouco se pesquisa no valioso e grande arquivo 'gonzaguiano'. A qualidade técnica e visual da maioria dos cds e dvds também deixa a desejar, e falta uma produção mais cuidadosa para as apresentações em geral. 

Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho!


Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado, que inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo!

Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo!

Escrevendo estas linhas, recordo de minha infância em Serra Talhada, ouvindo o mestre Moacir Santos e meu querido tio Edésio em seus encontros musicais, cada um com o seu sax em verdadeiros diálogos poéticos! Hoje são estrelas no céu de Pajeú das Flores! Eu quero o meu sertão de volta!

 
*Anselmo Alves é jornalista, cineasta, sertanejo de Serra Talhada/PE, com larga compreensão do Nordeste. 

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terça-feira, julho 08, 2008

Imprensa, um semestre de imposturas



Como esquecer a coluna de 9 de janeiro, de Eliane Catanhêde, colunista da Folha de São Paulo?: "Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!”. Gilson Caroni Filho analisa o primeiro semestre da imprensa brasileira.

Um balanço da imprensa nos primeiros seis meses de 2008 mostra que não foi por falta de empenho que a imagem do governo não sofreu considerável desgaste. Um acompanhamento, mês a mês, da cobertura noticiosa mostra que o jornalismo de mercado, usado como controle político das elites, terminou resvalando ladeira abaixo ao continuar acreditando que dispunha de uma ilimitada capacidade prestidigitação. 

Quedas de tiragens e audiência decorreram do apego à desmesurada crença nos dispositivos que regulam a relação entre os responsáveis pela produção e difusão de informações. Em inúmeras vezes o fato concreto deu lugar à imaterialidade midiática. 

Por mais fiel que seja o leitor, por mais intensa a cumplicidade com o veículo que sistematiza sua visão de mundo, um noticiário que não guarda qualquer relação com a realidade vivida termina por explicitar excessivamente os interesses a que serve. E ao fazê-lo, termina sendo disfuncional a esses mesmos interesses. Um discurso vazio, que cai no descrédito na medida em que mais complexa se torna a sociedade para a qual é elaborado. 

Em entrevista a um Jornal Laboratório de conhecida faculdade de Comunicação do Rio de Janeiro, o diretor de redação de Veja, Eurípedes Alcântara, não mediu palavras ao defender o que julga ser a função missionária da revista paulista e, por extensão, de toda a imprensa: “Como no Congresso as oposições estavam- e ainda, de certa forma, estão- desarticuladas, Veja se viu nessa incômoda situação de ser a única oposição real ao governo Lula"

Se a publicação dos Civita adotou o panfletarismo neocon como padrão editorial, os demais veículos da grande mídia também não se furtaram ao papel de substituir os partidos conservadores, ora impondo a pauta a eles, ora sendo pautados por conhecidos parlamentares, como destacou recentemente, aqui mesmo, Bernardo Kucinski, em seu artigo Por que o governo Lula perdeu a batalha da comunicação.  

A “invenção de realidades" só esbarrou em um problema. A sociedade brasileira aprendeu a ler sua mídia e dela se afastou. O resultado foi a saturação do fazer jornalístico como práxis ética. 

Tendo noção da extensão do “prontuário”, destacaremos apenas os crimes de maior repercussão. Aqueles em que a verdade factual foi solenemente ignorada na escolha de pautas viciadas, em conhecidos direcionamento de títulos e de cobertura. 

Em janeiro, a febre amarela voltava às cidades brasileiras, e com casos registrados no Centro-Oeste, retornávamos todos à primeira metade do século passado. De nada adiantou o desmentido das autoridades. A situação calamitosa da saúde pública revelava o descuido do governo. Assim decidiram, de forma igual e combinada, os editores e proprietários das grandes empresas de mídia. 

Como esquecer a coluna de 09/01 de Eliane Catanhêde, colunista da Folha de São Paulo?"Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!”.  

A marcha da insensatez não esperou que o primeiro mês do ano completasse sua primeira quinzena. Dias depois, como fogo-fátuo, o assunto sumiu do noticiário. O amarelo da falsa epidemia revela a coloração de quem a fabricava. 

Em fevereiro, a instalação da CPI dos Cartões Corporativos prometia revelar as entranhas de um "governo corrupto”. Tapiocas, mesas de sinuca e notas fiscais frias na prestação de contas de contas de aluguel de veículos que o Planalto teria feito com cartões, anunciavam, enfim, esquemas irregulares envolvendo agentes do governo.  

Como convinha ao espetáculo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enviava e-mail ao senador Sérgio Guerra, no “qual garantia jamais ter usado dinheiro público para pagar gastos pessoais." Uma pantomima que iria perdurar até meados de maio, quando, vendo que daquele mato não sairia coelho, o jornalismo de Pindorama já teria transformado banco de dados em dossiê. Os préstimos de um conhecido senador foram de valor inestimável. 

