sexta-feira, agosto 31, 2007

40 mil anos de história no lixo???



AS PLANTAS, OS MINERAIS E OS ANIMAIS NÃO FAZEM POLÍTICA.
O HOMO SAPIENS FAZ POLÍTICA.
FAZER POLÍTICA É UMA DAS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE DO HOMO SAPIENS.
OS JORNALISTAS E DONOS DE JORNALISTAS DO SÉCULO 21 QUEREM O ANIQUILAMENTO DA POLÍTICA.
OS JORNALISTAS E DONOS DE JORNALISTAS DO SÉCULO 21 QUEREM O ANIQUILAMENTO DO HOMO SAPIENS.
OS JORNALISTAS E DONOS DE JORNALISTAS DO SÉCULO 21 QUEREM MANDAR NO MUNDO COMO GORILAS.
OS JORNALISTAS E DONOS DE JORNALISTAS DO SÉCULO 21 SÃO PROTO-SAPIENS...

SOBRE: A FALTA DE DESEJO DEMOCRÁTICO e DEMOCRATIZANTE EMPENHADO

O Azenha é um gênio (mas tem um pobrema)

O Azenha é um gênio. O parágrafo abaixo, de 29/8/2007 (em http://viomundo.globo.com/site.php?nome=Bizarro&edicao=1185)é o mais impressionantemente correto parágrafo-síntese-diagnóstico sobre o nosso governo que jamais se leu, no Brasil-2007 (falo sério):

"(...) Lula nomeou um Procurador Geral que procura, juízes que julgam, banca uma Polícia Federal que policia, botou um ex-repórter da Globo no Ministério das Comunicações (que é dono de emissoras de rádio), um tucano no Banco Central e outro no Ministério da Defesa e não faz política na hora de comprar livros didáticos." (Sobre compra de livros da Editora Abril, pelo MEC)
Tá perfeito. Só falta, nesse parágrafo, só, a conclusão-compromisso-democrático-e-de-democratização (seja de denocratização do nosso governo Lula, seja de democratizção do Azenha.)

A VILA VUDU RESOLVEU QUE É PRECISO COMENTAR ESSA FALTA, no argumento do Azenha. Então, a Vila Vudu comentou, em reunião-papo no Kioske do Zé-do-Ki, e pôs-se a coisa em ata. A partir daquela ata, editou-se o comentário que aí vai.

COMENTÁRIO

FALTA, naquele parágrafo-diagnóstico CORRETO, o que ninguém (nem o Azenha) poderia acrescentar, porque oferecer alguma conclusão-compromisso-democrático-e-de-democratização EMPENHADO é, exatamente, o que é PROIBIDO FAZER, em todo e qquer jornalismo que vise mais a ser isento... do que a ser EMPENHADAMENTE DEMOCRATIZANTE.

DEMONSTRAÇÃO:

(1) Em todas essas frentes que o Azenha lista, o nosso governo fez o que não passa um dia sem que alguém 'ensine' que o nosso governo faça (= 'ser isento', 'não fazer política').

(2) De tanto que tantos 'ensinam' que governos devem ser 'isentos' e não devem 'fazer política'... acabou por se implantar na cabeça de todo mundo uma idéia (fraquésima!) segundo a qual "governo democrático" seria governo que premiasse... o que há de menos isento no mundo.

"Taí a ARAPUCA!" (Não se sabe quem disse isso. Mas alguém disse e todos ouviram.)

Para ver a arapuca em que TODOS estamos presos, basta ver quem está sendo premiado pelo governo 'isento' que tantos pregam que deva existir no Brasil-2007.

Estão sendo premiados, graças à tal 'isenção', hoje, no Brasil:

-- o DES-procurador;
-- o 'DES-relatório Serraglio';
-- a piração hiper-pirada dos ACMs Kids, Virgílios 2% e mais uma penca de deputados-filhos (Maiazinho-filho, por ex.);
-- a parte ainda não democratizada da PF;
-- o DES-jornalismo da Globo (que, bem feitas as contas, foi implantado no Ministério das Comunicações Sociais, pq o DES-jornalismo da Rede Globo está implantando como forma mentis em TODOS os DES-jornalistas brasileiros ativos em 2007 e, portanto, está implantado também no ministro no Franklin Martins, que já falou, mil vezes, sobre o tal "jornalismo isento");
-- o modelão conservador dos tucanos, na economia;
-- a 'eficácia' gerencial dos mesmos tucanos (em variante PMDBista), na gestão da crise dos aeroportos;
-- a editora Abril... que, hoje, é o ator mais desavergonhadamente DES-democrático que opera sem controle democrático NO MUNDO, incluindo a Máfia e outra organizações criminosas dentre as quais, a organização criminosa chefiada, no Brasil, por Sérgio Motta -- que sempre existiu e sempre foi a mais criminosa, como toooooooooooooooooooooooooooooooodo mundo sabe, menos o DES-procurador).

ASSIM SE VÊ, portanto, facilmente, que o xis da questão está, sim, nessa DOENÇA IDEOLÓGICA e de pura ideologia-golpe que se chama "querer ser isento". Essa doença ideológica e de pura ideologia-golpe também atende pelo nome de

"NÃO DESEJAR ENCARAR A LUTA POLÍTICA, sob as regras DEMOCRATICAMENTE EXPOSTAS e bem discutidas da ÉTICA DA POLÍTICA DEMOCRÁTICA".

Essa doença é doença, no Brasil-2007:

(i) de que sofre TODA imprensa brasileira (até nos seus melhores, como o Azenha e o Franklin Martins, por exemplo);
(ii) de que sofre toooooooooooooooooooooooooodo o PT (deputados e senadores e lideranças e militantes);
(iii) de que sofre parte muito significativa do PCdoB (que está SUMIDO dos cenários da disputa política, embora, sim, se saiba do duro boicote que o PCdoB sofre, ao mesmo tempo, tanto pelo PT-mais-fraco-da-cabeça, quanto pelos DES-jornalões);
(iv) de que sofre TODA a DES-universidade brasileira em 2007 (e a doença instalou-se, como se fosse sociologia, na DES-universidade brasileira, durante os DES-governos da tucanaria uspeana);
(iv) e doença de que sofre, também, o nosso governo Lula.

O xis da questão, portanto, que está levando o nosso governo 'isento' a premiar o que há de MENOS ISENTO no mundo... é A FALTA DE DESEJO DEMOCRÁTICO e DEMOCRATIZANTE EMPENHADO, também no nosso governo.

Parece que todo mundo está muito contente da vida só porque parece que é 'ético'... mesmo que seja DES-democrático. Makenegóço é esse?!

É problema, portanto, hoje, ATÉ NO AZENHA -- que é um gênio! -- que, hoje, no momento de o Azenha construir aquele excelente parágrafo-diagnóstico do nosso governo Lula [veja acima, ou abaixo, que, agora, já tá mais pertinho], também o Azenha... REPETE E REPRODUZ o mote fascista da direitona mais fascista -- e que foi o slogan fascista e fascistizante da campanha eleitoral fascista que se fez, no Brasil, PELOS DES-jornalões -- e o Azenha chama o governo Lula de "Lulinha paz e amor".

É problema, sim, Azenha. Mas explicável. E a Vila Vudu tá tentando explicar, pq a Vila Vudu tá tentando SE ENTENDER.
Se a explicação é difícil e compridona, azira. Temos de encarar. A luta é essa.

Bom. Chegaremos lá. A grande marcha começa pelo primeiro passo (Confúcio).

Vila Vudu - CENTRO DE ALTOS ESTUDOS ESTRATÉGICOS

///

VEJA AGORA NO:

BLOG DO MELLO

Nos EUA, 'grande imprensa' agride entrevistado. Ao contrário do que acontece no Brasil, o entrevistado reage
Posted: 31 Aug 2007 07:40 AM CDT
Reparem neste trecho, de aproximadamente três minutos, de um programa de entrevistas da Fox. Foi retirado do filme Loose Change, que mostra o lado B (de Bush) dos atentados de 11 de setembro de 2001. Os entrevistadores tentam encurralar o entrevistado, um professor que em suas aulas mostra aos alunos uma outra visão sobre o 11/9. Reparem na agressividade, nas ofensas, na tentativa constante de

'Fora Povo', de Luis Fernando Verissimo
Posted: 31 Aug 2007 08:18 AM CDT
Para os que não puderam ler nos jornais de ontem: Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente do que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é

A 'grande imprensa' e sua 'verdade seletiva'
Posted: 31 Aug 2007 07:13 AM CDT
Senadores que investigam Renan Calheiros dizem que sofrem pressões. A "grande imprensa" acredita neles e os apóia. Um ministro do STF diz que ele e seus pares votaram com a faca no pescoço. A "grande imprensa" o desclassifica e um pitblogueiro exige sua renúncia. Roberto Jefferson confessa que recebeu e enfiou R$ 4 milhões em local incerto e não sabido, acusa o governo de praticar o mensalão e



///

quinta-feira, agosto 30, 2007






Tremenda babaquice. Tudo começou com a entrevista do FHC à revista Piauí, escrita por João Moreira Salles. Eu comprei a revista, por acaso, antes de todo nhenhenhem. Também impliquei com a entrevista, mas depois acabei gostando. É divertida. Humaniza o ex-presidente. Faz-nos ver que ele é ainda mais medíocre do que imaginávamos. Suas afirmações são sempre banais. Até seu pessimismo é tacanho, mal articulado.


Acontece que o próprio Salles ficou sob os holofotes dias depois ao dar entrevista à Folha, expressando o mesmo pessimismo. Sua opinião é similar a de FHC: os dois afirmam que o país acabou, que ninguém se engane-é-isso-que-está-aí, etc.


Repito, tremenda babaquice. A mediocridade não é coletiva, é individual. É coisa deles. O Brasil vive um momento de grande renascimento cultural. O cinema renasceu há poucos anos. A música brasileira pode ter tido melhores momentos no passado, mas continua muito forte e mesmo o próprio passado musical ainda precisa ser melhor conhecido no Brasil e no mundo. A literatura brasileira também vem passando por um momento interessante de aumento de produção. Podemos ter menos gênios do porte de Guimarães Rosa, Raduan Nassar ou Graciliano, mas existe mais gente escrevendo hoje do que no passado e, quiçá, no meio da muvuca pode estar surgindo coisa maior que o Grande Sertão Veredas. Isso para não falar em Marcia Denser e Marcelo Mirisola.


Nas artes plásticas, o Brasil também vem, pela primeira vez, revelando nomes com estéticas originais. Claro que você não vai topar com eles nos corredores da Daslu, no saguão do Instituto FHC ou bebendo cerveja com banqueiros, mas eles estão aí. O FHC é um boçal mesmo, para ver mais graça nessas cidadezinhas americanas metidas a besta, onde a única emoção é um psicopata periódico dizimando inocentes em colégios e universidades, do que em nosso maravilhoso caos antropológico e seus luxuosos solos de pandeiro. Enquanto intelectualóides como FHC não aprenderem a curtir um Luis Melodia ou qualquer outro exemplo de arte contemporânea, que fiquem dando aulinhas nos Estados Unidos. Não fazem falta nenhuma por essas plagas. Que continuem a ludibriar trouxas ianques e a parasitar o mundinho acadêmico dos ex-presidentes.


Calem a boca, seus merdas! Assistam esse vídeo aqui, dois repentistas, dois artistas populares numa praça de uma capital brasileira, e me digam se o Brasil "já acabou"! Me digam se isso existe em algum outro lugar do mundo! Aproveitem e vejam também esse aqui, engraçadíssimo.


É ridículo afirmar, perante uma população de 200 milhões de habitantes, que o país não tem mais futuro. Sabe-se lá o que um garoto desconhecido de 20 anos está fazendo no interior de Minas Gerais ou Goiás? Ou mesmo do que escritor fulano de tal, 32 anos, carioca, será capaz de produzir daqui a 10 anos?


Vão agourar no raio que o parta, seus urubus! Pessimismo é bom quando elegante, elaborado, quando tem um sentido existencial, e quando não se limita a ser um pessimismo "patriótico", e sim um sentimento negativo em relação a toda humanidade. Conheci pessoas assim muito interessantes. Outro dia mesmo estava conversando com um cara, de seus 50 anos, que tinha uma visão de mundo bastante negativa, embora fosse uma pessoa alegre e expansiva. Não gosta de Lula, gosta menos de FHC e analisa a existência sempre através de um prisma sombrio. A gente tentou fazê-lo ver as coisas sob uma perspectiva mais aberta. Não é bem assim, as coisas estão melhorando, dissemos. Pode ser que estejamos errados. Mas aí entra uma questão pessoal. Depois entendi melhor o ponto-de-vista do cara. Ele foi criado no Rio de Janeiro paradisíaco dos anos 50 e 60. As praias da Baía de Guanabara eram transparentes de tão limpas. Não havia quase criminalidade nas ruas. Por ser a capital federal, o Rio tinha dinheiro, um índice de desemprego baixíssimo e as melhores escolas públicas do país. Aliás, um certo pendor esquerdista no Rio tem origem nessa escola pública de qualidade, além do mar de bons empregos públicos que havia no Estado. Em São Paulo, sempre foi o contrário. Tinham o dinheiro mas a capital era o Rio. Os empregos públicos federais ficavam no Rio. São Paulo sentia-se levando o Brasil nas costas, enquanto o Rio sentia-se levado nas costas. São Paulo era a capital do trabalho. O Rio era a capital da cultura e da vadiagem. Os paulistas ricos matriculavam seus filhos em tradicionais colégios e universidades particulares. Os cariocas matriculavam seus guris no Pedro II e na UFRJ. Daí surgiram os conservadores retrógrados de Sâo Paulo e os esquerdóides birutas do Rio. Assim surgiram liberais inteligentes e anti-estatistas em São Paulo, e intelectuais socio-democratas e estatistas no Rio.


Desviei-me do assunto. Falava sobre o pessimismo. Pois é. O pessimismo de FHC e Salles é típico do paulista rico de hoje. O poder financeiro e político de São Paulo começa a declinar em proporção ao de outros estados e regiões do país. O Sul tem voltado a ficar forte, politica e culturalmente, apesar da crise nas fábricas de sapato. O Rio descobriu muito petróleo e está fazendo caixa. O Nordeste e o Norte vêm crescendo a ritmo chinês e Minas Gerais vem expandindo febrilmente seu parque agrícola e industrial. São Paulo, por outro lado, tornou-se, sem sombra de dúvida, líder em produção cultural, com recorde de lançamento de livros, peças de teatro, festivais de cinema, etc. Não teria razão para ser pessimista.


Lembremos que o Brasil dos anos 50, que Moreira Salles e FHC relembram com tanta nostalgia, tinha mais de 65% de analfabetos absolutos. Gente que não sabia escrever o próprio nome. Nos anos 50, o nordeste sofria secas que desvastaram milhões de vidas. As pequenas cidades não tinham escolas. Mesmo o hospital público, que hoje é motivo de tanto protesto, era somente uma promessa em vastas regiões do país. Esse era o país "com futuro"? A verdade é que era falsa a promessa brasileira. Éramos um país com milhões de famílias passando fome. Não éramos promessa nenhuma. A promessa era um engodo capitalista para vender algumas reformas liberais para a sociedade brasileira. Se deixassem o governo João Goulart seguir a tendência que as necessidades do país exigiam, a saber, inclinar à esquerda e investir no social, na educação e em projetos desenvolvimentistas e democráticos, talvez poderíamos nos dar ao luxo de termos governos conservadores hoje muito competentes...


Hoje, o analfabetismo absoluto caiu para menos de 10%. A luta atual é contra o analfabetismo funcional, que é incrivelmente alto, mais que 60%. A luta contra a miséria continua. A miséria degrada o ser humano e obstrui economica e moralmente qualquer chance de desenvolvimento. Pesquisas científicas provaram que programas sociais como o Bolsa Família ativam economias locais e geram empregos, aumentando, portanto, a arrecadação fiscal. De forma que é um programa quase auto-sustentável. Não implica em tanto gasto fiscal como setores da imprensa deixam transparecer. E mesmo se implicasse, é um gasto humano, ético, necessário, uma dívida social a ser paga àqueles cujos ancestrais construiram o país com sangue e suor.


Também gosto de ser pessimista às vezes. Sou fã da escola de Frankfurt e dos existencialistas franceses. Gosto da literatura pessimista em geral. Morte na alma e Idade da Razão, do Sartre, são romances impregnados de pessimismo, solidão, desespero. A obra de Kafka também sangra pessimismo. E tantos outros. Talvez o caráter do intelectual brasileiro, sob a influência do pessimismo europeu, tenha seu modelo mais exemplar no Dom Casmurro, de Machado de Assis. Assim, seríamos todos um chifrudos, traídos pela energia e exuberância de nosso amigo Tio Sam?


No entanto, é preciso distinguir pessimismo de péla-saquismo. Péla-saco é o babaca pessimista por razões pessoais, ou mesmo partidárias. FHC, por exemplo, é pessimista (péla-saco) porque seu partido foi derrotado duas vezes, consecutivamente, nas eleições presidenciais e perdeu espaço, em todas as esferas políticas, para seus adversários. O Salles é pessimista porque é um milionário filho de banqueiro, e todo filho de banqueiro, Freud explica, é pessimista. Deve ser chatíssimo não sofrer dilemas excruciantes como escolhar entre trabalhar numa coisa que não gosta e ter algum dinheiro ou cumprir sua vocação e ficar duro. Horrível não ter a oportunidade de ouvir sua mulher reclamar diariamente de falta de dinheiro. Desesperador não oferecer a oportunidade aos filhos de passarem fome e, assim, tornarem-se pessoas mais fortes.


Dois documentários recentes que assisti sobre a maneira de pensar da pessoas muito humildes, mostram exatamente o contrário: um otimismo forte, viril, calmo, em relação ao futuro. Lembro as palavras do engraxate carioca de 70 anos de idade: "quem tem cabeça tá bem, ééé, quem tem cabeça tá bem". Ou seja, o engraxate tem mais fé no capitalismo e na superação do homem, através de seus próprios talentos, do que um filho de banqueiro.


Talvez o termo mais apropriado para eles seja mesmo péla-saco, gíria carioca para designar o fulano pentelho, chato, sem consciência do ridículo, que pretende que o mundo páre de girar para escutar atentamente seus resmungos. Que confunde sua mediocridade pessoal com a de seu país...



///

terça-feira, agosto 28, 2007




Que coincidência, la Braga também tem patrocínio da Philips

- por Renato Rovai, editor da Fórum (http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/)

É de uma coincidência atroz, mas acontece, não é verdade? Lembram daquele meu post sobre o contrato assinado pela axezenta Ivete Sangalo com a Philips. Aliás, post que foi reproduzido com o mesmíssimo conteúdo por alguns colegas sem o devido crédito.

Então, hoje, enquanto fazia meus minutos de esteira na academia que tento freqüentar com alguma assiduidade e eis que explode à minha frente a imagem de Ana Maria Braga, completamente de branco, num cenário branco, com uma série de produtos domésticos brancos.

E, bidu, de que marca vocês acham que eram os produtos?

Claro, todos da Philips. E não pensem que se tratou de um comercialzinho rápido. Que nada! A coisa foi ‘profissa’. La Braga ficou bem uns três a quatro minutos andando de um lado para o outro na sua cozinha branca a apresentar um a um os produtos da marca. É, quanto coincidência...