Abril seria o mês de uma “crise militar". A edição de 16/04 do Globo informava que “o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, voltou a classificar a transformação da faixa da fronteira norte do país em terras indígenas como ameaça à soberania nacional”. Em palestra sobre a defesa da Amazônia no Clube Militar, no Rio, o general não se mostrou preocupado em contrariar a posição do governo, que defende a homologação de terras indígenas mesmo em regiões de fronteira, e disse que o Exército "serve ao Estado brasileiro e não ao governo", e chamou a política indigenista do governo de "caótica".  

Ingredientes explosivos. Quebra de hierarquia e política pública pondo em risco a integridade do país. O procedimento editorial era condenar o comportamento do militar, dando total respaldo ao teor do seu discurso. Era um fato jornalístico com fortes ressonâncias no imaginário político nacional. Uma oportunidade de continuar o trabalho de assessoramento da "oposição desarticulada". Não durou uma semana. Era muito fardo para pouca farda. 

Tráfico de influência na venda da Varig, ingerência indevida da Casa Civil no processo, pressões sobre a ex-diretora da Anac foram os destaques de junho. O depoimento de Denise Abreu na Comissão de Infra-Estrutura do Senado obedeceu ao roteiro folhetinesco conhecido por leitores e telespectadores. Mas o ”grande achado do mês" foi apresentar a elevação de preços que, em grande parte é explicada por fatores externos, como o fim da estabilidade monetária.  

O terrorismo de jornais, revistas e emissoras de televisão criou um novo tipo de inflação, que não é de oferta ou de demanda, mas pode ser explicada a partir da formação de um estoque de descontextualização informativa: uma inflação de mídia. Novamente a imprensa tateou à procura de fatos reais que dessem sustentação à produção noticiosa. A distinção entre opinião e informação é algo inexistente quando a luta é contra um governo classificado pelo diretor de redação da Veja como “liberticida”.  

O primeiro dia de julho, no entanto, traria uma notícia desalentadora: "A inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) recuou pela terceira semana consecutiva na última medição de junho, registrando taxa de 0,77% - 0,12 ponto percentual menor que a da semana anterior (0,89%). A taxa também é a menor que a registrada no encerramento do mês anterior, quando ficou em 0,87%” (O Globo). 

Supondo-se detentora de um mandato que lhe assegura total liberdade na tentativa de intermediar as relações entre Estado e sociedade civil, a imprensa brasileira zelou pelos interesses da oposição ao governo. A governadora Yeda Crusius e o alto comando do PSDB foram os principais beneficiários da cobertura padrão. O Detran gaúcho e o caso Alstom foram, até agora, blindados.  

Mantida a inversão na relevância das informações é previsível o modus operandipredominante no segundo semestre. Porém, com a extradição de Cacciola, resta indagar com a poética de Drummond, em que gruta ou concha de página quedará abstrato o indesejável banqueiro?

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15096

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segunda-feira, julho 07, 2008

O BRASIL ESTÁ DESLIGANDO A GLOBO


Globo perde um terço do ibope em junho
Ricardo Feltrin

 

Colunista do UOL
Dados consolidados do Ibope apontam que a Record se aproximou ainda mais da Globo no mês de junho. Foi o pior mês naquele que, conforme Ooops! antecipou, já é o
pior ano da história da Rede Globo em audiência, no horário das 7h à 0h.A Globo registrou média de 17,1 pontos de audiência na Grande São Paulo no mês passado. Em 2006 havia registrado 25,7 pontos. A queda é de 33,5%, ou 1 em cada três telespectadores (quase o ibope de um SBT mais uma TV Cultura somados).

Já a Record marcou 9,6 pontos no mês passado contra 6,2 em 2006 (crescimento de 55%). A distância entre a líder e a vice-líder caiu no mês passado para 7,5 pontos (ou 7, com o arredondamento).A expectativa da Record é tirar 3,5 pontos da Globo no máximo até 2010. Caso isso ocorra, empatará na liderança com 13 pontos --algo impensável na TV brasileira cerca de dois anos atrás.Embora tecnicamente estagnado, o SBT também registra oscilação negativa desde 2006: de 7,7 pontos em 2006 para 6,7 pontos em 2008.
http://noticias.uol.com.br/ooops/ultnot/2008/07/04/ult2548u551.jhtm

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Postado por Jussara Seixas no POR UM NOVO BRASIL em 7/04/2008 03:11:00 PM

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sexta-feira, julho 04, 2008

GLOBO E INFLAÇÃO, TUDO A VER...


Para Delfim, oposição exagera para atingir Lula

Ricardo Leopoldo -

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse ontem ao Estado que a oposição quer atingir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a desestabilização das expectativas de inflação, para se beneficiar nas eleições municipais. "Eles avaliam que a única forma de afetar a forte imagem do presidente junto à população num ano eleitoral é dizer que se a inflação fechar 2008 em 6% já estaremos em hiperinflação."