///

A cumplicidade entre a mídia e a repressão

O assassinato de Eduardo Collen Leite, o "Bacuri" é um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos, deixando-o completamente mutilado. Quando o corpo foi entregue aos familiares estava sem orelhas, com olhos vazados e com mutilações e cortes profundos em toda a sua extensão.

Leia mais em:

http://www.diariogauche.blogspot.com/

Redator do blog: Cristóvão Feil

///



FHC é réu em ação que aponta o sumiço de 9,6 bilhões de toneladas de minério de ferro da Vale

Recebi do Rodrigo Carvalho o texto do Zé Augusto:

"Apenas um fato, entre vários, já justifica perante a justiça anular o processo de privatização:

O "sumiço" de 9,688 bilhões de toneladas em reservas de minério de ferro. Em maio de 1995, a Vale informou oficialmente à Securities and Exchange Commission - SEC, órgão responsável pela fiscalização do mercado de ações norte-americano - que suas reservas de minério de ferro nas minas do Sistema Sul, todas localizadas em Minas Gerais, totalizavam 7,918 bilhões de toneladas.

No edital de venda da empresa (item 6.5.1), o Sistema Sul aparece com apenas 1,4 bilhão de toneladas, ou seja, 6,518 bilhões de toneladas a menos.A Vale informou à SEC que as reservas minerais do complexo de Carajás, situado no Pará, eram de 4,970 bilhões de toneladas.

No edital, as reservas de Carajás foram estimadas em 1,8 bilhão de toneladas - 3,170 bilhões de toneladas a menos."

Se você quiser consultar a movimentação do processo acima no TRF1 clique no link:

Publicado em 28 de agosto de 2007

///

domingo, agosto 26, 2007









Marilena Chauí: PT é a afirmação política das classes populares

A bancada do PT na Câmara reuniu-se nesta quinta-feira (23) com a filósofa Marilena Chauí. O objetivo foi discutir a conjuntura política e os desafios atuais do PT. outros encontros para discutir a conjuntura política, econômica, social e legislativa.
Autora de vários livros, Marilena Chauí é professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). No encontro com a bancada petista, ela abordou, entre outros temas, o poder da mídia e a democracia, o neoliberalismo, os desafios atuais do PT e o papel dos movimentos sociais .
Ela lembrou da própria história da formação do PT, que rompeu com a tradição vanguardista de esquerda, em que grupos se colocavam como varguardas de classe. Era uma prática adotada não só no Brasil. “O PT , ao contrário, nasce como esquerda a partir de movimentos sindicais, populares, sociais, grupos e tendências de esquerda”, configurando um novo sujeito político e coletivo, disse Marilena Chauí. “O PT é a afirmação da presença política direta das classes populares”, completou.





Principais pontos da palestra de Marilena Chauí

Clique aqui http://www.informes.org.br/pagina-interna.asp?NumeroMateria=21358 para conhecer os principais pontos da palestra de Marilena Chauí.
///

sábado, agosto 25, 2007

JORNALISMO CANSADO







Números Seletivos e Suspeitos

O jornalista Gilberto Dimenstein tem publicado alguns artigos em seu site com fartos elogios às propostas da nova Secretária da Educação do Estado de São Paulo, que permitirão, entre outras coisas, premiar com dinheiro funcionários de escolas estaduais com base no desempenho dos alunos.
As propostas ainda não foram oficializadas e já estão deixando ouriçadas as entidades representativas dos profissionais da área de educação. Pelo pouco que li a respeito, algumas medidas anunciadas parecem corretas e merecem amplo debate.
Em um dos artigos, A revolta dos medíocres, publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo, o jornalista Dimenstein, sem nenhuma crítica específica ao desempenho educacional do Estado nos últimos 507 anos, crava lá pelas tantas:
"Cálculos divulgados na semana passada informam que cada família vai pagar, neste ano, R$ 626,41 apenas com a CPMF; estima-se que o total arrecadado com essa taxa seja de R$ 34 bilhões. O governo alega que não pode viver sem esse imposto, cujo "p", vamos lembrar, é de provisório.
Quando verificamos as contas apenas do governo federal, vemos que, comparando o semestre do ano passado com o mesmo período de 2007, houve um aumento de R$ 13 bilhões. Desse total, R$ 6,2 bilhões foram a mais para o funcionalismo.
As despesas com os programas de renda mínima, que atingem muito mais gente (e diga-se, gente muito mais pobre), foram de R$ 1 bilhão, bem menos, portanto, do que os gastos com os servidores.
Como saber se esses suados (e supostamente provisórios) R$ 626,41 estão valendo a pena? Seriam eles mais bem utilizados se ficassem nas mãos das famílias?"
Como não estou "cansado", fiz algumas continhas simples, que não requerem muito conhecimento de matemática. Vamos lá:
De acordo com o cálculo divulgado sabe-se lá por quem, "cada família vai pagar, neste ano, R$ 626,41 apenas com a CPMF". Se os R$ 626,41 correspondem a 0,38% da movimentação financeira em bancos de cada família, então cada família movimenta R$ 164.844,74 por ano (uma simples regra de três). Ou R$ 13.737,06 por mês (basta dividir 164.844,74 por 12).
Mais um pouco: se o total estimado de arrecadação com a CPMF gira em torno de R$ 34 bilhões anuais, dividindo-se pela movimentação bancária da família modelo Dimenstein, R$ 164,844,74, teremos que somente 206.254 famílias utilizam o sistema bancário no país. Levando-se em consideração que cada família tenha 5 pessoas, todas movimentando regularmente uma conta bancária, teremos apenas 1.031.270 pessoas pagando a CPMF.
Alguma coisa está errada com os números ou não entendi direito? Parece que a premissa inicial está completamente furada e ninguém se deu ao trabalho de conferi-la. Para mim o que fica do artigo é que se colar, colou.
Mas, não é só isso: Qual a razão de se fazer comparações com "contas apenas do governo federal" num texto elogioso ao governo estadual?
Não seria correto também utilizar dados da arrecadação do ICMS do Estado ou do ISS do Município para fazer mais comparações? Esses impostos também não seriam melhor "utilizados se ficassem nas mãos das famílias?"
Ah, mas aí seria pedir demais. E como o Serra e o Kassab iriam governar, não é mesmo?

Postado por Carlos Alberto

fonte: http://www.especialistaemnada.blogspot.com/

///

O que Gilberto Dimenstein NÃO DIZ: Os "alfabetizados disfuncionais" [esse é o nome certo!] são o resultado MAIS MACABRO dos DES-governos da tucanaria uspeana pefelista

____________________________________________
MUITO BOA a análise abaixo (de http://www.especialistaemnada.blogspot.com/), que MOSTRA que os números do DES-jornalista Gilberto Dimenstein são, sim, seletivos-mal-intencionados.

Esse DES-jornalista é 'animador' de uma ONG, chamada "Associação Cidade Escola Aprendiz" ("Projeto Aprendiz", pra encurtar), que funciona aqui na Vila Madalena, perto da minha casa. Como ONG dita 'cultural', essa ONG depende, completamente, do dinheiro do MEC, e vive bem firmemente plantada no Ministério da Cultura (o que se comprova, por exemplo, em http://aprendiz.uol.com.br/content.view.action?uuid=30e310490af4701001ecfe07a4972361).

Claro que o Projeto Aprendiz depende também, crucialmente, do dinheiro arrecadado pela CPMF e por vários impostos estaduais e federais.

Claro, também, que o Projeto Aprendiz tornou-se crucialmente necessário para OCULTAR TUDO o que os governos da tucanaria NÃO FIZERAM, jamais, durante os MUITOS anos em que DES-mandaram, no Brasil, em matéria de educação pública.

Todos os jovens brasileiros que, hoje, são afabetizados disfuncionais(*) (e são milhões, no Brasil) foram DES-alfabetizados durante os DES-governos da tucanaria uspeana pefelista. Claro! Quem tenha hoje 15 anos, por exemplo, SÓ CONHECEU A ESCOLA DA TUCANARIA USPEANA PEFELISTA (nunca democrática).

Houve aí uma DES-alfabetização construída. Essa DES-alfabetização construída criou o mundo no qual a escola pública DES-alfabetiza... e essas ONGs fingem que alfabetizam mas, de fato, só RE-DES-alfabetizam. Assim, essas ONGs passam a gerir quantidades astronômicas de dinheiro social, dos cidadãos.

TUDO isso é apagado do discurso do Gilberto Dimenstein, que faz, diariamente, um discurso de pregação da livre iniciativa e dos perigos do governo Lula -- dito 'anti-ético', por ele.

Gilberto Dimeinstein é DES-jornalista, pode-se dizer, "clássico". Ele faz, diariamente, na Folha de S.Paulo e na rádio CBN, o discurso da desqualificação da política (apresentada por ele como fonte de todos os males) e dos políticos (apresentados por ele como corruptos-natos). Isso ele faz, todos os dias, na CBN, com a ajuda empenhada do Sardemberg e da Míriam Leitão. Mais tucano do que esse grupelho de DES-jornalistas, só se esses caras avoassem.

Quem vem com tudo NÃO CANSA! (verso de Cazuza e Frejat, incorporado pela UJS)

NOTA
(*) A 'literatura' 'pedagógica' (e todas as pesquisas, dissertações de mestrado e teses de doutoramento) da tucanaria uspeana pefelista chama esses jovens brasileiros DES-alfabetizados nas escolas e universidades que se implantaram no Brasil durante os governos da tucanaria uspeana pefelista, de "analfabetos funcionais". Aí, até o nome tá errado. As vítimas da DES-pedagogia privatista e privatizante não são nem "analfabetos" (posto que todos foram oficialmente aprovados como "alfabetizados", nas escolas e ministérios e secretarias de educação dos governos da tucanaria) nem são "funcionais". São, sim, ALFABETIZADOS DISFUNCIONAIS. TODOS, todos, todos esses jovens brasileiros foram TRAÍDOS pelas escolas, professores e 'teorias' pedagógicas dos DES-governos (e da DES-universidade) da tucanaria uspeana pefelista.

///

quarta-feira, agosto 22, 2007




CAMPANHA
A VALE É NOSSA


Para dar continuidade ao processo de construção do Poder Popular em nosso país, os movimentos populares, entidades sindicais e religiosas, articulados na Assembléia Popular, resolveram convocar e organizar o Plebiscito Nacional sobre a Privatização da Companhia Vale do Rio Doce.


Este Plebiscito tem como objetivos:


1) Abrir espaço para a população brasileira manifestar-se acerca deste estratégico patrimônio da Nação ao capital financeiro nacional e internacional;


2) Retomar a luta pela reestatização da Companhia Vale do Rio Doce;


3) Abrir debate nacional do caráter do Estado brasileiro e do destino para nosso país, definindo com mais clareza o nosso Projeto Popular para o Brasil. Vários aspectos legais não foram cumpridos no processo de privatização da Vale, isso levou a 103 ações populares previstas no processo de privatização, ações estas que foram suspensas pelo STJ no mês de setembro de 1997.

Outro problema foi a escandalosa sub-valorização da empresa, onde não foi incluído no patrimônio, dentre outros, as reservas de urânio, a extensão de terra nas fronteiras para exploração de minério, as estruturas portuárias e ferroviárias.


A Companhia Vale do Rio Doce - CVRD possui a maior frota de navios transportadores de grão do mundo, possui as principais ferrovias brasileiras, é a maior mineradora mundial de minério de ferro com reservas comprovadas de 41 bilhões de toneladas, possui uma força produtiva tecnológica e de recursos naturais consideráveis, é a principal produtora de bauxita, ouro (cujas minas, grandes e lucrativas, foram abertas pouco depois do leilão) e alumínio da América Latina, sem contar com os outros minérios que é extraído como o calcário, dolomito, fosfato, estanho, cassiterita, granito, zinco, grafita e nióbio.


Hoje, a CVRD é a maior empresa privada brasileira, a segunda maior atuando no Brasil, depois da Petrobrás.


A empresa foi criada na década de 40 por um grupo inglês, até então com o nome de Itabira Iron Ore, para cobrir a demanda da Inglaterra e dos EUA por minérios de ferro na fabricação de armas para a II Guerra Mundial.


Com a mudança na Constituição pelo Estado Novo de Vargas em 1942, o Governo proibiu o aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais por companhias estrangeiras, iniciando um processo de nacionalização.


Nos chamados “Acordos de Washington” firmados em 03/03/1942 na capital estadunidense, o governo britânico se dispunha a transferir ao governo brasileiro o controle da empresa financiando uma parte do dinheiro, exigindo em contrapartida, a cessão das bases do Nordeste para as operações das forças norte-americanas e o envio de tropas brasileiras para a II Guerra Mundial, na Europa. Ali perdemos vidas valiosas, sendo assim, não investimos na Vale somente com os recursos do Erário e sim com o sangue dos soldados brasileiros, com a coragem e com a dignidade do patriotismo.


Durante este tempo, a CVRD não somente investiu em avanços tecnológicos e de pesquisas na empresa, mas também em fins sociais, levando benefícios para a população da região onde a empresa abrange, sustentou a soberania do Brasil sobre a Amazônia e contribuiu com a proteção do meio ambiente e as comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas.


A CVRD foi privatizada em 06 de maio de 1997 (no governo FHC) pelo valor de 3,3 bilhões de dólares, neste dia, houve manifestações populares nos grandes centros do país, mas o governo, agindo de forma covarde e autoritária desrespeitando a democracia, coloca um aparato policial para proibir e reprimir as manifestações contrárias ao leilão, usando de violência desmedida contra todos aqueles que se opuseram à entrega do patrimônio público.


Segundo professor e economista Aloísio Leal, da Universidade federal do Pará, seu valor estimado era de mais de 92 bilhões de dólares. Em 2006, a Vale obteve um faturamento de 46,7 bilhões de reais, ou seja, lucrou em apenas um ano, muito mais do que pagou por ela.


Entre os avaliadores da empresa para a privatização na época, estava o Banco Bradesco, que posteriormente criou a empresa chamada Bradespar para figurar no quadro de controladores de ações da CVRD, esta empresa detém 17,4% das ações. Outro integrante do conglomerado é o grupo Lintel/Lintela, formado pelos fundos de pensão da Previ detentores de 59,1% das ações, a empresa Mitsui com sede nos EUA também está no grupo com 15%.

O governo obedecendo a interesses internacionais, sem nenhuma discussão popular privatizou a Vale. Naquele momento, houve a entrega de uma das maiores heranças do povo brasileiro para o capital estrangeiro. Temos que reverter este processo, para o bem de nossos filhos e netos, devemos participar deste plebiscito votando contra a privatização da Vale do Rio Doce.

Será a demonstração do nosso sentimento de revolta e ressentimento perante toda esta traição dos governantes ao povo, pois uma coisa que não podemos deixar, é o capital estrangeiro tomar-nos o nosso solo com todas as suas riquezas, as nossas águas e as nossas florestas.

Além disso, a privatização da Vale foi inconstitucional por vender reservas de urânio, que são de propriedade exclusiva da União, alienar milhões de hectares de terras e permitir a exploração de minérios na faixa de fronteira, o que não poderia ser feito sem a aprovação do Congresso Nacional.


///

segunda-feira, agosto 20, 2007




5 de outubro/2007: faltam 45 dias para vencer o prazo das concessões da Rede Globo, TV Bandeirantes e TV Record

(do Blog do Azenha, em http://viomundo.globo.com/site.php?nome=VoceEscreve&edicao=1114)
___________________________________________________

A CONAQ - Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas se prepara para realizar no próximo dia 5 de outubro um ato para questionar o papel das concessões públicas de televisão e o oligopólio das comunicações no país.
O principal alvo da manifestação é a Rede Globo de Televisão, acusada de criminalizar e deslegitimar o movimento dos quilombolas.
O ato pretende agregar outras entidades e movimentos sociais e a idéia é que nesse dia haja um boicote à programação da Globo e que se realizem atividades nos quilombos sobre análise de mídia.
Outras organizações que defendem a democratização da comunicação planejam manifestações para o mesmo dia para reivindicar transparência na outorga e renovação das concessões de rádio e televisão.
A data foi escolhida pelas entidades pois nesse dia vencem as concessões da Rede Globo, TV Bandeirantes e TV Record.
A manifestação dos quilombolas é motivada por matérias recentes veiculadas na imprensa com conteúdo discriminatório e que contestam tanto a legitimidade das comunidades quanto o reconhecimento, pelo Incra, de territórios que foram ocupados por quilombos durante a vigência do regime escravocrata no Brasil.
O estopim da indignação foi uma reportagem veiculada no Jornal Nacional do dia 14 de maio deste ano, onde a emissora acusa a comunidade remanescente de São Francisco do Paraguaçu, em Cachoeira – BA, de falsificar documentos e, portanto, fraudar seu processo de legalização enquanto comunidade descendente, já aprovado pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura.
Em nota divulgada na época, a CONAQ acusava a Rede Globo de manipular os fatos em benefício dos fazendeiros locais.
A primeira iniciativa da CONAQ foi entrar com um pedido de direito de resposta contra a Rede Globo, que ainda não teve retorno. Agora, do ponto de vista jurídico, a entidade pretende procurar o Ministério Público para tomar as medidas cabíveis.
“A reportagem veiculada pela Globo foi forjada. As entrevistas com o nosso povo foram simplesmente ignoradas. Até a Rede Record chegou a fazer uma reportagem negando o que havia passado na Globo, mas por pressão dos fazendeiros, ela nem chegou a ir ao ar”, descreve Clédis Souza, uma das coordenadoras da CONAQ.
Segundo os organizadores, a manifestação do dia 5 de outubro é mais uma oportunidade para demonstrar a insatisfação dos movimentos sociais com a mídia conservadora e suas investidas contra os setores populares.
Clédis Souza diz que vários movimentos já foram contatados, como o MST e o movimento negro no sentido de se agregarem ao ato. “É importante, no dia 5 de outubro, que mostremos que também temos força para questionar esta emissora, fazendo um boicote que crie repercussão”, conta.
Confira o manifesto elaborado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas:
CARTA CONVOCATÓRIA
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas - CONAQ, entidade representativa das comunidades quilombolas de todos os estados da Federação, convoca todas as entidades e movimentos sociais para construir o Dia Nacional de Repúdio à Emissora Rede Globo de Televisão.
A nossa proposta é que o próximo dia 05 de outubro de 2007 fique marcado pela manifestação "GLOBO, A GENTE NÃO SE VÊ POR AQUI!", que irá expressar a indignação dos movimentos sociais criminalizados, direto ou indiretamente, por essa emissora.
Nós, quilombolas, estamos vivenciando, como outros movimentos, de uma investida da REDE GLOBO com matérias que negam a nossa identidade étnica e contra o decreto 4887/03, que regulamenta o processo de titulação dos territórios de quilombos.
Questionamos:
O jornalismo da Rede Globo, pois possui uma postura tendenciosa a serviço das oligarquias, cujos interesses sempre entram em conflito com os interesses das classes populares;
A formação da opinião pública dessa mídia, já que essas matérias acabam contribuindo para um maior desconhecimento da luta dos quilombolas e de outras lutas, desarticulando os diversos movimentos;
O ineficiente controle que todos os poderes públicos e sociedade possuem em relação a esta emissora, já que não se sabe quando se renova as suas concessões, não há fiscalização se os Direitos de Respostas são cumpridos, não há punições em relação às distorções cometidas, entre outras.
Sugerimos que neste dia (05 de outubro) sejam realizadas atividades, nas quais se discutam sobre o papel da Rede Globo na sociedade brasileira, analisando como essa emissora desrespeita a diversidade dos movimentos sociais e de entidades.
A nossa postura política representa um ato de repúdio ao abuso de um grupo de mídia privado que se utiliza da concessão pública para descredibilizar aqueles e aquelas, que há mais de 500 anos, constroem a história desse país.