Na sua avaliação, há um temor exagerado de analistas com a alta dos índices de preços, que embora mereça atenção está bastante vinculada à escalada internacional das cotações do petróleo, alimentos e commodities metálicas.

"A inflação no Brasil está sob controle. Não faz sentido assistir na TV, como vi outro dia, uma reportagem que tratava do tema e mostrava um funcionário de supermercado com a maquininha na mão remarcando preços. Provavelmente, esqueceram de dizer que a imagem é de 1998", ironizou.

Para Delfim Netto, a oposição avalia que como a economia apresenta bom desempenho na gestão de Lula, a melhor oportunidade de afetá-lo politicamente é vincular seu nome ao aumento da inflação.
Nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à média anual de 2,48% e 2,12%. Sob a gestão de Lula, atingiu a média de 3,82% ao ano entre 2003 e 2007. "A oposição sabe desses números, pois vê o aumento da renda real da população mais pobre, aumentou o PIB e caiu o desemprego."

"Como a oposição sabe que o Banco Central, o Ministério da Fazenda e todo o governo não vão permitir o aumento da inflação,
a única saída é provocar uma elevação exagerada das expectativas de inflação."

Na avaliação do ex-ministro, os índices de preços não vão subir com exagero porque o presidente "tem certeza absoluta" que sua prioridade no momento é combater o avanço do custo de vida. "O presidente Lula sabe de uma coisa muito simples: o desemprego pode atingir 1 milhão, mas a inflação prejudica 80 milhões de brasileiros."

fonte: www.estadão.com.br

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De volta para o futuro


AS RESERVAS de petróleo iraquianas estão estimadas em 115 bilhões de barris. Recursos dessa ordem fazem das reservas iraquianas as terceiras maiores do mundo. Nesta semana, cada um desses barris estava cotado acima dos US$ 140 no mercado internacional. Além disso, as reservas iraquianas de gás natural são avaliadas em mais de 3,17 trilhões de metros cúbicos.


A Mesopotâmia tem um longo passado. Mas, no moderno Iraque, é o petróleo que ocupa a posição central. Os limites territoriais do país, delineados nos anos 20 do século passado, após o colapso do Império Otomano, foram traçados pelas grandes empresas petrolíferas ocidentais, que negociavam a divisão dos recursos petroleiros iraquianos. De fato, foi um lápis empunhado por um notável empresário e agenciador político, o armênio Calouste Sarkis Gulbenkian, que em 1928 traçou a famosa "linha vermelha" no mapa do Oriente Médio, que criou uma divisão geográfica aceitável para as grandes empresas de petróleo ocidentais e os governos de seus países.


Em 1929, a velha Turkish Petroleum Company teve seu nome alterado para Iraq Petroleum Company (IPC). Até a nacionalização da IPC por Saddam Hussein, no começo dos anos 70, o acordo intermediado por Gulbenkian foi preservado. Havia quatro sócios "maiores" entre as grandes empresas de petróleo: British Petroleum, Royal Dutch Shell, Compagnie Française des Pétroles e o grupo norte-americano Esso Mobil. Cada uma dessas companhias tinha uma participação de 23,75% na IPC.


Gulbenkian era o único sócio "menor" -e reteve 5%. Foi por conta dessa porcentagem na IPC que Gulbenkian -que ficou imensamente rico com o acordo- se tornou conhecido como "Senhor 5%". Nesta semana, quatro grandes empresas de petróleo ocidentais -Exxon Mobil, Shell, Total e BP- estão aparentemente a ponto de assinar contratos concedidos sem licitação pelo governo iraquiano, com o objetivo de explorar os recursos petrolíferos do país. O "New York Times" afirma que uma equipe do Departamento de Estado norte-americano ajudou a preparar os contratos.

Quando, depois da invasão do Iraque em 2003, saqueadores atacaram e despojaram o museu e a biblioteca nacionais do Iraque, que abrigavam os mais preciosos artefatos das mais antigas civilizações do planeta, as tropas norte-americanas não interferiram. Só estavam autorizadas a intervir para proteger o Ministério do Petróleo iraquiano, o ministério que nesta semana vai conceder contratos às mesmas empresas petrolíferas multinacionais que administraram a Iraq Petroleum Company entre 1928 e 1972. A única coisa que falta são os 5% de Gulbenkian.

KENNETH MAXWELL

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Caixa 2 de FHC citava empresas da Alstom



Caixa 2 de FHC citava empresas da Alstom. Cegelec e ABB estavam em planilhas do PSDB que foram tornadas públicas em 2000; não há menção a valores no documento

De José Ernesto Credêndio, Mário César Carvalho e Andrea Michel:

Duas empresas do grupo francês Alstom são citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que deveriam abastecer o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB.

As planilhas, tornadas públicas em 2000, atribuem ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a missão de buscar recursos junto a empresas. As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo de São Paulo.

 
Alexandre Porto
www.aleporto.com.br

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