(Henrique Costa - Observatório do Direito à Comunicação."




///

domingo, agosto 19, 2007








De que se defendem ainda, esses Gullar-cansados, Urariano, meu poeta?

Há algo, nessa militância antidemocrática e suicida dos DES-jornais brasileiros, que corrompe tudo, no campo da mídia brasileira, golpista, no Brasil, há 50 anos. Corrompe os DES-jornalistas, os DES-jornais e o DES-jornalismo.

Há algum enigma oculto do Brasil, que permanece oculto de todos, e que só os mais pobres intuem. Só o monstro-multidão intui, conhece, vê. E esse enigma oculto do Brasil é impenetrável para os letrados brasileiros. Todos eles, e não se safa um, ou, pelo menos, não se safa um dos que se deixem publicar nos DES-jornais brasileiros. E esse enigma é apenas parcialmente visível para alguns.

Na multidão -- e só na multidão -- vez ou outra, em 2007, ainda se ouvem falas de decifração desse enigma oculto do Brasil. E a luta, assim, pode continuar e continua. Assim o Brasil elegeu Lula: Lula é o enigma decifrado... mas o Brasil ainda não sabe falar sobre a decifração do enigma.

Enquanto não o decifrarmos completamente, esse enigma oculto do Brasil continuará a corromper todo o jornalismo, os jornalistas e os jornais, no Brasil, nessa militância suicida que se vê hoje, de tantos autoproclamados 'intelectuais' brasileiros, todos tão rapidamente seqüestrados para essa vergonhosa, escandalosa, obscena mídia de DES-jornalão que, no Brasil, é o segundo maior sorvedouro que há, da inteligência viva do Brasil; a mídia de DES-jornalão é o segundo maior sorvedouro da inteligência viva do Brasil, porque o primeiro sorvedouro-ataúde da inteligência viva do Brasil é a DES-universidade que há aqui.

Seja a DES-universidade sejam os DES-jornais, no Brasil-2007, essas vozes-do-enigma são as vozes dessa dita 'elite', mas que também é uma DES-elite. Não há elite cansada. Nunca houve. Não pode haver. Elite é potência, ou não é elite.

Os cansados-2007, que se fazem anunciar, que anunciam o próprio cansaço em anúncios de página inteira no Estadão -- e anúncios pagos pela OAB-SP (e dificilmente se imaginaria DES-elite mais totalmente pirada, tosca, violenta, burra, salafrária, golpista, idiota, simples, simplória, feia, velha-sem-sabedoria-ou-grandeza, no frigir dos ovos) são o avesso de qualquer elite. Vivem hoje escondidos, DES-mostrados... e são os primeiros a não ver o papel patético que fazem, primeiro, frente aos muitos pobres potentes, que estão mudando o Brasil. Mas ainda faltam, aos pobres potentes do Brasil todos os discursos. Temos a potência para transformar, mas ainda não alcançamos a palavra que transforma. Essa luta tem de prosseguir e prossegue. No pasarán!

Escrevi tudo isso, pq Ferreira Gullar já foi um bom poeta. Foi e é importante lembrar que foi. Porque, sem lembrarmos que Gullar já um bom poeta, sim, em 1975, no "Poema Sujo", ficamos sem meios para saber o quanto Gullar deixou de ser. Porque, depois, Gullar sujou-se, ele também, na imundície dos anos ditos 'neoliberais' no Brasil.

Além do mais, a poesia, a importância da poesia, a necessidade urgente, desesperada, absoluta de poesia, sempre, me obriga (ME OBRIGA!) a registrar aqui, O Ferreira Gullar de 1975 que ainda tinha perguntas importantes a fazer, primeiro, a ele mesmo. E que, depois, deixou-se matar, engolido, patético, triste, sem vida, morto, senil, nesse DES-jornalismo patético, triste, sem vida que é o DES-jornalismo, no Brasil-2007.

Vejam aí:

"Como se não bastasse o pouco dinheiro, a lâmpada fraca,O perfume ordinário, o amor escasso, as goteiras no inverno.E as formigas brotando aos milhões negras como golfadas dedentro da parede (como se aquilo fosse a essência da casa)

E todos buscavam
num sorriso num gesto
nas conversas da esquina
no coito em pé na calçada escura do Quartel
no adultério
no roubo
a decifração do enigma
- Que faço entre coisas?
- De que me defendo?"


Caia Fittipaldi

///


escrito e enviado por Urariano Mota

Ferreira Gullar é o mais novo humorista da nossa risível imprensa. Mas tenho sérios motivos para crer que o seu humorismo é involuntário, porque ele desperta risos sem se dar conta. Em dúvida, leiam o primeiro parágrafo, a primeira frase, a grande abertura do seu artigo na Folha de São Paulo deste domingo:

"AO CONTRÁRIO do PT, que só avaliza pesquisa de opinião quando ela o favorece, acredito que Lula conta mesmo com o apoio da maioria da população".

Ferreira Gullar merece o Nobel por esse ridículo mais ridículo dos ridículos já perpretados por um escritor na decadência. Depois de duas eleições para a presidência, depois de todas as pesquisas de todos os institutos de pesquisa, de diferentes momentos, crises, depois de, ufa, enfim, ele se convenceu de que Lula "conta mesmo com o apoio da maioria da população"! Viva, Gullar ficou estúpido mas ainda não é cego. Ainda não bate o pino. Salvo melhor juízo.




///

sábado, agosto 18, 2007










Boicote a Philips continua por tempo indeterminado
Sebastião Bisneto



O senador João Vicente Claudino declarou durante o "Dia de Filiação do PTB" que o boicote do grupo Claudino aos produtos da Philips no Piauí continua por tempo indeterminado. As mercadorias foram retiradas das prateleiras das lojas do Armazém Paraíba na manhã de sábado. Para o senador, as declarações de Paulo Zottolo são inaceitáveis.

"Não podemos aceitar, em pleno século 21, uma opinião tão negativa. Como político e como empresário já manifestamos nossa opinião. O protesto é por tempo indefinido a não ser que haja uma atitude mais forte que uma simples retratação da empresa", opinou JVC.

O senador lembrou que essa não é a primeira vez que Zottolo debocha do Piauí. Segundo João Vicente Claudino, em 2005, o empresário fez comentários negativos com Teresina ao conceder entrevista a revista Istoé.

JVC disse ainda que o boicote a Philips já repercute em outros estados do Nordeste.


Confira a matéria completa na edição deste domingo do jornal O DIA ou acesse a versão eletrônica do impresso em www.portalodia.com/jornal Publicado em 18/8/2007 11:47:24Hérlon Moraes/ O DIA

http://www.portalodia.com/notmanchete.asp?ID=15404




///

quinta-feira, agosto 16, 2007




ISSO NÃO DEU NA FOLHA DE S.Paulo!

Acorda, Ombudsman!


Cúria Metropolitana de São Paulo
Vicariato da Comunicação – Arquidiocese de São Paulo
Av. Higienópolis, 890 – Fone (11) 3826-0133 – Fax 3825-4414
vicariatocom@uol.com.br - http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/

Para: SECRETÁRIO DE REDAÇÃO – Chefe de Reportagem

De: VICARIATO DA COMUNICAÇÃO – Arquidiocese de São Paulo
Ref.: NOTA À IMPRENSA SOBRE MANIFESTAÇÃO DO MOVIMENTO CANSEI

Nota em relação à manifestação organizada pelo movimento Cansei a ser realizada na próxima sexta-feira, dia 17 de agosto.

A Arquidiocese de São Paulo esclarece: a autorização do uso da Catedral da Sé não partiu do arcebispo Dom Odilo Scherer.

A Arquidiocese não desautoriza o movimento, mas deixa claro que não encabeça o protesto e nem participa de sua organização.

A Arquidiocese de São Paulo já participou do ato inter-religioso pelas vítimas do acidente da TAM e também celebrou missa pelos falecidos daquele trágico acidente. Renova sua solidariedade para com os familiares das vítimas e suas preces pelos que perderam suas vidas no acidente.

Agradecemos e nos colocamos à disposição para mais informações.

Arquidiocese de São Paulo, Vicariato da Comunicação

São Paulo, 15 de agosto de 2007


///

quarta-feira, agosto 15, 2007





"Cansei": a Profanação da Catedral de SP
Reverendíssimo Senhor Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer,
Quem recebe o convite para o ato político do chamado movimento "Cansei", oficialmente denominado "Cívico pelo Direito dos Brasileiros", informa-se de que terá como palco, no dia 17, às 13 horas, a Catedral da Sé. A central do MCDB e a secretaria da Catedral confirmam a notícia.
Posso vos dizer que cerro fileira entre os "pecadores", pois nem sempre freqüento as missas dominicais e, raramente, tomo parte na Eucaristia. Ainda assim, sinto-me católico. Fui batizado no Brás, numa paróquia de "nostra gente" que tinha sido inaugurada semanas antes. Minha mãe era uma italiana politizada, de esquerda, mas também crentíssima. Segundo ela, a passagem para a sociedade socialista passava por uma adesão espiritual à doutrina solidária do Cristo.
Ali, na Polignano a Mare, também recebemos outros sacramentos. Passados tantos anos, se há bom lugar em Roma para se meditar é na Basílica, aos pés da estátua de Santa Verônica, ela mesma uma espécie de emocionada fotógrafa do calvário.
Hoje, portanto, estarrece-me descobrir que a Arquidiocese de São Paulo franqueou nossa Catedral para que um movimento politizado, oportunista e de natureza golpista realizasse um "ato ecumênico".
Só encontro um nome para designar vossa atitude: "profanação".
Todos sabem que o referido movimento tem caráter político partidário. Está fundado numa indignação seletiva e egoísta. Esses mesmos barões jamais estenderam as mãos, cheias de anéis de ouro, ao povo de rua, aos favelizados, aos mal-nutridos e aos desvalidos de nossa arquidiocese. À parte seus chás beneficentes, tertúlias de vaidade e ostentação, jamais se engajaram nas lutas de nossa comunidade pela democracia e pela inclusão social.
Enquanto Dom Paulo Evaristo Arns enfrentava a mão de chumbo da ditadura militar, esses mesmos fariseus embusteiros enriqueciam às custas do "milagre econômico". Alguns até mesmo se divertiam com as sessões de tortura promovida pela Operação Bandeirante. Enquanto Herzog era morto, os mesmos colecionadores de poodles cor-de-rosa se confraternizavam com champagne importada nas sessões noturnas do J. Clube.
Vossa conduta em ofertar espaço sagrado à celebração da iniqüidade reconstrói um grave pecado da Igreja de São Paulo. Em 19 de Março de 1.964, muitos dos clérigos da terra bandeirante participaram da Marcha da Família com Deus pela Liberdade . Seguiram o padre Patrick Peyton, norte-americano, uma versão sessentina de Caifaz, num dos atos que culminou, dias depois, no grave atentado à democracia brasileira.
Desse grave deslize, redimiu-se a Igreja pela ação moderadora de Dom Paulo e pelas ações pastorais de prelados como Dom Celso Queiroz, Dom Angelico Bernardino e do santo Dom Luciano Mendes de Almeida, que conheci em Roma, na década de 70.
Hoje, entretanto, mais uma vez o pêndulo da história desvia a instituição para o campo da prevaricação política. Magoados, assistimos a vossa participação num movimento oportunista, de revanche eleitoral fora de hora, que utiliza como pretexto a dor das famílias que perderam entes queridos no acidente com o avião da TAM, em 17 de Julho. A moral dos que se apropriam desse sofrimento tem relação com os sepulcros caiados, cujo sentido os homens de fé tão bem conhecem.
Pode-se argumentar que o ato ecumênico será DENTRO da Catedral, mas que a manifestação política será FORA do templo. Francamente, com todo respeito, trata-se de argumento velhaco. Na verdade, é o mesmo ato, o mesmo ritual, a mesma celebração, com sutil transferência para palco contíguo.
Cabe vos lembrar o que disse o Papa Bento XVI aos Núncios Apóstolicos nos países da América Latina, em fevereiro passado:
De modo particular, sinto o dever de afirmar que não compete aos eclesiásticos gerir agregações sociais ou políticas, mas sim a leigos maduros e professionalmente preparados.
Se não sou desrespeitoso, arrisco vos lembrar de outra fala do Sumo Pontífice, reproduzida em 2005 por jornais da capital paulista:
Deve-se evitar a unilateralidade provocada pela tendência a uma práxis que privilegia os caminhos aparentemente rápidos, políticos. Esquece-se, dessa forma, da estrutura profunda que deve se encontrar à base de qualquer empenho pastoral.
Ainda que se possa divergir de alguns pensamentos do Papa Bento XVI, esperamos, no mínimo, que haja, de vossa parte, coerência. Se tão fustigada foi a Teologia da Libertação, posto que se criticava o engajamento do clero em assuntos políticos-sociais, por que haveria, agora, a Igreja de emprestar seu aval a um movimento que prega a ruptura institucional?
Eu e muitos outros católicos de coração sentimo-nos, pois, ofendidos, traídos e agredidos. Emprestar, por menos que seja, energia ao oportunismo dos se aproveitam politicamente das vicissitudes alheias constitui-se, caros prelados, em gravíssimo delito. Isso pesará em vossas histórias. Que Deus de vós tenha compaixão.


* Uma cópia desta carta está sendo enviada ao Sumo Pontífice.


Mauro Carrara - Jornalista
///

Repudiamos Profanação religiosa

Prezados amigos,

Nós, membros coordenadores da Comunidade Brasil Soberano, com mais de 3.400 membros na Internet brasileira, especialmente com brasileiros no Exterior, repudiamos veementemente o uso de um templo religioso para propaganda política contra o governo legalmente constituído da República Federativa do Brasil.

Não importa o credo, pois muitos de nós não somos católicos, o importante é que as casas de oração sejam preservadas. O grupo "Cansei" tem a evidente intenção de confrontar o presidente da República e de criar um clima de animosidade, que somente fará mal a nosso amado país.

No Exterior, temos visto com simpatia as ações do presidente Lula, ainda que muito tenha de ser feito. Ao menos já temos uma lei que reconhece os direitos dos brasileirinhos nascidos fora do território, no que foi importante a participação do Sr. Celso Amorim.

Consideramos falta de respeito a apropriação de um local importante para a história do Brasil, como a Catedral da Sé, em São Paulo, ser agora local de comício para pessoas do naipe de João Dória Filho e Hebe Camargo, que nada acrescentam à luta por tornar nosso país soberano.

Coordenação Comunidade Brasil Soberano.

15/08/2.007 - Paris - França

///

terça-feira, agosto 14, 2007

DEU CHOQUE





fonte: http://www.bluebus.com.br/

Noticia do Blue Bus


Matriz holandesa pressiona presidente da Philips br por 'movimento' 11:00


Está na ediçao 3194 do Relatorio Reservado q circula entre os assinantes. O presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo, está sendo pressionado pela matriz, holandesa, pela adesao da filial brasileira ao movimento 'Cansei' - "Os dirigentes do grupo na Holanda exigiram o desligamento do nome da Philips de qualquer material ou evento alusivo à campanha" - revela. Diz Relatorio - "A voluntariosa e desastrada postura de Zottolo, resultou em considerável desgaste institucional para a companhia. A repercussao virou, inclusive, agenda diplomática. A Embaixada da Holanda no Brasil teve de entrar no circuito para desfazer o profundo mal-estar que a postura da Philips gerou junto ao Palácio do Planalto" - informa. 14/08 Blue Bus


///

A CRISE DA GLOBO





Qual crise?

Olmo Xavier é arquiteto e urbanista

É acintosa a hipocrisia quando o tema é "crise aérea". O debate é necessário. Porém, por que não fazê-lo também sobre outras crises que há muito mais tempo assolam milhões de homens e mulheres diariamente? São incontáveis as horas úteis perdidas por trabalhadores e estudantes de todas as idades nos ônibus, trens e barcos do Brasil. É bom ressaltar que não se trata de uma crise constatada nos últimos 10 meses e sim, nas últimas décadas.

São veículos, na sua maioria, inadequados ao transporte de pessoas, verdadeiros caminhões encarroçados na forma de ônibus, e em péssimo estado de conservação. Estou falando de ônibus e trens que chovem dentro durante a chuva; que sujam e rasgam a roupa do trabalhador; de 10 pessoas por metro quadrado, o que só é comparável a gaiolas que transportam bois e porcos do local de suas engordas ao matadouro; de veículos que quebram e de viagens que não chegam a acontecer; de uma gestão pública que não se apresenta nunca; de artifícios desenhados para ampliar o lucro de empresários, alongando intervalos, superlotando veículos e atrasando a vida do passageiro.

O curioso é que nunca vimos alguém defender a necessidade da criação de CPI's para discutir o assunto. Os jornais falados, escritos e televisados sequer tangenciam o tema em suas pautas. A não ser quando a crise do transporte público afeta o ir e vir dos cidadãos um pouco mais nobres, como os que conseguem se deslocar com seus próprios veículos. Em uma greve recente dos metroviários na cidade de São Paulo um repórter alardeou na televisão: "O trânsito da cidade está caótico com a greve dos metroviários". Se não fosse pelo caos no trânsito, era bem possível não sabermos que o metrô parou, três vezes só neste ano, na maior cidade brasileira.

Isso se dá, pura e simplesmente, pelo fato de os brasileiros que utilizam os serviços de transporte coletivo serem, na maioria, cidadãos pertencentes às classe C e D, carentes de canais para denunciar os seus problemas cotidianos. Os cidadãos da classe E andam a pé por não ter condições de arcar com o preço das tarifas.

O ciclo é tão vicioso, que nós fomos convencidos que pessoas classificadas nas classes A e B valem mais que as demais. Se um usuário de transporte público for entrevistado no interior de um terminal de ônibus urbano em qualquer cidade brasileira, ele irá discorrer sobre a crise aérea com mais propriedade do que falaria sobre as causas das mazelas que enfrenta em seus deslocamentos diários. Mesmo que nunca tenha pisado em um aeroporto. Por quê?

Esta orquestra tem um maestro: a mídia. No contexto sócio- econômico-cultural de país em desenvolvimento, a mídia exibe uma força descomunal e um imenso poder de persuasão. Cabe lembrar que em países como França, Inglaterra e os Estados Unidos, esse poder diminuiu na medida em que a democracia se fortaleceu. A sociedade passa a se balizar em mais variadas fontes de informação. Aqui, a mídia tenta reger a sociedade e os políticos. Aqui a mídia causa.

O setor aéreo tem passado por grandes transformações nos últimos anos. O número de passageiros se multiplicou com o início de um processo de "deselitização" do transporte aéreo, previsível no cenário de melhor distribuição de renda e relativo crescimento econômico. Em 2000, Congonhas, em São Paulo, recebeu 10 milhões de passageiros e o aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, 5 milhões. Em 2006, 18 e 9,6 milhões, respectivamente. Em todo o país, o crescimento também foi expressivo. Em 2003, eram 72 milhões, no ano passado,esse número chegou a 102 milhões. Curiosamente, o número de aeronaves das maiores companhias caiu de 350 em 2001 para 265 hoje.

A infra-estrutura, de fato, não acompanhou a velocidade desse processo e deixa a desejar em vários aspectos. Porém, as apurações dos dois trágicos acidentes que mataram quase 400 pessoas, apontam para falha humana ou mecânica como causas dos desastres. Ou seja, a crise não merece o status de caos nacional, diante dos enormes problemas sociais que temos. Respostas precisam ser dadas. Mas outras muitas perguntas estão lançadas.
Como aceitar quem, a cada dois dias, morram em acidentes de trânsito no País o equivalente a uma tragédia com o avião da TAM, cheio de gente? Quanto isto custa para nós em dores e em dólares?

Serviços essenciais a todos os brasileiros como saúde, educação, moradia, alimentação, transporte público, segurança, lazer e, inclusive, o sistema de transporte aéreo merecem toda nossa atenção e empenho. Não podemos esmorecer alegando cansaço como alguns. A luta é árdua e a estrada é longa.


///

segunda-feira, agosto 13, 2007

GALINHAS EM PÂNICO




"A CLASSE MÉDIA ALTA É A MAIS BAIXA"

Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 605

"A classe média alta é a mais baixa da população. Ela está tão desesperada que corre atrás de qualquer coisa que se diga... O método de produzir a decadência para depois corrigir, a idéia do ‘quanto pior melhor’, é elaborado pela classe dominante. A classe dominante no Brasil é a mais pobre. A exigência de uma cidade como São Paulo é habitação, transporte e saúde.
A questão dos transportes é fundamental.... queimar petróleo para transportar uma pessoa de 60 quilos numa lataria de 700 quilos, que não anda, é um erro grave.
Acho que até isso não é assunto para mim, mas para Borges, Cortazar, Rabelais. Quando ouço, no rádio, que são 157,8 quilômetros de congestionamento, penso na linguagem de descalabros de Rabelais.
A classe chamada alta produz o seu próprio desastre. Você abandonou a cidade e a população pobre ocupou-a. Você abandona a cidade e funda outra, como Alphaville, porque teme a liberdade. A avenida São Luís, feita de habitações de alto luxo, não durou 15 anos.
Essa classe não lê, ou seja, ela está degenerada.
... acho que eles têm absoluta consciência e estão desesperados. É o imobilismo do aflito, como o naufrágio do Titanic: a orquestra não parou de tocar.
Acho que é essa consciência do próprio desastre que forma estados patológicos como o pânico. São pessoas que já não respeitam o outro. Estão num estado de delírio.
O mercado é um horizonte falso e, se ficar no comando do processo, só produzirá asneiras como os neoclássicos."
. Esses são alguns, poucos, trechos da entrevista que o genial arquiteto Paulo Mendes da Rocha concedeu a Ana Paula Sousa, da Carta Capital.


. Clique aqui para ler a íntegra da entrevista.


sexta-feira, agosto 10, 2007




Por Max Altman

A verdade desmente Elio Gaspari


Ao contrário do que escreveu Elio Gaspari em sua coluna na Folha de S. Paulo deste domingo, 5 de agosto, de que "Lula colocou o Estado brasileiro a serviço da polícia política de Fidel Castro, como resultado da detenção e do anunciado repatriamento dos boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara", o presidente brasileiro determinou ao delegado da Polícia Federal em Niterói, Felício Laterça, que informasse os atletas de que tinham direito de formalizar um pedido de refúgio ao Brasil. E que não só informasse mas que insistisse bastante nessa possibilidade. Legalmente quando se pede refúgio, aguarda-se no país a tramitação e o julgamento que é feito por um órgão independente das Nações Unidas e não pela justiça do país hospedeiro.


Ao contrário também do que informa o sr. Gaspari de que os "dois foram detidos pela polícia no litoral do Rio, levados para um quartel da PM, transferidos para a Polícia Federal e colocados sob vigilância policial", Rigondeaux e Lara ficaram hospedados num hotel em Niterói entre quinta-feira e sábado, quando retornaram a Cuba em vôo fretado pelo governo cubano, decolando do Aeroporto Internacional do Galeão em torno das 21h00 de sábado, 4 de agosto.


Foi no ambiente tranqüilo do hotel e não numa dependência carcerária da Polícia Federal, como insinua o sr. Gaspari, que o delegado Laterça declarou à imprensa "eles estavam ótimos emocionalmente. Pareciam exultantes e felizes com a viagem de volta. Sabem que são grandes atletas. Não estão com medo de retaliações. Acho que foram vítimas da empresa alemã. Um deles me disse: 'Há 11 milhões de cubanos a minha espera em Havana'. Insisti com eles, conversamos muito, mas não quiseram fazer o pedido de refugiados".


O sr. Gaspari afirma que a atividade esportiva "na ditadura cubana é compulsoriamente estatal". Afirmação raivosa e caluniosa. Na verdade, em Cuba, o esporte, como a educação, a saúde, o lazer, a arte, é um direito de todo cidadão, desde a mais tenra idade. E esse direito é levado a sério. Os índices dos diversos organismos das Nações Unidas comprovam-no. A excelência desportiva de Cuba, um país com pouco mais de 11 milhões de habitantes, decorre da universalidade da prática desse direito, os atletas sendo descobertos, formados e preparados para as competições de alto nível por uma imensa legião de treinadores, professores de educação física, fisicultores, médicos, psicólogos, etc. O esporte em Cuba é essencialmente amador. Ninguém assina contrato para conseguir mais dinheiro. Se é verdade que alguns desportistas cubanos, especialmente no beisebol, atraídos pelos aliciadores norte-americanos ao preço de muitos dólares, deixaram seu país para viver profissionalmente do esporte, a imensa maioria, entre a qual alguns heróis do esporte universal que deixaram sua marca histórica, como Javier Sottomayor e Alberto Juantorena (atletismo), Teófilo Stevenson e Félix Savón (boxe), Regla Torres e Mireya (vôlei) rejeitaram o saco de dinheiro, preferindo ficar ao lado de seus companheiros de disputa e do povo cubano.


O murmúrio do sr. Gaspari de que "Fidel Castro chamou sua delegação de volta antes da festa de encerramento do Pan porque farejou fuga em massa de atletas" já se calou de todo diante dos fatos. Esse murmúrio, que a Globo trombeteou enquanto pôde, foi desmentido, não por esta estação que escondeu vergonhosamente a realidade e sim pela concorrente Bandeirantes que exibiu inúmeros atletas cubanos desfilando no Maracanã na festa de encerramento.


Diz finalmente o articulista, em fecho digno de seus colegas que militam na imprensa de Miami, que "o aparelho do Estado brasileiro deteve Rigondeaux e Lara a serviço da repressão cubana." As agências internacionais dão conta que os pugilistas encontraram-se com seus familiares numa casa de visita e colocaram-se à disposição da imprensa local e internacional.


A respeito da repressão vale a pena ler as observações de Fidel Castro, antecipando-se aos comentários maliciosos e mendazes que fatalmente viriam: "A esses cidadãos não lhes espera prisão de nenhum tipo, muito menos os métodos que o governo dos Estados Unidos utiliza em Abu Ghraib e Guantânamo. ... Serão oferecidas a eles tarefas dignas e em favor do esporte de acordo com seus conhecimentos e experiência. As autoridades brasileiras podem ficar tranqüilas diante das inevitáveis campanhas dos adversários. Cuba sabe comportar-se à altura das circunstâncias." O resto é conversa fiada, como diz o próprio Elio Gaspari.


Rigondeaux e Lara ouvirão críticas e queixas de seus companheiros de equipe. Foram duas medalhas de ouro quase seguras. Contudo, estou convencido, disputarão em Pequim os Jogos Olímpicos de 2008. Quando menos, para limpar a própria barra.


Quanto ao Ahmet Öner, turco baseado na Alemanha, sócio do Arena-Box Promotion, que admitiu ter bancado a suposta deserção valendo-se de um evento esportivo realizado em cidade brasileira, espero que a polícia o capture e o coloque à disposição da justiça por crime de aliciamento e correlatos.


Max Altman é advogado e militante petista.



///

quinta-feira, agosto 09, 2007

A GRANDE MÍDIA ENCURRALADA


NO BLOG DO AZENHA E NO BLOG DO NASSIF



Menos é mais: Rádio parede, minha sugestão aos que cansaram da mídia que omite, distorce e engana o público


http://viomundo.globo.com/

Vi lá em Oaxaca, no México, onde a Associação Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) enfrenta um governador do PRI (o Democratas deles), Ulises Ruiz Ortiz, métodos inusitados de mobilização diante de um político que tem apoio de tropas, do governo federal e da grande mídia.

O La Jornada, jornal de esquerda, batizou de rádio parede.

Grafiteiros, alunos de artes plásticas e pessoas que têm talento para o desenho são convocados a criar símbolos para o movimento.

Eles são reproduzidos em camisetas, em faixas, placas e paredes das casas de manifestantes.



Toda cidade do interior do estado parece ter um destes símbolos num lugar de grande movimento popular.

E o dinheiro?

Todo fim-de-semana, na praça central de Oaxaca, a APPO promove uma espécie de quermesse.

Um dos desafios é preencher o chamado "quilômetro do peso", mil metros que as pessoas vão cobrindo com notas e moedas.



Oaxaca tem uns dez jornais.

O Tiempo se promove falando em "periodismo independiente".

Mas é um nojo, como a maior parte da mídia golpista brasileira.

A Televisa não cobre os acontecimentos, a não ser para acusar a APPO de promover "a baderna".

Curiosamente, a "baderna" da APPO já provocou mais de 20 mortes, desaparecimentos e dezenas de prisioneiros políticos.

E as vítimas são todas da APPO.

Quem viaja pela região de Oaxaca vai descobrindo, nas pequenas cidades e nas feiras semanais, cartazes de apoio à APPO aqui e ali.

É a região majoritariamente indígena do México.

E, como vocês sabem, assim como para a mídia brasileira nordestino pobre que vota em Lula não é gente, no México índio que apóia a APPO também não conta.

A Televisa está para o México assim como a TV Globo, especialmente nos últimos meses, está para o Brasil.

Há um tremendo fosso entre o que se vê no ar e o país real.

Como a Televisa não apresenta a versão real dos fatos, o grande hit na praça central de Oaxaca são vídeos produzidos por câmeras amadores que registram a repressão policial e entrevistas sem edição sacana com os líderes e participantes do movimento.

Eles são reproduzidos continuamente em aparelhos de tv e estão à venda por alguns trocados.



E há, ainda, o varal de fotos e jornais.

Traduzindo para a realidade brasileira: quer ler O Globo, mas só a página de esportes?

Tudo bem, leia na praça.

O jornal fica pendurado lá.

Todo mundo pode ler.

É uma forma de boicote aos jornais que mentem e deturpam informação sem privar os leitores de uma leitura diária.

Não quer assinar? Leia o jornal na praça.

Há, também, um varal com as notícias mentirosas ou deturpadas.

Os ativistas destacam os trechos que trazem falsidades e acrescentam, num texto à parte, sua versão para os fatos.



Parece tudo rudimentar, não é mesmo?

Foi o jeito que a APPO encontrou de se comunicar com seus militantes.

Nada de jornais coloridos e vídeos super-editados.

Comunicação caseira.

Afinal, você acha que um zapoteca tem alguma intimidade com o glamour de um estúdio de acrílico ou com as loiras oxigenadas da Televisa?

Tem nada, sente-se mais à vontade lendo um folheto mimeografado.

Quer ver alguns vídeos de Oaxaca?




Publicado em 6 de agosto de 2007

///


A notícia órfã
http://luisnassif.blig.ig.com.br/

Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do “Globo”, “A grande imprensa”.

Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: “A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.


“Testando hipóteses” é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.


De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.


O “testando hipóteses” do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar. Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores. E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura.


Esse papel doutrinário coube a Kamel Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados.


Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural.


Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do “aquário” Houve um divórcio dos pais – o “pai” “aquário” e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.


Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.


enviada por Luis Nassif


///

quarta-feira, agosto 08, 2007




Uma resposta ao artigo de Ali Kamel, que fala pela TV Globo


- por Renato Rovai, Revista Fórum


Hoje Ali Kamel, atual diretor executivo do jornalismo da Rede Globo, publica artigo no jornal carioca do grupo. O título: “A grande imprensa”. Ali Kamel também é autor do livro: “Não somos racistas”. Curiosamente, na capa, as letras do título explodem num fundo branco, bem branquinho.


Nesse seu trabalho de “investigação intelectual” a tese de fundo é a de que as diferenças se resolvem com educação e saúde de qualidade para todos. Ou seja, segundo ele, quando brancos e negros tiverem as mesmas condições, não haverá desigualdade. Foram umas 200 páginas para provar tal tese.


Faço-lhe duas perguntas:


1 - Por que os negros ganham correspondentes a 53% do salário dos brancos com o mesmo nível educacional?


2 -Por que a distância percentual entre o salário de brancos e negros aumenta quanto maior o nível escolar de ambos os grupos?


Como é autor de um livro sobre o tema, talvez esteja disposto ao debate. Há muita gente disposta, tenho certeza, mas se preferir fazê-lo comigo, aqui estamos. Não sou especialista, mas, sinceramente, você também não é.


Mas de comunicação Ali Kamel deve entender ou não seria diretor executivo do jornalismo da TV Globo. Como do tema também entendo um pouco, ao debate.


Ele se diz preocupado com os ataques que a “grande imprensa” está sofrendo. Separei alguns trechos do artigo, para que o leitor possa fazer suas comparações. Duvido que ele fizesse o mesmo na democrática Globo ou no democrático jornal da família.


Falaria sozinho.


Diz Kamel: “A grande imprensa está sob ataque. Não do público, que continua considerando o jornalismo que aqui se produz como algo de extrema confiabilidade, conforme atestam pesquisas de opinião recentes. Os ataques vêm de setores autoritários e antidemocráticos, que, diante do noticiário, sentem-se ameaçados.”


Digo eu: Primeiro, a grande imprensa deixou de ser grande faz tempo. Só ela mesma e o pessoal que articula a comunicação no governo Lula é que acreditam nisso. Quanto à confiabilidade e a credibilidade dessa parte da mídia, piada. Se a população acreditasse na mídia comercial teria ido à rua derrubar Lula em 2006. Ela utilizou toda a sua “credibilidade e confiabilidade” para que isso se realizasse. Perdeu. Se quiser saber um pouco mais de credibilidade e confiabilidade na mídia comercial, pode ler Midiático Poder – O Caso Venezuela e a Guerrilha Informativa. Sou o autor do livro, mas as histórias são da mídia. Lá tem algumas a respeito da cobertura do Jornal Nacional e do Jornal da Globo no dia do golpe midiático-militar contra Hugo Chávez.


Diz Kamel: “Costumam seguir o seguinte padrão: mentem, atribuem à grande imprensa coisas que ela não fez e denunciam conspirações que não existem. Sempre num tom indignado, dourando a grita com defesas "apaixonadas" da liberdade de expressão e do que chamam de democratização da mídia. Um disfarce.”


Digo eu: Apresente as teses mentirosas dessa mídia que tanto lhe incomoda e que lhe motivou a escrever tal artigo, que daqui listo as “conspirações” que você considera falsas. Por favor, usando documentos ou depoimentos que não sejam em off. Assim não vale. Jornalismo, Kamel, jornalismo. Quanto à tese de democratização da mídia, por acaso a preocupação se deve ao fato de as concessões da TV Globo vencerem em outubro? Se for, lhe digo, estaremos fazendo campanha, sim, para levar o Brasil ao primeiro mundo. Não é isso o que os senhores querem?


Vamos fazer campanha para que a legislação das comunicações no Brasil adote padrão que não seja o das capitanias hereditárias e da barganha política. Isso é disfarce? Disfarce é o que vem a seguir.


Diz Kamel: “Às vezes, publicam livros, financiados por partidos, com estudos pseudocientíficos como os que tentam demonstrar que, em 2006, os jornais penderam pesadamente a favor de [Geraldo] Alckmin e contra Lula, no noticiário eleitoral. Tais estudos se esquecem apenas de contar que todo o noticiário sobre o mensalão e outros escândalos foi considerado prova de desequilíbrio contra Lula. Ora, se é assim, qual seria a alternativa para que o estudo apontasse equilíbrio? Não noticiar os escândalos? Mas isso sim seria perder o equilíbrio e a isenção.”


Digo eu: Coragem, Kamel, nome aos bois. Diga com todas as letras que está tratando do livro A mídia e as eleições de 2006, organizado pelo professor Venício A. Lima e no qual tenho um texto publicado. O livro é da Editora Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT. Curioso é que nunca li nada de Kamel tratando do Instituto FHC.

Ou mesmo falando do financiamento do mesmo.


Quanto ao argumento do “mensalão”, pergunto: na cobertura da TV Globo em Minas Gerais, por exemplo, o “jornalismo” fez questão de mostrar em que momento nasceu o Valerioduto? Isso foi explorado como deveria, ao menos em Minas Gerais? Venhamos, Kamel, venhamos.


Kamel diz: “Quanto mais variadas forem as fontes de recursos que sustentam um jornal, uma revista, um portal de internet ou uma emissora de rádio e televisão, mais livres e independentes serão esses veículos. O leitor pode fazer o teste. Veja os anunciantes da grande imprensa e verifique: a variedade é tanta que o veículo não depende, nem de longe, de ninguém isoladamente para sobreviver. E por isso é livre. E por isso é independente.


O leitor poderá fazer outro teste. Procure algum veículo que se diga livre e independente e ao mesmo tempo se dedique costumeiramente a atacar a grande imprensa e a defender este ou qualquer governo.


Veja os anunciantes. Eles serão poucos e a concentração, grande. Quase sempre, será propaganda governamental. Se o veículo for um portal de internet, verifique quem são os controladores: fundos de pensão de órgãos do governo.”


Digo: Ok, aceito o desafio. Kamel abre as contas da TV Globo, daqui abrimos a da revista Fórum, que tal? Não posso responder pelo IG, que me parece ser o portal que ele acusa, mas falta-lhe coragem para nomear.


Não posso responder por Carta Capital ou outras publicações que costumam apontar o profundo pântano de mídia comercial brasileira. Posso adiantar-lhe que nunca fomos ao BNDES assaltar os cofres públicos, que não fizemos lobby por Proer da mídia e que não ganhamos concessões.


Mas, permanece o desafio, contas na mesa.


Kamel ainda diz: “Portanto, livre mesmo, só a grande imprensa. Só ela tem os meios para investir em recursos humanos e tecnológicos capazes de torná-la apta a noticiar os fatos com rapidez, correção, isenção e pluralismo.”


Eu retruco: A verdade é que a tal ‘grande imprensa’ já está se coçando porque meia dúzia de veículos e alguns jornalistas livres e pouco afeitos a serem papagaios de patrões têm utilizado seus espaços para fazer o contraditório.


E com isso tem conseguido garantir não só um pouco de diversidade informativa, como obtém furos como os de Raimundo Rodrigues, que desmascarou a armação daquele Jornal Nacional que não noticiou o acidente do avião da Gol, lembra Kamel? Ele está no livro que você chama de “comprado” pelo PT. Se quiser, releia-o.


E assim ele encerra seu artigo: "Já aqui, temos de conviver com essas bazófias. Porque aqui, ao contrário de lá [refere-se aos EUA], há quem queira que a informação esteja a reboque de projetos de poder."


E eu pergunto: Kamel, quando você fala em informação a reboque de projetos de poder refere-se à posição da TV Globo na época da ditadura ou nos anos FHC?


///